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O filme sobre Temer | Pedro+Cora

¶1Cora, Rona, de que falaremos hoje em Pedro e Cora, >> de termos ido ao cinema juntos. >> É, e eu vi a Cora fazendo uma coisa que eu nunca tinha visto ela fazer na vida. Ah, a gente vai falar de Michel Temer também, então vem. Cara, Rona, eu vi uma coisa hoje que eu nunca assim na minha vida que eu fosse ver. >> Hum.

¶2>> Você >> eu >> às 10 da manhã. >> Ah, isso, isso realmente pouquíssimas pessoas viram porque acontece >> pouquíssimas vezes. Eu sou um animal noturno. >> É, >> eu vou dormir às 4:05 da manhã. E eu antes de meio-dia não boto o pé para fora do meu quarto, nem por decreto.

¶3>> Mas hoje fomos juntos ao cinema. >> Fomos ver o novo filme do Bruno Barreto. >> 963 Dias é o nome do filme. É um filme sobre Michel Temerl. E o que que você achou do filme?

¶4Olha, eu acho que o Bruno fez um filme muito interessante e muito importante, sobretudo porque as histórias precisam ser contadas e se a história escapa, você, quanto mais longe você fica da história, mais difícil é recontar essa história. Achei. Você imagina, eu fui ao cinema às 10 da manhã. Isso é como qualquer pessoa normal e ao cinema às 4 da manhã. Mas é verdade, eu tenho que fazer, eu tenho, >> gente, eu eu sou uma pessoa que acorda tipo 6 horas da manhã, 6:20 da manhã, tá?

¶5>> As pessoas estranham, mas eu tenho que mostrar esse ponto para as pessoas verem o que que representa. >> Isso é uma coisa que tem a ver com biorritmo, né? Sim, porque desde pequena eu tenho esse problema. A minha mãe me pôs para estudar até de tarde, depois de um certo tempo lutando para me acordar. E eu de eu a única vez na minha vida, a única época da minha vida que eu passei acordando cedo foi quando os meus filhos eram pequenos.

¶6Porque é isso? É, é, não tem jeito, você tem que, mas assim que eu tive condição de voltar ao meu ritmo normal, o corpo volta. Eu sou inteiramente notível. Então, e olha num cinema com umas excelentes poltronas, daquelas que espicha a patinha, você pode botar o pezinho lá em cima, fica quase deitada. O fato é que eu não dormi nenhum momento.

¶7>> O filme manteve o meu interesse. É um documentário, não é Odisseia. >> É um filme de 1 hora 40, mais ou menos. >> É, é um filme contando a história do Brasil. Eu gostei muito da produção, eu gostei muito da forma como a história foi contada.

¶8Eu acho que a história é polêmica, é complicada. Há pontos que ainda que eu não considero inteiramente satisfeito nessa história. São dúvidas, mas eu acho que é um belo trabalho, sabe? É o e e depois a gente foi almoçar com Bruno, né, e seguimos conversando. Eu acho esse esse filme, vou mudar o serviço, ele em setembro ele deve passar na televisão aberta, na Band e logo depois estará no catálogo da Global Play.

¶9>> Isso. >> Eh, eu super recomendo todo mundo a a ver. Então, o seguinte, eu acho que a gente tá naquele ponto que a gente precisa olhar pro que foi esse governo teve do que que do do que que eu tô falando aqui. Eh, em geral as pessoas falam sobre o governo Temer ou eh e se vem da esquerda, aquela coisa assim, governo golpista, isso, aquilo, tudo mais, eh, ou então falam como se fosse um governo não existente, né? Uma coisa que passou rápido, bem, 963 dias, né?

¶10Mas a rigor, o Temer era o více da Dilma, então ele não tem a simpatia nem da esquerda, nem da direita, >> nem da esquerda, nem da direita. E no entanto, o Temer é aquele político que, com todos os seus defeitos, eu acho que tem muitas coisas que eh eh o Temer faz ainda hoje, que eu por que que ele tá fazendo isso, né? Eh, ele não tinha que ficar o O Bolsonaro quase sofreu um impeachment. Ele não sofreu impeachment por causa do Temer. Eu acho que o Temer atrapalhou.

