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Pesquisa Meio/Ideia traz Lula e Flávio empatados em meio à crise no STF | Central Meio

¶1Ah. เฮ Olá, boa tarde. Sejam muito bem-vindas, sejam muito bem-vindos ao Central Meio. Hoje é quarta-feira, 9 de setembro de 2026. Eu sou Pedro Dor e hoje estão comigo direto do estúdio em São Paulo, Flávia Tavares, Mano Ferreira e Maurício Moura, economista e fundador do Ideia Instituto de Pesquisa.

¶2Excelências, como vossas misses estão? Só só não aguardo aqui para começar a despejar as informações, analisar a nossa pesquisa e tentar ver qual que é o capítulo da novela STF da vez aí pra gente pra gente tentar entender alguma coisa. >> Desculpa, eu tava dormindo até a pouco. Aconteceu alguma coisa? Tem coisas acontecendo no Brasil.

¶3>> Olha, eu te intero. Eu te interro. Muito obrigado. >> Faz o resto da chamada aí que eu te interrogo. >> Precisarei encarecidamente.

¶4Hoje temos uma nova pesquisa meia ideia. Lula e Flávio estão engalfinhados, chegam tecnicamente empatados à última rodada antes do primeiro turno da eleição presidencial. Em terceiro vem Augusto Curi Avante que me deu uma entrevista ontem, tá aqui no canal. E mais um capítulo da crise no Supremo Tribunal Federal. Ontem, o ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretorgeral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

¶5Hoje o ministro Flávio Dino reintegrou Andrei Rodrigues ao cargo de diretorgeral da Polícia Federal. Dino criticou ação de Mendonça, disse que foi uma decisão em causa própria. No meio dessa disputa, o presidente da corte, ministro Edson Faquim, cancelou a sessão de hoje do plenário do STF. É muito assunto e ainda vamos ter a Débora Bizarri, nossa queridíssima economista. Então, puxa sua cadeira, deixa seu like, se inscreve no canal porque o central meio, ó, tá no ar.

¶6Excelências. Vamos, vamos, vamos abrir o quadro aqui que hoje eu não quero eh falar sozinho. Eu eu quero começar não pelos números da pesquisa, gente. Eu quero cruzar com o cruzamento, começar com cruzamento de dados que eu fiz da nossa pesquisa que saiu eh hoje de manhã. Eu peguei os dados da eleição de de segundo turno no cenário Flávio Bolsonaro contra Lula, que é o o cenário mais provável pro Maurício não ligar comigo em caso de haver segundo turno.

¶7Eh, e cruzei com os dados de rejeição. Aqueles que rejeitam Lula, mas não rejeitam Flávio. Aqueles que rejeitam Flávio, mas não rejeitam Lula. E é exatamente o que aconteceu em 2022. Se você desconta aqueles que pretendem votar em Lula já no segundo turno e desconta aqueles que rejeitam Flávio Bolsonaro, mas não declaram voto em Lula, você tem 0,5% do eleitorado brasileiro que pode vir a votar em Lula no segundo turno.

¶805%. É isso que Lula tem para ganhar. Enquanto o Flávio Bolsonaro tem 5,1% de votos a ganhar no segundo turno, que são aqueles que ainda não declaram voto em Flávio no segundo turno, mas rejeitam Lula sem rejeitar Flávio. Então vocês devem lembrar como é que foi 2022. Lula chegou uns cinco, seis pontos à frente no primeiro turno de Jair Bolsonaro.

¶9Quando chegou o segundo turno, o Lula não chegou a botar 1% e eles terminaram colados. O Bolsonaro cresceu abessa. Eh, Maurício, que que nossa pesquisa diz? >> Bom, boa tarde. Boa tarde, Flávio.

¶10Boa tarde o colega aqui também. Eh, boa tarde, Pedro. Eu acho que a diz é um cenário bastante difícil paraa reeleição do Lula. Eu acho que essa pesquisa eh que corrobora, inclusive outras que a gente tem visto aí eh que tem um tripé de dificuldade, né? O primeiro tripé de dificuldade é aquela que a gente vem batendo desde janeiro, né?

¶11Eh, Pedro, que metade do país não quer que o governo continue. E isso é um, isso é um impeditivo complexo e é uma é uma parede que eu chamo de de paredão de popularidade que é muito difícil, né? O segundo, justamente, eh, também mencionado aqui, explorado na pesquisa, é o nível de rejeição do governo, né? Rejeição da da figura do presidente Lula também. E lembrando que a gente sempre coloca no nossos questionários do meio, eh, a gente pergunta em quem a o a os entrevistados votaram no segundo turno de 22 e desde que eu comecei a fazer pesquisa nesse ciclo, ninguém que votou no Jair Bolsonaro no segundo turno em 22 aprovou ou quis que esse governo continuasse, né?

¶12que essa é uma dificuldade. E a terceira dificuldade que eu vejo e a aí a série histórica nossa mostra bem, as curvas da pesquisa do documento que a gente circulou mostram bem, o governo não conseguiu melhorar a aprovação eh de uma maneira significativa durante 2026, né? Lembrando que todos os presidentes em reeleição, a gente já comentou isso diversas vezes aqui, né, Pedro, todos os presidentes em reeleição melhoraram a aprovação, melhoraram a avaliação eh durante eh o período de reeleição. E só uma comparação rápida aqui, Pedro, a Dilma Russef, que foi a reeleição mais apertada que a gente teve nesse momento, eh, no dia mais ou menos dia 10 de setembro de 2014, ela tinha 10 pontos percentuais a mais de ótimo e bom do que o presidente Lula e oito pontos percentuais a mais de de aprovação que o presidente Lula. E mesmo assim, e ela e ela tava numa curva ascendente, né, durante a campanha.

¶13Lembrando que a campanha começou no começo de julho, agora a gente tem uma campanha mais curta, né, a gente tem seis semanas de campanha. Então assim, eh, a força do Flávio na na nas pesquisas, eu acho que é muito mais reflexo ao sentimento antioverno, a reprovação do governo do que a própria fortaleza da candidatura dele. E eu acho que a gente tá com dados e dados que mostram isso. Tanto é que quando, lembra na última, nas últimas pesquisas, a gente discutiu o porquê da queda do Flávio, né? E praticamente esse essa essa queda foi dissipada, né?

¶14Por quê? Porque tá muito mais consolidado o desejo da oposiidade, quem de quem é contra o governo de tirar o Lula do que eventualmente fazer um voto convicto assim no Flávio, né? >> É, eu eu acho que uma das coisas que os números da pesquisa deixam muito claro é a gente fica brincando de com voto mole, né? Parece que é uma coisa que a gente não pode falar no YouTube, >> ó. >> Eh, sabia que esse tema ia aparecer, hein, cara?

¶15importante. >> Você não sabe a quantidade de trocadilhos que o Maurício está pronto a exibir tanto sobre votos moles e duros quanto sobre o teu entrevistado de ontem. Então assim, eu tô prevendo, eu tô até quieta, vou deixar rolar. >> É, as pessoas vem o Maurício assim na tela, acham que ele é um cara sério, sempre muito cudo, é porque não conhece e nunca conversaram com ele por trás das câmeras. para nós.

¶16>> É, mas uma coisa, uma das coisas que eh eh eu acho que os números da pesquisa mostram muito claramente, Maurício, é aquele voto que o presidente Lula tem é muito dele. É é um voto muito convicto. Tem a o percentual de votos que preferiam outro é é pequeno, é muito pequeno. Enquanto que o do Flávio não é assim. Eh, no entanto, todos se juntam no Flávio numa no desejo de que o Lula saia.

¶17Quer dizer, é um voto, no fim das contas, é literalmente uma eleição menos entre um Bolsonaro e o Lula e muito mais uma eleição entre o Lula e os que não querem o Lula, né? >> Não, totalmente, né? Agora, é importante dizer que eh o que me surpreende até agora, Pedro, é que a gente ainda tem um gap entre a aprovação do governo e a a intenção de vota estimulada do Lula no primeiro turno, tá? Então, que em teoria eh quem aprova o governo não tem muita opção no primeiro turno, né? Diferente de outros anos que tinham outros candidatos de esquerda que de alguma maneira coptavam os votos do PT.

¶18Então, o que o que tá o que eu tô achando interessante é que o o a campanha até agora não conseguiu fechar esse gap, porque é um gap natural. Eh, se você tem 47, 46 de aprovação, que é o que a gente tem mostrado n nossas pesquisas, você tem 39, 38 de estimulado no primeiro turno, o teu público alvo natural é esse 6, 7%. E até agora a campanha não teve nenhum efeito nesse grupo, né? Isso eu tô achando muito muito eu a minha expectativa é que de alguma maneira esse grupo se se desloque pro Lula, né? Ele parcialmente se deslocou ali pro Augusto Curi.

¶19Mas assim, estatisticamente é muito difícil a gente afirmar que o Augusto Curi tá roubando o voto do Lula. A gente vê o voto dele vem dos indecisos, voto até vem do Flávio, mas o que me me assusta é que a campanha praticamente não mexeu na a campanha não teve efeito até agora nos números do Lula, né? É, vamos vamos mostrar, Flávia, eu já passo para você, você me desculpa, eu já passo para você. Deixa, vamos só ver estimulada, eh, espontânea, estimulada e aí eu jogo aí para vocês. Primeiro, espontânea, eu queria que vocês comparassem eh eh vendo esses números, pensem fundamentalmente na comparação entre esses números e o da pesquisa estimulada, tá bom?

¶20Eh, Lula, 30.7% dos votos. Flávio Bolsonaro 28% dos votos. Augusto Curi 3.2. Renan Santos 3, Caiado 2. Zema já virou outros, tá gente?

¶21Eh, eh, é outros outros outros outros. É, é, é o que há. Eh, vamos paraa estimulada. >> Tá na tela. >> Eh, 38.

¶22Lula, >> 37.3% do Flávio, 6.6% 6% do Augusto Curi, Renan e Caiado, 4% e outros. Maurício tá colando, né? Estimulada e espontânea. Tá começando a colar. >> Tá OK.

¶23Não, totalmente. E a gente sempre faz um cálculo, é bem matemático isso. Eu boto a é o fator entre a a espontânea dividido pela estimulada. Conforme vai chegando próximo da eleição, obviamente elas vão convergindo, né? E e é o que tá acontecendo.

¶24Isso é natural. A gente tá três semanas da eleição. Agora é importante dizer e só para você fazer o ponto aqui, tá, Pedro? Eu vejo que a campanha fez um efeito positivo desde o início da campanha oficial, a gente teve um efeito positivo pro Flávio. Obviamente ele vinha de algumas crises, né?

¶25E obviamente isso, essas crises refletiram nos números, mas a campanha fez um efeito positivo justamente eh para fazer na cabeça do eleitor a isso que você descreveu. A gente pode não gostar do Flávio, a gente pode não conhecer o Flávio, a gente já pode achar que o Flávio é corrupto, mas ele é a melhor opção para tirar o PT. Eu acho que isso tá se eh solidificando na cabeça de quem? Da oposição ao a a ao PT. E é por isso, Pedro, desculpa insistir nesse ponto que eu quero olhando a coisa lá na frente, né?

¶26Eu sempre digo, eh, existe uma coisa que é o antipetismo de chegada, que é aquele sentimento na reta final, que é difícil as pesquisas capturarem, que as pessoas eh saindo do candidato que eventualmente elas gostam, eh, para fazer, entre aspas, um voto útil naquele candidato que tá melhor posicionado para ganhar do PT. O AESO na última semana de 14 ganhou 12 pontos com antipetismo de chegada. O Bolsonaro em 18 ganhou 10 pontos com antipetismo de chegada. Em 22 o Bolsonaro ganhou seis pontos com antipetismo de chegada. Então assim, a chance do Flávio se beneficiar do antipetismo de chegada, inclusive no slide anterior a gente tinha espontânea, se você soma as espontâneas dos outros candidatos, assim, a eles ainda estão num patamar muito pequeno.

¶27Então a chance de de o Flávio roubar voto de Zema, de Caiado, de Curi, de Renan na reta final, com aquele com aquele sentimento, eu quero já votar em quem pode ganhar do PT, para mim essa chance é altíssima. E justamente até nesse cruzamento que você fez, a definição do voto de cada um, né? Tá certo, Flávia Mano, >> eh, você comenta primeiro, depois eu vou fazer uma pergunta sobre as rejeições. Eu eu queria falar um pouco sobre isso e fazer uma pergunta também, porque na prática eh primeiro me parece muito impressionante que a República tá derretendo e nada mudou na intenção de voto. A gente tem basicamente a repetição do cenário da eleição passada.

¶28É aquela história, é tanta coisa que há um ano me parecia que era muita coisa para que nada acontecesse do ponto de vista do eleitor, mas parece que a overdose de informação eh gerou o efeito de fuga eh do cérebro, assim, né? Então, ah, já que tem tanta coisa para tanto lado, eu não quero nem pensar sobre isso e vou eh naquele que vai vetar o candidato que eu mais rejeito. E aí a minha dúvida é até que ponto a campanha num eventual segundo turno vai virar uma campanha pelo churrasco, que é aquela ideia de que olha, eu não tenho mais muita esperança de convencer o eleitor indeciso a aderir a minha campanha. O máximo que eu posso fazer é evitar que ele vote no meu adversário. Então, vira uma campanha eh tão baseada na rejeição que é mais para convencer o eleitor de que não vale a pena ir votar do que efetivamente para conquistar o voto.

