¶1ex-ministra do meio ambiente, ambientalista de projeção global e atual candidata ao Senado Federal pelo estado de São Paulo, Marina tem uma trajetória marcada pela travessia de grandes contradições nacionais da luta socioambiental no Acre ao coração das decisões políticas em Brasília e em São Paulo. No nosso encontro de hoje, nós vamos além das manchetes sobre a pauta ambiental para discutir a arquitetura do poder no Brasil, a relação conturbada entre o executivo e o Congresso, o avanço do conservadorismo, a transição sustentável na economia paulista e os desafios de construir uma agenda de futuro num país pautado pelo curto prazo. Vamos à entrevista. [música] >> [música] >> Ministra, o IMP anunciou recentemente uma queda de 37% no desmatamento da Amazônia, que graças a Deus foi o menor nível em anos, né? O caminho natural seria começar essa entrevista por esses resultados do meio ambiente.
¶2Mas eu queria começar pela política, né? A senhora tá disputando o Senado depois de anos lidando com o Congresso onde as forças eh das emendas e da pressão parlamentar redefiniram a relação com o executivo, né? Isso já desde diante do governo Bolsonaro, embora numa dinâmica muito diferente no governo Lula. como é que é governar e como é que vai ser legislar eh debaixo dessa dinâmica em que o legislativo tensiona permanentemente a governabilidade do país por razões que não necessariamente são ideológicas. >> Eu acho que é tem que manejar as duas coisas, sabe, Cristian?
¶3Primeiro, obrigada pela oportunidade de estarmos aqui, mas começamos pelo lugar certo, que é para onde os candidatos estão pretendendo ir. para dar a sua contribuição, para melhorar a qualidade dessa instituição tão importante paraa democracia que é o Congresso Nacional. Eu acho que a gente vive uma situação de anomalia, que é o poder legislativo tomando atribuições do poder executivo. O orçamento público deve ser executado pelo poder executivo. Infelizmente hoje ao em torno de R bilhões de reais estão sob a a responsabilidade, né, sobre a responsabilidade de parlamentares e que uma grande parte desses recursos são usados sem transparência, com finalidades, na melhor das hipóteses eleitoreira, quando não se trata de desvio de dinheiro público.
¶4Isso é uma anomalia que tem que ter mecanismos de reparação. Uma outra coisa igualmente importante é como que o legislativo cumpre com a sua função de legislar, de apresentar leis, de fiscalizar, de acompanhar e articular questões que diz respeito ao interesse do da população, do seu estado e do país, mas sem extrapolar essas atribuições. como senadora durante 16 anos, foi assim que me importei e é assim que eu quero ir para o Congresso Nacional para salvaguardar a autonomia dos poderes, que possamos agir de acordo com a Constituição Federal, que são atribuição do executivo, do judiciário, do legislativo, deve ser cumprido a risca e não essas anomalias que nós temos hoje em que a democracia vem sendo prejudicada no quesito alternância de poder, Porque existem aqueles que contam com recursos muito díses no processo da disputa. >> Então, ministra, eh nós dizíamos o seguinte, que a política tradicional opera sempre num curto prazo, não é? A a democracia tem essa coisa de ela tem um um uma temporalidade de quatro em 4 anos, né?
¶5Eh, mas existem determinadas pautas que que duram muito tempo, que exigem eh eh longo prazo, né? Eh, e na democracia a gente tem o curto prazo da próxima eleição ou de uma demanda imediata. A pauta ambiental a qual a senhora é tradicionalmente vinculada no país, exige pensar na longa duração, né? E aí eu pergunto a senhora como candidata a senadora, como é que é possível convencer o eleitor e a classe política a apoiar esse essas agendas fundamentais de futuro quando prevalece na política e e muitas vezes na cabeça do eleitor esse curto prazismo, né? eh essa demanda por respostas urgentes e mais pontuais como emprego ou como segurança.
