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Uma aula de Nepal | Pedro+Cora

¶1Quara rona, e de que falaremos hoje em Pedricora? >> Essa desgraça que aconteceu no Himalaia. >> E você conhece bem, né? Tanto Nepal quanto Tibete. >> Conheço, amo e estou rasada.

¶2Então, [música] a as imagens da avalanche no Nepal são uma e Acho que é uma das coisas mais impressionantes que eu já vi na vida. >> É bíblico, né? É uma é uma, >> é um horror. >> É. >> Você conhece, né, Paulo?

¶3>> Eu conheço exatamente aquela região em que aconteceu isso. A fronteira, >> vou te contar, >> a fronteira entre o Nepal e Tibet, né? Tive lá em 2011. Essa fronteira que eu atravessei numa cidadezinha chamada Codário, ela já não estava em uso porque no terremoto de 2015 você vê que país, coitados, né? Eles tiveram um terremoto devastador.

¶4E a ponte que se chamava ponte da amizade, feita a nossa ponte da amizade aqui no >> Brasil Paraguai. >> Brasil Paraguai, essa ponte foi donificada pelo terremoto que ela acabou demolida. Enquanto isso, todo aquele tráfego e toda aquela o turismo, tudo passou a ser feito por uma, por um outro conjunto de vilarejos, um pouco mais para cima, um pouco mais longe de Catamandu. Isso ficava a sei lá, 115 km de Catamandu, outro fica quase 200 km de Catmandu, mas a mesmíssima região, o mesmo rio. >> Catmandu, capital do Nepal.

¶5>> Catmandu é capital do Nepal. E cara, essa viagem foi muito interessante. Esse lugar, particularmente, essa fronteira, ficou totalmente marcada na minha cabeça como um dos lugares mais faroeste que eu vi na vida. Porque que que era aquilo? É que para mim esses lugares, quando você fala de Catmandu, para mim é tudo eh eh eu nunca tive nem perto, tá?

¶6Para mim evoca uma coisa de aventura, kiplin, tintim. É, é, é um >> continua evocando. Por isso que a gente vai. >> É, pois é. >> Olha, é uma viagem difícil, não é uma viagem fácil, não.

¶7É mais de uma semana de carro. A gente era um grupo de fotógrafos. Você não pode, naquela época não podia entrar sozinho no Tibet. Não sei como é hoje, se pode ou não. Naquela época não podia.

¶8Você tinha que entrar em grupos de turismo como como Coreia do Norte. Você tinha que fazer parte de um grupo porque, claro, se explica, né? O o governo botava as pessoas dele como guias e e motoristas, etc., para ficar vigiando aqueles perigosíssimos estrangeiros durante toda a viagem. Não, não era um uma vigilância ostensiva como na Coreia do Norte, mas o fato é que você só podia ir em grupos. >> Isso chineses no Tibete.

¶9>> Isso. Os chineses no Tibete. Nepal não. Nepal é uma zorra. É uma, é uma coisa deliciosa o Nepal.

¶10O Nepal é o país mais pobre que você possa imaginar. Mais pobre. >> O Nepal é uma monarquia, não é isso? foi e quer ser de novo. Foi de novo.

¶11>> E, aliás, foi de uma maneira, >> eu sou muito ignorante a respeito do Nepal, então você precisa me contar. >> Olha aqui, ele era uma monarquia e em 2001 dos príncipes ficou maluco durante um jantar da família e assassinou toda a família. >> Toda a família real. >> Toda a família real. Aí o irmão dele assumiu, o irmão que escapou vivo assumiu o comando.

¶12O tem n suspeitas de de teorias conspiratórias que ele não teria ficado maluco porque ele estaria a sol da China, que isso é aquilo, Índia é um país espremido entre grandes potências. Você imagina o que que >> não deve te fazer bem ficar entre o entre a China e a Índia. [limpando a garganta] >> Não, não se recomenda ninguém. Não, não faz bem a saúde, a menos que você vá como turista aí, é uma coisa deliciosa. Mas enfim, aí aconteceu isso.

¶13Aí o rei Gaendra, esse que que assumiu, ele radicalizou, ele desmontou as estruturas da sociedade civil e não sei mais o quê. Foi isso meio que uma ditadura. E ali tinha uma guerrilha maoísta há séculos. E essa guerrilha maoísta conseguiu a simpatia do era uma, era uma guerrilha pequena que depois conquistou a simpatia de todo mundo quando o rei resolveu pesar a mão. E aí a monarquia foi abolida em 2008, mas logo o país tava com muito, porque também, né, você trocar uma monarquia por um >> um renditador por uma guerrilha mauísta, >> não vai dar certo.

¶14Então, há uma há um grande anseio popular pela volta da monarquia e o ex-rei continua no Nepal. Ele não se ele não se exilou nem nada. Então, é uma é uma situação muito esquisita. Eu não sou especialista na >> na política do Nepal. política do Nepal, porque eu acho muito complicada para entender mesmo por curiosidade.

¶15Eu adoro o país, eu cresci ouvindo falar em Catandu como o lugar dos sonhos, né? O Vale do Nepal. Tudo isso faz sonhar. São aquelas cidades que você ouve o nome e elas te levam para outro lugar, né? >> E existe chá de manteiga de inhaque?

