¶1เฮ [música] >> [música] [música] >> เ Olá, boa tarde. Vocês estão calmos? Porque olha, aguenta que a semana vai ser longa. Sejam muito bem-vindos. Sejam muito bem-vindas ao Central Meio.
¶2Hoje é 14 de setembro de 2026. Incrivelmente ainda é segunda-feira. Eu sou Pedro Dória e hoje estão comigo Yasmin Ron aqui na bancada no Rio de Janeiro, [roncando] Flávia Tavares e o analista político do J Alberto Bombigue. Tudo bem turma? >> Puxado.
¶3>> Certo. [risadas] Tudo super como se nada tivesse acontecendo, como se tivesse sido um fim de semana absolutamente normal. Não foi para mim foi. >> Não, inclusive não teve nem rodada do Brasileirão. >> Não teve rodada do Brasileirão ontem.
¶4[risadas] Teve. Teve sim. Eu inclusive, se você quiser notícias da rodada do Brasileirão. [risadas] >> Não, não teve no sábado. No sábado eu eu não acompanhei a rodada do Brasileirão porque eu tava acompanhando ali o Faquim que resolveu a gente trabalhar no sábado.
¶5Exatamente. [risadas] Se eu não vi não existiu, né, Bombig? >> É, ontem eu assisti. Ontem teve, viu, Flávio? >> Não [risadas] teve, não teve.
¶6Só teve só disputa, teve só disputa no Supremo. Nem >> engraçado, no mundo em que eu vivo teve rodada nos dois dias. Eu não sei, eu tô de bom humor hoje. Então, >> engraçado, [risadas] >> claramente não tava olhando pro Supremo. Então, olha aí.
¶7>> Claramente, claramente. Um pouco de alienação às vezes faz bem, sabe, Flávia Tavares? >> Nossa. Nossa. É, saudações flamenguistas, Flávia.
¶8Mas enfim, >> para que essa agressão? Olha pessoa sem senso de carreira. Que falta de decoro, não é mesmo? [risadas] Pessoal, a gente não vai falar hoje de rodada do Brasileirão, não. [risadas] Na verdade, o clima no STF é de um verdadeiro cabo de guerra.
¶9Vocês estão acompanhando? Amanhã os ministros vão fazer uma das sessões mais tensas da história da corte. A partir das 10 horas da manhã, eles vão julgar a conduta de Alexandre de Moraes. Ontem à noite, os ministros Cristiano Zanins, Gilmar Mendes e o próprio Morais exigiram receber nos seus gabinetes cópias integrais, tudinho, dos dados brutos extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. >> O presidente da corte, Edson Faquim, acionou a Polícia Federal, que respondeu que teria condições de encaminhar as cópias idênticas de imediato.
¶10em março, a PF já havia mandado esses dados pro ministro André Mendonça, que era até então o relator da investigação sobre o Banco Master. Pois é, só que o André Mendonça só resistiu e afirmou que novos dados do celular do Vorcaro só serviriam para, abre aspas, tumultuar esse julgamento e desviar o foco da pauta da sessão de amanhã, que é justamente a conduta do Alexandre de Moraes. >> Faquinha acabou puxando para ele a relatoria do caso Marcher e de quebra negou o pedido para analisar em conjunto as petições contra Moraes e Mendonça. A agenda então ficou assim: Amanhã eles julgam Alexandre de Morais. André Mendoncia fica pro dia 23 de setembro.
¶11E tem mais. O ministro Flávio Dino derrubou o sigilo do inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, em que ele aponta indícios de desvio de emendas parlamentares com envolvimento central do deputado Mário Frias do PL. Mas deixa eu deixar uma coisa clara aqui, porque são inquéritos diferentes. O Dino pegou o inquérito que liga a a produtora do Dark Horse a emendas parlamentares. Não é o mesmo inquérito que pega o financiamento que pode ter sido pro filme Dark Horse ou não, mas que está ligado a que foi feito por Daniel Vorcaro à família Bolsonaro.