¶6Bem, primeiro porque a agenda ambiental eh Cristian, ela nunca é uma agenda ambiental estrito senso, ela é uma agenda sobretudo econômica. Boa parte do debate que se faz, das respostas que se dá são respostas de natureza econômica. Por exemplo, para gerar emprego, a gente precisa, no caso do Brasil, que tem na sua balança comercial 50% agronegócio, dá resposta agora. E nós abrimos 500 novos mercados pro agronegócio brasileiro. O valor nutricional dos nossos produtos, [limpando a garganta] eles sempre existiram.
¶7A qualidade sanitária dos nossos produtos sempre existiram. A condição de produzir em regularidade e quantidade nós sempre tivemos. O que fazia com que não se tivesse esses mercados e eles estivessem fechados para nós. Era o fato de ter uma opinião pública que pressionava os compradores de que isso ia contribuir com desmatamento, violência contra as comunidades indígenas e locais. No momento que você tem uma ministra que entra com uma equipe e já dá resposta imediatamente para o problema do desmatamento, esses mercados se abriram.
¶8Só que a percepção não é na mesma velocidade que deveria ter, mas as respostas são imediatas. Nós aumentamos em 51% a quantidade de licenças no Ministério do Meio Ambiente em relação ao governo anterior. Uma redução de desmatamento de 45% no país inteiro, 50% na Amazônia. Nós reduzimos desmatamento de 32% no caso do serrado e 63% na mat na Mata Atlântica. Quando eu chegava com dados desses, não tinha argumento não tarifário que ficasse de pé.
¶9Isso é mais emprego, é mais exportação, são mais equipamentos sendo vendidos. E as pessoas e a gente tem, nem digo as pessoas, né? A gente tem que começar a fazer essa relação porque o problema ele está agora. As enchentes não são mais um problema de futuro. Elas estão acontecendo agora.
¶10As ondas de calor estão acontecendo agora. os incêndios também, as secas também, os prejuízos pro agronegócio, tá todo mundo falando aí em relação a seguros, são agora. E nós conseguimos sair, inclusive em tempo recorde de uma situação em que o fundo clima, que tinha apenas 400 milhões, passou hoje para 27 bilhões. Uma parte desse recurso, sabe em que tá sendo usado? tá sendo usado para fazer restauração com espécie nativa, mas sobretudo restauração de área degradada para disponibilizar paraa agricultura familiar, pro agronegócio brasileiro.
¶11tá sendo investido já em transição energética, tanto na parte de eólica quanto de solar, pesquisa para minerais críticos, tudo isso tá acontecendo agora porque tinha uma ministra que sempre debateu o desenvolvimento sustentável. Não por acaso, né? A ideia de economia e ecologia social com ambiental, econômico com ambiental, ela vem de toda a trajetória do Chico Mendes, que nunca separou essas duas coisas. Então, eh, no Ministério do Meio Ambiente, nós fizemos o plano de transformação ecológica. Eu e o Fernando Hadad trabalhamos muito para ter vários instrumentos econômicos.
¶12o Eco que conta com 111 bilhões para investimentos. Eh, criamos junto com o ministro Fávo, não é, no âmbito e o ministro Paulo Teixeira no âmbito do do plano safra, um mecanismo que transformou todo o plano safra em agricultura de baixo carbono. Antes era só 2% paraa agricultura de baixo carbono. Agora, se você quiser fazer os investimentos nessa direção, o plano safra acolhe. E nós até colocamos um redutor de juros na ordem de 1,5% para aqueles produtores que têm boas práticas.
¶13Junto com o ministro da indústria e comércio, do o ministro Geraldo Alkm, nós o tempo todo, que é o nosso vice-presidente, trabalhamos a a agenda da reindustrialização. O Brasil e o estado de São Paulo estão se reindustrializando e precisam se reindustrializar. Mas aqui em São Paulo a situação é mais grave. Quando você visita o interior, não é, você vê o tamanho do estrago que é esse processo de desindustrialização, eh, procurar preservar, né, o, eu acho que o desafio do desenvolvimento ambiental no Brasil é uma tarefa ircúlia, né? A senhora tá descrevendo todo um trabalho que a senhora teve que fazer para enfrentar uma cultura entranhada desde o período da, acho que desde o começo da colonização do Brasil, de que a riqueza do Brasil se faria explorando os recursos naturais e que eles eram abundantes o bastantes para que não fosse preocupado.
