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A nova era do GPT | Pedro+Cora

¶1Cora, Rona, de que falaremos hoje, hein, Pedro? E Cora das novidades do chat EPT que anda aprontando também, né, de novo. >> Tem chattem voz nova e vocês não sabem o que que ele me aprontou. >> [música] >> Cara, dia semana, né, de notícias intensas no mundo da Open AI. >> Eu só no mundo da Open Ai.

¶2Temos GPT6, >> temos GPT6. >> Ainda não apareceu para mim, mas é aquela coisa, tá começando a aparecer. Temos mais uma invasão de agentes autônomos da Open Ai, dessa vez num site alemão. E tem vozes novas. >> Tem vozes novas >> portug em português.

¶3Olha, >> você anda conversando. >> Deixa eu te dizer [limpando a garganta] uma coisa, é muito gozado porque eu não atentei pro fato que havia uma versão nova. E [roncando] essa semana eu fiquei, eu sempre converso muito com ele e eu percebi que a voz estava mais esperta, que ela respondia melhor. Não havia pausas, era uma conversa entre duas pessoas, talvez com aspas numa das pessoas que não sou eu. [risadas] Mas assim, ele rindo e aí diz: "Ah, eu tô rindo porque não sei quê".

¶4Sabe uma coisa inteiramente descontraída, mas muito focado, rápido. Agora as vozes tem sotaque. >> Que sotaque? >> E eu percebi um sotaque americano ou inglês de De qualquer maneira. Que coisa interessante.

¶5>> É, as principais me pareceram ter um sobretudo a que eu uso, porque é engraçado, para mim o chat PT é um é homem. Para você ele é homem ou mulher? >> E mulher. >> Será que isso é os opostos se atraem? Isso >> eu não sei se os opostos se atraem.

¶6Eh, a Lia prefere mulher também. >> É, >> é. Eu tem uma voz que eu simpatizei feminina, mas eu eu tenho conversado tanto com ele como se ele fosse um rapaz que eu acho que eu já acostumei. >> Uhum. >> Porque eu achava achei que a voz que tava mais bem resolvida quando eu procurei pela primeira vez era uma voz masculina.

¶7É, eu não >> eu perguntei porque que ele tem sotaque e ele me disse que é porque ainda não foram resolvidos todos os problemas do inglês, né, do da Mas eu não sei onde entra o inglês nessa história, porque se você faz um sintetizador de voz, teoricamente você não tá ligado a uma outra língua, tá? Mas é inglês ou ou o que você tá sentindo na verdade é o R retroflexo? Aquele R de interior? >> Não, é inglês. É inglês.

¶8>> É inglês. >> É um sotaque inglês, >> né? Que coisa >> fraquinho lá longe. Mas estou. >> Que coisa interessante.

¶9Que coisa interessante. É, deve ter uma uma regulação ali para para inglês mais do que para português mesmo. >> Talvez os técnicos que tenham trabalhado, >> talvez eu >> sejam angloparlante, sei lá. >> É, eu não eu não saberia dizer. GPT6.

¶10Eh, tá começando a se espalhar. >> Olha, outra coisa, GPT6, esquece a coisa das vozes. Coisa das vozes foi uma coisa. A outra coisa é que eu acho que ele tá muito mais direto. Ele não tem medo de te contrariar.

¶11>> Ah, interessante. >> Ele era mais puxa-sco primeiro. Ele começou sendo muito puxa-saco. >> Aham. >> Aí houve aquela >> revolta geral.

¶12>> Revolta chamar de revolta geral. É exagero. Mas enfim. os usuários perceberam, começaram a ficar contrariados. Isso foi reduzido e agora foi reduzido mais ainda.

¶13De modo que uma coisa que você não tinha antes, ele não te não te dizia nada no imperativo, né? Compre isso, faça aquilo. >> E agora diz, >> agora diz, >> olha só, >> agora diz. Eu consulto ele muito para perfume, como eu já te falei. >> Sim, >> porque tem uma quantidade de perfumes novos.

¶14Eu detesto experimentar perfume em loja e eu pergunto para ele desses perfumes novos, qual que eu vou gostar? E o que que ele acha desse ou daquele para mim? E ele antes ficava que sabe, talvez considerando. Agora não. Agora ele diz compra já imediatamente, o preço tá ótimo.

