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Com a Arqueologia entendo a Bíblia | Luiz Sayão

¶1Tan tã tã tã tã tã tã. Indiana Saes. Opa, não, esse é [música] o canal do saião e o assunto hoje é arqueologia saião. Por e como a arqueologia mudou para sempre os estudos da Bíblia. Esse é o canal do Saião e a gente vai falar sobre esse tema tão relevante, empolgante, para que você entenda o que foi que aconteceu.

¶2Bom, você deve saber, né? Claro, se ouvir falar, não, porque a fé cristã nasce, a gente sabe, nasce na terra de Israel e logo ela vai se estender na direção do ocidente e vai marcar o mundo eh do império romano, o mundo greco-romano, depois vai fazer parte da história da Europa. A coisa não é bem assim, né? O cristianismo primitivo, ele começa em hebraico e aramaico, ali na terra de Israel e nas redondezas. E aí ele se expande.

¶3E na verdade antes da Europa, a África recebe aí o primeiro contato do evangelho em outro continente, conforme o relato de Atos 8, né, que vai nos levar a antiga civilização da Etiópia, que tá entre as primeiras aí a receber a fé cristã. No quto século, você já vai ver aí a Eiópia, os etíopes recebendo a fé cristã juntamente com seu rei. E até antes do rei da Etiópia, nós temos o rei da Armênia, né? Tilidates terceiro, no ano 301, recebendo a fé cristã. E logo um pouquinho depois, ali do lado, nós temos também o antigo rei da Geórgia, né?

¶4E a tradição até fala, né, do o rei de Edessa, uma um tribo árabe ali que teria recebido a fé cristã anteriormente, né? E a gente conhece somente um lado da questão, que é a Constantino, edito de Milão, 313. a gente conhece muito a tradição do Ocidente. Pois é, mas de qualquer maneira a gente sabe que a fé e a tradição cristã se desenvolveu e marcou para sempre a história da Europa, a história do mundo ocidental, aquilo que vai se formar como civilização judaico-cristã, né? Mas o que que acontece?

¶5esses europeus, né, inicialmente escreveram em grego, depois em latim, o latim chega mais tarde nessa expansão cristã, a gente vai ter, né, desdobramentos de modo que eh se escreve, se fala, se reflete, se pensa em teologia à distância do ambiente original. E paraa gente entender o que aconteceu, houve toda essa caminho da cristandade europeia que foi muito abalada a partir do surgimento do Islã, né, que não só conquistou ali a região das terras bíblicas, mas até mesmo invadiu grande parte da Europa, tanto na Europa meridional como a gente sabe ali na região da Península Ibérica, os reinos árabes que ali eh estiveram durante muito tempo, como também a expansão turca, especialmente os turcos otomanos que dominaram grande parte do sudeste europeu, a região dos balcãs e também da antiga Grécia. Então, que que acontece? Vamos tentar entender um pouquinho da história. A arqueologia, pessoal, é coisa recente.

¶6Existe há mais ou menos um pouquinho mais de dois séculos. Isso quer dizer que muita coisa que a gente sabia sobre a Bíblia vinha de uma tradição escrita à distância e com um conhecimento muito limitado. E a coisa realmente era complicada porque, deixa eu mudar aqui o chapéu para entender melhor a coisa, ó. Porque a gente tem nesse período aí do século, vamos dizer 16 até ah, o o século XIX, o domínio turcootomano, Giden Nanas. E pois é, os turcos dominaram tudo ali.

¶7E esse Império otomano não tinha intenções e nem suficiente condições ou qualquer interesse para fazer um trabalho arqueológico. E os otomanos, por exemplo, dominam, para você ter uma ideia, a terra de Israel de 1517 até 1917. que na verdade eles mantém esse domínio até 1922, 23, quando temos o fim do império. E aí você tem toda uma, inclusive libertação do mundo árabe, libertação de outros grupos que viviam debaixo desse poderio otomano. Mas então, quando os otomanos saem de cena, saiam, o que que vai acontecer?

