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Mendonça determina afastamento de diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues | Central Meio

¶1[música] เฮ [música] >> [música] >> Olá, [música] boa tarde. Sejam muito bem-vindas. Sejam muito bem-vindos ao Central Meio. Hoje é terça-feira, 8 de setembro de 2026. Eu sou a Flávia Tavares e aqui ao meu lado, em São Paulo, estão Magno Cal e Pedro Dória.

¶2Como vocês estão? Como eu estou feliz de dividir a bancada com vocês nessa terça-feira confusa, meus amigos. Bem-vindos. >> Obrigado, Flávio. Obrigado, Pedro.

¶3Muito obrigado. Confusa e tensa, né? Oita peste. Eita peste. [risadas] Se você e acordou agora, não tá sabendo o que que tá acontecendo, a crise no Supremo Tribunal Federal, se é que isso era possível, subiu de patamar.

¶4O ministro André Mendonça determinou hoje, pediu, né, o afastamento preventivo do diretorgeral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e também do delegado Leandro Almada, que é diretor de inteligência da PF. A medida tomada para conter supostos constrangimentos ilegais dentro da corte chega depois que o ministro Alexandre de Moraes pediu que Mendonça fosse investigado com base em relatórios policiais da PF. A segunda turma do Supremo Tribunal Federal se reuniu às 10 da manhã virtualmente e decidiu por maioria manter a decisão que mantém o afastamento de Andrei. Porém o ministro Gilmar Mendes pediu vistas. Hoje a gente analisa as repercussões políticas e eleitorais desse caso, dessa crise.

¶5Então você puxe a sua cadeira, deixe o seu like, se inscreva no canal que o Central Meio tá no ar. [música] Muito bem, meus queridos, por onde começamos? Será que o público tá entendendo eh mais ou menos da onde que veio essa decisão do André Mendonça? Eh, em que contexto ela se deu, porque a gente teve um feriadão aí no meio, as pessoas menos engajadas podem ter desligado um pouco o sensor de crise, mas a crise vem se agravando a há exatamente uma semana. tem um ETA atrás de um viste há uma semana bem certinho.

¶6[risadas] O primeiro ETA foi terça passada, quando primeiro eh por vazamentos e depois pela retirada do sigilo eh vieram à tona detalhes, né? aquele aquele relatório da Polícia Federal com 218 páginas com as conversas de Alexandre de Moraes e na verdade as mensagens de Daniel Vorcaro para Alexandre de Morais e a pedido de Mendonça, a PF produziu um relatório confirmando que o destinatário dessas mensagens era Alexandre de Moraes. A partir daí, eh, uma sucessão de trucos, né, como a gente estava brincando, [risadas] eh, mais cedo, chegou ao ponto de Alexandre de Moraes inverter a situação e pedir então a investigação de de André Mendonça por ter conduzido nas palavras de Morais, eh, de forma inapropriada uma investigação sobre um colega de de corte. Ministro Edson Faquim, presidente da corte, falou: "Calma aí, minha gente". Primeiro que não vai ser dentro do inquérito das fake news, que ninguém vai investigar o colega ministro, não, porque o Alexandre de Moraes tinha posto isso no inquérito das fake news.

¶7Segundo que em cinco dias úteis todo mundo me deve explicações e eu levo pro plenário pra gente decidir aqui o que fazer com tudo isso. Faquim foi tentando negociar uma coisa ou outra, não conseguiu muita coisa. Resumo. Essa terça-feira André Mendonça gritou seis e falou assim: "Ah, é, então agora eu quero que afaste o diretor da Polícia Federal, o seu número dois, que é o diretor de inteligência, porque o relatório que o Alexandre de Moraes usou para me acusar de conduta imprópria não podia ter circulado publicamente, era um relatório interno e quer dizer que tá tendo vazamento aí, que não devia ter. Feliz terça-feira a todos.

¶8[risadas] Só recapitulei, chefia, para quem não acompanhou capítulo a capítulo. >> Eh, eh, vamos começar. Eu acho que tem três histórias que estão circulando e é importante a gente ter consciência de que existem três histórias diferentes sendo contadas. A primeira história é a história bolsonarista, entendeu? André Mendonça está promovendo uma limpeza dentro do Supremo Tribunal Federal.

¶9>> Uhum. >> Eh, a segunda história é a história petista. E, e o que que diz a história petista? Ah, bem, André Mendonça é um agente do bolsonarismo, está trabalhando para eleger Flávio Bolsonaro. A terceira história é o que que tá acontecendo e a gente não sabe o que que tá acontecendo.

¶10Eh, eu eu não tô querendo parecer irônico com isso, não. A intenção realmente não é de ironia, é simplesmente ter consciência de que a gente não sabe o que que tá acontecendo. Existe, evidentemente, uma disputa de poder dentro do Supremo Tribunal Federal com, de um lado, o André Mendonça, do outro lado, Alexandre de Moraes. Essa disputa de poder pode perfeitamente ser uma disputa de poder interna, não necessariamente com o objetivo eleitoral. Agora, tem [roncando] uma segunda camada nessa história que é a seguinte: existe impacto eleitoral.

¶11Fábio Bolsonaro está sendo beneficiado por essas decisões. Ele tá sendo beneficiado pelo seguinte, quando você escolhe tornar públicos todas as conversas do Alexandre de Morais com Daniel Vorcaro e escolhe esconder as conversas Daniel Vorcaro com o Fábio Bolsonaro, a gente tem um problema de disparet de armas nessa eleição. Eh, de alguma forma, um bando de gente dentro do bolsonarismo botou na cabeça que pro Flávio Bolsonaro tudo bem porque era dinheiro privado. >> Hum. >> Pro Alexandre de Morais tudo mal porque ele é ministro do Supremo Tribunal Federal.

¶12Só tem um problema. Se é para ser cínico, é o contrário, porque o dinheiro não foi pro Alexandre de Morais, foi pra mulher do Alexandre de Moraes, que ela sim é uma advogada privada. Flávio Bolsonaro é senador da República. Eduardo Bolsonaro era quando recebeu a grana deputado federal. Então, na verdade é muito mais grave se é para sermos cínicos.

¶13>> Uhum. >> Entendeu? Porque é no sinismo que você se vira e fala que pro dinheiro, pro Flávio é é dinheiro privado, é puro cinismo. Se é para sermos cínicos, aí a história beneficiia, na verdade o Alexandre e não o Flávio. É muito grave que o cara, que é o operador do maior escândalo financeiro da história da República, tenha pedido 25 milhões de dólares e tenha ganhado, até agora sabemos, pelo menos 14 milhões de dólares.

¶14Agora, quem tá procurando uma história limpa, quem tá procurando uma história fácil, quem tá procurando uma história eh corriqueira, tem alguns problemas. Um dos problemas é o seguinte, eh aquele relatório que o Alexandre de Moraes tornou público sobre o Mendonça é um relatório absurdo que não podia de fato ter sido produzido. Metade é feito pelo chatt, tá? Obviamente foi uma coisa produzida as pressas. Agora, aquele relatório não podia, aquele relatório é ilegal e, portanto, justifica legalmente o afastamento do pelo ministro Mendonça da do comando da Polícia Federal, porque se eles de fato produziram um relatório apócrifo, porque é um relatório apócrifo, né?

¶15Não tem nenhuma assinatura. Se eles de fato produziram um relatório apócrifo, eh, indicando que eles estavam acompanhando, investigando o ministro do Supremo Tribunal Federal, isso é ilegal. E sabe o que que é o pior? Tem precedente. Jair Bolsonaro quis nomear Alexandre Ramagem paraa diretoria da Polícia Federal e Alexandre de Moraes como ministro do Supremo bloqueou, entendeu?

¶16Com o uso do da mesma autoridade que o Mendonça tá usando agora. Então se era legal quando o Alexandre fez, é legal agora que o Mendonça faz. Veja, nada disso é simples, porque no fim das contas, quando Mendonça faz um gesto desses de uma agressividade dessas, porque é um gesto profundamente agressivo, que é de de eh afastar do cargo o diretor da Polícia Federal, quando o Arix de Moraes bota um colega da Suprema Corte no no inquérito do fim do mundo, o Faquim tirou horas depois, mas o Arixan botou. Na verdade, o que a gente tá vendo são dois ministros do Supremo Tribunal Federal usando o seu poder no limite, no talo, no máximo, que é exatamente o que se espera que pessoas republicanas não façam nunca quando tão ocupando poderes, quando estão ocupando funções públicas com muito poder. Você nunca usa seu poder no limite.

¶17Você evita ao máximo de usar no seu o poder no limite. É, é por quê? Porque isso essencialmente faz com que a crise se aprofunde, se aprofunde, se aprofunde. Eh, tem um monte de coisa complicada, tem um monte de coisa atrapalhada, tem e essa história é muito mais complicada, me parece, do que a trivialidade das duas torcidas tá fazendo parecer, mas a maior maior preocupação que qualquer brasileiro hoje devia ter é o seguinte. precisa tornar públicas as conversas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.

¶18Precisa tornar público tudo que se sabe sobre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro por um motivo muito simples. Não pode essa eleição ser decidida com com pouca com informação pela metade. Você não pode ter o eleitor não pode ter só metade das informações a respeito do que tá acontecendo. É preciso, eu vou ficar batendo nessa tecla até o último momento. Não pode o Flávio Bolsonaro passar como limpo nessa história quando ele obviamente não é.

¶19A gente já sabe do pedido de grana que é essencialmente. E eh olha, é um filme né, gente? A a a a a a a razão pela qual a família Bolsonaro pediu essa grana, o motivo pelo qual o Daniel Vorcaro pagou essa grana, é porque percebia que ele tinha o potencial de chegar à presidência da República e tava literalmente tentando comprar um presidente da República, assim como estavam literalmente tentando comprar ministros, não só um, né, ministros do Supremo Tribunal Federal. É isso que Daniel Vorcaro fazia. Daniel Vorcaro não distribuiu dinheiro em Brasília que não para pessoas que poderiam beneficiá-lo porque ele sabia que ele tava montando um escândalo de pirâmide gigante.