¶15Ou ele diz nem pensa em comprar isso. >> Hum. >> Assim na lata. >> Que qual é a natureza das conversas que você tem com ele quando por voz? Perfume.

¶16>> Perfume. >> E >> mas tem alguma circunstância em particular que você prefere conversar por voz em vez de digitar? >> Quando são coisas lightes, quando são coisas sem importância. >> Entendi. >> Então o perfume é típico, porque em geral eu converso isso quando eu tô fazendo outras coisas.

¶17Tô na cozinha ou tô arrumando a casa ou fazendo qualquer coisa, eu troco uma ideia. Entendi. >> Porque eu não posso digitar. Às vezes faço umas perguntas também sobre os gatos, porque eu tô com vários gatos doente e não tenho coragem de ligar toda hora pro veterinário, coitado, que é um santo. Então, várias coisas eu pergunto para ele, tipo, ó, a rata vomitou.

¶18Ele sabe quem é a rata. Ele sabe que o problema da rata é renal. >> Aham. Então eu isso eu eu não as coisas mais sérias das doenças dos gatos, porque aí eu quero por escrito, porque que raciocinar, sei lá, chega um exame, o meu veterinário diz o que que é, eu jogo o exame no chat de aptilsçar aquele troço, que que significa isso, aquilo, não sei quê. Então isso eu não faço no chat, mas o chat são essas coisas do cotidiano também.

¶19Já já pedi para ele uma receita. >> Uhum. porque eu tinha umas coisas em casa e digo, "Eu tô com isso aqui, o que que eu faço?" E ele me disse: >> "É, eu sabe que eu eu eu ouço muito podcast quando eu tô lavando louça e cozinhando no fim de semana. Eu eu talvez devesse eu talvez devesse botar o fone e bater um papo com ele. É muito interessante.

¶20Não é nada complicado, porque eu não acredito muito em conversar coisas muito complicadas. >> Aham. >> Com chat EPT. Mas essa coisa muito simples, a coisa dos perfumes é sensacional. >> É, >> vinhos deve ser outra coisa, porque vinho é exatamente igual a perfume, né?

¶21Os malucos do vinho são iguais. Então tem tanino, tem isso, tem aquilo. Esse é melhor do que aquele. >> Claro. É, eu ando quando eu quero fugir do mundo, eu tenho gostado de fugir do mundo.

¶22>> Aham. Por que será? [risadas] >> Ai, o homem. Eh, eu eu tenho andado muito pela idade do bronze e [limpando a garganta] >> e e eu acho que >> talvez eu possa ter uma boa conversa com o chat de PT sobre a idade do Bronze. >> Você vai ter uma conversa muito muito boa.

¶23>> E eu acho que eu vou aprender coisas. >> Você já leu o livro do Eric Kleine, naturalmente, né? >> Qual é o livro da >> 1177? >> Ah, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim. Eh, tem um debate a respeito de se a o ano tá correto ou não.

¶24O >> o ano, evidentemente, é um uma abstração, porque ninguém quer >> essa e essa precisão, né? Mas segundo ele, eu tava assistindo uma entrevista dele eh esses dias, esses dias, esses meses recentes, eh ele andou uns 5 anos convencidos de que o livro é recente, 2010, 2011, >> livro, o livro é muito recente. >> Ele andou uns 5 anos, logo depois do livro, convencido de que ele tinha posto o ano errado na [risadas] capa. Mas mais recentemente ele se convenceu de que não, o ano tá certo, >> eh, que é o ano da chegada dos povos do mar no Egito, né? Eh, >> esses the Sea People, como fala no Odisseia do Christopher N, >> que tá inspirado, evidentemente no Eric Klein.

¶25>> Sim, sim, sim, sim, sim. É, olha, >> os povos do mar é uma coisa que desde o século XIX se fala muito, né, sobre esse >> Vamos elogiar a internet, né? Por que o que tem de palestra boa no YouTube? >> Ah, Cora, é, é espetacular. Eu assisto, eu assisto cada vez mais aula e palestra no YouTube.