¶11Eh, eh, agora isso tudo posto, >> ele é num momento em que é engraçado porque ele era para ser um político aposentado e, no entanto, ele ainda continua sendo aquela figura que é capaz de conversar com os dois grupos políticos, né? Ele ele tem interlocução com gente dentro do PT, ele tem interlocução com Centrão, ele tem interlocução com gente do grupo bolsonarista. e e por pior que estejam as circunstâncias eh da política, por mais acirrados que estejam os ódios, os ódios dentro da sociedade e tão a gente segue precisando de pessoas que sejam capazes de >> de fazer a parte, >> intermediar conversas difíceis. Ele ele é uma figura muito muito mais complexa do que a gente pensa, né? Porque a tendência da gente olhar pro temer, a gente a gente pensa logo no vampiro, no fora temer.

¶12Não, não é uma figura agradável, ele não é uma figura carismática ou como uma figura de alto relevo, né? Ele é uma figura de bastidores, basicamente. E as figuras dos bastidores são sempre curiosas, são sempre tem sempre camadas que a gente não conhece, que a gente dá por garantidas, mas não estão nada garantidas. >> Uhum. Hã, eu achei muito curioso isso, porque apesar dele ter sido presidente, eu acho ele sempre uma espécie de figurante, mas isso é um equívoco.

¶13>> É, não é não, >> porque se há uma coisa que o Temer não é, é ser figurante da história. Não, >> ele é ele ele tem o peso de um protagonista, mas ele tem a descrição de um de um figurante. Então ele é aquele tipo de cara que dá as cartas, mas você não nota que ele tá lá. >> Ele tem uma certa vocação para aquela figura literária espetacular, né, que é da eminência parda. >> É isso, >> né?

¶14É essa a expressão que eu tava procurando. É isso. >> Isso. É isso. O presidente Michel Temer tem uma e e ele tem um aspecto que eu acho muito interessante, que é o seguinte.

¶15Ele como presidente da Câmara de Deputados, ele ele foi presidente da Câmara de Deputados no segundo governo, Fernando Henrique. Ele organizou e profissionalizou a Câmara dos Deputados. Eh, o o governo Fernando Henrique, ele é muito importante, do ponto de vista institucional, tem tem um processo que as pessoas não compreendem com muita clareza, eh, que é o seguinte: quando você tem uma Constituição nova, aquilo não é um regime pronto. Claro, uma constituição, um regime precisa de uma constituição. Então, quando a Câmara dos Deputados, quando, aliás, foi deputado constituinte, né, o Temer, >> foi >> eh quando você cria uma Constituição, aquilo é um livro que tá lá dizendo quais são os direitos dos cidadãos, né?

¶16Uma constituição de uma democracia liberal tipicamente diz quais são, que liberdades nós temos direito. A que liberdade nós temos direito, né? liberdade de ir e vir, liberdade de fazermos acordos com quem a gente quiser, né, de livre associação, liberdade de expressão, você vai estabelecendo lá as liberdades. Todos nós temos direito à vida, temos direito à dignidade, você vai estabelecendo os direitos e simultaneamente você estabelece qual é a estrutura do Estado, né? Olha, o o o estado embaixo da Constituição, você tem um estado dividido em três poderes: legislativo, judiciário e executivo.

¶17A a eleição de presidente da República vai ser de tanto, tanto tempo. A eleição para deputado federal, senador vai ser de tanto tanto tempo. Como é que você estrutura eh eh a União? você tem embaixo da federação da união, você tem eh eh os entes federados, que são primeiro os estados, depois os municípios, você você faz aquele desenho institucional. Agora, como é que o legislativo e o executivo se relacionam?

¶18Como é que os dois se relacionam com o judiciário? Como é que como é que essas coisas têm que ser inventadas e e tem que ser criadas? A maneira como o executivo e legislativo se relacionam foi inventada no governo Fernando Henrique Cardoso. É, é um troço ataalhoado no governo Color. É um troço ataalhoado no governo Sarney, no governo Color.

