¶1Olá, eu sou Pedro Dória e essa é uma edição especial do Conversas com Meio. Meu convidado hoje é alguém que muitos de vocês devem ter visto essa semana. Vocês viram ele na seguinte situação no chão dentro de um prédio da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sendo violentamente espancado por diversos colegas. Vocês ouviram o seguinte a respeito dele, que ele é racista e cometeu uma injúria racial, que ele teria agredido um colega, que ele seria nazista. A única coisa que vocês não ouviram até agora é a versão dele.
¶2O que vocês vão ver é um rapaz, um estudante de história, ele tá no 10o período e que tá um bocado tenso, que às vezes se perde no raciocínio, aí volta, eh, que tá muito preocupado o tempo todo em mostrar o que que ele estuda e por que ele estuda, e que tá tentando, por um lado, se recuperar de uma situação na qual eu Não exagero quando eu digo se recuperar numa situação na qual ele poderia ter sido assassinado, ao mesmo tempo tentando lidar com um violento, uma violenta tentativa de assassinato, de reputação que tá acontecendo nas redes sociais nesse momento e e tentando se organizar ao mesmo tempo. Ele tá preocupado com o futuro, ele tá preocupado com a maneira como ele tá sendo percebido, ele Eu acho que eu acho que é hora, pela primeira vez de dar a palavra a ele. >> Diego, obrigado por tá aqui, obrigado por se dispor a fazer essa conversa. Eh, eu eu acho que o Brasil inteiro essa altura te viu eh sendo espancado. Eu a primeira pergunta eu acho que é OAB, né?
¶3Como é que como é que você tá se sentindo fisicamente? >> Fisicamente eu me sinto com muitas dores pelo corpo. >> Hã, >> cheguei aí numa UPA, cheguei a fazer um laudo no ML, lesão corporal. Eh, eu estou com alguns cortes na cabeça, não sei se vai dar para ver. Meu olho tá roxo.
¶4Meu olho tava mais estourado. Esse lado aqui também machucado. Meu joelho é que eu tô com uma calça, mas meu joelho ralado, com dor nas últimas três costelas do lado esquerdo e com dor no joelho direito. >> É, a gente tá gravando na sexta-feira de noite, são 8 horas da noite, 8:20 da noite. Eh, tudo aconteceu na terça-feira à noite, não foi?
¶5Terça-feira à noite. >> Tá certo. Como é que tá a cabeça, cara? >> Eu sinto que eu não processei o que aconteceu. Foi um trauma tão forte que eu sinto que meu corpo e a minha mente estão desconectados.
¶6Eu não consigo comer, eu não consigo dormir, eu não sinto apetites, eu me sinto completamente apático. Eu não como nada tem três dias, desde ocorrido. >> Uhum. >> A única coisa que eu consigo comer, ingerir é água. Nem minha comida favorita eu consigo porque eu não tenho apetite.
¶7Eu sinto que minha mente e meu corpo estão desconectados justamente porque meu corpo já processou o que aconteceu. Tanto que eu me sinto fisicamente mal, por exemplo, sintoma de de diarreia, mas a minha mente tá ah pacífica, porque sabe que eu não cometi nenhum delito, não cometi nenhum crime. >> Uhum. >> Nada do que me acusaram é real. >> Você como é que você se identifica politicamente >> à esquerda?
¶8>> O o que que quer dizer isso? Como é que e o que que você pensa? você você é um estudante de história. Me me fala um pouco mais sobre como você se posiciona politicamente, quais são os autores que você acha interessantes, qual tipo de regime que você acha? Me fala um pouco.
¶9>> Eu me identifico como esquerda, esquerda marxista. Eu gosto muito de Marx, de Lenin, dos filósofos anarquistas também, dos iluministas como Bacony, como Pachucanes, como o Volter, Rousseau, dessas coisas do socialismo tópico até o socialismo real, o livro do Engels. Mas eu gosto de transitar entre todos os mundos. Por exemplo, Norberto Bobbio que é um cara mais liberal, que é um cara que é empurrado pela direita. Leio coisas do Olá de Carvalho, leio coisas do Dugin, que é um cara tradicionalista da Europa.
¶10Eu tento, por mais que me identifique politicamente em uma corrente, transitar pelos meios, porque eu acredito que é necessário haver uma pluralidade de 10. É necessário que eu entenda o que eu estou criticando para ter uma crítica com mais embasamento lógico dentro da materialidade. >> Então, quando você fala, por exemplo, de Den, o ou o ou do Olavo, você lê com objetivo de olhar criticamente. >> Exatamente. Eu inclusive me interesso pela iconografia e simbologia eh nazista que foi apropriada de diferentes culturas.
¶11Eu me interessa pelo fascismo enquanto um fenômeno social. Eh, entendo que o fascismo é uma coisa camaleônica. É até difícil apontar exatamente o que é faco, porque ele bebe de diversas fontes que são contraditórias entre si. Inclusive, eu tô com um livro do senhor aqui, que é um livro que eu gosto muito, e diversos outros livros, porque são livros que é a minha área de estudo. Eu me considero um acadêmico do assunto.