¶26>> Você pega os melhores professores, os professores mais carismáticos. É espetacular. Adoro. >> Eu eu acho uma coisa tão sensacional porque, ok, a gente pode ler os livros, mas é diferente a dinâmica. Claro, claro, claro.

¶27>> Eu tenho a palestra do Eric Eric Klein tem uma palestra sobre a idade do bronze que viralizou, etc. que a palestra, a palestra básica daí que é o resumo do livro é absolutamente fenomenal, porque >> ele é tão carismático. Aí tem aquele outro professor que fala sobre escrita comforme. >> Ah, você sabe que eu tô seguindo um um cara no Instagram que faz réplicas de tábuas com escrita Cforme. Enquanto ele vai escrevendo em Cuneforme, ele vai contando a história do que que tá escrito ali.

¶28É, é uma conta no Instagram de um cara que é um especialista em cuneforme >> e não, isso aqui é uma pessoa que mandou uma carta pra mulher, tal, e aí é espetacular. >> Será que o povo da espionagem pensou nisso em vez de criar aqueles códigos todos? Por que que não se mandam as mensagens de Cuneiforme, por exemplo? Porque >> é uma escrita complexa, >> extremamente complexa, >> permite a você dizer o que quiser. >> É, é, é.

¶29>> Hieroglifos egípcios são um pouco menos precisos, mas o Cforme é muito acurado, >> é >> muito rico. >> É, [risadas] >> olha, [roncando] mas não é >> a gente tá fugindo do do assunto. >> Mas não, mas é internet. Estamos falando da internet. Tem mais um que eu quero te dizer.

¶30É, >> tem um cara que [limpando a garganta] une duas coisas que a gente adora, que é história e comida e ele prepara os pratos históricos. >> Ah, que espetáculo essa conta eu não conheço. >> É, >> é YouTube ou >> é YouTube. Eu eu vou, a gente bota o link depois porque é ristor cooking history, alguma coisa assim. Ele ele tem milhares de seguidores e ele prepara os pratos.

¶31No outro dia na no lançamento do Odisseia, ele fez um jantar com o que as pessoas comeriam. Você sabe que uma vez eu eu fiz uma loucura dessas em casa. Eu eu preparei, eu não lembro isso tem muitos anos, mas eu preparei um almoço romano. Horrível. >> Ah, que legal.

¶32>> É horrível. Ele faz isso todo. >> É salgado. >> É porque você põe aquele garum, né? [roncando] É que deve ter um cheiro de anchovo, evidentemente >> é que é um é uma coisa de peixe salgado que eu eh eh que eles usavam para preservar a carne.

¶33É ruim, é ruim. >> Mas esse esse camarada é muito bem articulado, muito bem informado e muito bom cozinheiro. >> É, >> ele ele encontra os ingredientes mais parecidos. Aí ele cozinha o que se comia na corte de Luís XV ou o que que se comia na no campo de batalha no Estados Unidos durante a guerra civil. >> Muito bom.

¶34>> Aqui ali, quer dizer, o repertório dele é muito variado. >> Muito bom. Muito bom. >> Muito interessante. Depois eu vou a gente põe o link e você vê.

¶35Você vai adorar. >> GPT6. >> Ah, né? Chat PT6. Vamos voltar.

¶36Eu fico empolgada porque eu adoro essas o o ZPT6 ele eh ele é inferior ao Fable Cora. >> Ah, >> parece que ele é melhor com agentes em fazer coisas de forma autônoma, mas como inteligência inferior ao Fable. É curioso que a Open AI não tenha conseguido ainda botar uma I superior ao Fable da do o cloud fable, né? Eu acho. E no entanto, eles estão chamando de eh GPT6 Astra.

¶37>> Mas pera aí, ele é inferior em que sentido? >> Em termos de capacidade de inteligência, de análise, ele é superior na automação de processos. Se você manda ele fazer uma série de tarefas, ele é superior ao Fable. Mas se você precisa que ele analise informação e te dê respostas em relação à aquela informação, ela é inferior ou faor? >> Que coisa estranha, né?

