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Dino e Mendonça disputam inquérito de Bolsonaro | Central Meio

¶1เฮ Ah. เฮ Olá, muito boa tarde. Seja bem-vindo, sejam todos muito bem-vindos ao Central Meio. Hoje é terça-feira, dia 25 de agosto de 2026. Eu sou Yasmin Restum e direto de São Paulo estão comigo a jornalista e editora chefe do meio, Flávia Tavares e também o analista político Magno Carl.

¶2Tudo bem com vocês, pessoal? >> Oi, tudo bem? Bem-vindo, querido. Tudo certo por aqui? >> Obrigada.

¶3Sempre um prazer estar aqui com vocês. Tuas >> já estamos a postos? >> Sim. A gente que adora te receber, Magno. Vamos que vamos, pessoal.

¶4O STF tá ganhando os alafofotes novamente. Vocês viram? O ministro Flávio Dino abriu uma segunda frente de investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, a tal cinemiografia do Jair Bolsonaro. O detalhe é que já existe um inquérito correndo sob a relatoria do ministro André Mendonça, ou seja, são dois ministros, dois inquéritos e um mesmo tema quicando na corte. A minha avó, ela dizia que cachorro que tem dois donos morre de fome.

¶5Será que vai dar atrito entre os ministros ou isso amplia o alcance do caso? E ainda hoje a gente vai falar também da sabatina do candidato Romeu Zema no Jornal Nacional. O Zema falou as suas propostas, mas não explicou como é que ele conseguiria executá-las. Exatamente. Será que essa conta do Zema fecha?

¶6Pois bem, puxa aí a sua cadeira, se acomoda, deixa o like, manda a sua pergunta no chat que eu tô de olho e aproveita também e já se inscreve no canal porque o central meio tá no ar. Olha, embora a frente do Flávio Dino investigue o desvio de emendas parlamentares e a de Mendonça, a origem e o destino dos aportes do Daniel Vorcaro, os dois ministros tão bem, tem estão com dois inquéritos aí. Então eu queria saber, queria chamar a Flávia e o Magno aqui pra conversa se isso ajuda mais ou atrapalha mais. Boa tarde, pessoal. Boa tarde.

¶7Eh, Magno, eu vou eu vou posso me arriscar numa primeira parte aqui da resposta e aí você traz a tua análise também. Eh, a, a parte jurídica, né, eh, dos procedimentos, eh, jurídicos de como eh esses processos, esses processos devem ou não ser conduzidos. a gente pode debater eh rapidamente aqui o que já o que já foi noticiado, o que a gente conhece desse trâmite, né? Eh, e objetivamente é muito difícil de falar se vai ajudar ou atrapalhar ter ou não dois inquéritos, porque a argumentação para que eles existam, a PGR fez, a Polícia Federal fez e eles são de naturezas diferentes, né? Então, só para brevemente eh apresentar porque que o Flávio Dino está eh fazendo, tomando decisões que envolvem o Dark Horse, sendo que o inquérito do Dark Horse está com André Mendonça.

¶8uma muitíssimo breve cronologia e o caso master, que é o caso mãe aí, >> que é o caso master disso tudo. Ele começa lá em 2025, em novembro. Eh, em 2026, já em maio, eh, vem à tona a gravação, as gravações, né, dos áudios do Flávio Bolsonaro com o Daniel Vorcaro a respeito do filme. a própria Polícia Federal, eh, o Andrei Rodrigues, inclusive o diretor geral, chega a dar entrevistas dizendo, eh, que vai pedir quebra de sigilo da Revengate, do fundo e tal, mas simultaneamente o deputado federal do PT, Lindberg Farias eh apresenta uma notícia crime no Supremo Tribunal Federal, pedindo a instalação de uma nova investigação específica sobre Dark Horse. Aí o André Mendonça, como é o relator do caso Master, e essas gravações apareceram nesta investigação, eh, consulta a Procuradoria Geral da República, o Paulo Gonê, e recebe um parecer positivo dizendo sim, eh, é hora de abrir um inquérito específico para entender o destino do dinheiro dos R1 milhões deais que eh Daniel Borcaro teria colocado no filme.

¶9Isso então é um inquérito, isso está com André Mendonça, é um inquérito que está sob sigilo e cuja produção de vazamentos está estanque no momento. Por enquanto, >> é, já faz um tempinho que está sem movimentação eh pública no porque tá sigiloso e sem movimentação de vazamentos também. Enquanto isso, existia existe uma investigação outra que é a do a do Flávio Dino sobre desvio de emendas parlamentares. Desvio de emenda parlamentar de diferentes naturezas, de diferentes parlamentares, de diferentes grupos políticos. Isso está sob a relatoria de Flávio Dino.

¶10Eh, a Polícia Federal apontou que alguns parlamentares desviaram dinheiro para a consultoria, a produtora, é uma é uma dessas empresas que tem deve ter umas oito razões sociais, sei lá, da Karina, como é que é o sobrenome dela agora? inspiru da Karina aqui de São Paulo, que é aquela produtora da GoP Entertainment, que é também responsável pela questão do Wi-Fi aqui da prefeitura e que é um >> Oi, >> Carina Gama, né? Gama. >> Isso. Obrigada, querida.

¶11E aí, como esta produtora é a mesma do Dark Horse, o Flávio Dino determinou no âmbito do inquérito das do desvio de emenda, porque essa produtora teria recebido dinheiro de parlamentares e inclusive supostamente até para irrigar a produção do do tal filme. É isso que se está investigando. O Flávio Dino determinou no dia 21 e veio e à tona ontem que a Polícia Federal tenha acesso no inquérito lá do André Mendonça às investigações da Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora. Então são dois inquéritos que vão se encontrando, né, aí nas investigações, mas que ainda tem estão eh relatados por gabinetes diferentes. O movimento que aconteceu foi esse de Flávio Dino falar: "Polícia Federal pode vir olhar o que a Polícia Civil produziu aqui sobre essa produtora para ver se tem algo de útil para sua investigação." Muito bem.

¶12Isso é o relato breve, né? e do trâmite jurídico. Agora, tem um efeito político sobre tudo isso, que é o fato de que, primeiro, eh, são eh são duas investigações paralelas e com muitos pontos de contato, não tão paralelas assim, né? Tem pontos de contato. Eh, porque a definição de paralela agora eu lembrei, nossa, viajei lá pro colegial, é, que não tem ponto de contato, mas enfim, >> certos momentos não é tão paralelo assim.

¶13O fato é que os dois relatores representam hoje correntes políticas distintas e em disputa dentro do Supremo Tribunal Federal. E as investigações dizem respeito a um dos líderes das pesquisas e o outro está também com a relatoria, aliás, os dois estão com relatoria do Lulinha também, né? Então acaba que Flávio Dino e André Mendonça estão sendo alçados. eh e se alçando também, porque não raro eles próprios eh eh procuram esse holofote. Há um protagonismo na corrida eleitoral por serem relatores desses casos, por representarem correntes políticas distintas e porque são hoje são há o problema desses vazamentos todos e que isso está pautando a corrida eleitoral.

¶14Não é só que os inquéritos estão correndo lá e tá tudo sigiloso e você só ficaria de olho, não? Eh, tá vazando, tá vazando já há algum tempo bem mais do Lulinha do que do Flávio. Isso é uma briga política que está conflagrada. E aí a gente pode, claro, debater tudo, as razões ou não do porque que isso tá acontecendo, mas é um fato, é um dado. Então este é o cenário que eu quis desenhar aqui rapidamente para te passar os pra gente analisar os efeitos políticos disso.

¶15Bom, a Flávia trouxe um apanhado bem bem completo da situação que a gente se encontra e tem um complicador extra em toda essa discussão, porque quando a gente pensa em duas alas políticas, a gente naturalmente se lembra do bolsonarismo e do lulismo. A gente tá em período eleitoral, Lula e Flávio Bolsonaro disputam, aponta nas pesquisas, mas no STF essas aulas não se dividem necessariamente eh nessas linhas. havia a o temor por alguns no STF, inclusive que o mais novo indicado do Lula fosse acabar na ala do André Mendonça, o que gerou um outro tipo de mobilização, um outro tipo de ajustes de interesses, inclusive no Senado Federal. Há aquela imagem do líder do governo, Jaques Wagner, falando com Columb, deixando ali, não sabia eh quais votos exatamente a gente estava contando e do que exatamente a estava rindo. >> Uhum.

¶16É, mas inevitavelmente a gente vai acabar numa situação de medir qual inquérito sobre qual relator vai andar mais rápido, qual inquérito sobre qual relator vai gerar eh algum vazamento, se é que vai gerar algum vazamento e qual inquérito, sobre qual relator vai pautar mais a eleição presidencial. A gente tem muito pouco tempo até lá. A gente tem, segundo minhas contas, acho que 38 dias até as eleições presidenciais e inevitavelmente a gente vai acabar se eh fazendo esse pensando e fazendo esse tipo de cálculo que é nós temos dois escândalos muito vivos, >> cada um deles afeta uma candidatura e mesmo que inconscientemente a gente vai estar pensando sobre qual dos dois a gente tem falado mais, qual dos dois tem gerado mais vazamento, qual dos dois tem atraído mais atenção. não da mídia no início do ano, um pouco mais pro início do ano, não necessariamente no início do ano, lá para maio, quando aconteceu o vazamento da conversa do Flávio com o Vorcaro, eh, muita gente no campo bolsonarista dizia: "Olha, e o escândalo do INSS?" Agora nós já estamos esquecendo o escândalo do INSS, do governo Lula. Agora que a gente tá eh tá vendo a movimentação do escândalo do Lulinha, muita gente está dizendo: "Olha aí o escândalo do Flávio convocaram." O problema é que são tantos escândalos, são tantas questões que necessariamente há uma disputa por atenção.

¶17E o pior de tudo, na minha visão, não é nem que os processos estão se alongando, provavelmente vão se arrastar por muito mais tempo antes que a gente chegue a uma conclusão e a gente vai ficar refém desse debate Lulinha versus Flávio e Vorcaro ao por bastante tempo. O que mais me impacta é o pouco resultado disso, o pouco impacto disso na campanha eleitoral, porque me parece que tá todo mundo fazendo cálculo, né? As pessoas das campanhas, os militantes, eh as pessoas mais engajadas, nós mesmos, né? a gente acaba fazendo um monte de cálculo eh sobre o tamanho do escândalo, a profundidade, o quanto aquele escândalo se embrenhou ali nos nos círculos do poder de Brasília, o quanto aquilo mostra a deterioração na relação entre estado e empresariado no Brasil e o quanto isso vai impactar no comportamento do eleitor. O fato é que isso impactou muito pouco no comportamento do eleitor.

