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When Morality Becomes Obedience | Joe Schmid Response

a tese

Segundo vídeo de Sheng Tsai sobre a conversão de Joe Schmid ao catolicismo, agora não sobre a evidência dos milagres e sim sobre a entrega do juízo moral a Roma. Tsai sustenta que o método de Schmid é assimétrico (a intuição moral vale como evidência contra o mormonismo, mas é desqualificada como "intelecto obscurecido pelo pecado" quando pesa contra o catolicismo) e que o resultado prático é trocar moralidade por obediência.

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Duas coisas rendem para o Bruno: o argumento de assimetria metodológica (intuição moral como evidência admissível contra o outro e inadmissível contra o próprio sistema) é transferível para qualquer apologética de autoridade, e a discussão de Romanos 5:12 e de Atos 17 põe na mesa a autoridade da leitura pessoal da Escritura, que é o nervo do caso Schmid.

O que foi dito

  • Tsai abre registrando que Schmid respondeu ao primeiro vídeo, reconheceu que certas formulações das entrevistas foram imprecisas, corrigiu-se publicamente e o convidou para uma cerveja; ele lê isso como sinal de que o rigor antigo continua ali, e diz explicitamente que não quer atacar o caráter de Schmid nem torcer por um retorno ao agnosticismo, apenas que ele preserve o rigor que tornava seu trabalho valioso.
  • O núcleo da crítica é o salto: Tsai concede que a repulsa moral a uma doutrina não deve contaminar a avaliação da evidência empírica do milagre (o caso da perna que volta a crescer, o milagre de Calanda, que ele considera desmontado por Matt Dillahunty), mas nega que essa concessão obrigue a submeter o juízo moral à doutrina supostamente autenticada; entre “algo extraordinário aconteceu” e “submeta seu intelecto” faltam três passos que Schmid não estabelece: que Deus causou, que Deus pretendia vindicar aquela autoridade, e que entendemos corretamente o que foi endossado.
  • A assimetria do teste dos frutos é o achado central: diante de Joseph Smith (poligamia, mentira, pedra de vidência, o sacrifício de um cordeiro), Schmid usa livremente o juízo moral como evidência contra a origem divina do fenômeno e a favor da hipótese demoníaca; diante do catolicismo (inferno eterno, homossexualidade), inverte e usa a evidência do milagre para desqualificar o juízo moral pelos efeitos noéticos do pecado original e pessoal. Tsai contrapõe Sansão, cuja força é atribuída repetidamente ao Espírito do Senhor apesar das prostitutas e da vingança, e Davi, adúltero e mandante da morte de Urias, sem que nenhum cristão conclua origem demoníaca: falha moral grave, por si, não decide a fonte do sobrenatural, e Schmid precisa dizer qual é a diferença relevante.
  • Circularidade epistêmica: Schmid usa longamente o próprio intelecto para julgar testemunho histórico, probabilidade, explicações concorrentes e exatamente quais doutrinas cada milagre confirma, e só depois de chegar a Roma passa a descontar esse mesmo intelecto quando ele objeta. Na formulação de Tsai, o intelecto quebrado é confiável o bastante para levar você a Roma, mas, uma vez dentro, as objeções a Roma são explicadas por Roma.
  • Nota exegética sobre o pecado original, que Schmid invoca como se fosse dado bíblico óbvio: Agostinho trabalha com a leitura latina “in quo omnes peccaverunt” (“naquele em quem todos pecaram”) em Romanos 5:12, enquanto ἐφ’ ᾧ πάντες ἥμαρτον se traduz mais naturalmente por “porque todos pecaram”; somado à evolução, que Schmid aceita, e ao problema de quem foi Adão numa população ancestral, a doutrina é construção teológica que exige argumento, não premissa que se cite para explicar as intuições contrárias.
  • O “limite de ponto fixo” de Schmid (submeter-se a tudo, exceto ao que seria tão absurdo que nos empurraria ao ceticismo radical, do tipo “1+1=12” ou “torturar bebês por diversão”) fica sem critério independente: Tsai cobra qual parte do exemplo faz o trabalho (o fato de serem bebês, a tortura, o caráter recreativo?), nota que mórmons e muçulmanos traçariam a linha em outro lugar (a Trindade como “1+1+1=1”), e observa que um demônio enganador jamais ensinaria algo tão grosseiro, de modo que o teste é inoperante justamente contra o caso que deveria cobrir.