¶20E a única maneira dele sair daquele negócio livre e com dinheiro é se ele tivesse pago gente o suficiente para poupá-lo de ser condenado pelo crime que ele tava cometendo, que é de novo o maior escândalo financeiro da história da nossa república. E tudo isso já seria muito doido se a gente ficasse apenas na parte institucional dessa [limpando a garganta] questão, né? Se a gente estivesse pelo menos ah dentro de um cercadinho em que a gente estivesse tratando apenas do Supremo Tribunal Federal. a gente tivesse tratando apenas de dois ministros utilizando os seus muitos poderes para atacar um ao outro, para afetar eh o poder um do outro e tivéssemos um presidente do Supremo Tribunal Federal que tá ali no meio. Calma, pessoal, em 5 dias, por favor, tragam-me suas explicações.

¶21que a gente nem conseguiu chegar nesses 5 dias, e tivéssemos estivéssemos vendo a um esfarelamento institucional que coloca, em termos quase literais muitas das figuras das de linguagem que a gente utiliza no dia a dia. Olha, [roncando] eh, há uma guerra civil no Supremo Tribunal Federal, há uma divisão entre alas do Supremo ou a divisão entre alas numa certa instituição. Nesse momento, me parece quase que literal que há alas na Polícia Federal. Há alas que estão literalmente quase, né, não literalmente com armas, mas estão se atacando eh e tentando se proteger dos poderes de uma outra ala do Supremo Tribunal Federal. Eh, e o comportamento dos membros dessas alas é especificamente da forma que a gente esperaria que que eh se comportassem se de fato estivessem times opostos.

¶22E bem o Gilmar Mendes pedindo vistas eh a confirmação de novo de que há realmente times diferentes com Fuxs eh no outro lado. Enfim, quem confirma confirma. Eh, quem é pé de vistas confirma a expectativa desse outro time também. E o Brasil vai tornando literal essa abordagem da conversa sobre política. E tudo isso já seria muito grave, porque nós estamos vendo as instituições que deveriam freiar o poder uma das outras, eh, se esfarelando entre si mesmas.

¶23E tudo isso acontece, e por isso que eu digo que não é só uma crise institucional, tudo isso acontece a 30 dias de uma eleição presidencial que todas as pesquisas mostram eh a mais apertada desde a redemocratização. Então, eh o o que a gente acred o que a gente acredita ou o que os militantes dos dois principais candidatos eh acreditam nesse momento é irrelevante. as intenções de cada lado ou as intenções de cada player dessa confusão toda é irrelevante, porque no final obviamente vai ter um impacto sobre sobre a eleição. E é muito grave que a gente eleja um presidente da República sob o efeito dessa nuvem de incerteza. Não, não é só confusão, não é só eh esse essa contaminação institucional, não é só essa desconfiança generalizada, é uma incerteza, porque, bom, como vocês estavam dizendo, a gente não sabe qual vai ser o fruto do próximo vazamento, a gente não sabe qual é o conteúdo do próximo vazamento.

¶24E se na discussão de políticas públicas muito se discute sobre as leis, as mudanças de de legislação que são feitas no calor do momento. Acontece uma tragédia, aí há uma mudança de legislação feita de forma meio irrefletida no calor do momento, porque alguma coisa aconteceu, a sociedade precisa dar uma resposta política. Agora a gente tá vivendo isso numa forma muito mais profunda e muito mais grave, que é a decisão eleitoral para um mandato de 4 anos de presidente da República, de governadores, senadores, feitas no calor do momento e não só no calor do momento, no sobre uma nuvem de incerteza gigantesca que pode se dissipar a qualquer momento. E se as informações aparecem cco dias depois que a gente já elegeu um presidente da República ou reelegeu o Lula? E a gente não sabe.

¶25É dessa forma que a gente chega nessa nessa eleição de 2026. E tudo isso é muito perigoso em vários degraus. A gente pode discutir isso aqui ao longo do programa, mas o potencial de que a gente acredite estar nesse momento no fundo do poço, mas que a gente não esteja exatamente no fundo do poço e que isso ainda possa se complicar, não é pequena, porque nós temos uma investigação muito grande que envolve pessoas muito importantes, encargos muito importantes, acontecendo num momento importante de decisão e que eh pode ser que a gente não seja não esteja ainda no fundo do porto. Isso me deixa bastante eh não só apreensivo sobre o que pode acontecer, mas muito inseguro, porque a gente tá brincando com um fogo, um fogo bem bom, um fogo bem quente, porque o esfarelamento institucional tem um potencial de dano pros próximos anos que talvez a gente não tenha experimentado ainda, que seja muito pior do que corrupção, que seja muito pior do que um ou outro contaminado. Tem uma coisa que tá me chamando atenção e eu até pegando também uma coisa que o Pedro falou eh e que eu falo no meu cá entre nós de hoje que vai a hora mais tarde, que é o seguinte, sempre que a gente fala de crise institucional eh parece uma coisa um pouco etérea, um pouco, né, abstrata.

¶26Eh, e principalmente num momento de uma crise que tá se agudizando como essa, também dá a impressão de que ela começou a semana passada. Mas eh quando eu fiz as entrevistas que eu fiz paraa última edição de sábado do meio, eh que é exclusiva para assinantes premium, inclusive, eh eu entrevistei o professor Oscar Vilena, eu entrevistei o professor Rafael Mafei, dois juristas da mais alto do mais alto gabarito, e entrevistei o Felipe Recondo, que é jornalista e pesquisador, escritor sobre também tem tudo de Supremo. E ele me deu um exemplo, Pedro, eh, não comparando com o Ramagem, porque não tinha ainda acontecido, eh, o episódio de hoje, né? >> Mas hoje até ouvi o professor Gustavo Sampaio no rádio falando que não é exatamente a mesma coisa justamente pelo que você apontou, né? O Mendonça pega um cara que já está no cargo e pede o afastamento.

¶27O outro impede de assumir duas medidas graves, mas ainda em momentos diferentes. Mas a analogia, >> você vai lembrar, Flávia, que o Gilmar impediu o Lula de assumir ministro da Casa Civil. >> Isso >> que é uma intervenção tão grave quanto se não for maior nesse caso, né? Exatamente. Então você vai e aí era exatamente aí que eu ia chegar, porque >> a cada erosão institucional, né, a cada a cada grauzinho de desrespeito à institucionalidade, de atuação eh autocentrada de de pessoas que ocupam cargos institucionais, mas que agem mais guiadas pelos seus próprios interesses, seja do grupo que representa, seja da própria sobrevivência, do que pela instit institucionalidade mesmo, o como isso vai pavimentando a crise institucional ali da frente.

¶28E a gente fica aqui, né, eh, matracando semana após semana. Olha a crise institucional aí. Olha a crise institucional aí, parecendo só que é um bando de alarmista. E aí ela vem, qual foi o episódio que o Recondo usou comigo para eh apontar como eh uma ali uma licença da institucionalidade que abriu o caminho para outra coisa, >> uma suspensão temporária e pontual. Olha só, eh, um presidente da República indica um procurador geral da República de maneira muito mais por proximidade, por achar que ele vai cumprir uma agenda ali próxima do que pelo procurador que ele deve ser e poderia ser.

¶29Aí esse procuradorgal da República assume o cargo e de fato se mostra omisso, se mostra eh inábil. para conduzir as investigações que deveriam ser conduzidas contra o grupo político do presidente da República. Ministro do Supremo Tribunal Federal se junta ao presidente da corte do da corte daquele momento e fala: "A gente vai ter que abrir um inquérito de ofício, então porque olha só, esse procurador geral não tá fazendo o papel dele." Aí o outro ministro lembra e fala: "É, vamos lembrar também que o que o del o diretor geral da Polícia Federal, esse presidente aí queria cooptar, queria substituir para proteger os seus". Ah, então vamos fazer o seguinte, vamos fazer uma tramitação toda paralela aqui fora da institucionalidade, que é o inquérito das fake news. Ela não é totalmente paralela, mas ela eh dá atravessa o procurador geral, >> atravessa o deleg, o diretor geral da Polícia Federal e meio que oficializa uma coisa que já acontecia antes, mas aprofunda o uso de facções da Polícia Federal.

¶30para cada ministro, cada gabinete do Supremo Tribunal Federal. Passam-se 9 anos, a outra turma usa o mesmo procedimento. Não é exatamente o mesmo. O Mendonça não abriu um inquérito de ofício, mas o que ele fez neste, o que ele diz, né, ter feito no relatório é nas 218 páginas, é eu p como os o procurador geral da República, no caso Paulo Gonê, e o DG da P, no caso Andrei Rodrigues, estão aqui envolvidos e um e um colega meu aqui tão aparecendo aqui. E como eu não confio em todos os delegados da Polícia Federal, eu vou chamar os meus delegados e vou produzir um um relatório.

¶31Esse relatório foi produzido dentro da legalidade. O que tá se questionando no caso do Mendonça, é o timing. Ele devia ter primeiro consultado o Faquim e o plenário e depois produzido o relatório ou o contrário. Bom, aí o o Alexandre de Moraes fala: "Ah, é, então agora eu vou pegar um relatório que era interno, porque aí eu ouvi o cara da, só para concluir, Pedro, >> o cara eh o o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, que é um dos maiores, é assim, um dos lobes mais fortes de Brasília, a DPF, tá? É, é realmente uma entidade de classe forte.

¶32Eh, ele deu uma declaração hoje, eh, na verdade, acho que foi na sexta, falando que este relatório que o Morais usa não é ele, o que é, pelo que eu entendi, o que é ilegal foi a publicação dele, foi o uso público e foi ele ter circulado fora da PF. ele foi feito para consumo interno da PF, ou seja, ele era um um uma espécie de memorando >> do que um dos delegados ou alguns dos delegados estavam começando a entender do caso ali, mas não tem o, né, o lastro probatório e ainda era algo para circular entre membros da PF, não era para ter ido pro SPF, quanto mais ser usado numa decisão. vaziar uma decisão do Alexandre. Então, só que é isso. Você vai, bom, já que um fez, eu vou também.

¶33O outro fez, eu vou também, mas se o procurador não é confiável, eu vou atravessar o procurador, tá? Mas aí também o o diretor da PF também não é confiável. E assim a gente vai de nomeação em nomeação eh questionável, de ação em ação questionável, de usurpação do poder em usurpação do poder questionáveis. E é assim que uma crise institucional se constrói, não é numa decisão, numa canetada só. >> A gente acaba de volta naquelas eleições onde havia guerra de dossiês, né?