¶14Eh, não era necessário imaginar que um dia que esses recursos fossem terminar, porque eles supostamente são intermináveis, os rios são intermináveis, as florestas são intermináveis, né? Eh, parece que o a gente tem conseguido dar passos nesse sentido, mas assim, olhando também pros pros avanços que a senhora descreveu no ministério, eu eu fico querendo lhe perguntar duas coisas. Primeiro, como como é que foi, como foram os desafios da gestão do dia a dia, né? Reequipar órgãos de fiscalização, por exemplo, né? Porque teve uma batalha interna, né?
¶15Eh, como é que foi o peso dessa gestão? Qual foi o peso dos gargalos estruturais? A gente viu esse peso, por exemplo, na COP 30. E como se não bastassem essas dificuldades todas, ainda temos agora uma pressão externa da ascensão da extrema direita nos Estados Unidos, que patrocina no mundo inteiro o negacionismo climático. Como é que fica, como é que fica isso?
¶16É, fica parecendo um trabalho de sísifo? Olha, quando você tem um governo negacionista, eh, antes integrar a economia com ecologia, acontece que aconteceu no governo Bolsonaro. Aí realmente a pedra roda, eh, rola ladeira abaixo. Mas quando você consegue ter continuidade nas políticas públicas, isso muda. Eu posso te dizer que esses ganhos que eu tô falando que conseguimos em tempo recorde só foram possíveis porque durante o período em que tivemos a oportunidade de governar o Brasil, a estrutura foi montada, ela foi recuperada, atualizada.
¶17Não. Por acaso o presidente Lula, no primeiro dia de posse dos 10 atos que ele assinou, os 10 decretos, eh, que ele assinou em medidas provisórias, cinco foram para o Ministério do Meio Ambiente, porque é uma agenda que sem ela tem muitas coisas econômicas que não andam. O concurso público que foi feito, eu saí do ministério com 1700 eh servidores, no caso do IBAMA, eu voltei com 700, tivemos que fazer concurso para aumentar inclusive a capacidade de de licenciamento. Por quê? Os investimentos e infraestrutura, eh, por exemplo, Pac, drenagem, PAC em encosta na área de rodovias, como fazer tudo isso sem perda de qualidade?
¶18Tem uma agenda que tem que ter continuidade e depois que ela entra no eixo tem capacidade de dar resposta muito rápida. Por exemplo, nós criamos, pensando a agenda urbana e principalmente a questão dos catadores, eh, de resíduos que são recicláveis, de materiais que são recicláveis, nós criamos uma lei chamada lei ruanê dos catadores, em que o empresário que tem que cumprir com os pré-requisíos da política nacional de resíduos sólidos, de fazer a logística reversa, ele pode fazer parceria com uma corativa e receber a isenção do seu imposto de renda. Já foram captados mais de 1 bilhão de reais. A maior parte desses recursos vieram aqui para São Paulo. Isso tudo em tempo recorde.
¶19Isso dinamiza a economia, faz bem pro meio ambiente, gera emprego, gera renda. na parte, né, de de desenvolvimento econômico, ter hoje 350 bilhões à disposição para todo o investimento na área de energia eólica, energia solar, energia de biomassa, investir na área de de hidrogênio verde, olhar para os esforços que fizemos eh durante o G20 e eh o a reunião eh que fizemos em relação aos brinques, nós conseguimos pautar temas fundamentais como a questão dos princípios da bioeconomia, foi o Brasil que pautou esses princípios, os 20 princípios da bioeconomia, nós conseguimos pautar com muita força a questão dos biocombustíveis serem transformados em um combustível de transição e isso tudo dinamiza a economia agora, mas se você tem perda de continuidade, como você disse, por uma visão negacionista, que diz que não tem mudança do clima, que quer voltar para O tempo em que energia eólica, energia solar, energia de biomassa, a pesquisa em hidrogênio verde não deve ser priorizada. Aí realmente é você ter a pedra descendo a montanha ladeira abaixo novamente. Hoje não dá para fazer política pública sem que ela seja com base em evidência. Não tem como fazer enfrentamento de temas estratégicos, como é o caso da mudança climática, questão de saúde, pensando nas pandemias como a COVID, o avanço da tecnologia, principalmente inteligência artificial, se não for um trabalho conjunto entre países e internamente.
