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A história do primeiro título mundial do Brasil | Meio de Campo

¶1Nasce uma potência no futebol. O primeiro título do Brasil em 58 desmoralizou o racismo, elevou Pelé a condição de rei do futebol, mostrou garrincha pro mundo e deixou um legado impressionante na história do futebol brasileiro. O episódio de hoje do meio de campo é sobre a Copa de 1958. Vem com a gente. [música] Bom dia, boa tarde, boa noite.

¶2Eu sou Ideelber. Este é o meio de campo futebol e sua história. Hoje a gente vai dar sequência à nossa série sobre Copas do Mundo com o primeiro título do Brasil. A Copa muito importante de 58, muito mal compreendida em vários aspectos. Vamos tratar deles aqui.

¶3O papo hoje é Pelega Rincha. né, Diego? >> É isso aí, Delber. Beleza, pessoal? Bom dia, boa tarde, boa noite a todo mundo que nos acompanha aqui.

¶4Eh, um só um recado, né, Delber? Antes da gente começar a falar sobre a Copa de 58, o a gente precisa avisar o pess a todo mundo que nos acompanha que a gente vai dar uma pequena pausa nos nossos pods, né? Eh, durante o período das eleições, seja o primeiro turno ou se for necessário o segundo turno, o canal do meio vai est totalmente dedicado a cobrir as eleições, né? Um evento importantíssimo, como todo mundo sabe, né? Então, por conta disso, o nosso podcast aqui do meio de campo vai dar uma pequena pausa, mas depois do segundo turno a gente tá de volta.

¶5E para marcar esse último programa antes do dessa pequena pausa, a gente resolveu voltar a falar de Copa do Mundo. Escolhemos o a Copa de 58, nosso primeiro título, um timaço que marcou história, como o Idelber já falou na abertura, né? Eh, vou começar a falar rapidamente do da escolha da SED. A Suécia foi eh uma candidata sem opositores, ficou definido ah logo antes na no Congresso da FIFA que aconteceu no Rio de Janeiro, logo antes da Copa de 50 e não houve outros candidatos. A Argentina tinha eh apresentado vontade também o Chile, mas ninguém apresentou candidatura oficial, então com isso, a Suécia foi escolhida.

¶6Eh, foi uma etapa qualificatória, umas eliminatórias com que disputaram 55 países de distribuídos pelos vários continentes. E tem uma história interessante geopolítica que vale a pena mencionar, é relativa à seleção de Israel. Israel jogava numa numa chave que envolvia times da África, eh, da Ásia e também até da Oceania. E todo mundo se recusou a eh jogar contra Israel. Eram todas seleções muçulmanas, né?

¶7Então, primeiro eh haveria um jogo contra a Turquia. A Turquia eh desistiu, Israel foi avançando, depois passou a jogar contra o Egito. O Egito também desistiu, Israel avançou de fase e depois tinha um jogo contra a Indonésia. A Indonésia também muçulmana também desistiu. Israel ia se classificar pra Copa sem disputar nenhuma partida.

¶8Aí a FIFA resolveu >> também, né? >> O Sudão também erã. >> O Sudão também ia jogar com Israel, ou seja, ninguém Israel. Exato. Então, a FIFA inventou uma disputa que não tava programada de antemão com uma das seleções europeias que ficaram em segundo lugar no grupo, porque eh foram nove vagas paraas seleções europeias e os nove vencedores de grupos ah se classificaram.

¶9E eh, curiosamente, não foi um critério de melhor campanha ou coisa do gênero, mas foi um sorteio entre os nove vice colocados e o país de Gales foi sorteado e jogou contra Israel eh Tela Avivida 2 a 0, venceu por 2 a 0 e depois venceu também em card por 2 a 0. E com isso o Gales classificou pra Copa, inclusive vai passar pelo caminho do Brasil, não é isso, Delber? Eh, só para finalizar, os times que participaram, eh, 16 equipes, quatro equipes não europeias, três da América do Sul, Brasil, Argentina e Paraguai, que se classificou com uma goleada surpreendente de 5 a 0 em cima do do Uruguai, né? e eh além dos três sul-americanos também o México. E na os 12 europeus, né, eh incluindo Gales, dos qual já já falei, Suécia, que era sede, e a Alemanha ocidental, que era então campeã, e mais os outros nove classificados.

¶10eh incluía quatro países da Europa Ocidental. Então, Inglaterra, não, desculpa, eh França, Alemanha, eh Áustria e Suécia, né? quatro países da Europa, eh, do Leste. Eh, [roncando] Rússia, União Soviética, no caso, jogou contra o Brasil, eh, Yugoslávia, Hungria e, Tchoslováquia e quatro países das ilhas britânicas. Essa foi a única ocasião em que os quatro Home Nations participaram ah ao mesmo tempo da Copa, Inglaterra, Escócia, país de Gales e Irlanda do Norte.

