a tese
Episódio de "Pedro+Cora" (Pedro Doria e Cora Rónai, grafia incerta) do Meio: a partir da avalanche/inundação recente no Himalaia, Cora narra em detalhe suas viagens de 2011 pelo Nepal e Tibete e fecha com resenha do escritor Raphael Montes.
aprofundar
não
Conversa culta e agradável de viagem e literatura, sem gancho teológico, filosófico ou de interesse direto do Bruno.
O que foi dito
- Cora conta que atravessou a fronteira Nepal-Tibete por Kodari, cidade destruída pelo terremoto de 2015 (a “ponte da amizade” caiu), na mesma região do desastre atual.
- Traça o histórico político do Nepal: monarquia, o massacre da família real em 2001, a radicalização do rei Gyanendra, a guerrilha maoísta e a abolição da monarquia em 2008, com anseio popular pelo retorno do rei.
- Contrasta fortemente Nepal e Tibete apesar da vizinhança: nepaleses etnicamente próximos dos indianos, calorosos e acolhedores; tibetanos mongólicos, mais sóbrios e retraídos sob décadas de dominação chinesa.
- Descreve Katmandu como cidade pobre, feia e poluída (episódio dos outdoors da Pepsi que a fez boicotar a marca), e o Tibete como paisagem deslumbrante mas inóspita, com a onipresente manteiga de iaque considerada intragável.
- Faz um juízo político controverso: a ditadura feudal dos lamas teria sido pior que a chinesa em infraestrutura, embora reconheça o massacre da cultura tibetana; critica a idealização ocidental do Dalai Lama (“lavagem cerebral do Richard Gere”).
- Relata cenas duras: mulheres pequenas carregando 60 kg nas costas na alfândega enquanto homens fumavam, prostituição sinalizada por calcinhas nas janelas, casas precárias à beira-rio idênticas às que a inundação agora levou.
- Usa o desastre para afirmar convicção sobre mudanças climáticas (terremoto de 2015, avalanche atual, lago represado ameaçando romper) e criticar quem as nega; comove-se revendo as próprias fotos e quer voltar.
- Segundo bloco: resenha de Raphael Montes (35 anos, comparado a Paulo Coelho e Jorge Amado como brasileiro lido no exterior), com a edição de aniversário de “O Jantar Secreto”; Cora distingue thriller (o que vai acontecer) de romance policial (o que aconteceu), diz preferir policial mas admira a construção de Montes.