¶12Ah, acho que agora acho que eu devia ter deixado isso fora, mas é, continuando, ah, eu me considero um acadêmico do assunto. É, eu não sou, eu não compactuo com os ideais fascistas, não compactuo com os ideais nazistas. Eu não sou nazista. Eu não sou nazista. Eu sou um estudioso do tema nazismo, seja no Brasil ou na Europa.
¶13E meu interesse é puramente acadêmico. Eu não possuo qualquer histórico de participar como as acusações estão sendo feitas, de grupo Redpill, de Telegram, de Discord. de de grupos extremistas. Não faço parte de nada disso. Não, nunca tive contato com esses grupos dessa forma, apenas como um observador para entender os seus pensamentos, assim como esses livros que eu mostrei para você.
¶14Você tava você tava com uma camiseta de um grupo punk, um grupo pós-punk, um grupo alto folk, nefolk chamado Defen June, que usa como iconografia a caveira que a SS nazista eh o o usava. O o que que essa banda representa para você? o o qual é a mensagem que te parece eh tá nessa estampa que é o símbolo da banda o que que tá sendo dito ali >> então, a banda Def Júnior, por ser uma banda punk da década de 70 e 80 e o punk enquanto um movimento de subcultura e político, essa etnografia vai mostrar muito bem, vai estudar bandas como George Vision, six and the benches e na página 80 e do capítulo Isto não é uma suástica, Eu vou até dar para você dar uma olhada. Ela vai falar sobre como que as bandas punks vão se apropriar desses símbolos usados pelos nazistas, símbolos apropriados pelos nazistas de diversas culturas. Porque como o próprio Eric Hobsbal vai falar no livro dele, A era dos extremos, o fascismo precisa de uma de uma mitologia.
¶15O fascismo precisa de uma razão para existir, uma razão de origem. Então, pega vários elementos que são completamente contraditórios entre si para dar uma razão. Então, você vai ter, por exemplo, do próprio discurso da Alemanha nazista, do próprio discurso do Mussolini e nos regimes que você pode nomear na atualidade fascistas, por exemplo, chamam o Trump de fascista, chamaram o Bolsonaro de fascista, enfim. Mas o que a banda faz e a estética punk, de uma forma geral é pegar esses símbolos e ridicularizar. Aquela caveira que eu estava usando não é a caveira da Tottenham Cop da SS nazista.
¶16Até porque a caveira da SS nazista ela é só uma caveira. Você pode pegar a tradução literal de Toten Cup. O que que significa alemão? Caveira. Caveira que era usada desde o século X, X pelos navios piratas, que depois vai ser usada pelas tropas prucianas na própria, o que veio depois se tornar a Alemanha.
¶17Então eu vejo como toda a estética do movimento punk ridicularizando esses símbolos. Diversas bandas, como por exemplo o próprio Deffin Júnior, Steve Six, o BO, vão incorporar elementos à sua a sua ao seu maneirismo, a sua arte para ridicularizar. A própria caveira não é a caveira da SS, é a caveira modificada. É uma caveira de um crânio neandertal. Existe esse detalhe.
¶18Você pode pegar a foto da caveira do SS e a caveira da camisa que eu estava usando. Desculpa. Eh, são diferentes. Ela tá até com uma cara assim meio distorcida, meio meio cínica assim, sabe? Eh, e principalmente você entra no site da banda de em Júnior e tem o o dono do projeto que é o Michael, agora me falha o sobrenome dele, segurando uma camisa que tá em alemão.
¶19Eu não vou saber dizer o que tá escrito em alemão, mas numa tradução livre é um mundo melhor sem nazistas. E vai ter a caveira da Toten Cupf, a caveira com arco-íris gay. Não só a caveira, mas todo o merchandise da banda, usando símbolos que foram apropriados pelo nazista, sendo ridicularizados com a bandeira gay, por exemplo, runas com a bandeira gay, o sol negro com a bandeira gay, a própria caveira com a bandeira gay. Então eu vejo como uma forma de satirizar e criticar esses movimentos de olha como eles são ridículos. >> Independentemente disso, você estava com bottom, com uma com uma suasca, você estava com essa jaqueta, né?
¶20Estava exatamente com essa jaqueta aqui. O bottom estava no lado esquerdo. Estava no lado esquerdo, desse lado aqui. Essa jaqueta tá comigo há um tempo. Sempre que eu saio e tá frio, eu uso essa jaqueta.
¶21Aquele bottom até então aquele broche não saía da jaqueta porque é um pin. A diferença de um boto com pin é que eu consigo prender ele. Ou seja, as agressões foram tão fortes que conseguiram desaparafusar, vamos colocar dessa forma, um objeto metálico na minha jaqueta. E sim, eu estava com a camisa da banda com um pin grande, um broch e uma suastica dizendo não, com uma suje com um proibido, mostrando que eu não sou só antinazista, eu sou duponante antinazista. Eu estou negando este símbolo como estava na minha jaqueta do lado esquerdo.