¶16>> Sim, >> é yak o nome, né? >> Yak. Mas não é porque o IAK é o macho, é Didi que é a fêmea. Se eu descobrir lá o Mas isso é no Tibete. Isso não é no Nepal.

¶17Isso é, aliás, no norte do Nepal tem pouco, mas é sobre é sobretudo no Tibete. >> Mas os pa dois países tão pequenos conseguem ter culturas tão distintas uma da outra? >> Absolutamente diferente. Absolutamente diferentes. >> Que coisa incrível.

¶18E colados, né? colados, mas com distâncias enormes, com uma geografia que não permite >> grandes movimentos para cá e para lá. >> Entendi. >> O Nepal é muito parecido com a Índia, tem uma influência enorme da Índia. A comida é muito parecida com a comida indiana, também tem uma influência chinesa nessa comida, mas é basicamente indiana.

¶19A religião é muito parecida. E e eles também tm aquelas bandeirinhas ou é só o Tibete? >> Nepal também tem. Também tem, >> mas sobretudo o Tibete. Isso, isso já é uma coisa >> mais tibetana.

¶20Quando você entra pro Tibete, a bandeirinha para todo lado. E as paisagens são diferentes. É uma coisa muito curiosa, porque você pega essa estrada de Catmandu, você vai para pra Laza, que é a capital do Tibete, e você passa por umas regiões de montanha deslumbrantes, com vegetação, com lugares para rapel maravilhosos, com todos aqueles esportes que a pessoa se atira de uma ponte para cair cair lá embaixo. Enfim, essas coisas que eu não sonho fazer nem morta, mas mas é lindo, lindo, lindo. E você chega na e e é uma estrada péssima, a estrada horrível, esburacada, igual a estradas ruins no Brasil.

¶21Era pelo menos assim em 2011. E eu não acredito que tenha melhorado, porque por causa do terremoto eles devem ter concentrado todos os esforços em se refazer daquilo, porque até Bactaapur, que é uma das cidades mais lindas, uma cidade medieval, foi muito danificada. A gente tem que tem muita coisa para reconstruir. Então não acredito que as estradas tenham melhorado muito desde que eu estive lá. Você para em Codari, que foi onde essa cidadezinha, tem Codari de um lado e Zumon do outro, que é a cidade chines é feita a nossa ponte da amizade aqui.

¶22>> Uhum. >> Cidade de Leste, ali colada em F do Iguaçu. E muda da água pro vinho. Você, a China sabe como fazer propaganda. Então, a partir daquele momento, você entrou em território chinês, a estrada é um tapete.

¶23Mas não é só que a estrada é um tapete, a paisagem muda radicalmente. Até aquele momento você tem vegetação, você tem uma paisagem ainda digna de apreciação. Quando você chega no lado chinês, é a coisa mais inóspita. Você é uma paisagem deslumbrante, mas inóspita. Porque já fica tão alto que não cresce vegetação, cresce um um matinho assim seco que você nem sabe como é que aqueles jaques engordam tanto comendo aquilo.

¶24Aí você começa a questionar o veganismo como >> como ferramenta de emagrecimento da população. Mas enfim, é muito diferente. E a população é completamente diferente da da Índia. Eles me lembram mais sabe o quê? Em algumas coisas os peruanos.

¶25>> Ah, não. Pois é. Eu eu sei exatamente como é que é um rosto tibetano e e eu tenho >> não é só só o rosto na roupa, >> as cores. Pois é, isso isso é uma outra coisa muito interessante você fazer essa comparação, eh, porque aí a minha cultura fotográfica de fotografia, tanto do Nepal quanto do Tibete, são coisas sempre eh ninguém faz fotografias preto e branco lá, >> não, >> porque desperdício, >> é tanta cor >> e são uns azuis muito bonitos, são os uns e vermelhos tintos. Mas, mas ó, ó, >> amarelos.

¶26É, cores muito >> Isso, isso são as roupas dos monges, né, que os monges usam. >> Mas não é só isso. É, é as portas, as janelas, as e a impressão que eu tenho é que >> tudo tem muito, os os veículos >> é tudo lindo, >> é tudo muito colorido. >> É, é tudo muito colorido, é tudo muito bonito. E mesmo assim o Nepal e o Tibet conseguem ser diferentes até nas roupas.

¶27Os nepaleses se vestem um pouco mais parecido com os indianos. >> Uhum. >> Os os tibetanos tem uma coisa mais sóbria. >> Se se vestem com indianos agora eh etnicamente eles se parecem muito mais com tibetanos, né? >> Não, [limpando a garganta] >> não, >> não.

¶28Eles se parecem com os indianos, etnicamente. >> Ah, é, >> é. E e os tibetanos são claramente chineses, mongólicos ou qualquer coisa assim. >> É, é mongólicos. Sim, mas são muito diferentes dos chineses.

¶29Diferente dos chineses, né? >> São, mas são mais parecidos. >> É que já tem aquela prega asiática, né? No olho. >> Isso.