¶29>> Eh, deixa eu só, deixa eu só, Maurício, deixa eu só jogar aí nessa, nessa informação, nesse, nessa pergunta que o Mano fez, um dado da nossa pesquisa que é daqueles dados que acabam ficando escondidos, mas que eu acho interessante de trazer. Eu tô arredondando para cima. ligeiramente, mas 42% dos eleitores consideram Lula e Flávio Bolsonaro igualmente corruptos. 42% dos eleitores consideram ambos corruptos. Do tipo, É isso aí que tem, Maurício.

¶30>> Não. E mais fazendo o teu ponto antes de entrar na pergunta do Marco. Dentro desses 42 estão aqueles que eventualmente podem ir para um lado pro outro. Ou seja, aquele e aquele percentual pequeno de eleitores que são pendulares, eles são os que mais acreditam que todos os lados são corruptos. Então esse não vai ser o critério.

¶31Eh, muito pelo contrário, se ficar trocando tiro com corrupção, não vai levar nada para conseguir esses votos. Na verdade, o segundo turno eh é são duas campanhas muito diferentes, né? Porque o a campanha do Flávio, ela vai ter uma coisa óbvia, né? E atrás dos votos dos candidatos que hoje são claramente oposição ao PT. O Caiado é claramente oposição ao PT, o Renan é claramente oposição ao PT.

¶32O Curi, você pode me falar quem que ele é oposição, mas assim, não me parece que ele seja eh de esquerda. O o o Zema, a mesma coisa. Então é uma campanha óbvia, né? Você vai atrás de quem que não gosta do governo dizendo: "Eu sou a mudança, então se você quer mudança, você tem que votar em mim". A a campanha do Lula vai é uma campanha bem mais complexa, porque eles vão eles vão ter praticamente vai ser marginal que eles vão conseguir de eleitores desse grupo aí.

¶33Então eles têm que fazer uma coisa que não é trivial, Pedro, que é fazer com quem gente que não votou, potenciais eleitores do Lula que não apareceram para votar no primeiro turno, apareçam para votar no segundo turno. Esse é o caminho que a campanha do Lula vai ter que exercitar, que não é um que não é trivial. Porque o perfil de quem não vota no Brasil é um perfil de gente baixa renda e baixa escolaridade, cujo custo de deslocamento para voto é muito maior, obviamente, de pessoas de mais alta renda e escolaridade. Então a campanha do Lula, ela vai ter um problema enorme no segundo turno. E assim, só eu vou fazendo um cálculo, se o Lula não passar com mais de 49% no primeiro turno e eu não vejo como ele é favorito no segundo turno.

¶34Se se ele tiver, por exemplo, que ele teve em 22, que é 48 baixo, vai ser muito difícil para ele. O que a minha, a pergunta que eu ia fazer é, é similar a essa do humano, eh, mas é, é justamente sobre essa introdução que você fez, Pedro, eh sobre as nuances das rejeições, né? Então, eh tem tem gente que rejeita um, mas não necessariamente rejeita o outro. Mas a gente chamou a pesquisa pelo fato de um de que eles estão triplamente empatados, inclusive em rejeição. >> E isso eh me eu fiquei eh pensando sobre isso eh eh no ponto de vista da do teto de cada um, inclusive em termos de antipetismo, né?

¶35Então, e também pensando no noticiário, porque desde janeiro, claro, a gente teve um período ali inicial em que conforme o Flávio ia se consolidando como o nome do bolsonarismo, ele teve uma ascensão importante com, né, as pessoas foram ligando ele ao pai e fechando eh fileira com ele. Depois ele passou a oscilar diante de um noticiário que lhe foi muito negativo, que foi Dark Horse e briga com Michele. A gente debateu isso e as nossas pesquisas captaram isso claramente, assim como eh de outros de outros institutos. Nós estamos numa sequência de noticiário muito ruim para o presidente Lula. Eh, e a gente sabe que no nessa nessa confusão que está agora eh em Brasília, o maior perdedor costuma ser o incumbente.

¶36Mesmo que primeiro porque ele já é naturalmente associado a qualquer caos, né, institucional. O incumbente é quem tá no poder, então se tá tudo uma zona, a culpa é dele. >> O desconforto tira a volta do incubante. >> Agora tem também o fato óbvio de que ele é muito mais próximo da ala alexandrista que esteve eh em cheque até a semana passada e agora esse noticiário começou a ficar um pouco mais eh dividido, tem já tem um pouco mais de crítica ao André Mendonça e etc. Ou seja, o ciclo de noticiário ainda também pode mudar muito.

¶37A gente tá muito no terreno do imprevisível. É, como que a gente lida com esses dois fatos a esta altura, sem fazer futurologia? Porque quem acompanha a gente sabe que a gente entende perfeitamente que pesquisa é retrato, mas fazendo, tentando fazer análise mesmo a partir desses dados, né? Eh, essa rejeição do Flávio, ela é pro forma ou ela realmente ela é mole? É uma rejeição mole, Maurício.

¶38>> Tá, tá dura a situação do Flávio >> aí. Não sei. Aí você que vai me responder, meu querido. >> A quinta série, tá? >> Não, mas se a gente não tiver uma quinta série para encarar Brasil, a gente vai fazer o Eu ia perguntar pro Pedro se o Augusto Curi vai apimentar a campanha.

¶39Então tem de tudo, tem de tudo. Ele já me deu uma um preview aqui antes do programa, >> mas mas assim, depois eu queria ouvir o Marco nessa nessa história, mas minha a minha minha interessa. Maurício Maurício é mano. Essa essa >> Maurício >> é mano. Ele já chamou de Magno de mano.

¶40De mago. Tá difícil. É, mano. É, mano. Eu já chamo de este colega aqui.

¶41Você sabe que quando eu não sei o nome da pessoa, eu falo: >> "Oi, meu querido". >> Quando falarem tchau, querido, aí >> não. Exatamente. Mas o problema é que eu uso oi meu querido, mesmo quando eu sei o nome da pessoa que tem. Então aí na problema não dilui.

¶42Exatamente. >> Então deixa recomendar. Eu quero ouvir o mano. Então >> é isso. >> E mas eu eu concordo com você, Flávia.

¶43Essa essa confusão toda é muito ruim pro Lula, né? Por dois aspectos. O primeiro foi que você mencionou, concordo plenamente, porque todo mundo sabe que esse tipo de notícia acaba pegando quem tá no poder, né? Porque eh as pessoas olham, pô, esse cara tá no poder e o poder tá produzindo esse tipo de confusão, esse tipo de interação. E foi ruim pro Flávio, acho que o Flávio ganha com isso, porque quando quanto mais ele deixar de ser protagonista do do escândalo do master, melhor para ele.

¶44Agora, eh, tem um tem tem uma coisa que eu acho que tá por vir aí. Vamos ver assim, uma das coisas que eu aprendi sobre a rejeição do Flávio, como eu falei, o Flávio não não é uma pessoa apreciada, mas como a gente mencionou aqui, ele tá, ele é a única eh oportunidade de ganhar do Lula, mas eventualmente se tiver uma associação eh desse escândalo do master filme organizado, que é uma coisa mais que a gente não transitou ainda, né? Porque a gente teve, a gente teve o Flávio de corrupção, >> aí voltou, teve o Flávio de machista lá do problema da Michele, voltou. Agora se alguma associação direta do Flávio com crime organizado, aí a gente não testou isso ainda, que que é o próximo passo. Bastante plausível, né?

¶45Porque o próprio relator da CPI do crime organizado, senador Alessandro Vieira, tratou disso, né? Que o modus operand na lavagem de dinheiro é típico do crime organizado. E há a possibilidade, né? Existem alguns eh pontos do Banco Master que se cruzam com a operação carbono oculto por meio de fundos exato. Da REAG que faziam lavagem de dinheiro pro PCC.

¶46Então é plausível que em algum momento o noticiário faça com que esses assuntos se encontrem. E bem, também tem os aliados de Flávio no Rio de Janeiro, que aí há uma um arsenal recheado eh de matériapra para para ser explorado pela conexão eventual de Flávio com o crime organizado. >> É, eu acho que isso é uma coisa que a gente vai vai ter que testar, vai ter que testar quando aparecer, porque isso não foi testado ainda. Eu >> eu eu queria trazer três três pontos eh que são interessantes de formas distintas. Eh, primeiro eu soube de, eu tava conversando com um, com um amigo nosso, Maurício, que também faz grupos de foco hoje cedo e ele fez ontem um grupo de foco classe C, periferia São Paulo, eh, misto, homens e mulheres, e pegou ele de surpresa.

¶47ele é um cara com muita, muita experiência eh em classe C, especificamente, pegou muito de surpresa ele o fato de que naquele grupo de foco, naquele naquele conjunto de pessoas, a coisa do Mendonça, de afastar um policial do comando da Polícia Federal pegou muito mal. Pegou muito mal. Eh, e isso não quer dizer necessariamente nada, é um grupo de foco, mas é aquela coisa, né? Opa! A ideia de afastar a polícia de uma investigação da maneira como chega nas pessoas é ruim.

¶48Quer dizer, o Lula não está derrotado. Ele só claramente não é favorito. Eh, ele não é favorito nessa eleição, mas ele não está derrotado. Existem caminhos. Hoje o presidente Lula soltou um tweet.

¶49Essa é a segunda informação que eu queria eh eh trazer. Eu quero ler o tweet dele aqui porque me parece eh me parece que é uma mudança de posição. Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do poder judiciário. Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. A divulgação da verdade, como aconteceu na operação Spuffoffing, é um exemplo a ser seguido.

¶50Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso master. Seja quem for, doa quem doer. O Brasil precisa saber a verdade. O Lula demorou uma semana para perceber que era esse o movimento que ele precisava fazer, né? demorou uma semana, uma coisa inacreditável, mas ele fez o movimento.

¶51Para além do Twitch, eu tô curioso para saber o quanto que ele vai martelar, se ele vai botar a cara em vídeo, nas redes sociais, eh, pedindo abre tudo, eh, se ele vai para o programa de televisão, se ele vai dar entrevista falando isso, porque um tweet ainda é um movimento discreto, né? Eh, vamos ver como que a campanha do PT vai agir com esse negócio. Mas a mim parece e e eu tô falando isso em tudo quanto é lugar que desde semana passada que é o único movimento racional paraa campanha do Lula agora é solta Alexandre, solta ministro Supremo, esquece tudo. Repede, esquece Jack Wagner, esquece Rui Costa, esquece Guido Mântega, todos os envolvidos do PT, abre tudo, abre tudo. Isso, isso é fundamental pra campanha do Lula.

¶52Agora, o terceiro ponto que eu queria fazer é o seguinte, eh eh eu sou daqueles seres humanos que assiste profissionalmente programa eleitoral gratuito e ontem a propaganda eleitoral gratuita, metade da propaganda eleitoral gratuita do Flávio é sobre como o os governos do PT são responsáveis pelo desastre de segurança pública do Rio de Janeiro. É aquela coisa que é absolutamente inacreditável. E no entanto ele tá lá falando do crime organizado, das milícias do Rio de Janeiro, do há quantos anos o PT está no poder e permitiu que isso tudo acontecesse no Rio de Janeiro. É inacreditável porque primeiro o sujeito que deu medalha pro miliciano é é o sujeito cujo grupo político concorre à reeleição no governo do estado do Rio de Janeiro. Douglas Ruas é o candidato do Flávio e é o sujeito que é o o candidato eh do Cláudio Castro que é o ex-governador, né?

¶53É exatamente o grupo político que produziu esse negócio aqui. Agora, o interessante dessa cara de pau, né, do do Flávio em falar uma coisa dessas no programa de televisão é a seguinte: eu acho que cola. Eu eu acho que ainda tem uma quantidade muito grande de pessoas que não conseguem fazer essa conexão entre a corrupção do governo, a ligação do governo do estado com milícias e a deterioração da segurança pública do do estado do Rio. E passo seguinte, a compreensão de que o grupo político da família Bolsonaro e esse grupo é rigorosamente o mesmo. De alguma forma, essa conexão não está feita na cabeça das pessoas, nem aqui no Rio de Janeiro.

¶54Jogo para vocês. É impressionante, porque parece que os anos eh fazendo o discurso do bandido bom e bandido morto, da segurança pública de forma mais dura, deram à família Bolsonaro eh uma associação quase direta à preocupação com a segurança. e do outro lado, a dificuldade do PT de articular eh um discurso que fosse para além é do longo prazo da ideia de que precisamos investir em educação e cidadania porque eh as precisamos gastar mais com escola do que com presídio. esse discurso eh de base mais social do PT para o enquadramento da segurança pública, acabou dando eh também à população de forma mais eh genérica o sentimento de que o PT é negligente com a segurança. Então, o tema da segurança em si acaba sendo favorável à família Bolsonaro, apesar da incompetência da própria e na na nas gestões que tiveram tanto eh no seu grupo político, no governo do estado, como também a nível nacional.

¶55O presidente Bolsonaro não fez mudanças substantivas na política de segurança pública no Brasil. Não tem nada que a curva de redução de homicídio data do governo Temer, né, da criação do Sistema Único de Segurança Pública, que começou ainda de forma deficiente a construir uma integração mínima entre eh os diferentes órgãos eh dos Estados, né, paraa segurança pública. Então, é muito curioso porque parece que a gente não consegue entrar numa segunda camada, fica tudo na primeira página. E a primeira página hoje é que o PT é associado a uma visão eh de longo prazo paraa segurança pública de investimento em educação e política social, enquanto eh o bolsonarismo é conectado a uma ideia de enfrentamento firme e violento contra eh a criminalidade. Então isso acaba dando uma vitória eh política a ao bolsonarismo quando a preocupação das pessoas é o tema da segurança pública.