¶34Só que num nível muito mais elevado, [limpando a garganta] a guerra de dossiês, não para afetar um ou outro político, mas ministros da Suprema Corte, o diretorgeral da Polícia Federal, é um retorno a um estado de coisas que a gente já não vi há algum tempo. Eh, tem, é, é engraçado, as pessoas citam tanto o livro do Sim Levit, né, o Como as democracias morrem >> e e e a historinha que que todo mundo gravou daquele livro, sem de fato ter prestado atenção no que tá escrito, a historinha que todo mundo gravou é como que a extrema direita começa chega ao poder. Sem sem lembrar, por exemplo, que o primeiro exemplo que o Silv Levit que usa é do G Chaves, né? Eh, não é, quer dizer, aquilo não é >> não é um livro sobre a extrema direita >> sobre como a extrema direita chega ao poder, >> é um livro sobre como democracias morrem. >> E ele lista, ele tem, eu não lembro quantos são os itens, mas ele lista uns cinco itens ali, que são as maneiras como você faz a erosão por dentro da democracia.

¶35E o item número um é esse de você usar o seu poder no limite o tempo todo. Porque o que o que acontece é o seguinte, eh eh qual como é que é o como é que o jogo entre os três poderes eh eh legislativo, executivo e judiciário deveria acontecer no eh eh deveria acontecer habitualmente numa democracia com negociação o tempo todo. Você negocia os espaços, você, olha, eu vou fazer isso. Você não, você não pega as pessoas, seus adversários políticos de surpresa. Você você atua de boa fé, você às vezes você vai discursar contra sim, mas todo mundo tem uma noção de que aquilo tem muito de teatro.

¶36Eh, eh, eh, porque todo mundo sabe que na hora do cafezinho ali atrás, tá todo mundo combinando o jogo. Olha, eh, eu tenho muito interesse nesse projeto aqui, você tem interesse nesse projeto ali. E esse espaço de civilidade que os agentes com poder, de um lado e de outro eh cultivam é a base essencial que faz com que uma democracia funcione. É, e é muito curioso uma um dos problemas dessa nossa polarização é que as pessoas mais interessadas em política, as pessoas que estão nas redes sociais discutindo política, elas se tornaram intolerantes justamente aquilo que faz com que as democracias funcionem, que são esses acordos entre adversários feitos na informalidade, mesmo feitos no cafezinho, no isso, naquilo, que se transformam numa votação no Congresso, que se transformam na nomeação de alguém por um presidente da República e gente também eh eh que fazem com que uma Suprema Corte funcione. E o que a gente tá assistindo hoje dentro da Suprema Corte são dois ministros, Alexandre Morais e e André Mendonça, que abandonaram por completo a ideia de você de você não lutar uma guerra usando bomba atômica.

¶37E eles estão, eu quero reforçar a maior parte das coisas que eles estão fazendo, a maior parte é legal, entendeu? Tá tudo dentro da legalidade. Às vezes o pessoal, principalmente na direita, fica me provocando, ah, e agora vai dizer que decisão do Supremo tem que cumprir? Vou. Decisão do Supremo é feita para cumprir.

¶38É, é, é, não é. Agora, cumprir uma decisão do Supremo não quer dizer concordar com uma decisão do Supremo, não quer dizer abrir mão de discutir, debater e criticar e questionar uma decisão do Supremo. Não quer dizer a gente falar o óbvio. A gente tem um problema gravíssimo. Eh, eh, a gente tem, alguém tá aqui gritando, eh, o Guilherme Gomes tá gritando a falsa equivalência.

¶39Eu não tô fazendo equivalência. Eu tô apenas observando o seguinte. Os ministros estão atuando um contra o outro no limite do seu poder. Eu entendi, Guilherme. Eu não sei nem por qual dos dois você tá torcendo nesse momento.

¶40Se você acha que o Mendonça é o herói, se você acha que o Alexandre é o herói. O que os dois estão fazendo nesse momento é essencialmente atuar no limite dos seus poderes, usar seus poderes no máximo um contra o outro. O que isso gera é um acirramento do conflito. O que isso vai gerar é um impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal em algum momento. O que isso vai fazer é essencialmente uma intervenção do Supremo nas eleições que a gente vai ter daqui a 3ês semanas e meia.

¶41Porque veja, nós temos uma eleição daqui três semanas e meia e o que o eleitorado tá entendendo dessa história inteira é a mensagem errada. É de que a corrupção pertence ao governo Lula. E a corrupção não pertence a a corrupção de Daniel Borcaro não pertence ao governo Lula, pertence ao sistema de poder da República Federativa do Brasil. tá todo mundo proporcionalmente envolvido. Agora veja, também tem a turma eh da esquerda que se vira e fala: "Não, é um escândalo de direita porque tem muito mais envolvido de direita do que de esquerda".

¶42É verdade. Numericamente tem muito mais envolvido de direita do que de esquerda. Enquanto você tem Jaques Wagner, eh, Rui Costa, eh, Guido Mântega, eh, na esquerda, você tem Ciro Nogueira, você tem Hugo Mota, você tem Davi Columbre, você tem Flávio Bolsonaro, você tem, cara, na direita vai montando Nicolas Ferreira, entendeu? em em graus distintos de gravidade. O Nícolas ganhou passio de graça de avião.

¶43Eh, eh, o Ciro Nogueira fez uma fortuna e meia. Então, os graus são diferentes. Meu Deus do céu, Flávio Bolsonaro, Eduardo, Bolsonaro puseram 14 milhões de dólares no bolso. Vocês têm noção de que 14 milhões de dólares são quase R milhões deais? É dinheiro que não acaba mais.

¶44O que que você faz com R$ 70 milhões deais? A, você compra um apartamento, eh, você compra um dos apartamentos mais caros do Rio de Janeiro, de frente para Vieira Solto, numa cobertura, entendeu? Sabe o que que é uma cobertura em frente a Vira Solto? Você compra uma e ainda fica com no bolso mais de metade do dinheiro. Isso são R$ 70 milhõesais.

¶45é você comprar um dos melhores imóveis que existem à venda no Brasil, ficar de frente pro Mar de Panema, vendo as moças passar e ainda ter mais de metade do dinheiro no bolso. É dinheiro que não acaba mais só pra família Bolsonaro, tá? Isso é o dinheiro que ele pagou, não é o dinheiro que ele prometeu pagar. Porque se ele tivesse pagado tudo, seria uma quantidade de você teria ficado com 3/4 do dinheiro no bolso. O o ponto que eu tô fazendo eh aqui é essencialmente esse jogo de direita e esquerda.

¶46[roncando] O problema da de fazer a conta a foi muito mais pra gente de direita com do que pra gente de esquerda. O problema dessa conta é o seguinte: 80% dos deputados federais senadores são de direita. 80% dos governadores, mais de 80% dos governadores eleitos no Brasil são de direita. Então, se você for distribuir propina proporcionalmente a quem tem poder, 80% do dinheiro vai pra direita. É, mas é porque o eleitor escolheu botar mais gente de direita do que de esquerda nos dois poderes, entende?

¶47Então não dá para você fazer essa conta desse jeito. Você tem que levar em consideração que o Daniel Vorcaro tava comprando o poder. Ele comprou o poder e tá todo mundo sujo. A minha maior preocupação é que o eleitor não tá percebendo isso. O eleitor não tá entendendo que o problema de corrupção é na estrutura de poder.

¶48E assim ele fica com a impressão, eh, por algum motivo muito maluco e colou essa história de que pro Flávio Bolsonaro, ah, não, mas aquilo é dinheiro privado, gente, pelo amor de Deus, o dinheiro não é privado. O dinheiro veio dos fundos de pensão dos estados, >> o dinheiro dos aposentados, dos funcionários públicos, aposentados dos estados, esse dinheiro não tem nada de privado. Não só esse dinheiro não tem nada de privado, como o cara é senador da República. O cara é senador da República, meu Deus do céu. Candidato à presidência da República.

¶49Como que pode o eleitor botar na cabeça que e desculpa, Magn fala porque senão eu eu desato aqui, eu não paro. E a história é absolutamente enverossímil, só que não importa mais. E talvez esse seja o ponto de de inflexão que proporciona que tantas dessas coisas avancem no Brasil. Eh, a polarização criou uma situação que tudo vai ser aprovado por metade da população brasileira, independentemente do que aconteça. qualquer coisa, independentemente da ação do Supremo Tribunal Federal, de um juiz do Supremo, de ministro Supremo, de um diretor da Polícia Federal, de um político, qualquer coisa que é feita hoje no Brasil contará automaticamente com o apoio de metade da população.

¶50E que falar de instituição é um papo chato. É um papo chato. as pessoas querem eh um questões que mobilizem mais, que tenham mais ação. Você falar que olha, as instituições vão sendo ruídas eh vagarosamente, ponto a ponto, os freios e contrapesos vão sendo enfraquecidos até que a gente chegue num ponto em que eles se tornem eh absolutamente inúteis. É um papo chato porque essas coisas vão acontecendo devagarzinho, mas elas vão acontecendo devagar até que no momento elas elas dão uma acelerada.

¶51E a gente tá vendo eh o ponto de aceleração dessas desse processo que foi acontecendo muito devagar e o eleitor está contaminado com uma visão binária do mundo. E de novo, não é dizendo que as duas visões são equivalentes, que o pau que bate em Chico, e bate em Francisco é o mesmo pau. Não é nada disso. é que cada lado do debate político brasileiro hoje tem a sua versão, está muito satisfeito com a sua versão e isso faz com que todo mundo possa se comportar da forma com que ache ser eh minimamente viável para o seu lado, que é o seguinte: o retorno de certos comportamentos, a consequência de certos comportamentos não é sentida, porque você tem imediatamente metade da população disposta a te defender. E o que os dois lados não estão vendo é que as coisas podem piorar, que a gente tá escalando os problemas e pode chegar num ponto em que só essa divisão da sociedade, ah, não, são os bolsonaristas, ah, não, são os lulistas, não vai ser mais suficiente para que eh a a estrutura de poder no Brasil fique organizada.

¶52E termos facções no STF. atuando para que eh uma enfraqueça a outra, que uma não apenas enfraqueça, mas que quase sabote o poder da outra, utilizando instituições do Estado brasileiro, como a Polícia Federal, pode ter efeitos gravíssimos de médio prazo, que são, de novo, muito mais muito mais profundos do que o simples resultado eleitoral. Podem fazer pode fazer, por exemplo, com que o resultado eleitoral não importe. eh, ou que a inclinação dos eleitores para um ou outro candidato seja afetada por uma coisa que pode estar acontecendo nessa outra estrutura. O Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal, eh o esquema do Morcaro são todas foram todas até o momento questões que ilustravam a batalha política.

