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Encontro de Mendonça e Moraes no STF depois de revelação de escândalo

¶1Mas sobre a posso falar sobre a fotografia? >> Pode falar sobre tudo. >> E e é verdade que ali tem uma brechazinha onde os fotógrafos conseguem ver na hora que eles se aproximam do do plenário. Devem ter parado ali para conversar. Eu não creio que eles tenham feito aquela foto propositadamente para mostrar relaxamento, porque pelo contrário, o que ela expressa é estress.

¶2É, >> estão dando uma gargalhada. Alguém deve ter contado uma piadinha muito boba ou um comentário muito tolo que gerou aquela gargalhada que em um circunstância comum, normal, do dia a dia, não aconteceria com nenhum deles. Portanto, eu acho que a o mérito total é do fotógrafo, né, que conseguiu no momento crucial da história do do Supremo fazer aquela foto, né? Mas não acreio em armação, não é? Não, >> mas eu aí eu vou só acrescentar uma camada.

¶3Eh, eu acho que a foto em si pode não ter sido pousada. Eh, o que me chamou atenção assistindo a sessão, né, foi a primeira sessão a eh aberta ali de plenário e pós embate Mendonça, Morais na [limpando a garganta] véspera, né? Então, foi o primeiro encontro público dos dois desde eh desde a convulsão da véspera. E ao longo da da sessão, na chegada já, né, mas depois ao longo da sessão, o Alexandre de Morais várias vezes, eles não se entreolharam, eles sentam lado a lado porque é uma ordem fixa das cadeiras, na verdade é um rodízio, né? Conforme vai chegando alguém mais novato e alguém mais sênior vai saindo, eles vão mudando de posição.

¶4Mas é por ordem cronológica de chegada ao Supremo que vão que vão se assentando eh os ministros. Então o André Mendonça e o Alexandre de Morais nesta ordem se sentam lado a lado. Isso não foi um acaso. Isso é eles não se entreharam. Era aquele, né, que era aquela tensão que dá para cortar com faca, né, aquele ar denso ali entre os dois.

¶5[limpando a garganta] Eh, mas o Alexandre de Morais. Ahã. Repetidamente sorria pro Flávio Dino, que é quem está à sua frente. E aí sim não um sorriso, não a gargalhada da foto de bastidor, que eu concordo com você que pode revelar, na verdade, muito mais um descontrole, um né, um desequilíbrio do que um, né, uma tentativa de emular tranquilidade. Mas no plenário não.

¶6o plenário virava e mexia, ele dava uma risadinha, olhava assim pro Flávio Dino e tal. E ali sim, eu acho que tinha uma um jogo de cena mesmo, de querer mostrar que olha, a gente tá eu tô eu tô tranquilo, >> eh eu tô eu tô, como é que se diz? De cabeça erguida. Só que é uma cabeça erguida que eh elas ela ela fica parecendo um pouco descarme. Eu concordo com o Pedro, no sentido de que até o momento ele não se dignou a dar absolutamente nenhuma explicação pública de nada.

¶7Não é só que ele não falou das mensagens, não é só que ele não falou do contrato, não, ele não falou de nada. Então, a gente tá diante de um momento [limpando a garganta] em que o o protagonista de uma crise a maior, provavelmente, né, do do da história do Supremo. Hoje eu tô [limpando a garganta] na apuração disso paraa nossa edição de sábado e eu vi isso de diferentes eh pesquisadores especialistas, é a maior, ele é o protagonista e ele está eh sorridente diante das câmeras, sem prestar qualquer tipo de satisfação. não tem nenhuma nota pública, não tem um eh eh falarei nos autos ou no momento certo, enfim, nada. Então, eu é neste sentido que eu acho que o conjunto da da postura do Alexandre ontem eh pode ter sido uma estratégia de gerenciamento de crise, mas eu acho que se foi mesmo, não tenho apuração disso, né?