¶56>> E Pedro, só para comentar o primeiro ponto que você fez em relação à postura da campanha do PT, eu acho que você tem toda a razão. Eh, e eu acho que eles eh ao longo da semana, isso é uma informação eh de dentro da campanha, eles mensuraram isso de diversas maneiras de pesquisa quantitativa, grupo focal. Então assim, eles tinham bastante subsídio que esse era o caminho e tem que ser o caminho, porque agora qual essa essa associação, a mínima associação do presidente Lula com Alexandre Moraes agora, ela pode fazer diferença de 1 milhão de votos para cima ou para baixo. Assim, é é muito na margem. Então assim, eles têm que, não só eu acho que ele tinha que botar no Twitter, mas eu concordo com você.

¶57Ele tinha que ir pra TV, tinha que dar entrevista, tinha que pode fazer a diferença. Eh, como a gente tá falando uma ele muito apertada ainda, isso pode fazer toda a diferença, né? Então acho que não tinha muita muita e eles tinham muita informação. Acho que você tem razão, ele demorou a a tomar essa estúdio e a gente tem que ficar muito atento o que que ele vai fazer daqui em diante, né? >> E ele ainda fez o pronunciamento tanto no na véspera do 7 de setembro como na no evento institucional com a presença do Faquim, com um tom completamente diferente desse, né?

¶58Um tom faquim de vamos deixar o tempo resolver o problema, vamos confiar no Faquim, vamos confiar no Paulo Goneiro em 72 horas. Certo. >> Não, e aí aí é o problema do cara ser candidato e presidente ao mesmo tempo, né? Porque o presidente, eu entendo o presidente querer passar panos quentes, administrar institucionalmente, mas o candidato não tem esse tempo, né, Pedro? O candidato não tem, não pode arriscar.

¶59São duas, são duas figuras que nesse momento são conflitantes, né? >> Mas eu diria até que do ponto de vista da confusão institucional, eu acho que nem o presidente tem esse tempo agora, nem o presidente do STF também, porque a o o clima, a questão institucional é muito grave mesmo, né? Mas tem um pedaço desse desse xadrez todo que é no caso do Lula em particular, que é o alcolumbre, que é o fato de que talvez o um dos poucos trunfos que o Lula ainda tenha eh para tentar ali, né, firmar um pouco alguma vantagem, seja o 6x1. E o 6x1 depende muito do empenho do alcolumbre. E o pedido de abrir o sigilo do caso master coloca o grupo do alcolumbre, o próprio alcolumbre em muito perigo.

¶60Então não é eh eh eu entendo, né, que politicamente ele se ele fazer esse pedido tenha um apelo eleitoral, ele se afastar do Alexandre de Morais seja fundamental, mas eh ele tem o seis por um a perder. E eu não e eu tenho dúvidas sobre qual eh qual prejuízo é menos terrível. Aí >> agora o 6x1, ele sempre pode falar que ainda vai acontecer, né? Manter na esfera da promessa. Eh, a ver se a ponte com o alcolumbre se manterá, né?

¶61>> E até porque uma eventual aprovação não teria um efeito imediato na vida das >> Não, mas eleitoralmente teria, né? eleitoralmente, a imagem eh eh no curtíssimo prazo de aprovamos o fim da escala é uma mensagem forte, principalmente numa campanha com uma completa ausência de mensagens fortes. Então você ter uma e uma extremamente popular já pode fazer muita diferença. >> É, mas eu ainda assim tenho dúvidas sobre o efeito de duração assim, né? Porque no noticiário tão frenético, eh, o quanto tempo essa boa notícia para o, eh, a campanha do Lula duraria na atenção das pessoas sem que as pessoas sintam a diferença concreta na sua vida eh real, né?

¶62Então, eu tenho dúvida do tamanho do efeito eleitoral da de uma eventual aprovação da escala 6 por1. >> É o que a gente tá vendo aqui nossas pesquisas, eh, Flávia, que a gente até perguntou de 6 por um já. Eh, a eu acredito que vai ter, já tá precificado. Eu acho que não aprovar um prejuízo nesse momento. Aprovar é o cenário eh status qu.

¶63Assim, eu acho que já a o grupo que vai votar no Lula, por causa do 6, >> já tá votando. Agora, se não tiver seis por um, aí esse grupo vai ficar frustrado. Eu acho que esse é o essa equação. Só que só que o 6 por um também interessa aos parlamentares que estão concorrendo. Eh, quem tá concorrendo para deputado e para senador não quer, não quer dizer dizer que foi responsável pela não aprovação do seis por um.

¶64Então, nesse aspecto, tem um certo incentivo deles ficarem na mesma página, né? É, eu acho que essa essa esse movimento do Lula hoje nesse tweet, ele eh ele é muito interessante ele vir logo depois na medida do Dino, porque o Dino eh eh o o na medida em que o Mendonça foi eh criticado ontem por parte eh né, de juristas, de por parte da opinião pública, a Mônica Bérgamo deu uma nota que pela primeira vez algumas medições de de sentimento de redes sociais foi a primeira vez que apontou mais crítica ao Mendonça do que Elogios, né, nessa crise. Eh, o Dino hoje chamou para si a responsabilidade da briga e quando o Lula eh age logo em seguida, dá impressão de movimento coordenado ou de ele, no mínimo dele tá falando, ó, estamos deste lado aqui >> agora. Só falta ter uma operação da PF amanhã, né? Então, eh, e é isso, assim, é um terreno muito, é um terreno muito, muito instável para você dar passos assim, né?

¶65Eh, realmente é algo que são cálculos difíceis de serem feitos. >> Pois, porque do ponto de vista de incentivo, agora fazer um exercício totalmente elocubração aqui, do ponto de vista de incentivo, se o diretor da PEF não sabe se vai estar no cargo amanhã, né, porque agora se instaurou uma estabilidade que a gente não conhecia, né, porque Uhum. >> Ele tem incentivo para antecipar qualquer tipo de operação, né? É verdade. >> Por exemplo, sobre Dark Hoss, fazer uma busca e apreensão na produtora, eventualmente prender.

¶66Mas isso depende de autorização judicial, judicial, >> né? E aí, eh, >> mas o o Dino parece tentar tá tentando dar um jeitinho de puxar para ele o rumo dessas investigações também, né? Ele menciona o Dark Ross na decisão de hoje falando sobre as emendas parlamentares, dado que ele relator eh do orçamento secreto, ele sim, ele menciona as supostas emendas que teriam sido repassadas para supostamente a produção do filme. >> Ele já tinha tomado uma decisão nesse sentido de autorizar a Polícia Federal a usar informações da Polícia Civil de São Paulo, justamente no inquérito das emendas a respeito de Dark Horse. Então ele tá eh eh fazendo essa conexão que já ele já vinha fazendo, né, trazendo para si.

¶67Então, nesse cenário, eu não duvido que uma decisão do ministro Flávio Dino autorize uma busca e apreensão ou até uma eventual prisão da produtora do Dark Hoss que geraria pânico. Eu eu conversei hoje >> eu conversei hoje de manhã com uma pessoa que tem o hábito de vestir toga para trabalhar e e e o que essa pessoa me disse é o seguinte: essa essa decisão do Flávio Dino é uma coisa absolutamente única no judiciário do brasileiro pelo seguinte: individualmente um juiz não pode caçar a decisão de outro juiz no mesmo nível. A a instância para você ter recurso de decisão monocrática de ministro do Supremo é ou turma >> ou então o o o próprio pleno. Mas um ministro do do Supremo não pode eh eh caçar uma decisão. E nesse caso tem um agravante que é o seguinte: embora não tenha sido aprovado ainda pela turma porque o ministro Gilmar Mendes pediu vistas, já tem dois votos, já é uma decisão, tipo, tecnicamente ainda é uma decisão monocrática, mas sabemos que é uma decisão da turma.

¶68Só vai depender de quando que o Gilmar devolver para vistas, porque ele vai ser o voto derrotado, né? Então essa decisão do do do Dino é uma decisão para lá de heterodoxa, segundo essa pessoa com quem eu conversei. >> Mas só desculpa, já te passo. Tanto o professor Rubens Gler quanto a coluna da Malu Gaspar apontam que há precedentes sim num e num instrumento que ficou conhecido como suspensão de liminar. Exatamente.

¶69Só que quem costuma caçar liminar é presidente da >> Mas é diferente. É diferente porque é o presidente. >> Isso. Exatamente. A a distinção que eu acabei de fazer.

¶70Sim, o problema é que eles são pares. >> O problema é que eles são pares. >> E e o ponto curioso que eu ia acrescentar é que no fim da decisão do Dino, ele faz questão de colocar em e sublinhado que a decisão dele estaria exclusivamente sujeita à revisão do pleno do STF. Eu achei muito curiosa essa presença. >> E aí vem o Faquim e faz o quê imediatamente a posse?

¶71suspende o plenário de hoje. Ele suspendeu a sessão plenária de hoje. Eh, as reportagens dão conta de que é em busca de um armistício, eh, mas ainda não estão, não tá claro se tem alguma reunião, enfim, de que maneira esse armistícios seria construído, se é que isso é possível. O faquinho tá tentando que dê jeito, né? Não, o o o Faquinho.

¶72Vamos lá, vamos lá. Alexandre de Morais, Gilmar Mendes, Flávio Dino, André Mendonça. Gente, que armistício. O Faquim tá tentando construir esse negócio h qu é o quê? 10 dias.

¶73Eh, não vai ter, não vai ter. Eh, gente, vamos vamos seguir um pouco com a pesquisa. É, >> só, mas só para terminar aqui, se o central meio diamante tiver falando de operação, se o central meio diamante tiver falando da operação da PEF no Dark Horse, eu e o Mano vamos ganhar uma camisa preta do Pedro Dório, só para anotar, >> eu tenho uma coleção, eu só não sei se eu tenho do seu tamanho, Maurício. >> Mas, ó, amanhã, se o tema for operação da PF, vocês vão lembrar de mim aqui. >> Eh, Marco, página 18.

¶74por favor, o segundo turno. Olha que beleza que a gente vai ver esse segundo turno. Lula, 46%, Flávio Bolsonaro 46%, brancos e nulos 3,5, não sabe 4,5. Eu quero lembrar aquele cruzamento que eu fiz, que é o o matador aqui para olhar para esse gráfico, que é quando você compara o o o as taxas de rejeição com os votos no segundo turno, Flávio Bolsonaro ainda consegue buscar 5.1% de votos. Lula tem 0,5% de votos para conquistar.

¶75Maurício, >> não, ainda tem um, está corretíssimo, ainda tem uma questão adicional que eu a gente sempre repete aqui, né, Pedro, que é o o Lula sofre mais com abstenção do que a oposição, né? Então o efeito abstenção de de se ele tá empatado numericamente, isso é ruim, porque justamente os resultados o resultado dele no segundo turno, ele sofreu com a abstenção novamente. Então o e o PT precisa dessa gordura, tradicionalmente precisa dessa gordura para ganhar as eleições. Eh, e claramente não tem nesse momento. Então, o empate numérico eh do ponto de vista da distribuição de quem aparece para votar e quem não aparece para votar é prejudicial pro Lula.

¶76Então, nesse momento, é um cenário favorável pro Flávio. >> Pois é, Maurício, tem alguma eu vou continuar aqui, mas tem alguma, algum número que você gostaria de chamar atenção pra gente mostrar na tela? >> Não, eu acho que tem dois números que me chamaram atenção. Um é inédito, que é que a 51% das pessoas acham que o Supremo toma decisão pensando na no próprio interesse, que eu acho isso muito muito forte. Eh, eu eu acho que esse dá o grau da dimensão do problema que a gente tá enfrentando agora, né, nesse nessa crise.

¶77E o outro, claro, né, eh, é que meio que traduz essa esse cruzamento que você fez, que é o merece continuar ou não. Inclusive, você pegar a curva do merece continuar ao longo desse ano, você vê que tá muito estável, né? Então, são os dois que que eu acho que são muito relevantes para as pessoas acompanharem aí. Primeiro, o tamanho da crise e o segundo, o cenário eleitoral, eh, que a gente tem diante da gente, que a gente tem diante de nós aqui. >> É, eu tô procurando aqui o o >> qual página que é, né?

¶78>> Eu tô procurando, tenho uma pergunta sobre recorte regional pro Maurício. >> Opa. >> Se se há algum risco da vantagem no Nordeste diminuir e isso acabar sendo decisivo para eh o resultado da eleição? Não há risco, sim. Os números da quando você pega as pesquisas estaduais do Nordeste, os números do PT tão piores.

¶79Eh, eu tô falando de Bahia, né, que é um que é um fundamental pro PT. A Bahia é fundamental pro PT, falando de Ceará, que também é fundamental, Pernambuco também, que são os três que realmente resolvem ali. Agora, dito isso, mano, eu, a minha experiência, inclusive no nas eleições da Dilma, a Dilma também tinha resultados de pesquisa piores do que o Lula 2010, 2006. e chega na reta final, no nordeste, ele encaixa com o PT. Eh, impressionante essa, por exemplo, a Bahia, a chegada da Bahia sempre é favorável pro PT e pro Lula.