¶22Estou com uma camisa de uma banda que ridiculariza os símbolos nazistas. Eu vou pedir já para você para você descrever um pouco o o que aconteceu naquele dia, na terça-feira passada, mas antes tem uma outra acusação que tá sendo feita contra você na internet, que é você ter chamado um dos estudantes eh por uma injúria racial eh e ter agredido ele Eh, em algumas vezes dizem que você puxou o cabelo dele, outras vezes dizem que você deu uma cotuvelada nele. Alguma coisa do tipo aconteceu? >> Não, não aconteceu. O que aconteceu foi que eu estava recapitulando esse dia, foi uma terça-feira, estava assistindo a minha aula de educação brasileira, cheguei na faculdadeix por volta de 7:15, 710, cheguei: >> Você é estudante de história do FJ?
¶23>> Sou estudante de história do FRJ. >> Você tá em que período? >> 10mo. >> 10º período. >> Falta pouco para terminar.
¶24Eh, inclusive eles acham que eu peguei uma matéria de terceiro período, que é a educação brasileira como uma forma de protestar pró nazismo, como se eu quisesse de alguma forma chamar a atenção e chocar os calores, sendo que em nenhum momento isso passou pela minha cabeça. É só uma matéria que eu empurrei com a barriga e bom, tá na hora de fazer. Mas reconstruí no dia, foi um dia normal. Acordei, fiz o que tinha que fazer em casa, fui na academia, saí atrasado de casa, nem ia pra aula, para ser sincero, peguei a camisa, assim como outras camisas de banda que eu tenho. Cheguei na sala de aula, dei boa noite pra professora, que eu não vou citar o nome.
¶25Eh, fiquei mais ou menos 15, 20 minutos na sala de aula, me deu fome, fui jantar no bandejão, jantei, passei no banheiro, voltei pra sala de aula. Isso tem um tempo de 10, 15 minutos também. E então eu percebo que tem um movimento na porta. Era uma sala do terceiro andar, sala 317, tem os corredores dois lado e é uma sala que é um anfiteatro. Sempre nessa sala eu gosto de sentar acima que tem uma visão geral.
¶26E eu percebo um movimento estranho na porta. começa a parar um grupo de pessoas, depois vai aumentando, aumentando, aumentando, aumentando, até o momento que eles entram na sala de aula, invadem a sala da professora, mesmo com a professora pedindo para eles não invadirem a sala de aula e falam que tem um nazista na sala de aula. Como eu não estava usando nenhum broch nazista, como eu não estava usando nada que fizesse apologia ao regime nazista ou alguma coisa que eh lembrasse a supremacia branca, a defesa da supremacia branca, não achei que fosse comigo. Então essas pessoas eh entraram umas 10, 15 pessoas. Essa pessoa que me acusa de injúria racial falou como um porta-voz de todo mundo e começou a subir, né, até chegar em mim.
¶27E eu estava sentado assistindo a aula. Nesse exato momento, estávamos discutindo dentro da educação brasileira as constituições do Brasil desde a época do império e respondendo um questionário de como a educação era tratada e incluída por diferentes eras e constituições, até que essa pessoa chegou, interrompeu aula da professora, me questionou e falou: "E esse broche nazista aí?" Eu falei: "Não é um broche nazista, é um broche antinazista". E essa camisa tá com camisa de de nazismo? Falei: "Não, é uma camisa de uma banda, mas é uma camisa de uma banda em que o cara é gay, que o cara protesta contra o nazismo, que o cara já tocou em Israel, em que o cara já gariou fundos para hospitais, que já gariou fundos pro museu do holocausto. Essa banda, na verdade, ridiculariza a ideia nazista.
¶28Eu confesso que fui prepotente e arrogante em achar que eu conseguiria debater com pessoas que não estavam interessados em debater. E eu caí numa armadilha. Eh, em momento algum dos vídeos que estão circulandos, você vai achar que eu tive alguma reação violenta. Não tive. Em todos os vídeos que estão circulando, eu estou colaborando.
¶29Desde o momento em que eu sou retirado a força de sala de aula até o momento em que eu sou espancado e sofro uma tentativa de homicídio dentro da faculdade e também fora da faculdade, na praça e nas escadas da faculdade, nas escadas de pedra. >> Tudo bem? Então, deixa eu vou deixa eu te dar uma pausa aí. Claro. >> Vamos fazer o seguinte, eles entram, >> correto?
¶30>> Tem uma aula acontecendo, eles entram na aula, começam a falar: "Ah, tem um nazista aqui, eh, você a princípio não acha que é com você". Sobem e aí eles começam a a ter uma conversa ali de eh uma conversa com você em que você explica o que que o Botton quer dizer. Você explica o que que a camiseta quer dizer para você. Você nega terminantemente que você é nazista. Eh, e aí, como é que é o processo de te tirarem da sala?