¶19É um troço ataalhoado no governo Itamar Franco. No governo Fernando Henrique, o Fernando Henrique chega lá com aliança com o PFL, né? O o PSDB com o PFL. Aí trazem junto eh dentro do governo o PMDB. os ministérios são distribuídos entre esses partidos e em compensação o os líderes na Câmara eh desses partidos organizam os votos eh para que a Câmara possa aprovar as coisas.

¶20No primeiro mandato do governo Fernando Henrique, aquilo é muito dependente de duas figuras, que é o ministro das comunicações, que era o Sérgio Mota, o Serjão. >> Ah, o Sérgio Mota, o trator. É, >> é, pois é. E Luiz Eduardo Magalhães, filho de Antônio Carlos Magalhães, que era presidente da Câmara. E essa essa relação pessoal do Serjão com Luís Eduardo produz boa parte dessa dinâmica.

¶21O problema é que ali eram duas personalidades particularmente fortes que se davam bem e que resolviam a coisa. Mas isso não é uma relação institucional, isso é a a na ponta do executivo já estava resolvido com a divisão dos ministérios pelos partidos. na ponta do legislativo, era extremamente dependente dessa relação desse ministro com esse presidente da Câmara dos Deputados. Os dois morrem, né, eh, na virada ali do FH1 para o FH2 e de repente você como é que resolve esse negócio? O que o Temer faz é organizar e digamos assim profissionalizar o que quer ser presidente da Câmara.

¶22Ele tem um grupo político que organiza o poder e organiza as pautas. Eles tinham uma lista de todos os deputados federais. Eles sabiam cada votação importante, quem ia votar, como eles iam mantendo o controle. E aí eles tinham as reuniões de líderes, eh, eh, principalmente ali no no na presidência do Michel Temer, na Câmara de Deputados, que esse colégio de líderes eh se torna, de certa forma, institucionalmente a a estrutura que define qual é a pauta da Câmara. Então, se um deputado queria que um determinado artigo, um determinado projeto de lei fosse votado, ele precisava falar com o líder do partido dele.

¶23E o líder do partido dele, eh, precisava na reunião dos líderes trazer aquilo e negociar junto com os outros líderes. >> Eh, parece uma bobagem o que eu tô falando. Eh, mas aquilo dá uma previsibilidade pro trabalho da Câmara de Deputados? Isso hoje em dia é uma bagunça, tá? Eh, só não desmontou tudo, >> mas naquele período o troço é institucionalizado.

¶24E e tem uma coisa que a a Luciana Temer, filha dele, que é é muito interessante que o Bruno Barreto tenha entrevistado a a Luciana e ela aparece com alguma frequência porque ela é muito crítica do pai, ela ela vea espetacular. Não, ela é uma pessoa fenomenal. A Luciana Temer é, >> eu sou eu sou fã dela, cara. uma pessoa e >> é uma pessoa de um perfil extraordinária. Não, não, não, não.

¶25E o trabalho dela é na luta de violência contra a mulher, tudo mais. >> Ela é ela é espetacular, >> descrição e eficácia, né? Eh, >> mas tem uma coisa que ela >> acha que inseria o perfil do Temer se não tivesse havido o impeachment e ele não fosse >> subitamente lançado à presidência da República? Es seria uma uma eminência parda. Continuaria sendo até hoje.

¶26>> Claro, claro. Eu só ia amarrar coisa. Você tem uma coisa que Luciana repete toda hora no filme, que é o o Temer é o cara da institucionalidade. E é muito interessante que, de fato, o presidente da Câmara dos Deputados que tornou a Câmara de Deput, que institucionalizou, deu forma, deu estrutura, mostrou como como pode funcionar bem uma Câmara dos Deputados, foi Michel Temer. Eu eu tô citando isso porque, embora isso não esteja muito claro no filme, eh é daquelas coisas que as pessoas não sabem, porque as pessoas >> porque é uma figura de bastidores.

¶27É isso. Ele tá numa >> porque é o dia a dia da política, né? Mas ele ele tá numa posição muito esquisita existencialmente, digamos, e em termos de vida pública, porque você tem muita gente desse desse mesmo segmento dele, de um de um centrão, digamos, que é muito mais carismática e que você conhece muito mais. O Temer é uma incógnita. >> É claro, >> não é?

