¶1Vamos falar do livro. >> Vamos falar de livro. >> É, vamos de Não, vamos tocar nesse assunto. É isso. É isso.
¶2>> Medonho. >> Isso. É isso. >> É isso. >> Ó, >> eu trouxe um livro ótimo pra gente.
¶3>> Que bom. >> Excelente. >> Eurash. >> Eurotras de Christian Kart. Acho que é assim que se >> Christian Kart.
¶4Mas isso não é nada em comparação com o nome da tradutora >> que é Gisele Eberspcker >> alemães >> Ebespaker, não sei. O suíços alemães, quer dizer, >> Suíços, >> o esse Cristian Craft é um é uma pessoa que a gente não conhecia aqui no Brasil. Eu pelo menos nunca tinha lido nada dele, mas é um escritor muito popular na Europa. O, e essa história aqui é sensacional. E você sabe o que que é Eurotrax?
¶5O que que é essa gir Eurotra? Acho que não. Eu já ouvi, mas eu não sei o que. O >> Eurotras é aquele europeu rico que que circula com muito dinheiro para cá e para lá, se julgando superior a todo mundo. >> É, entendi.
¶6>> É como o White Trash. É que o Trash é um americano pobre, ignorante. >> É, é verdade. É, não, o Eurotras é rico. >> Entendi.
¶7>> O Eurotrax é rico e arrogante. Entendi. >> Enfim, é um europeu. >> Eu acho até um pouco redundante, mas tô falando isso voz baixa para ninguém se ofender se tiver algum europeu na casa. Mas enfim, é isso.
¶8>> Nem todo europeu é arrogante agora. É de que tem uns que não são. Ouvi dizer alguém, alguém >> quarav, você é filha de europeus. >> Mas os meus pais odiavam a Europa. >> Ah, bem, eles tinham razão.
¶9>> Pergunta pra minha mãe o que que ela acha da Europa. >> Eles tinham razão para odiar. >> A minha mãe adora o Brasil num grau e você não faz ideia. >> É, né? A gente não tirou passaporte italiano naquela naquela porque a minha mãe não quer ter nada a ver com a Itália.
¶10como a gente teria que tirar o passaporte italiano através dela. A gente até tentou tirar o passaporte de Húngaro, mas tirar um passaporte Húngaro é tão difícil que a irmã da Patrícia Cogut, a Sandra, >> fez um filme sobre isso, Passaporte Húngaro, para você ter uma ideia do que essa burocracia. De modo que eu não sou europeia, eu não tenho passaporte europeu. >> Olha, mas eu vou te falar uma coisa. Meus três filhos têm e eu não tenho.
¶11>> Pois é. Olha, eu sou eu acho que é prático. >> Você entra pela fila do você não enfrenta a fila na é a única vantagem que eu conheço real do passaporte é que você não enfrenta a fila dos estrangeiros, você entra naquela >> Uhum. >> naquela onda verde de quem quem tem passaporte europeu, você não precisa fazer alfâ de vários países, enfim. Mas eu também tenho essa essa essa essa implicância com a Europa, sabe?
¶12Eu não eu não tenho um amor desmedido pela Europa, muito antes, pelo contrário, a tal ponto que talvez seja o lugar pro qual eu menos viagem. >> Ah, que interessante. Eu gosto imensamente da Europa. >> Eu viajo, eu viajo muito pra Europa para fazer escala para outros lugares que me interessam mais. Eu gosto, eu gosto da Europa.
¶13Eu gosto da Europa. >> Eu gosto, eu não, não vou dizer que eu desgosto. Não, não é uma coisa, digamos, não piso mais em Paris, não vou mais, não é nada disso, né? Do dos países que eu tenho visitado, eh, os dois países recentes pelos quais eu me apaixonei, um foi o México. >> Ah, o México.
¶14Coisa sensacional. Eu me apaixonei pelo México. Agora eu me apaixonei pela Grécia agora, >> bom, a Grécia eu já nem considero muito Europa, né? >> Quando eu falo Europa, eu falo aquele miolo. >> É, mas é clara.
¶15Sim, eles são os pais da história toda, mas é um pouco por como Turquia não considera Europa. >> É, não, mas Turquia eu entendo. Eu eu eu >> tô falando especificamente países como Espanha, como França, Inglaterra, muito aí tem muitos imigrantes e tal, mas são ingleses. O que que você quer? conversa com deles na rua, pede uma informação, é, é esquisito.
¶16Eh, enfim, mas isso não vem ao caso. Também eu guardei a Europa, vou te dizer por quê. Porque há uns há há uns anos já umas décadas atrás, eu pensei, eu tenho que ir aos países difíceis porque não estou ficando nova. Desde que eu fui atropelada, eu tenho essa consciência de que eu tenho uma dificuldade de subir escadas, descer escadas. E eu pensei, eu tenho que ir logo a minha amar.
¶17Eu quero ir a Ancorvat no Camboja, eu preciso ir ao Laos. Mas isso você consegue ir com uma certa idade e depois de uma certa idade você não consegue. Passam a ser viagens muito mais difíceis. A Europa eu posso ir até 100 anos. >> Entendi.