¶31O que que acontece ali? Eu só faria um apontamento na sua frase que não foi uma conversa, foi de fato ali eu já começava a tomar empurrão, começava encostar no meu ombro, já começava a encostar em mim, a apontar, a mexer assim na minha roupa. >> Quer dizer, já é uma coisa já começava come físico e invasivo. >> Quer dizer, tem um processo de intimidação já aconteceu. >> Eram três pessoas que estavam falando comigo, inclusive a uma dessas pessoas foi quem me acusou da injúria racial, >> tá?
¶32Eh, o que acontece foi que esta pessoa junto com essas outras duas já estava encostando em mim enquanto eu tentava explicar no alto da minha prepotência e arrogância o que esse símbolo da caveira que estava usando significava. E fizeram distorções, falaram que a banda na verdade tem uma origem nazista por se apropriar desses símbolos. Eu tentei argumentar, mas não tem como discutir com uma multidão em fúria. Eu aprendi da pior maneira possível. Não tem como discutir com gente intolerante.
¶33E esse rapaz que disse que eu chamei ele de uma coisa terrível, fiz a injúria racial, ele é um estudante de direito e me deu voz de prisão. Ele falou: "Você foi dentro da >> foi dentro da sala de aula. Eu estava sentado, em momento algum eu reagi fisicamente ou violentamente, tanto que o vídeo que viraliza é um vídeo que eu tô falando do David Bower tentando explicar justamente essa iconografia. nazista e de como ela é utilizada, de como não é que ela é utilizada, ela é subversiva. Por quê?
¶34Porque eu sou uma pessoa que eu sou, eu gosto de estudar essas simbologias. Eu tenho aqui alguns livros, inclusive do seu próprio livro. >> Uhum. >> Eu sou um acadêmico. Eu me identifico com a corrente acadêmica que estuda esses esses movimentos, >> movimentos de extrema de direito em geral.
¶35Exatamente. Não só no Brasil e no mundo. Ahã. Mas não quiseram me ouvir. Esse rapaz me deu voz de prisão sendo estudante de direito.
¶36Eu, eh, pacificamente saí da sala, ou melhor, pacificamente fui conduzido. Não, pera aí, deixa eu, deixa eu consertar, porque não foi pacificamente, né? Pacificamente eu digo minha postura. Deixa eu recomeçar. Esse estudante de direito não quis me ouvir.
¶37Ele falou que eu estava preso, que ele era estudante de direito, estava no último período e estava me dando voz de prisão, que eu seria conduzido até uma delegacia para mim explicar para um delegado de porque que eu estava usando estes símbolos no plural. Ou seja, ele não estava só falando da camisa, estava falando também do Bros, que estava nesse lado e que, infelizmente, eu perdi ele na confusão que rolou. Eh, os vídeos que estão circulando, tem um vídeo específico que mostra do outro lado ah da do corredor em que em momento algum reajo mal, em que em momento algum eu faço a saudação nazista que me acusaram de fazer dentro de sala de aula. Acho que a professora inclusive pode falar sobre isso. E eu colaboro.
¶38Por que que eu colaboro? Porque eu quero esclarecer. Eu não sou nazista. Eu sou estudante de história e eu sou antinazista. Não sou simpático.
¶39Como a gente começou esse papo, eu me identifico à esquerda. Existem um punhado de autores que eu leio e me identifico mais do que outros. Por mais que eu me debruce em toda uma historiografia de caras de direita, ah, própria biografia de diversos ditadores não significa que eu compactuo com aquilo. Eu quero conhecer mais. Eu quero entender o contexto político que gerou aquelas ideias.
¶40Então eu sinto que eu caí numa armadilha. Por quê? Porque esse rapaz falou que ia me conduzir pacificamente a uma delegacia e que tinha um policial lá embaixo já que havia uma viatura. Eu: "Tudo bem, então vamos". Mas ele já tava pegando meu braço, já tava empurrando meu ombro, já tava me dando tapa na cara.
¶41Existem diversos ângulos de diversos vídeos diferentes que vão demonstrar que momento que eu levanto, do momento que eu estou sendo retirado a força de sala de aula, eu já estou sofrendo violenta, violência, já estou sendo violentado fisicamente e moralmente, psicologicamente, porque existia uma multidão no corredor, que é um lugar estreito, corredor do terceiro andado do fixo, me xingando, falando para me matar, falando para mim bater. E eu sou conduzido por essa pessoa e mais duas acho que vieram me abordar até a escada do segundo andar. E até o momento em que eu piso fora da sala de aula, eu falei: "Eu não quero que ninguém encoste em mim". E nesse momento esse cara já tava me valentando. Esse cara, o vídeo talvez não pegue, mas esse cara ele tava me chutando.
¶42E a primeira coisa que acontece comigo quando eu saio da sala de aula, eu começo a tomar chute. E tudo isso ao mesmo tempo que eu sou xingado. E eu saio, o pessoal acha que eu saí abrindo a camisa como uma forma de orgulho. Quer dizer, a jaqueta como uma forma de orgulho. Não, eu estava segurando o lado esquerdo.