¶80Na chegada de Pernambuco é sempre favorável pro PT e pro Lula. Então, assim, apesar dos números hoje não dialogarem com o resultado eh de 22, eu eu tendo a acreditar que na reta final tem um alinhamento ali pró Lula, eh, pró PT. Por isso, inclusive, eu acho que eleições que tão que parecem disputadas, tipo Bahia e Ceará, a gente tem dois governos petistas lá que têm aprovação majoritária, eh, tanto no Ceará quanto na Bahia, apesar das pesquisas eventualmente no Ceará colocarem o Ciro Gomes na frente ou na na Bahia ou a CM Neto, tá tá tá na sempre. Eu acredito que primeiro que converge, né, porque o Lulisma lá é muito forte. Agora, a grande questão do Nordeste pro PT é garantir que essas pessoas apareçam para votar, porque também é o Nordeste que carrega abstenção.

¶81Então, eh, a campanha do Lula, ela tem que ter, eu acho que eles têm, inclusive, acho que eles têm que ter um plano de minimizar os efeitos da abstenção eh eh no Nordeste. Eu acho que esse é o esse é o fator crítico ali. Eh, agora tem uma tem uma outra teoria, só para fazer divulgado do diabo aqui, tem uma outra teoria que o PT perdeu muito nas regiões metropolitanas do Nordeste. Não, não tem mais o domínio que tinha em Salvador, na Metropol Salvador. Recife agora tende, tá tá tá votando menos à esquerda do que votava.

¶82E e esse pode ser um efeito ruim, mas o mas assim, o histórico é muito positivo. Mesmo histórico de pesquisas que mostravam o PT meio atrás, na hora H, o esses esses estados convergem principalmente pro Lula, principalmente convergam para Dilma, mas principalmente pro Lula. >> Deixa eu então pedir >> e tá na é a página 46. >> É isso, página 46. Eh, deixa eu pegar aqui os dados.

¶83Eh, eu eu vou ler as três perguntas que a gente tem aqui. Os dois lados da política são igualmente corruptos. É aquele número que eu trouxe logo no início, 41.9, que eu arredondei para 42%. E só discordam 17.7, 18% dos eleitores. Eh, ou seja, corrupção não é o que define voto nessa eleição, né?

¶84Não é o que define voto nessa eleição. Investigação que venha a público é para prejudicar. >> E só só fazer só fazer um parênteses, Pedro. Lembrando que a gente teve dois ciclos eleitorais presidenciais onde corrupção definiu o voto foi 89, que o Color era o caçador de Marajá. Isso foi o tema central ali da vitória dele.

¶85E obviamente 2018, aonde o Bolsonaro surfou toda a onda e eh da Lava-Jato, que tinha obviamente um sentimento antisistema, não é o caso dessa. E essa eleição é muito particular. Eu acho essa eleição meio única, porque no Brasil, de uma maneira geral, as eleições presidenciais foram decididas pela economia. E aí as duas do Fernando Henrique, todas do PT, o PT tinha um argumento econômico forte, hoje não tem, nem a oposição tem um argumento econômico forte de que que vai fazer de diferente quando quando tirar. E a gente não tem também um argumento antisistema anticorrupção.

¶86Então é uma eleição, isso talvez explique o nível baixo de energia e engajamento que as pessoas estão tendo nessa eleição, porque não tem um argumento. A Flávia comentou aqui, né, que ela falou que não tem, são pouquíssimos argumentos na campanha. Concordo plenamente, porque essa tá tá tá os dois principais temas que elegeram o presidente aqui, eles não estão presentes nessa campanha, né? Ô, >> Maurício, eu eu eu trago um outro um outro termômetro que é um termômetro particular nosso da imprensa, eh, para mostrar engajamento com eleição. A gente tá com problema de grana aqui no meio por causa do número baixo de assinaturas no período eleitoral, o que é uma coisa completamente atípica.

¶87Eh, os dois meses anteriores à eleição presidencial é o buom de assinaturas da gente. Agora não somos só nós, é o Globo, é a Folha de São Paulo, é o Estadão, é em geral toda a imprensa eh eh as startups de jornalismo tão fazendo corte. O ICL fez um corte imenso eh uns meses atrás. Isso é completamente atípico em ano eleitoral, essencialmente quem vive de falar sobre política e eh que em anos de eleição presidencial costuma ter muita assinatura, costuma ter muita procura, costuma ter muita audiência, não tá tendo esse ano. A audiência na televisão tá baixa, na TV a cabo que de notícia tá baixa.

¶88Quer dizer, é uma coisa assim eh eh generalizada, que é uma outra maneira de você ter eh medir, né, como termômetro o o interesse das pessoas eh pela eleição. Existe uma desconexão, um interesse é um um quase, sabe, a minha sensação é do tipo, é esse aqui, os dois lados são igualmente corruptos, 42%, é isso, tipo, ah, não faz diferença, não faz diferença. E só adicionando um ponto, além da ausência dos principais candidatos no primeiro debate, nós tivemos o cancelamento do segundo debate que tava previsto, que seria realizado por um pool de emissores, SBT, Rede TV, CNN, enfim, várias emissoras estavam juntas, não tiveram a confirmação de Lula e Flávio e, diferentemente da Band, resolveram cancelar o debate. Então, é mais uma amostra do esvaziamento, eh, da possibilidade de conversa sobre o processo eleitoral, né? Porque parece que não tá tendo um interesse tão grande sociedade sobre o processo.

¶89>> Eh, Marcos, você traz de novo ali aquela página 46, por favor. Muito obrigado. Investigação que vem a público é para prejudicar politicamente. 23% concordam, 37%, 38% discordam, eh, 25% discordam. É, desculpa, eu eu falei de forma confusa, vou vou repetir.

¶9023% concordam que é para prejudicar politicamente quando você traz a público. Nem concordam, nem discordam, 38%. discordam que é para prejudicar politicamente 25%. Eh, agora aqui chama muita atenção, ministros do Supremo Tribunal Federal decidem mais por interesse próprio do que pela lei. Concordam?

¶9151,6%. Era aquele número do qual você estava falando, né, Maurício? Eu acho esse número assustador, Pedro, de verdade. Eh, primeiro, você ter um sistema judiciário que metade da população acha que tá trabalhando em pró dos seus próprios interesses já é assustador. E quando está falando ainda da Suprema Corte, eh, eu assim, só para dar um passo atrás, né, Pedro, uma coisa que eu tô aprendendo no mundo, né, quanto mais polarizado é o ambiente político, mais o sistema judiciário tem atuado no ambiente político, né, tem entrado na na política.

¶92A gente tá vendo nos Estados Unidos que hoje a Suprema Corte americana tem que tá tem que est respondendo diversos temas que ela não entrava, que obviamente tá sendo estimulada pelas medidas provisórias lá do Donald Trump. Então hoje o Super Corte Americana, mal comparando, né, ele assim ele tá tá muito mais atuante, tão decidindo se vale voto pelo correio ou não, tão decidindo se pode fazer Jerry Mandery ou não. Ele tá ele tá participando do do processo na França. Agora a a o sistema judiciário tá decidindo se a Lepen é candidata ou não pode ser candidata, se vai estar presa ou não vai estar presa. Então assim, quando quando a gente tem essa divisão política que não tem consenso, né, a eu tô vendo o judiciário entrar, mas isso é uma coisa.

¶93A gente tá chegando num ponto aqui no Brasil da Suprema Corte das pessoas estarem a tá tá abalado, que é o principal da Corte, que é a confiança, que é a credibilidade, que é a reputação, né? E e assim, eh, na do ponto de vista prático, Pedro, se não se não tiver uma mudança na no que tá acontecendo na Suprema Corte, a gente corre um risco de viver um sentimento meio 2013 em relação à Suprema Corte, entendeu? Porque 51% acham que um juiz que tá lá, eventualmente teria que est lá por todos os méritos eh jurídicos, técnicos, tá basicamente eh arbitrando o próprio interesse ou traduzindo, tá fazendo um negócio para si mesmo. Isso eu acho, eu achei esse número mais importante da pesquisa para dar o grau do problema que a gente tá. >> Eh, eu eu te deixei no silêncio só porque eu não tenho o que falar mesmo.

¶94Eh, >> é, é o tema mais grave, né? é o tema mais grave que mostra o tamanho do descrédito. Há percepção de que o Supremo tá dividido em bancadas, né, que você tem a bancada do Morais, Gilmar, eh, do Tofoli e do Zanim. Do outro lado você tem a bancada eh do Mendonça, da do do Fuxs e do Nunes Marques. E você tem dois pêndulos que são a Carmen Lúcia e o Faquim.

¶95Eh, ou seja, esse grau de percepção sobre o funcionamento da Suprema Corte mostra o grau de degradação. Deixou de ser percebida como uma Suprema Corte no sentido que coloca a Constituição. Hoje virou um uma instituição aparelhada daquilo que o o Robinson Semoglu chamaria de uma instituição extrativista que tá extraindo recursos da sociedade pro seu próprio interesse e pra própria perpetuação do seu poder e não paraa efetivação de direitos fundamentais, que deveria ser o papel eh constitucional de de Suprema Corte em qualquer lugar do mundo. É muito grave o que a gente está vivendo e isso sequer é debatido seriamente pelos candidatos, né? Porque o que tem é muito mais um quem que vai indicar mais quatro para fechar o jogo do que propriamente uma reforma institucional séria que eh busque construir uma eh reconstruir uma credibilidade necessária pro judiciário.

¶96Aí e pro pro pra opinião pública é muito triste, porque as pessoas já tinham essa imagem do Congresso, que o Congresso age em benefício próprio, mas as pessoas já tm essa imagem dos políticos que eventualmente vão ocupar cargo no executivo que só agem em benefício próprio. E agora a gente tem a a o a o judiciário entrando na mesma percepção. Isso de ponto de vista institucional, Pedro, eh quase que a gente precisava refundar a as instituições, né? Porque tá todo mundo acreditando que não tem uma instituição que para de pé, que tá todo mundo trabalhando para si mesmo. Isso é péssimo, né?

¶97Desculpa, Flávio. >> Não, imagina. Eu ia acrescentar eh só uma coisa que hoje eu tava ouvindo o assunto, aquele podcast da Natusa, Neri no G1, eh, e um dos entrevistados era o professor Rubens Gléser do da FGV, né, que é um cara que, enfim, baita jurista, que pesquisa justamente eh essas relações, né? ele é autor de um de um artigo famoso que é o Supremocracia, ele é autor do catimba constitucional, enfim. E ele eh apontou uma coisa totalmente em linha com isso que nós estamos falando aqui, da necessidade de de o Supremo voltar a ser ou se tornar uma corte eh mais confiável e de mais dentro das suas da sua jurisdição e tudo mais.

¶98Mas eu acho fundamental o que ele complementou, que é o fato de que essa essa essa como é que se diz, gente? O tanto que o Supremo se inflou, foi tal >> essa inflação. >> É, então eu ia falar inflação, mas não sou correto. Esgarçou. Esgarçou >> esse esgarçamento.

¶99Exatamente. Essa é uma boa palavra. eh, das medidas do Supremo, da atuação do Supremo, tem como origem, na opinião dele, uma falência do sistema político. Primeiro, que é conforme a qualidade do nosso legislativo, foi se foi se corroendo e foi ficando incapaz. os parlamentares e a política, os partidos, todo o sistema político foram se tornando incapazes de resolver seus próprios conflitos.

¶100Eles passaram a delegar isso, a acionar constantemente o Supremo para resolver por eles. E é natural que uma corte, qualquer instituição permanentemente demandada pela política também se politize. Ainda mais uma que é um dos poderes constituídos que é responsável por julgar esses esses parlamentares e esses atores políticos. Então ele fala, a gente pode sim debater reformas no judiciário, a gente deve debater reformas no judiciário, mas se a gente fizer uma reforma do judiciário isolada de uma reforma política, daqui 10 anos, com outros ministros, com outra configuração, a tendência é que a gente esteja vivendo uma situação muito parecida e a gente vai est condenado a esse ciclo. É óbvio que e não é uma um diagnóstico alviçareiro, porque são duas reformas muito difíceis de conduzir, que demandariam uma liderança eh primeiro em conteste e que num país com esse grau de polarização, essa liderança, a gente tá vendo a dificuldade que é produzir uma liderança eh desse nível, desse tipo, né?

¶101a gente não consegue sequer produzir um candidato de terceira via, quanto mais uma liderança capaz de conduzir um movimento conjunto. Isso num momento em que um escândalo permeia absolutamente todas as instituições, porque a gente tá falando da crise institucional, mas vale a gente lembrar que o pano concreto de fundo dessa crise é a penetração do Banco Máter na PGR, na Polícia Federal, na no Supremo Tribunal Federal, na no Parlamento, no Planalto, nos partidos, nas campanhas políticas. A gente a gente não tá nem nas igrejas, a gente não começou se se é verdade o que já vazou que isso isso tudo é produto de um celular e que são oito. >> Nossa, >> o que que a gente do que que a gente tá tratando? ou de um processo eh que é inclusive a tese da Malu Gaspar, da jornalista Malu Gaspar, que acompanha esse e essa investigação desde sempre e foi responsável por pelos maiores furos, né, dessa investigação.

¶102E ela tem eh para ela a percepção é a de que todo esse movimento é em busca de anular o processo. Eh, eu, enfim, não tenho apuração nesse sentido, tendo a concordar com ela. Eu não sei se como eh causa ou se como um efeito desejável. O fato é que estamos num cenário em que a nulidade completa vai ficando cada vez mais provável, eh, como já aconteceu inclusive com com o Lava-Jato sendo revertido em coisas que não precisavam, não deviam ser revertidas, né, em multas que já tinham sido eh totalmente eh eh aceitas pela pelos devedores, porque eles eram réus confessos, né? Então, eh, o, mas o fato é que a gente não tem uma liderança capaz de juntar os atores eh que poderiam produzir essas reformas e e na ausência dessas reformas, a gente tá cada vez mais mergulhado na divisão.