¶28É que o o que é interessante no filme é isso. >> Ele ele ele é um cara tão formal, eh, e ele fala enrolado. O que eu quero dizer com fala enrolado é as pessoas vão rapidamente achar que eu tô falando ah, porque ele usa mesóc. Não, não. Pois é.

¶29As pessoas imediatamente vão achar que eu tô falando que ele fala enrolado porque ele usa mesóclise, porque ele usa eh ele tem um bom vocabulário. Vamos lá. >> O o problema é, ele usa 10 palavras onde três bastariam. >> É, >> então quando você enche muito com muita palavra e e e metade são palavras de apoio, às vezes você se perde e não percebe qual é a mensagem. Exatamente.

¶30Que aliás era uma técnica >> comum na política. Continua só não é só não continua porque os caras não têm mais vocabulário para fazer isso. Mas você se lembra do petrôleo Portela? >> Não, não lembro qu sei quem foi, mas >> foi antes do teu tempo. Petrô Portela era ministro da >> Eu era >> da justiça no num dos governos militares.

¶31Qual era? >> Acho que foi Figueiredo. O Gás ou o Figueiredoed? O Figueiredo, um dos dois, >> acho que no >> um dos dois e eu fui encarregada de entrevistá-lo >> e era o civil do governo naquela época, era a única pessoa civil naquele naquele planalto, naquela explanada dos ministérios. E e eu fui, eu era muito muito jovem, muito jovem.

¶32Eu tava começando o jornalismo, sem ter ideia do que que eu tava fazendo. Enfim, e me disseram entrevista o o Petrônio Portela, lá fui eu. E foi uma longa entrevista e nós passamos mais de uma hora juntos conversando, conversando, tomamos sei lá quantos cafezinhos. E quando eu cheguei na redação, eu tava contentíssimo porque eu achei que eu tinha uma entrevista com ele. Quando eu tirei essa entrevista, que isso era o maior sacrifício do do jornalismo naquela época, porque você gravava a entrevista e aí você tinha que ouvir >> isso.

¶33Vivi muito, tá >> bom. E você tinha que passar aquilo palavra por palavra paraas laudas, né, da tililografar aquele negócio. E só aí enquanto eu tirava a entrevista que eu me dei conta de que ele não tinha dito nada. Típico Temer, porque ele falava. Então >> eu fazia uma pergunta, ele respondia e eu ia meio que embalada no som daquelas palavras, achando que ele tinha dado uma resposta.

¶34Mas você sabe que tem um momento no filme que eu achei, eu achei muito bonito. Eu acho que uma coisa que o Nelson Jobim fala, você vai lembrar se foi outra pessoa, eh, que é alguém que descreve os maneirismos do Temer. E eu já o entrevistei embora por vídeo algumas vezes e e e sei exatamente o que que é isso. Eu acho que qualquer um que já tenha assistido entrevista eh com o presidente Michel Temer e já reparou isso. Você faz uma pergunta pro Temer.

¶35O Temer se ajeita na cadeira, levanta as mãos e veja bem, né? E e ele ele começa a fazer este movimento assim com as mãos. E e a maneira como o Jobin descreve no filme, acho, eu tenho quase certeza que é o Jobin, a maneira como o Jobin, esse gesto assim, o Jin fala, o que ele tá te mostrando é que não tem atrito nenhum nessa conversa. >> Ah, >> não tem atrito nenhum. E de certa forma, eu acho que é isso mesmo.

¶36Eh, ele ele ele é o cara que >> Mas não há atrito, não há atrito com ele. Isso >> como o Sarnei também, viu? >> Eu sei. É, é velha de política. É o o sarnei, é aquela figura, vamos ser francos, deplorável, um péssimo escritor e como político que nós >> Mas o Milor Fernandes gostava tanto dos livros do Sardi.

¶37Por que que você tá sugerindo você que conviveu tanto com Milô? >> A gente ria daquilo, né? Nossa, o Milô fez, o Milô chegou a fazer um livrinho de crítica aos livros de Sarnei. >> Eu tô sendo irônico, tá gente? É, é isso aí talvez seja já a piada de velho, >> mas >> mas é que o Milor na coluna dele na Veja ou no JB?