¶30Tem, tem, tem uma, tem uma cara asiática que os indianos não tm, >> não tem aquela coisa sua asiática que é a cor mais escura de pele, né? Olha, são diferentes. Você, se eu te puser, se a pessoa já esteve no Nepal, no Tibet, você jogar ela de helicóptero, >> ela sabe, >> acaso, ela sabe exatamente se ela tá no Tibete ou se ela tá no Nepal. >> E uma das diferenças, >> então no Nepal a cor da pele é aquela cor mais de café. >> Isso.

¶31Isso. Eles são bem escuros no Nepal. >> Aham. E são o povo mais simpático da face da terra, mais acolhedor, mais gentil. Eu eu tenho uma lembrança de muito carinho do Nepal, sabe?

¶32Umas pessoas genuinamente acolhedoras. Capmandu é um espetáculo porque é horrível. É tudo que você não espera. Você espera que Catmandu seja como Bactapur, que é aquela cidade medieval bem preservada, com tijolinhos. Quando você chega em Catamandu, Catamandu é uma cidade pobre, pobreza é feia sempre.

¶33>> É uma grande favela. >> É um favelão. É um favelão. A primeira vez que eu tive em 2000 e sei lá quanto, eles tinham feito um acordo com a Pepsi para pintar as casas em Catandu. Então Catandu inteiro era um outdoor da Pepsi.

¶34Todas as casas estavam pintadas de azul com aquela coisa da Pepsi. Eu tomei uma antipatia da Pepsi que eu não quero ver nem pintada de azul. Marketing estúpida. >> Sim. Peguei, peguei.

¶35Olha, uma viagem cortou a Pepsi da minha vida, porque eu achei isso uma falta de respeito, um, não posso dizer, >> uma imposição de dinheiro, né? >> É, é. Me fez muito mal. >> Exploração da pobreza ali. >> Exatamente.

¶36Exatamente. Então, eu fiquei mordida com a Pepsi para todo sempre. Não, não, não faço mais as pazes. E era uma cidade muito feia, muito com porque como ali a montanha também tudo é muito apertadinho, as ruas vão fazendo zigue-zagues, o trânsito é horroroso. O trânsito não só é horroroso, como o trânsito é extremamente poluidor e aquilo não vale.

¶37>> Uhum. >> É uma das cidades mais poluídas em que eu tive. Você tem que andar de máscara. Antes da pandemia já você andava de máscara porque você não conseguia respirar aquilo. >> Tem umas coisas completamente esquisitas.

¶38A gente as estradas, todas as ruas, toda a malha viária deles é tão sucateada que você não sabe muito bem onde começa o barro, termina a estrada, não tem calçada. Calçada só tinha no Tamel, que era o bairro dos dos estrangeiros, que essa é uma coisa deliciosa, porque é maior concentração de grifes de roupas de frio da face da terra, porque todo mundo que vai escalar passa pelo tamel. Cada café no tamel tem uma porta coberta de adesivos de todas as expedições que passaram por lá. Você se sente no reino da aventura, no coração da aventura, porque tem gente russa, indiana, brasileira, chilena, argentina, europeia, o que você quiser tem naqueles adesivos e nas ruas você encontra a gente falando todas as línguas. >> É, é um povo eh caloroso que nem o indiano ou ele é mais tímido que nem o tibetano?

¶39>> Ah, não. Pois é, ele é exatamente como os indianos. Ele ele >> então uma coisa calorosa e acolhedora, gosta de gente diferente. >> Muito. Eles se divertem com com os turistas.

¶40Primeiro eles ganham a sobrevivência dele com os turistas, >> mas eles genuinamente se divertem em ver pessoas diferentes. Eles querem tirar retrato com você. Eu, por ser muito branco, eu era parado o tempo todo para fazer foto. >> É que divertido. >> E eu fazia com maior prazer.

¶41O, as pessoas vêm sorridente, perguntam você, claro, mas aí você pede uma foto com elas. Então, eu tenho um monte de foto com tibetanos curtindo as nossas diferenças e olha que gente diferente e tal. Bom, você passa pro Tibet, os tibetanos são muito mesesmados e tem que ser porque estão sob dominação chinesa há muitos anos. Essa dominação chinesa é, >> mas pelo que eu já li a respeito do Tibet, Tibet um pouquinho mais, até porque é é é mais famoso no Ocidente, né? Eh, >> e sempre foi um povo mais tímido.

¶42>> Eles são povo tímido porque eles foram mantidos no mais profundo analfabetismo pelos lamas. É, né? >> A gente tem >> foi de uma ditadura para outra, né? >> Ah, mas foi de uma ditadura feudal para uma ditadura que pelo menos dá para eles uma infraestrutura. O Tibete tava muito pior com os lamas.

¶43>> Você é da turma? Eu eu não entendo o suficiente disso. Você é da turma que acha que eh da ditadura dos lamas pra ditadura chinesa foi uma evolução? >> Eu não diria que foi um tô dizendo que você esteja Eu não tô dizendo que você esteja elogiando uma ditadura. Não, eu sei, eu sei.

¶44Eu não tô dizendo que seja 100% um progresso, porque a cultura tibetana tá sendo massacrada. Então, você passa na rua, você vê mais cartaz em chinês do que em tibetano. As duas >> Uhum. >> línguas são bastante diferentes. A gente consegue distinguir o que que tá em tibetano e o que que tá em chinês.

