a tese
No programa "Central Meio", Pedro Doria, Flávia Tavares, Mano Ferreira e o economista Maurício Moura (Instituto Ideia) apresentam a última pesquisa antes do primeiro turno: Lula e Flávio tecnicamente empatados, com o quadro estruturalmente adverso a Lula, em meio ao derretimento do STF.
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Programa longo e repetitivo (112 min), mas concentra os melhores dados eleitorais e a leitura da crise do STF; se acompanhar a eleição, este é o mais completo, ainda que dispersivo.
O que foi dito
- O cruzamento de microdados repete a lógica de 2022: descontados os votos já declarados, Flávio tem 5,1% de eleitores a ganhar no segundo turno e Lula apenas 0,5%, o que explica o desespero petista; no segundo turno estão 46% a 46%.
- Maurício aponta o “tripé” contra Lula: metade do país não quer a continuidade do governo, alta rejeição pessoal, e aprovação que não subiu em 2026 (diferente de toda reeleição bem-sucedida; comparação com Dilma 2014, que tinha aprovação maior e em alta).
- Espontânea (Lula 30,7%, Flávio 28%, Curi 3,2%) e estimulada (Lula 38%, Flávio 37,3%, Curi 6,6%) estão convergindo; Maurício projeta forte “antipetismo de chegada” beneficiando Flávio na reta final (referências a 1994, 2018 e 2022).
- 42% dos eleitores acham Lula e Flávio igualmente corruptos e os eleitores pendulares são os que mais pensam assim, de modo que corrupção não define o voto; eleição sem argumento econômico forte nem onda anticorrupção, o que explica a baixa energia.
- Lula soltou tweet pedindo quebra completa do sigilo do caso Master (“doa quem doer”), lido como virada tática tardia; Doria defende que o único movimento racional é a campanha abraçar “abre tudo, solta Moraes”.
- Debate a segurança pública: apesar da incompetência dos dois lados, a família Bolsonaro capturou a associação com o tema e o PT ficou marcado como negligente; a queda de homicídios remonta ao SUSP do governo Temer, não a Bolsonaro.
- 51,6% acham que ministros do STF decidem por interesse próprio, e não pela lei; Maurício trata isso como o dado mais grave, risco de um sentimento “tipo 2013” contra a corte, num contexto de judicialização crescente da política (EUA, França).
- No Nordeste (Bahia, Ceará, Pernambuco) os números atuais estão piores para o PT, mas Maurício aposta em convergência pró-Lula na reta final, com abstenção como fator crítico; entrevista da economista Débora Bizarri sobre a psicologia da corrupção (efeito bolha, mudança de referencial, sensação de estar acima das regras) e o modus operandi sedutor de Vorcaro (uísque, charuto, jatinho, show do Coldplay).