¶38no JB esculhambava com o Sarne era presidente, o que ele falava de >> Não, ele ele ele reproduzia trechos do livro de Sarnei e o Milor tinha um talento para pegar os trechos mais bizarres piores dos piores dos piores >> dos piores dos piores. O Milor era um tremendo de um editor, né? E tinha um ouvido pra língua e pra palavra. Então quando você lia aquele parágrafo que o Milô botava, >> é, >> mas era um negócio que o Milô não precisava escrever nada, bastava botar aquilo lá que você chorava de rir com aquilo. >> É, >> era muito, porque era muito ruim.

¶39>> Era muito ruim. >> Era marimbondos de fogo, né? Eu só lembro de marimbondos de fogo. um cara que dá um título desses a um >> a um livro Maribondos de Fogo. >> Eu eu eu hoje em dia acho que a gente implica demais com o título e e e marimbona de fogo ficou >> um título ruim porque >> o Milô me disse que marimbondos ele escreveu isso, que marimbondos de fogo era menos pior do que aquele outro que eu já esqueci como é que se chamava.

¶40É, pois é, >> mas enfim, mas o Sarnei era um cara inteiramente oleos. Olha aqui, >> era um político extremamente cora, o cara era presidente do partido da ditadura e virou o presidente da do civil da redemocratização. Olha aqui, nós >> se isso não é habilidade política, o que é >> nós estávamos um dia com Zé Aparecido, lembra do Zé Aparecido? >> Claro que sim. >> Zé Aparecido foi um grande >> ministro do governo Fernando Henrique, né?

¶41>> Sim. e um político mineiro que era a quinta essência do que a gente >> chama de político >> chama de político mineiro. Então eu me lembro que estávamos o o Chico e a Eliana, mulher dele, Chico Caruzo, e o Milour e eu. O o Zé Aparecido tinha sido operado de alguma coisa do coração e tava hospedado ali no Hotel Glória. E nós fomos visitar o Zé Aparecido, que era amigo de todos nós.

¶42E de repente quem entra naquela suí, Sarnei. E eu pensei, digo, pronto, da porque o Chico Caruzo naquela época dia sim, dia não, fazia uma caricatura do >> Ele era presidente, >> ele era presidente. O o Chico Caruzo dia assim de Anão, fazia uma caricatura descascando o sarnei e o melor, né? Nem preciso dizer da Nouce, mas né? tá falando a amadora da política e do alto mundo, porque o Chico e o Mil fizeram aquela cara de paisagem imediatamente e o Sarnei os tratou como se fossem velhos conhecidos e não tivesse nenhuma mágoa de ninguém.

¶43E >> é >> e aquela tempestade que poderia ter acontecido se desfez no minuto e nós metemos. Você sabe que uma das histórias que eu passei minha infância eh ouvindo foi do o o o do Roberto, o o Roberto era primo e irmão do meu pai, meu primo, né, meu tio. Eh, a Teresa, mulher dele, era eh era minha madrinha. E e o Roberto, ele ele contava muito uma história que eu achava deliciosa, eh, que era que era o seguinte, ele com 16 anos de idade, com um amigo no Jquey Clube num grande prêmio Brasil, tá 156, 57, tal, eh, os dois assistindo um grande prêmio ao Brasil e falando mal do presidente que era JK. Eh, e e falavam alto e cada vez mais barbaridades.

¶44E e de repente um sente um braço num ombro, o outro sente um braço no outro, ambos olham para trás e olhando para eles existe um sorriso de um lado ao outro extremamente simpático, que se vira e fala: "Por que que vocês não gostam de mim?" E era o próprio Jcelino, afinal grande prêmio Brasil naquela época. Presidente da República aí >> assistido, né? Que é exatamente essa outro político mineiro, eh, que é exatamente essa habilidade que políticos têm ou tinham, né? De >> tinham, né? Porque eles atacam, >> é, >> querem fazer, >> que é uma coisa de você >> tirar o fusível, né?