¶38>> É, são são qualidades distintas de uma inteligência artificial, né? >> E e também dependem do que que a gente quer da inteligência artificial. Agora eu eu vou te falar uma coisa. Eh, >> eu tenho um eu eu eu dou palestra, né? Eh, tem uma coisa de burocracia que eu acho absolutamente insuportável, que é emitindo ata fiscal.

¶39Ah, eu também odeio. Odeio. >> Aí tem um momento ali do início do mês que eu tenho que emitir pro Globo, pra CBN, pras palestras que eu dei. Eh, Cara, é o meu Cláudio que faz isso agora. Olha, eu >> ele ele emite a nota fiscal, ele pega o PDF e ainda manda por e-mail ou por WhatsApp para quem cabe.

¶40>> Isso é fenomenal, né? Eu já tive um adianto na minha vida, porque eu no começo do ano eu tenho que mandar recibos pro Globo. Eu cheguei a ficar um mês sem receber. Eu também já passei por isso, >> porque quando chega, eles esperam até março, mas em março eles começam a ficar nervosos e eles cortam o pagamento porque descaceta toda a contabilidade deles, o fato de não ter os recibos, enfim, aí você corre e faz o recibo. >> Claro.

¶41>> Então isso me aconteceu já, esse trauma aí a Marisa manda um bilhete, ó, não é possível. [risadas] Ora, pois >> e esse ano o que que eu fiz? Eu dei para ele os recibos e eu digo, faça isso aqui de acordo com o ano de 2026, observando todas as quintas-feiras e tal. Ele fez, é claro que eu conferi, porque essas coisas a gente confere, mas eu mandei no prazo. Foi assim espantoso.

¶42>> É, [roncando] não é? É, é espetacular. E e e ela >> conta bancária. Te falei que no outro dia eu votei porque eu tinha que refazer os meus perfis nos nas coisas da previdência, porque eles sempre querem saber se você é conservador, se você é >> Aham. é valente ou se você que você quer do teu futuro.

¶43Enfim, são as perguntas muito complicadas para responder, porque eu não sei, eu tô, eu quero que meu dinheiro não morra, que renda, etc. Mas, né? E pedi para ele fazer, fez muito bem. Eu eu mandei o as coisas do Será que esquecíos aquelas análises? Eu não sei mexer com banco, cara.

¶44Você já viu, né? Eu não sei nem >> cora, mas eu também não sei >> nem os termos usados e >> e e hoje a minha contabilidade toda é o cloud que faz. Eh, eu tenho um trabalho mensal que é gerar todo o início de mês o o o extrato, o arquivo de extrato da das minhas da minhas duas contas correntes e dos cartões de crédito. Eu gero, mando pro cloud, ele atualiza tudo e e ele tá acompanhando minha agenda de palestras marcadas. Então ele vai dizendo: "Olha, você tá com problema de um buraco daqui a 4 meses".

¶45Eh, eh, você tá, ele, ele faz uma previsão eh eh muito bacana. Eh, para mim >> agora me fala desse negócio da invasão. >> Ah, pois é. A invasão, a invasão é mais uma invasão feita pel por agentes da Open AI, sem que a Open AI soubesse. A gente tá gravando na sexta-feira eh esse programa de terça.

¶46A Opene Aida não confirma sequer nega que tenha havido uma invasão, mas a gente já tinha visto uma invasão que eles não acompanharam daquela empresa eh Huging Face. Agora há algumas semanas, >> isso, isso agora é uma evasão de um site chamado DS Wiki, que é uma tipo uma espécie de Wikipédia alemã feita para desenvolvedores de sistemas. Agora, olha aqui o que que é bizarro. Eh, por que que por que que um um agentes iriam invadir uma um um uma wik, né, uma enciclopédia digital eh voltada para desenvolvedores? Bem, a gente, cada gente tem um problema para resolver.

¶47Um tem que fazer um programa X, outro tem que eh descobrir onde tá a vulnerabilidade do sistema Y. Os agentes tem cada um, >> o outro tem que fazer a contabilidade do Pedro. >> O outro tem que fazer a contabilidade do Pedro, tudo mais, tal. Então, o que uma série de agentes começaram a fazer é entraram nessa wik e começaram a escrever artigos uns pros outros explicando como que eles fazem. Maravilhoso.