¶45>> É. E a escrita tibetana é muito bonita, né? >> Muito bonita. Aliás, a chinesa também, mas a chinesa é toda de ângulos retos e a tibetana é toda de voltas e círculos. É isso.

¶46>> É uma coisa muito bonita. >> Então você tem esse problema cultural, você tem a imigração de massa dos chineses, porque os chineses abriram uma estrada de ferro, que aliás funciona muito bem para paraa Lasa. E vão vão chegando chineses aos milhares. Então o os tibetanos se sentem sufocados com razão, mas por outro lado eles passaram até hospitais, eles têm, quer dizer, o básico está sendo atendido, mas você não tem liberdade nenhuma. Então é muito difícil a gente julgar.

¶47Mas eu acho que a ditadura dos lhamas era desastrosa. Isso da gente achar que os lamas eram maravilhosos e bonzinhos é um equívoco. >> Não, isso não acho não. >> Ele eles mantinham a população num regime feudal de >> não passei pela eh lavagem cerebral do Richard Gear. >> Pois é, mas eu tinha essa ilusão.

¶48Monges ó da Lailama. [risadas] Não >> é, se bem que no caso do Dail Lama especificamente, ele não tem nenhuma. Ele era um menino, né? Na invasão ele não é >> ele Mas mas o que ele representa fez um mal pro Tibet do tamanho do bonde. >> Uhum.

¶49>> Impediu o progresso daquele país. É um país com dificuldades inacreditáveis sobrevivência porque não é só que é muito alto, não é só que é muito agreste, é que para você ir de um lugar para outro é dificílimo. Você não tem vegetação, você não tem pássaro em muito lugar. Porque você não tem vegetação, não tem inseto, não tem pássaro. Comida é escasso, madeira é escasso.

¶50É, olha >> as qual é, qual é direto? O que que as pessoas comem? >> Comida ruim, para ser sincera, mais uma comida parecida com a chinesa, só que aí entra a manteiga do yak, que é uma das coisas mais abomináveis depois do Homem das Neves que que Deus pôs na terra. Você você chega nas cidadezinhas tibetanas e você vê umas lojinhas assim com blocos que te parecem blocos de queijo e você vai todo empolgada ver aqueles grandes pedaços de queijo, né? Não é queijo, é manteiga de que eles vendem grandes blocos e que é a base de produto pro cabelo, vai no chá, vai nas lamparinas que queimam nos templos.

¶51É basicamente uma >> E a comida também. >> Na comida também. Então, toda a comida tem o gosto daquela manteiga de que é tão esquisita para nós ocidentais que não havia ninguém da do nosso grupo que conseguisse comer aquilo depois de dois dias, porque no primeiro dia você fica encantado, tudo fresquinho, que lindo, uns vegetaiinhos e pedaços de carne e tal, uns momos que são uns dumplins. Mas no segundo dia você tá com aquele retrogosto de >> E tem gosto de manteiga, >> não tem gosto de outra coisa qualquer muito diferente. É muito mais calórico do que do que o nosso leite, o leite dos jaques, das, né?

¶52Você imagina naquela altitude tem que ser muito calórico. >> Claro. >> Então é ruim a sensação para mim, quer dizer, eles devem adorar, mas para mim não colou e para ninguém. E eu já, felizmente tinha sido alertada por amigos diplomatas que já tinham estado lá e que tinham me dito: "Olha, leva chocolate na bolsa porque você não vai conseguir se alimentar com a comida de lá por muito tempo." O Nepal, ao contrário, é uma comida baseada na indiana com ingredientes menos apimentado do que indiano. Então, até acho mais gostosa a comida do Nepal do que na Índia.

¶53Aliás, acho a comida do Nepal muito gostosa, mas o Tibete é outra parada. Aí você entra em estradas lindas, parece tá na Alemanha, só que não tem um carro, não tem nada, não tem ninguém. Você vai em comboio porque se der algum problema, tem alguém para buscar socorro em algum outro lugar. Hoje já deve ter uma internet funcionando nisso tudo, talvez, quem sabe, mas naquela época não tinha ainda. Tudo muito precário, de ponta a ponta.

¶54O, você tinha uns hotéis no meio do caminho. A China usa muito essa estrada como propaganda, porque a quantidade de turistas, o pessoal que vai fazer escalada, o pessoal que vai pro Tibete, turistas em geral, então eles querem mostrar como é que eles estão tratando bem aquela terra e como como eles trouxeram riqueza para lá, etc, etc. Eles fazem uns hotéis opulentos, mas que não entendem o o porquê da coisa, na área moritorado e tal. No Nepal você fica numas hospedariazinhas pequenas, chexelentas, mas muito simpáticas. Nessa estrada toda, você vai para um lugar, não tem água quente, mas tem luz.

¶55No segundo lugar, você tem luz, mas não tem água quente. No outro, você não tem nem água quente, nem luz, nem nada. E você ainda tem que ir no bar de internet, que era o que tinha naquela época, para conseguir se conectar com o mundo, onde todo mundo fumava e eram todos homens vendo pornografia. Eu acho que te contei isso uma vez. As portas lá não são portas de madeiras, não tem madeira, né?