¶11E aí vamos falar um pouquinho, destacar, começar talvez falando de um jogo que é histórico, né, Delber? Pra história do futebol dos nossos vizinhos aqui, os nossos irmanos no futebol argentino. Não sei se eh você prefere começar pela Argentina. Vamos, vamos depois a gente >> Argentina vamos >> parte pro Brasil. Então, a Argentina leva um 6 a 1 da Checoslováquia no na última partida do grupo A.

¶12O grupo contava com a Alemanha. Eh, Irlandão do Norte, Argentina e Ichoslováquia. A Argentina havia perdido pra Alemanha na estreia, mas a Alemanha era campeã do mundo, né? E depois vencido a Irlanda no Norte. Então, chega nessa partida com toda a chance de classificação.

¶13Vai lembrar que os jogos, nesse caso, eram todos eh aconteciam ao mesmo tempo, mas leva um 6 a 1 da Checoslováquia. Um jogo que ficou marc marcou a história do futebol argentino. A Checoslováquia não era um time ruim, né? 4 anos depois vai ser vice-campeã contra o Brasil. Mas marcou a diferença, o quanto aquele período de isolamento durante toda a década de 50 tinha feito mal pro futebol argentino.

¶14E eles foram jogar a Copa eh tendo vencido a Copa América, na verdade ainda se chamava sul-americano, né? No ano anterior, em 57. Então, achando que estavam bem, mas levaram um time muito envelhecido para essa copa, né, Idel? Um time que ainda tinha gente da máquina do Rível, Labruna, por exemplo, com 39 anos, né? E aí [roncando] leva esse >> leva essa traulitada que é muito marcante pra história do futebol argentino.

¶15Talvez seja o jogo mais importante na história, digamos, pré Copa Libertadores, eh, da história pré-anno 60, eh, de toda a o primeiro século de futebol argentino. Esse é o jogo mais importante. Esse é o jogo que muda tudo pros argentinos. Eles, como você disse, eles levam uma traulitada da da Alemanha ocidental por 3 a 1, mas eles ainda, digamos, sentem que podem se classificar naquele grupo, que podem fazer um bom papel. Eles jogam contra a Irlanda do Norte, isso é pouco sabido, eles vencem a Irlanda do Norte eh, meio que na bacia das almas.

¶16Eh, o jogo foi 3 a 1. Pera aí, deixa eu só confirmar que foi 3 a 1 mesmo. Exatamente. Ele foi 3 a 1, mas o primeiro tempo terminou empatado em 1 a 1. A Irlanda do Norte teve ocasiões de de vencer o jogo no segundo tempo.

¶17Eh, um jogador da Irlanda do Norte se refere ao time argentino como uma série de gordinhos que ficavam dando tchau para meninas da arquibancada, [risadas] que era uma espécie de choque cultural muito relevante e muito instrutivo para quem ainda acredita em isolacionismo, né? Ah, como nós sabemos, a Argentina não participa da Copa de 38, naquele boicote sul-americano da competição. Eles não participam da Copa de 50 no Brasil, não participam do Sul-Americano de 49 no Brasil, boicotam também o Sul-Americano de 53, boicotam a Copa de 54 e quando chegam na Copa de 58, a memória que eles têm do futebol argentino, a memória que o futebol argentino tem de si mesmo é a da máquina do River dos anos 40, né? alguns [roncando] jogadores, como você diz, alguns jogadores ainda estavam lá. Eh, o Labruna, por exemplo, foi a Copa.

¶18Eh, mas acontece nesse período aí um dado importante que é eh que eles ganham o Sul-Americano de 57. O Brasil com Pelé e tudo e tal. O Brasil jogando completinho, tentando vencer, levando a sério, apanha de 3 a 0 da Argentina. Então, a autopercepção que eles tinham não era um completo delírio, né? Eles tinham vencido com muita autoridade o Sul-Americano de eh 57, mas só que entre o Sul-Americano de 57 e a Copa de 58, eles perdem vários jogadores pra Itália.

¶19O grande Sivori, por exemplo, jogou o Sul-Americano de 57. E em 58 já tava na Itália, Anreligo, vários jogadores, são três jogadores importantes daquele time que ganha o Sul-Americano de 57, que vão pra Itália. O Cívor inclusive joga a Copa de 62 pela Itália, né? Então eles vencem a Irlanda do Norte meio >> eram os três atacantes, só um comentário, era eram justamente o o Maskio Religídio e o Sivor, é os três atacantes e foram substituídos pelo Luno, >> né? Pode tocar.

¶20E aí, eh, eles vão enfrentar a Checoslováquia e aí levam uma goleada assim impiedosa. Eh, eles não estavam acostumados com aquela marcação de pressão na saída de bola, que ali já é uma uma operação incipiente no futebol, né? Não é o que seria a pressão do dos anos 70 da Holanda, mas já tem ali um os europeus jogando um futebol com uma velocidade desconhecida para eles. O grande goleiro deles, os Carrisso, tem uma partida lamentável. Ele engole um par de frangos e a Argentina volta para casa com esse 6 a 1 nas costas.