¶103Então, eh, não é um diagnóstico, é um prognóstico de tipo poucos meses de vida, sabe assim? É uma coisa muito triste. >> É muito triste. E eu acho que a questão passa por um substrato que é a cultura política, né? Para que haja a produção dessas reformas, a gente precisa ter o mínimo de desejo e envolvimento da sociedade nessa direção.

¶104E o que a gente vê hoje é um desencanto. É é uma mistura entre uma banalização e uma normalização. Então são pessoas que dizem: "Ah, sempre foi assim, isso aí não vai dar em nada". e pessoas que tão frustradas, que não gostariam que fosse assim, mas não sentem qualquer perspectiva de que possa ser diferente. Então, tem uma cultura por trás eh dessa dessa situação que é muito difícil de ser transformada.

¶105Eh, não sei bem eh como que um um uma situação como essa emerge, mas a gente precisa lembrar que 2013 foi um pouco assim, né? tinha uma desesperança, uma sensação eh de que os políticos roubam mesmo e tem aí essas obras da Copa do Mundo no lugar de fazer hospital e saneamento básico, tão construindo eh estádio de futebol, tinha isso. De repente eh deu um curto circuito e tudo aquilo eu. Então, é possível eh que algo assim ocorra, né? que diante dessa acomodação e dessa frustração, desse desalento, algo acabe eh eclodindo tudo isso em 2013 foi um aumento de passagem de ônibus.

¶106Quem que seria capaz de prever que aquilo aconteceria? Então, é possível que aconteça eh dessa forma, com algo que acende uma faísca e o combustível tá todo aí. Maurício, >> lembrando que a situação a situação econômica hoje é pior do que a gente estava em 2013, né? as pessoas estão mais endividadas, a situação econômica é bem mais delicada. Maurício, eu eu saio fazendo eh eh diferentemente de você que é um especialista nisso, eu sou curioso.

¶107Aí eu abro aqui meu cloud, jogo os bancos de dados todos e saio fazendo pergunta para ele e e e cruzando informação. E às vezes eu tenho medo de tá misturando números que eu não devia estar misturando. Então, eu tô brincando, eu tenho alguma noção da coisa, mas nem de longe eh eh o o que você eh conhece e e muito menos a experiência que você tem. Eu sempre olhei para os números como como jornalista, não como eh um especialista que pensa em pesquisa 24 horas por dia. Uma das impressões que eu saio dos cruzamentos de números da nossa pesquisa de hoje com dos meses passados é o seguinte.

¶108os votos do Flávio, os os votos que estão chegando ao Flávio Bolsonaro, que ele não tinha antes, tem uma origem muito específica, Sudeste, classe C, que é o que a gente vem falando o tempo todo, é periferia urbana da do Sudeste, né, de São Paulo, do Rio e BH, mas principalmente de São Paulo, que vai que são os votos que podem ir para um lado, que podem ir pro pro outro. você tem algum tipo de elemento eh eh para entender o que que é que tá movendo esse voto? Porque esse voto não é um voto do Flávio. Esse voto é tecnicamente um voto que o Lula poderia se candidatar a conquistar. No entanto, ele não tá conquistando.

¶109Você sabe o que que é o que move o sentimento por trás desse voto que tá migrando pro Flávio? Não, você você tem razão no teu cruzamento. É classe C mesmo. E só para para quem tá ouvindo aqui, é dois a cinco salários mínimos, né? Só pra gente pontuar de que grupo econômico a gente tá falando.

¶110>> Agora >> é exato. >> Individual >> individual. Então isso é importante porque só pra gente agora tem uma divisão também que deve ter aparecido no teu cruzamento, Pedro, que é a divisão de gênero, né? Eh, o o Flávio, ele tá conseguindo cooptar muito mais rapidamente o o os homens do que as mulheres. >> Isso.

¶111>> E aí tem dois efeitos, né? A gente percebeu aí nesse público, nesse avanço do Augusto Curi, teve um efeito de feminino. Nesse avanço do Augusto Curi, teve mulheres que que Então o eh agora a grande pergunta daqui pra frente é que é uma pergunta inclusive que eu me fiz na eleição americana e que aconteceu em 22 também. Tem uma coisa que tá tá super interessante em pesquisa, é que a gente a gente acompanha esse gap de gênero das pesquisas durante a campanha, Pedro, só que na reta final esse gap diminui. Aconteceu isso muito fortemente em 22.

¶112O eh em 18 o Bolsonaro ganhou entre as mulheres, só para lembrar, em 22 ele perdeu, mas ele ele ele diminuiu muito. A gente tinha uns números de pesquisa e na reta final as mulheres conservadoras eh se alinharam muito com o Bolsonaro. E o Trump é a mesma coisa. A gente tem uma enorme diferença nas pesquisas. chegou na hora H, tirando as mulheres com college education, com com ensino superior, ele ele venceu em todas as os segmentos.

¶113Então, a minha a minha dúvida é se essas mulheres que hoje ainda não se incorporaram nessa nessa tua leitura que você fez do voto do Flávio que tá chegando, se elas vão realmente se abster ou se elas vão entrar por uma terceira alternativa que de alguma maneira entrou aqui nos votos do Cri, né, por isso que ele subiu, ou se elas vão fazer o antipetismo de chegada. É, essa na verdade é é um é um é um ponto de interrogação, não tem a resposta, tá, Pedro? Eh, mas o que eu aprendi foi geralmente o gap que a gente vê nas pesquisas de gênero, ele não se mantém na reta final. Desde anexos da Desde anexos da segunda-feira passada, desculpa, é só um um gancho aqui que eu quero pegar, Flávio, desde anexos da segunda passada, que foi a primeira pesquisa que eu acho que mostrou tanto o crescimento do CURI, como mostrou o Flávio Lula culando, e aí veio veio o quh, veio data folha, agora nossa eh a eleição eh eh Trump Camala tá batendo na minha cabeça. o tempo todo.

¶114O tempo todo. Eh, eh, porque é isso, né? É, é, é trazer de volta 4 anos depois o Jair Bolsonaro. Não pode. Então, tá entrando e eh mas no fim das contas a lógica é a mesma.

¶115Você acompanhou de muito perto tanto essas eleições americanas de 16 para cá, quanto a brasileira. Eh, eh, eh, quando se compara com a eleição americana de de 24, eh, que elegeu o Trump, eh, trouxe o Trump de volta 4 anos depois de ele ficar fora da Casa Branca, você vê que comparações, o que que você acha que tá acontecendo aqui no Brasil que se compara eh com os Estados Unidos ou você acha que não a gente não devia fazer a comparação? >> Não tem não, não. Eu assim, eu eu faço essa comparação porque eu vivo muito os as duas realidades, tá? Então é uma coisa meio natural mesmo.

¶116>> Você é professor eh eh eh em Washington, né? >> Em E assim, eu me sinto vivendo num dejavu, tá, Pedro? Eh, porque primeiro, eh, a eleição americana foi decidido por um desconforto em relação à economia, principalmente o desconforto em relação aos preços, que foi fundamental pra vitória do do Trump. Só para lembrar o que que foi a vitória do Trump em 24. Parece que foi uma lavada do Trump, mas não foi.

¶117Ele ganhou no voto popular por um ponto percentual voto popular. E em e em Michigan, Wasconson e Pennsylvania, a se somar os três estados, foram os 350.000 votos de diferença. Ou seja, foi uma coisa bem apertada, tá? Que que pareceu que não, mas o foi muito apertada a eleição. Eh, então assim, mas foi o desconforto em relação à economia, esse é um ponto, né?

¶118Eh, outro ponto que é que é que a gente tem esse desconforto agora, que é o grau de endividamento das pessoas hoje é extremamente alto. Eh, eu tô falando tanto dos dados macroeconômicos como das nossas pesquisas de opinião. Nunca vivi um ciclo econômico de pessoas tão endividadas. uma sensação de que eh o governo entregou pouco. Eh, e aí um teto de popularidade, o governo do Biden era um governo mal avaliado, independente se ele era o candidato ou não ou se é a câmara ou não.

¶119Eh, e a e também para ser muito justo também, Pedro, uma sensação de eh essa coisa de o grau de engajamento de 24 foi muito menor do que o grau de engajamento de 20 nos Estados Unidos. A gente teve uma eleição de 20 no meio da pandemia que inclusive mais gente votou do que em em 24, ou seja, as pessoas em 22 a gente também teve um grau de engajamento alto para tirar o Bolsonaro. Eh, a gente via no nossos grupos focais que pessoas que tinham votado no Bolsonaro em 18 queriam tirar o Bolsonaro pela gestão que ele fez da pandemia. Eh, e então assim, só para pegar os elementos comuns, um desconforto com a economia, eh, essa essa coisa do de um governo com teto de popularidade muito baixo e essa coisa de baixo engajamento comparado com o ciclo anterior. Então, eu tô vivendo isso.

¶120E uma das coisas que eu que eu que eu que eu que eu fiquei atento e agora tô mais atento que assim, a gente acompanhava as pesquisas de câmara lá, Trump tinha esse gap de gênero e chegou na hora da una lá esse gap fechou. Então, eu eu tô eu tô eu tô atento assim, se a gente tem esse gap de gênero entre Flávio e Lula. A gente tá tem dado à vontade para mostrar isso, inclusive o dado desse cruzamento que você fez. Mas eu tenho dúvida se as mulheres, as mulheres que não gostam do governo, as mulheres que são anti PT e as mulheres são conservadoras, mesmo elas não gostando do Bolsonaro, mas do Flávio, que que elas vão fazer? Porque isso vai ser fundamental para para decidir a eleição.

¶121>> Flávia, você ia fazer um comentário quando eu te atravessei. E >> não, tudo bem. Eh, talvez ele até se é o teu que é que você tava fazendo recorte de gênero e eu e eu ia perguntar o de idade, né? Porque e aí tem a ver também com talvez com Estados Unidos, né? Eh, embora a saúde e a energia do presidente Lula sejam eh notadamente maiores do que a do Joe Biden, que teve aquele episódio do debate que encerrou a sua carreira política.

¶122Eh, e imagina, presidente Lula não tem nada nem parecido com isso. Ainda assim é um homem de quase 80 anos e que cujas cujos cujas pesquisas vêm mostrando com pouca aderência de jovens na nas intenções de voto, >> mas não participou de debate, tá? E >> sim, também >> só um parido. >> É, mas não, mas ele dá muita entrevista ao vivo. E concordo.

¶123Ele não foi submetido a esse tipo de embate, >> que é outra forma de estresse, né? com de acordo. Porém, é, não é uma pessoa que tá encastelada, né? Ele tá fazendo eventos, ele tá dando entrevistas ao vivo. Ele tem muito mais vigor do que o BA.

¶124É, é, é, é visível, né? Eu estive lá, por exemplo, no lançamento da candidatura lá em eh São Bernardo. Eh, olha, eu tava pedindo arrego antes dele. Vou dizer que tava sol, tava um calor. Então assim, tem que botar um chapéu.

¶125>> É, então ele usa o chapéu porque ele tem um câncer, né, na cabeça e tal. Eu inclusive tomei torrão, vim trabalhar aqui no dia seguinte e tava toda e não poderia porque eu também já tive problema de pé. Mas voltando, eh, e, e uma coisa que eu acho curiosa é que um dos pontos em que o Lula vai melhor, eh, em termos de avaliação de governo é em educação. E é claro que a gente sabe que isso pode ser uma avaliação dos pais e não dos estudantes. Eh, mas e na história, né, no legado aí dos dos dois governos anteriores, ele tem esse esse ativo do PRU, do FIES, de coisas muito voltadas para este público.

¶126E novamente um dos poucos eh das dos das poucas bandeiras e de programa ao longo do governo que ele capitaliza, né? Não sozinho, porque é um é um projeto, né, da Tábata que veio do Congresso, mas é o pé de meia. Então, eh, eu fico um pouco curiosa para entender como é que essa eh, resistência do eleitorado jovem, ela conversa com essa classe C urbana, né, que o Pedro apontou. Eh, e com gênero se se passa pelos jovens, pelos meninos jovens, eh, ou não, como é que você lê essa essa preferência dos jovens pelo Flávio? >> Bom, primeiro a definição de jovem até 25 anos, tá?

¶127Só pra gente ficar na na mesma página aqui. >> É, podia ser até 46 47. Olha aqui, ó, minha jovialidade. Eu acabei de falar que eu não tenho do ponto de vista do IBGE, tá? É, BGE é etarista.

¶128Eh, e primeiro, esse grupo tá muito desengajado, inclusive foi o menor eh registro de votos para entre 16 e 18. a gente teve um uma queda no registro de jovens potencialmente podiam estar votando, ou seja, já tem um grau de desengajamento muito grande. >> Tem um levantamento do Murilo Medeiros que diz que também é historicamente desde a redemocratização o menor número de jovens filiados a partido. >> Verdade. Verdade.

¶129E o e então a gente fez uma pesquisa eh qualquante só com esse grupo de jovens até até 25. que o que a gente viu, Flávia, eh, mais uma vez, é um grau de desengajamento e desencanto, eh, impressionante com a política. E, inclusive, eh, não, isso não dialoga com o que eu tô vendo no resto do mundo, tá? Várias eleições na Europa hoje o que estão sendo eh decididas pelo engajamento dos jovens. Só para dar uma uma recente, um dos motivos do sucesso do AfD na Alemanha agora foi justamente porque o voto jovem mudou de lado.