¶48>> É, eles estavam se comunicando [risadas] entre si e documentando como é que resolve. Olha, eu tive missão tal, eu tive que resolver desse jeito, eu encontrei tal solução, documentar, escrevi o artigo, não sei quantos artigos mantificados. >> [roncando] >> Eh, veja, a os donos lá dessa wik descobriram, dizem que os traços são de agentes da Open AI. A openi, a Rit deu essa história, a OpenI ainda não confirma que foi, >> mas como é que eles chegaram à conclusão que eram agentes >> por conta por conta parece que eles deixam uma determinada marca de origem, né? um endereço de origem e o endereço de origem teria características de agentes da Open AI.

¶49Eh, eu eu não sei quais são os detalhes técnicos de como eles descobriram. Eles acham que é Open AI. A openi não nega, porém não confirma. >> Gente, isso é muito engraçado, >> mas se a gente parar para pensar, não tem graça nenhuma, hein? Eh, Quara, o lance é o seguinte, eles estão entre nós.

¶50>> Eles estão entre nós. >> Por outro lado, eu vou te dizer uma coisa. O que que é um agente descontrolado da Openea diante de um ministro Moraes? [suspirando] Eu não vou aceitar sua provocação. >> Vamos falar do livro.

¶51>> Vamos falar de livro. >> É, vamos de Não vamos tocar nesse assunto. >> É isso. >> Medonho. >> Isso.

¶52É isso. É isso. >> Ó, eu trouxe um livro ótimo pra gente. >> Que bom. >> Excelente.

¶53>> Eurotrash. >> Eurotras de Christian Kart. Acho que é assim que se Christian Craft, >> mas isso não é nada em comparação com o nome da tradutora >> que é Gisele Eberspcker, >> alemães. >> Epaker, não sei. O suíços alemães, quer dizer, >> Suíços, >> o esse Cristian Craft é um é uma pessoa que a gente não conhecia aqui no Brasil.

¶54Eu pelo menos nunca tinha lido nada dele, mas é um escritor muito popular na Europa. O, e essa história aqui é sensacional. E você sabe o que que é Eurotrax? O que que é essa gí Eurotra? Acho que não.

¶55Eu já ouvi, mas eu não sei o que. O >> Eurotras é aquele europeu rico que que circula com muito dinheiro para cá e para lá, se julgando superior a todo mundo. >> É, entendi. >> É como o White Trash. É que o Trash é o americano pobre, ignorante.

¶56>> É, é verdade. É, não, o Eurotras é rico. >> Entendi. >> O Eurotrax é rico e arrogante. >> Entendi.

¶57>> Enfim, é um europeu. >> Eu acho até um pouco redundante, mas tô falando isso voz baixa para ninguém se ofender se tiver algum europeu na casa. Mas enfim, é isso. >> Nem todo europeu é arrogante agora. >> É de que tem uns que não são.

¶58Ouvi dizer [risadas] alguém, alguém. >> Quarav você é filha de europeus. >> Mas os meus pais odiavam a Europa. >> Ah, bem, eles tinham razão. >> Pergunta pra minha mãe o que que ela acha da Europa.

¶59>> Eles tinham razão para di. >> A minha mãe adora o Brasil num grau e você não faz ideia. >> É, né? A gente não tirou passaporte italiano naquela, naquela, porque a minha mãe não quer ter nada a ver com a Itália, como a gente teria que tirar o passaporte italiano através dela. A gente até tentou tirar o passaporte de húngaro, mas tirar um passaporte de húngaro é tão difícil que a irmã da Patrícia Cogut, a Sandra, >> fez um filme sobre isso, Passaporte Húngaro, para você ter uma ideia do que essa burocracia.

¶60De modo que eu não sou europeia, eu não tenho passaporte europeu. >> Olha, mas eu vou te falar uma coisa. Meus três filhos têm e eu não tenho. >> Pois é. Olha, eu sou brasileiro.

¶61>> Eu acho que é prático. >> Você entra pela fila do você não enfrenta a fila na É a única vantagem que eu conheço real do passaporte é que você não enfrenta a fila dos estrangeiros. Você entra naquela >> Uhum. naquela onda verde de quem quem tem passaporte europeu, você não precisa fazer alfâ de vários países, enfim. Mas eu também tenho essa essa essa essa implicância com a Europa, sabe?