¶56A árvore crescendo não tem. Então são portas de tecido muito pesado, são muito bonitas. Aqueles tecidos grandes, menino, você passa por aquilo, você imediatamente defumada de cigarro dos pés da cabeça e aquela luz escuríssima e os caras olhavam para mim, tipo, uma mulher aqui dentro, não é possível, [risadas] mas eu ia porque eu queria, precisava fazer conexão. A gente, a gente que é conectado não consegue viver. >> E um bando de homem vendo pornografia em volta.

¶57invento pornografia. >> Desconfortável a situação, não? >> Bastante. Assaz, ais. A seis sou.

¶58A questão é que porque fazia o frio do diabo, eu tava vestida até a ponta dos dedos, eu tava de luva, a cara coberta aqui, aqui assim. Então eu não me sentia muito invadida porque eu nem sentia que era eu, porque era um um monte de pano que chegou ali, né? Toda lã da família naquele naquela pessoa que tava lá. Mas você chega nas cidades, é uma coisa de cidade em Codári havia isso. Eu tenho certeza que nessa cidade que acabou agora havia a mesma coisa.

¶59A maior quantidade de caminhões que você já viu na vida, porque por ali você não tem transporte aéreo que funcione de uma cidadezinha para outra. Tudo vai de caminhão na fronteira com a China. Eu não sei se continua assim até hoje, mas quando eu fui, os caminhões não podiam atravessar de um lado para outro. No lado nepalês você circula com caminões nepaleses. No lado tibetano você circula com caminões chineses.

¶60Então tudo que chegava de carga em Codária, absolutamente tudo era descarregado, posto nas costas das pessoas e atravessado pela alfândega pro outro lado. E aí no outro lado carregado em cima dos caminhões de novo e seguir em diante. As pessoas, no caso eram as mulheres. Esse é um trabalho para as mulheres lá. Os homens ficam sentados fumando, olhando o movimento.

¶61>> Claro, >> cara. Eu nunca vi pessoas tão pequenas carregando cargas tão grandes, coisas de 60 kg. Ele sabia que era 60 kg porque tava escrito na caixa 60 kg ou saco de cimento, esse tipo de coisa, as bagagens dos turistas, tudo. Quando a gente chegou, formou-se uma fila de mulheres na frente do ônibus, lindas. E eu pensei: "Ah, que legal!

¶62Elas vieram se candidatar a modelos pra gente fotografar elas, né? Éramos fotógrafos. Então eu parti, olha que que a minha cabeça imaginou que elas iam pousar pra gente ou aquele fundo Himalaia, né? As mulheres com aquelas roupas lindas e brincos e e pulseiras. É coisa maravilhosa, né?

¶63Não, as mulheres estavam na fila para pegar nossa bagagem, porque o dinheiro que elas ganhasse em muitas com os filhos nas costas, os filhos pequenos. E vou te dizer, uma mais linda que a outra e e sorridentes e vaidosas e enfeitadas. Enfim, >> que interessante. >> Outra coisa, ao longo de toda a estrada você vê algumas casas em que tem calcinhas secando na janela. Só calcinhas, como se fosse uma roupa qualquer, mas calcinha.

¶64E me explicaram, eu observei isso e perguntei e me disseram que isso era prostituição, que onde você tem uma calcinha assim na janela é uma casa de prostituição. >> Ah, é uma maneira de sinalizar. >> Sim. E é uma maneira que ninguém pode dizer nada porque a moça pode dizer: "Olha, não, lavei a calcinha e puxo para secar." >> E quem dirá que não? Mas havia também uma coisa mais perturbadora, que parecia aquela aquela zona vermelha lá de Amsterdam, que eram vitrines onde as mulheres ficavam se expondo.

¶65Isso nos arredores de Codari tinha muito. Foi uma cidadezinha miserável na na beira do rio. Os Quando você vai pra Serra, lá em Friburgo, você vê um monte de casas assim na beira do rio, quase encarapitadas no rio. Você entende que a primeira enchente que der ali, essas casas vem abaixo. Isso no Nepal era óbvio, porque são umas casas inteiramente precárias as margens de um rio que era pequeno, mas você percebia que ali qualquer enchente, ninguém pensava nessas calamidades.

¶66Eu tava pensando numa enchente tipo grandes enchentes brasileiras que derrubam essas casas, porque é o que acontece, né? Casinhas de madeira, casinhas muito pobres, coitado, tudo construção ilegal. Aí quando eu vi esse essa essa visão dos infernos, que era essa onda, eu me identifiquei muito porque eu eu disse: "Caramba, podia ter sido eu em qualquer lugar. Qualquer momento que a gente estava lá, a gente deu sorte, não aconteceu uma coisa dessas, mas podia ter acontecido. Ver o risco que a gente corre sempre permanentemente.

¶67E você pensa que é tão óbvio que as mudanças climáticas estão acontecendo a um ritmo avaçalador, que é de espantar que tenha gente que ainda não acredite em mudanças climáticas, porque essa região teve um terremoto, >> é >> há 10, 11 anos atrás. Agora tem essa avalanche que ninguém sabe se acabou não, porque parece que tá se formando um lago represado ali, que é a hora que romper vai vir tudo tudo abaixo de novo. E olha, eu sigo alguns nepaleses e tibetanos porque, né, tive lá e nem sei como, acho que era gente que tinha continha na internet. E as imagens que a gente tem mandado pro mundo são medonhas, corpos partidos, literalmente partidos, metade do corpo sendo carregada, eles recolhendo pés e mãos. corpos presos em árvores, uma calamidade e elefantes foram pegos nessa nessa inundação também.

