a tese
No quadro literário do Meio, Cora Rónai apresenta "Eurotrash", de Christian Kracht, como um romance mordaz e autobiográfico sobre um europeu rico que tenta se livrar da culpa herdada de uma fortuna com origens ligadas ao passado nazista.
aprofundar
não
Papo cultural leve sobre um romance; sem gancho teológico ou de interesse direto para o Bruno.
O que foi dito
- Explica o título: “Eurotrash” é o europeu rico que circula com muito dinheiro se julgando superior a todos, contraponto ao “white trash” americano pobre e ignorante.
- Resume o enredo: o narrador leva a mãe senil, alcoolizada e medicada numa road trip pela Suíça, sacando 600 mil francos suíços para distribuir e assim tentar aliviar a culpa da fortuna familiar, ligada como tantas fortunas europeias ao passado nazista.
- Destaca o jogo entre realidade e ficção: o narrador tem o mesmo nome do autor, cita editoras e personagens reais (o editor Suhrkamp, os bichinhos Mainzelmännchen de raízes nazistas), embaralhando o que é verdade e o que é invenção.
- Trata do tema central: é possível herdar o dinheiro sem herdar a culpa, e a ideia de distribuir a fortuna aparece como mais um privilégio, quase compra de perdão divino.
- Cora insere longa digressão pessoal sobre sua implicância com a Europa (recusa de passaporte italiano e húngaro na família, preferência por México e Grécia, memórias familiares não idílicas), enquanto o interlocutor defende gostar da Europa.
- Relata o exemplo de Viena, onde a estátua do prefeito antissemita Karl Lueger é mantida tombada e grafitada de propósito, como política de memória para não esquecer o nazismo.