¶8Deixa eu trocar o meu chapéu aqui pra gente entender um pouco mais. Hello, sir, how do I came from London? Ou seja, os europeus chegam, deixa eu ver se eu coloco o meu chapéu direito, que aqui tá meio difícil, né? Os europeus chegam, né, para ter o domínio da região, especialmente ingleses e franceses. Bonjour Mess Comand Levu e também muitos alemães visit.

¶9Então eles chegam e também não demora muito. Os americanos, norte-americanos, I'm very happy to be here today, eles vêm e começar e abrem o caminho. na verdade, desde a chegada de Napoleão, na região do Oriente próximo, é que começando com a egiptologia e logo depois os estudos na terra de Israel e região, é que a gente vai ter esse desdobramento dessa presença europeia e ocidental e americana que começa pela primeira vez a mexer e desenvolver a incipiente arqueologia, que depois vai ser chamada de arqueologia bíblica. Então, passado o período turco otomano, passado o período da presença europeia, principalmente inglesa, a gente tem, de certa forma, digamos assim, o triunfo da arqueologia agora presente nos estudos. Mas então, Saon, o que é que a arqueologia de fato trouxe?

¶10Olha, pessoal, a gente poderia ficar aqui a vida toda mais seis meses. Inclusive, estamos aí presenciando nesses dias o congresso internacional de arqueologia bíblica com pessoas especializadas do Brasil, da Grécia e de Israel. Para vocês verem aqui, tem um resuminho assim, ó. Tá vendo, ó? Essa é é a a Arqueological Study Bible.

¶11Infelizmente, ela saiu em português até sob a nossa recomendação e influência. Ahã. Mas nós não temos mais a edição em português. Você tem algumas coisas interessantes que tem várias achados e referências aqui na Bíblia de estudo do Rota 66, mas a arqueologia fez muita diferença. E onde é que ela fez diferença?

¶12Você quer ver que coisa interessante? Em primeiro lugar, eh, o que que a arqueologia fez? Ela desenterrou o mundo antigo da região da terra de Canaã, do Egito antigo, da Mesopotâmia, da região em torno do Mar Mediterrâneo, do mundo greco-romano, do mundo babilônico, persa, assim por diante. Ó, para você ter uma ideia, aqui tá um dos materiais que eu tive a satisfação de ser tradutor e ser um dos principais motivadores da publicação do dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento. Eu tô lendo aqui um pedaço do verbete que envolve a palavra navi.

¶13Navi palavra importantíssima, que é exatamente o profeta em hebraico. Você quer ver que coisa interessante? Olha aqui, eu vou ler a um pouquinho, né, do que ele diz aqui no texto. Ele diz que existem quatro pontos de vista sobre a origem da palavra navi. poderia ser de uma raiz árabe chamada Naba anunciar e daí é porta-voz defendido por Corn Kennegy e Iseland e Smith, de uma palavra hebraica na, uma forma abrandada de de Nabá, que quer dizer borbulhar e por conseguinte extravazar pelas palavras conforme Virgen, Gzenenios, Orel Gum, Gston e ou atenção de uma raiz acadiana Nabu chamar.

¶14Por essa razão aquele que é chamado por Deus, conforme Albright, Rowy, Mick e Scott, e talvez de uma raiz semítica desconhecida, conforme young orinish. Eh, e assim a gente vê essas considerações. Aí você pergunta: "Mas son, como é que o pessoal fez essa conexão entre a palavra hebraica e o acadiano?" Pois é, aí é que a arqueologia entra. Imagine só, você tem um texto antigo da Bíblia hebraica, com quase tudo em hebraico, um pouco em aramaico, o texto do testamento em grego, e de repente o pessoal estuda as línguas parecidas com o hebraico antigo, como é o caso do acadiano que eu mencionei aqui, e é o caso doarítico também. Isso quer dizer que traz pra gente uma verdadeira revolução linguística.