¶45Mas eu quero voltar uma coisa no filme, porque eu acho que é preciso ter coragem para fazer um filme sobre Michel Temer no Brasil ainda hoje. >> Ah, tem razão, >> sabe? Isso eu tiro o meu chapéu pro Bruno, porque uma coisa é fazer um filme sobre figuras populares, até o Dark Horse lá, que porcaria que deve ser aquilo, mas enfim, mas você tem toda uma claque bolsonarista para ir assistir ao filme, para te botar nas alturas. Você tem outra claque para te pô no chão, mas enfim, mas você tem a tua turma. Quando você pega uma figura feita temer, você não tem ninguém para te dizer que bacana.

¶46E você tem todo mundo para te dizer canalha, faxista, não sei quê. Eu não duvido >> que o Bruno venha ter dedo apontado na na cara dele, chamando ele de fascista. Vou fazer um filme sobre o Temer. Tanto faz, se é contra, se a favor, muito antes, pelo contrário. O, eu acho que o filme, aliás, é bastante muito antes, pelo contrário, mas você sabe o que que é o meio artístico?

¶47Não, é claro que eu sei. >> Olha, é muito difícil você fazer um filme sobre uma pessoa que não é gostada obviamente por ninguém, por uma pessoa que não é um líder populista, uma figura carismática. Aham. >> Né? O >> independentemente de ser populista, se que é um líder popular, né?

¶48Um líder popular, >> ele não teve um momento de popularidade, né? não é popular. O irmão do Bruno, Fábio, fez um filme sobre o o Lula. Lula, o filme, o filho do Brasil. >> Isso.

¶49Uma um filme de ficção, né? >> É, mas >> Sim, sim, sim. >> Não era um documentário, era história do do Lula. >> Isso >> contada teatralmente, né? Ou cinematograficamente.

¶50>> É uma biopic. >> Uma biopic. Exatamente. É um projeto mais bem-vindo, porque todo mundo, ó, história do Lula e tal, mas o tema é você tem que ter muito, >> muita segurança para encarar, sabe? Eu eu eu pensei nisso porque eu digo: "Olha".

¶51E no entanto, e por isso que eu acho que o filme é muito importante, porque eu acho que a história tem que ser contada. >> Uhum. >> E aí, quem é que vai contar essa história, né? Porque a esquerda não toca no Tom do Temer, né? A direita ignora.

¶52>> Então >> você tem essa curiosa figura que percorreu toda a história recente do Brasil, >> todo o processo de democratização. Ele começa como >> secretário de >> do INT, né? Eh, ele começa como secretário do Franco Montoro, eh, que é o que é o >> ainda no governo de São Paulo, né, >> que é o o grande, é o grande governador da democratização de São Paulo. >> É, é verdade. Uma grande pessoa.

¶53>> Aí ele vai pra pra constituinte, ele não é eleito deputado constituinte, ele é suplente, mas ele vai paraa constituinte. Eh, eh, e parte da constituinte, ele tá lá. E e e aí começa a ser eleito regularmente presidente da eh eh deputado federal. Eh, até que no segundo governo Fernando Henrique, ele o grupo dele, ele ele tá ele no primeiro governo, Fernando Henrique, ele já tá como líder do PMDB. Eh, no segundo governo isso alça ele a presidência da Câmara dos Deputados.

¶54é uma uma figura constante, >> é uma figura que vai galgando degraus e vai galgando o degraus por essa habilidade fenomenal de >> de conciliação. É, é, é uma coisa, tem um, tem um aspecto que eu acho, é extremamente cruel dessa acusação que a esquerda faz golpista, quando é é muito curioso, porque o principal argumento da esquerda para dizer que o o o Temer é golpista é o seguinte: eh impeachment vale quando o crime existiu, quando o crime não existiu, o impeachment é um golpe. E o problema fundamental desse argumento é o seguinte: o impeachment é um processo judicial que ocorre dentro do Senado Federal. Eh, quem decide se um crime aconteceu ou não é o juiz ou os juízes no tribunal colegiado. Os juízes são os senadores.

¶55Então, é como se você pudesse dizer para qualquer julgamento no Brasil, eh, só é crime se eu acho que é crime, não se o juiz acha >> que não funciona assim. Se o juiz acha que houve o crime, eh, legalmente o crime aconteceu. É claro que você pode discordar, >> o juiz, o juiz pode estar errado e você pode entrar em novas instâncias e >> e você pode ter, você recorre e tudo mais e você sempre tem o direito de eh eh reclamar da decisão do juiz, criticar a decisão do juiz, dizer que o juiz errou, dizer que o juiz é um canalha, dizer que o juiz é um ladrão, você pode dizer tudo, mas fundamentalmente a decisão do juiz e a decisão que vale. E legalmente legal é. E é é aquela coisa, decisões do Supremo.

