Resposta islâmica de longa duração ao caso católico de Joe Schmid, centrada em negar que a "hipótese jinn" seja apenas o "demônio" cristão trocado de nome e em virar contra Joe o próprio critério dele: se milagres e testemunho contam, o Islã venceria a comparação. O anfitrião do canal Incisive Thoughts e os convidados (Islam Hakim, o "irmão Rafi/Raja" e outro participante) tratam a conversão de Joe ao catolicismo como fruto de ignorância sobre o Islã, não de argumento.
talvez
É o lado islâmico do caso Schmid que o Bruno acompanha e vale como registro do contra-ataque, mas é apologética longa, repetitiva e retórica ("water spray", "subhan Allah" a cada fala), com pouca substância filosófica nova além da distinção jinn/demônio e da crítica ao critério testemunhal.
O que foi dito
- O bloco de abertura defende o milagre linguístico do Alcorão: a poesia árabe era o ápice intelectual da Arábia, o desafio de imitar o Alcorão nunca foi vencido, e Joe teria que ou dominar o árabe e a poesia clássica ou deferir aos especialistas, sob pena de inconsistência com o próprio padrão dele (analogia com a equação de Dirac como beleza “intersubjetiva”, não subjetiva).
- Somam a isso a estrutura anelar do texto, a revelação fora de ordem cronológica e as profecias como categorias adicionais de milagre corânico.
- Respondem à frase de Joe de que “o Islã e o judaísmo sofrem de escassez de sinais impressionantes”: no Islã um milagre só vindica quando ligado a um profeta, e como não há profeta depois de Maomé, fenômenos sobrenaturais aparentes não contam como vindicação; Paulo é chamado de “o falso profeta mais bem-sucedido” que o Shaytan produziu.
- Alegam mais de mil milagres de Maomé no corpus de hadith (citam Al-Bayhaqi, Ibn Kathir), embora reconheçam que a prova padrão da profecia é o próprio Alcorão.
- Atacam a fonte que Joe usa contra o Islã (a playlist do canal “Testify”): comparam a trazer um terraplanista para ensinar cosmologia, e dizem que Joe sabe que a fonte é fraca e ainda assim a usa.
- Desmontam dois argumentos apologéticos cristãos clássicos (o de Deus “cortar a aorta” de um falso profeta e o veneno recebido por Maomé) acusando-os de depender de tradução inglesa mal-feita; insistem que as línguas semíticas têm sistema morfológico analisável, ao contrário das indo-europeias, e que Joe não estudou isso.
- Sustentam que a ciência do hadith (o isnad, cadeia de transmissão) é mais rigorosa que a base testemunhal cristã: pelo padrão islâmico, nem os evangelhos nem Josefo nem Tácito passariam, e “não haveria uma linha em vermelho” na Bíblia.
- No teste dos frutos, agrupam Joseph Smith e Maomé só para separá-los: dizem que o teste pressupõe uma teologia, e que Maomé, pelo monoteísmo puro, pelo caráter e pelo “maior sucesso da história” (invocam o ranking de Michael Hart, que põe Maomé acima de Jesus), passaria de forma incomparável.
- Fazem uma digressão longa alegando que Tomás de Aquino depende das ciências islâmicas (Aristóteles chega via comentadores árabes/persas), chamam sua reputação de “stolen valor”, dizem que o kalam de William Lane Craig é uma versão ruim do original e que Al-Ghazali já tratara do colapso modal.
- O núcleo filosófico contra Joe: jinn não é demônio com outro nome. No Islã anjos obedecem a Deus sem exceção, os jinn é que têm intelecto, vida longa e capacidade de agir e enganar; Iblis era jinn, não anjo caído; anjos e jinn são parte da ordem natural (o “não-visto”), não do sobrenatural, de modo que a metafísica islâmica seria “mais limpa” e não permite simplesmente substituir “demônio” por “jinn”.
- Contrastam as teodiceias católicas, vistas como ad hoc acumulados pelos Padres e pelo magistério com “espaço de manobra”, com o Islã, onde os escolásticos só esclareceriam o que já está no Alcorão e na Sunna e “têm pavor” de atribuir a Deus o que Ele não atribuiu a si mesmo.
- Fecham comparando as aparições marianas e Fátima a fenômenos OVNI (a “onda belga” de 1989-1991, os arquivos de Fátima, Jacques Vallée), apoiando-se em clipes do próprio Joe que reconhece o paralelo entre aparições e UAP, e em tom de “convite de boa fé” pedem que Joe estude o Islã tão a fundo quanto estudou o catolicismo.