¶1Cora, Rona, e de que falaremos hoje, em Pedricora? >> Do filme que fez o maior sucesso no Netflix. >> Do que mesmo? >> Foi o Foi ele foi. É, >> é.
¶2>> Hã, >> o que que a gente tava falando, hein? Défic atenção. [música] Cara, você quer conversar comigo sobre déficit de atenção? >> Quero. >> So que que era mesmo?
¶3>> Vou te explicar. Ah, hum. [risadas] [risadas][suspirando] Me explique. >> Ó, aqui do que que a gente tava falando mesmo. >> Veja bem, eh, a gente, >> vamos lá.
¶4[roncando] Olha aqui. Sem brincadeira. O maior sucesso da Netflix esse ano, a coisa mais vista na Netflix foi um videozinho estendido do GTA 6, Grand Theft Auto, o >> o videogame, né? >> O videogame. >> Eu vi, eu achei que fosse um desenho do filme, do jogo, tal.
¶5Eu eu eu vi que tem na >> Ele é um vídeo, ele é uma espécie de um trailer do jogo, digamos. >> Uhum. Eh, ele mostra umas cenas do gameplay, mostra detalhes da história. Eu não vi esse vídeo, mas foi assistido. Olha, ele liderou a lista de filmes.
¶6>> Incrível. Um trailer de videogame, >> ó. 31 milhões 100.000 pessoas visualizações e garantiu o primeiro lugar em 87 dos 93 países do mundo. Não tem jogador de de GTA. Isso aqui teve gente, evidentemente que boa parte disso aqui é gente que não tem ideia do que é, mas é um negócio que dura 26 minutos.
¶7E aí eu comecei a pensar nisso, como é que cada vez mais a gente quer coisas curtas, >> né? >> Porque até série, quando você vai ver uma série, a recomenda, pergunto para você, ah, tem uma série boa? Ah, tem. E ó, são episódios curtinhos. Isso passe, passou a ser uma vantagem episódios curtinhos.
¶8>> E eu pensei, cara, nós estamos sofrendo de um, isso aqui é um sintoma, meu ver. desse déficit de atenção, porque num catálogo com tantos filmes maravilhosos e séries, a coisa mais assistida ser o vídeo sobre um game só porque tem 26 minutos, >> porque você chega lá e você curtinho. O o grande mérito do game é é ter 26 minutos. Não, game não, o vídeo. >> O vídeo isso >> eu acho.
¶9Quer dizer, eu acho que foi foi isso que eu eu só posso entender por aí, porque >> porque é um trailer de videogame, afinal de contas. >> É, é, não é uma coisa de de massa, aliás, é de massa, mas não é >> assim, para você conseguir essa quantidade de gente, você pegando gente todas as faixas etárias. >> É. E é e é um é um jogo violento, né? Um jogo sobre roubo de carro, né?
¶10Não é prostitutas. >> Eh, >> ele ele não é, aliás, nenhum game é universal esse ponto, né? >> Claro, claro. >> Então, eu fiquei pensando nisso. Digo, gente, aqui a vantagem disso é que é curto pra pessoa vai olhar aqui no Netflix, o que que tem hoje?
¶11Tem isso com uma hora e tanto, tem isso que é uma série com seis episódios e tem isso com 26 minutos. Opa, vamos nessa. >> Você sabe que é eu ando com vontade de jogar um videogame, mas eu preciso decidir que videogame que eu quero jogar. >> Civilization você já não joga? >> Eu adoro Civilization.
¶12É que tem pelo menos 10 anos que o único jogo que eu jogo é Civilization. >> Ah, então você precisa outra coisa. É, >> é, eu andei pensando, será que a a versão mais recente de Sim City é legal? Não sei. Eu eu preciso voltar a jogar.
¶13Eu eu >> eu gostava de Sim City. >> Eu rompi com o mundo do jogo depois que eu fui expulsa pela Nantic do Pokémon Go. >> É, mas você devia est aprontando. >> Eu tava, mas [risadas] eu lamento tanto. Você não faz ideia.
¶14Foi uma punhalada no meu coração. >> Ah, eu acredito, eu acredito. Mas sabe, deixa eu te falar uma coisa. Eu nunca consegui me entusiasmar por nenhum jogo de celular. >> Ah, mas jogo de celular é bom?
¶15>> Não, não tô não tô não tô não tô de forma alguma. Eh, eu lamento porque seria menos tempo em rede social. >> O Fábio adora um game de corridas. Ele tem inclusive um volante, o equipamento dele de computador, tem tela, tem teclado, tem mouse e tem volante. >> Mas isso é no computador o jogo.
¶16>> No computador >> é não, eu gosto de jogo de simulação. >> Eu gosto de jogo, >> eu gosto de jogo de computador, não é de console. Eu não, eu não tenho coordenação motora necessária para, para, para fazer movimento. >> Eu não, eu não consigo rodar nada. Eu eu fico frustrada com aquele game dele, porque eu bato, né?