  • Aplicação reversa do método: Deuteronômio 13 é usado como teste do falso profeta, mas os versículos 8 a 10 mandam matar quem conduz a outro deus, e isso desaparece da conversa apologética (Schmid, Trent Horn, Cameron Bertuzzi); a mesma cobrança vale para as ordens de extermínio cananeu, com a defesa de William Lane Craig de que a morte prematura das crianças foi “tremenda bênção” para elas. Se “torture bebês por diversão” desqualifica uma revelação, Tsai pergunta por que “mate todas as crianças desta população” fica confortavelmente abaixo da linha.
  • Incoerência ética percebida: o Deus bíblico pode ordenar a morte de crianças por um propósito maior que não compreendemos, mas a deontologia absoluta católica torna a masturbação ilícita sob qualquer circunstância, “mesmo que salvasse arbitrariamente muitas vidas”; Tsai diz com franqueza que essa combinação lhe parece um sistema ético incoerente e que essa parte da série produz nele o efeito oposto ao pretendido.
  • Lourdes e o problema do mal: 72 curas oficialmente reconhecidas em mais de 160 anos, contra mais de 7 mil casos levados ao escritório médico, é numerador sem denominador, sem taxa-base de remissão espontânea para comparação, e a seletividade extrema encaixa melhor num deus limitado (poderosíssimo, moderadamente bom) do que no Deus onipotente e perfeitamente bom. Tsai insiste que os milagres, no máximo, evidenciam alguma agência sobrenatural, não a onibenevolência, e lembra que Schmid admite a Trent Horn que o problema do mal nunca foi resolvido, apenas teve a força evidencial “amassada” pela evidência miraculosa.
  • O ponto mais duro é a teodiceia da omissão, de Brian Cutter e Philip Swenson (grafia incerta), que Schmid chama de artigo excelente e cuja versão angélica diz preferir: Deus delegou a agentes morais não humanos (anjos, ou alienígenas) a condução benevolente da evolução, eles livremente omitiram o papel, e Deus se abstém de intervir para que eles continuem sendo genuínos “difference makers”, com valor relacional acumulável por toda a eternidade. Tsai objeta que isso não combina com Gênesis 1 (Deus cria, ordena e chama de bom), que os agentes são postulados não por evidência independente mas para proteger a bondade divina, que a estrutura reproduz o impulso gnóstico de interpor seres inferiores entre o deus supremo e um mundo defectivo, que Schmid atribui os resultados bons da evolução à providência e os maus aos anjos, que a onisciência implica Deus saber de antemão que eles falhariam (o que anula o apelo aos bens que “poderiam” ter surgido), que os animais pagam a conta da liberdade de terceiros, e que o céu desmonta o argumento: se liberdade significativa exige possibilidade real de falha catastrófica, ela deveria persistir lá.
  • Réplica ao argumento do “mini papa”: se o modelo protestante é defeituoso por exigir do camponês iletrado grego, hebraico e a solução de disputas hermenêuticas centenárias, o modelo dos milagres não é epistemicamente mais simples, já que o milagre eucarístico de Buenos Aires depende de microscopia, histologia, preservação, cadeia de custódia e confiança em peritos e instituições; além disso Schmid recorre à Escritura (Deuteronômio, Mateus 16 e 18, João 21) para fundamentar o princípio de que o cristão comum não deve confiar na própria leitura da Escritura, e Atos 17 elogia os bereanos precisamente por conferirem a pregação de Paulo. Há ainda a oscilação: a clareza dos milagres é invocada para autenticar Roma, e a ambiguidade deles é invocada como ocultamento divino quando se pergunta por que a autenticação não é mais clara.
  • Fecho, endereçado a Schmid: quando a pergunta decisiva deixa de ser “o que exatamente há de errado nisto, quem é prejudicado” e passa a ser “a Igreja proíbe, é matéria grave, isso me põe em pecado mortal”, moralidade virou obediência. Tsai cita a retirada de vídeos antigos, justificada por Schmid não por invalidade dos argumentos mas por defenderem coisas que ele hoje tem por gravemente erradas (comparadas por ele a manter online conteúdo que advoga matar pessoas não brancas), discute Maria Goretti e Alessandro Serenelli para perguntar por que Deus usaria um sonho depois do crime e não antes, e conclui que prefere viver com incerteza e responder pelo próprio juízo a ganhar certeza entregando-o.

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