¶8Mas se foi mesmo saiu pela quatra, [risadas] porque nem a foto eh eh o o [limpando a garganta] eh enfim o protege de nada e nem eh os sorrisinhos ali ao longo do dia e esse silêncio muito menos. >> Cl. Só só tem uma eh não é exatamente isso que você tá falando, mas o gabinete do ministro se manifestou quando o Estadão publicou a notícia de que ele tinha revisto no Word dele de dentro do [limpando a garganta] Supremo o o contrato do escritório da da mulher dele eh com com Vorcaro, né? Eh, e ele e ele deu como explicação o fato de que ele tinha revisto [limpando a garganta] o contrato para ter certeza de que não havia nenhum tipo de comprometimento ético, nenhum tipo de conflito de interesse. Quer dizer, teve essa explicação.

¶9Ele explicou porque que ele reviu o o contrato, né? >> Eh, o o >> que eu defendi ontem, eu acho que eu acho que tem um ponto fundamental aqui que é o seguinte. E eu tava hoje conversando com alguns eh eh com algumas fontes advogados para ver inclusive se juridicamente é uma coisa possível e me disseram que é [suspirando] eu acho que a gente tá numa numa situação, é óbvio que existe uma guerra interna dentro do Supremo Tribunal Federal, eh, [limpando a garganta] e que eu não vou entrar no mérito porque a gente não tem muito como saber se o problema ali é disputa de poder, se o problema é tentar ajudar, sei lá, se o André Mendonça tá tentando ajudar o padre padrinho dele que foi Jair Bolsonaro que o indicou pro Supremo. Tem uma turma que acha que é isso. Eh, tem gente que acha que o André Mendonça, na verdade, tá embuído de uma coisa de moralizante da política, tal, como se fosse um novo Sérgio Moro, tudo mais.

¶10Eh, não tem muito como a gente saber quais são as intenções por trás do de ter tomado a decisão de tornar público toda investigação, eh, tudo que a Polícia Federal tem envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O problema é o seguinte, tem investigação de lobby do filho do presidente da República, tem a história do escândalo do INSS, de desvio do dinheiro do INSS e pelo menos o PDT, que o Carlos Lup era o ministro da previdência, a gente sabe que algum envolvimento tem, a gente não sabe qual é a natureza, mas foi sobre o o a responsabilidade do Lup 60% do dinheiro desviado do INSS aconteceu. Não devemos nos esquecer que os outros 40% foram no governo Jair Bolsonaro. [suspirando] Tem o fato de que Flávio [roncando] Bolsonaro pediu 25 milhões de dólares a Alexandre, a Daniel Vorcaro. Eu tô chamando o o Daniel Vorcaro de tudo qualquer nome.

¶11Faz sentido. >> Vai só no Borcaro que não tem. >> Vou só no Borcaro que eu não tenho erro. Tem os 25 milhões de dólares que Flávio Bolsonaro pediu a Daniel Vorgaro e sabemos concretamente que desses 25 milhões de dólares, 14 milhões ele recebeu. E não custa lembrar que Flávio Bolsonaro já mentiu antes, né?

¶12Porque ele disse que os pagamentos tinham terminado em maio e já sabemos que a outubro do ano passado eh eh os pagamentos chegaram. Tem o fato de que Eduardo Bolsonaro largou, abandonou o mandato dele como deputado federal e foi pros Estados Unidos, pro Texas, justamente no momento que os pagamentos de Daniel Vorcaro começaram a chegar lá e que é um advogado ligado a Eduardo que tava gerenciando esse dinheiro que eles dizem ser pro filme Dark Horse e até agora não apareceram as contas que foram prometidas desse filme. Eu acho que a gente chegou a um ponto tal que não existe outra escolha. É fundamental. Não faz nenhum sentido eh a gente votar as cegas.