¶12Você quer entender essa confusão toda? Porque ela é confusa antes de tudo. Então fica com a gente, puxa a sua cadeira, deixa seu like, se inscreve no canal que o Central Meio tá no ar. >> [música] >> Pois é, Pedro, eu vou começar te fazendo uma pergunta, porque a gente sabe que o STF tá dividido e nesse final de semana os ministros trabalharam, né? Agora, será que para além das ordens de ofício eles também ficaram combinando as estratégias dos dois grupos?
¶13Aproveito para chamar aqui também o pessoal de São Paulo que está com a gente. Chega mais, vamos ter essa conversa. Não, é evidente que é evidente que os ministros estão ligados 24 horas por dia. Eh, eh, e no na tomada 220, que é a tomada de Brasília, né? Eh, uma vez eu queimei meu celular em Brasília, na época que os os carregadores não eram bivolt.
¶14>> O o Gente, eh, eu acho que a eu acho que tem algumas lições que a gente tem que explorar aí. Eh, eh, primeiro é uma lição que todos nós jornalistas aprendemos durante Lava-Jato. Não acha que tem herói nesse jogo que você vai se dar mal? Eh, eh, primeiro absoluto essa coisa. Alexandre de Morais de um lado, André Mendonça, Flávio Dino, não parte do princípio que tem herói nessa história, entende?
¶15Eh, o o ministro André Mendonça deixou claro, tem um insite na o pessoal que nos assiste sabe que nem sempre eu concordo com a turma do Foro de Teresina, da revista de da revista Piauí, mas existe uma razão para eu continuar ouvindo o Foro de Teresina toda sexta-feira. Às vezes eles têm uns insightes preciosos. Ana Clara Costa teve um insite desses na última edição do foro que eu acho que vale a gente sublinhar. Eles levantaram o relatório a respeito do ministro José Antônio Dias Toffoli, que e ligando ele ao Daniel Vorcaro, que foi encaminhado no início do ano pro ministro André Mendonça, eh, e, e que foi, na verdade, o relatório que fez com que o Supremo tivesse decidido, o ministro Edson Faquim, presidente do Supremo, tivesse decidido tirar a relatoria do banco master do Tófoli. Tóvale tava tirando, tomando diversas decisões que atrapalhavam claramente a investigação da Polícia Federal como relator.
¶16E esse relatório deixou muito evidente, foi um relatório concebido pela Polícia Federal. Esse relatório deixou muito evidente o tamanho do envolvimento do ministro Dias Tofol com Daniel Vorgaro, as relações de compadrio, as relações de troca de dinheiro, os detalhes sobre a ajuda na fazenda do Tofoli, que é aquilo que nós chamamos de o resorteiá. Vocês talvez do início do ano lembrem dessas histórias todas. Pois bem, esse relatório é o tipo do relatório que complica o Toffoli tanto quanto Alexandre de Moraes. Por que que em momento algum esse relatório que agora é público, foi tornado público na semana passada, aliás, primeiro como furo da Piauí, depois por iniciativa eh eh dos próprios ministros da corte, do ministro Faquim, por que que esse relatório não foi tornado público antes?
¶17E por que que o relatório, que é tão grave quanto a respeito do ministro Alexandre de Morais foi tornado público por decisão do ministro André Mendonça, um dia antes do 7 de Setembro bolsonarista? Essa pergunta é relevante. Isso não quer dizer que não exista um problema imenso de corrupção e como sombra de dois ministros importantes do Supremo Tribunal Federal, tanto o ministro Tofali quanto o ministro de Alex Alexandre. Os dois problemas estão ali, mas a gente também tá há três semanas do primeiro turno de uma eleição. E esse relatório foi tornado público a a respeito do ministro Alexandre, que é o ministro que é imediatamente ligado pela população ao presidente Lula, as vésperas do principal evento bolsonarista do ano, que é a a a coisa patriótica lá de camisa da seleção brasileira na Avenida Paulista no 7 de setembro.