¶53Só que neste momento a gente está chegando num ponto em que essas questões não são apenas ilustrativas da nossa política, elas podem se tornar decisivas para um momento de escolha, para o momento da eleição. E aí a coisa vira muito mais séria, muito mais profunda, porque nós teremos que conviver não apenas quatro anos com o presidente que vai sair dessa confusão, mas nós teremos que conviver com os restos, com os eh os entulhos, com o o que sobrar dessas estruturas que a gente está destruindo nesse momento e que a gente foi destruindo vagarosamente nos últimos anos, mas que nesse momento está muito claro que elas estão eh destruídas. Se a gente tivesse aqui falando ah desses temas na semana passada e alguém supusesse que estaríamos tendo a conversa nessa semana sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal, afastando o Diretorgeral da Polícia Federal, seria um seria um passo bastante grande. a gente falaria aqui na terça-feira passada, nossa, eh, realmente seria uma forma de tornar essa eleição e muito mais complicada e a relação entre as instituições muito mais complicadas. E aqui nós estamos terça-feira.

¶54e sobre o impacto eleitoral, muito mais do que onde estão as conexões de Flávio, onde estão as conexões do Vorcário com o PT, muito mais do que tudo isso para o candidato à reeleição, acho que é o clima de desarro, acho que é um clima de bagunça, é um clima de tudo está de pernas pro ar que não favorece ao candidato que está no poder. Eu acho que o Lula tem muitos problemas, teve muitos problemas nesse governo, eh tem muitos problemas na sua campanha, hm, etc, etc. Mas tudo isso fica muito pequeno comparado a essa bagunça que a gente tá vendo, essa guerra permanente de eh uma guerra civil interna das instituições brasileiras que podem prejudicar o incumbente de forma que, bom, uma acusação de corrupção não afeta o desafiante. E acho que parte do que a gente tá vendo é isso. esse esse mal-estar afeta muito o incumbente e o Lula, além de todos os problemas que bem a gente passou aqui os últimos anos conversando desse governo.

¶55Eh, essa esse sentimento é que é mais, eu acho que é mais do que os fatos, é um sentimento eh prejudica muito o incumbente, esse esse sentimento de que as coisas estão uma bagunça, mais do que a economia que também afeta, mais do que o endividamento que também afeta, mais do que tudo isso. é um sentimento, um mal-estar generalizado que afeta eh desproporcionalmente o Lula em comparação ao Flávio Bolsonaro. Eh, e além disso tem o fato de que o Lula ele é percebido pela opinião pública como uma espécie de fiador do Supremo e fiado pelo Supremo também, né? Porque eh a eleição do Lula em 2022 foi possível, se a gente considerar que havia uma tentativa de golpe em andamento, justamente pela atuação do Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral e depois eh a o julgamento do dos golpistas conduzido por esse mesmo grupo. E isso eh deu a opinião pública e não só não é só que é uma percepção enfundada, havia mesmo eh uma uma espécie de aliança eh entre executivo e judiciário nesses dois momentos, né, no caso o executivo eleito, né, logo depois da eleição de 2022 e e depois já o presidente tendo sido empoado.

¶56nessa nessa contenção, nessa linha de frente contra a tentativa de golpe que aconteceu em 2022, certo? >> Mesmo que não houvesse, Flávia, desculpa te interromper, por favor. >> Há >> permanentemente de um lado da política brasileira um esforço de antagonismo em relação ao Supremo Tribunal Federal. Então, mesmo que o Lula eh tivesse tomado atitudes eh para que ativamente se distanciasse do Supremo Tribunal Federal, isso não aconteceu, mas mesmo que ele tivesse >> isso, >> por outro lado, estar eh também e de forma muito mais ostensiva, eh se distanciando ou fazendo oposição ao Supremo Tribunal Federal, alguns políticos, alguns ministros mais que outros, mas ao Supremo de forma geral, de uma forma quase que natural se associe o Supremo Tribunal Federal a um lado, né, a um lado da política brasileira. E se há um mal estar no Supremo Tribunal Federal, meio que inevitavelmente afeta mais um lado do que o outro.

¶57>> E o próprio Lula, sabedor disso, buscou na semana passada no seu programa eleitoral adotar um discurso relativamente cauteloso no sentido de não sair falando: "Alexandre de Moraes, você deve explicações". Eh, nem pro Moraes, nem pro Mendonça, >> isso fica por conta da militância, né? a militância eh nas redes e em outras esferas, batendo duro no Mendonça, parte da militância ainda defendendo o Morais, mas uma parte já eh mudou o disco falando: "Não, gente, ele sempre foi da extrema direita, isso aí é entulho do Temer, não temos nada a ver com isso, tentando se se desvencilhar, né? Eh, mas o Lula não, o Lula eh trouxe pro seu programa eleitoral um discurso que o próprio José Dirceu, que para quem não sabe é um dos coordenadores eh da qual que é o nome da do termo que eles usaram na época da é tipo de uma reforma do do programa partidário do PT, né? Eh, ele me falou em entrevista ao meio, eh, que sim, que eh na convenção que definiu os termos dessa reforma do partido, eh, Pedro, tão me ligando da escola da minha filha.

¶58>> Tá bom, >> eu vou atender porque >> Não, não, claro, acho aqui. >> Eh, escola de filha, a gente atende imediatamente. Público, desculpe. >> É, vai lá. >> Eu vou, não, eu vou dar o end e vou mandar mensagem.

¶59>> Eh, você não quer sair do estúdio, Flber? >> Eu vou. Isso. >> Eh, desculpa, pessoal, mas eu vou então concluir e vou ligar lá de volta. Eh, esqueci o que eu tava falando, desculpa.

¶60>> Depois você >> Ah, filha, é assim que acontece com a gente. O bom é que assim é, quem sabe faz ao vivo. >> É isso. É isso. Deixa eu, deixa eu puxar aqui pelo o que que eu acho que tá, o que que me preocupa aqui nessa situação.

¶61Eu, eu vou começar com um comentário engraçado que o Gilson Oliveira fez. eh, que é a seguinte: todos no meio são socialistas, pregam imparcialidade por não quererem ser comparados ao monstro extremista de esquerda. Eh, eu sou um raro jornalista de política, comentarista de política que tomou a decisão, isso é uma decisão recente minha, eh tem poucos anos, porque eu acho que a internet muda a natureza de como o jornalismo é feito. Eh, eu tomei a decisão de sair do armário ideologicamente. Eu sou um liberal, sou um liberal progressista, mas você não precisa a a acreditar na minha palavra, porque eu posso estar, afinal de contas, me enganando ou tentando enganar as pessoas, tentando eh seduzir outros liberais, eh usando minha lábia para jogar Car Marx, onde as pessoas têm su 8000 na cabeça.

¶62O o Magno a aqui do meu lado literalmente é o diretor executivo do principal grupo liberal do Brasil, que é o livres. Eh, nós não somos socialistas, nós somos liberais. E tem uma característica aqui desse jogo e e isso eu acho que no fim das contas é o que tá tanto no discurso que eu tô organizando, quanto no discurso que o Magno tá organizando, que é o seguinte. Esse regime aqui, o da democracia liberal, é o nosso regime. A gente, aliás, essa frase eu já ouvi de você, a gente pode ser minoritário, mas o regime é nosso.

¶63[risadas] >> E e essa ideia de paridade de armas, ela inerente ao liberalismo, tá? Essa ideia de que as regras têm que ser seguidas e que todos os jogadores e todas as correntes de opinião tem que ter no debate público o espaço minimamente proporcional ao seu tamanho da sociedade. Essas não são ideias socialistas. Não é o tipo de coisa que você iria encontrar, por exemplo, na União Soviética. Não é o tipo de coisa que você encontra na Coreia do Norte ou ou na China, que são países declaradamente socialistas.

¶64Eu nem acho que a China seja não, mas não importa. Eh, esse é o tipo de coisa que você tem, cara, em democracias liberais. Eh, eh, e, e é disso que a gente tá falando, é de como que uma democracia deveria funcionar. Uma das coisas que me angustia nesse jogo é o seguinte. O Lula tá piorando nas pesquisas.

¶65A a a rejeição o Lula tá piorando na nas pesquisas e o Flávio está aumentando. Obviamente o que o eleitorado tem na cabeça é o seguinte: existe o registro na cabeça do eleitor de que o PT é corrupto. O PT fez por onde? E essa percepção não vem do nada. Essa percepção vem do mensalão.

¶66Essa percepção vem do petrolão. O petrolão é número registrado no balancete da Petrobras. São 42 bilhões de dólares que sumiram, desapareceram, entendeu? Isso, isso é real. Isso não é uma coisa inventada.

¶67Isso, desculpa, R$ 42 bilhõesais. Eh, isso posto, eu é um mistério profundo para mim. Eh, como que não chega a ao eleitor de direita a notícia de quão corruptos os Bolsonaros são? É um, eu não sei, eu não sei porque que isso acontece. >> Então, e eu não sei o que seria necessário para que fosse registrado.

¶68Eh, é, de novo, a gente volta à questão da polarização, né? Eh, se você pega só o episódio do filme, todas os todos os pontos, todas as explicações eram falsas. >> Todas, >> todas e comprovadamente falsas, seja pela declaração, pelas declarações do candidato à presidência que esse campo político escolheu, seja pela bem pelo mercado de filmes do Brasil. eh não era um investimento num num produto intangível, não era um investimento em uma coisa que a gente não sabe como funciona, que não há parâmetros. Há parâmetros e a gente sabe que todas os as justificativas eram fora desse padrão, fora desse parâmetro e todas as explicações eram falsas.

¶69Mesmo assim, eh, o, o eleitorado não entende. E tudo bem, todos nós temos o o os nossos pontos de de ilusão, todos nós temos as nossas cegueiras, o amor é cego. Muita gente se relaciona com a política de uma forma apaixonada, mas eh a gente também tem dificuldade de de assumir os nossos próprios baias, né? Então, se a gente a gente pode sair do armário e dizer o que qual é o nosso bias, né? O que que eh o que que eu valorizo.

¶70Quem ligou eh hoje aqui no Central Meio pela primeira vez me viu, me ouviu falar em instituições umas 450 vezes. Esse é o meu bias. Eu acho que a proteção das instituições é fundamental para que a gente siga tendo eleições competitivas. Eh, e tudo bem, só que você não pode sair apontando que o outro é corrupto, o outro é bandido, enquanto você tem a foto de um cara que tá muito eh metido em corrupções e com bandidos atrás de você. Eh, e [limpando a garganta] enfim, a gente vai tendo essa essa uma discussão muito cansativa a respeito de quem é mais corrupto, de quem é menos corrupto e o eleitor em geral no Brasil tá tá de saco cheio disso tudo, tá cansado.