¶130O voto de jovem tava na esquerda e agora foi pr pra direita. Mas o que a gente não tá vendo, a gente viu isso em outras eleições, na Polônia também, o voto foi muito importante, mas na Hungria, na Hungria, na Hungria, agora na Hungria, no Trump e no Trump foi interessante porque eh aí sim o o gap de gêno era muito maior até 25 anos. Sim. Aí tinha uma E eu me lembro que eu fazia grupo focal nos Estados Unidos, os os caras de homens de universitários falavam: "Eu vou voltar no Trump, mas eu não vou falar isso para pras mulheres porque senão vou ser cancelado". Então tinha tinha um voto envergonhado no Trump jovem, mas aqui, cara, aqui é um grau de desengajamento, uma desilusão com com tanto com a com o governo quanto com os potenciais.

¶131Inclusive, Flávia, a gente fez alguns grupos focais assim que os jovens não sabiam nem apontar os candidatos, nem dizer quem eram os candidatos, assim. Então, infelizmente, a gente tá vendo um desencanto eh enorme entre as entre os jovens, que é muito ruim, porque obviamente eles são futuro da democracia. Eh, inclusive porque um dos problemas de ter candidato muito muito velhos, né, ter uma geração é que essa geração totalmente desconectada com com com o Lula, né, porque ela já cresceu eh de uma outra outra visão sobre o Lula, outra visão sobre o PT, outra visão sobre a inflação, outra então é eh eu fico na verdade muito triste porque a gente tem uma eleição que os jovens são bom se engajados para para para votar. Agora, fazendo, tem um caso, é uma excepção, eu preciso falar isso aqui, que a gente tem um fenômeno de de político que se relaciona com jovens, que é o Nicolas Ferreira. >> Uhum.

¶132>> O Nicolas Ferreira é amplamente conhecido entre os jovens, independente do espectro social, religioso e político. É impressionante. Tanto é quando a gente faz grupo que fala um político, Nicolas Ferreira. >> Então assim, eh, eu acho que eu preciso estudar muito o que que ele tá fazendo, porque ele tá construindo uma base num terreno que basicamente não existe concorrência para ele. Uhum.

¶133É, então assim, >> e ele tá apoiando candidatos a deputado federal em vários estados, né? Então é base certamente com a visão de longo prazo. >> O Nas Ferreira é um político amplamente conhecido e reconhecido entre os jovens. >> Deixa eu trazer eh eh dois detalhes aqui que são uma bobagem, mas não são porque essencialmente reiteram isso. Eh que Maurício tá contando.

¶134Eh, meu filho do meio vai votar pela primeira vez esse ano. Ele tá aí em 16 anos. Ele nasceu quando o Lula já não era mais presidente. Ele tava deixando o cargo. Ele nasceu em 2010.

¶135Quem tá votando pela primeira vez esse ano nasceu no ano que o Lula deixou a presidência da República após o seu segundo mandato. É o ano da eleição de Dilma Russef. A segunda informação que eu queria trazer que confirma isso que eu acho fascinante, Maurício, é o seguinte. meus dois filhos pequenos, pequenos, um tem 15, o outro tem 16. Eh, é, é que a mais velha já é adulta, né?

¶136A Laura tá com 25, mas eles estudam numa escola aqui no Rio de Janeiro, que é uma escola eh da qual eu gosto muito, mas é uma escola construtivista, progressista, cheio de filho de artista lá. Quer dizer, é aquela escola odara que você imagina em que a maior parte dos pais eh são de esquerda, aparecem propaganda do Lula cantando o Lula lá, aquelas coisas todas. E e essa escola ela organiza quando o o a garotada tá ali no 9o ano, ou seja, saindo do ensino fundamental a caminho do ensino médio, a escola faz uma coisa que eu acho muito bacana, que é uma viagem paraa Brasília. E em Brasília, primeiro conhecem a cidade, entendem como é que é a geografia da cidade. Aí tem um programa que eles sempre fazem.

¶137um um programa é visitar algum ministério. Eles sempre conseguem que algum ministro de algum ministro de estado dê uma palestra para eles sobre como é que funciona o ministério. E a outra coisa que eles fazem é visitar o Congresso Nacional. No Congresso Nacional sempre tem um deputado ou uma deputada que eles conseguem todo ano que se ceroneia, mostra como é que são os anexos, entra no plenário com a garotada, tal. É muito bacana.

¶138Todas as crianças voltam, crianças, todos pré-adolescentes, adolescentes voltam entusiasmados. Eu vivi já a experiência com os dois, o que tá com 16 e o que tá com 15. Nos dois aconteceu a mesma situação de estarem no Congresso. Aí passa o Nicolas, todo mundo reconhece imediatamente e é o cara com quem eles querem tirar foto. Tudo filho de artista, metade 1/3 é filho de artista, entendeu?

¶139Tudo gente odara bacana. Eh, Caetano Veloo estacionou seu carro no Leblom, sabe? Esse esse universo do Rio de Janeiro, o Nicolas Ferreira é a referência que existe. É um troço inacreditável e e não tem muito na cabeça dessa garotada. Ah, ele de direita bolsonarista e tudo mais.

¶140Não é isso. Ele é pop. É, é um pouco como se fosse um músico. É um pouco como se fosse, tem uma coisa ali que é bem impressionante. >> Celebridade, né?

¶141É celebridade. >> É, a gente tem que a gente tem que soltar o Maurício, né? Soltar o. Soltar o é tirar ele do cativeiro. Eh, vou libertar o >> Mas pagaram o resgate?

¶142Nada. Ele ele pagou em livro. Ainda bem que você falou em pagamento. Ele tá, ó, Maurício, conta pra gente do lançamento desse livro aqui, ó. Marketing político no Brasil.

¶143Eu o que eu sei, como eu recebi logo antes do programa é que tem uma dedicatória lindíssima para mim e que vocês inveja que eu me rouo aqui. >> E você e a queridíssima Sila Schuman assinam o primeiro artigo do livro. Que que você conta mais? É um livro organizado pela pelo Clube Associativo de Marketing Político. Tem artigos de gente que mexe com pesquisa, com comunicação, com gestão de crise.

¶144E quem quiser eh comprar é só entrar no site do CAMP, vai no Google Camp Brasil, o livro tá lá, tá lá disponível. É muito legal porque tem é muita experiência, muita gente que trabalha com marketing político de diversos aspectos e é um prazer aí coassinar um capítulo com a Sila. >> A Sila é Bárbara. Mande beijo para ela. Mês que vem, se houver meio mês que vem, não, os dois, né?

¶145Vai ser a última pesquisa do ciclo. Você não tenta escapar, não. Cria vergonha. Eh, até até, querido. Obrigada, >> Pedro.

¶146Obrigado, hein, seu nome. >> Nunca mais vai errar, né? Ô, Pedro, vende nosso peixe aí. Vai, vamos vender nosso peixinho aqui enquanto a Débora se >> Vamos, gente, não tem muito o que dizer que não. Essa eleição é importante.

¶147Essa é uma eleição particularmente importante e uma eleição na qual, é disso que a gente tá falando aqui, a sociedade tá particularmente desengajada. Essa é uma eleição que é diferente das eleições anteriores. Vejam, a chance de Flávio Bolsonaro se eleger é muito alta. Eu hoje considero Flávio Bolsonaro favorito para ganhar essa eleição. Isso não quer dizer que o presidente Lula tenha pouca chance.

¶148Ele tem muita chance. É só que o Flávio tem mais chance. Mas nessa vez não é uma eleição na qual o bolsonarismo que a gente vê é um bolsonarismo que grita mito, que vê veste a camisa da seleção entusiasmado, que monta multidões na avenida paulista. Não. No dia 7 de setembro, segunda-feira, o Flávio teve literalmente a menor multidão.

¶149Foi uma multidão, mais de 20.000 pessoas. Ainda assim foi o menor público que um Bolsonaro já fez no 7 de setembro. E olha que já tinha tido um ou outro fracasso anterior. Então não tem aquela estrela, não tem aquele entusiasmo e no entanto o cansaço com presidente Lula, o cansaço com PT aparentemente move uma quantidade de eleitores muito grande na direção da direita. Essa vai ser uma eleição disputada voto a voto até o fim.

¶150Neste momento, o que as pesquisas estão mostrando é que o Flávio tá na frente, essencialmente porque ele teve uma, duas semanas muito boas e o presidente Lula teve uma, duas semanas muito ruins. A gente não sabe o que que vai acontecer nas próximas semanas. Uma outra semana boa pro Lula pode reverter o processo. Uma outra e é e semana muito boa pro Flávio ou pro time do Flávio pode acirrar e e e aumentar a distância. A gente não sabe o que que vai acontecer.

¶151O que que eu prometo para vocês? Isso é um compromisso porque é o compromisso da gente desde que a gente nasceu o meio em 2016. Sim, esse ano o meio faz 10 anos de idade, em outubro, justamente após o segundo turno. E a gente nasceu após um primeiro turno. O compromisso é, a gente não vai estar de um lado, a gente vai estar do outro.

¶152A gente vai estar do lado essencialmente da democracia e vocês não vão ver aqui o o Jil Querubino já tá mídia liberal corporativa tem sua agenda. Só bêbo, só bobo não vê. Eu já ia dizer só bêbado. Ô, ô, ô, Diego. Eh, é, cara, eu sou liberal.

¶153Eh, o meio não é exatamente liberal. tem o meio, tem muita gente com muitas posições diferentes. Eh, a gente tem comentaristas que trazem um ponto de vista mais à esquerda, a gente tem comentaristas que trazem um ponto de vista mais à direita. Eh, e é essencialmente uma tentativa de de conseguir trazer de volta um debate no qual os pontos de vista dentro da democracia sejam expostos, sejam apresentados. A gente precisa ter esse tipo de conversa.

¶154a gente vai continuar tendo esse tipo de conversa. O que que a gente faz aqui? A gente faz aqui principalmente análise. Análise baseada em dado, análise baseada em história, análise baseada em experiência acompanhando política. A maior parte de nós aqui temos muita experiência acompanhando política.

¶155Eu acompanho as eleições brasileiras desde 1998. Tem tem eh eh tem comentaristas que acompanham as eleições brasileiras profissionalmente, bem pessoalmente é desde 1989, profissionalmente desde 98. Tem comentaristas aqui que tão há mais um ciclo eleitoral, mais dois ciclos eleitorais do que eu. Tem gente que tem um pouco menos, mas todo mundo com experiência de cobrir Brasília, com experiência de acompanhar políticos, por experiência de ser enrolado por político e não e não enrolado. A gente entende como é que esse mapa funciona.

¶156A gente quer te ajudar a entender como é que esse mapa funciona. Eu não sei se a gente vai para um Lula 4, eu não sei se a gente vai para um Flávio Bolsonaro 1, para um Bolsonaro 2. O fato é o ano que vem, o próximo ano, o ano seguinte, vão ser de altíssimo impacto, vão ser divisivos, vão ser difíceis. A gente tem uma crise econômica encomendada, a gente tem, com toda certeza, uma crise política muito grave, encomendada, até porque o que a gente tá vendo é o seguinte, por todos os lados do espectro político, Brasília se corrompeu. Brasília se corrompeu profundamente e pela primeira vez Brasília se corrompeu e a sociedade se descolou dessa corrupção.

¶157A sociedade não é nem que ela não esteja nem aí, ela tá simplesmente consolidando a impressão de que não faz diferença ser direita ou esquerda. Como é que a gente sai desse buraco? Principalmente como é que a gente sai desse buraco dentro de uma democracia? Uma coisa, isso é um compromisso do qual a gente não vai redar um único passo. A gente tá preocupado em manter esse regime como um regime democrático, liberal, como economia de mercado.

¶158É nisso que a gente acredita. É, é, é assim que os ambientes no qual todos os lados, todas as correntes de opinião podem de fato disputar espaço dentro do ambiente público. Em qualquer outro ambiente tem um tem um lado que se cala e tem um lado que fala sozinho. Então, a gente não vê muita escolha que não a democracia liberal. Como é que se luta por isso?

¶159se luta mantendo a conversa, se se luta se recusando a se alinhar, porque existe dois lados de uma polarização que tendam te impor esse negócio, porque um dos lados é golpista e mesmo que o outro lado não seja golpista, vocês sabem que ele escorrega para uma censura. O o que que eu quero pedir para vocês assim nem o meio. Olha, a gente tem um streaming que é muito rico, muito rico mesmo. A gente tem newsletters especiais, a gente tem uma pesquisa que você recebe, mas eu não tô te pedindo para assinar o mail hoje por conta do que a gente oferece, não. Boa parte do que a gente oferece é gratuito, tá?

¶160é aberto aqui no YouTube. Eu tô pedindo para vocês assinarem o e-mail porque a gente precisa das assinaturas para continuar trabalhando. E para um veículo que não tá fazendo a torcida de um lado, nem a torcida do outro, o algoritmo empurra para menos gente, o algoritmo apresenta para menos gente, a gente tem acesso a menos público e, portanto, o topo de funil, como a gente fala em vendas, o topo de funil do qual a gente pode trazer assinantes é simplesmente muito menor, simplesmente pelo fato de a gente não tá na torcida. Mas o fato de que a gente não tá na torcida e e essa é minha esperança de convencer vocês, o fato de a gente não tá na torcida quer dizer essencialmente que a gente consegue garantir que aqui é um lugar em que a direita democrática, a esquerda democrática e o centro democráticos têm voz, conseguem falar, conseguem apresentar quais são os argumentos de um lado do outro. Eh, eu acho, eu sinceramente acho, eu não teria feito um meio se eu não acreditasse nisso.