¶17>> Eu tenho certeza que eu faria isso. Eu eu gosto de eu gosto de jogo de simulação. >> Mas olha, sabe qual é uma outra categoria de jogo bem interessante? >> Hum. Esses de combinação que o Tetris é o pai de todos, evidentemente, né?
¶18>> Ah, eu não, eu não, eu não, eu acho chatíssimo. >> Ai, eu gosto. >> Ah, não, não, não, não, não, não. Eu não quero ficar fazendo jogo de ficar encaixando coisinha. >> Futebol não, né?
¶19O Fábio também gosta muito de FIFA. >> É, é. O Tomás, meu filho, eu adoro FIFA. >> O Felipe gosta de Minecraft. Eh, eu gosto de simulação.
¶20Eu gosto, eu gostava de >> Minecraft é simulação de uma certa maneira, mas aquele visual é muito estressante. Já tentei jogar e não >> eu tô >> adventure, deve ter alguns adventures bons por aí que a gente tá não tá ligado. >> É, é, eu não acho legal adventure. Tem uma história. Não, eu gosto de construindo a cidade, construindo a Eh, >> você jogou C?
¶21>> Esse eu não conheço. >> Ah, você vai jogar? A >> Cement Cement Eu joguei uma vez >> simulador de formiga. >> De formigueiro. É.
¶22É. Hum. >> É muito bacana. >> É. >> Você tem que derrubar a casa dos humanos.
¶23Eh, tô sabendo. >> Eu gosto. Eu >> eu joguei cimenta tem 10 anos. >> Pois é. Eu eu tenho essa questão e eh na minha vida que é eu gosto de videogame, mas é muito difícil achar um videogame que eu gosto.
¶24>> Ah, isso é. E aí quando eu acho um videogame que eu gosto, >> eu passo 20 anos na minha vida que eu só jogo aquilo. Eu te olha o Pokémon Go, eu passei muitos anos da minha vida, eu tinha duas contas. E por que que eu tinha duas contas? Porque você, a ideia do Pokémon é aquela coisa, vamos ser todos amiguinhos e nos conhecer, mas ao mesmo tempo, por razões de segurança, inclusive você não é amiguinho de ninguém, porque você não sabe quem são as pessoas.
¶25>> Claro, >> você tá jogando com o que poderia ser uma inteligência artificial, são nomes em vários lugares do mundo, você nunca terá como saber quem são ou quem são, de onde vem, para onde vão, né? >> Regardando guardando aqueles Pokémons. >> É. E às vezes você tem muita, muita etapa de troca, você tem que mande cinco, cinco Pokémons para cá ou um Pokémon para lá ou >> É. E tem uns lugares que você tem nos Pokémon.
¶26>> Exatamente. É. E e às vezes você precisa fazer as coisas em dupla. Então eu tinha as duas contas para uma sustentar a outra e vice-versa. >> Hum.
¶27>> E eu tinha uns Pokémons maravilhosos. Ah, você imagina você chega ao topo da fase, eu tava no nível 50, que era o máximo naquela época, nas duas. Então, quantas horas eu botei naquilo? [risadas] Enfim, é um é um ponto sensível da minha biografia. >> Eu eu vou catar sempre.
¶28Eu decidi que eu vou catar sempre. >> Sim, sim. Que é interessante. Eu até que você me deu essa ideia agora eu vou fazer isso também. >> É, é.
¶29Vamos, vamos construir uma cidade. >> Vamos fazer uma cidade no Cío. >> Vamos, vamos construir uma cidade. >> A gente não cria Supremo Tribunal Federal para não >> eh quero, eu quero ir para um lugar em que não exista nem Supremo, nem Congresso, nem Planalto. >> Pois é.
¶30E que eu não tenha medo de eleição. >> Isso. Isso. Vamos fazer um reino perdido. >> Um reino perdido.
¶31>> E que o monarca foi subtraído. Olha a Odisseia. >> De repente eu posso encontrar pode existir uma >> IT e Itacar sem Ulíes. Pronto. >> Pode pode existir em algum lugar um simulador de idade do bronze.
¶32Eu vou adorar ess >> Ah, isso, isso vai ser genial, hein? >> É, se não existir, eu vou vibe coded com Claud. Vou fazer o código de >> vou naquela palestra do Eric Klein que a gente falou na terça-feira, ele ele é fascinado. Ele ele é o cara que botou a era do bronze no mapa recentemente com os livros >> e palestras, mas ele começa a palestra dizendo que se ele pudesse renascer numa época, aquela coisa que a gente sempre imagina, né? Eu queria nascer no Egito.
¶33Eu queria, ele queria nascer na era do bronze. Ele diz que ele não sobreviveria mais de 48 horas. Mas que 48 horas maravilhosas. [risadas] Então é isso, né? Quem sabe a gente >> de repente ele poderia nascer como, >> mas eu vou te falar da coisa do défic, >> como sacerdote dentro de uma.
¶34Eu vou vou te dizer o negócio do déficit de atenção, porque isso não, provavelmente eu imaginei isso porque isso é uma coisa que tá no meu no meu inconsciente. >> Uhum. >> É, é a preocupação que todo mundo que essa coisa de eu ler, trazer os livros, as pessoas dizer: "Ah, não tenho mais tempo de ler, não consigo mais ler um livro". >> Aham. E as pessoas não estão conseguindo mesmo.