¶21Os jogadores são recebidos com tomates, eh, ovos, eles são hostilizados durante anos, né? E o que acontece é que em reação a isso se desenvolve nos anos 60 a escola do antifall, que é a escola >> é só um um comentário sobre a recepção da seleção, né? Eh, o técnico pediu demissão, obviamente depois desse jogo, só que o técnico era ninguém mais nada menos do que o Guigermo Stabil e que era técnico da seleção desde 1939, então o cara tava lá 50 anos, ah, 20 anos, né? Quase 20 anos. E aí >> sim, artilheiro da Copa de 30, né?

¶22>> Exatamente. Sim. O >> o Stabil, que era o artilheiro da Copa de 30. O mais incrível é que o STB ele voltaria a ser técnico da Argentina na Copa de 66, né? Quer dizer, eh um período então em que a Argentina cai na real, eh a política isolacionista imposta pelo peronismo, é necessário dizer, né?

¶23Uma política imposta pela liderança política do país, eh, se revela um fracasso absoluto. O Brasil é exatamente o contrário da Argentina. O Brasil faz uma excursão paraa Europa em 1956, apanha da Inglaterra. Esse jogo está disponível, é o jogo mais antigo da seleção brasileira que está disponível na íntegra. é esse amistoso.

¶24Brasil perde 4 a 2 paraa Inglaterra em Wembley. E o Newton Santos tem o pesadelo de partida da vida dele. Ele é completamente dominado pelo Stanley Matthews, que naquele momento já era quase quarentão, né? O Brasil leva um baile e ali o Brasil começa a entender que eh havia que se consolidar mesmo um tipo de marcação que contivesse quatro jogadores na última linha e que permitisse um zagueiro na sobra e que permitisse a marcação de espaços em vez da marcação individual homem a homem, que era a regra para todo mundo que jogava no WM. Essa é a primeira coisa, então, que eu acho que a gente tem que destacar muito.

¶25A gente vai falar da genialidade de Pelega Rincha, mas é muito mal compreendida a função da inovação tática nessa conquista. O Brasil chega à Copa de 58 com um arranjo tático que o mundo não conhecia. A Hungria já tava saindo do WM. fazendo uma linha de quatro um pouco diferente da brasileira, marcando também de uma forma que não era homem a homem, mas eh o Brasil é quem inova taticamente, né? >> É, Delba.

¶26Inclusive, a gente já fez um episódio sobre isso, né? A invenção da linha de quatro, vale a pena o pessoal voltar lá nossa na nossa playlist para assistir. E isso vinha sendo desenvolvido por vários clubes brasileiros ao longo da década de 50, né? né? Falamos sobre tudo isso no nosso episódio, mas [limpando a garganta] na seleção realmente é a partir desse dessa excursão que o Feola realmente percebe essa necessidade, né?

¶27[roncando] [limpando a garganta] >> É, o Feola vai ser efetivado o técnico da seleção em 58, né? Em fevereiro de 58. Tem aí entre uma coisa e outra, isso, tem aí entre uma coisa e outra, um título muito importante do São Paulo >> que os são paulinos da velha guarda prezam muito, que é o Campeonato Paulista de 1957, conquistado pelo São Paulo, eh, com o Bella Gutman na direção. Então, o Feola, que já havia levado o São Paulo a títulos no final da década de 40, eh, trabalhou ali como assistente do do Bella Gutman. E essa ponte Brasil, Hungria, é essencial paraa conquista de 58.

¶28Antes de falar da genialidade de Pelegarrincha, mais um detalhe que a genialidade de Pel Garrincha com frequência ofusca, que é a o extremo profissionalismo da preparação da seleção brasileira. O Brasil manda o seu médico Hélio Goslin paraa Suécia um ano antes. O Brasil visita mais de 20 possibilidades de sede para escolher a mais ah adequada. Diz a lenda [limpando a garganta] que o Brasil interferiu na no personel do hotel eh para eliminar as mulheres. Eh, brutal.

¶29Inclusive essa história, né? eliminar as mulheres recepcionistas e camareiras do hotel, colocar um personal só de homens para não ter distrações pros jogadores. Conta também a lenda que o Brasil tentou fechar um clube de nudismo que havia ali perto e não conseguiu. Mas de qualquer forma, a preparação da seleção brasileira é meticulosa. Eh, Paulo Machado de Carvalho, paulista, chefe da delegação, monta um plano com 95 itens de preparação.

¶30O Brasil leva, pela primeira vez a uma Copa do Mundo, uma equipe com psicólogo, tesoureiro, dentista, preparador físico, fisioterapeuta, médico, enfim, é um aparato muito profissional. de preparação que o Brasil mobiliza, né? E aí agora a gente pode falar então do da genialidade delegar. Vamos, eu acho que é super importante destacar isso que você falou, o quanto o extracampo, né, foi fundamental para construir aquele time, mas o time ele foi se montando aos poucos, né, Delb? Então, agora vamos falar de futebol, do time que jogou, né?