¶18Essa pergunta é muito relevante, porque essa pergunta pode indicar que havia também um objetivo político na decisão do ministro eh André Mendoça. Agora, isso é dado? Não. Na semana anterior, a veja, a turma do da Piauí acha que isso crava a intenção política. A gente sabe, por apuração de outros veículos da imprensa, a Flávia tem uma memória muito melhor do que a minha e vai saber atribuir.
¶19Mas a gente sabe, eu acho que foi o Metrópoles que deu, que houve um bateboca muito sério eh eh entre o ministro André Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, imediatamente antes da decisão de tornar públicos esses dados. E esse bateboca parece que nasce pela apuração da imprensa de uma tentativa do ministro Alexandre de Moraes de intimidar o ministro André Mendonça. Então pode ter sido também uma decisão de reví ali. O ponto essencial que eu tô tentando fazer aqui é um só. Não existem heróis nessa história, evidentemente.
¶20E dois, o Supremo Tribunal Federal tomou a decisão, que é uma decisão inédita falar do Brasil, de entrar, com tudo na eleição brasileira, porque tudo que tá sendo decidido terá impactos imprevisíveis na eleição. Eu só queria antes de passar pra Flávio e pro Bombig pescar um dado que tá na pesquisa Quest, que foi divulgada agora de manhã pelo jornal O Globo e pelo G1, pela TV Globo, pela Globo News. >> Não é BTG para Actual Nexus. >> Não, não, não é pesquisa quest, pesquisa quest. Não é BTG para Actual Nexus que saiu de manhã cedo.
¶21>> Essa é quest que nasceu, que saiu 10:15 da manhã. >> Perfeito. Para [risadas] confirmar.Ele É, a gente tá naquele momento, é uma das novidades, né? A gente nunca teve uma eleição com tanta pesquisa de qualidade. Axus é uma ótima pesquisa, a Quest, uma ótima pesquisa.
¶22Olha aqui, últimos três ciclos da Quest e a Quest tá fazendo pesquisa semanalmente, tá? Corrupção como maior preocupação do país. Há três semanas era 14%, na semana passada era 20%, hoje 22%. Isso explica Flávio Bolsonaro está subindo nas pesquisas e o Lula segue parado. Hoje Flávio Bolsonaro tem mais chances de vencer a eleição do que o Lula.
¶23É claro que a coisa que não tá explicada é o seguinte. Como o o que que tá acontecendo com a sociedade brasileira que ainda não entendeu que Flávio Bolsonaro tá tão mergulhado nesse caso do Banco Master quanto Alexandre quanto Tofoly? Essa é uma resposta que a gente ainda precisa trabalhar. Talvez inclusive seja o nosso trabalho, né, Bombig, né, Flávia? deixar isso claro paraa sociedade, porque obviamente não tá claro.
¶24>> E aí eu vou passar pro Bombig, mas eu desconfio que a primeira parte da tua fala deu uma indicação [risadas] dessa dificuldade de associar as coisas, embora a gravação do Flávio no telefone lá pedindo dinheiro pro Vorcaro já tenha, enfim, tido um efeito no passado, né? Esse efeito foi sendo mitigado porque foi saindo do noticiário e dando lugar a outras coisas. Mas eu não sei se o Bombig concorda com essa avaliação e ele é nosso convidado. Então, por favor, Bombiga, eu atravessei, mas eu estou desatravessando e te entregando a palavra. >> Imagina, imagina.
¶25Eh, eh, eu concordo, obviamente. Acho que no caso do Lula tem um efeito, né? É o o aquele o famoso ócar do conjunto da obra, né? que a gente às vezes eu alguém que não nunca ganha um Oscar por um filme pontual ou uma indicação pontual e é uma hora vai lá o conjunto da obra é muita coisa, né? O passivo do Lula ele é muito vem desde o mensalão, né?
