Radar

radar · Outros

Joe Schmid’s Catholic Conversion: What Happened to His Skepticism?

a tese

Sheng Tsai (Mindful Living), ateu ex-cristão, usa a conversão de Joe Schmid como estudo de caso da fragilidade da razão sob viés: compara os padrões intelectuais de Schmid antes e depois e argumenta que ele baixou a régua epistêmica, aplicando ceticismo seletivo aos milagres católicos e, pior, submetendo o próprio intelecto ao magistério de um modo que se torna infalsificável.

aprofundar

sim

É a crítica mais rigorosa e melhor construída do lote, e a única que engaja o texto bíblico (Dt 13, Mt 7, Mt 24, 2Co 11, At 16) contra o teste "pelos frutos", além de expor com fontes os exageros no caso Padre Pio. O ponto sobre o modelo de ocultamento divino tornar o sistema infalsificável e a tensão com a submissão ao magistério são material de primeira para o Bruno, mesmo vindo de um ateu.

O que foi dito

  • Abre citando o “Joe antigo” de “The Majesty of Reason” (amor à verdade, perseverança intelectual, rejeição ao tribalismo e ao raciocínio motivado) e diz assinar embaixo dessa postura cética; o problema não é a conversão em si, mas a mudança de método.
  • Aponta o duplo padrão em Zeitoun: a aparição ocorreu sobre uma igreja copta ortodoxa e não falou nada doutrinário; pelo próprio critério de Schmid (milagre “no contexto católico” vindica o catolicismo), Zeitoun deveria vindicar a ortodoxia copta, não Roma; até o católico Cameron Bertuzzi admite que a aparição não traz enunciado doutrinário.
  • Mostra a assimetria: Schmid tem três explicações para milagres fora do catolicismo (naturalismo, compaixão divina sem vindicar a doutrina, ação demoníaca), mas não considera a explicação “compaixão” nem “demônio” quando o milagre é conveniente ao catolicismo, preenchendo as lacunas doutrinárias a favor de Roma.
  • Crítica exegética ao teste “pelos frutos” (Mateus 7:15-20): o texto trata de reconhecer falsos profetas, não de autenticar milagres; Deuteronômio 13 manda rejeitar o profeta mesmo que faça sinal genuíno, se levar a outro deus; Mateus 24:24 e 2 Coríntios 11:14-15 dizem que sinais impressionantes podem vir de espíritos enganadores; Atos 16 mostra espírito imundo dizendo verdade sobre Paulo. Logo, milagres não são autoautenticadores, e a doutrina precisa ser estabelecida antes, não depois.
  • Duplo padrão dos frutos aplicado à moral: Schmid usa a poligamia de Joseph Smith contra o mormonismo, mas ele e Trent Horn/Ethan Muse não deixam os escândalos de abuso sexual e acobertamento da Igreja Católica contarem como “mau fruto” contra os milagres católicos.
  • Desmonta em detalhe o caso Padre Pio, que Schmid diz tê-lo convencido intelectualmente (conversa de 4h com Ethan Muse): (a) a mensagem “uno-te à minha paixão” nada tem de distintivamente católico; (b) não se sabe historicamente se os cravos foram nas palmas ou nos punhos, então os estigmas reproduzem a iconografia tradicional, não as feridas reais; (c) Schmid transformou o testemunho do Padre Benedetto (diretor espiritual, não médico) em testemunho médico; (d) dos “sete cientistas”, só três (Romanelli, Bignami, Festa) fizeram exame substancial, e seus laudos divergem sobre profundidade (perfuração completa vs. lesões superficiais) e causa (Bignami suspeitou de condição patológica mantida com iodo, dado que Schmid omite); fotos provam marcas, não origem sobrenatural.
  • Vira contra Schmid as palavras dele: em 2025, ainda agnóstico, ele dissera à química católica Stacy Trasancos que os milagres eucarísticos católicos estão “infestados de distorções, exageros e omissões convenientes” que minam a credibilidade dos apologetas; o locutor pergunta o que mudou metodologicamente.
  • Ataca a exigência de “submeter o intelecto ao magistério”: isso cria fechamento epistêmico (uma vez que qualquer conflito é reclassificado como erro do próprio raciocínio, a crença fica infalsificável e a obrigação passa de buscar a verdade para conformar-se a Roma), e nota a autocontradição com o modelo de ocultamento divino do próprio Schmid (Deus “afinaria” a evidência deixando anomalias e aparentes erros para preservar a possibilidade de dúvida), que torna o sistema autoselante: evidência a favor conta, evidência contra é “o que se esperava”.
  • Aponta a assimetria evangelística: a submissão total só funciona se muçulmanos, protestantes e ateus não fizerem o mesmo com suas autoridades; e lembra que o Joe agnóstico criticava Bertuzzi por ignorar a “incerteza de ordem superior”, exatamente o que ele agora abandona.
  • Especula (com cautela declarada) sobre a causa: vídeos devocionais de santos que o fizeram “chorar”, experiências quase-religiosas (“você poderia ser um santo”), atração magnética emocional interpretada como ação de Deus, com a régua da evidência caindo depois; encerra com apelo metacognitivo (separe “a história me comove” de “a história é verdadeira”) e anuncia um próximo vídeo sobre a submissão da intuição moral a Roma.

Mais de Sheng Tsai (Mindful Living)

2 no radar
27/09When Morality Becomes Obedience | Joe Schmid Responseaprofundar: sim