¶62Eu não, eu não tenho um amor desmedido pela Europa, muito antes, pelo contrário, até o ponto que talvez seja o lugar pro qual eu menos viagem. >> Ah, que interessante. Eu gosto de mens da Europa. >> Eu viajo, eu viajo muito pra Europa para fazer escala para outros lugares que me interessam mais. Eu gosto, eu gosto da Europa.

¶63Eu gosto da Europa. >> Eu gosto, eu não, não vou dizer que eu desgosto. Não, não é uma coisa, digamos, não piso mais em Paris, não vou mais, não é nada disso, não. Dos, dos países que eu tenho visitado, eh, os dois países recentes pelos quais eu me apaixonei, um foi o México. >> Ah, o México é sensacional.

¶64Eu me apaixonei pelo México. Agora eu me apaixonei pela Grécia agora. >> Bom, a Grécia eu já nem considero muito Europa, né? Quando eu falo Europa, eu falo aquele miolo. >> É, mas é p Clar.

¶65Sim, eles são os pais da história toda, mas é um pouco por como Turquia não considera Europa. >> É, não, mas Turquia eu entendo. Eu eu eu >> tô falando especificamente países como Espanha, como França, Inglaterra, muito aí tem muitos imigrantes e tal, mas são ingleses. O que que você quer? conversa com deles na rua, pede uma informação, é esquisito.

¶66Eh, enfim, mas isso não vem ao caso. Também eu guardei a Europa, vou te dizer por quê. Porque há uns há há uns anos, já umas décadas atrás, eu pensei, eu tenho que ir aos países difíceis porque não estou ficando nova. Desde que eu fui atropelada, eu tenho essa consciência de que eu tenho uma dificuldade de subir escadas, descer escadas. E eu pensei, eu tenho que ir logo a me amar.

¶67Eu quero ir a Ancorvat no Camboja, eu preciso ir ao Laus. Mas isso você consegue ir com uma certa idade e depois de uma certa idade você não consegue. Passam a ser viagens muito mais difíceis. A Europa eu posso ir até 100 anos. >> Entendi.

¶68>> Então eu fui guardando. Tem coisas que eu não conheço na Europa, bastantes, aliás. Mas enfim, esse camarada aqui é um europeu clássico, rico e aqueles lugares todos que a gente encara como fábula, San Paul Devans, Biars, >> Uhum. >> Castelos, isso é o cotidiano dele. Isso é meio autobiográfico, tá?

¶69O, a mãe dele está meio senil, a mãe bebe, a mãe toma comprimidos, a mãe tem problemas toda hora na clínica psiquiátrica, cai, bebe mais, ele pega a mãe e eles vão dar uma volta pela Suíça. E eles tiram 600.000 francos suíços, que eu não sei quanto é, mas deve ser uma enormidade de dinheiro, para distribuir e para quê? Para se livrar da culpa. Porque a fortuna deles vem, como tantas fortunas europeias, de ligações com o passado nazista. E as questões que ele aborda aqui são muito curiosas.

¶70Parece um uma road trip com uma mãe entre mãe e filho, com aquelas questões entre mãe e filho discutidas, postas na mesa. Mas aqui também se trata de é possível cerdar. uma fortuna que tem origens sujas. Quer dizer, é possível herdar o dinheiro e não herdar a culpa. Ele é a primeira geração pós-guerra, mas ele sente essa culpa também.

¶71Naquela ideia deles de distribuírem o dinheiro é mais um privilégio, porque é aquela ideia de que você tá comprando >> Uhum. um perdão divino, mas é tão interessante. São são muitas coisas curiosas discutidas. É muito engraçado, não é um romance leve, mas é muito engraçado. Ele é mordais e ele mistura a realidade com ficção.

¶72Então ele tem personagens verdadeiros, por exemplo, aqueles oriços MC. Você lembra dos oriços Mac? Orços Mec era um, era um bonequinho de desenho animado e tinha bonequinho também. Me lembro que quando nós éramos crianças, nós tínhamos aqueles oricinhos. Ah, não, eu não peguei isso não.