¶18>> Então eu fui guardando. Tem coisas que eu não conheço na Europa, bastantes, aliás. Mas enfim, esse camarada aqui é um europeu clássico, rico e aqueles lugares todos que a gente encara como fábula, San Paul Devans, Biars, >> Uhum. >> Castelos, isso é o cotidiano dele. Isso é meio autobiográfico, tá?
¶19O, a mãe dele está meio senil, a mãe bebe, a mãe toma comprimidos, a mãe tem problemas toda hora na clínica psiquiátrica, cai, bebe mais, ele pega a mãe e eles vão dar uma volta pela Suíça. E eles tiram 600.000 francos suíços, que eu não sei quanto é, mas deve ser uma enormidade de dinheiro, para distribuir e para quê? Para se livrar da culpa. Porque a fortuna deles vem, como tantas fortunas europeias, de ligações com o passado nazista. E as questões que ele aborda aqui são muito curiosas.
¶20Parece um uma road trip com uma mãe entre mãe e filho, com aquelas questões entre mãe e filho discutidas, postas na mesa. Mas aqui também se trata de é possível cerdar. uma fortuna que tem origens sujas. Quer dizer, é possível herdar o dinheiro e não herdar a culpa. Ele é a primeira geração pós-guerra, mas ele sente essa culpa também.
¶21Naquela ideia deles de distribuírem o dinheiro é mais um privilégio, porque é aquela ideia de que você tá comprando >> Uhum. um perdão divino, mas é tão interessante. São são muitas coisas curiosas discutidas. É muito engraçado, não é um romance leve, mas é muito engraçado. Ele é mordais e ele mistura a realidade com ficção.
¶22Então ele tem personagens verdadeiros. Por exemplo, aqueles oriços MEC. Você lembra dos oriços Mac? Orços Mec era um, era um bonequinho de desenho animado e tinha bonequinho também. Me lembro que quando nós éramos crianças, nós tínhamos aqueles oricinhos.
¶23Ah, não, eu não peguei isso. Não >> era uma coisa muito popular nos anos, acho que 40, 50, até 60, porque eu era criança. E acho que até hoje eles continuam populares na Europa. >> Entendi. >> Nos países de língua alemã você tem muito bichinho, mas era um bichinho com raízes nazistas.
¶24>> Ah, que coisa. Mas ele fala desse bichinho. Aí ele fala, diz: "Ah, nós nós morávamos nessa ilha tal onde há duas casas do editor Surcamp. O editor Surcampf existe. Várias pessoas que ele cita são reais.
¶25A vida, o escritor, que é o o narrador tem o mesmo nome dele. Escreveu um livro exatamente igual dele, com o mesmo título quando tinha 25 anos. Então, ele faz muito esse jogo do que que é verdade, do que que não é. >> Aham. E isso, isso é até uma das coisas que as pessoas mais comentam, o que que pode ser verdade, o que que não é necessariamente verdade, mas é muito interessante e é curioso confrontar essa culpa europeia, >> essa culpa ainda por conta do nazismo.
¶26>> Ah, sim. >> Uhum. >> Eu tive. Você se lembra do nosso amigo André Breatman que escrevia pra gente no caderno de informática? Lembro.
¶27lembro o nome dele. >> Então, ele tá morando em Viena porque é Karim, a mulher dele, trabalha no Google e tá tá trabalhando lá em Viena. Ele tá encantado com a cidade, tem ópera 365 dias por ano. Ele uma ópera todo dia, enfim. e a cidade toda funciona.
¶28Mas ele me disse que há uma preocupação enorme em tudo, em não esquecerem o passado e e lembrarem que havia um nazismo, mas para tentar evitar aquilo de novo. Então tem uma estátua do do prefeito de Viena na época do Hitler que parece que foi até uma influência sobre Hitler, um cara chamado Luger. Há uma estátua dele. uma estátua dele numa das praças e essa estátua vive permanentemente tombada, semitombada e toda grafitada com uma placa do tamanho de um bonde na frente dizendo o sei lá fulano, Luger, prefeito Va, antissemita, etc. Então tem esse esse tipo de consciência até hoje.
¶29>> Botam na placa, >> botam na placa. A placa do tamanho não pode. >> E a e a estátua está detonada. E é para ser mesmo detonada, tipo, olha, você vai ser execrado até o fim dos tempos. >> Que coisa fascinante.
¶30>> É >> coisa fascinante. O livro é bom. O livro é maravilhoso. O livro é excelente. Eu, >> apesar de europeu, >> meu bem, eu não, eu, eu radicalizei essa coisa da Europa, mas eu tenho esse desconforto.
¶31>> Eu entendi. >> Da Europa, sabe? >> É justo, >> né? >> É justo. >> É, as memórias da minha família não são, >> é justo.
¶32>> Todas roseas e >> claro, claro. >> E queridas e whatnot, mas enfim, a gente reconhece as vantagens. É um bom lugar de escala paraa Índia.