¶15a gente tem condições de fazer uma comparação com termos semelhantes e parecidos e conseguir entender mais detalhadamente [limpando a garganta] o sentido do hebraico bíblico. Exatamente por causa disso é que nós temos esse dicionário aqui. Mas você quer saber a verdade, [risadas] a gente tem dicionários que são literalmente de 8 a 10 vezes maior do que esse, feito especialmente pelos estudiosos de fala alemã. Pois é, então essa parte linguística é fenomenal. A outra coisa assim absolutamente decisiva é que a gente não tinha condições, vamos dizer, saber com exatidão as datações do mundo antigo.

¶16A Bíblia trazia datações, mas essas datações elas não estão enquadradas na história mundial. Então, descobertas, como por exemplo o obel obelisco negro de Salmanzer I, ajudou a gente conferir com exatidão a cronologia dos reis de Israel. Essa inscrição na Síria mostra, por exemplo, o rei Gú pagando imposto lá e resolveu a situação. E a inscrição de Galho, por exemplo, encontrada lá no museu de hoje de Delfos, ela mostra direitinho que Gallio foi procônsul da Caia entre o ano 51 e 52. Isso ajudou totalmente a fechar a questão da cronologia das viagens de Paulo e do próprio Novo Testamento.

¶17Quer dizer, percebe a diferença? Além disso, o que que a arqueologia traz para nós? Ela traz a possibilidade da gente reavariar algumas coisas que a gente achava que sabia e que não sabia. Quer ver um exemplo? Todo mundo quando visitava Jerusalém sempre ia para um lugar chamado tanque de Siloé.

¶18Esse tanque de Siloé era famoso, era histórico, tava lá, mas muita gente não sabia que aquele não era o tanque autêntico. Aquele tanque era do período bizantino, ou seja, do período grego-cristão. E ele então tinha sido feito muitos séculos depois do Novo Testamento, período bizantino é do século até o século VI ali. Então, em 2004, 2005, escavações ali em Jerusalém, encontraram o tanque de Siloé autêntico da época do Novo Testamento. Então, a arqueologia ajuda a gente a realinhar e ver direitinho coisas que pensávamos que era de um jeito e era de outro jeito.

¶19Mas só pr você ter uma ideia, quando a arqueologia desenterra uma cidade antiga, quando ela traz a luz a realidade, a gente consegue entender qual é o tamanho disso, qual era a realidade. Você ouve falar, né, por exemplo, que Jesus estava numa cidade como Nazaré. Você pensa em cidade, você pensa uma coisa. Quando você descobre, Nazaré é um vilarejo pequenininho que não tem nem 1000 pessoas. Mas o que mais a gente pode entender do impacto fenomenal da arqueologia?

¶20Eu trouxe aqui, ó, duas canecas que foram feitas pelo Instituto Bíblico de Arqueologia, o IBAR, e ela traz aqui, olha que coisa interessante, uma celebração daquilo que é chamada inscrição de Siloé. Essa inscrição de Siloé é um texto de mais ou menos 700 aes de. Crist que foi encontrado em Jerusalém ali num túnel que foi escavado na época do rei Ezequias. uma inscrição feita em calcário. A Bíblia tem o relato de como isso foi feito lá em segundo Crônicas 32.

¶21E lembra da época dos turcos otomanos? Foi encontrada nessa época. Então isso foi levado para o Museu Arqueológico de Istambul. Você vai ver aqui que nós temos letras hebraicas antigas, diferentes daquelas que a gente conhece. São letras do alfabeto paleo hebraico do século VI antes de Crist.

¶22Então você imagina um texto de 2700 anos que bate com aquilo que é o prisma de Senakeribe, que foi levado pro Museu oriental de Chicago, nos Estados Unidos, e que bate com a escavação do túnel de 520 m que está em Jerusalém e que bate com a descrição do texto bíblico. Pessoal, 2700 anos, o Brasil tem 500 e pouco. Olha que doideira. Então, essas inscrições elas são assim fundamentais, extraordinárias. E aqui tá mais tem uma mais fascinante ainda que também o IBAR publicou ou ou celebrou, melhor dizendo, né?

