a tese
Matthew Berman noticia que a OpenAI anunciou ter resolvido o problema de Navier-Stokes (um dos Prêmios do Milênio) com agentes de IA, e usa o caso, cercado de disputa de autoria, para argumentar que estamos à beira da automelhoria recursiva e do risco de plataforma para quem constrói sobre esses modelos.
aprofundar
talvez
O tom é empolgado e a legenda embaralha OpenAI/Anthropic, mas o caso Navier-Stokes, a disputa de autoria com dados privados e a automelhoria recursiva tocam de perto seus interesses em IA e agentes; leia com o filtro de ceticismo.
O que foi dito
- Explica Navier-Stokes como as equações que descrevem o movimento de fluidos (asas de avião, correntes oceânicas, clima, resfriamento de chips) e um problema aberto há cerca de 90 anos, com prêmio de US$ 1 milhão.
- A OpenAI afirma que a prova foi produzida por um grupo de agentes usando um modelo de próxima geração bem superior ao “GPT Astra” (GPT-6), lançado quatro dias antes.
- Relata a polêmica: os matemáticos Tristan Buckmaster (também funcionário da Anthropic) e Levent Alpaji (grafia incerta) trabalhavam há um ano no problema usando o Codex da OpenAI e guardavam rascunhos ali; a IA da OpenAI teria seguido a mesma abordagem incomum e concluído a versão mais difícil pouco depois de a empresa saber do avanço deles.
- Buckmaster acusa a OpenAI de correr para publicar sem as checagens usuais, controlar o crédito e quase deixar seu nome de fora por ele ser da Anthropic; a OpenAI nega ter acessado o trabalho deles, mas admite não poder descartar que dados desidentificados do uso de seus produtos tenham ajudado a treinar os modelos.
- Sebastien Bubeck (grafia incerta), líder da iniciativa Navier-Stokes na OpenAI, publicou prints alegando ter tentado coordenar as divulgações e nunca pedido a remoção da autoria, e que Levent se recusou a comparecer às reuniões.
- Números da OpenAI: o problema, aberto a humanos por mais de 80 anos, teria sido resolvido em 88 horas (1 a 5 de setembro), com 4,9 milhões de mensagens entre agentes e 300 bilhões de tokens de saída.
- Berman conecta ao tema da automelhoria recursiva (RSI): OpenAI e Anthropic já usam IA para acelerar a própria pesquisa (GPT 5.5 ajudando a construir GPT 5.6), ainda sem loop totalmente fechado; e alerta para o “risco de plataforma”, já que quem constrói negócio sobre esses modelos entrega dados que podem treinar futuros concorrentes, defendendo modelos de código aberto.