¶18O eleitor me parece estar completamente densibilizado. Outra coisa que a gente já comentou por aqui, o eleitor parece já ter feito a a sua escolha, independentemente do que vai acontecer na campanha. A campanha começou na semana passada, a campanha no Rio TV ainda vai começar nessa sexta-feira. E a BTG Nexus que saiu ontem já mostra 80% dos eleitores dizendo que já tomaram decisão e não vão mudar de ideia. Aliás, o único, um dos poucos itens na pesquisa BTG Nexus, que teve qualquer mudança significativa nas últimas seis semanas, parece ter sido esse.

¶19O Lula sobe 1%, o Flávio sobe três, todo mundo ali dentro d margem, mas as pessoas estão definindo seus votos muito antes de qualquer desenrolar de de escândalo de Lulinha ou de Flávio. Então, me parece que a notícia está aí, o fato os fatos estão aí, a Polícia, ah, o Supremo estão atrás de aprofundar esses inquéritos, mas no fundo, no fundo, o eleitor já tá meio que não ouvindo mais, não quer nem eh entender direito o que vai se passar durante a campanha, já fez a sua escolha, parece que tá só contando os dias para chegar lá, votar e resolver isso tudo logo. Agora, essa dessensibilização que você menciona, Magno, e que eu também tenho percebido e a gente até debateu já aqui isso a semana passada, eu acho que eh você estava aqui, >> eu não me lembro se era você, desculpa, mas eu acho que era, né? >> É, porque é essa coisa de eleição, né? Você tá todos os dias aqui na pancada e >> mas a gente falou disso um pouco a semana passada.

¶20>> Sim. E eu eh tô tentando elaborar isso já desde aquele dia. Eu acabei falando disso no no central, no cá entre nós. O Pedro falou disso no ponto de partida também. A gente tá tentando assentar um pouco isso, né?

¶21E ela me parece bastante em linha com uma hipersensibilização de 2018. >> Uhum. Eh, e eu comecei a a equacionar se isso não é também uma uma espécie de um refluxo, sabe? Porque a gente, eu, e conforme a gente tá testemunhando agora, eh, mais uma eleição que a gente pode estar caminhando para um um período eleitoral completamente pautado e e afogado por esse tipo de de investigação e de noticiário. E veja, eu não tô dizendo que a investigação não devesse acontecer, tá gente?

¶22pelo amor, não é isso. Eu o meu ponto é que a eleição está centrada neste momento e se esses vazamentos continuam, se as investigações avançam, porque hoje, como disse o Andreasa no programa dele, uma coisa a gente sabe que se vaza é porque a investigação tá andando, se não vaza diz que também não tá andando nada. Então, um dos sinais é de que, inclusive, a investigação do Dark Horse, a própria investigação tá tá devagar, não é só o vazamento que tá devagar, né? Eh, tem que acontecer, investigação tem que acontecer e tal, mas a gente a gente ser pautado eleitoralmente, integralmente pelas investigações, é que é que me mexe um pouco, sabe? Porque nessas assim os candidatos, o Flávio e o Lula em particular, um pouco pelos seus próprios telhados de vidro, né?

¶23Um pouco não, bastante pelos próprios telhados de vidro. Mas eu acho que também antenados com essa dessensibilização do eleitorado, eles deixam falar de economia, eles estão, tipo, e é um ponto frágil do Lula. o a economia tem índices de melhora, mas assim a a na ponta as pessoas não estão sentindo. A qualidade de vida tá mais difícil, você pagar a conta do supermercado tá mais difícil. Eh, as recuperações judiciais agora estão sendo exploradas pelo pelo Flávio para apontar o ambiente de negócios mais difícil.

¶24Então, eles estão olhando para outra coisa. E me parece que isso está antenado com os eleitores também, mas depois de uma hipersensibilidade a a Lava-Jato, em particular, a maneira como a Lava-Jato pautou as eleições de 2018. >> Eu acho que você tá perfeita nesse ponto aí. a gente precisa qualificar um pouco essa dessensibilização e nem sei se é uma coisa que a gente consegue fazer nesse ano ou se a gente vai conseguir fazer eh só no futuro. O brasileiro tem momentos de mais e menos sensibilidade à corrupção.

¶25E quando a gente tem momentos de muitos casos, a o a importância relativa de um caso específico acaba sendo diminuída. E acho que o que acontece nesse momento também, além da do refluxos de 2018, é a maior identificação com eh o cada lado, né? Maior identificação com o campo político e a menor disponibilidade de mudar de ideia. O que significa já esses 80% de eleitores dizendo que já se decidiram e não vão mudar de ideia antes mesmo de começar a campanha. são pessoas que criaram ao longo do período não eleitoral uma identificação com o seu campo político que transcende a essa h essa comunicação com as informações, essa interação com as informações.

¶26A gente pensa no período eleitoral como um período de apresentação de propostas, um período de discussão sobre os futuros eh daquela região, do país, da cidade. Mas quando a gente vive num momento de hiperidentificação política, o período eleitoral serve de muito pouco para as pessoas de fato tomarem decisão, né? se a gente já tá tão identificado, há muito pouco, o percentual de eleitores que está ali para ser convencido é muito pequeno. E acho que isso prejudica até mesmo uma avaliação mais fria do que significam esses escândalos de corrupção num sentido mais profundo mesmo. Eh, o que significa uma lobista pagar as contas do chefe de gabinete do presidente da República?

¶27O que significa a atuação do filho do presidente da República em associação com Malubista, que tinha associação com o careca do NSS, que o que significa isso tudo? Essa essa esse julgamento fica prejudicado? como ficou prejudicado o o a avaliação do que significa de uma forma mais ampla a gente ter um senador que é filho de um ex-presidente da República, que é escolhido para ser o sucessor desse ex-presidente da República, que ainda tem uma cendência política sobre a metade do eleitor brasileiro, ligar para um banqueiro super enrolado com tornazeleira eletrônica para pedir mais algumas dezenas de milhões. a gente não consegue fazer essa reflexão porque as pessoas já estão desesperadas, não, porque eh um lado quer que a está esperando que a candidatura dele seja imediatamente obliterada e o outro lado está tentando encontrar justificativas que salvem a reputação do Flávio Bolsonaro. Não é daquele campo político, não é das ideias que eles representam, mas daquela pessoa.

¶28encontrar uma forma de de salvar a pessoa que estava no telefone pedindo uma quantidade de dinheiro imensa para fazer um filme em homenagem ao pai. Então, o nosso próprio julgamento, tá? É, exatamente. Eh, o nosso próprio julgamento está eh, está contaminado com isso tudo. E o nosso julgamento, acho que de uma forma mais ampla, no sentido de o que isso representa pra gente, o que isso representa pro processo eleitoral, como isso impacta na na adesão das pessoas a à política.

¶29O que no que isso faz eh com que as eleições fiquem mais ou menos mortas? Ontem eu tava assistindo o Pedro com Jair Nicolau e com o Rangel aqui no central e em algum momento eles falaram: "A eleição não pegou, né, tal uma coisa". E eu acho que é uma uma diferença marcante com 2018, já que você trouxe 2018. 2018 a gente via um perfil de candidato, inclusive diferente. Um perfil de candidato que não tinha nada a ver com política, mas que quer fazer alguma coisa, quer se engajar, muitos jovens, muita gente achando que havia uma forma de se engajar e mudar o Brasil.

¶30Hoje, 8 anos depois, a gente pode olhar para eles e falar: "Nossa, bobinhos, né?" Mas muita gente resolveu voltar pro Brasil ou largar sua carreira na iniciativa privada. e se engajar no na política. E hoje eh é um refluxo. Os eventos políticos têm dificuldade de de mobilização. Antes qualquer coisa da Avenida Paulista lotava, qualquer movimento político, qualquer encontro sobre política gerava um engajamento significativo.

¶31Hoje nem o Lula, nem os bolsonaristas conseguem mobilizar pessoas. Acho que a gente precisa refletir sobre isso também, o impacto de todos esses esses acontecimentos dos últimos 8 anos na forma como a gente se relaciona com a política, na parte boa dela e na parte ruim dela e no quanto isso está tendo um impacto nessa eleição presidencial que acho inegavelmente está bem mais fria para o bem ou para o mal do que as anteriores que a gente teve, >> não por falta de esforço do ST. TF. E aí, só pra gente voltar um pouco, não, não acho que seja um esforço necessariamente, dependendo da, mas pelo menos eles movimentando o noticiário, eles estão eh porque eu eu mas porque eu acho importante a gente retomar um pouco o a pergunta do da Yasm e a pergunta que eu te fiz em seguida sobre os efeitos políticos disso do ponto de vista da disputa mesmo interna lá, né? E e de como isso vai se refletir na própria eleição, né?

¶32O eu acho curioso assim, em 2022, o Supremo Tribunal Federal foi muito protagonista da eleição, mas foi protagonista de um jeito diferente, né? Então o ex-presidente Jair Bolsonaro já estava numa guerra aberta com o Supremo. Havia >> desde o começo do seu governo, mas mais intensamente desde 2021, desde aquele 7 de setembro fatídico, >> né? Já tinha ali tido alguns episódios anteriores, mas ali foi declarada a guerra, né? Eh, e 2022 inteiro foi o Alexandre de Moraes em particular com aquele cargo duplo, né, que ele tava ocupando de presidente da do do TSE e ministro do Supremo.

¶33Então, ele eh como Cásio Nunes Marques é atualmente, né? Então, não é não é algo que aconteceu só com o Alexandre de Moraes. Há um rodízio de presidentes do TSE. O TSE é composto por também por ministros do Supremo, não só. Então coincidiu, da mesma forma que agora coincide com Cio Nunes Marques.

¶34E aí era, a gente falava de STF o tempo inteiro muito neste neste neste foco, né, da briga entre os dois poderes, eh, e da disputa ali do do Alexandre de Moraes com o Jair Bolsonaro, eh, aberta. Hoje essa guerra, ela não é disso que se trata, né? Então, a gente tá vendo uma primeiro porque, enfim, o incumbente, o Lula, não só não está em guerra com o Supremo, como ao longo do seu governo, deste terceiro mandato, teve o que o nosso queridíssimo Christian Lind chamou de judiciarismo de coalisão, né, que é uma atuação próxima, uma uma com parte, né, com uma aula específica do Supremo, mas uma atuação próxima. Eh, a as pazes, como você mesmo mencionou, eu acho que você mencionou, né, do as pazes do Lula com alcolumbre foram eh testemunhadas e coordenadas por uma ala do Supremo Tribunal Federal. Isso é uma coisa bastante eh incomum, né?