¶26Que é o primeiro grande escândalo eh da era petista na presidência, né? E depois aí vem vem outra e e e vai acumulando acumulando desgaste, acumulando desgaste, acumulando desgastes. Então eu acho que isso não tem como a gente também não levar em consideração nesse momento. Então quanto a corrupção passa a ser um um dos temas mais relevantes da campanha, aliás esse dado que o Pedro colocou, trouxe me passou batido. Eu acabei de de escrever uma análise sobre o Paraná, né, tentando explicar porque que o Moro não derrete, né?
¶27Porque tinha muita gente lá atrás que dizer: "O Moro vai derreter, o Moro vai derreter". sai, pesquisa, volta pesquisa e o Moro continua em primeiro, que era esse esse favorece, né, essa discussão favorece a figura do Moro, né? Vamos esquecer que ele tá ali com o Flávio, mas enfim, eh teria sido um dado interessante para eu colocar no meu texto desse da Quest. Eh, então esse dado ele ele mostra, né, que que que vai ganhando tração essa essa questão da corrupção, o que nunca favoreceu o o PT, né? Nunca não.
¶28Lá atrás favoreceu, né, quando era Maluf, quando era quércia, quando era uma direita ali completamente enrolada em casos de corrupção, que aliás eu acho um erro, né, assim, eh, eu que acompanho há muito tempo a política aqui de São Paulo e PT, né, o o que o Zéseu, o Guten e tantos outros ali petistas históricos eh fizeram nas crises que envolveram Quest, que envolveram Maluf, né, jogar muita luz a esse discurso da dos desvios éticos, morais da corrupção, voltou para eles, né? É, quando você faz uma coisa dessa, é quase um efeito bumerang, a menos que você seja completamente eh vestal, o que eh na política é muito difícil. Eh, eu tenho uma visão de política essa aí que o Pedro colocou, é a mesma visão que eu tenho. Não existe mocinho em no STF, na eleição. A gente sabe que que quando eh a gente vai tratar desse tema, tem gente que escolher um lado, né?
¶29né? Escolher um lado, aí é diferente, até respeito, não vou eh quem sou eu para dizer que tá aqui que não é correto fazer isso. Agora, há quem não escolheu um lado que tenta se situar no meio de tudo isso e aí às vezes vai vai sendo ingênuo. Então vamos pensar quando quando surgiram os primeiros relatos, né, os primeiros furos, as primeiras notícias do envolvimento mais direto do Supremo eh eh Tribunal Federal nessa crise do VCAR, houve inclusive uma tendência de gente que tomou lado, né? Então, era o pessoal que defendeu Morais, o pessoal que depois passou a a defender o Mendonça.
¶30Quer dizer, e hoje a gente olha para esse cenário. Eu eu particularmente acho que quem olhou para quem quem embarcou nessa, se tem um pouco de de senso crítico, vai olhar falar: "Pô, não foi a melhor a melhor escolha, né?" Eh, mas o Mora ele carrega essa questão que é do julgamento eh do da tentativa de golpe, da condenação do do do Bolsonaro, do presidente Jair Bolsonaro. Então é é muito tem há uma aderência esse discurso, né? Quando quando você descredencia o judiciário de uma maneira geral, eh, é difícil você dizer: "Não, mas aqui o o judiciário foi bem, aqui o juiz acertou, aqui o juiz errou". Eu acho que que há muita dificuldade, tô respondendo mais objetivamente, eu acho que há muita dificuldade em fazer essa diferenciação e acho que isso benefici o Flávio.
¶31Então, na minha na minha visão, eh, nós não podemos de maneira nenhuma, é innegável que os Bolsonaros foram eh os primeiros eh com grande repercussão na sociedade, com grande com voz ativa, com espaço eh nas redes sociais, na imprensa tradicional, a questionar e atacar o Supremo. Vamos voltar lá, então. Se a gente pegar como marco a frase do basta e um cabo e dois soldados, se eu não tô enganado, a frase é essa, né? dita lá atrás, acho que também s tornado pelo Eduardo, eles fizeram esse papel de questionar o Supremo, né, pelos interesses deles, pelas conveniências eleitorais e políticas deles, enfim, com razão, às vezes, na minha visão, sem razão, na maioria das vezes, mas eles e e quando quando o Supremo entra de uma maneira negativa na crise, como entrou agora, entendo que na cabeça das pessoas a tendência é que o Flávio possa de uma maneira ser beneficiado. Óbvio, como vocês bem pontuaram, nós sabemos que a as investigações mostram ele pedindo dinheiro para finançar eh o filme, a história do filme é totalmente enrolada, né?