¶68E eles chegaram no Nepal porque os elefantes moram ali no Nepal. No Nepal ainda tem elefante, né? E eles conseguiram na, eu vi um vídeo de um grupo de elefantes, uns quatro ou cinco elefantes que conseguiram nadar e e sobreviver a isso. E eles tentando chegar numa cidade, mas a cidade tinha gates. Gates são aquele, aquelas margens de rio em escadas que você tem na Índia também.

¶69Então eles não conseguem subir muito fletivo. As pessoas tentando ajudar, >> mas são também um bicho mais resistente do que nós, né? Não muito. Eles eles com certeza escaparam. >> Eles têm mais chance de sobreviver o troço del do que a gente, né?

¶70>> Sim. Sim. Eu não sabia que eles nadavam tão bem. Isso para mim foi uma surpresa, sabe? >> Ah, eu também não tô descobrindo.

¶71>> É nada muito bem. Eles mantém a cabeça fora d'água e >> hã >> e consegue conseguem se manter à tona. Mas eu eu vou te dizer que eu f no terremoto eu pensei eu vou voltar porque eu me senti na obrigação de ir lá para dar um apoio, para gastar dinheiro e >> Uhum. Aquela coisa que a gente quer mostrar carinho, solidariedade. Por acaso não consegui voltar nesse nesses 10 anos.

¶72Mas agora eu quero voltar. Eu não sei se eu vou conseguir, porque também você já vai chegando numa idade em que esse tipo de viagem não é mais simples. >> Claro, >> né? Eu tenho uma coisa chamada joelho que eu descobri quando fui atropelada. Então, quando você descobre que tem joelho, o mundo já não está inteiramente à tua disposição, porque onde houver uma escada vai ser vagamente complicado.

¶73E o que tem nesses lugares é escada. Mas eu quero muito voltar porque eu passei esses dias vendo as fotos que eu fiz e eu chorei. Eu não sou uma pessoa de chorar, não. Não sou aquela pessoa que chora, que >> particularmente te motiva, né? >> Não, não sou.

¶74Mas eu eu chorei vendo essas minhas fotos, porque eu pensei em como é lindo esse canto do mundo, em como eu gostei dessas pessoas e como foi curiosa a minha relação com o Nepal, que a primeira vez que eu fui, eu detestei porque tava nessa fase Pepsi e eu odiei o Nepal, digo, ah, não volto nunca mais. E aí eu resolvi fazer essa viagem pro Tibete. A forma de >> é passar pelo Nepal. >> De ir pro Tibete é passar pelo Nepal. E quando o avião começou a descer no aeroporto do Nepal, me deu uma alegria no coração que eu não sei explicar.

¶75Eu digo: "Que bom que eu tô voltando, ó, Nepal? aqui. Enfim, eu tô eu tô muito triste com isso. A quantidade de gente, de arte que se perdeu, porque cada casa lá é um, tem pinturas, [limpando a garganta] tem uns templos muito bonitos, tudo isso arrasado, né? É muito triste os animais perdidos, né?

¶76Mortos, cara. É, é nessas regiões que a gente vai começar a anotar mais as mudanças climáticas, porque onde você tem coisas para cair, onde você tem coisas para lagar. >> Claro, >> né? E tem gente que nega isso. Acho, acho uma insanidade.

¶77Eu acho que nós estamos numa trilha de de suicídio bizarra. Estamos parecendo um monte de lemingues que >> claro >> que tá indo todo contente de se jogar no penhasco. Aliás, eu nem sei se os lemingues de fato fazem isso na vida, mas eu já li que não, que não é bem assim, mas porque nenhumas das nossas ilusões permanece depois que a gente cresce. >> Agora temos livro, >> ó aqui, >> Rafael Montes. Tenho lido muito sobre esse livro.

¶78Eu não li o livro. Pois é, por isso que eu trouxe. Olha, olha que projeto gráfico espetacular. Você tirou e >> é uma coisa de carne. >> Você tirou a aquela tampa da comida, né?

¶79>> Isso. >> Olha esse corte vermelho. Chega a dar um nojinho. >> Eu gosto de carne. Eu não sei se d essa carne.

¶80>> Não, essa carne não se recomenda. Olha aqui, é um pouco ridículo a gente recomendar um dos livros que mais vendeu do país, mas eu quis falar sobre o Rafael Montes e eu quis falar sobre [roncando] esse livro porque >> e que belíssima edição, né? >> Essa e essa edição Companhia das Letras fez >> Letras >> uma coisa absolutamente sensacional. É um bloco de carne. Você tira aqui, é cloch que se chama, né?

¶81>> É, não sei. Uma tampa de restaurante de hotel. Tem isso, tem um nome que eu sabia até começar a gravar esse programa e depois convenientemente esqueci, porque eu sempre esqueço essas coisas. E eu fiquei olhando, cara, mas eu tenho a impressão que a carne humana não é tão vermelha não, porque todos os relatos que eu li dizem que a carne branca é mais parecida com a carne de suino. Toda a carne branca, toda carne humana tem um que de carne suína que faz, é possível porque nós somos ronívoros como os porcos, né?