¶35não é? Ou pelo menos assim escancaradamente é incomum, porque alguns ministros, notadamente Gilmar Mendes já fazem política partidária há muito tempo, mas desta forma é algo novo, né? Eh, agora intra intrapoder, a briga me parece mais intensa neste momento, intrapoder, porque em 2022, mal ou bem, o Alexandre de Moraes conseguiu uma certa coesão, eh, com raríssimas exceções, né, do dos dois ministros do indicados pelo pelo Jair Bolsonaro, mas mesmo eles nos momentos mais graves >> eh baixaram o tom e ficaram eh junto de Alexandre. Agora não, agora realmente está um momento em que André Mendonça assume uma ala, a liderança de uma ala e na outra ala há uma disputa de de egos e de personalidades. Eu enxergo, não sei se você enxerga assim, eu enxergo o Gilmar Mendes como eh o soberano, >> sim, >> né?

¶36Eh, porque ele é decano, ele é realmente muito poderoso e ele não é alguém que dividiria muito poder facilmente. Mas Alexandre de Moraes e Flávio Dino também tem bastante voz e e personalismo para chamar para si essa liderança, fazendo uma espécie de rodízio ali, né, na ala do André Mendonça, não é ele, é ele e enfim, ele tá relator de dois inquéritos desse tamanho, como você mencionou. Eh, você, a gente falou um tempo de como isso podia pautar as eleições, inclusive pro Senado, né? Você acha que as pessoas, o quanto você acha que o Flávio, por exemplo, vai trazer nos discursos dele o fato de que ele já andou falando disso? Olha, o próximo presidente nomeia três ou quatro ministros, que cara que vai ter isso e tal.

¶37Nós vamos passar mais uma eleição falando de Supremo Tribunal Federal, me parece. >> Vamos. E acho que esse é um dos temas esquecidos até agora nessa campanha, porque nós ainda temos uma vaga aberta. Então, eh, Jorge Messias foi rejeitado pelo Senado. Hoje nós temos apenas 10 ministros do Supremo Tribunal Federal.

¶38E estrategicamente, eh, se a gente imaginar que o Supremo Tribunal Federal seguirá desempenhando esse papel nos próximos anos, as vagas que se abrirão durante o próximo mandato presidencial precisam ser debatidas. Eh, são três vagas, se não me engano, Fuxs, hã, Carmen Lúcia e no final do período presidencial Gilmar Mendes. É isso. >> É, eu acho que é isso, mas eu vou recuperar aqui porque, se eu não me engano, o Gilmar Mendes fica próp, então pra próxima. Então, são outros três, >> são outros.

¶39É, a gente tem >> é a Carmen, é o Fux e tem mais um. Pera aí, >> o Jorge Messias agora, né? Essa vaga do do >> Barroso >> do Barroso que ainda não foi preenchida. Isso, como a gente está calculando, imagina isso, nós estamos aqui, não estamos falando da correlação de forças da eleição presidencial na coligação do Lula ou a coligação do Flávio. A gente não tá pensando na correlação de forças na nova Câmara dos Deputados, no novo Senado, agora com os bolsonaristas revigorados, buscando mais acentos eh no Senado Federal.

¶40a gente tá falando da correlação de forças no Supremo Tribunal Federal e como a indicação de novos eh ministros poderia ou poderá mudar essa correlação de forças. E não tenho dúvida alguma que esse cálculo já fez parte da discussão sobre a indicação de Jorge Messias, fez parte da das conversas durante no período pré-sabatina, que levou bastante tempo. durante a o período de avaliação ali do Senado também esteve presente e agora pós rejeição de Jorge Messias, certamente foi um tema conversado ali na casa do Alexandre de Moraes com o Alcol Columbri, que por coincidência ou não comanda a casa que sabatina eh ministros para o Supremo Tribunal Federal e Luís Inácio Lula de Silva, que também coincidência ou não indica ministros pro Supremo Tribunal Federal. Eh, Alexandre de Moraes pode estar preocupado apenas com o futuro da democracia, querendo construir pontes entre eh o legislativo executivo. Pode.

¶41Mas Alexandre de Moraes tem interesse na correlação de forças eh dentro do Supremo Tribunal Federal? Acho que é innegável, não apenas pelo destino de alguns casos que estão ali, não apenas pela correlação de forças, mas porque há interesses em eh em fortalecer uma ala do Supremo Tribunal Federal em relação a outra ala. Eh, e é do interesse da política também participar desse jogo. Então, e a gente está vendo, talvez um cenário mais pacífico na relação entre os poderes do que a gente via há 4 anos. Está.

¶42Eh, e é claro que isso tem um valor em si, e é bom que a gente não esteja vendo nesse momento eh o presidente da República em campanha aberta, não apenas pela própria reeleição, mas também para descredibilizar os instrumentos de votos. de voto do brasileiro, como as urnas eletrônicas. É bom que o presidente da República, no exercício do cargo não esteja tentando descredibilizar a Suprema Corte ou o Congresso Nacional. Sim, mas tem um outro ponto aí que é deveríamos estar assistindo a paz entre os poderes negociada nesses termos. é apropriado que as eventuais eh questões políticas que separam o executivo e o legislativo, veja, dois poderes eh eleitos eleitoralmente, eh eleitos pelo voto, dois poderes essencialmente políticos, cujo eh cuja composição é definida em eleições e que o que separava Lula Columb são questões políticas mediadas por um ministro da Suprema Corte.

¶43Não havia uma diferença no entendimento entre o Lula e a Columbúbri a respeito de questões que constitucionais que o Alexandre de Moraes poderia mediar em em no exercício do seu cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Há questões políticas separando o Lula e o columbre. É esse papel do Alexandre de Moraes e o que se discute ali. Eu acho que é uma é uma é uma questão desconfortável porque coloca inevitavelmente o Supremo Tribunal Federal mais uma vez no debate político. E aí não é o debate político sobre as decisões que o Supremo Tribunal Federal toma, que isso é inevitável.

¶44O Supremo Tribunal Federal julga políticos, é parte das suas prerrogativas. O Supremo Tribunal Federal julga a constitucionalidade ou não de matérias e isso é parte da sua função e inevitavelmente o mundo político debaterá essas decisões do Supremo Tribunal Federal. Mas não é isso que está acontecendo. Humum. >> É uma articulação política que que é uma articulação que é intrinse intrinsecamente política.

¶45E aí eu acho que é uma confusão, é uma mistura um tanto indesejada, porque inevitavelmente a gente está entrando com o judiciário na política e a gente inevitavelmente está convidando a política pro judiciário. A gente acaba numa naquelas questões que eh o Supremo Tribunal Federal deseja ser protegido da política, mas o Supremo Tribunal Federal não se protege da política. Então, quando Supremo Tribunal Federal está avançando, eles se sentem muito confortáveis. Quando eles recebem o refluxo do seu avanço, eles reagem muito fortemente, como se as suas prerrogativas estivessem sendo violadas. Agora você sabe o que é interessante, que eu já vou chamar Yasmin para trazer algumas perguntas do público, mas eu tava eh ouvindo você e me lembrei que assim, para você ver como nada é muito preto no branco, com exceção do Corinthians, vai Corinthians, eh, no na política e nessas relações mesmo entre essas pessoas e esses poderes, né?

¶46Porque a figura que poderia eventualmente e tá se esforçando para ser ponte entre as duas alas é justamente o Jorge Messias. E não só. O Jorge Messias, que foi o indicado pelo Lula e que foi vetado na Sabatina, eh, ele vem atuando como uma espécie de bombeiro não muito com muita eficiência. Vale pontuar. até o momento das relações entre o André Mendonça com o Andre Rodrig.

¶47Ele vem tentando apaziguar isso. Me parece que a eh a ineficiência da ação do Messias tem mais a ver com os próprios dois, que é aquilo, né? quando dois querem brigar, eles vão brigar e não há quem faça as pazes por eles. Então, eh, é o que é o que me parece neste momento. Então, há um ambiente de desconfiança mútua.

¶48É, os dois t razões para desconfiar uns dos outros, assim de fora, né, quem tá acompanhando de fora, porque um, a acusação que um faz ao outro e é é aquele é aquele tipo de caso que você não consegue alfinetar onde que exatamente começa a coisa, mas eh a Polícia Federal eh o Andrei, né, em particular e o seu grupo, né, o seu entorno acusa o André Mendonça de eh ficar tentando interferir nas prerrogativas da Polícia Federal, no na tramitação que eles têm interno, dos procedimentos internos. Então, chamar para si antes eh de a polícia concluir algumas fases, eh, esses relatórios e tal. E o André Mendonça, por sua vez, diz que, ó, eu tô fazendo isso porque vocês estão demorando demais e não estão atendendo os meus pedidos. E aí a Polícia Federal faz assim: "É, nós não estamos atendendo seus pedidos porque você tá agindo com desconfiança sobre nós". E aí, eh, fica este ciclo de uma briga institucional seríssima, que está também, eh, por trás desse tipo de vazamento sem fim que a gente tá vendo.

¶49E novamente, eu não tô criminalizando o vazamento em si, tô falando que eh é um fato, tá vazando, tá vazando pela, né, por tudo que é frestinha, tá vazando. E vazamento e é seletivo por natureza, né? Ou você vaza a íntegra de tudo igual foi o Snolden, né? E aí você deixa os jornalistas se virarem para decidir o que. Ou se você tá vazando a conta uma coisa só, você tá selecionando de alguma maneira, certo?

¶50Então tá esse tá conflagrado. E o Jorge Messias como AGU, mas também como amigo do André Mendonça, ele eles são próximos assim, eles são eh o André Mendonça, inclusive advogou eh fez lobby, fez lobby, eh não o mesmo tipo de lobby do Lulinha, >> fez uma representação. >> Isso, eh, defendeu intensamente o nome do Jorge Messias pro Supremo Tribunal Federal. E esse nome foi sabotado pela ala lulista do Supremo Tribunal Federal. E lulista, entre aspas, né?

¶51O Alexandre de Moraes, por exemplo, é um que ficou lulista eh pós ali na na pós-olsonarismo. Ele não era, né? Ele na origem ele era Temer, ele era antítese do do PT e tudo mais e era inimigo, né? As pessoas tratavam ele como eh, né? a militância do PT tratava ele como um inimigo.

¶52Eh, e agora não, agora ele tá talvez eh, inclusive o seu nome seja o símbolo dessa dessa reconexão do executivo com o Supremo e o André Mendonça não necessariamente vai ficar triste, vai ficar feliz. Então, as coisas não são tão tão eh preto no branco assim. Eu eu acho isso muito interessante e eu queria só eh concluir, Yasmin, vou trazer uma informação que eu descobri hoje e que para mim, eu eu queria ouvir depois o Magno se ele acha que e a nossa audiência também, se eles acham que seria interessante a gente adotar regra parecida. o departamento de justiça dos Estados Unidos, o DOJ, que é mais é similar ao nosso Ministério da Justiça mais procuradoriaagal da República, assim. Então é uma, eles não têm essas todas essas divisões, né?