¶31Tem o time vai sofrendo muitas mudanças ao longo do campeonato, né? Então, por exemplo, e no primeiro jogo, o Brasil vence com facilidade a Áustria, 3 a 0. Aliás, vale notar que o grupo do Brasil era muito difícil, né? Áustria, Inglaterra e União Soviética, um grupo da morte, né? >> Eh, e o ataque do Brasil nesse primeiro jogo era basicamente o ataque do Flamengo, né?

¶32Quer dizer, eh, o Joel na ponta direita, o Dida como ponta de lanç, o Zagalo na ponta esquerda. A única diferença era o Mazola e do Palmeiras, né? ou depois vai se chamar o fine como centroavante. E aos poucos esses esses jogadores vão mudando também. o o Zito, né, entra a partir da terceira partida no meio de campo.

¶33O Vavá já tinha entrado [roncando] >> eh o Vavá no lugar do Mazola e no 0 a 0 com a Inglaterra o segundo jogo. Então é nessa terceira partida, o Brasil vence a União Soviética por 2 a 0, que entra o Zito no meio de campo, eh, Garrincha na ponta direita e Pelé como ponta de lança. E essa partida durante, primeiro tem aquela famosa anedota, né, que o Feola estaria estaria dando instruções pro Garrincha antes do jogo começar. Ah, você tem que fazer isso, faça aquilo. E o Garrincha retruca.

¶34Tudo bem, professor, mas o senhor combinou isso com os russos, né? Eh, e mas eh o Feola combinou com o pessoal na preleção que, ó, vamos entrar e vamos já atacar desde o início, vamos pegar os russos despreparados, os russos que eram atuais campeões olímpicos, um futebol ainda um tanto misterioso pro Ocidente, né, mas é tido como muito eh temível, né? Então o Feola quer surpreendê-los e pede para que todo mundo ataque desde o início. E aí acontecem aqueles que foram chamados de durante um tempo, né, os melhores 3 minutos de um jogo de futebol da história, né, Garrincha, >> isso >> entra arrasador. Com menos de um minuto, ele já driblou três soviéticos e chutou uma bola na trave que o Yashi não conseguiu ver nem a sombra.

¶35Um minuto depois ele dribla mais um e dá um passe pro Pelé. O Pelé chuta eh eh, e acerta o travessão, né? E aos 3 minutos, numa enfiada do, acho que foi do Zito, se não me engano, né? O Vavá infiltra do Didi, >> Didi, >> o Vavá se infiltra e faz 1 a 0, né? E aí o Brasil já depois só vai ampliar no segundo tempo, mas aquele ímpeto inicial realmente foi o que construiu a magia da seleção brasileira, não é isso?

¶36>> É. E tem uma bola na trave do Garrincha também. Tem além da bola na trave no do Pelé, do Garrincha no primeiro minuto. Primeiros, >> é, >> tem nesses primeiros três minutos uma bola na trave >> do Garrincha. Eh, a mudança, só para registrar, o Vavá entra no segundo jogo, como você diz, eh, no lugar do Dida, né?

¶37O Dida era o centroavante, não no lugar do Mazola. A Mazola continua jogando o segundo jogo. >> Sim. >> Eh, e o Mazola sai no terceiro, né, pra entrada do Pelé. Tem muita lenda sobre como como foram feit por como e por foram feitas essas mudanças, né?

¶38Tem uma reunião ali dos líderes do grupo, Newton Santos, Didi, acho que especialmente Newton Santos e Didi, eh, com o Feola, o Pelé não tinha jogado os dois primeiros jogos porque ele tava contundido, então estava mais ou menos prevista, né, a volta do Pelé, mas [roncando] o Garrincha e o Zito não. Eh, o Garrincha especialmente era uma polêmica, o Joel era um excelente ponta direita e tal. Entra o Garrincha, estraçalha com a União Soviética. Eh, esse jogo fica lendário, talvez o jogo mais lendário da história do futebol entre aqueles que nós não temos vídeo, né? Nós não temos vídeo desse jogo, temos flashes aí, temos os dois gols, temos uma ou outra jogada do Garrincha.

¶39Essa bola na trave do Garrincha tem em vídeo também, mas é quase nada que a gente tem do jogo. Pelo que a gente sabe, o Brasil sobrou e 2 a 0 ficou barato pra União Soviética, que tinha nesse momento o melhor goleiro do mundo, né, Levin melhor goleiro eh da história do futebol até aquele momento, sem dúvida, né? Pois bem, vamos passar então para [limpando a garganta] alguns jogos decisivos que envolvem outras seleções na primeira fase de que eu quero mencionar antes da gente entrar pro mata-mata da Copa. Beleza? >> Beleza.