¶32É uma eh não vamos nem eu não vou nem entrar nessa minústria, mas assim não para muito em pé. As versões que foram dadas até agora. Ele já se falou coisas que não que que disse que tinha recebido menos pagamentos do que recebeu. Na verdade é ruim a situação dele, né? E aí a gente tem que acompanhar o 7 de setembro em que o sujeito sobe num carro de som na Paulista para atacar um outro que que ele ataca porque tem relações com Vorcaro.
¶33É uma loucura, né? Eh, é inacreditável o que nós estamos vendo, mas entendo que eles terem tido quase uma primazia nesse nesse ataque direto, nesse confronto direto ao Supremo, descredenciando Supremo, atacando Morais, dizendo que o julgamento do pai é político, eh o desgaste eh recai mais sobre o Lula, né, que vem, como disse, com todo esse esse essa ficha corrida e lá atrás, né, esse desgaste da corrupção e com uma fadiga de material, que aí ela aí ela vai para outras áreas, né, que daí também não é só corrupção, né? Então é uma fadiga de material em tudo, né? Economia, novas ideias, propostas, bolsas, mas esse é um assunto mais adiante. Então, em em linhas muito gerais, é mais ou menos isso que eu entendo.
¶34>> Eu queria acrescentar também eh que eh primeiro na linha de não ter heróis, né? Eh, tanto não dá que uma das estratégias do grupo do Morais eh para amanhã, porque amanhã vai ser um dia um dia de muitas confusões, diria o narrador da da sessão da tarde, né? [risadas] Porque eh a gente tá diante de uma de uma sessão do Supremo que se nada mudar vai ser televisionada, que pode durar 5 minutos. se algum deles pedir vista, o que é bastante provável, né? O Gilmar, principalmente já deu sinais de que pode fazê-lo, porque vem eh ventilando aí a tese de que fal precisaria de mais tempo.
¶35O que eles queriam mesmo era que o julgamento fosse simultâneo eh do Mendonça com o Morais para fazer a troca, o fogo cruzado mesmo, o cabo de guerra em rede nacional. Eu acho que se o julgamento, se ninguém pedir vista, isso vai acontecer de qualquer maneira. a defesa do Morais eh feita pelos colegas, porque em tese ele não vai poder participar do próprio julgamento, embora, né, no Brasil de 2026 a gente esteja aberto a qualquer possibilidade, mas em tese ele não vai eh participar do próprio julgamento. Então, os seus proxis vão defendê-lo, devem defendê-lo acusando, né, o Mor, o Mendonça, a conduta do Mendonça e etc. E outra estratégia que já foi mapeada pelos colegas de Brasília é a de este grupo de proxis pedir que Nunes Marques, o próprio Mendonça e Fuxs não votem o Nunes Marques e o Mendonça, porque também eh teriam ligações com o próprio Vorcaro.
¶36O filho do Nunes Marques recebeu dinheiro do escritório do Vorcaro. O Mendonça teve o encontro da da alfaiataria e outro encontro ali. A gente tá chegando a um cenário em que talvez só sobre a Carmen Lúcia e o Edson Faquim votando >> e nós não sabemos qual será o voto. [risadas] >> E até o momento a gente não sabe para que lado ela, né? Ele mais ou menos a gente já dá para dá para fazer uma leitura.