¶20E tem uma coisa que a gente pode já tangenciar para ela, né, que é a questão de segurança pública. segurança pública é fundamental para que a gente possa atrair investidores e investimentos. E isso só se resolve se for um trabalho em parceria. Por isso que em 2010, quando eu fui candidata à presidência da República, eu propus que se nacionalizasse o tema da segurança pública, porque naquele momento eu já entendia que não tinha como resolver sozinho. Agora o tema tá nacionalizado, mas infelizmente de 2010 para cá tivemos um prejuízo muito grande de que isso não tenha acontecido de imediato.
¶21E a senhora tá dando boas notícias de alguma maneira, que a ideia de desenvolvimento sustentável, ela tá avançando de alguma maneira e tá conquistando setores que eram eh tradicionalmente, boa parte deles era tradicionalmente refratária a ideia como se, né, eu tô pensando aqui em setores do agronegócio, a gente não pode generalizar, tem um setor do agronegócio que é tá comprometido com avanço, com com uma visão progressista da economia sustentável, né? Eu me lembro que no no tempo do governo Bolsonaro você falava do ogro negócio, né, que era o pessoal que havia que tinha resistência dessa pauta. Então a senhora acha que isso tá que isso tá a aos poucos isso tá caminhando, né? está, mas num contexto geopolítico muito desafiador, Cristian, porque hoje o governo Champ ele faz uma pressão no mundo inteiro para arrefecer o tema do desenvolvimento sustentável, para arrefecer o combate à mudança do clima, porque é um governo negacionista e ele faz essa pressão em vários níveis, inclusive usando meios completamente injustos, como é o caso do tarifá. que ele faz contra os países.
¶22Tem questões de natureza ideológica, mas tem também questões de natureza econômica e ambiental. O etanol brasileiro, ele tem maior qualidade do que o etanol do do milho americano. Ele é muito mais competitivo e quando ele faz o tarifaço contra nós, ele está atrapalhando a agenda econômica brasileira, mas também a agenda do enfrentamento à mudança do clima. Porque nós temos condição de ser um combustível de transição. Nós temos, só para você ter uma ideia, um levantamento de que 1% do agronegócio são aqueles que têm eh uma postura de não querer com a querer cumprir com a legislação ambiental.
¶2399% já são pessoas que entenderam que tem que cumprir com a legislação ambiental, porque isso é bom para elas, até porque elas já estão vivendo o efeito e o prejuízo da mudança do clima. Não por acaso agora com o superheroinho tá todo mundo preocupado com o prejuízo que alguns já estão tendo e que poderão ter em relação a essa questão. Então, uma parte já compreendeu qual é o problema. é que aqueles que representam ou que se dizem representar eh o agronegócio brasileiro, o 1% ele é muito vocal e são eles que se se disponibilizam a sair candidatos na maioria e vão para lá para fazer um discurso que já não representa um agro que é altamente tecnológico, um agro que aumentou produção por ganho de produtividade sem precisar de mais expansão, né, sobre fronteira agrícola. como era no passado e que entende os benefícios, inclusive na lógica das suas exportações, de ter, não é, uma atividade econômica que não seja confundida com criminalidade ambiental e nem de perseguição a povos indígenas.