¶13Abre o que a Polícia Federal tem, sobretudo, sobre todas as investigações. Abre, torna público, porque o leitor saiba, entendeu? A gente jura que a gente vai entrar numa brincadeira de Lava-Jato de novo, de ficar fazendo vazamento e o juiz ou o delegado toma decisão do que que vaza de acordo com interesses que a gente não sabe quais são. Abre tudo, deixa o eleitor tomar sua decisão de voto a respeito de deputado federal de porque não são só candidatos à presidência da república, são candidatos a deputado federal, são candidatos à reeleição como governador. Afinal de contas, o Vorcaro fez muito dinheiro com dinheiro de previdência, por exemplo, do governo estadual aqui do Rio de Janeiro, do governo estadual do Amapá, de vários outros governos.

¶14Tem que abrir tudo, sabe? Eh, eh, eu não vejo, eu não sei qual é a sua opinião a respeito disso. >> Integralmente, eh, eu concordo absolutamente integralmente, até porque é o mesmo relator de todos os processos, que é o Daniel Mendonça, aliás, André, [risadas] >> é provocação. Eh, é o mesmo, é o mesmo relator e, e só vazou até agora, não sei se é do gabinete do ministro, mas aparentemente sim, eh questões do Lulinha ou agora a questão do do ministro André Mendonça, eh, eh, do ministro Alexandre de Moraes. Então, abrir e oxigenar isso, tornar público, tornar transparente é fundamental.

¶15Acho que você tem toda a razão. Concordo plenamente em não só em nome do eleitor, em nome da igualdade, da democracia. Você não, porque você sugeriu a um determinado momento que pode haver interesse de um ministro em favor de uma candidatura, de outro a favor de outra candidatura. E é verdade. Claro, você pode supor que André Mendonça queira pagar uma dívida que tem com Jair Bolsonaro que indicou.

¶16Ele diz isso toda hora, disse várias vezes, agradeceu publicamente inúmeras vezes a Flávia e a Jair pela indicação. Pode ser uma forma de retribuir, porque claro que isso tem um impacto enorme na eleição presidencial, porque as pessoas associam Alexandre Moraes com o Lula. Eh, ele não é parte do governo, ele não foi indicado pelo Lula. Acho que foi Michel Temer que indicou Alexandre Moraes, é bom se lembrar, mas as pessoas vem isso como se fosse mais uma coisa da do governo Lula e o Lulinha não precisa dizer mais do que isso, é o filho do homem, né? Então tornar público é fundamental.

¶17Eu eu só queria dizer duas coisas sobre o que a a Flávia falou sobre o Alexandre de Moraes de cabeça erguida, é porque ele tá com lama até aqui, ele não pode baixar a cabeça, entende? A situação dele é gravíssima, gravíssima, gravíssima. E e sobre a maior crise do Supremo Tribunal Federal, a gente não pode esquecer que o Supremo Tribunal Federal sofreu intervenção na ditadura, teve ministros cassados, foi fechado. Então é a maior crise do Supremo Tribemoral Federal na democracia. Talvez a gente tenha que dizer, salientar esse ponto.

¶18Certo, certo. Eh, e eu eh Ascâo eu entendo e concordo com esse ângulo seu. O que eu ouvi das da dos entrevistados é uma é outra lente. De fato, teve no governo do Getúlio, eh na ditadura do Getúlio também, ele tirou seis ministros, na ditadura militar outros três. E e há uma sequência em que os ataques ao Supremo eh [limpando a garganta] colocaram o Supremo em crise, mas esses ataques vinham de fora.

¶19E o o ângulo que esses especialistas estão usando para falar que é a maior é que agora a crise está entre ministros, entre grupos de ministros conflagrados uns contra os outros e com ministros sendo potencialmente investigados. Então isso eh por colegas é [risadas] o que o que a gente viu no passado foi bateboca entre ministros, né? Foram muitos, né? Gilmar e e e >> Gilmar e Barros Luiz Alberto Barroso teve um momento, mas fala isso não era crise, isso era até folclórico perto do que nós estamos vivendo hoje. >> Isso.