¶37O fato é que assim tá tão conflagrado, eh, que a gente tá diante de uma situação em que talvez na ponta do lápis todos eles tenham razão de pedir a suspeita do outro. E quem tá saindo melhor dessa situação eh no longo prazo é o Toófoli, que já tá fora da briga, já teve um relatório enterrado. Ninguém tá falando de abrir inquérito contra ele, talvez ainda abram, mas naquele primeiro momento da crise em que ele era o pivô quase exclusivo, a coisa se solucionou mais rapidamente num encontro a portas fechadas em que decidiu em que se decidiu enterrar o relatório e e vida que segue. Ó, queridão, se declara suspeito porque ficou muito feio, mas a gente segura tua onda aqui. E [risadas] e ele foi tocando, gente.
¶38Faz isso, faz isso foi dezembro e janeiro e ele tá lá firme, forte, né? Eh, firme e fortes são palavras, talvez pesadas para descrever a situação de qualquer ministro do Supremo no momento, mas ele segue eh ele não tá mais na linha de tiro, né? Eh, então é é uma situação de conflagração absoluta, não tem eh não tem eh assim, não tem não. Sobrou tipo quatro, cinco fiéis da balança, no máximo dois, né, tão ali de pé para sustentar uma uma institucionalidade, para sustentar o rito, para sustentar. Olha, agora que todo mundo já fez guerra de liminar para lá, guerra de liminar para cá, pera aí, vamos botar a bola no chão e fazer o procedimento constitucional, regimental, legal e tal.
¶39Então, eh, tá nessa situação, né? A outra coisa que eu queria acrescentar é que eh seria muito eh [limpando a garganta] improvável que uma corte que se politizou, da maneira que se politizou nas últimas décadas, nos últimos 15 anos, né, de forma muito intensa, eh não se conflagrasse em grupos políticos as vésperas de uma eleição. Isso mesmo levando em conta que, como disse para mim o professor Rubens Gler na última edição de sábado do meio, uma entrevista que ele me concedeu, mesmo levando em conta que os interesses dos ministros são de de longo prazo e não de ciclo eleitoral, porque eles estão lá até os 75 anos. Se você pega, por exemplo, o Alexandre de Moraes e o André Mendonça, a gente tá falando de ministros ali na casa dos 50 que tem mais duas décadas de Supremo, se quiserem, >> e que tão jogo fazendo um jogo de sobrevivência de duas décadas, não desta eleição. estão fazendo o jogo de sobrevivência do próximo ciclo de indicações de quem vai ter eh [limpando a garganta] voz para indicar os os próximos colegas, os os próximos ministros de STJ, os próximos eh enfim, eh eh o peso de um ministro do Supremo vai muito além das da sua própria cadeira, da sua própria toga, da maneira como Brasília vem operando, principalmente nos últimos 15 anos, 10, 15 anos.
¶40Então, eh, o jogo deles é de mais longo prazo, mas é evidente que o cálculo passa necessariamente por esta eleição. Quem vai sobreviver a este ciclo eleitoral e quem vai sair dele mais poderoso passa necessariamente por quem vai se eleger, porque a forma como a eleição tá caminhando são os dois grupos majoritários e antagônicos e que tem ali três, quatro ministros cada um. Então, formou-se eh eh essa essa essa trincheira, né, de grupos adversários. com dois ministros ali no meio, né? O Tofoli, antes de tá eh de castigo, né?
¶41Excluído da brincadeira, [risadas] ele tava ele transitava entre um grupo e outro a depender ali da sua, dos seus interesses de ocasião, né? Os outros não, os outros estão mais ou menos alinhados de uma maneira eh mais macro, embora também eventualmente possam reconfigurar, né, as suas alianças ali a depender dos julgamentos. Mas é natural que a gente esteja vivendo essa conflagração, embora não seja natural, enfim, o tamanho dessa crise, né? Eu tô falando só >> nessa consequência toda. Diga, querido.
¶42>> Então, só uma observação rápida, se você me permite, sobre o tópico, né? >> No meu curto período de assessoria de imprensa, eu peguei um período, uma gestão de crise, uma crise grande de uma empresa grande para fazer. E aí tinha, eu percebi que tinha duas linhas na empresa, que era uma linha que queria ir pro tiroteio e uma linha que falava assim: "No tiroteio você passa abaixado, nós vamos". E prevaleceu essa e deu certo. "Nós vamos passar abaixado.