¶53Então a advoga a advocacia geral da União é tudo no junto ali no DOJ. Eles têm uma regra não formal, não escrita, mas que é tipo essas do rodízio de indicação de ministro. que e que são tradições que vão se consolidando tanto que é como se ganhassem o peso de uma norma eh escrita de não fazer investigações ostensivas e medidas ostensivas dentro de investigações. Então assim, deflagrar eh busque apreensão em período eleitoral relacionado aos candidatos daquela eleição por 60 dias. é uma é uma regra dos 60 dias por isso.

¶54Inclusive há eh e artigos e reportagens que falam que mais informalmente ainda essa regra é de 90 dias, mas a regra informal formal é de 60 dias e que isso justamente é uma é uma é um acordo tácito da justiça americana, da democracia americana, da forma como eles se conformaram, né? eh para não contaminar as eleições com investigações que ainda estão em curso. É, e eu quando eu soube disso, na minha pesquisa pro K entre nós de hoje, eh, eu me deparei com aquilo, falei: "Olha aí, por outro lado, eu falei: "Hum, estou dividindo com vocês a minha dúvida, porque é claro que me, a princípio me parece uma boa ideia você preserva a corrida eleitoral eh assim imune de vazamentos e investigações ainda em curso que vão contaminar eh o voto, a decisão do eleitor, mas por outro lado, justamente, né, ser preserva e e de repente eh são informações realmente de interesse público e que, né, os vazamentos e essas coisas propiciam a gente ficar sabendo do que se trata, de quem que a gente tá falando que tá eh concorrendo. Então eu quero >> quero ver se a nossa audiência responde. Eu quero muito ouvir o que a nossa audiência vai responder.

¶55Por favor, mandem perguntas no chat. Mas agora eu preciso, o Magno tá se coçando nessa cadeira para responder essa polêmica que a Flávia lançou. Então assim, pra gente, só para não perder o fio da meada, eu queria ouvir um pouco Magno sobre isso primeiro, antes de eu ler aqui outros comentários. Essa montanha russa de emoções pela qual a Flávia passou nessa pesquisa foi a montanha russa de emoções pela qual eu estava passando aqui enquanto a Flávia relatava pra gente a sua pesquisa. Tava assim: "Não, boa ideia".

¶56Depois, putz, uma ideia, boa ideia, uma ideia. H, faz todo sentido no sentido, no ponto, eu acho que o ponto central aqui é investigações em curso. E como as investigações estão em curso, nós necessariamente temos apenas informações parciais e são coisas muito diferentes. nós aqui, nós três que estamos aqui hoje operando com informações parciais e conversando com vocês, dando a nossa opinião num vídeo que ficará gravado e a gente pode ser desmentido pela realidade daqui a dois dias e estaremos aqui com a nossa cara passando vergonha por toda a eternidade. Outra coisa, são informações parciais que podem definir uma eleição e que ao invés de nós termos a nossa cara passando vergonha pelos próximos anos no YouTube, nós teremos um presidente, sei lá, meio que ilegítimo, porque foi eleito ali no calor do momento com informações parciais, num vazamento seletivo, em alguma coisa.

¶57É muito complicado. Eu não acho que é a resposta certa, porque ao mesmo tempo, né, bandidos precisam ser presos e pessoas envolvidas em escândalos, quaisquer que sejam, precisam sofrer as consequências das suas ações, inclusive consequências eleitorais. Não acho que é uma uma resposta fácil de se dar. E essas informações parciais, de certa forma, sempre estiveram presentes na nossa na nossa vida política. As fake news são basicamente a tentativas de se utilizar de informações parciais.

¶58Bem, as melhores fake news, pelo menos, são tentativas de pegar coisas que t algum pé na realidade, que poderiam ser verdade, que tem algum fundinho de verdade e eh ser aumentadas, principalmente ali no período eleitoral, para causar um impacto danoso na campanha de outra pessoa. Há uma fake news do bem. Claro que governantes, por exemplo, podem inflar os seus números, o cara pode ter um uma boa atuação na educação, mas ele faz parecer que foi cinco vezes melhor. Eh, isso acompanha a trajetória da tecnologia. Há 30 anos atrás se utilizava folhas xerocadas, jogava pro alto e as pessoas pegavam na praça da da das cidades pequenas.

¶59Depois a gente teve SMS, depois a gente teve WhatsApp e agora a gente tem uma uma série de coisas, mas acho que não tem resposta certa porque é uma questão que se enquadra numa numa numa fronteira ali entre coisas que nós humanos na sociedade podemos fazer um acordo de que seria melhor, mas que eu acho que é muito difícil de se legislar sobre. Uhum. >> É muito difícil você, uma coisa é o que a gente concorda entre nós aqui, porque de fato pode ser assim meio moralmente frágil, mas a gente consegue enxergar o a razão por trás disso tudo. Falar é mesmo, né? melhor que não aconteça.

¶60Mas é muito difícil a gente formalizar, eh, principalmente por ser moralmente frágil, a gente formalizar alguma coisa assim e colocarmos em lei. Eh, se se já é muito difícil a questão da do eleitor que só pode ser pego e e preso em flagrante às vésperas da eleição, imagina se a gente legislasse sobre a polícia, dar uma aliviada para os candidatos. que ia ter gente, bastante gente se candidatando, inclusive para ganhar, para ganhar uns tempinho, um tempinho aí de folga e explodiu no não. E e assim, eh, eu li, eu realmente me surpreendi, eu não não tinha, eu acompanho bastante a política americana, mas não era algo que eu já tinha ouvido falar. E isso ficou muito vivo em 2024, porque o Donald Trump foi um candidato que tava com muita aquela altura, ele ainda tinha muitos processos acontecendo, eh, e debateu-se eh intensamente na campanha eleitoral americana.

¶61a possibilidade de, igual a gente fica aqui falando, vai estourar uma bomba contra o Flávio, qualquer hora não sei quê, contra o Lulinha ou não sei quê. Isso tava muito vivo na campanha de 2024 com relação ao Trump. Eh, mas o que a essa regra informal acabou ditando é que as investigações continuam e o que fica em suspenso são as medidas ostensivas. Então, o a denúncia, uma eventual denúncia oficial, né, da do DOJ falando, ó, pode acusar, processar, né, e julgar, eh, ou uma uma busca e apreensão, uma medida de prisão. Então, suspende-se e essas medidas mais ostensivas, mas não se suspende a investigação em si.

¶62Eh, e isso, em tese, preservaria um pouco a corrida eleitoral. Agora, eh, é uma, coloca um dilema, né, além desses que a gente já debateu, que a gente colocou aqui, que é o seguinte: você pode estar simplesmente adiando para o pós-eleição de um cara eleito, >> isso >> medidas, por exemplo, como a prisão dele, que talvez já fossem necessárias antes, eh, que se não for em flagrante, né, evidente, se for decorrente só do do andamento do processo. E aí você cria um novo problema, que é como é que você, como é que a justiça, então agora, eu acho que cria assim uma espécie de um indulto prévio, porque ele foi eleito, a maioria das democracias tende a eh valorizar isso, né? O mandato conquistado via voto acima de qualquer coisa. Inclusive também informalmente, né?

¶63Eu já ouvi muitos juízes do ministros do TSE, juízes eleitorais falando isso. Olha, depois que a que a pessoa já está eleita pelo voto, é muito mais difícil você querer mexer com o mandato ou querer mexer com a candidatura. Então, é por isso que a justiça eleitoral, inclusive tem permissões oficiais, né, legais para agir com mais celeridade do que tramitação de de outros tipos de de processos, porque o ideal é que se resolva antes. Então, você joga para depois e você cria um novo um novo problema, né? >> Se você não quis prender o candidato, você vai querer prender o presidente?

¶64você não quis eh convocar o candidato ou denunciar o candidato. Tudo isso com o presidente é é muito mais complicado. E a gente vê isso no Brasil com certa frequência em cargos eh em cargos proporcionais, né? quando um deputado é caçado ou um vereador causa um efeito eh cascata em outros, porque você tem que desqualificar chapa, por exemplo, então você mexe no cálculo eleitoral, pessoas que já estavam no exercício do cargo há anos com a recontagem per há um custo eh de se mexer nas coisas depois que a eleição é realizada, que também não pode ser desprezado, mas é eh uma situação muito complicada porque É, ã prática versus a moral, que nunca é muito simples de ser solucionada. >> Gente, eu adoro quando a Flávia traz esse tipo de polêmica.

¶65Eu acho ótimo apurações, que aí a gente fica pensando. E eu acho que isso isso é um debate muito legal, porque de fato a gente tá pensando aqui eh talvez não necessariamente em políticas públicas, algo do gênero, que é o que os nossos candidatos aí deveriam estar debatendo, mas a gente tá pensando um projeto de Brasil, de como pensar leis pro nosso país. Enfim, eu gosto desse tipo de papo e fiquei até aqui pensando como é que isso poderia comprometer a a lei da ficha limpa, uma aplicação de inelegibilidade, como a Flávia tava levantando. E fiquei até pensando também que o cargo de vício ia ficar muito cobiçado, né? Porque se isso aí tivesse aí valendo 100%, como é que seria, né?

¶66Eu acho que o vice seria o novo o novo xodó do executivo, vamos colocar assim. Enfim, eh, >> que a gente e a gente deveria falar muito mais do cargo de vice. A propósito, Yasmim. Porque desde a redemocratização, vamos lembrar aí, os vice-presidentes tiveram um papel bastante significativo. José Sarnei, >> Itamar Franco, >> Michel Temer.

¶67Eh, agora em e isso os que assumiram, mas que, por exemplo, o Geraldo Alkim agora foi escalado para desarmar a maior bomba que apareceu, provavelmente a maior bamba que apareceu nesse eh mandato do Lula foi o Geraldo Alkim que foi lá na questão das tarifas, caiu pro Geraldo Alkem. O Michel Temer era o articulador político da Dilma, enquanto eles estavam em paz depois que eles eh brigaram. Bom, foi provado que ele era o articulador político da Dilma, porque depois que romperam eh tudo ruiu. Eh, o Zé Alencar foi um fiador dos do principalmente antes do primeiro mandato do Lula, dessa nova versão do PT. Então, os vice-presidentes da República, o Marco Maciel, é o chancelador dessa aliança, >> da presidência da coalisão, >> exatamente, da coalizão, eh, eh, dos socialdemocratas com a frente liberal, pô, do PSDB, que monta um partido ali de centroesquerda e depois se junta com a com a direita super tradicional e o Marco Marcial é esse símbolo.