¶40>> A Inglaterra, >> a Inglaterra e a Irlanda do Norte caem, mas eles caem nos play-offs, eles ficam empatados em segundo lugar do grupo. Não existia naquele momento, já não existia o Go Average, né? Era uma partida extra. A União Soviética derrota a Inglaterra por 1 a 0. Eh, Gales, perdão, Gales joga play-offs eh contra a Hungria e vence, né?

¶41Vence por 2 a 1. Eh, a Escócia não, a Escócia fica longe e a Irlanda do Norte também fica de fora eh da do mata a mata. A Inglaterra só fica de fora perdendo pra União Soviética, né? De 1 a 0. A Inglaterra, há que se mencionar que ela vem muito debilitada para essa Copa por causa do acidente de Munique, né?

¶42O Manchester United era a base da seleção inglesa, eles perdem vários jogadores. Eh, perdem [roncando] o técnico Busby. >> É, quando a gente compara a escalação da da Inglaterra em 56, naquele jogo contra o Brasil e o jogo de 58, 0 a 0, os times são bem diferentes de fato, né? Isso é. E tem uma galera que morreu nesse período, né?

¶43Famoso acidente de Munique em que um avião ah que transportava a seleção inglesa não ganha altitude suficiente e bate em um prédio já logo na decolagem >> do Manchester United. É, desculpe, que conduzia o Manchester United. Inclusive o Bob Calton está nesse voo, ele é um dos poucos que sobrevivem e ficaria marcado assim, né? por esse evento. O Brasil então passa com essa vitória vaçaladora sobre a União Soviética e vai jogar contra Gales.

¶44E aí acontece talvez, Diego, o que a gente possa chamar de gol mais importante da carreira do Pelé, né? É o gol mais importante da carreira do Pelé, ele eh o Brasil com dificuldades para penetrar o ferrolho de Gales. A gente também não tem esse jogo. Os relatos são de que o Brasil bombardeava Gales de tudo quanto era jeito, mas a bola não entrava. E aí, eh, uma levantadinha, né, uma puxetazinha em cima da bola, dá uma espécie de um chapéu em cima do da perna do adversário, né?

¶45Não é um chapéu completo. Ele dá um chapeuzinho por cima da da perna do Galês e completa meio de bico, meio desajeitado, assim, a bola não tava quicando ali para ele na na posição certa, mas ela entra. O Brasil vence esse jogo por 1 a 0. era o jogo mais difícil da Copa entre os que valem realmente e passa para a semifinal em que ele enfrenta a França. E aí na França e a Suécia são jogos que tem algumas características que vale a pena mencionar.

¶46Bom, os dois terminam 5 a do, né? São os dois jogos que a gente pode ver na íntegra. Esses dois talvez tenham sido os jogos antigos que eu vi mais vezes na vida. Eu recomendo para todo mundo que veja, tanto para ver a arte, a beleza, o funcionamento daquele time, como para ver certas coisas que podem desmistificar uma visão romantizada do passado também, né? Por exemplo, você vê várias situações em que o Garrincha é desarmado na na final contra a Suécia.

¶47que o Brasil vence por 5 a 2, o Brasil leva o primeiro gol, né? Eh, de até 1966, todas as vitórias em finais de Copas do Mundo foram de virada, né? Só em 70 que o Brasil corta essa essa sequência. Pois bem, o Brasil leva aquele gol e imediatamente tem uma cena muito histórica do Didi carregando a bola vagarosamente debaixo do braço, levando a bola pro círculo central e imediatamente ele lança o Garrincha e o Garrincha dribla e bate e a bola bate na rede pelo lado de fora. Mas assim, o Brasil tem uma resposta imediata ao gol e já se sabe que vai ser por ali.

¶48O Brasil joga o primeiro tempo inteiro pelo lado direito. O Brasil herda taticamente uma outra característica dos times da diagonal, né, que era a estrutura meio torta. O Brasil é um time eminentemente torto. Eu não estou dizendo que o Brasil não atacava pela esquerda, ele atacava às vezes pela esquerda, mas o ponta esquerda recuava, o Zagalo recuava. É, né?

¶49424 limpinho, puro, nunca existiu. Já no nascimento do 424 tem um ponta esquerda que recua e que compõe ali com o Zito e com o Didi, enquanto que Garrincha, Vavá e Pelé são realmente os três atacantes atacantes, né? são os três que estão atacando o tempo todo. O Brasil ataca sistematicamente pelo lado direito e o Garrincha é desarmado várias vezes. É importante ver isso porque não significa retirar a genialidade dele, apenas entendê-la no seu contexto histórico, né?

¶50Porque às vezes a turma fala como se ele passasse todas as vezes. Não, ele não passava nem 50% das vezes. Pelo que a gente tem de vídeo das copas, que é o o único material videográfico que a gente tem. Nós não temos nenhum jogo completo do Garrincha pelo Botafogo. Nesse jogo contra a Suécia, ele passa finalmente depois da terceira, quarta tentativa, ele passa e quando ele passa é gol.