¶20E o que tá, o que tá o que eu acho que a gente tá eh, experimentando diante desse cenário que o Pedro descreveu, né, de tanta eh de como diz o nosso queridíssimo Creomar de Souza, eh de policrise, né? E é uma policrise que você hora que veja, eh é também uma crise do Supremo que extrapolou pra PGR e pra Polícia Federal, não é? Eh, eh, então assim, pega eh de um jeito novo por, eh, [risadas] diferentes atores de um jeito novo, né? Então, os ministros sempre foram eh sempre não, mas na nova república, paulatinamente, eles foram crescendo em importância política. Eh, ali no mensalão tem um uma virada, né, um turning point com os o julgamento sendo transmitido.

¶21Inclusive isso que vocês eh que a gente tava comentando do da foto, né? Eh, eu eu acompanhei o julgamento do mensalão em loco, né? Eu ia lá em todas as sessões, era aliás pesadíssimo. Eu brincava com a minha mãe, eu falava: "Mãe, eu chego em casa, eu tomo banho de sal grosso". Porque eh o clima do Joaquim com o Lewandowski era uma coisa eh tão pesada, era como se era eu me sentia como se fosse uma criança vem do país brigando assim, sabe?

¶22De tão tenso, de uma coisa, enfim. Mas o que eles faziam, eles usavam muito, tem um momento que para entrar no plenário eles se eles enfileram na mesma ordem cronológica em que eles se sentam, né? foi feita aquela foto. >> Isso, exato. E eles eh já há bastante tempo, desde o mensalão, pelo menos eu testemunhei, não sei se antes disso isso já acontecia, porque não tinha TV Justiça, a própria os as sessões do plenário não estavam tão no foco, né, da imprensa, então era outra relação.

¶23no mensalão, eles já usavam esse momento da saída lá do café para a formação da fila e entrada no plenário para mandar os mais variados recados paraa opinião pública. Então, eh tinha momentos do Joaquim eh se procurando ali um um ombro amigo ali, né? às vezes com Gilmar, às vezes com o Marco Aurélio, eles se revesavam ali. Era um momento eh não raro em que eh veja, foi o próprio Supremo que criou no mensalão uma tradição que eu acho esquisitíssima do jornalismo, que é o off coletivo, né? Então junta toda a empresa, imprensa ali, todos os todos os setoristas e fala: "Ó, eu vou falar com vocês, mas é off." E aí, ó, despeja os recados todos que quer e e a imprensa, óbvio, não vai usar o que o ministro do Supremo, Tribunal Federal tá falando no meio do julgamento mais importante, vai usar, mas é essa coisa.

¶24E hoje em dia coisa mais comum, aí acontece no Congresso, acontece tudo que é canto agora off coletivo, mas enfim. Então, eh ali é um momento em que se dão recados, né, e e imagens são projetadas. É por isso que eu falei, olha, pode não ter sido armada a foto da gargalhada, mas que eh o o a exibição ontem foi calculada, >> ficar parado naquele naquele lugar ali que era justamente o único lugar onde poderia ser, >> onde a lente alcança, né? Exatamente. >> Ninguém aqui vai dizer em quem você deve votar.

¶25Na verdade, aqui centro, esquerda e direita, todos têm espaço, mas nas próximas semanas muita gente vai tentar dizer em quem você deve votar. Então, como não se perder em meio a tanta notícia, promessas vazias e fragmentação de conteúdos? Ele 2026. A escolha pode ser o seu material de apoio para escolher quem vai assumir a presidência do país. O documentário [música] parte dos cinco principais candidatos, quem são o que fizeram até aqui.

¶26Mas eleição não se explica só por candidato. O filme também olha pro país que o próximo presidente vai encontrar. Já tá no streaming do meio com outras produções originais que trazem base para votar sabendo exatamente os motivos. [música] Assina no meio premium. Assiste agora.

¶27>> [música]