¶73>> Era uma coisa muito popular nos anos, acho que 40, 50, até 60, porque eu era criança. E acho que até hoje eles continuam populares na Europa. >> Entendi. >> Nos países de língua alemã você tem muito bichinho, mas era um bichinho com raízes nazistas. >> Ah, que coisa.

¶74Mas ele fala desse bichinho. Aí ele fala, diz: "Ah, nós nós morávamos nessa ilha tal onde há duas casas do editor Surcamp. O editor Surcampf existe. Várias pessoas que ele cita são reais. A vida, o escritor, que é o o narrador, tem o mesmo nome dele, escreveu um livro exatamente igual dele, com o mesmo título quando tinha 25 anos.

¶75Então, ele faz muito esse jogo do que que é verdade, do que que não é. >> Aham. E isso, isso é até uma das coisas que as pessoas mais comentam, o que que pode ser verdade, o que que não é necessariamente verdade, mas é muito interessante e é curioso confrontar essa culpa europeia, >> essa culpa ainda por conta do nazismo. >> Ah, sim. >> Uhum.

¶76>> Eu tive. Você se lembra do nosso amigo André Breitman que escrevia pra gente no caderno de informática? Eu lembro, lembro o nome dele. >> Então, ele tá morando em Viena porque Karin, a mulher dele, trabalha no Google e tá tá trabalhando lá em Viena. Ele tá encantado com a cidade, tem ópera 365 dias por ano.

¶77Ele uma ópera todo dia, enfim. e a cidade toda funciona. Mas ele me disse que há uma preocupação enorme em tudo, em não esquecerem o passado e e lembrarem que havia um nazismo, mas para tentar evitar aquilo de novo. Então tem uma estátua do do prefeito de Viena na época do Hitler que parece que foi até uma influência sobre Hitler, um cara chamado Luger. Há uma estátua dele.

¶78uma estátua dele numa das praças e essa estátua vive permanentemente tombada, semitombada e toda grafitada com uma placa do tamanho de um bonde na frente dizendo o sei lá fulano Luger, prefeito Vena, antissemita, etc. Então tem esse esse tipo de consciência até hoje. >> Botam na placa, >> botam na placa. A placa do tamanho não p >> e a e a estátua está detonada. E é para ser mesmo detonada, tipo, olha, você vai ser execrado até o fim dos tempos.

¶79>> Que coisa fascinante. >> É >> coisa fascinante. O livro é bom. >> O livro é maravilhoso. O livro é excelente.

¶80Eu, >> apesar de europeu, >> meu bem, eu não, eu, eu radicalizei essa coisa da Europa, mas eu tenho esse desconforto. >> Eu entendi. >> Da Europa, sabe? É justo, >> né? >> É justo.

¶81>> As memórias da minha família não são, >> é justo. >> Todas roseas e >> claro, >> claro >> e queridas e whatnot, mas enfim, a gente reconhece as vantagens. >> É um bom lugar de escala pra Índia. >> Nos vemos na quinta-feira. >> Nos vemos [risadas] >> até quinta-feira.

¶82Você tá cansado, né, dessa disputa que parece ficar só entre dois lados. Mas e se eu te contasse que o Brasil que chega às urnas é muito mais complexo do que isso? Bom, o meio existe para quem quer fugir da polarização, do extremismo e formar a própria opinião. [música] Aqui a gente apura, ouve diferentes perspectivas, faz as perguntas que precisam ser feitas [música] e coloca os fatos em contexto, sem transformar discordância em guerra. É esse olhar que atravessa tudo que fazemos, [música] das notícias do dia às entrevistas, das análises profundas às pesquisas [música] e as nossas produções originais no streaming.

¶83Porque nosso trabalho não é simplificar o Brasil para caber em lados, é dar você mais elementos para [música] enxergá-lo por inteiro e formar o seu próprio juízo de valor. Com a assinatura premium, você acessa a edição de sábado, meio político, [música] a pesquisa, meio ideia e o streaming completo. Se esse é o tipo de jornalismo que você procura, assina o meio premium. Ah. [música] >> [música]