a tese
Numa live conjunta, os católicos Lucca Almeida e Matheus Fugita comentam a conversão de Joe Schmid pelos milagres: acham teologicamente legítima e dão graças por ela, mas alertam que apoiar a fé no peso dos milagres e das revelações privadas é frágil, e que Schmid está afobado ao já querer virar apologeta católico contra protestantes e ortodoxos.
aprofundar
talvez
A primeira metade é um bom termômetro católico brasileiro do caso Schmid, com a distinção pública/privada bem posta e crítica pertinente ao peso excessivo nos milagres; a segunda metade é publicidade do Liceu e conversa de bastidor, de baixo retorno. Vale como panorama da recepção, não como argumento.
O que foi dito
- Lucca explica a distinção católica entre revelação pública (do anúncio do anjo a Maria até a morte do apóstolo João, obrigatória a todos) e revelação privada (aparições marianas reconhecidas não obrigam a fé nem a devoção); diz-se pessoalmente cético quanto a revelações privadas, o que torna surpreendente para ele a conversão de Schmid por essa via.
- Ambos concedem que a conversão é real e legítima (“olha as lives dele antes e depois, é um convertido”), e Lucca, protestante para a plateia mas de simpatia católica declarada na conversa, diz dar graças pela migração de um ateu/agnóstico ao catolicismo por vê-lo “mais perto de Cristo”.
- Leem a virada como “tapa na cara” da Divina Providência: esperava-se de Schmid uma conversão hiper-racionalista (reformulação das cinco vias), e ele se converte estudando as chagas do Padre Pio, num modo de operar cristológico que trabalha no fracasso humano.
- Crítica central (C): Schmid põe peso demais nos milagres e suspende juízo sobre as próprias objeções antigas (problema do mal, inferno eterno, conduta sexual/LGBT) sem refutá-las; se um único milagre daquele conjunto se mostrar falso, o receio é pelo efeito sobre o resto da fé; ele deveria primeiro voltar e responder às próprias posições anteriores.
- Alertam que enfrentar o ateísmo filosófico moderno (onde Schmid foi formado, filosofia analítica, “caso cumulativo” com força multiplicativa dos indícios) é coisa distinta de entrar nas controvérsias escolásticas medievais católico-protestante-ortodoxo; preveem que ele seguirá a linha do tomismo analítico (à la Rob Koons/Pruss) e não a escolástica reformada, e que precisará de uma “reeducação” filosófica demorada.
- Fazem autocrítica ao apologeta neófito que já quer canal de combate, defendem humildade e “temor a Deus” intelectual, e observam que títulos tipo “o argumento que calou o catolicismo” costumam ser bait.
- Digressão longa (mais da metade da live): Lucca faz jabá do seu Liceu, curso de filosofia tradicional espelhado no currículo do Thomas Aquinas College (Porfírio, Órganon de Aristóteles, física, De Anima, ética, política, metafísica, método socrático, tomismo de Laval), da especialização em Aristóteles e do programa de teologia Parabelum (Agostinho, Atanásio, João Damasceno); anuncia também uma imersão futura sobre ocultamento divino e o argumento de Schellenberg, a propósito de uma polêmica de David Ribeiro com Victor Hélios.
- Registro descontraído de live pequena (comemoram bater 101 espectadores, brincadeiras com a plateia e com “Seu Madruga”), com pouca densidade argumentativa na segunda metade.