¶68Os vice-presidentes tem o Alkim também é esse símbolo, né, nesse do Lula também é esse símbolo dessa coalizão, né? Acho até que no caso do Lula em 2022, talvez eh o voto de centro talvez até tivesse vindo, a não ser que ele escolhesse um vice muito esdrúchulo, mas até tivesse vindo sem em parte sem o Alkmin, mas sem dúvida quando o Alkmin a chapa com o Lula, isso tem um peso simbólico de, olha, existe aqui uma um cordão sanitário sendo formado contra o bolsonarismo, né, que ao longo do governo Lula acabou virando outra coisa, né? O o Alkminetiu a camisa muito a seu modo também, né? Ele é um é um político que foi a a vida inteira e conhecido como alguém muito leal de vestir a camisa mesmo dos times onde entrou e tudo mais, mas naquele momento não, naquele momento, eh, foi uma foi uma grande novidade eleitoral, né? A chegada do Alkim, a chapa do PT com o presidente Lula foi simbólico de, olha, está realmente se formando a tal Frente Ampla que depois ganhou outros outras configurações, né?

¶69muita gente que fez parte da Frente Ampla, depois considerou que foi excluída dela. O Alkmin se manteve e não só se manteve como foi incorporado ali ao ao a esse campo da centroesquerda de uma maneira muito orgânica, eu diria. É, e enfim, nesse nesse ciclo eleitoral parece muito mais confortável nesse papel e acho que você definiu muito bem, Flávia, a gente pode discutir e durante a escolha, o processo de escolha do vice, do Flávio, muita gente discutia, mas qual é a real importância do vice? O vice vai decidir a eleição? O vice tem importância?

¶70O vice eh agrega realmente a a campanha do Flávio? A gente tem dois pontos para pensar nisso. Há um ponto prático, como eu trouxe aqui. Bem, se a gente pensar desde a redemocratização, houve muitos vices que acabaram por exercer a presidência da república. Acho que isso já garantiria aos vices uma paginazinha de menção ali sobre a sua importância.

¶71Mas acho que acima de tudo, desde a redemocratização, os vices desempenharam um papel simbólico muito significativo, desde o Sarnei, que era o ex-presidente do PDS, que vai para ser vice do Tancredo Neves até o Geraldo Alkim, que foi adversário do Lula em 2006, no segundo turno, candidato da oposição e agora e em 2022 compõe com Lula essa chapa. Acho que em várias chapas presidenciais, eleitas ou não, a gente vai encontrar esse papel simbólico. E não era à toa que o Flávio queria uma mulher como vice para incorporar esse simbolismo com um eleitorado que o bolsonarismo tem e segue tendo. >> E se a gente pensar em 2022 ainda, o próprio vice do Jair é simbólico, porque embora ele repita a fórmula de ser um general da reserva, né, de ser um militar, o perfil é muito outro. O perfil do Hamilton Mourão pro perfil do Walter Braga Neto é muito diferente e é um é um statement, né?

¶72É um manifesto. Olha, eu vou pegar o que tem de mais eh radical na nas Forças Armadas. Não que o Hamilton Mourão fosse um democrata nato, mas eh não é só um radical, é alguém muito leal a Jair Bolsonaro. O Hamilton Mourão não era leal a Jair Bolsonaro neste grau. Ele foi leal até onde lhe pareceu possível, razoável.

¶73Não era um um grande apaixonado pela democracia. Falava em alto golpe, falava, né? Enfim, não é? Mas o o Jair Bolsonaro dá um passo além quando traz o Walter Braga Neto dizendo: "Olha, os militares estão no meu projeto e não o contrário, né?" Então, também teve um simbolismo. Então, quando o Flávio eh apresenta um vice que, aliás, hoje o Flávio Bolsonaro está em Alagoas, desembarcou em Maceió há pouco >> com Alfredo Gaspar, ia falar Alberto, Alfredo Gaspar, que é de lá, que saiu da corrida ao Senado para abrir espaço para Artur Lira e para ser para ocupar essa vice que ninguém quis ocupar, ninguém mais quis ocupar.

¶74Eu acho até que talvez o Rogério Marinho tenha querido, mas >> mas enfim, o Alfredo Gaspar resolvia outros problemas ali da da aliança em Alagoas e >> resolvia mais problemas do que o Rogério Marinha, né, que tem um mandato que já tem >> isso. Exatamente. Então, eh, e eles desembarcam lá. E eu achei interessante porque eu vi, né, o vídeo do desembarque, eh, eu, o Flávio tudo que ele vem fazendo é simplesmente de reverberar o o o histórico, o o recall, o legado do Jair Bolsonaro. Então, a cena de divulgação é o aeroporto, o o que foi simbólico da ascensão popular de Jair Bolsonaro.

¶7516, 2017 e 2018, ele desembarcava em aeroportos pelo Brasil e divulgava em suas redes sociais. Naquela época ainda era o Facebook, a principal, o Twitter também, né, mais pro nicho político, né, as imagens dele desembarcando em aeroportos lotados e tal. E vocês sabem que lotado eh a o Pablo Hortelado vai poder dizer o que que é lotado para grandes ambientes, para pequenos ambientes depende só do ângulo da câmera, né? Mas sim, mas o Jair enchia realmente os aeroportos, tá gente? Não tô desqualificando isso não.

¶76No caso do de Maceió hoje tinha ali bastante gente, não tava vazio, não tava lotado também. Eh, e mas é a casa do Alfredo Gaspar. E ele chega lá e até onde eu tinha lido, eu não vi a agenda completa porque a assessoria vai divulgando um pouco a conta, eh, mas ele tava com uma dificuldade mesmo lá. de fazer o palanque acontecer do Lira e do JHC, que é o presidente de o prefeito de Maceió, porque o Lira eh sabe que precisa do voto lulista, né? E e precisa mesmo.

¶77E Alagoas dos estados do Nordeste nem é o o mais lulista de todos, não, né? Eu acho que o Bolsonaro ganhou em Maceió, por exemplo. >> Isso, exatamente. E o JHC é do PL, né? Então >> era do PSB, mas agora é do PR.

¶78Transição. >> Mas é é um cenário muito interessante. É uma cena muito simbólica, assim, você chegar com o seu vice que é pouco representativo, pouco simbólico, na casa dele e ter dificuldade de construir, de ter um palanque para subir. É, é uma coisa que me chamou atenção. >> Até o Alfredo Gaspar também é simbólico, né?

¶79>> Sim. de uma de uma região em que o Flávio precisa ganhar votos, o Flávio precisa aumentar sua representação eh nos estados do Nordeste. E o tema Alfredo Gaspar é nordestino, foi um tema que pautou aquela semana pós escolha do candidato a vice. todas as oportunidades. O Alfredo Gaspar falava da decepção do nordestino com Lula, que ele era nordestino, que os nordestinos queriam prosperidade, queriam outro tipo de relação com o governo que não seja uma relação de dependência.

¶80Então, eh, estão tentando fazer do limão uma limonada com as dificuldades que tiveram para encontrar uma vice eh, que fosse mulher, estão tentando buscar o que fosse melhor ali na escolha do Alfredo Gaspar, embora nos traz nos traga alguns momentos um tanto esquisitos. O Alfredo Gaspar fala muito de corrupção em em virtude do seu eh da sua trajetória profissional anterior. E o Flávio Bolsonaro completamente envolvido com um monte de questões tentando se defender dos escândalos, por exemplo, do banco master e o Alfredo Gaspar falando de corrupção com uma cara gigantesca do Flávio Bolsonaro num telão atrás dele. Mas como a Flávia trouxe antes aqui no programa, os candidatos parecem já não estar ligando para isso. Só vão falando e vida que segue.

¶81Confiam que Deus vão bloquear, vai bloquear o ouvido dos eleitores e a vida vai seguir normalmente. >> Pessoal, deixa eu trazer aqui algumas colocações da nossa audiência. Vamos lá. Para primeiro falando de vice, o Rodrigo Miranda diz assim: "No caso, o Alkmin vestiu a meia colorida e fez memes nas redes após fazer o L. Então ele nunca foi tão feliz na vida.

¶82Achei divertido. >> Vestiu a meia do Lula com Xuchu. Não sei se vocês viram, o Alkemin estava com uma meia de Lula com Xuchu. >> Eu via >> muito bom. Muito bom.

¶83Bem humorado, no mínimo. Muito bem humorado. >> Eh, o M. Strugali, não sei como é que fala, Strigale, sobrenome diferente, igual Magno Carl, diz assim: "Será que agora vai vazar algo da investigação do Dark Horse?" Aliás, por que que só vaza inquérito do Lulinha e não do Dark Horse? se estão sob o mesmo ministro ou só eu acho isso estranho.

¶84O @cebaapedreiro diz assim: "Eu não acho que essa eleição tá fria. Acontece que o racha master começou com a sua pré-candidatura muito antes. Então nesse momento, meio que todo mundo já escolheu. O o @roleites falou assim: Magno, Flávio e Yasm, quem vai perder essas eleições vai ser quem sofrer o vazamento e escândalo. perto do pleito.

¶85Que que vocês acham? Enfim, eh, só para fazer uma antes de passar para vocês, gente, só para fazer uma um adendo aqui que a gente tava discutindo isso antes. A previsão é que uma apuração do J, né, só para confirmar certinho, é que o próximo presidente da República, que vai assumir em janeiro de 2027, que ele indique três ministros à corte durante o mandato. As vagas vão ser abertas pelas aposentadorias, como vocês muito bem disseram, do Luiz Fuxs, da Carmen Lúcia e do Gilmar Mendes, que completam 75 anos entre 2028 e 2030, que é a idade limite para permanência no cargo, conforme a nossa digníssima, belíssima constituição. Passo aí para vocês.

¶86>> Então, a gente não tava tão ruim assim de memória. O Gilmar Mendes, são três mesmo. O Gilmar Mendes cai dentro do mandato. >> Cai. Mas o que vai acontecer é que com o adiamento da indicação do Messias, o Messias vai ficar pro próximo mandato, né?

¶87porque tudo indica que não vai rolar antes do da eleição >> e talvez aconteça o mesmo com o Gilmar, que também é fim de mandato. Então, eh isso é uma é uma prática muito foi bastante comum nos Estados Unidos de sentarem em cima de indicação paraas, né, para segurar pro próximo mandato. Aqui não era tão comum. Eh, veja, não se recusava uma indicação presidencial e em 134 anos. Acho que esse era esse o número.

¶88Eh, e agora, agora que abriu o precedente, por isso que precedentes, quando a gente fala precedentes perigosos, eh, é porque abrir o precedente já era. Então, a existe uma chance de >> Mas uma coisa que pode acontecer também é uma aposentadoria antecipada. Então, >> como foi o Barroso? o presidente da vez tiver um bom trânsito ali com o Gilmar Mendes, talvez o Gilmar Mendes antecipe a sua aposentadoria ali do tr meses, não seria nada ruim para ele e daria ao presidente um poder, putz, muito grande. Imagina você ganhar a possibilidade de indicar mais um ministro pro STF.