¶43Existe um vídeo bem claro que eu estou segurando o lado esquerdo da jaqueta para mostrar o broche. estava falando, isso aqui é um broche antinazista. Eu não sou nazista, mas ninguém quis me ouvir. Ao chegar nessa escada de madeira do segundo andar, é uma escada que ela é muito escorregadia, eu percebi mesmo imediatamente o que essas pessoas queriam fazer. Essas pessoas iam me jogar da escada, como fizeram.
¶44Esse rapaz eh me deu uma rasteira e me empurrou, só que eu resisti. Nisso que eu resisti, ele me empurrou com mais força e eu segurei ele. Os dois caíram. Em momento algum eu tive uma reação violenta. Em momento algum eu apenas me defendi.
¶45Eu apenas tive um movimento de autode defesa. A gente rola. Quando a gente rola, ele já tá me socando e eu me protejo. Foi exatamente isso que aconteceu. E é o momento da escada em que eu estou sendo espancado por 10, 15, 20 pessoas.
¶46Honestamente, eu nem vi o vídeo. Não tenho coragem de ver mais que 5 segundos daquele vídeo. Eu estou sofrendo uma tentativa de homicídio ali. Eu quero, você me passou eh você me passou algumas capturas de tela do grupo do Centro Acadêmico de História da UFRJ. Eu quero ler algumas frases, tá certo?
¶47Correto. >> Uma frase de alguém que se assina darling. Eu tava tentando botar ele para dormir quando ele me mordeu. Não deixaram. Eh, outra pessoa aqui, eu vou eu não vou citar os nomes não, eh, até porque a gente tem essas capturas e e se a polícia necessitar, a gente tem isso.
¶48Infelizmente esse vídeo já rodou muito. Recebi de gente lá do Fundão de outros cursos. Tomara que isso fique o mais controlado possível. Eh, ó, esse vídeo não pode circular mais. Vamos controlar a narrativa.
¶49Você bateu? Se sim, você é um herói nessa [ __ ] Eh, rapaziada, o bagulho é a gente precisa controlar a narrativa do bagulho todo. >> Se você reparar, me desculpa interromper. Deixa eu, eu só quero terminar isso aqui. Tem um aqui que escreve o seguinte: "Mandava ele morder o meio fio e depois pisava a cabeça quebrar todos os dentes." Isso aqui é uma citação de um filme.
¶50Qual o nome do filme? >> A outra história americana com Edward Norton. >> Yeah. E o Edward Norton faz o quê? >> O papel do nazista.
¶51Em que logo no início, em que logo no início do filme, 10, 15, primeiros minutos, ele faz isso com o homem negro. Ele é preso e ele ostenta uma suasca nessa cena com orgulho, coisa que meu brocho negava. >> Mandar ele morder o meio fio e depois pisava a cabeça, quebrar todos os dentes. Outra frase, tinha que encher a cabeça desse filha da [ __ ] de chute até ter hemorragia. Eh, isso aqui são membros do Centro Acadêmico de História do UFRJ.
¶52>> São estudantes do Centro Acadêmico de História da UFRJ. Sim, esse grupo é um grupo público. >> Aham. >> Da FRJ. No Instagram deles você consegue entrar, desculpe.
¶53No Instagram dele você consegue entrar. E é um grupo que normalmente é usado para informes. Faltou água, faltou luz, água cancelada de operação, enfim. >> Eventualmente eh alguém, a não ser que tá vendendo o livro, algo assim, um grupo ordinário como qualquer outro. Mensagens foram apagadas.
¶54>> As mensagens foram apagadas, como você falou, a pessoa falou, existi um, existe um esforço de controlar e criar uma narrativa, como o rapaz que me imputa uma injúria racial que eu não cometi. >> Uhum. >> Eu não possuo nenhum histórico de injúria racial dentro da própria FRJ. Não possuo nenhum histórico, nada. Todos os professores que eu tive podem inclusive mostrar que eu sempre fui um aluno esforçado.
¶55Eu tenho diversos trabalhos ao longo desse tempo que eu estou na FRJ, 10 períodos mais ou menos desde 22, em que eu defendo posições abertamente antirracistas. O meu último trabalho, inclusive do período passado, foi de uma oficina de história da América, em que eu falei sobre linchamento no sul dos Estados Unidos, de uma jornalista negra do começo do século XX chamada IW Wells, em que ela vai relatar justamente o linchamento que os negros sofriam no sul do país. >> Uhum. >> E foi uma coisa que eu sofri. E quem fazia esses linchamentos?
¶56Homens que defendiam a supremacia. >> Uhum. >> A supremacia branca. Enquanto você tava no chão sendo chutado, o que que eles estavam falando? Estavam principalmente me xingando tudo que você pode fal pode imaginar e falando: "Mata, mata, espanca, vão matar ele." Palavas de uma forma geral, mas eh o vídeo deixa, os vídeos, melhor dizendo, deixa bem claro sobre matar, sobre assassinar.