¶24Mas, infelizmente, eh, os que fazem certo não são tão vocais ou não são nada vocais, não disponibilizam quadros para que eles os representem no Congresso Nacional. E aqueles que vão lá e fazem o discurso que fazem ou as práticas que têm, acabam atrapalhando. Mas essa é uma agenda de desenvolvimento econômico, de desenvolvimento social. E eu posso te dizer, né, ao longo desses eh mais de 20 anos à frente de políticas pública, seja como senadora ou como ministra do meio ambiente, eu posso verificar que o Brasil é o país que reúne as melhores oportunidades nesse momento, infelizmente, difícil da história da humanidade. contexto geopolítico [limpando a garganta] de guerras, eh, agravamento da mudança do clima.
¶25E nós aqui no estado de São Paulo, por exemplo, que somos o estado propulsor do desenvolvimento do Brasil, temos a maior base tecnológica, a maior base de inovação, de conhecimento, com centros de pesquisas, universidades, mas nós temos um gargalo aqui em São Paulo. Primeiro, nós estamos perdendo na corrida da educação. São Paulo tá ficando para trás no quesito educação. E isso tem um prejuízo, porque sem um uma formação adequada, nós não vamos ter os quadros necessários para que o estado continue sendo esse estado propulsor da inovação e do desenvolvimento econômico do país. >> Então, a senhora essa eh bom, a senhora é uma figura internacional, todo mundo conhece a senhora, a sua trajetória, né?
¶26Agora a gente tem o desafio de enfrentar justamente como a senhora disse, né? a eleição no estado de São Paulo. Na São Paulo, a senhora disse, é a economia mais forte do país, não é? Olhando pro setor privado, além do setor público, a gente tem eh um desafio eh de cobrar um compromisso real de empresas, né, cujo modelo de negócio ainda é muito poluente e e mas ao mesmo tempo é preciso converter, digamos assim, a trajetória nacional, internacional da senhora, um pouco como a senhora tem feito pros problemas de São Paulo. Além dessa questão da educação pública, que outros desafios a senhora acha que o estado de São Paulo precisa enfrentar e que a senhora pode vocalizar no Senado?
¶27>> Nós temos vários problemas na parte de recursos hídricos. São Paulo tem alguns problemas de segurança, segurança estrito senso em relação à questão da violência. Nós temos problema de segurança hídrica. São Paulo é um estado vulnerável, precisa de todo um investimento na parte de infraestrutura hídrica. Dia desses eu tava em Ribeirão, eh, eh, Ribeirão Preto e lá eles dependem de abastecimento do Aquífero Guarani.
¶28Lá já se perfurou poços com 80 m de profundidade. Passou a 200 m, 400 m, agora é 800 m de profundidade para poder abastecer toda uma população que não é de pequena monta. Veja que nós temos desafios de segurança hídrica, desafio de segurança energética, porque em alguns momentos isso também pode ser ameaçado em função de questões mais amplas. São Paulo na questão de segurança, aí eu acho que o programa de segurança do Hadad tá muito completo, porque ele estabeleceu, né, em três eixos estratégicos como promover a segurança que devolve o estado paraa população que hoje se sente insegura. Como fazer para que a gente combata a insegurança dentro do espaço doméstico, a violência no espaço doméstico, por causa do aumento da violência contra as mulheres, eh, estupro de criança, abuso de vulneráveis.
¶29E nesse caso aí, eu queria só fazer um parêntese, né? De 2022 para cá, o feminicídio em São Paulo aumentou 37%, só em 2025 foram mais de 270 casos de feminicídio no estado de São Paulo. Então, combater a insegurança e a violência, a criminalidade para devolver o espaço público à sociedade paulista, combater a violência no espaço doméstico e combater a violência, né, e a criminalidade dentro do que promove essa estrutura, que é e eh digamos essa criminalidade, que é os que financiam, que são aqueles que são a inteligência do crime organizado. tem muita inteligência e muito dinheiro por trás de tudo isso. E a experiência que se teve em relação à operação carbono zero numa atuação integrada entre o governo federal, governo estadual, Ministério Público, Tribunal de Contas, todos, Receita Federal, isso faz a diferença, porque na hora que você faz, digamos, uma um um torniquete naqueles que financiam e que promovem a inteligência do crime organizado, você combate a criminalidade.