¶71Eh, e a má notícia pro eleitor lulista é que nesse cansaço, nesse nesse eh quadro de saco cheio, as coisas ficam piores para os incumbentes. os incumbentes foram derrotados eh com a pandemia. A gente tem o evento aqui do Bolsonaro, é que o Bolsonaro eh teve uma uma performance particularmente ruim, vamos dizer o mínimo, durante a pandemia, mas a pandemia levou muitos incumbentes ao redor do mundo. Porque o eleitor no momento de desconforto, no momento de bagunça, no momento de crise, tende a atribuir ao ao incumbente, independentemente de quais sejam as raízes ali, se não for um quadro muito claro do que tá acontecendo, o eleitor atribui ao incumbente. E esses problemas que nós estamos vivendo nesse momento no Brasil eh serão atribuídos, estão sendo atribuídos proporcionalmente ao Lula.

¶72E eu acho que as pesquisas vêm mostrando isso nos últimos tempos. E se o Flávio não fosse um candidato tão ruim, mas tão ruim, a situação do Lula ia ser ainda pior. >> Deixa eu, antes de passar paraa Fábia, tá tudo bem? >> Tá tudo bem. A, deixa eu dar o boletim médico.

¶73A Helena tá ótima, tá só com probleminha de estômago. A escola achou melhor buscar, porém a hora que pisca enfermaria a escola Helena, o coração da mãe dá uma, né? Então, desculpe novamente, mas tá tudo bem. Eh, o Marcos Rigon faz aqui o seguinte comentário: "Chega, Pedro, chega, mas o outro lado é pior. A esquerda aparelhou as instituições, o que tava acontecendo no STF é a grande prova que a galera precisava.

¶74Marcos, eu eu odiaria te trazer essa informação, mas a gente tá falando do a gente tá falando do mesmo Bolsonaro que tentou matar o COAF porque tava descobrindo e detalhes financeiros que não interessavam a família Bolsonaro. A gente tá falando do mesmo presidente Bolsonaro que queria tirar delegados da Polícia Federal que estava investigando os filhos dele na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Eh, a gente tá falando do mesmo Bolsonaro que botou na procuradoria geral da República um sujeito que ele tinha certeza de que não ia ter qualquer espinha dorsal. A gente tá falando do mesmo Jair Bolsonaro que cujo pres cujo ministro da justiça se demitiu publicamente porque o presidente estava impedindo de ou impedindo de investigar ações de corrupção ligadas à direita. É desse Jair Bolsonaro que a gente tá falando, bicho.

¶75Você precisa fazer muito esforço para achar que o Bolsonaro é é é um santo perante o Lula, entendeu? precisa de fazer muito esforço. Eu não tô dizendo, eu não sou a pessoa que tá te dizendo que o PT não aparelhou o governo. O PT aparelhou o governo. É só que a comparação é muito pior, entendeu?

¶76O o o Bolsonaro é um sujeito que presidente da República, fez uma intervenção no Ministério da Saúde para que o Ministério da Saúde não trabalhasse durante uma pandemia, cara. A pior pandemia é um século. E é eh eu fico absolutamente estarrecido com isso. Eu eu é um problema, sabe? Os americanos têm uma expressão que eu acho que a gente devia começar a adotar de alguma forma eh eh no Brasil algo equivalente.

¶77Eles chamam de da October Surprise. >> Hum. >> A surpresa de outubro. O que que é a surpresa de outubro? As eleições nos Estados Unidos são sempre na primeira terça-feira de novembro, assim como a nossa é sempre no primeiro domingo de outubro.

¶78A gente é mais democrático inclusive, né? Porque a gente faz num dia em que as pessoas podem [risadas] votar, né? >> Ol, tem tanto jeito que o nosso sistema eleitoral é melhor que o americano. >> É uma lavada, >> não é assim? Mas tudo bem.

¶79A eleição deles é na primeira terça-feira de novembro, eh, e não é feriado. E suposto e todo outubro tem a expectativa da surpresa de outubro. É alguma revelação que acontece, é algum incidente, é alguma coisa que acontece, br, dá uma chacoalhada final no cenário eleitoral antes de os eleitores irem a ur, né? Às vezes são maiores, às vezes são menores, mas sempre tem uma surpresa de outubro. A a gente meio que tá tendo esses momentos em 2014 foi a propaganda do PT, né?

¶80aquela propaganda do PT contra a Marina, eh, explicando didaticamente pro eleitor que você tornar o Banco Central independente vai fazer com que as pessoas passem a ter fome. Eles nunca explicaram exatamente como é que era a mecânica do processo institucional que leva essa conclusão, >> mas a a comidinha desaparece, >> mas a comidinha desaparecia no prato e e aquilo foi extremamente eficiente. >> Eh, evidentemente o o outubro tem também a surpresa de agosto, né? 14 tem a surpresa de agosto também, que é o a queda no final de agosto do avião com com Eduardo Gomes, né, que é perdão. >> Eh, Eduardo Gomes, coitado.

¶81Obrigadeiro. >> Obrigado. Avião. Obrigado. [risadas] >> É, pois é.

¶82Eu eu fiz alguma associação maluca na cabeça. Eh, em outubro, em em 18 a gente teve a facada no Bolsonaro, que também deu uma baita de uma chaparada em >> e que foi em setembro. >> E em 22 eu não sei se a gente teve alguma coisa grande. Eu acho que a gente >> teve no dia da eleição, né? algumas algumas coisas [risadas] grandes.

¶83>> Teve teve a coisa da polícia rodoviária >> em julho teve a reunião com os embaixadores, teve teve uma escala, mas em contrapartida nos Estados Unidos tem uma outra coisa também chamada a regra dos 60 dias do Departamento de Justiça. Ah, >> que é uma norma que eu usei, isso não cai entre nós eh da semana passada porque, né, deita atrás de vista. A gente vai >> a gente falou disso na semana passada. Pô, que é isso? É, nem lembro mais no no quatro problemas institucionais.

¶84que é uma norma que não é escrita do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mas que é uma uma dessas regras que vão se tornando tradição e se consolidando a partir do respeito a ela, independentemente dela tá [risadas] eh eh codificada ou não, que é uma orientação aos procuradores para evitar medidas investigativas. Tô até lendo aqui para não cometer erros. medidas investigativas investigativas ostensivas ou acusações públicas nos 60 dias que antecedem eleições federais. E quando a gente pensa nessa regra, Pedro, eh, que que a gente tá do que que a gente tá falando, né? eh é de preservar.

¶85Então, é o o ângulo pelo qual os eh procuradores, né, o DOJ americano entenderam essa norma é o processo eleitoral é mais importante do que qualquer investigação que possa vir a ser que possa vir a contaminá-lo, que [roncando] é um pouco o oposto do que a gente tá pedindo agora, né, que a gente tá pedindo o a quebra de sigilo total, mas já na esteira de uma quantidade de vazamentos né? Eh, que já contaminou a coisa é aquela coisa assim, olha, já tá tão contaminado que a essa altura é melhor a gente ver a extensão do problema. Não é mais possível viver de susto atrás de susto, a depender do ímpeto vazador de alguém, né? Eh, a gente, isso vai claramente eh envieszar o resultado eleitoral, né? Então, eh, eu acho, acho curioso assim que a gente a gente tenha chegado a esse ponto tão longe.

¶86E queria só pontuar também que eleitoralmente ontem, eh, na Avenida Paulista, na manifestação que teve aqui, eh, eu não fui e contei apenas com, além de ler tudo que saiu a respeito, com três pessoas próximas a mim que estiveram lá e me relataram o que viram. Então, tô confiando num relato de segunda mão somado a aos relatos da imprensa, eh, que na ali no chão, não palanque, né? Não, lá no carro de som no chão, eh, tinha eh era um cenário de muito muito muita panfletagem de deputado para deputado federal, >> um pouco para senador. Eh, houve uma uma um momento ali do Romeu Zema, fazendo uma caminhada mais cedo do que o evento bolsonarista. O evento do Renan Santos foi na no parque do Ibirapuera, no obelisco, então não se cruzaram, mas que era um momento ali muito de fora Lula, fora Morais, era inclusive o mote da do encontro, né, da manifestação, mas era eh pelo menos o que me relataram, quem esteve ali no chão, era uma coisa de uma uma grande panfletagem, não tinha um um sentimento ali agregado or, como já aconteceu em outros momentos eh de sublevação aí, principalmente do campo bolsonarista contra eh o Supremo, em que as pessoas claramente estavam emocionalmente engajadas, enfim, porque o Flávio primeiro tem um teto de vidro.

¶87Eu acho que mesmo quem ainda vai à rua apoiá-lo não se sente tão aderente a ele como ao pai, né? Mas também porque é isso assim, eh eh ficou uma pauta difusa eh de uma direita difusa, né? A pauta é concentrada de uma direita difusa e não foi capaz de mover eh mais gente além do bolsonarismo para as ruas ontem, levando em conta também que tava um baita de um frio e uma chuva em São Paulo, em em Belo Horizonte também e tal, então no Rio também. Então, enfim, eh, isso não é desprezível, porque não tava fácil sair à rua ontem, não. >> Flávia, deixa eu só eh eh trazer aqui os números só para completar o que você tá dizendo.

¶88>> Aham. >> Foi o menor 7 de setembro bolsonarista da série medida >> pelo monitor do da USP, né? >> Foram eh 28,5.000 pessoas, a margem de de 3500. >> Uhum. eh para cima ou para baixo.

¶89Então, 28.000 pessoas joga 3500 para cima, para baixo. A faixa é 32 a 25.000, né? >> Eh, em 24 foram 45.000. Em 25, no ano passado, foram 42.2. >> Que ainda tinha o o o não, que foi quando o Flávio levou o Jair em celular, né?

¶90Não, não, não, não, não. Ele ainda tava solto. Jair, Jair tava solto. Em setembro ele foi preso em novembro. Eh, >> é, parece uma eternidade.

¶91[risadas] Eu vou precisar usar essa parede preta aqui do estúdio e desenhar uma cronologia fixa aqui para mim. >> Pois é. Pois é. Mas acho que há uma percepção, acho que nesse momento innegável, que é uma campanha que ninguém tá muito empolgado, né? Há muito tempo a gente já fala de política da política das rejeições, né?