¶51Tem essa, né? Quando ele passa é gol. Ou é gol, ou é bola na trave, ou é uma defesa espetacular do goleiro. Ele passa uma vez, cruza Vavá completa. Isso 5 minutos depois do Brasil levar o gol.

¶52Eh, e aí cozinha-se o jogo, mais uma meia horinha e no final do primeiro tempo, o Brasil faz outro gol que é idêntico ao primeiro. Quando você vê os gols desse jogo em sequência, você, muita gente tem a sensação de que o segundo gol não é segundo gol, de que é uma reprise do primeiro, porque eles são idênticos. Garrincha corta para fora, passa pelo zagueiro, bate o zagueiro no drible e cruza e Vavá completa. Detalhes da comparação entre as diferentes épocas do futebol é que você pode, por exemplo, dizer: "Não, Garrincha hoje ele também passaria várias vezes." O problema é que hoje o custo de perder a bola é muito mais alto, né? Você, se você perder a bola a quantidade de vezes que ele perdia hoje, você não tem chance de virar o jogo, né?

¶53Eh, então, só para situar, digamos, né? eh essa questão do drible, da genialidade para situá-la historicamente. [roncando] >> É um comentário rápido, Delber, que é também no sentido de desmistificar no jogo da semifinal, eh, o Brasil também vence por 5 a 2, tem os golaços de Pelé também dando chapéu dentro da área, mas eh desde os 30 minutos do primeiro tempo, o Brasil joga contra 10 jogadores, né? o zagueiro central da França, o Jque, eh, se machuca e naquele tempo não havia substituição, né? Então, o jogo tá 1 a um.

¶54Quando isso acontece, a partir dali o Brasil deslancha, faz 5 a 1 e só no final a França vai diminuir um pouquinho para 5 a do. O Jonqu ele era do Ham, que era o Stad Ham, que hoje em dia tá na segunda divisão, mas que era o time dominante na época e que também tinha os dois principais jogadores franceses, né? o Copá e o Justo Fontain, [roncando] que aliás vale só um comentário rápido sobre os dois, porque o pessoal gosta de a pensar que eh seleção francesa com jogadores de origem eh estrangeira, né, é novidade. E esses dois, né, o Copá era nascido na França mais de paz polones e, aliás, fazia parte do nesse momento aí daquele timaço do Real Madrid, né? ganhou três eh campeonatos europeus com o Real Madrid [roncando] e o eh Fontan havia nascido em Marrake, né?

¶55Então havia nascido no Marrocos. Então já a multicult o multiculturalismo na seleção francesa é algo que já vem de longa data, não é novidade desse século não, né? É isso. >> Exato. Exato.

¶56Eh, é uma boa lembrança esse time da França histórico. O Fontain até hoje artilheiro máximo de uma Copa do Mundo, né? Com 13 gols. >> 13 gols. É.

¶57>> E é e ele marca época. Outro detalhe interessante sobre a final, a sensação que a gente tem é que é um jogo extremamente limpo, né? A a Copa de 58 ela é bem diferente da Copa de 62 nesse aspecto, né? Na Copa de 62 a gente vê muita violência, ah, entradas duras, maldosas. Tem, a gente fez um episódio sobre a Copa de 62, quem quiser ir lá conferir, a gente fala extensamente de um jogo entre Itália e Chile, que é um dos mais violentos da história do do futebol.

¶58Tem soco, pontapé, tem violência de qualquer tipo que você queira ver. Eh, mas a Copa de 58 não, ela é uma Copa bem jogada no fair play. Inclusive, na final, tem um momento em que eh um jogador da da Suécia acidentalmente chuta a cabeça do do Orlando, zagueiro brasileiro, chuta ou raspa chuteira na na na cabeça do Orlando, ele ele fica grog e e os suecos imediatamente se mobilizam para atendê-lo e os brasileiros fazem questão de dizer que entenderam que aquilo era acidental. Eh, é uma copa bastante limpa, né? do ponto de vista do jogo jogado, o o que não quer dizer que não tenha havido alguns jogos tensos.

¶59E eu acho que dos mais tensos foi a semifinal entre Suécia e Alemanha Ocidental, que a Suécia vence de 3 a 1, de virada, mas é um jogo com muita tensão. Havia havido declarações de um chanceler alemão em 1954 que deixaram os suecos eh p da vida. A memória da Segunda Guerra Mundial, evidentemente, não desapareceu. A Alemanha carrega esse fardo e dá para ver que a Suécia que joga contra a Alemanha é uma Suécia bem diferente da que joga contra o Brasil, apesar de ser os mesmos jogadores. Eles chegam na final contra o Brasil realmente com o espírito de dar junto com o Brasil um espetáculo, né?

¶60E porque o jogo que eles queriam realmente ganhar, eles já tinham ganhado. É 3 a 1. Ah, tem uma polêmica anterior ao jogo, porque a Suécia ameaça não ceder a os ingressos para paraa parte da comitiva visitante. O Alemanha ameaça tirar o time da competição. Tem uma tensão forte ali entre Suécia e Alemanha.