¶82Então nossa carne seria branca. Então isso aqui é uma carne de boi, eu acho. Mas enfim, eu não vou discutir a origem da carne. A edição está absolutamente fenomenal. E eu acho que o Rafael Montes é um caso tão gozado, é tão interessante de brasileiro, de absoluto sucesso, né?

¶83Esse menino tá com 35 anos. Eh, eh, a reportagem essa semana no New York Times imensa. >> Ele ele é um gênio. Eu o primeiro livro que eu li li dele foi Dias Perfeitos. Isso foi em 2014, acho que foi lançado em 2014.

¶84Eu tava na livraria da travessa e um dos meus amigos livreiros me disse: "Cara, saiu um policial novo, fabuloso, tá todo mundo falando, você tem que ler." Eu comprei, comprei o Dias Perfeitos. E eu não gostei porque não é um policial, é um thriller, é um terror psicológico. E eu gosto de policiais e eu não gosto de thrillers, mas mesmo não tendo gostado, eu admirei o quanto aquele livro tava bem construído e e como aquela ideia era sólida e como como funcionava bem. é que não é o meu gênico. Você sabe que há uma diferença entre thrillers e policiais, né?

¶85>> É evidente que eu sei. >> São coisas totalmente diferentes. O policial você pergunta mais ou menos o que que aconteceu e no thriller você pergunta o que que vai acontecer, né? >> Ótima definição. >> É, pois é.

¶86Meu meu >> thrillers tendem a ser mais page turners, né? É suspense. Eu não sei lidar com precisa. O o Trader tem um eh o barato do policial é a natureza humana e a arte da investigação e como que aquele policial em particular >> é >> atua para descobrir o mistério. Eh eh você tá muito mais interessado em gente.

¶87Eh, fundamentalmente você tá interessado em gente e e numa cabeça que é a cabeça que desvenda um mistério, né? Um >> Isso. >> Enquanto que o thriller é um livro de ação. >> Não, mas ele ele também tem psicologia humana. >> Mas é sempre uma Mas é sempre uma psicologia muito torta, né?

¶88>> Mas mas o thriller tem uma coisa do a a tensão e a velocidade, né? Exatamente. Você não consegue dormir. >> Isso. Isso.

¶89>> O policial você consegue dormir. Você consegue parar um capítulo e continuar. >> O policial pode ser extremamente cerebral sem ação. >> Exato. Você lê Dora Tessias, por exemplo, Margeri Allingham, a dona Leon, né?

¶90Comissário Guido Bruno, a dona Leon Brunete para falar do mundo. E o thriller é um gênero que eu não curto por causa disso, porque eu não sei lidar com suspense. Não, >> tá, >> não não não é a minha, mas eu recomendei para muita gente que fato você não gostar de um gênero, né? Mas o livro é bom. Depois saiu esse aqui.

¶91Eu li também, achei espetacular. Eu acho esse livro ótimo. Eu e eu vou te dizer o que que eu acho. Rafael Rafael Monte naquela. >> Você acha que não deve se dizer o que que o livro é?

¶92>> Não, eu acho que você pode dizer essa altura tem. Eu posso fazer, eu não vou fazer um. Olha aqui. Isso aqui é um spoiler. Não tô fazendo nenhum spoiler.

¶93Você aqui tem uma maminha e, >> né, de uma pessoa supostamente e uma carne embaixo. Se chama o jantar secreto. Não é preciso ter muito que ir para deduzir >> que qual é a car, >> qual é o principal prato desse jantar secreto. Mas o >> acho muito interessante se olhar para essa tampa de comida que parece um seio e dizer isso uma maminha. Mas tudo bem, [risadas] >> porque eu tô olhando a carne embaixo, né?

¶94>> Não deixa de ser uma maminha. >> A maminha se sobrepôs a forma suave >> é >> e erótica. >> Eu eu comi uma maminha ontem, mas era bovina. Tá, >> tá bom. Eu, aliás, adoro.

¶95Olha, olha aqui. O Rafael Montes tinha 23 anos quando escreveu Dias Perfeitos. Era chocante que o menino daquela idade tivesse escrito um livro tão bom. Ele foi instantaneamente reconhecido, o livro foi vendido para vários países e ele começou essa carreira maravilhosa de >> de escritor. >> De escritor.

¶96E ele foi o primeiro, a primeira pessoa no Brasil que eu vi, que ele fez um uma entrevista no Jô naquela época em que ele dizia com todas as letras que ele queria ser escritor e queria ser muito lido. Porque o o brasileiro tem aquela coisa, escrevo pela arte, né? Não, se eu for lido por meia dúzia de pessoas, tá bom? No fundo, todo mundo quer ser lido. Ah, >> pelo amor de Deus.