¶92Uhum. A política que motiva mais para você tentar evitar o outro do que você estar necessariamente apaixonado pela aquela visão, pel aquele candidato. Mas acho que ainda mais do que isso. É não apenas é uma política de rejeição, mas é uma política de desmobilização que se reflete numa manifestação que tem muita gente ali que tá trabalhando, né? uma manifestação de panfletagem >> que é feita ali não por uma militância orgânica, mas por pessoas contratadas >> para distribuir porfletos dali.

¶93Hoje, no meu caminho para cá, eu passei pela pela Avenida Paulista, há inúmeros daqueles adesivinhos nos postes e tudo ali, que é típico de manifestações que tem ali na Paulista, mas me parece uma uma uma expressão de uma mobilização de campanha. Uhum. >> Eleitoral de promoção de determinados candidatos do que necessariamente de uma proposta. Não era ali um >> fora moris, não era ali não era uma uma coisa de muitas ideias, mas era ali uma um evento de campanha de um grupo político. Se tivesse feito um parecido do lulis, eu acho que o resultado seria parecido também.

¶94Não era nada, não há grandes mobilizações fora de quem já está mobilizado paraa eleição. De qualquer forma, >> a despeito disso, o Flávio Bolsonaro não para de crescer nas pesquisas, de voltar a crescer. E e aí tem a ver, ele não tá não disparou, mas ele recuperou aqueles cinco pontos eh inteiramente isso, >> né? E e a gente tem pesquisa meio ideia amanhã, viu, gente? Eh, fiquem de olho.

¶95Aliás, deixa eu aproveitar rapidinho aqui, Pedro, só para quem tá meio desavisado. Eh, para quem não sabe, o meio faz uma pesquisa eleitoral mensal junto com o Instituto Ideia, são os nossos parceiros. E, eh, a gente vai lançar a nossa ah deste mês amanhã. Só que eh, para quem ainda não tá sabendo do esquema, é o seguinte. Assinante premium do meio recebe antes de todo mundo, recebe meia-noite, o reloginho virou, TSE, autorizou, chega o PDF no seu e-mail.

¶96Então você fica informado, muito bem informado, com dados de primeiríssima, com análise, com tudo antes que todo mundo. Meia-noite já tá na tua caixa, você já pode distribuir nos seus grupos de zaps, ter a referência de informação de qualidade nos teus grupos, no teus ciclos de amizade e tudo mais. Então gente, só assine. Tá aqui quear code na tela, são só R$ 15 por mês. Você recebe a pesquisa meio em primeira mão, você recebe edição de sábado.

¶97A gente tá fazendo uma cobertura eleitoral intensa paraa edição de sábado. Você recebe meio político. Essa semana é artigo do Cristian Lint. Eh, você tem acesso ao nosso streaming, tem o nosso documentário, eleições 2026, a escolha. Não tá chegando a hora da escolha?

¶98Então vai lá dar uma olhadinha no nosso documentário. Tem também o do golpe, tá gente? Do o o que narra o que foi a tentativa de golpe. Tem também o da democracia que explica o que que a gente conquistou com a democracia desde 1988. Eh, então assim, gente, por R$ 15 por mês, honestamente, né?

¶99Só assinem. Eh, diga, Pedro, eu ia te eu te interrompir. Não, não interrompeu não. >> Não, eu tava falando que o Flávio vem subindo, apesar dessa falta de entusiasmo. O Augusto Curi se apresentou como novidade, eh, mais recente, né?

¶100Então, também parece que faz dois anos, mas foi segunda passada. Aliás, eu entrevisto hoje e esse é essa é a razão de eu estar em São Paulo. Se você tá interessado em saber quem é Augusto Curi, qual o tipo de cabeça que ele tem, eu entrevisto Augusto Curi hoje, daqui a pouco aqui no meio e e o plano é a gente botar essa entrevista no ar ainda hoje à noite >> depois do C entre nós. E todo esse todo esse escândalo, toda essa fase desses escândalos acabou roubando a atenção que o Augusto Curi deveria estar recebendo. >> Eu acho que Eu acho que não.

¶101Eu a Sabe por >> você acha que a confusão é a causa da >> Não sabe o que que fez comigo, com a minha cabeça também de viciada em noticiário político, né, por ofício e por prazer, né? Eu comecei a me questionar muito intensamente primeiro se diante desse abalo institucional, porque uma coisa que eu ainda não tinha falado aqui é que nos corredores tem dois tipos de corredores de Brasília neste neste nesta quadra da história, né? os corredores amigáveis à Mendonça e os corredores amigáveis a a Xandão. >> Até os corredores de Brasília tem uma a polarização. >> Isso, exatamente.

¶102os corredores amigáveis a a Xandão já começaram a eh fazer circular que caso esses sigilos não caiam, porque assim, uma das estratégias do Faquim de tentar mitigar, se é que ele vai conseguir alguma coisa, é puxar para si as relatorias de master e INSS, que são os dois grandes casos, ambos nas mãos de André Mendonça, ambos com potencial de estrago eh enorme. enorme no poder em Brasília e de eh efeitos nas eleições, supondo que Faquim consiga fazer esse movimento, o que não tá nem de perto certo, tá? Porque ele não tem articulação política eh o suficiente para isso, mas é uma das coisas que ele já manifestou que tentaria. Supondo que ele faça isso e levante o sigilo de tudo e atenda esse tipo de apelo que o Pedro fez, que o Rafael Mafei fez na nossa edição de sábado e que outros estão fazendo. Aí resolve, entre aspas, uma parte do efeito eleitoral, porque aí o eleitor que se vire e conta com jornalismo profissional para ajudar a ler o material todo e tomar suas decisões.

¶103Caso isso não venha a acontecer, o que os corredores amigáveis da Alexandre de Moraes estão fazendo, circulando, eando, >> é que tem, então vazar loe eu, né? Porque [risadas] vazamento por vazamento vamos para as cabeças. Então, é possível que a gente esteja num cenário de eita atrás de viste, de manhã, de tarde e de noite. E aí a gente pode estar diante de uma situação em que eleitoralmente Augusto Curi se apresente, como realmente eh pro eleitor, bom, se tá tudo esta confusão, todo mundo é culpado de tudo, esse cara aqui, quem sabe, de repente eu vou com ele. E aí o que não me sai da cabeça é como que ele responderia a uma crise institucional deste tamanho.

¶104Eu acho que é o tipo de pergunta que a gente mais eh engajado politicamente vai passar a fazer e ele vai ser cobrado a responder. Estão percebendo que a Flávia tá me pautando aqui? [risadas] A gente está assistindo a reunião de pauta, de preparação para a entrevista que o Pedro. O homem é diretor de jornalismo, mas eu tô editora chefe. Fala mais alto que eu.

¶105Eu já saio editando a geral. Só tô dando um passinho para trás aqui, ó. Talvez a percepção de profundidade de vocês não perceba isso, mas eu só tô dando um passinho para trás para deixar com que a reunião flua melhor. >> Agora em minha defesa, eu não tô sendo desleal porque já o havia pautado no caminho pro quilinho. [risadas] Verdade ou não?

¶106fecharam. >> Pronto. Então aqui, ó, aqui não tem virada de mesa, não tem truco repentino. Aqui é tudo jogo combinado. >> Ao contrário de outras instituições no Brasil, a esta instituição está funcionando.

¶107Eh, mas eu acho, honestamente, eh, não é só porque eu quero pautar o Pedro, não. Eu acho que ele ele e gente, se ele segue crescendo, ele vai ser questionado de como ele lidaria com uma crise desse tamanho, que não tem data para acabar. E se ele fica estagnado nesses vai já saiu entre 7 e 10, né? 7 e 11 pontos, né? Eh, considerando as margens também, ele tem, ele vira ativo eleitoral e os dois lados são muito diferentes.

¶108Então, o lado que ele vai escolher vai fazer diferença no segundo turno. Então, eu não acho que ele fica irrelevante. Eu acho que ele já é uma peça relevante, eh, mais do que qualquer um de nós esperava. Inclusive >> dois dois pontos eh que eu acho que a gente todo mundo que está nos assistindo inclusive concorda e a há há vazamentos para acontecer nas próximas semanas até a eleição. Eu acho que ninguém eh apostaria R$ 1 que acabaram os vazamentos e que nada mais vai acontecer.

¶109E a gente não tem a mínima mínima certeza a respeito de quem que pode ser atingido. >> Exatamente. >> Eu sei que eu não eu não tô eu não recebi. Eu tenho eu tenho um amigo que eh eh trabalha num dos muitos jornais do país e que teve acesso a uma papelara imensa de Daniel Forcaro que falou: "Ó, procurei seu nome lá, >> deu um control F lá, [risadas] >> Pedro Dória, queria saber se eu tinha ganho uma grana. Ainda bem que na documentação que chegou lá, meu nome não tava.

¶110deve tá em outro, né? [risadas] E e o outro o segundo ponto é que eh a o espectro do outsider conta a polarização brasileira aí nos últimos anos. o espectro de quem seria essa pessoa que romperia o lulismo e bolsonarismo ou que poderia ali ser alguém fora do lulismo do bolsonarismo. E eu confesso para vocês que eu achava que seria alguém com um perfil diferente. Eu achava que seria alguém com um perfil mais combativo, um Renan Santos, alguém que diria: "Eu vou entrar de tanque na favela para buscar os traficantes, eu vou prender todo mundo e depois a gente vê quem a gente solta".

¶111Eu achava que o outsider brasileiro seria alguém que dobraria a aposta na força. E o Augusto Curi é um outsider que tá de calma, né? >> Mas a gente já teve esse o outsider da força já foi ou já? Mas é que eu achava que a gente então, mas é que eu achava que eu que a gente ia ter um Bolsonaro melhorado, um Bolsonaro que que como o Renan Santos consegue articular melhor a estratégia do Bolsonaro. Sim, eh, a minha visão de da da entrevista que o Renan Santos deu, não jornal Nacional, que o tempo é mais curto, mas eh naquela sabatina da CBN, é que ele pega alguns pontos muito importantes pros bolsonaristas, como da segurança pública, eh, e articula muito melhor.