¶57tem uma característica jurídica, talvez quem esteja nos assistindo não saiba disso, mas existe uma característica jurídica eh que faz das universidades federais. Qual que é a universidade federal no Brasil? Eh, territórios federais, >> correto? >> Enquanto você tá dentro de um prédio, isso isso inclusive tem uma razão de ser. Eh, a polícia entrava com muita frequência durante a ditadura militar dentro das universidades.
¶58Então, uma os constituintes de 88 tiveram o cuidado de tornar o o território das universidades federais um território no qual só a Polícia Federal pode entrar. >> Uhum. >> Eh, a PM não pode entrar, a Polícia Civil não pode entrar. Então, se você tá ali dentro do do prédio do IFIX, do prédio do FRJ, ali você tá numa área federal. O crime que qualquer crime que aconteça ali é um crime federal.
¶59Quando você sai, aí vira território da Secretaria de Segurança do Estado, vira um território que tá sobre a jurisdição da Polícia Civil e da Polícia Militar. Eh, alguma coisa que aconteceu ali te fez parecer entender que esses alunos tinham consciência de que há diferença de gravidade no crime cometido dentro do prédio ou fora do prédio? >> Claramente um aluno que eu não vou lembrar quem foi, em um momento que eu estou saindo da escada, tropeçando meu próprio pé, enfim, que eu só tô falando me dá minha mochila, cadê meu fone? Eh, e no terro eu sou carregado de novo, violentamente por não sei mais quem essa altura, uma pessoa fala no meu ouvido: "Você sabe que quando sair do prédio você tá [ __ ] né?" Foi exatamente a frase que foi me falada no ouvido. >> Uhum.
¶60Quando eu estou sendo retirado à força do prédio, que em momento algum eu reajo, em momento algum eu demonstro violência, o que eu faço é no momento que tô sofrendo a primeira tentativa de homicídio na escada de madeira do segundo andar, me proteger. Quando me colocam para fora do prédio, me empurram, me empurram com uma força que na entrada do efixo tem alguns degraus de concreto. Eu caio na grade. Quando eu caio na grade, eu caio no chão e a mesma multidão volta e tenta me matar, tenta cometer homicídio. me espanca na grade.
¶61Algumas pessoas tentaram separar porque algumas pessoas viram que tava demais, que virou linchamento, virou de fato tentativa de homicídio. Essa própria pessoa que imputa a injúria racial contra mim estava participando ativamente em todo momento. Quando eu consigo sair da escada, essa pessoa tá com um casaco amarelo, com verde, com vermelho, uma pessoa de cabelo afro. Eh, ele tá me batendo e eu não estou reagindo. Eu estou botando minha mochila e saindo.
¶62Ele está me dando soco. Eu não estou reagindo. Em momento algum estou tentando dar uma cotuvelada. Em algum momento eu tô tentando segurar ele. Em algum momento tô tentando socar.
¶63Só estou saindo dali. ou melhor, eu estou caindo na armadilha dele porque ele falou que iria me escoltar pacificamente até uma delegacia e que tinha um policial lá embaixo me esperando. Eu cheguei lá fora e fui massacrado. Eu cheguei lá fora e tentaram me matar de novo ao mear grade, me botarem no chão e me espancarem. Mas como eu estava falando, algumas pessoas perceberam que tava demais e começaram a separar.
¶64E eu em momento algum resisti, em momento algum resisti. Demonstrei violência. Estava me protegendo. Em todo momento eu estava me protegendo. Consigo levantar com o auxílio de algumas pessoas que estavam separando, ao mesmo tempo que elas batiam, isso é importante.
¶65E saio andando. Estou fora do prédio. Estou fora até das escadas do prédio, da grade. Estou na praça. Eu saio andando normalmente.
¶66Eu sequer olho para trás. Quando de novo vem um grupo de pessoas que me acertam pelas costas, um chute e eu caio de novo e tomo porrada de novo. Ao mesmo tempo em que o rapaz insistia que ia me levar pacificamente uma delegacia. A partir de então, eu fui para uma UPA, liguei para uma pessoa, fui pra UPA, fiz alguns exames, ah, depois eu fui pro Hospital Jetli Vargas, fui atendido lá, fiquei a madrugada inteira lá. Antes de ir pro hospital, eu fui numa delegacia, mexi por Getúlio Vargas, fui numa delegacia.
¶67Pode falar o nome da delegacia? >> Pode, claro. >> Eu fui na sexta DP, em que um delegado ficou incrédulo com o que tinha acontecido. Registrei meu BO e no dia seguinte eu fui nessa delegacia de novo pegar o enquamento pro IML para fazer um corpo e delito. Ontem eu fiz um corpo e delito >> ontem, quinta-feira.
¶68Então, ontem, quinta-feira, dia >> dia 27 de agosto, >> exatamente, eu tenho todos esses documentos. Eu tenho o receituário da OPA do que eu deveria tomar para as dores que eu estava sentindo. Eu tenho o encaminhamento do IML e vou pegar o exame que vai sair semana que vem do resultado do corpo delito que eu fiz no IML. >> Uhum. E quando eu achei que tinha acabado, o grupo continuou, continuaram falando, vazaram meu número de telefone, vazaram o bairro que eu moro, vazaram o meu nome, vazaram o que eu fazia, quem eu era, vazaram o meu rosto.