¶97Mas eu tô com a impressão de que ele é e é e ele tá com chance de ser o novo Jorge Amado, novo Paulo Coelho, nesse sentido de eh primeiro, eu não tô comparando Paulo Coelho com Jorge Amado, >> não no sentido de ser o brasileiro conhecido no exterior, >> mas é o brasileiro que >> no sentido de é no sentido de que o mundo sabe quem ele é. Esse esse livro tá vendido para 20 países agora >> abaixo. Diga-se passagem também não quero parecer que tenha qualquer tipo de preconceito, porque você que tem uma turma, uma elite literária que torce o nariz Paulo Coelho. Paulo Coelho é um sujeito absolutamente adorável. >> É, >> é um cara incrível, interessantíssimo, [limpando a garganta] inteligentíssimo.

¶98>> É um grande contador de histórias. Eu adoro as letras que ele fez. Eu gosto mais das letras dele do que dos livros. Eh, mas eu tenho imensa admiração por ele. >> Olha, é um orgulho nacional.

¶99Você sabe por quê? Porque quando você chega Codari, não, mas quando você chega em Cat Mandu, você encontra livro do Paulo. >> Não, imagino que sim. Eu acho que imagino que sim. Bill Clinton, presidente da República, foi fotografado com alquimista.

¶100Pois é, >> alquimista. Eu eu tenho imenso respeito por não é simples você fazer esse tipo de sucesso. E você faz esse tipo de sucesso porque você tá >> tocando de alguma forma nas pessoas. >> Não, você chegou ao inconsciente coletivo. >> É isso.

¶101Isso é uma coisa admirável. Isso é um talento, >> mas mas ele >> e o Rafael Montes parece que tá >> Rafael Rafael Montes vai lançar essa semana mesmo na Bienal de São Paulo o primeiro thriller erótico dele. Então tá é uma expectativa louca em torno, em torno desse lançamento. Ele já vendeu mais de 1 milhão de exemplares aqui no Brasil. Você tá conta do que que é isso?

¶102>> Isso é muito impressionante no Brasil. com uma pessoa de 30 e 5 anos que ele tá, ele ele agora embarcou numa carreira mais >> internacional, >> não é nem mais internacional, uma carreira mais ampla, porque ele é roteirista, produtor, ele ele faz séries, né? E tá sendo super bem-sucedido nisso também. Agora, o que ele tem é que ele ele sabe contar uma história, mais do que isso, ele sabe estruturar uma história. Quando você lê os livros do Rafael, você percebe como aquilo foi bem pensado e e outra, ele tem senso de humor.

¶103É tudo muito carioca, não é aquele carioca pitoresco, é o carioca da classe média, da elite, dos apartamentos, né? Uma coisa até meio rub fanseca às vezes. >> Ah, que interessante. >> É o E ele tem um senso de humor que não é óbvio, que não é o o senso de humor de botar uma piadinha aqui ou ali, mas a forma como ele conta. Você diz: "Cara, esse cara é engraçado".

¶104Então eu tenho uma admiração por ele enorme. Eu lamento que ele escreva num gênero que não é o meu, mas eu acho ele admirável e acho os livros dele ótimos. >> Que bacana. >> E eu queria recomendar esse livro para quem não leu e gosta de thriller, aviso. Isso é um thriller.

¶105Isso não é um romance policial. Porque você chegar nos livros do Rafael achando que é policial, você vai se desapontar porque é outra coisa. Você chegando como thriller, você vai deitar e rolar, você vai adorar o erro ali quando eu eu li. >> Mas eu gosto de traders diferentemente você. >> Ah, então você você teria que ler porque >> ele faz isso muito bem.

¶106>> Eu gosto de John Grisha. >> Ah, pronto. É, é. Tá, é tua praia, meu filho. >> É, >> vai atrás.

¶107Ele é muito bom. Ele tá altura dos melhores escritores do gênero que eu conheço, embora vou dizer que eu não conheça muitos porque etc, etc, etc. Mas mas ele é excelente. E esse livro, se vocês querem uma coisa que vai deixar vocês acordados de noite, que vai ser arrepiante, etc., tá aqui, ó. E aproveitando que tá com essa edição linda de aniversário, né?

¶108É o e tem uma carta dele pros leitores e tem um novo capítulo 10 anos depois contando como estão os personagens que ele escreveu agora e é exclusivo dessa edição. Então, se você já tem o jantar secreto, tá aqui uma outra edição para você saber o que aconteceu depois. >> Muito bom. >> E com essa essa coisa, essa edição, esse capricho, né? Ó, aqui a maminha, ó.

¶109Dá nervoso. [risadas] >> Cara, nos vemos na quinta. >> Nos vemos na quinta. >> Então, até quinta-feira. Ninguém aqui vai dizer em quem você deve votar.

¶110Na verdade, aqui centro, esquerda e direita, todos têm espaço. Mas nas próximas semanas muita gente vai tentar dizer em quem você deve votar. Então, como não se perder em meio a tanta notícia, promessas vazias e fragmentação de conteúdos? Ele 2026. [música] A escolha pode ser o seu material de apoio para escolher quem vai assumir a presidência do país.

¶111O documentário parte dos cinco principais candidatos, quem [música] são? O que fizeram até aqui, mas eleição não se explica só por candidato. O filme também olha pro país que o próximo presidente vai encontrar. já tá no streaming do meio com outras produções originais que trazem base para votar sabendo exatamente os motivos. Assina o meio premium.

¶112Assiste agora. [música]