¶30difusa que acontece no estado de São Paulo. E aí o Hadad propôs algo que eu concordo e trabalharei como senadora pra gente viabilizar isso, que é o fato de termos uma ação que leve a total transparência dos resultados positivos e negativos que estejam acontecendo na área de segurança pública. Eu fiz isso em 2004, quando criamos via eh o IMP, né, que é o o monitoramento por satélite da [limpando a garganta] criminalidade ambiental, criamos um sistema em tempo quase real, aberto não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro. É assim que ficou, não é, o sistema Prodes e o sistema DT, que é esse sistema de monitoramento em tempo, em tempo quase real. O Hadad tá propondo algo dessa natureza para que a sociedade possa ter os dados e as políticas públicas possam ser ajustadas concomitantemente a isso.
¶31Uma outra coisa que ele tá propondo é o gabinete institucional, né, da segurança pública, liderado por ele com todos os especialistas, com a participação das polícias, integrando as políticas, valorizando inteligência e formação continuada dos policiais, remuneração adequada. Hoje um policial no estado de São Paulo, que é o estado mais rico da federação, fica atrás de vários outros estados do país. E isso não é admissível, porque aqui as coisas têm uma dimensão incomparavelmente maior numa população de 43 milhões de habitantes, um estado que responde por 1/3 do produto interno no bruto do país. Então eu vejo que tem muitos assuntos, educação, saúde, segurança pública, fazer com que as pessoas possam voltar também, principalmente as juventudes, as mulheres, ter o desejo de empreender. Hoje o estado de Santa Catarina e do Paraná, por razões inclusive da própria dinâmica da sociedade, das startups, eles foram em frente.
¶32guerra fiscal teve um peso em tudo isso, mas infelizmente São Paulo ficou para trás. Ninguém governa um estado apenas com privatizações mal feitas, com concessões e com pedágios. Você governa um estado com visão estratégica do estado. O estado que já tá em em uma condição, como diz o Hadad, né? São Paulo tem condição de se movimentar quase que por si mesmo.
¶33Quando não vai bem, vai médio. O problema que nós estamos saindo do médio para perder algumas corridas e isso não pode acontecer. >> A gente sabe que a sua agenda é apertada. Eu queria concluir a essa entrevista fazendo uma última pergunta que é uma pergunta de ordem geral. O que que a senhora assim acha que eh tá em jogo no pro país nessa nessa eleição pro Congresso Nacional?
¶34Quando a gente olha de longe e olha o que que tá em jogo nessa nessa quadra histórica, >> primeiro, proteger a nossa Constituição e as instituições públicas. São as instituições públicas e a [limpando a garganta] nossa Constituição que protege a nossa democracia, mudar a qualidade do Congresso Nacional. Eu sou de uma época quando eu cheguei em 1995, com apenas 35 anos de idade e eu encontrei pessoas como Pedro Simon, Artur da Távula, pessoas como Serra, pessoas como Suplici, Benedita da Silva, eh Darci Ribeiro. Eu vou parar por aqui porque senão eu começo a ficar muito saudosista. A qualidade do Congresso é a grande oportunidade que nós temos agora nessas eleições.
¶35E é por isso que aqui em São Paulo, duas ex-ministras do presidente Lula se colocaram a serviço para contribuir. Eu, a Simone, nós somos ex-ministra do presidente Lula, mas fomos candidatas à presidência da República. Eu por três vezes, a Simone candidata uma vez em 2022. Nós queremos ir para São Paulo para com a graça de Deus e do povo paulista, o povo paulista ter duas senadoras que as pessoas sabem quem elas são, sabem suas trajetórias, suas histórias e a capacidade que tem. Quando eu falo das possibilidades de São Paulo, eu conheço os investimentos porque naveguei por dentro do BRIX, naveguei por dentro do G20, naveguei por dentro em alguns aspectos do próprio G7, porque fui eu que fui convidada para ir falar do etanol brasileiro na reunião do G7 em 2023.