¶89É um bom uma uma boa coisa a ser negociado ali com o próximo presidente Gilmar Mendes, que >> é um alguém que gosta de ter >> propenso a negociações, >> propenso, propenso a conversas, gosta muito da, de exercer o seu poder e certamente estará na mesa do próximo presidente com o ministro Gilmar Mendes sobre as campanhas terem começado cedo, não foi só o Flávio que começou cedo, é todo mundo começou muito cedo. Eu acho que a oposição, >> teve alguém que começou tarde. >> Exatamente. Eu acho que algumas pessoas começaram tarde e eu acho que a oposição começou tarde, notadamente. Acho que o PSD começou muito tarde.

¶90Ah, a gente tem um contingente razoável de eleitores. Pensem aí que a gente está eh vendo Flávio Bolsonaro e Lula disputando ali ponto a ponto, literalmente ponto a ponto. E a gente tem 20% das pessoas que dizem ainda hoje, 20% dizem que prefeririam votarem alguém que não fosse indicado por Lula e por Bolsonaro. Eh, quanto o quanto essas pessoas de fato votariam alguém, a gente não sabe. Mas enfim, o PSD poderia ter cultivado esse voto se tivesse começado antes, mas certamente acho que a campanha da oposição começou tarde, mas a oposição esteve razoavelmente organizada eh sob mesmos moldes de 2022.

¶91Ontem o Jairo Nicolau trouxe pra gente eh dados de como o perfil do voto no Flávio é bastante parecido com o perfil do voto do Jair há 4 anos. Então, a oposição esteve organizada nos últimos 4 anos e só conseguiu chegar como um candidato e com um candidato entre nós eh mais fraco do que poderia ser, muito perto da campanha, enquanto o Lula já se organizava para concorrer. Acho que a a oposição começou tarde e fez uma campanha pior até agora do que o Lula tem feito. Lula pegou aquele eh embalo das tarifas e do Trump no meio do ano passado e aproveitou eh e tá tocando em ritmo de campanha desde então, pelo menos. >> E nesta reunião que ele teve com o Alcol Columbre, eh, a meu ver, ele sacramentou o que potencialmente é o seu maior trunfo para esta eleição, que é a questão do 6x1.

¶92>> Uhum. que deve desandar eh desandar não, deslanchar eh na no Congresso essa semana, no Congresso esta semana. Então, só fazendo uma breve recapitulação, né? foi aprovada na Câmara, aí foi encaminhada pro Senado, aí o alcolumbre eh sentou em cima, segurou, porque é de seu feitio não deixar nada andar sem negociar bastante os termos antes. É do primeiro é é da é prerrogativa do presidente do Senado pautar, não é à toa que esses cargos são cobiçados, né?

¶93Então, eh, o ritmo e a pauta, quem define é o presidente da casa, né? das duas casas são os presidentes. Eh, mas no neste caso em particular, o Alcolumbre estava rompido com o Planalto. Eh, o Alcolumbre é um político que negocia sim em termos de tudo como o grupo político dele ou ele, enfim, pode tirar algum tipo de de vantagem daquela pauta em si. Não tô falando vantagem ilícita necessariamente, tô falando de negociação política em princípio.

¶94Eh, e esperou até o momento, né, chave em que olha, agora é hora de talvez a gente fazer isso aqui andar, é hora de de talvez eu negociar. E a gente falou de Alagoas hoje. O que que tá no cangote do alcolumbre para ele decidir eh que era a hora de negociar, que talvez eh fosse um bom momento. Justamente eh a presidência do Senado que ele quer disputar a o regimento permite, né, que na troca de legislatura você tente a reeleição. Você não pode tentar dentro da mesma legislatura, mas na troca você pode.

¶95e ele quer ser presidente do Senado novamente, seguir presidente do Senado e para isso vai precisar do apoio eh para além da sua base, porque ele tem, né, ele tem um uma bancada do Alcolumbre, mas ele vai precisar de mais votos. só a bancada do alumbre não o elege. E ele sabendo que o Artur Lira, o caminho do Artur Lira foi aberto para ser senador, tudo indica que vai conseguir ser eleito, né? Então, é claro que podemos ser surpreendidos pela voz do povo, mas tudo indica que ele vá ser eleito. E se ele for eleito, ele é candidatíssimo à presidência do Senado.

¶96É parte do acordo dele com o PL. E o Acolumbri, então, precisou olhar pro outro lado da ilha para usar o anglicismo aqui do dos Estados Unidos e foi então buscar esse apoio eh no presidente Lula. em troca ofereceu destravar a pauta do 6 por1. E eu acho, Magno, que eh eleitoralmente é um dos poucos e maiores trunfos que o presidente Lula ainda tem para sacar da cartola, porque eh na questão econômica ele tá sendo muito pressionado. Eh, ele tem, como eu falei no começo do programa, ele tem bons números para apresentar alguns bons números de emprego, de renda, até de controle da inflação, mas tem uma questão de inflação de alimentos em particular, né?

¶97Não só tem outros serviços que estão pressionando muito, né? Mas eh que é é algo que na ponta a assim a a promessa de de picanha barata, gente, não é que não se realizou, tá muito distante de ter se realizado. E isso é é um debate a ser feito tecnicamente, profundamente, mas eleitoralmente é muito fácil você transformar isso em capital político contra o Lula. E eu acho que a única vacina que ele de que ele dispõe no curto prazo eleitoral é o 6 por1. Eu não estou vendo outra.

¶98Claro que, enfim, marqueteiro é bem pago para isso, né? Mas a ver, >> eh, tem uma característica na política que é a o incumbente recebe muita atenção. Então, se você concorre à reeleição, você tem um nível de exposição pré-período eleitoral muito grande, porque a imprensa precisa cobrir o presidente da República e no período eleitoral isso é legislativamente controlado. Mas o Lula se beneficiou dessa exposição, se beneficiou da caneta durante esses 4 anos, se beneficia ainda eh dessas desses eventos locais que ele comparece, dois, três por dia com lideranças locais, falando de obras do governo federal, uma série de vantagens de se estar no exercício do cargo. Por outro lado, há uma série de questões que envolvem a presidência da República ou não, que acabam caindo na conta do Lula também.

¶99Então, esse mal-estar da população com alguma coisa, essa esse sentimento de que algo não vai bem, a pessoa não se pergunta se é a culpa do prefeito, do governador ou do presidente da República. A gravidade que a que Brasília exerce sobre a política brasileira, que a gente atribui o que é bom e o que é ruim à Brasília, eh afeta o Lula também. Então, há uma questão da economia que é muito difícil de ser manipulada nesse momento para que gere dividendos políticos para o candidato Lula. O sentimento das pessoas tá aí. O governo vai martelar os números.

¶100Os números estão bons. A inflação está sob controle. A o o desemprego está na mínima histórica, a oposição no seu papel vai martelar o sentimento das pessoas. A gente vê isso de forma eh contrária na disputa pelo pelo estado de São Paulo. O governo Tarcísio fala de números, fala de eh entregas, fala de um monte de coisas que aconteceram nos últimos 4 anos e você vai ver o o Tarcísio número número número número número.

¶101E o Hadad vai falar do sentimento, do sentimento da insegurança. Não importa que o Tarcío diga que a capital é uma capital segura relativamente, mas o sentimento de insegurança está aí. E no cenário nacional é o sentimento da vulnerabilidade econômica. O o índice de inflação é uma uma parte que o brasileiro enxerga de forma muito cética, porque o brasileiro não entende o que compõe o índice da inflação. O brasileiro entende o supermercado.

¶102Você vai lá no carrinho, você vê que os produtos estão mais caros e isso é muito difícil de ser combatido com números. Então o Lula precisa de questões que possam simbolicamente o ajudar também. E o a escala 6x1 também pode ter um efeito simbólico. De novo, a a implementação dessa política pública pode não ter um resultado material na vida das pessoas que seja significativo. O percentual de brasileiros que será diretamente beneficiado por isso pode não ser tão grande assim, mas traduz para o povo brasileiro uma coisa que é muito difícil de ser combatida, que é o o governo está fazendo com que a gente trabalhe menos, nós teremos mais tempo.

¶103O presidente Lula explorou isso em inserções do PT na TV aberta nos últimos meses, que haveria mais tempo para a família. o governo investiu em propaganda da sua eh atuação contra a escala 6 por1. Então, é um um dilema para o presidente da República. Ele é mais janela, mas ele tem também outras possibilidades. A possibilidade que ele tem, que o Flávio não tem, por exemplo, é tentar essa mobilização utilizando, claro, do dos poderes que a cadeira e a caneta o conferem, o concedem para fazer com que essa pauta avance.

¶104Outra pauta é a PEC da segurança pública. Outro ponto também altamente simbólico, a aprovação da PEC da segurança pública provavelmente não vai mudar nada imediatamente em relação à segurança pública no Brasil, mas é aquele sentimento de estamos fazendo alguma coisa, nós estamos tentando. E essa é outra PEC, eh, eh, outro outra matéria que o governo está interessado em fazer que avance durante esse esforço. Porque eles estão chamando o esforço. O o esforço é votar matérias duas semanas e por duas semanas nos próximos meses, né?

¶105Então, uma semana já foi e agora a próxima semana será a outra semana que se votará alguma coisa parte do esforço que o Congresso fará em nosso benefício. Muito obrigado. >> Como chamei aqui internamente é o esforcinho concentradinho. >> Dá uma concentradinha ali de um esforcinho, >> uma terça, quintazinha rapidinho ali em setembro. A campanha ainda não vai ter eh engrenado para valer, né?

¶106Vai vai ter acabado de conversar o rádio TV. Então, rapidinho, a gente vai ali em Brasília, resolve ali e depois a gente volta, né? É isso. >> Muito bom, pessoal. Antes da gente passar pro próximo assunto, porque, ó, o Rafael Baildo já cantou a bola aqui, ele quer saber o seguinte: "E ontem a entrevista do Zema no Jornal Nacional, ninguém viu, ele falou que foi muito engraçado, só paulada".

¶107Opinião do Rafael. Mas antes da gente entrar nesse assunto, eu preciso dar um recado importante e fazer uma pergunta pra nossa audiência. Gente, vocês já viram, já assistiram ao novo documentário do meio, eleições 2026, a escolha. Nele a gente busca olhar quem são os cinco candidatos que o Brasil, né, vai ver nas urnas e também os movimentos políticos de todos os lados e vai, obviamente, munir vocês com a informação suficiente para você fazer a sua escolha que vai ser feita lá em outubro, né? Para isso, a gente entrevistou analistas e especialistas que conhecem os candidatos à presidência de perto e que estudam, conhecemente em quem você vai ter que votar.