¶112Ele consegue, eh, criar uma imagem mental muito mais complexa pro eleitor do que o Bolsonaro jamais conseguiu. E eu achava que o outsider seria essa pessoa que pegaria esse desconforto, essa revolta, esse negócio de estar tudo muito errado, mas que conseguisse articular melhor e, enfim, dobrasse algumas apostas que o Bolsonaro não consegue dobrar porque alguém pouco articulado, enfim, alguém pouco convicto, não sei. Mas na verdade, o melhor outsider, pelo menos dessa campanha eleitoral, é o o médico que foi pedir calma no debate, né? Mas cara, é o que o brasileiro tá querendo dizendo que quer na pesquisa. existe um um desencantamento com eh existe um desencantamento com com o sistema político e e ao mesmo tempo eh e existe uma coisa mesmo de as pessoas estão cansadas de brigar, elas não conseguem sair da briga, mas existe uma exaustão.

¶113Eh eh eh elas estão sendo empurradas paraa briga de qualquer forma, né? Porque você, se você tem 50, 50, tu tem que escolher um lado. É, elas são empurradas pra briga por um lado, eh, mas por outro você tem pelo menos 1/3 do país que não queria nenhum desses dois nomes, >> que não quer Lula, que não quer é Flávio. O problema desse 1/3 é o seguinte, o o o voto sólido do Lula é muito maior do que o do Flávio, mas quando você pega esse 1/3, ele quebra mais na direção do Flávio do que do Lula. No entanto, essas pessoas com muita frequência são as pessoas que escolhem não falar sobre política nas redes sociais, que são pessoas que escolhem não falar sobre política na no almoço de domingo da família.

¶114São as pessoas que evitam falar de política na pelada, na na reunião da escola, na seja lá eh eh na reunião de turma, né? Seja lá eh ou na igreja, eh você tem um número crescente de pessoas que evitam falar de política. Agora, sempre tem aquela pessoa que não quer falar de outra coisa que não política. E essa pessoa costumeiramente é aquela que acaba pisando no calo de 3 4 5 e olha, às vezes vem da esquerda e às vezes vem da direita. >> Sim.

¶115>> Mas pisa no calo de 3 4 5 e aí vira briga. Quer dizer, mesmo que você não queira, mesmo que você não escolha, mesmo que a briga sobre política venha a você no Brasil de hoje. >> Sim. E, e, e, e isso é uma coisa que tá gerando uma exaustão. E o diabo é o seguinte, se a gente eleger o Flávio Bolsonaro, [roncando] esse troço vai acirrar eh >> com um fator bastante, Desculpa, >> não não também.

¶116Eu, eu, eu só eu vou só amarrar uma coisa. Eu, eu, eu vou falar uma coisa. Eh, diferente de 2022, eu posso estar errado e eu espero não eh eh morrer pela boca nessa afirmação. Eu não acho que exista um risco de golpe militar com Fláio Bolsonaro na presidência da República. Agora, se o Flávio foi for eleito, eu acho que o escândalo e da grana que ele ganhou, a do Vortaro explode na cara dele entre o primeiro e o segundo ano.

¶117E a gente tem um altíssimo risco de terminar com impeachment rápido. Tipo, eu acho que uma presidência, Flávio Bolsonaro, é uma presidência que entra numa crise grave muito rápido. você tem um presidente eleito e já recebe os votos com uma 130 e poucos milhões, eh, com o áudio dele conversando com Daniel Vorcaro, que tá preso, né, pedindo dinheiro pro Daniel Vorcaro, eh, envolvido diretamente, não é que bem que a escolha do Lula seria uma escolha eh livre de polêmicas ou livre de envolvimentos com eh com escândalos, mas você começaria, a gente começaria um governo já bastante, não, não digo que debilitado. Eh, acho que nenhum presidente no Brasil começa o seu mandato debilitado, eh, com R, talvez a Dilma 2014, mas por outras questões. O presidente começa com certo poder, mas eh você começa com um presidente eleito com uma questão gravíssima sobre si, que é um uma quantidade de dinheiro inexplicável.

¶118E não é inexplicável por ser difícil de apenas inexplicável, mas também inexplicada, porque não é apenas difícil de ser explicável, mas também não foi explicada. O o Flávio não tem argumentos para explicar esse direito >> não. Nem o Alexandre para explicar conversas com o Vorcaro. Só que eu eu enxergo o risco por outro ângulo. O Flávio Bolsonaro, se eleito por pouco ou por muito, a pauta inicial dele é a anistia do pai, é subir com Jair a rampa.

¶119Isso implica em partir para cima do Supremo, partir para cima de um Alexandre de Moraes que já está com outras questões, >> fragilidades. Qual a diferença que a pauta do Flávio inclui um Donald Trump que quer também eh fazer a briga com Alexandre de Moraes, que já vinha fazendo essa briga com o Supremo Tribunal Federal, particularmente com o Alexandre de Moraes. Eh, eu concordo com o Pedro, eu não enxergo eh nos mesmos moldes um risco eh de golpe com, né, com o Flávio, porque ele não tem apoio de militar nenhum, inclusive. Isso é algo que todo mundo que cobre caserna fala que olha, eh, assim, é claro que poucos militares querem Lula, mas o Lula, mal ou bem, resolveu rapidinho um monte de questão botando mústil. eh a contra gosto de toda a esquerda, inclusive, eh hoje é não é necessariamente mal visto, como já foi, não pelo eh pelos militares, né?

¶120Então, de fato, o Flávio não conta com apoio, como eh o Jair contou. Agora, ele tem uma agenda eh agressiva com relação ao que ele quer de parceria com o Donald Trump, inclusive porque ele é frágil, inclusive porque o Donald Trump lhe dá respaldos importantes, retóricos, eh, e não sabemos ainda que outros, né, se eles vão ter, eh, possibilidade de negociações econômicas ou se vai ter algum tipo de interferência eh indireta, me parece que é direta. Nós não estamos ainda nessa o se tem uma coisa que é imprevisível esta semana e ontem e amanhã é a crise do STF e o Donald Trump. Os dois associados com interesses eleitorais importantes na região, importantes pro Marco Rúbio. Eh, não é for, não é só da cabecinha do Trump com seu McDonald's.

¶121Eh, é um contexto de coisas, é um contexto de escaladas, é um contexto de brigas eh eh que envolvem as bigtechs. Então, assim, eh é um pacote, uma vitória do Flávio Bolsonaro em termos de crises institucionais. Traz um pacote que é muito diferente de um bom e velho Lula, no sentido de todo mundo já sabe o tipo de chamar o Davi ao Columb para um café. Tô falando que isso é bom paraa República. Não é isso.

¶122Eu tô falando que é um Tem um pezinho a mais na previsibilidade. Tem um pezinho a mais no Faquim. Vem tomar um café, você o Zaninho, não sei quê e e o Gilmar. E vamos ver aqui que que a gente faz. A Columbre não é algo que me pareça que o Flávio Bolsonaro traz pro pacote.

¶123Isso é bom ou ruim, gente? A essa altura eu não sei, a gente quer ver o parquinho pegar fogo para ver se melhora. Eu acho um risco. Eu acho perigoso demais a gente apostar, ah, melhor botar tudo abaixo porque aí a gente reconstrói melhor. Será?

¶124Em que termos, né? Então, tudo isso me preocupa bem. >> Acho que a gente já começaria um governo eh que na melhor das hipóteses ficaria um tanto paralisado, né? com tantas frentes abertas, eh, com uma desconfiança imensa a respeito da do prosseguimento das investigações sobre o caso Master, eh, sobre qual seria o destino de Vorcaro, para onde iria a Polícia Federal. Imagina a indicação desse próximo diretor geral da Polícia Federal eh num num governo de um cara que está acusado de receber um volume grande de dinheiro de Daniel Vorcaro.

¶125É um eh, talvez Flávio teria uma relação melhor com o Congresso Nacional. >> Uhum. >> Né? Talvez. Ah, mas não necessariamente.

¶126Jair Bolsonaro não teve uma boa uma boa relação com o Congresso Nacional. É, é um Congresso Nacional diferente. A gente >> prociro Nogueira. precisou entregar pro Ciro Nogueira porque ele não conseguia. a gente tende a ver, a gente, nós aqui e vocês aí que estão nos assistindo, que são pessoas eh que prestam mais atenção em política do que a média, tende a ver as coisas numa numa divisão muito mais ideológica do que elas realmente são.

¶127A questão do Congresso Nacional, a dificuldade do Lula com o Congresso Nacional, não é que é um Congresso Nacional inimigo do povo, de acordo com os petistas ou mais conservador de acordo com os Não. É um Congresso Nacional muito poderoso e que bem com um presidente já muito fragilizado, vocês imaginam para onde iria esse poder do Congresso Nacional? Provavelmente seria um uma versão Bolsonaro entregando pro Ciro Nogueira com esteroides, porque o Bolsonaro era muito menos enrolado. Então, não sei se pro próprio inclusive, né, Ciro Nogueira, porque se passar a régua na investigação toda do mato, >> vai levar Ciro Nogueira tem que ser eleito, né? Se é exatamente esse seria o meu ponto se é que o pequeno [risadas] detalhe, >> tem falta isso, mas tem uma lira, né, também que também precisa ter eleito.

¶128>> Exatamente. Mas estão estão tudo ali na fila esperando. >> Pessoal aí [limpando a garganta] que tá nos assistindo, abre uma outra aba depois que acabar o central para dar uma olhada na o horário eleitoral pro Senado no Piauí e tenta encontrar o Flávio Bolsonaro com Ciro Nogueira. Não tem, não tem nada. Co Nogueira, absolutamente >> é tem e eh o vai ser uma coisa curiosa essa relação com com o exército caso ele seja eleito.

¶129Eu tenho certeza de que ele vai continuar enchendo de um monte de gente do exército do governo como o pai fez, >> mas ele vai ter um problema maior com o alto comando do exército. E o problema maior é o seguinte, eles não achavam que o Bolsonaro era corrupto e eles achamos generais que o Flávio é >> Uhum. >> E e isso pros generais, que é quem você precisaria ter como apoio, isso pros generais é é complicado, porque no fim das contas apostar nesse governo é apostar tipo no no na hipótese de um golpe, né? É uma coisa tipo, vamos corromper de vez o exército, né? Vamos corromper.

¶130É isso que nós queremos e e na cabeça dos generais isso são problema. Ou pelo menos é isso que eles falam. E eu não tenho motivo para a a a achar que não seja. Eles têm um segundo problema com o Flávio Bolsonaro, que é a questão de soberania. >> Eh, o exército é nacionalista, >> por acaso.