¶23Esse aqui é a Estela de Teldam, quando muita gente olhando pra Bíblia com um olhar de excessiva suspeita, dizia: "Olha, acho que o rei Davi nem nunca existiu". Pois é, essa estela apresenta a expressão feita por um rei arameu, né? muito provavelmente o rei Aael, exatamente num período aí do século Xo antes de Cristo, ou seja, mais ou menos 150 anos depois da época de Davi, ele menciona que ele lutou contra os reis do Bait David, ou seja, da casa de Davi, da dinastia de Davi. Quer dizer aí essa Estela em Basalto, né, que tá no museu de Jerusalém, onde existem sabe o quê, [risadas] mais ou menos meio milhão de peças, artefatos e objetos de tudo que tem sido levantado só em Israel, sem contar toda a enormidade de achados que existe ali em torno em volta. Então você percebe, quer dizer, a gente não só consegue entender agora o mundo antigo, consegue colocar no lugar certas coisas que a gente não tinha entendido direito, consegue estabelecer uma cronologia histórica mais precisa e consegue ter uma confirmação histórica concreta daquilo que estava, digamos assim, nublado no entendimento de muitas pessoas.

¶24Agora, que que acontece? Tudo isso ajuda a gente sabe o quê? A iluminar o texto, a entender o texto, a poder interpretar o texto com elementos históricos, culturais, linguísticos e com referências arqueológicas que fazem toda a diferença deste mundo para entender o sentido do texto original. Mas talvez a coisa mais impactante que tem a ver com arqueologia foi a descoberta dos grandes manuscritos bíblicos. Pessoal, nós temos milhares de papiros, pergaminhos, manuscritos, tanto do Antigo como do Novo Testamento, que nos mostram como esse texto, mais do que qualquer outro texto da história humana, foi bastante preservado.

¶25Só do Novo Testamento, para você ter uma ideia, a gente tem cerca de 5500 manuscritos entre papiros, entre cices completos, por exemplo, códices famosos. O códice é uma cópia completa em pergaminho que a gente eh tem, por exemplo, o códice alexandrino, códice vaticano, cross códice sinaítico, né, descoberto por Fonendorf em 1844 no Egito, no Sinai, e mais uma série enorme de manuscritos disponíveis para aqueles que estudam a crítica textual do Novo Testamento. E no Antigo Testamento, nem preciso dizer nada, eu vou comemorar com você aqui. Olha aqui, ó. Quem realmente aparece bonito na descrição são os manuscritos de Kunran.

¶26Tan tã tã tã, né? Manuscritos de Cran, os manuscritos do Mar Morto, descobertos a partir de 1947 nas cavernas ao norte do Mar Morto, numa localidade chamada Cumran, onde eles acharam 11 cavernas com as cópias de quase todo o texto do Antigo Testamento, extremamente bem preservado por uma comunidade de religiosos chamada Yahad, que se refugiou no deserto. Qual é a grande questão? A gente tem muitos textos massoréticos comparados com outros textos importantes, como Pentateu samaritano, a septoaginta grega, os targuns aramaicos e outras traduções antigas. E agora você tem um texto para comparar mais de 1000 anos mais antigos do que o que a gente tinha antes.

¶27Então veja só, preste atenção, pessoal, antes da arqueologia que a gente sabe o ambiente do contexto bíblico é, digamos, 1 2%. Depois das descobertas, dos estudos decorrentes do que a arqueologia trouxe, nós pegamos o um e dois e colocamos no nível 95, 98, 100 tanta informação. Por isso é tão importante conhecer e estudar a Bíblia, não simplesmente do ponto de vista, vamos dizer, individual ou devocional ou até mesmo teológico, doutrinário, filosófico. Importante ter esse conhecimento objetivo concreto que nos ajuda a lidar com o texto mais famoso e mais impactante e importante da história humana. Este é o canal do saião, onde você tem bastante explicação e até mesmo uma boa orientação para abençoar sua mente e o seu coração.

¶28Então não se esqueça, inscreva-se no canal, mande este vídeo para os seus amigos, aperte o sininho e seja você também parte deste canal do Saião, que você pode, inclusive ser membro e ajudar a nossa divulgação. Não se esqueça, arqueologia mudou a história do estudo da Bíblia. Tã tã.