¶161Eu acho que um veículo como meio existir no ambiente digital é fundamental, entre outras coisas, paraa saúde do ambiente digital de informação no Brasil. É essencial. Eh, então quero pedir a sua assinatura, porque é importante pro Brasil, gente, são R$ 15 por mês. Se você quiser fazer a assinatura anual, são R$ 150 por ano. Não é caro, cabe no bolso.

¶162A gente precisa muito de assinaturas. Assim no meio. Fábia Tavares. >> Depois dessa eu vou passar para Débora. Não, foi muito bonito, tem nem roupa.

¶163A, e a Débora em compensação, lindíssima. Bem-vinda, minha querida. >> Muito, muito obrigada. E é isso, assim o meio, gente. Não existe almoço, almoço grátis.

¶164>> Eu, eu só preciso destacar isso. Olha como é que as moças estão. Olha como eu e o mano tá. Isso diz tanto do nosso capricho e do nosso desejo de sermos eh vistas como, né, eh, enfim, a os mulherão que nós somos, como do que a sociedade exige de nós e do que exige de vocês, tá, amor? Então, eh, é um, é um, é um atestado, de mão dupla.

¶165>> Flávia, é verdade, mas se você me permite, É verdade, mas se você me permite, você me conhece tempo suficiente para saber que eu já tive que trabalhar de palitó. Eu também quando montei minha empresa, tomei a decisão de botar uma camiseta e não tirar mais. E isso foi uma coisa que, tipo, é um espaço por conquistar ali. Você sabe disso porque você me conheceu noutras encarnações. >> Eu sei exatamente disso.

¶166E eu sei também que toda vez que eu venho no meio sem maquiagem, tem algum comentário falando do tanto que eu tô com uma cara de tia cansada, de velia, de não sei que lá, precisando descansar. militante, >> eu não tenho resposta para ele, não é cobrado de mim mesmo. >> Tem paper, é, eu já meu papel aqui, eh, tem paper testando sobre como as mulheres aparecem com maquiagem e tem gradações, né? Então, uma mulher muito maquiada vai parecer que ela não é muito competente porque parece que ela tá tentando disfarçar alguma coisa, mas sem maquiagem também parece que não tem aquele cuidado com a aparência. Então, a o suit que acharam nos testes que fizeram é que moderadamente maquiada é o ponto ideal para passar imagem de competência e seriedade e cuidado com a aparência.

¶167Tá aí informação para vocês. >> Informação e te digo mais, será que o meu batom vermelho se enquadraria no muito maquiada ou no moderadamente maquiada? Não sei, mas assinem o meio para eu poder continuar comprando o meu batonzinho, >> não é mesmo? Eh, meu amor, você, meu amor, eu chamo ela de meu amor porque é minha amiga querida, tá gente? Então, é outro tipo de intimidade.

¶168Eh, eu não sei se você tinha combinado com a nossa queridíssima Miriam Clark algum aspecto específico de algum assunto supremo, eh, e, e pesquisa e tudo e economia no Brasil. Porém, eu tenho uma sugestão e um convite. Você escreveu um artigo ontem na Folha de São Paulo, eh, belíssimo. Eh, recomendo, viu, gente? A Débora é colunista da Folha, eh, nas horas vagas, porque ela é nossa colunista.

¶169Eh, e eu queria que você contasse um pouco do que que você trata nesse artigo e por que por que que você decidiu escrever esse artigo. >> Perfeito. Eh, então acho que uma coisa que no meio desse bojo a discussão do master é que muita gente ficou naquela naquele questionamento, tá, mas esses caras já são muito ricos, né? Esses caras é inclui todo mundo, né? Eh, no bold do master, eh, que já foi bastante falado essas últimas semanas.

¶170É, como esses caras já são tão ricos, eles já tm acesso a tanta coisa, como é que eles se deixam seduzir? ou são seduzidos para esse processo. Então, tem uma literatura econômica importante sobre o como a gente vai se descolando que é a média da população, né? A gente começa a usar como referência pessoas que são ainda mais ricas. Então, com frequência você vai ouvir, por exemplo, em rede social muito comum, ah, o cara que ganha R$ 20.000 por mês não é tanto assim, porque tem tantas escolas particulares que ela vi que é cara e não sei que, sendo que pro grosso da população isso é uma vida muito distante, seria assim, ah, eu sou rica e gritando, né, com jogo assim.

¶171Então, eh, então essa coisa do referencial faz muita diferença. Então, se uma pessoa muito poderosa tem muito poder, mas não necessariamente tem muito dinheiro, começa a conviver com grandes empresários, começa a ser convidado para andar de jatinho, dando aqueles rolês, aqueles passeios, o referencial da pessoa começa a mudar. Claro, isso não desculpa, né, eh, atitudes incorretas, eh, ou, eh, ilegais, principalmente, mas ajuda a montar um pouco do mecanismo psicológico da sedução desse tipo de coisa, né? Roupa cara, whisky, viagem, 127 milhões, filme financiado e várias desse tipo de coisa começa a seduzir na medida em que você perde descolamento, eh, e o referencial. E a outra coisa, tentação, né, nossa do ser humano, que eu falei na quarta passada, que é a coisa mais velha que tem, que é achar que você tá acima das regras.

¶172Então, quando você casa, né, essa convivência com gente muito poderosa e rica, a normalização desse estilo de vida, como se fosse o padrão, inclusive para para pessoas da política ou do judiciário, eh, como se isso fosse o normal, e achar que eh as regras não se aplicam a você, é o prato cheio para um corruptor do nível e do calibre do vocário. Nesse sentido, ele foi muito cedido. Uhum. em explorar essas vaidades e essas crenças que as pessoas têm sobre si mesmas. Então, a minha coluna foi um pouco nessa direção, na medida de tentar explicar pras pessoas que pareciam um pouco chocadas, um pouco perdidas de como é que pode, né, uma coisa assim acontecer.

¶173E tem eh a isso, né, demonstra ainda mais a necessidade a gente ter instituições que não fiquem, né, usando, né, esses esses fatos e essas provas, esses indícios de corrupção para fazer uma guerra política e sim ser investigado e ser cumprida a justiça, né? Eu acho que sobretudo isso deveria estar na agenda e aparentemente não tá muito, né, em pauta. >> É, eu eu acho que tem um ponto interessante porque Débora descreveu basicamente o efeito bolha, né? E a pessoa vai entrando numa bolha progressivamente quando ela entra no setor público, né? Então é interessante notar o modus operandorcaro e como que ele ia eh seduzindo na prática eh as pessoas com quem ele desejava construir relação, né?

¶174Então tem do dos áudios dos das mensagens de WhatsApp que que vieram a público, tem muita coisa que é do tipo, ah, lembra de eh cuidar eh sei lá do do whisk tal que fulano gosta ou do charuto tal ou precisa ter determinada regalia porque a gente vai agradar eh aquela autoridade. Então tem toda uma preocupação na atuação do Vorcaro de como ele cria um ambiente sedutor, né, de como é uma aula de hospitalidade, hotelaria assim quase, né, quase corge da do do lobby. É impressionante. >> E aí vai nessa troca de favores, né? Então, a pessoa eh começa numa festa que tá ali com a recepção maravilhosa, tem aquele whisky do bom e do melhor, charuto de de primeira qualidade para fazer uma degustação e a coisa vai escalando.

¶175Então, a >> show do Cold Play, uma coisa. Exatamente. >> Exatamente. Eu achei que tava meio batido já, mas >> Ah, mas o Cris Martin é legal, eu gosto dele. >> Não, não é que é ruim, é só que passou, né?

¶176>> É, passou, passou. >> É, então é um processo de sedução que vai normalizando, né? E aí de repente a pessoa quer ir pra próxima levando o filho, que foi o que parece que o Gonê quis fazer, né? Uhum. É, eu não julgo, porque eu sei que eu vou ser pega numa CPI um dia por causa de macalan, né?

¶177É, sabe aquela figurinha? Não julgo por sou. Então, eu sei que o dia que eu for pega numa CPI é macalan o problema. Meu preço é barato. Diga, Pedro.

¶178Tá vendo? Minha tentação, eu não vou dizer que se eu pegue nada, é, mas porque tem que dar testemunho. Mas assim, a minha tentação seria uma boa loja de roupas aí. Isso, isso. >> Então, quando saiu o negócio, né, do lanterno, eu fiquei rapaz, >> rapaz, uma lojinha, um lookquinho novo seria mais assim, seria a coisa mais difícil, eu acho, para mim.

¶179>> Flávia, primeiro Macala 12 anos, você não tá simplesmente no mesmo no mesmo patamar, entendeu? anos, nada contra, muito pelo contrário, quando eu tenho eu também bebo, mas é quando tem. Essa turma tá ali no 24 anos, entendeu? Se tiver mais, nem sei se tem mais, >> mas se tiver devem estar também. É, é outro patamar e e alguns milhares de reais a mais do que os 400 ali de uma garrafa de de macalan 12, >> dólares, né, amor?

¶180Macalan 12 não, você compra, você compra por, por uns R$ 400 por aí, às vezes numa boa promoção, 300, né? Tudo contrabando aí do Rio, só se supor aqui só falta 800 pila mais barato. >> Não, que isso? >> Vai ver o escândalo inflacionou, né? Vai ver o pessoal foi provado porque pode acontecer essas coisas acontecem, né?

¶181Quando você tem um escândalo, o pessoal vai lá comprar. Foi aconteceu com o Luquinho do Ah, do cara da Venezuela do Maduro. Luquinho do Maduro foi esgotou porque >> teve o cara que matou o banqueiro nos Estados Unidos, sei o nome agora, mas ele virou o ícon, o Luig isso. Icony fashion. Agora, essa coisa do poder, eh, da sedução, né, do poder, eh, primeiro que assim, né, quem já viveu em Brasília sabe que tem muitas maneiras, né, de exercer, eh, e inclusive para variadas castas, né?

¶182Então, tem desde o regabof para prefeito, >> você não, eu falei conheç, >> não conhece a expressão regabof. Regabof é uma festança de muita bebida, muita comida, muita festa, meu amor. >> E garotas de programa, exatamente. Então que é o regol, >> tô chocado ao descobrir isso, nem consegui imaginar >> que é o regabof dos prefeitos, por exemplo, que é anual, que todo mundo sabe que vai ter. O jornalismo de Brasília já se prepara paraa cobertura, já faz eh esquema de plantão, dependendo, né, do do da linha editorial do veículo.

¶183>> Eh, >> Flávia, eh, dois pontinhos e já vou deixar você continuar. Primeiro, aqui no Mercado Livre, marcaram 12515. Eu eu eu errei por >> eu errei por R$ 100. >> Tá na promoção. >> É, é.

¶184E 8% off no Pix. chega no 400 ali, no 400 e tanto, mas ó, ó, ó, >> na faixa dos 400. >> Na faixa dos 400. >> Eh, uma vez, por uma razão absolutamente distinta do regabof dos prefeitos, eu fui paraa Brasília justamente naquela semana. Eu sei que eu tava, eu, eu, eu tinha, eu não sabia, eu não tinha registrado que era o o a semana que os prefeitos vão paraa Brasília.

¶185Eu desço pro sagão do hotel. Eu nunca vi tanta loura bonita no bar do hotel, mas era uma coisa assim do tipo, uma atrás da outra. O que que tá acontecendo aqui? É a semana dos prefeitos em Brasília. É a primeira coisa que me ocorreu na cabeça.

¶186Ah, deve ser a semana dos prefeitos. É, >> então, e essa é a festa permitida, né? que a proibidona tem outro tipo de oferta eh desse mesmo mercado. E aí, mas tem também um ambiente de sedução aí, esse que você tão bem descreveu, que é entre gente de muito dinheiro já e que então eh envolve viagens internacionais eh com outro tipo de regalof, mas que a gente vê que só muda a escala de preço, que que a a dinâmica é mesmo. Quem precisa ser corrupção para chegar nesse ponto de você perder o referencial.

¶187No livro do Bruno Caraza sobre privilégios, né, sobre o setor público, muito do lobby é para aumento de salário e paraa defesa dos dos penduricalos vai nessa ideia de que o cara fala: "Ah, não, mas a carreira tal tá indo melhor e tá conseguindo porque caminha não". E aí fica nisso, começa a ter pendurado para para uma galera que consegue fazer isso. E e do mesmo jeito que com corrupção, o maior problema nem é, eu acho que isso é importante dizer, óbvio que roubar dinheiro público é terrível e é ruim, mas o pior efeito nem é o dinheiro que some do cofre público, é o quanto de energia que se gasta, em vez de estar trabalhando pro pro pra política pública, para fazer as, enfim, pro servidor público ou pro político trabalhar, é o tempo que o cara gasta fazendo o esquema. Uhum. >> Tipo, pensa no tempo que o Vocáo, eu fico me perguntando de tempo de dinheiro, se o Vocário tivesse trabalhado sério no banco dele, será que não tinha compensado, sabe?

¶188Suação sistêmica. >> Exato. E aí com no servidorismo público não é que o cara tá nem necessariamente o cara precisa ser corrupto. Só o fato do cara gastar um tempo fazendo lobby para conseguir privilégio, para conseguir aumento de salário, isso já gera uma situação muito grande no no na república, né, na democracia, do uso da democracia. Então é importante pensar em como esses mecanismos afetam várias áreas, né?