¶69E no grupo existem diversos comentários de pessoas falando: "Vamos deixar o rosto dele público". Ou seja, ainda usaram minha imagem sem minha autorização. >> A coisa que começa a acontecer na quarta-feira, quando os vídeos começam a a circular, porque evidentemente um monte de estudante eh eh filmando, esses vídeos começam a circular. A a as primeiras histórias são: Pegamos um nazista no FRJ. Exatamente.
¶70Aí passam-se algumas horas e na noite da quarta-feira aparece o vídeo eh te acusando de injúria racial. >> Sim. >> Eh, >> eu leio aqui a as mensagens dentro do grupo do CA. Eu tô entendendo. Precisamos controlar a narrativa.
¶71É disso que eles estão falando. Eles começam um processo de assassinato reputacional. Eles não só falam que eu tive falas racistas, coisa que eu não tive, como inventam que eu participo de grupo de Discord, grupo de redill, que eu sou líder de grupo de redill, que eu estou tentando iniciar uma célula redpill dentro de fix e de que eu sou nazista. Eu não sou nazista, eu sou um estudante de história que tem interesse na etnografia usada e apropriada pelos nazistas, pela direita europeia que se proclama ocidental, não só no Brasil, mas no mundo. Meu trabalho acadêmico é sobre isso.
¶72Por isso que eu me debruço tanto sobre esses assuntos, por isso que eu me debruço tanto sobre esses símbolos. E na sala de aula eu estava sendo duplamente antinazista, porque como eu falei, a caveira ela é uma sátira do nazismo, um homem gay, um homem que tocou em Israel, um homem que quando a banda tocava ao vivo usava essa caveira com um arco-ris gay, assim como sol negro. Então não, eu não sou nazista, eu não sou redpill, eu não tenho quaisquer envolvimento com alguma figura ou grupo político de direita ou de extrema direita no Brasil e no mundo. >> E agora, eh, e eles abriram eh eles registraram também um boletim de ocorrência. Você já recebeu eh uma intimação para ir à delegacia prestar um um depoimento?
¶73É, você tá sendo acusado de injúria racial >> e lesão corporal. >> E lesão. Ah, você tá sendo acusado de lesão corporal também? >> Sim. >> Uhum.
¶74Eh, eu recebi isso hoje à tarde. Eu recebi 4 horas e dá para ver no boletinho, quer dizer, no na intimação, o momento em que foi feito a queixa. Foi 5, 10 minutos antes que essa pessoa, que é quem tá me acusando, fez a queixa. E no grupo você tem uns prints, fala justamente sobre eles se organizarem para criar a narrativa e fazerem essa denúncia contra mim. >> Uhum.
¶75e que aí levanta esses elementos que não tem nenhuma materialidade, não existe nenhuma concretude sobre eu ser líder de grupo Redpill, de me envolver politicamente com esse tipo de coisa e principalmente ser nazista. Eu não sou nazista. >> Uhum. >> Eu estudo o tema. >> Cara, quais são seus receios?
¶76Que que você tá? Eu sei que é recente ainda. E e e e bicho, eh eh tá claro o seu nervosismo. É e é super compreensível o seu. Quais são os seus receios?
¶77Meu receio além da minha segurança enquanto pessoa física, é a segurança dos meus familiares e de amigos e amigas, pessoas do meu círculo, que podem ser afetada, afetadas negativamente com a repercussão do que tá acontecendo. Meu rosto não tá só no Brasil, meu rosto não saiu só nas mídias do Brasil. Brasil enquanto país, São Paulo, Minas, Pernambuco, isso tá na mídia internacional. Existem páginas no Twitter de jornais que estão com o meu rosto. Eu sinto um temor de novo, não só pela uma vida, não só pela minha vida, mas principalmente pela vida das pessoas que eu me importo, meu pai, da minha mãe, amigos, amigas, pessoas do meu nicho.
¶78Mas eh eu digo que isso foi uma coisa premeditada. Por que que eu digo que isso foi uma coisa premeditada? Além da emboscada, é claro. Eh, eu nunca me dei muito com esses estudantes. Eu não sei de que coletivo eles eram, porque tem vários dentro da faculdade, tem coletivo de diversos partidos políticos, diversos movimentos sociais, diferentes causas.
¶79E eu nunca fui muito querido por eles, inclusive sempre fui chamado de fascista por eles. Algo que sequer faz sentido, porque desde o momento que estou dentro da universidade, os meus trabalhos acadêmicos de matérias, história contemporânea, história do Brasil, enfim, eh contra essas posturas, contra nazismo, contra políticas imperialistas, contra eh políticas de supremacia branca. Existe todo um histórico que eu posso resgatar. de conduta e conduta principalmente acadêmica de produção intelectual contra o que estão me acusando. Não só isso, mas eu já me voluntarizei uma vez para traduzir um texto do inglês pro português do Lenin, para um blog, que é uma editora.