¶108É um filme que te dá a informação e te ajuda, ó, a pensar. Quem já assistiu tá gostando muito, viu? Tem um assinante que escreveu assim: "Não é apenas um documentário, é uma aula sobre a nossa situação e as eleições desde os anos 90 até essa que se aproxima. Outro elogiou o quanto o filme diverte sem perder profundidade. A gente falou sobre isso também na nossa newsletter.

¶109Eleições 2026. A escolha tem 1 hora30 e tá disponível, claro, no streaming do meio exclusivo para assinantes premium. A gente vai deixar o link aqui no chat para você que ainda não viu e aí vai começar a assistir, pode começar a assistir agora. E para quem já viu, claro, pode compartilhar no grupo com a família, com os amigos. Bora espalhar essa informação.

¶110Aproveito para dizer que o QR Code tá na tela. Aponta a câmera do seu celular e se torne agora assante premium para poder assistir esse documentário e ir às urnas muito mais bem informado. Magno Flávia, vamos falar de Zema? >> Vamos. Vamos.

¶111Bom, primeiro que eh quem sentiu falta de Romeozema no debate ontem pode matar saudade, conhecer melhor as as ideias do candidato eh numa sabatina que a o Jornal Nacional vai promover com todos os candidatos eh mais competitivos, né? Acho que com cinco mais competitivos ao longo desta semana. Eh, inclusive o presidente Lula e o Flávio Bolsonaro já confirmaram que vão participar, o que para mim está reforçando a ideia de que eh este formato de entrevistas vai se consolidando como o principal canal mais oficial, né? Porque é óbvio que mais oficial não, mais mediado, né? por jornalismo, porque é óbvio que o canal direto dos candidatos com seu público, com eleitorado, com os eleitores que quer conquistar são as redes, é o programa eleitoral que acaba, quem não vê na TV vê online, vê ouve no rádio, vê cortes e tudo mais, mas o debate, além do confronto direto de ideias tem a premissa de ser mediado por jornalismo, por perguntas eh ali pensadas por profissionais e tal.

¶112E eu acho, tô entendendo que eh este tem sido o caminho escolhido pelos candidatos. Você assistiu ontem, qual que é o teu veredito? assistir, Flávia, acho que a tua eh a tua impressão de que esse formato da entrevista está ganhando terreno sobre eh o debate mais tradicional é também a impressão da equipe do Zema, que se recusou a ir ao debate no domingo para poder se preparar para essas para essa série de sabatinas, né? Teve ontem o Jornal Nacional e hoje uma sabatina do grupo Globo com o Jornal Globo, Valor Econômico e a Rádio CBN. Hã, eu gosto do do formato.

¶113Achei que o bicho pegou ontem, mas pegou de um jeito diferente. Eu acho que de um jeito mais eh não foi tranquilo, mas de um jeito menos, não sei, agressivo. Eu não não sei qual é o adjetivo, mas acho que foi duro, incisivo, mas de uma forma respeitosa. Eu gostei da condução da entrevista e acho também que o Zema não teria tido não tinha motivo para não ir ao ao debate da Band. Acho que foi ruim.

¶114Eu quero começar pensando no debate da Band. Uma oportunidade pro Zema se tornar mais conhecido, >> explorar um pouco a sua diferença em relação à aqueles outros candidatos que estavam ali. A gente pode pensar num esquema tanto de primárias como nos Estados Unidos. ali são candidatos do centro paraa direita. O Zema poderia eh ter falado ali para os eleitores que bem estão mais próximos da sua visão de mundo, além de ter tido a oportunidade de criar eh vídeos para redes, enfim, foi um desperdício de tempo.

¶115Acho que foi uma pena o Zema não ter comparecido ao debate de domingo da Band. Ontem a performance do Zema foi razoavelmente segura no sentido de que ele conseguiu colocar alguns dos seus pontos, mesmo pontos muito difíceis, o que me fez pensar de novo no debate de domingo que ele teria conseguido eh lidar com aquele momento melhor até do que conseguiu no Fantástico. muito difícil >> no Jornal Nacional, >> no Jornal Nacional, desculpa, é muito difícil estar naquela posição, >> eh ser pressionado. A gente vai ver outros candidatos, alguns muito mais experientes na política do que o Zema, eh, tendo dificuldades também. Ele tem alguns pontos que eh ele escolheu avançar sem que fosse plenamente respondido.

¶116Eu acho que a questão do endividamento de Minas e o e o o desencontro ali do Caixa, a pior questão entre elas, a pergunta, há questões que são mais vivas eh para a população que acompanha superficialmente, por exemplo, o aumento salarial dos secretários. Acho que ele deu uma uma explicação que para quem tá prestando atenção faz sentido. Você tinha um salário defasado, ninguém quer pegar aquela bucha se você não pagar bem. Eh, você tem algumas secretarias responsáveis pela gestão de bilhões de reais. Ninguém vai topar e tocar aquilo por R$ 7.000.

¶117OK. Mas se o ponto dele é a responsabilidade fiscal, se o ponto dele é organizar as contas eh do país, acho que as respostas sobre eh a a situação de Minas deixaram tanto a desejar e que ele se utilizou de um mecanismo que o Caiado utilizou no domingo da força moral, da da postura mais do que acho apropriado. Porque bem, a postura moral de alguém que não rouba e não deixa roubar, a postura moral de alguém que quer resolver o problema eh econômico do país, é o mínimo que se espera de um presidente da República, né? você, a gente tá partindo, esse é o mínimo. Então, eu esperava um pouco mais, mas eh eu eu vi ali um candidato que tem 2% nas pesquisas e que se tivesse mais viabilidade poderia eh avançar um pouco mais.

¶118Não, não acho que o formato tem problemas. Acho que o Zema se coloca numa situação muito difícil. o seu partido não está plenamente eh a eh suportando a sua candidatura, apoiando a sua candidatura a boatos de renúncia. Eh, então é um é um candidato que conversa com uma parte da população, mas que está numa situação, numa eleição muito muito complicada e também não sei se se ele fosse um dos dois principais candidatos, ele performaria muito bem, porque eh enfim, eh o o eleitorado dele já tem dono, vamos dizer assim, né? O elitor, o possível eleitorado do Zema se decidiu pelo Flávio e acho que as pesquisas em Minas, inclusive, onde ele é super popular, mostram que o eleitorado do Zema optou pelo Flávio, já que o Zema não tem nem 20 pontos em Minas.

¶119>> Não, ele não vai nem conseguir fazer o sucessor, né? Pois é, está a a eleição em Minas está muito complicada, mas a popularidade do Zema não se traduz em votos pro seu sucessor, >> não. E tem uma coisa, o Sérgio Abranges, que foi meu entrevistado no na edição de sábado, eh, que é também exclusiva para assinantes premium e saiu no último sábado tanto em vídeo na íntegra, quanto, eh, em texto na newsletter. E ele ele apontou que ele não acha o Romeu Zema nacionalizável. Hum.

¶120Ele acha o ele vê mais potencial de se nacionalizar no no Ronaldo Caiado e no Renan Santos. >> Eh, e eu acabei não explorando muito a fundo isso com ele. Eh, ele ele argumentou que no caso do Ronaldo Caiado, ele ele argumentou porque que os outros dois são mais nacionalizáveis. Mas eu acabei não explorando tanto do porque que o do desculpa, porque que o Romeu Zema não é. Eh, mas ele aponta em contrapartida que o Ronaldo Caiado já tem uma história, uma trajetória política bem mais longa.

¶121Então, embora seja também eh a sua popularidade e o seu conhecimento mais circunscrito ao Centro-Oeste, eh não é tão difícil fazer essa travessia. é custoso, precisa de muito empenho, mas é um pouco mais fácil. E no caso do Renan Santos, porque ele dispõe do que o Marcos Nobre eh batizou e o Sérgio Abranges retomou eh eh de partido digital, que é essa essa possibilidade, essa máquina de se fazer conhecer virtualmente, né? E no caso do Romeu Zema, quando eu tava assistindo ontem a Sabatina, eh, eu achei, eu eu tinha algo não objetivo sobre não ser nacionalizável ali, que eu não tava conseguindo, eh, sabe, assentar. Por que que eu tenho a impressão de que ele fala para um público muito específico, mas não necessariamente de Minas.

¶122é um tipo de é um tipo de de eleitor é um tamanho de eleitor pequeno. Parece o que ele o que ele consegue alcançar, mesmo ele não sendo exatamente um cara eh, né, super cheio de empáfia ou ele, eu não sei, ele tem algo nele que não é popular, que não é uma ausência de carisma, talvez alguma coisa assim. Eh, agora eu me magoo profundamente com o fato de que nas redes tem gente que compara ele ao Chico Bento. E eu queria dizer que eu sou contra, porque o Chico Bento é uma criança que é pura poesia, entendeu? E não acho que deva ser comparado a nenhum político.

¶123Nenhum. Não é porque é Zema, não. É porque nenhum, né? Salvem Chico Bento, preservem Chico Bento, faz favor. >> O Zema toca em pontos.

¶124pro fundos. Parece uma skete do Porta dos Fundos. Eu amei. Ela já veio com a ideia pronta, >> perfeita. Diga, >> podia ter a skete da Porta dos Fundos.

¶125Dois e dois candidatos, cada um sendo um personagem da Não, não faz isso, não. Deixa o Mônica verso preservado. Ninguém mexe, ninguém toca no Mônica verso. >> Talvez o Eduardo Bolsonaro fosse a Mônica batendo com sanção em todo mundo que tende a desapar. Você está vocêsio.

¶126É ele que fica aí batendo em todo mundo. >> Nossa, eu vou te cancelar se você fizer isso. >> Eu eu sou um fã de torno da manhã que eu só estou tentando fazer uma adaptação aqui, ó. Sport. >> Não, não é o contrário.

¶127Salvem, preservem. >> Não vamos separar. Não toquem, separem, por favor. Ah, não, mas a Mônica usa o vestido vermelho, né? >> Olha aí, o Eduardo Bolsonaro certamente não vestiria.

¶128O nosso vestido será vermelho. >> Meu Deus, meu Deus. >> A Magali que vive já vive, já veste a camisa amarela. >> É, mas o Cebolinha veste o verde. Apenas um militante do Partido Verde, um um se preocupa com o futuro, anda de bicicleta elétrica.

¶129E ele tá como, ó, misturando tudo, fazendo questão. Maurício de Souza vai mandar um e-mail pra gente, entendeu? Falando, ó, que que é isso? >> Vamos resgatar aqui a questão de de Romeu Zema. Eu acho que o Romeu Zema tem um papel nessa campanha porque ele toca em temas, é, que outros candidatos não vão tocar.