¶56O Supremo tá tomando decisões com cada vez mais frequência, que são decisões das quais eu discordo. Seguem sendo as decisões do Supremo Tribunal Federal. e é é o que o que garante a legalidade, o que faz de um estado democrático de direito, um estado democrático de direito, é o fato de >> tem uma parte de direito n é que nós temos um acordo >> e e esse acordo fundamentalmente na sociedade é >> quando o juiz dá a palavra final, a palavra final foi dada. É a frase do Rui Barbosa, né? O Supremo erra por último.

¶57>> É isso. A beleza dessa frase, a beleza dessa frase é pode ser um erro, mas é o último. É, >> é a palavra final a respeito do troço. >> E e a gente pode ter uma conversa a respeito do eh eh a gente pode ter uma conversa a respeito de se a gente concorda ou não com a decisão do impeachment. Eu fui a favor do impeachment e hoje eu acho que eu errei e que o o impeachment foi um erro político.

¶58Agora que o processo é legal, é que não é um golpe, não é e e tem uma injustiça profunda em você chamar o temer de golpista, porque isso é justamente o processo de criminalizar a política que a esquerda tanto eh critica. O Temer fez política o tempo todo. >> Olha, eu, ao contrário de você, eu fui contra, >> eu sei >> o impeachment. Eu não gosto da Dilma, não gostava, não gosto de vou continuar não gostando. Ah, mas eu acho que não podia ter sido impada pelo seguinte, porque votos têm consequências.

¶59Então você elegeu o PT, o governo está péssimo, azar o seu. Você tem que segurar aquela pessoa lá. Você elegeu aquela pessoa, lamento muito, o país elegeu ela. Ah, mas o país vai fale. Olha, se não tivesse havido impeachment, o Brasil tinha quebrado, tinha, mas a gente não teria tido Bolsonaro e o PT tinha acabado por ali, teria se transformado num partido comum.

¶60Então, teria desarmado toda essa polarização e se formou a partir dali. >> É, qu >> quer dizer, já existia antes, mas se agravou. O país estava numa crise muito feia. Eh, era uma crise econômica muito feia, era uma crise institucional muito feia. a presidente tinha perdido por completa autoridade.

¶61Eh, e existe um cientista político argentino que eu respeito imensamente, que é um professor da Universidade de North Dames chamado Annibal Peres Lingan, que escreveu um livro sobre impeachments na América Latina, que começa com o impeachment do color e e e vários países fazem e o que ele mostra essencialmente é eh desde o início da eh eh das repúblicas latino-americanas ali, início do século XIX, eh, 1806, 1808, começam a ter repúblicas independentes na América Latina. Eh, sempre que havia uma crise institucional entre executivo e legislativo, aquilo virava um nó eh eh que só era desatado como intervenção militar. E assim a gente começa nosso histórico latino-americano de de golpes militares de tantas e tantas décadas. De vez em quando você tem um golpe militar, entra num período ditatorial e aí volta tal. E e a tese do Hibel Perez Lingen é o seguinte: o Brasil descobriu em 1992 a maneira de você desatar esse nó dentro da democracia que era o processo de impeachment.

¶62E praticamente todos os impeachments que acontecem a partir dali pacificam os países. Não é só o Brasil, tá? Vários outros países, Peru faz impeachment, Paraguai faz impeachment, vários outros nossos países vizinhos eh de vez em quando vão lá e fazem o impeachment e aquilo desata o nó, pacifica o país e e você volta a ter uma conversa civilizada. Eh, foi em cima do Peres Lan, é, o Peres Lian tem razão, porque é assim que tem acontecido desde então. Eh, a gente precisa desativar essa crise que tá crescendo, crescendo, crescendo, crescendo.