¶61O Brasil tem nesse jogo contra a França, eu acho, um também um dos seus marcos assim históricos, né? Tem o hat trick do Pelé, né? O Pelé faz três gols nesse jogo contra a França. E aí realmente você vê o moleque sendo alçado à condição de rei do futebol. Vale a pena lembrar, os cracudos de futebol sabem disso, mas nem todo mundo sabe.

¶62O jogador eleito craque da Copa de 58 não é Pelé e não é Garrincha, é o Didi, né? O Didi é essencial. Ali você vê nos dois jogos que nós temos, dá para ver a maestria na regência do meio de campo, apesar de que, é preciso dizer isso também pra galera não começar a idealizar demais, que havia muito erro de passe, né? Errava passe, mas o Brasil recuperava a bola imediatamente depois, né? A perda da posse.

¶63Isso é o que mais me chamou atenção, eu acho, preparando esse episódio, assim, como aumentou o custo da perda da bola, né? Não dá para perder a bola quantidade de vezes que se perdia nos anos 50, porque nos anos 50 você com um time talentoso e forte, bem armado, bem postado como era o Brasil, você recuperava a bola rapidamente, né? você não era punido tão violentamente assim, eh, quando perdia a bola no meio de campo ou na ponta, etc. Então, é mais ou menos essa a história, né? Importante a gente assinalar a genialidade desses jogadores.

¶64Outro detalhe importante sobre o time do Brasil que a gente não mencionou ainda, tem uma outra mudança que acontece imediatamente antes da final. O lateral direito que joga a competição inteira é o Deord. >> Lateral do Paul. Vamos aproveitar e Delber e fazer um campinho. Vamos, vamos escalar o time que joga final, já que você vai falar do >> É, exatamente.

¶65O time que joga final, então, é esse, 1 4 2 4 que, como a gente com frequência enfatiza aqui, nunca existiu em forma pura, sempre tem um atacante voltando. Então, a gente bota a setinha aí no Zagalo para mostrar que o movimento dele também inclui retroceder. O Brasil joga final com Gilmar de Jalma Santos, que é eleito o melhor lateral direito da Copa, tendo jogado uma partida. E é realmente uma partida soberba do do Dijalma Santos. você vê que ele sabe tudo o que ele precisa fazer a cada momento, assim, aquele aquela bola que que o ponta esquerda eh tá coçando ele, ele ele usa o espaço do campo para retroceder e ganhar espaço para lançar a bola adiante.

¶66a antecipação, a forma como ele acionava o garrincha, a forma como ele batia os laterais. Para quem acha que o lateral batido forte à distância, mandando a bola pro meio da área, foi uma invenção do Stoke, tá errado. O Stoke, time inglês, popularizou essa estratégia, né, depois de muito tempo. Mas ali com Dijalma Santos você já vê o lateral no lateral do lado direito da do campo ofensivo do Brasil. É perigo de gol.

¶67Perigo de gol. Dijma Santos manda a bola lá no meio da pequena área. Eh, jogador fundamental de novo. Ele só joga a final. Ele não é parte daquela leva que entra no terceiro jogo contra a União Soviética, não.

¶68O Deord continua sendo lateral. De Santos só entra na final. A defesa se completa com Belini, Orlando e Newton Santos. Zito e Didi, Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo. [roncando] É essa formação que joga a final.

¶69Lembrando que especialmente na final, o Brasil é um time que privilegia muito o ataque pela direita. Ele também ataca pela esquerda, mas ele ataca pela esquerda surpreendendo o adversário ocasionalmente. O Newton Santos desce ou o Zagalo avança um pouco ou o Vavá cai por ali. E o Brasil eh tem essa potência do lado direito em que os adversários ficam estonteados, eles ficam inventando formas de tentar parar o Garrincha. Tem um marcando, tem um na sobra.

¶70Eh, tem tentativas de antecipação que não dão certo. Eh, ele é parado com falta várias vezes e ele passa várias vezes, né? Ele passa várias vezes no jogo contra a Suécia. Isso é absolutamente decisivo. É ele que vira o jogo, né?

¶71O Vavá só completa a bola pro gol vazio. Não tô tirando o mérito do Vavá, mas a bola vem perfeita para ele dentro da pequena área com o goleiro já batido, né? O Garrin já fez a jogada inteira. E claro, acho que é bom a gente ir encaminhando o final falar do Pelé, né? O Pelé nesse momento, ele é reconhecido como um grande jogador, né?

¶72Mas ele não é a grande estrela do futebol brasileiro, né? O futebol brasileiro naquele momento tem outras grandes estrelas, né? O próprio Garrincha era mais uma estrela do que o Pelé, já era um jogador, né, que tava jogando desde 53 no Botafogo. Ele tinha muito mais história, o Didi tinha muito mais história, Newton Santos, o Zizinho, que não foi a essa Copa, claro, eles eram jogadores de maior dimensão do que o Pelé, né? O Pelé com 17 anos, a Copa é no meio do ano.