¶36Eu sei o caminho das pedras e eu sei que São Paulo é quase um país dentro do país. A gente tem que fazer os protocolos, mas nós podemos ter relação direta para grandes investimentos aqui no nosso estado e nos contrapor a visão entreguista que se curva diante de um tarifaço de 25% e de 50% no nosso país, tirando 11 bilhões da nossa economia no país e 4 bilhões de dólares do estado de São Paulo. Então, né, eu eh sei que é um desafio muito grande, mas o Senado é o lugar de proteger a nossa democracia, a nossa soberania, de evitar que políticas públicas estratégicas, sejam elas econômicas ou sociais, tenham retrocessos e de fazer o enfrentamento que a humanidade toda tem que fazer da questão da emergência climática. Eu quero contribuir criando o marco regulatório da emergência climática. São municípios vulneráveis a eventos climáticos extremos.
¶37177 estão aqui em São Paulo. Isso é uma catástrofe. Está acontecendo coisa que ninguém nunca viu, mas é possível resolver com visão estratégica, com investimento, tecnologia, sem negacionismo. Por último, o grande desafio que tá posto é devolver o Brasil para a democracia, para o espaço da alternância de poder, para que a gente não fique só na polarização. A polarização hoje ela é de mentira.
¶38Porque não tem como polarizar com quem é contra a democracia, não tem como polarizar quem é contra os interesses do país, que articula tarifaço. A gente tem que devolver o estado para a democracia exercitar sua alternância de poder. Eu me lembro que a gente era feliz e não sabia porque concorreu eu, concorreu o Serra, concorreu a Dilma, concorreu o Plío. que se qualquer um de nós ganhasse era democracia, era soberania, era avanço, uns mais, outros menos em algumas agendas. Agora não é mais assim.
¶39Eu quero chegar em 2030 com um Brasil estabilizado para que a gente possa dizer, vai ser o Hadad, vai ser o Camilo, vai ser o o Renan Filho, vai ser o Tarcísio, mas que todos estejam comprometidos com a democracia. Ministro, eu queria muito agradecer o tempo que a senhora nos ofereceu para essa entrevista, eh, e desejar muito boa sorte nessa jornada eleitoral, nos próximos meses. Muito obrigado. >> Obrigada, Cristian, a você. >> A nossa conversa de hoje deixa claro que pensar o meio ambiente no Brasil não é um debate isolado, mas sim a chave central para discutirmos a governabilidade, o desenvolvimento econômico e o próprio futuro da nossa democracia.
¶40agendas que exigem visão de longo prazo frequentemente colidem com as pressões de curto prazo da política e compreender essa dinâmica é essencial para qualquer projeto de país. Eu agradeço imensamente a ex-ministra e candidata ao Senado, Marina Silva pela generosidade, pela lucidez e pela profundidade nas reflexões que foram hoje compartilhadas conosco. A você que nos acompanhou no Diálogos com a inteligência de hoje, muito obrigado pela audiência. Continue conosco, ative as notificações e até o nosso próximo encontro. Ninguém aqui vai dizer em quem você deve votar.
¶41Na verdade, aqui centro, esquerda e direita, todos têm espaço. Mas nas próximas semanas muita gente vai tentar dizer em quem você deve votar. Então, como não se perder em meio a tanta notícia, promessas [música] vazias e fragmentação de conteúdos? Ele 2026. A escolha pode ser o seu material de apoio para escolher quem vai assumir a presidência do país.
¶42O documentário parte dos cinco principais candidatos, quem são? O que fizeram até aqui, mas eleição não se explica só por candidato. O filme também olha pro país que o próximo presidente vai encontrar. já tá no streaming do meio com outras produções originais que trazem base para votar sabendo exatamente os motivos. Assina o meio premium.
¶43Assiste agora. [música] >> [música]