¶189Não só a corrupção de maneira mais direta, né? e o dinheiro sair do do setor público do horário para, né, financiar festa privada e, enfim, projetos individuais de poder e de riqueza, mas também o quanto isso não afeta a maneira como se decidem, né, políticas públicas, eh, regras do do setor financeiro, por exemplo, como foi no caso do master, né, que tentaram eh coptar o Banco Central. Então, tem eh tem esse efeito que ele é muito mais danoso, tanto pra confiança nas instituições quanto pra política pública que vai chegar na ponta pra população também. E acho que é muito pouco falado no geral >> e pros incentivos de mercado, né? Porque passa a ser mais lucrativo investir em seduzir um servidor público que vai ajudar numa determinada regulamentação que vai aumentar a lucratividade da empresa do que em construir produtividade e prestar um serviço melhor por um preço mais barato pro seu consumidor.

¶190Então isso é a diferença entre o capitalismo de livre mercado e o capitalismo de compadril ou de laços que a gente acaba assistindo no Brasil. Agora, Débora, eu não posso deixar de te ter aqui na bancada eh não perguntar. Nossa, eu per me perdi na concordância do que eu falei. Eu não posso deixar de te perguntar, tendo você aqui na bancada sobre como eh o seu meio evangélico, porque eu sei que você não é porta-voz e o meio evangélico também não é homogêneo, não teria um porta um porta-voz único. >> Tentam, mas não tem.

¶191>> É, tentam. Exatamente. Eh, mas como eu sei que você eh não é só que você venha aqui falar, você realmente frequenta e vive, né, a sua a sua experiência religiosa e tudo mais e com olhares de leitura mesmo, né, dos momentos críticos e e enfim políticos. >> É da mesma denominação do >> Isso nós dois somos da mesma e não só nós dois somos presbiterianos, a gente é da mesma organização presbiteriana, porque tem mais de uma, né? E a gente é da Igreja Presbiteriana do Brasil.

¶192Perfeito. E eu queria te ouvir um pouco o que que você sentiu nesses últimos dias, eh que tipo de eh apoio ou de repercussão mesmo que esse tipo de caso tem eh, né, assim, no no dia a dia ou se ou se na verdade todo mundo para para falar disso, como é que isso funciona? Então, eu vi um pouco de tudo. Eh, na a eu vou começar pelo posicionamento mais próximo até o mais distante, mas ao mesmo tempo maior no meio evangélico. A minha igreja soltou uma nota oficial que eu achei muito sobre, até fiquei um pouco positivamente surpresa, falando que conclamando os cristãos e o pessoal da denominação a orar.

¶193Não, não falou no Mendonça, especificamente, faz uma citação ao problema que o país tá passando, cita os versículos bíblicos que embasam isso pra gente ter esperança em Deus, né, e não na política, né, mas que tudo vem à tona e tudo. Então, achei uma nota muito sóbria >> e eles tiveram todo um cuidado de evitar que eh vídeos que estão no perfil oficial da igreja e tal, que são do André Mendoso, porque vai lembrar, ele é pastor auxiliar da igreja prestando de Pinheiros, então ele também tem essa função, tá lá no site ainda, ele continua pastor. mas estava usando muito vídeo fora de contexto e inclusive para defender ele, tá? Não era para distorcer e eles acharam melhor ver acompanhar isso de perto para evitar algum tipo de, enfim, ufanismo, uma coisa meio exagerada em torno da figura. Isso achei muito prudente.

¶194Eu tô esse esse foi o lado positivo da coisa. E também vi muita gente com cautela do tipo, não sabemos o que tá acontecendo, temos que orar e coisas do tipo. >> Agora, fora do meu meio mais imediato, eu vi sim e tem uma tentativa muito forte de colocar o Mendonça como um grande herói e vamos orar pelo Mendonça, então, pela solução do problema. >> Uhum. o que é muito complicado em uma tentação perpétua.

¶195Foi uma coisa que foi se recumando na quarta passada quando a gente estava voltando para pr pra casa, que é eh essa coisa de pensar a gente, né, o cristão como uma força de influência positiva, ela pode ir por dois caminhos. Ela pode ir pelo caminho que é autoritário, que é o caminho que a gente vê, né, que chama atenção na história do planeta, que é aquela coisa de ah, que que rendeu inquisição, que rende queimar bruxa, que rende todo tipo de violência justificado em nome de Deus. Só que na real é só um projeto de poder que tem um verniz religioso, né, que pode, enfim, projetos de poder podem ser conduzidos de forma autoritária por pessoas cristãs e não cristãs, mas tem esse verniz religioso. >> Uhum. >> E pode ser conduzido de forma a entender que você tá cumprindo um propósito maior e que você precisa eh seguir a regra, né?

¶196Você precisa seguir eh a justiça e amar misericórdia e ter um apreço pela pela condução adequada das coisas. Então, é é sem e e eu vi isso muito na prática, nos apoios, sabe, de gente dizendo, gente, vamos com calma, a gente precisa ter ter clareza primeiro do que tá acontecendo para tomar uma posição >> mais concreta e um pessoal muito empolgado num na disputa política, na treta de ter um lado, o lado vencedor da treta, >> né? Eu acho que também para mencionar isso um pouco, eu li as coisas que a gente faz para ser um analista melhor, né? Eu li o livro do Nicolas Ferreira, que foi publicado em 2022, em que é um livro sobre o cristão política, é um livro sobre a guerra cultural. >> Uhum.

¶197claramente quer ter, ele tem realmente essa visão do a gente é cristão, a gente precisa ter um lado e precisa entrar na na guerra no sentido metafórico e político, mas nesse sentido meio que o supremo tá passando hoje. >> Uhum. >> Isso é o livro do Nicolas. E eu achei muito bizarro porque no livro tem logo no começo ele falam, ele usa, né, o julgamento de Jesus por Pilatos, né? Pilatos tá lá fazendo o julgamento e ele lava as mãos e deixa Jesus ser sacrificado como dizendo assim: "Olha, você não pode ser como Pilatos na sua vida.

¶198Você não pode lavar as mãos e deixar Jesus morrer. Gente, mas ele tá usando o episódio mais importante, quer dizer, o segundo, né, que a ressurreição é mais importante. V assim, a morte de Jesus, o sacrifício para eh demandar uma postura política. Não é nem uma agenda, porque ele não tá definindo nada específico, é sempre uma postura política de conflito e beligerância, sabe? O texto não é sobre isso, esse episódio não é sobre isso, é sobre uma coisa muito maior e muito mais importante pra gente.

¶199Então, eh, a tentação do crente hoje na política é essa, é entre, tá, como é que a gente contribui de forma construtiva e sem abandonar nossos valores, né, ou se a gente engaja na na disputa com as armas que o a gente com as armas que a gente tá criticando, inclusive. Então, foi isso que eu vi. Eu vi apoio, tipo, apoio meio acrítico assim, meio sem pensar muito no assunto no tipo, ele é dos nossos, vamos apoiar. É isso. Eh, e principalmente porque é contra Xandão, que é uma figura muito eh polêmica e já muito desgost eh as pessoas não gostam dele já.

¶200E uma um pessoal que tá assim eh que às vezes simpatiza porque, enfim, a gente tem uma identificação em algum nível, mas que tá eh agindo com mais cautela e com mais ponderação. Foi isso que eu vi. Eu não tenho números, né, para dizer qual o tamanho. Não sei se em algum momento alguém vai medir isso, mas por hora é isso que eu tô vendo. É uma duas posturas de diferentes que é estou preocupada com o país, isso precisa se resolver e temos um lado, vamos defender esse lado até o final.

¶201>> E você acha que é possível tentar identificar por qual dessas chaves o próprio Mendonça se conduz estando de fora? Eh, conhecendo, enfim, né? você não o conhece tão intimamente, não foi isso que eu quis insinuar, mas conhecendo pelo menos uma das lentes que ele usa para enxergar o mundo, né? >> É muito difícil dizer sem é o famoso, né? Deus conhece o coração e as pessoas do entorno tendem a conhecer melhor.

¶202Então acho que o pessoal de Brasília que vocês podem consultar vão saber dizer melhor qual é a forma que ele tá enxergando o próprio papel. >> Uhum. >> Porque pode ser de um jeito ou de outro. Pode ser ah, tá, eh, eu fui eh na Bíblia tem, né, o rei Saul, que é o primeiro rei de Israel, e ele tem muito essa figura. Deus me ungiu.

¶203E aí começa a fazer tudo que não presta. Tudo que mandar ele não fazer, ele começa a fazer tudo errado. Tudo errado. Deus. Exato.

¶204Exato. Então até quando Deus escolhe outro fala: "Não, mas não tá valendo não. Eu que escolhi foi escolhido primeiro". E aí começa nisso. Então a Bíblia tem vários desses, é muito interessante isso, né?

¶205Na Bíblia tem vários desses alertas contra a sedução do poder, só que o pessoal deixa passar batido. Então eu realmente não sei. Eu acho que quando a gente tiver ao longo das próximas semanas mais informação do pessoal de Brasília vai ficar um pouco mais claro eh qual que é a Agora, por exemplo, uma coisa que é um um me acende o alerta amarelo é não vi ele falando do recentemente, nessa última semana não vi ele falando do Tofule. >> Uhum. >> Não vi ele falando do Tofle, não vi ele falar mais do Flávio do Dark Rosse.

¶206>> Uhum. >> Então ele, né? Eh, no caso da pessoa estar sendo bem intencionada e querendo conduzir a coisa da forma mais justa possível, isso seria uma demonstração importante de imparcialidade, não querer interferir nos processos e no processo eleitoral sobretudo. Então fica aí o o a bandeirinha amarela de atenção. E foi uma coisa que eu chamei atenção num grupo que estavam discutindo de crente discutindo política, eu falei: "Galera, isso aqui é importante de ser prestado atenção, não foi eh tanto dizendo: "Ah, ele é isso, aquilo".

¶207Mas isso é uma coisa prestar para prestar atenção de idoneidade eh e de imparcialidade, principalmente nessa questão do processo eleitoral. Então, acho que o pessoal de Brasília vai saber dizer melhor como tá. Mas o que eu sei é que o entorno, eh, a maneira como a igreja tá se conduzindo, a igreja da qual ele faz parte, tá mais na linha da sobriedade, pelo menos no momento. >> Pode mudar, às vezes as coisas mudam, mas tá assim, >> tudo pode mudar. Eh, inclusive nada, >> eh, né, Pedro, é a máxima que tem me conduzido no Brasil.

¶208Se bem que na última semana é tudo pode mudar mesmo, tipo, >> mas na intenção de voto, nada muda. >> É incrível isso, né? >> Inclusive nada. Exatamente. É isso, meu querido.

¶209Eu nem deixei você fazer pergunta. Quer fazer alguma? >> Não, não. Eh, vamos sobrevivendo um dia após o outro. A a única coisa que eu queria lembrar as pessoas é o seguinte.

¶210Duas semanas atrás, o desenho dessa eleição era radicalmente diferente e só o que mudou foi algo como 1 a 2% dos votos. daqui a duas semanas, e ainda faltará uma semana para eleição, daqui a duas semanas pode estar invertido esse processo. A gente não sabe como que vai terminar o primeiro turno. Essa é uma eleição que pode terminar no primeiro turno ou pode ir pro segundo turno. É, eu eu realmente acho que o que os números estão apontando é um favoritismo do Flávio Bolsonaro, mas não é uma eleição de impossível pro presidente Lula de forma alguma.

¶211Eh, vai ser no voto a voto, vai ser no segundo a segundo e e eu não sei o que que vai acontecer e ninguém realmente sabe o que vai acontecer. Vai ser uma eleição disputada até o fim. E e eu acho que tem que sublinhar essa coisa que o Mano acabou de falar. Eh, ela vai ser muito disputada, ela vai ser para quem acompanha a política, acho que muito tensa. E contrastantemente o brasileiro tá desligado, o brasileiro pulou fora da política, o que é talvez a pior notícia dessa eleição, né?

¶212É isso. >> É isso. >> Exato. >> Oremos. >> Oremos.

¶213estaremos aqui acompanhando. Muito, muito bom. Muito obrigada, meninos. Obrigada pela companhia. Pedro Dória, até amanhã.

¶214Até a próxima. >> Até a próxima. >> Débora. E eh dado que o bom Deus não me deu o dom da fé, por favor, ore por nós. >> Ainda orarei.

¶215Orarei, mas ainda. Quem sabe, né? >> Quem sabe, quem sabe, gente. Muito obrigado. Até amanhã, Débora.

¶216A gente certamente se vê na semana que vem, se houver semana que vem. Você acompanha com dados de verdade, sem depender de conteúdos pouco confiáveis das redes sociais. Você sabe, né? A pesquisa meio ideia é uma das nossas bússolas. É a nossa pesquisa independente registrada no TSE, feita todo mês em parceria com o Instituto Ideia.

¶217Quem é assinante premium recebe a pesquisa completa em primeira mão e ainda garante acesso à nossa plataforma interativa que permite o cruzamento da intenção de voto por região, por classe, por gênero, para comparar com as rodadas anteriores e ver com os próprios olhos o que que mudou de verdade a cada mês. Esse tipo de leitura, até pouco tempo atrás, só quem trabalhava dentro de um banco ou de um partido conseguia ter acesso. Agora tá disponível para quem assina o meio prêmium. Em um ano como esse, olha, vale ouro. e receba mais esse material exclusivo.