¶73Pelé nasceu em outubro, eh, ele ainda não tinha completado 18. Ele explode. E uma das jogadas incríveis da final, para quem quiser assistir a final, é a bola na trave que o Pelé manda de canhota quando o Brasil tá perdendo de 1 a 0. O Brasil leva o gol, imediatamente o Didi manda a bola para Garrincha. Garrincha vai à linha de fundo e acerta a rede pelo lado de fora.

¶74E na jogada seguinte, o Pelé acerta um tirambaço da intermediária de canhota e a bola explode na trave. Ali você vê pela feição dos jogadores que eles estão absolutamente tranquilos, que a virada é uma questão de tempo, né? E aí coroa-se realmente nesses três jogos, especialmente Gales, França e Suécia. Coroa se Pelé como rei do futebol, um jogador completo, né? é um jogador completo.

¶75Você bate de esquerda, bate de direita, dribla curto, dribla longo, tem arrancada, tem a a as infiltrações pelas pontas, tem as infiltrações pelo meio, tem gol de cabeça, tem gol de placa, tem gol de voleio, tem, enfim, é um repertório que nunca se tinha visto ali até então. Eh, uma tem uma declaração do, eu não sei se é do Fontain, do Copá, que diz que ali ele viu que tinha que pendurar as chuteiras. Acho que foi o Fontainin, né? O Fen diz: "Ah, ali eu senti que eu tinha que pendurar as chuteiras e a cena talvez mais emblemática seja aquela bonita de ele chorando no peito do Gilmar, não é isso? O Brasil ainda tem o requente de fazer a falta olímpica com a bandeira da Suécia, né?

¶76Ali firma-se uma amizade, né? né? A Suécia apanhou várias vezes do Brasil em Copas do Mundo, mas nunca teve nenhuma animosidade contra o Brasil. Pelo contrário, o Brasil é muito querido, né, futebolisticamente na Suécia e o Brasil ali agradece a esportividade da Suécia. Enfim, foi um foi perfeito, né?

¶77E inventa-se o gesto de levantar a taça acima da cabeça. Foi o Belini que inventou. dizem que meio que por uma contingência ali do fotógrafo que queria um ângulo melhor e tal e eh termina a Copa, termina o complexo de viraatas, não termina o racismo no futebol, mas o racismo no futebol recebe uma desmoralizada tremenda, né? Porque claro, é importante ressaltar que os jogadores que saíram a deram lugar a três afro-brasileiros, né? Pelega, Rinzito entram no terceiro jogo, estraçalham o time da União Soviética e aquela ladaainha racista sobre ah jogadores negros tremerem na hora da decisão, etc., vai pro espaço, inaugura-se ali para o Brasil e para a Argentina, como como nós vimos, eh, um outro período no futebol, né?

¶78[roncando] >> Maravilha. Eu acho que realmente é uma Copa que, eh, começou uma nova era, né? A década de 60 foi de domínio amplíssimo da seleção brasileira, culminando em 70. E Delber, vamos fechar por aqui. Eh, lembrando ao pessoal, a gente vai dar uma pequena pausa aí nos nossos podcasts até o final das eleições, mas estaremos de volta, não desistimos, né?

¶79Então, por favor, deixa o seu like, eh compartilha o nosso podcast com todo mundo que você [roncando] eh achar que vale a pena. Deixa seu comentário, vamos falar sobre a seleção de 58 aí embaixo e em breve voltamos, não é isso, Delber? É isso. Terminando o segundo turno, podemos já ficar combinados na sexta-feira posterior ao segundo turno das eleições, o com o pessoal do meio mais tranquilo, respirando depois dessa trabalheira toda, a gente volta com o meio de campo. Até breve.

¶80Você tá cansado, né, dessa disputa que parece ficar só entre dois lados. Mas e se eu te contasse que o Brasil que chega às urnas é muito mais complexo do que isso? Bom, o meio existe para quem quer fugir da polarização, [música] do extremismo e formar a própria opinião. Aqui a gente apura, ouve diferentes perspectivas, faz as perguntas que precisam ser feitas [música] e coloca os fatos em contexto, sem transformar discordância em guerra. >> [música] >> É esse olhar que atravessa tudo que fazemos, das notícias do dia às entrevistas, das análises profundas às pesquisas [música] e as nossas produções originais no streaming.

¶81Porque nosso trabalho não é simplificar o Brasil para caber em lados, é dar você mais elementos para enxergá-lo [música] por inteiro e formar o seu próprio juízo de valor. Com a assinatura premium, você acessa a edição de sábado, meio político, a pesquisa meio ideia e o streaming completo. [música] Se esse é o tipo de jornalismo que você procura, assina o meio premium. Ah. >> [música] >> Ah.