¶131[risadas] >> Tipo, eles são formados para serem nacionalistas. E e tudo bem, a gente tem essa expectativa de um exército mesmo, né, de militares que sejam nacionalistas. E, cara, eh, eu não gosto de usar a expressão que me me bate uma coisa brisolista, getolista, mas tipo, nunca vi um sujeito tão entreguista quanto Flávio Bolsonaro, né? eh eh é num nível assim de dar vergonha, né, parte de de de dos Estados Unidos, >> de buscar, mas de tentar buscar eh não só um apoio político, mas acho que essa questão com os Estados Unidos, pro Flávio, pro Eduardo, eh e para esse para essa geração de bolsonaristas é o tanto de inspirar uma imagem mental do que é uma uma vida de sucesso, de que é do que é um exemplo de sucesso e usar os Estados Unidos como uma fonte de apoio não apenas político, mas de apoio no sentido de apoiar uma visão lastro, >> um lastro, mas um lastro meio de visão, na falta de da capacidade de projetar uma visão de sociedade própria, você usa os Estados Unidos eh e as possibilidades de consumo dos Estados Unidos, as possibilidades que são abertas nos Estados Unidos e e são innegáveis como lastro para eh eh para ser base do seu argumento polí político. E eu tenho muita, muita curiosidade de como seria no médio prazo a relação da base bolsonarista com esse outro Bolsonaro, que o Flávio não é o Jair e tenta sempre utilizar a frase Flávio não é o Jair em benefício de Flávio, no sentido de que Flávio seria um Bolsonaro moderado em relação ao pai, mas nunca em relação à percepção de honestidade e probidade.

¶132de que e que Flávio não é o Jair, né? Nesse sentido de que, independentemente do que a gente ache sobre o Jair, do que o Jair fez, uso de dinheiro público Jair fez, etc., Eh, há uma percepção muito diferente em relação à probidade de Fá em relação ao Jair e como a base bolsonarista, uma vez passada a a discussão eleitoral com Lula, etc, etc, durante um governo em que os problemas são outros, no médio prazo, como essa base acabaria por ver a liderança de Flávio Bolsonaro? se a polarização seria o suficiente para mantê-los fiéis a Flávio ou se com o passar do tempo eles acabariam por ver que Flávio é um um outro um outro animal, né? Uma outra um outro tipo de político. Outro tipula, [risadas] >> desculpa, não existia.

¶133Pegou desprevenida. Eu tava aqui lendo a as últimas notícias pra gente encerrar o programa, ver se eu não tava perdendo nada muito quente aqui. Aí você mandou só um outro tipo de animal, deu uma desconcentrada. >> Pois é. Um é um outro é um outro tipo de político que tem um outro tipo de relação, de relações políticas, como a gente bem sabe, e de relações empresariais, como a gente também muito bem sabe.

¶134>> O Cláudio Kerry manda a seguinte reclamação comigo. >> Hum. Gosto de ouvi-lo, mas sua parcialidade compromete suas análises. Até numa leitura materialista, sua ânsia de tirar Flávio do jogo acaba distorcendo os fatos. Eh, materialista, a sua sugestão é de que eu seja marxista?

¶135Eh, eu eu não faço leituras materialistas, eh, Cláudio, pelo menos não é intenção. Eh, cara, o Cláudio é corrupto para O Cláudio, desculpa, o Flá, >> perdão, cara. Perdoe, Cláudio. Eh, é que eu tô partindo o princípio que você é bolsonarista. O Flávio é corrupto para E o e o e o Flávio é entreguista.

¶136É, mas tipo, você não acha [risadas] o que que te traz dúvida? Eh, mesmo eu para mim são o entreguista, no caso do entreguista, ele me parece um ré confesso. No caso do corrupto Pacas, ele me parece um confesso, ele só tá fingindo que receber 14 milhões de dólares do do Daniel Vorcaro eh não seja corrupção. O, eu tenho uma dificuldade grande de entender exatamente onde tá o argumento bolsonarista. E, e aí eu falo na boa e qualquer um que queira desenvolver esse argumento, tô aberto a escutá-lo.

¶137Mas como é que você constrói um argumento no qual você diz essencialmente que você como senador da República e seu irmão como deputado federal receberam 14 milhões de dólares? de um sujeito que tá comprando meio Brasília e você diz que só no seu caso, especificamente na corrupção, e e se ele é candidato à presidência da República, ter sido financiado pelo sujeito que é responsável pelo maior escândalo de corrupção no sistema financeiro da história registrada da República, como é que a gente não registra isso como corrupção? Eu não entendo como é que você constituar esse raciocínio, porque veja, quando vocês se virem, falam, existe um problema de corrupção com Alexandre de Moraes? Eu acompanho esse raciocínio. Ah, quem recebeu foi o, na verdade, o escritório da mulher do ministro.

¶138Eu acho que é papo furado, tá? Agora, no caso do Flávio, foi ele que recebeu, foi ele que pediu e foi ele que recebeu. Tipo, o Alexandre ainda tem uma intermediária, eh, eh, ele e é uma desculpa esfarrapada, é, mas ele tem uma desculpa. O Flávio não tem essa desculpa. A desculpa dele que o dinheiro é privado.

¶139Não, o dinheiro não é privado. O dinheiro é dos fundos de pensão dos estados. Então, construa esse argumento para mim, porque a gente vai continuar tendo essa conversa até até o dia da eleição, tá? Essa se tornou a conversa mais importante da eleição. Flávio Bolsonaro está, todas as pesquisas indicam, eh, a ponto de ultrapassar Lula.

¶140Flávio Bolsonaro tá chegando ao ponto em que ele é o favorito da eleição. Ele tá se tornando o favorito dessa eleição por causa desse escândalo ligado ao ministro Alexandre de Moraes, porque a sociedade liga Alexandre de Moraes a Lula na sua cabeça. Eh, faz algum sentido essa ligação, mas não é verdade, né? Não, Alexandre é um cara conservador, foi indicado pelo governo Temer. Ele era considerado o vilão dos vilões pelos petistas até o momento que ele se tornou o ministro que foi e e tocou o processo do golpe.

¶141Eh, e isso produziu essa ligação. Agora, construa esse argumento. Esse argumento precisa ser construído por alguém, entendeu? Até porque, deixa eu lembrar uma coisa, eu discordo de muitos pontos do Celso Rocha de Barros. Eu eu eu discordo quando ele fala isso é um escândalo de de direita, porque a maior parte das pessoas corrompidas foram de direita.

¶142Não, eu acho que é um um escândalo distribuído proporcionalmente. 80% pra direita, 20% pra esquerda, porque é o tamanho da esquerda e o tamanho da direita leitas no Brasil. Mas tem um ponto do Celso que é um ponto matador. Daniel Borcaro e o Banco Master são cria do governo Bolsonaro. Ilan Goldfar no governo Temer, presidente do Banco Central, não permitiu que o Banco Master fosse paraas mãos de Daniel Vorcar.

¶143Olhou pro Daniel Vorcar e falou: "Esse sujeito não tem a mínima condição de ser banqueiro". Gabriel Galippolo, o presidente do Banco Central indicado pelo presidente Lula, fechou o Banco Master porque foi a maior picaretagem do sistema financeiro já criado. Inúmeros, tá? É um escândalo que nasce dentro do governo Bolsonaro, que beneficia o o ministro da Casa Civil, do governo Bolsonaro, é um dos mais um dos maiores beneficiários de longe, que dá uma dinheirama, uma dinheirama pro filho, pros filhos de Jair Bolsonaro. E aí vocês dizerem que esse escândalo não tem nada a ver com o Jair Bolsonaro, não fica em pé.

¶144Isso não é parcialidade, isso são literalmente os fatos aos quais temos acesso. E Flávia Tavares está olhando para mim com cara feia, porque eu tô falando demais, já tá fazendo da hora. >> Imagina, meu querido, você sabe, você tá falando o tipo de coisa que é música pros meus ouvintes. [risadas] >> Não, eu ia acrescentar só que como o Z tá atrás de Vich não se esgotam, a gente vai encerrar o programa porque a gente tem que arrumar o estúdio pra tua entrevista. A entrevista com Augusto Curi vai ao ar aqui no canal do meio hoje às 20 horas, tá?

¶145Então, eh, todos estão convidados. O Pedro tá bem pautadinho, bem certinho. [risadas] Eh, mas >> pela Flávia e agora pelo Rafael Pittém >> pautou também. É, >> mas eu só ia acrescentar que o coordenador eh jurídico da campanha do Lula, que por essas coisas que a gente fica falando, ó, tá vendo que da crise institucional é também o advogado do Lulinha, é, [risadas] então assim, que é o Marco Aurélio de Carvalho, tá sugerindo ao presidente da República que convoque o Conselho da República, Pedro Dória, para discutir a decisão do ministro André Mendonça. Nossa, o que que é o Conselho da República?

¶146Para quem não sabe, eu também não sabia, tá? Também tive que dar Google, porque é um desse tipo desses tipos de recursos e de instâncias que só quando tá para derreter tudo que se acionam. O Conselho da República é um órgão superior de consulta do presidente, que além dele próprio participam o vice, representantes do Congresso, o ministro da justiça e seis cidadãos. Conforme a Constituição, o Conselho pode ser convocado para se pronunciar sobre questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas, intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio. O que que essa eh inconsequência dos ministros do Supremo Tribunal Federal, >> do procurador-geral da República e do diretor geral da Polícia Federal estão causando para o Brasil a segunda eleição presidencial, seguida em que a palavra estado de sítio, a expressão estado de sítio é mencionada perto da eleição.

¶147Até amanhã. >> Ah, que que eu vou falar depois disso, >> gente? Até amanhã. Até [risadas] amanhã. C tá cansado, né, dessa disputa que parece ficar só entre dois lados, mas e se eu te contasse que o Brasil que chega às urnas é muito mais complexo do que isso?

¶148Bom, o meio existe para quem quer fugir da polarização, do extremismo e formar a própria opinião. Aqui a gente apura, ouve diferentes perspectivas, faz as perguntas que precisam ser feitas e coloca os fatos em contexto, sem transformar discordância em guerra. [música] É esse olhar que atravessa tudo que fazemos, das notícias do dia, as entrevistas, das análises profundas às pesquisas e as nossas produções originais no streaming. Porque nosso trabalho não é simplificar o Brasil para caber em lados, é dar você mais elementos para enxergá-lo por inteiro e formar o seu próprio juízo de valor. Com a assinatura premium, você acessa a edição de sábado, meio político, [música] a pesquisa, meio ideia e o streaming completo.

¶149Se esse é o tipo de jornalismo que você procura, [música] assina o meio premium. Ah. >> [música]