a tese
Em entrevista ao programa Diálogos do Meio, Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo, defende que a agenda ambiental é antes de tudo econômica e que o Brasil vive uma "anomalia" institucional em que o Legislativo tomou atribuições do Executivo, com foco na frase de que 99% do agro cumpre a legislação ambiental e só o 1% vocal sai candidato sem representar o setor.
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Entrevista política de campanha, útil como panorama do debate ambiental-econômico e da eleição paulista, mas fora dos eixos teológicos e filosóficos do Bruno.
O que foi dito
- Diagnostica como anomalia o controle de bilhões do orçamento por emendas parlamentares sem transparência, com finalidade eleitoreira quando não desvio, e diz que vai ao Senado para salvaguardar a autonomia dos poderes e a alternância de poder, ameaçada por quem dispõe de recursos desproporcionais na disputa.
- Sustenta que a pauta ambiental dá resposta econômica imediata: o Brasil tem 50% da balança comercial no agronegócio, abriu 500 novos mercados, e a queda do desmatamento (45% no país, 50% na Amazônia, 32% no Cerrado, 63% na Mata Atlântica) derrubou barreiras não tarifárias e gerou emprego e exportação.
- Cita o Fundo Clima passando de R$ 400 milhões para R$ 27 bilhões, usado em restauração de áreas degradadas para a agricultura, transição energética (eólica, solar), minerais críticos, e o Plano Safra convertido em agricultura de baixo carbono com redutor de juros de 1,5% para boas práticas, na linha de Chico Mendes de não separar economia e ecologia.
- Relata o desafio de gestão: reequipar o Ibama (voltou com 700 servidores contra 1.700 na saída, exigindo concurso), e credita os ganhos à continuidade das políticas públicas, ameaçada por governos negacionistas (compara com o “efeito Sísifo” da pedra rolando ladeira abaixo no governo Bolsonaro).
- Aponta a pressão geopolítica do governo Trump para arrefecer a agenda climática, inclusive via tarifaço, que prejudica o etanol brasileiro (mais competitivo que o de milho americano e combustível de transição), e destaca a liderança brasileira nos princípios da bioeconomia no G20 e nos Brics.
- Faz o ponto-título: um levantamento indica que 1% do agronegócio resiste à legislação ambiental e 99% já entendeu que cumpri-la é bom para o próprio negócio; o problema é que o 1% é muito vocal e é quem se candidata, fazendo um discurso que não representa um agro tecnológico que cresceu por produtividade sem expandir fronteira.
- Sobre São Paulo, alerta que o estado está perdendo na educação, tem gargalos de segurança hídrica (poços de 800 metros no Aquífero Guarani em Ribeirão Preto) e energética, elogia o plano de segurança pública de Haddad (transparência de dados em tempo real, gabinete integrado, valorização policial) e cita o aumento de 37% no feminicídio em SP desde 2022.
- No fecho, diz que o que está em jogo é proteger a Constituição e as instituições, elevar a qualidade do Congresso (recorda Pedro Simon, Darcy Ribeiro, Suplicy), e devolver o país a uma democracia com alternância real, para chegar a 2030 estabilizado, seja com Haddad, Camilo, Renan Filho ou Tarcísio, desde que comprometidos com a democracia.