¶63Agora, claro, você tem razão. Aquilo que funcionou desde 92 em todo o continente parou de funcionar, começou a funcionar no Brasil. e parou de funcionar como solução institucional no Brasil em 2016. Eu concordo com você que ao invés de desativar e pacificar, eh, >> ele acirrou as diferenças. >> Acirrou as diferenças e e aquilo vai dar na eleição do Bolsonaro, aquilo vai dar na >> aquilo vai dar no Bolsonaro, aquilo vai dar no Lula de novo.

¶64>> Eu não tô eu não tô >> É, foi foi um equívoco total. Eh, eh, claro que foi, claro que foi. Eh, agora, ter sido um erro político não quer dizer que tenha sido ilegal. >> Sim. Não, isso, isso, isso aí já é até questão quase semântica, eu acho.

¶65Sabe? Quer dizer, é uma questão político semântica. Uma porque isso é importante, porque >> Sim, eu sei. Porque você dizer que é golpe, você >> porque aí é uma ruptura, é uma ruptura institucional. Eh, enquanto que você tá você tá falando, a gente tá falando de um, de um político, eh, que é fundamentalmente um, um político, >> um constitucionalista >> da democracia, eh, eh, um operador da democracia.

¶66E com muita frequência e as pessoas olham para esses operadores da democracia, eh, até por não entender bem o quanto que essas figuras, que são pouco carismáticas, porém muito eficientes em fazer pontes, porque as pessoas compreendem mal, às vezes tem uma impressão muito ruim de quão importante um político como como que ele é. E no entanto, esses políticos são fundamentais para que democracias funcionem. Eh, e e por isso eu acho que tem esse aspecto um pouco injusto, perdão, eh, de chamar o Temer de golpista quando ele é tudo menos isso. O golpista é o Bolsonaro, eh, um golpista é Castelo Branco, entende? Golpista é Deodora da Fonseca, a gente golpista de Túlio Vargas, a gente tem golpistas.

¶67Michel Temer não era isso. Michel Temer era um outro bicho. É, é, é o bicho das pontes. Agora foi um governo infernal, né? Não porque ele não tem entregue muito, porque ele entregou muito, mas tem o ataque eh eh do Janô, né?

¶68Tem aquela coisa de é aquele presidente que, por um lado, tem um procurador geral da República tentando derrubar ele a a em cada esquina. e e por outro aquela máquina populista de extrema direita começando a organizar a greve dos dos caminhoneiros tentando derrubar ele. Quer dizer, eh é um governo >> é impopular para todos os lados >> e e que fica em permanente sobre permanente ataque, né? >> É, mas é interessante a gente observar isso já a alguma distância, né? >> É.

¶69É. E esse é o valor do filme do do Bruno, eu acho, que nos permite >> voltar para aquele mundo. É, vai tá na Global Play, eu recomendo. >> É, eu eu recomendo muito também. >> É, >> eu assisti às 10 da manhã.

¶70>> Cora, terça-feira temos livro? >> Não, >> vou explicar porquê. Exatamente porque eu falei 10 da manhã. Para est às 10 da manhã no cinema Leblom, eu tive que acordar às 8 horas da manhã. Para muita gente isso é tarde, para mim é como qualquer pessoa sair da sua caminha quentinha às 3:30 da manhã.

¶71Tomei banho no piloto automático, me vesti no piloto automático, mas o piloto automático falhou em fazer as contas. Lembrando que, ah, depois você tem que gravar o podcast. Portanto, cadê o livro? Eu quando acordo às 8 alguma coisa tem que dar errada e dessa vez foi o livro que ficou em casa. >> Então, terça-feira que vem, >> na terça-feira que vem teremos.

¶72Vou trazer dois para compensar. >> Maravilha. Então, até quinta, né? >> Até quinta. >> Essa campanha tem que começar a verdade derrotando a mentira.

¶73O filho mais velho do capitão segue aqui de pé, firme e forte ao lado do povo brasileiro. >> Os dois estão jogando o mesmo jogo, cada um preocupado com a sua eleição. Ninguém tá preocupado com o Brasil. >> Tudo que dá certo nesse país parece que o Ped não gosta. Nós não precisamos ser refém de um debate político construído entre um mongoloide como Flávio Bolsonaro e um cachaceiro senil como o Lula.

¶74เฮ Yeah.