¶80Ou seja, eu sou uma pessoa que está por dentro desse assunto. >> Por que que por que que você acha que eles não gostavam de você? Eh, porque eu acredito que dentro da faculdade, especialmente de fix, não sei como são os outros campos da FRJ ou de outras faculdades, existe um pensamento hegemônico de esquerda, porque esquerda e direita são pluralistas, né? As pessoas esquecem isso. Existe um pensamento hegemônico em que se você não concorda com aquela cartilha, automaticamente você é do mal.
¶81É uma coisa assim infantilizada e maneiqueísta, é moralizada. Não existe debate concreto, é um debate moral. É, por exemplo, você pegar algum autor da literatura, por exemplo, Nelson Rodrigues, vamos falar do Brasil, Nelson Rodrigues apoio a ditadura. A gente vai jogar toda a obra cultural dele fora. O Hamil, Hemel era uma pessoa horrível.
¶82John Lennon era uma pessoa horrível. A gente vai jogar tudo disso fora, é entender justamente o homem enquanto um ser e sua produção, seja cultural, seja acadêmica, seja artística. E essas pessoas não estão preparadas pro diálogo. Essas pessoas são pessoas extremistas, essas pessoas são pessoas violentas. Eu sempre sofri alguma certa represalha de de me chamarem de burro, de me chamarem de ignorante, por ter opiniões contrárias ao pensamento hegemônico dentro da faculdade.
¶83Então é uma richa que já vem de um tempo. Nunca chegou a claro a vir de fato, nunca chegou a claro a ter algo eh maior por trás de discussão acalorada, não. Até porque eu sempre fugi desses embates, porque de novo eu sempre soube que essas pessoas não são passíveis de se debater. Então quando eu percebia que a situação ia escalando, não me retirava. Era melhor ter paz do que ter razão.
¶84Entende? >> Qual o seu receio a partir de agora? O meu receio, além da minha integridade física, que está sendo ameaçada, que eu recebo mensagens me associando a grupos extremistas de direita, grupos ultra conservadores, ah, minha integridade física e integridade física das pessoas que eu me importo, não só familiares, mas amigos, amigas, colegas de trabalho, a integridade física dessas pessoas, mas principalmente ao meu futuro, estão sendo imputadas a mim crimes que eu não cometi, crimes que eu não possuo qualquer histórico. estão tentando, como tentaram me matar, como tentaram uma tentativa de homicídio contra mim nas duas oportunidades que tiveram, acabar com o meu futuro. Eu posso nunca mais fazer um concurso público, eu posso nunca mais conseguir um emprego.
¶85E a gente vê sobre como as redes sociais são fenômeno de que qualquer um fala o que quiser e você não tem nem como provar. Vários jornais estamparam o meu rosto. Alguns descobriram, mas vários jornais estamparam o meu rosto e falaram que eu era nazista. Alguns colocaram supostamente, mas muitos colocaram nazista. E ninguém veio falar comigo nada.
¶86Ninguém perguntou meu meu lado. Essa é a primeira entrevista que eu dou. Essa é a primeira vez que eu sou ouvido. Essa é a primeira vez que a minha versão vem a pública. Nenhum dos grandes jornais me procuraram, só me acusaram.
¶87E a gente tem documentários, a gente tem diversas reportagens sobre como as redes sociais funcionam como enchamo. São abelhas atrás do mel, do favo, melhor dizendo, da flor. Elas só querem a violência, elas só querem ser mal. Não precisa saber porquê. Só tô batendo.
¶88Você pode inclusive ver nos vídeos da escada de madeira, segundo andar, que muita gente sai muito lá de trás, só aparece lá para bater. Já tinha muita gente batendo, mas tem gente que aparece só para bater. Dá um soco, vai embora, dá um chute e vai embora. Só para falar bati, só para falar participei. Só para ter o orgulho de poder falar no grupo social dela.
¶89Eu tentei matar uma pessoa, eu agredi uma pessoa como se fosse uma capa moral, como se fosse um verniz moral. que autoriza tudo, como se fosse uma justificativa para você poder cometer cometer qualquer ato de delito. >> Diego, muito obrigado pela conversa. >> Obrigado, Pedro, por me ouvir. Obrigado pelo espaço.
¶90>> Ninguém aqui vai dizer em quem você deve votar. Na verdade, aqui centro, esquerda e direita, todos têm espaço. Mas nas próximas semanas muita gente vai tentar dizer em quem você deve votar. Então, como não se perder em meio a tanta notícia, promessas vazias e fragmentação de conteúdos? Eleições 2026.
¶91A escolha pode ser o seu material de apoio para escolher quem vai assumir a presidência do país. O documentário parte dos cinco principais candidatos, quem são? O que fizeram até aqui, mas eleição não se explica só por candidato. O filme também olha pro país que o próximo presidente vai encontrar. já tá no strewing do meio com outras produções originais que trazem base para votar sabendo exatamente os motivos.
¶92Assina o meio premium, assiste agora. เฮ