¶130o parte da conversa ontem no Jornal Nacional foi, por exemplo, a reforma da previdência, um tema que a gente vai ter que discutir em algum momento de novo, eh querendo ou não. E ele falou lá, falou que, ah, preciso ajustar a idade mínima, à expectativa de vida. Falou da previdência dos militares que os Bolsonaros têm dificuldade em tocar, mas ele está num momento em que a coalizão dele não existe, não tem números. E é pior do que você ter um um candidato que só representa um partido e tá ali no sacrifício para divulgar a pauta daquele partido, como os partidos de esquerda fizeram muitas vezes. E é importante que partidos mais ideológicos façam.

¶131partido que tem um programa, é importante ter um candidato que vai lá e faça propaganda do seu partido. O problema disso tudo é que, paralelamente, o Partido Novo está tentando ultrapassar a cláusula de desempenho e muitos candidatos a deputado federal e muitas regiões do país já abraçam eh de forma o extensiva ou não a candidatura de Flávio Bolsonaro. Então, para Romeu Zema, que tentou um uma manifestação se diferenciando de Flávio Bolsonaro, deu uma polêmica danada a sua reação à divulgação do da do áudio do Banco Master do Vorcaro com o Flávio. Ele foi desautorizado, ele não recebeu o apoio necessário ou ele não recebeu o apoio unânime dos correligionários. E aí resta muito pouco a ser feito, né?

¶132Se você tem uma oportunidade de se diferenciar do candidato que disputa com você aquele aquele nicho eleitoral, aquele campo ideológico, você tenta se diferenciar, você é desautorizado pelos seus correligionários. O que te resta fazer nessa campanha? muito pouco. E o Zema seguirá fazendo o que fez ontem, eh, respondendo às perguntas, tentando eh colocar ali pontos no seu plano de governo que o diferenciem, cometendo uma gaf ou outra, cometer o agafe lá sobre as mulheres. Ah, mas é uma eleição que é muito desfavorável ao Zema, porque não é o candidato disruptivo antipolítica, que é o Renan Santos, mas também não é o candidato que comanda naturalmente, que lidera naturalmente eh o campo da direita.

¶133Eu fiquei pensando que o o Romeu Zema, ele tá ele tá guardando ele tá eh ele tá, eu acho, tentando se cacifar mesmo para uma para uma desistência. É o que me parece assim, pelo menos até aqui, eu não consegui enxergar muito mais do que isso. Se cacifar para uma desistência é bom, né? Mas assim, se cfar para negociar alguma posição caso ele realmente venha a desistir, porque esses esse recu que ele fez, né, ele fez ali aquele ensaio de ruptura, aí foi enquadrado pelo partido para voltar, né, paraa casinha. Eh, e aí ele eh ele ele perdeu o próprio capital político individual, não assegurou que vai com isso conseguir levar o partido a se manter acima da cláusula de barreira.

¶134Eh, é diferente, por exemplo, do que o Tarcísio tá fazendo. O Tarcísio, eu eu tô observando o movimento do Tarcísio de Freitas, eh, com muito interesse, assim, porque eu acho que ele tá exercitando uma paciência que pode ou não depois se provar eh benéfica, né? Vai depender muito da conjuntura dos próximos 4 anos, de que tamanho o bolsonarismo vai sair desta eleição, como é que vai conseguir se sustentar nos próximos 4 anos. Mas ele tá construindo uma distância do Flávio eh ns em termos que eu acho que são palatáveis pro público, não eh orador de pneu. >> Uhum.

¶135>> Né? Então tem tem um público que já vê o Tarcísio como comunista, dimista, traidor para sempre. E esse público não há como romper com bolsonarismo e contar com o apoio dessa gente. Aliás, não há como não ser Bolsonaro e >> é não ter o não ter o sobrenome, >> não ser filho, não ter o sangue, né? >> Isso que a Michele também tem.

¶136É, então e este público ele não é não é possível para alguém que não é filho do Bolsonaro cativar, mas aí vem um público de direita fiel ao bolsonarismo, enquanto o bolsonarismo estiver pulsando mais aberto a outro candidato para além da família, que eu acho que o Tarcísio de Freitas está eh construindo uma relação mais sólida e mais duradoura. E de que maneira que eu vejo que ele tá fazendo isso? Ele obviamente está apoiando Flávio, esteve em palanque com o Flávio aqui em São Paulo, inclusive na visita que o Flávio fez a semana passada. Não tá fazendo igual o Artur Lira que foi pro Alagoas não é um estado territorialmente tão grande e ele conseguiu ir pro outro lado do estado para evitar subir no mesmo palanque. Aqui não.

¶137O Tarcísio recebeu Flávio, foram juntos fazer eh agendas, então não é algo que vai ficar andando agarradinho a eleição toda. É, e no dia seguinte deu, em uma das sabatinas deu a senha, falou: "Ó, eu estou contando, talvez ele seja o único do Brasil, contando com a promessa de Flávio Bolsonaro de que vai acabar com a reeleição caso eleito, né? Então, indicando que, ó, estou na fila, estou com essa, eles têm essa dívida comigo, ele tem essa dívida comigo e eu vou cobrar. política, gente, é muda em segundos, né? É óbvio que essa posição dele é líquida.

¶138Se daqui a pouco, né, o cenário muda radicalmente, eh, ele também vai mudar. Mas a sinalização que ele está dando neste momento é a de que eh eu estou procurando construir um caminho político para depois do Flávio ou para além do Flávio, né? Eh, não sei o quão efetivo vai ser, mas eu desconfio que é um jogo de paciência que o Tarcísio pode jogar, porque ele é relativamente jovem, ele tende a se reeleger em São Paulo. Eh, os números atuais das pesquisas dizem que isso vai acontecer inclusive no primeiro turno ainda por causa da soma dos outros todos, né, que tem poucos candidatos ao governo de São Paulo. E a soma tá dando bem eh bem assim, tipo cinco pontos a menos do que o Tarcísio tem nas intenções de voto.

¶139Então ele vai ter aí eh 4 anos pela frente, em tese, se isso se confirmar, de um governo no maior estado de São Brasil, com bastante dinheiro, com alguma popularidade alta, né, e se apresentando para olha, eh, tô aqui, eu não rompi, mas também não tô eh assim, não tô só esse julgo, né? Então, acho que é o que é o de todos é o que tá construindo o caminho mais possível de romper sem fazer o romp sem fazer a ruptura tão drástica, né? >> E tô fazendo parceria com o governo federal para entregar a obra. Então eu >> sou pragmático. >> Sou pragmático.

¶140Não estou desacreditando urnas. >> Uhum. >> Mas devo a minha carreira política. >> Nem vacinas, mas devo a minha carreira política. Jair Bolsonaro, devo a ele a minha fidelidade.

¶141E essa é a linha na qual o Tarcísio andou nos últimos 4 anos. O Tarcísio sempre tentando se equilibrar entre os acenos a um eleitor que não é bolsonarista, que não é eh inerentemente bolsonarista e que mas vota na direita e votou nele também tentando romper definitivamente. em alguns momentos, é verdade que ele eh encarou o bolsonarismo de frente na questão da reforma tributária, talvez tenha sido a o momento de maior destaque. A reforma tributária era um projeto eh se não capitaneado, mas patrocinado pela base do governo Lula. O Lula, durante a tramitação da reforma tributária, eh, abraçou aquela versão de reforma.

¶142Os bolsonaristas passaram a ser contrários à reforma tributária, fizeram movimentos para eh que a essa versão não avançasse. E o Tarcísio foi à Brasília falar com os deputados bolsonaristas que ele apoiava a reforma tributária. Há momentos de eh embate direto entre Tarcísio e o bolsonarismo num tema bem de política pública. E acho que nesses momentos, além de de outros, por exemplo, com o Lula entregando obra, Piadinha em em palanque, em que e ele sinaliza para esse público não muito bolsonarista, mas ele não pode soltar essa mão do seu padrinho político, porque ele sabe muito bem quais são as consequências e as consequências tendem a ser eh caríssimas para aqueles bolsonaristas que se tornam ex-bolsonaristas. Para para finalizar do Romeu Zema, talvez o Zema poderia ter sido candidato a uma outra coisa.

¶143Talvez o Zema poderia ter tido essa visão de que eh o país está dividido a ponto de não haver possibilidade de se florescer no mesmo campo do lulismo e do bolsonarismo uma alternativa. >> Mas se era para ser tão linha auxiliar do Flávio assim, não era melhor eles terem feito a vice de uma vez? Pois é, talvez não tenha sido oferecida a vice. >> Ah, aquele vídeo do do eu nem lembro do era falei whisky que a cabeça da pessoa onde tá, né? Olha o o do café.

¶144Sim. Então, há muitos indicativos de proximidade. Há alianças em alguns estados entre o Novo e o PL. Há muitos candidatos do Novo que estão apoiando eh candidatos ao Senado, ao governo, bem, e à presidência da República do PL, o que faz a posição do Zema ser complicada eleitoralmente. Eu gosto da existência da candidatura do Zema.

¶145a, e a minha visão, eh, bate bastante com muitos pontos do programa do Zema, mas ele que se colocou numa eleição, eh, que para ele tem muito pouco a oferecer, inclusive dentro do próprio partido. Então, eh, eu me dá me dá e um sentimento de desperdício. eh porque ele, essa popularidade dele em Minas, essa disposição de defender algumas pautas que são impopulares poderia eh estar sendo melhor utilizada numa campanha que pelo menos o seu partido enxergaria nele o valor que eu estou enxergando por aqui. E parece que uma ala do partido não enxerga. >> Muito bem, meus queridos.

¶146Eh, estamos chegando ao fim, nossa queridíssima Yasmin, porque 2 da tarde. >> Ah, vou ter que liberar vocês pro recreio. Uma vai meio Tom da Mônica assim. Ai, gente, tava tão bom o papo, tanta pergunta boa no chat, vai ter que ficar para amanhã, né? A gente vamos ver o que o nosso noticiário >> vai trazer, o que que ele, o que que nos aguarda no dia de amanhã.

¶147Magno, muito obrigada. >> Magno, muito obrigada. >> Obrigado, Flávia. Obrigado, Yasmin. Obrigado ao pessoal do chat.

¶148De vez em quando eu encontro o pessoal do chat aí no chat que eu fico assistindo >> e participo ali no chat também. >> Ficamos. >> Até a próxima terça-feira. É sempre um prazer. Até pessoal.

¶149Obrigada pessoal. Central Meio termina aqui. Amanhã tem mais ou como diria Chico Bento. Até mais ver. Essa campanha tem que começar a verdade, derrotando a mentira.

¶150O filho mais velho do capitão segue aqui de pé, firme e forte ao lado do povo brasileiro. Os dois estão jogando o mesmo jogo, cada um preocupado com a sua eleição. Ninguém tá preocupado com o Brasil. >> Tudo que dá certo nesse país parece do PT não gosta. Nós não precisamos ser refém de um debate político construído entre um mongoloide como Flávio Bolsonaro e um cachaceiro senil como o Lula.