¶35>> É >> porque a eu tô achando que isso não é uma mudança casual ou passageira. >> Eu eh eh >> eu acho que houve uma reconfiguração do estado de atenção dos seres humanos. >> É, mas eu acho que é isso mesmo. >> E também, veja bem, voltando a era do bronze ou a época medieval, você morava num castelo medieval, você não ia para lugar nenhum. Você morava dentro daquelas muralhas.
¶36>> Você vivia nos mesmos 20 km qu a vida inteira. >> Você conhecia as mesmas 300 pessoas? É isso, é isso. >> Você não tinha novela, você não tinha vídeo, você não tinha, você tinha essencialmente gente cantando as mesmas músicas, evidentemente, você tinha teatro, eventualmente, >> o teatro às vezes nem era teatro ainda nessa época mais antiga, eram aqueles atos religiosos, né? aquelas representações de >> Não, você tinha aquelas aquelas e aquelas carroças de atoresavam >> isso já depois a idade média.
¶37>> Isso na idade média, não na idade do bronze. >> Ah, estamos na idade do bronze. >> Na idade do bronze e estamos na numa baixa idade média, porque isso começa depois já, >> né? Não, claro. >> Então, então o isol, a gente não consegue imaginar o que que era o tédio e o isolamento.
¶38E o ser humano tava preparado para lidar com isso. As mulheres ficavam fazendo tapeçarias. >> É, >> né? Você chega e vê as lindas tapeçarias que você tem mundo afora, feitas por um monte de gente ali conversando, né? As pessoas contavam histórias.
¶39Eu eu no deserto eu entendi o valor de um contador de histórias, porque fui dormir uma noite no Saara e os caras que nos levaram na certa altura, eles começaram a cantar entre eles e tocar tocar um violãozinho básico. Não era bem um violão, era um um instrumento de cordas que eu não sei exatamente qual era. >> Evidente que não era só para eles, era para nós que távamos lá. um grupo pequenininho, mas era também entre eles, porque você via que eles estavam aparecendo, porque não tem nada para fazer, porque não tinha eletricidade, não tinha sinal de internet. >> Uhum.
¶40>> Então, como é que você se distrai? >> É, não. Então, então o que eu acho que acontecia é que eu acho que não é nem um déficit de atenção, sabe? É um déficit de paciência. A gente conseguia ficar na fila.
¶41É, >> você ia ao banco para tirar 100 alguma coisa. Você tinha uma filha enorme, você encarava >> com livro. >> É, >> que era o celular da época. >> É, mas era normal. >> Claro, >> né?
¶42Você esperava alguns >> Era um livro, uma revista, né? >> É. Qualquer coisa que você tivesse. É, >> conversa com as pessoas. Eu eu sempre conversei muito com gente na rua, então ficava batendo papo com a senhora à minha frente.
¶43>> É, >> a gente tinha paciência para tudo porque demorava. A gente ia fazer uma ligação interurbana para Friburgo. Aqui Rio Friburgo, 300, demoras aproximadas de 3 horas. Então você ia resolver tua vida, mas você voltava antes das 3 horas para esperar a tua ligação e às vezes até passava disso. >> É, >> então nós trabalhávamos num outro limite de urgência e acho também que com outra quantidade de informação, porque eu acho que os esse déficit de atenção, ele tá ligado também a um excesso de informação e é um excesso de oferta.
¶44Você começa a sentir o mínimo tédio, você passa muda de aplicativo, né? Não, você tem toda a razão, >> né? E eu vou procurar City. >> Pois é. Vamos fazer uma linda cidade longe disso tudo.
¶45>> Vamos, vamos, vamos sair desse lugar. >> É, desse, desse insensato mundo, né? >> Longe desse insensato mundo. Nunca teve tão insensato, hein? E não é só o Brasil, não.
¶46[suspirando] Não, não é. até terça-feira. Agora, >> se tiver tudo de pé, se o Brasil existir, né, até terça-feira, [risadas] elas estão se aproximando as eleições e aqui no meio acompanha com dados de verdade, sem depender de conteúdos pouco confiáveis das redes sociais. Você sabe, né? A pesquisa meio ideia é uma das nossas bússolas.
¶47A nossa pesquisa independente [música] registrada no TSE, feita todo mês em parceria com o Instituto Ideia. Quem é assinante premium recebe a [música] pesquisa completa em primeira mão e ainda garante acesso à nossa plataforma interativa que permite o cruzamento da intenção de voto por região, por classe, por gênero, para comparar com as rodadas anteriores [música] e ver com os próprios olhos o que que mudou de verdade a cada mês. Esse tipo de leitura, até pouco tempo atrás, só quem trabalhava dentro de um banco ou de um partido conseguia ter acesso. Agora tá disponível para quem assina [música] o meio premium. Em um ano como esse, olha, vale o ouro.
¶48e receba mais esse material exclusivo. >> [música] [música]