¶43Quem botar a cabeça para fora vai tomar tiro." Me parece que já que você usou essa metáfora das tricheiras, né? Essa imagem, me parece que o Tofre resolveu passar abaixado. Chegou um momento que ele falou: "Eu vou passar abaixado", né? E e deu certo. O Alexandre não.
¶44O Alexandre não é da natureza dele, né? se levantou e foi pra briga e agora ele tá colhendo eh de frente, né, o o o a estar no epicentro da crise. E o Tof é uma coisa fantástica eh eh a resiliência dele é muito grande, porque o Lula no lançamento da campanha no dia 26 de agosto no estado de Vilaclides em São Bernardo do Campo, entregou a cabeça do do Tofle de bandeja. Quando ele vai lá e critica o Tofo, sem citar nomes mais publicamente, ele tá dizendo: "Ó, eu não vou trabalhar por esse, né? tinha uma conveniência de parecer anti sistema, algo que acho que ele não vai conseguir mais, mas enfim.
¶45E ou seja, eh, não é, esse cara não é meu, eu não vou trabalhar por ele. Até conversei com gente no mundo jurídico que falava assim, ó, parece que o Lula quer fazer um acordo, entregar o Tof para preservar o Alexandre e outros ministros. pelo jeito não deu certo, mas a habilidade dele assim em se mimetizar e de alguma maneira sobreviver, eu concordo com você plenamente. Acho que é essa observação. Ele de alguma maneira pode escapar de tudo isso, né?
¶46De tudo isso, mesmo com com com robustez de indícios contra ele. >> É isso. Porque na verdade eh vai, claro, a gente tá falando de hipóteses ainda, né? A gente tá no meio da troca de tiro. A gente ainda não sabe.
¶47Uma fonte minha de Brasília eh narrou o que tá acontecendo em Brasília como aquela cena da da taverna eh do bastardos. Faz taverna ou taberna estão igualmente corretos. >> Olha aí. Então minha intuição ainda temavilos não enfiei nenhum nome errado que é e eu ainda brinquei com ele. Eu falei: "É, lembrando que a mocinha é a única que sobrevive com um simbólico tiro no pé, né?
¶48Então, eh, não sei ainda quem é o mocinho que vai sobreviver com o tiro no pé, mas ele falou assim: "Não, o que tá acontecendo agora é exatamente em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, mas não só, é a cena do bastardos inlórios do tiroteio." Então, vai ter gente que vai se jogar no chão e vai morrer do mesmo jeito. Vai ter gente que vai tirar e vai morrer do mesmo jeito. Talvez a mocinha sobreviva com tiro no pé, que eu ainda brinquei com ele, eu falei: "Mas desenha o organograma aí para mim, para eu saber quem que é a mocinha, porque eu não tô sabendo localizar". Ele só riu. [risadas] >> Não sei se ele tem o palpite de quem que é a mocinha ou não, mas ele só riu.
¶49Eh, é possível que o Tofol ainda se queime? Por eu entendo que ele conforme os sigilos vão caindo, né, e tá caindo um a um e a imprensa ainda não teve tempo de explorar todo o material que que tem ali, imagina agora que estão começando, a briga de ontem foi pelo celular, então assim, ainda tem muita coisa para vir à tona e a gente não tem a menor ideia eh eh do que ainda vai acontecer nessas próximas semanas, nos próximos meses, né? Porque não acaba na eleição, né? a guerra continua, eh, vai, a acomodação ali dos acordos é que vai variar de acordo com quem ganhar, né? Agora, eh, o Tofoli talvez ainda seja uma carne fácil ali no mercado para sacrificar, porque ele tem menos poder que o Alexandre de Moraes, me parece, eh, para negoci assim, menos trânsito, mas aí vai depender muito dos próximos capítulos.
¶50Flávia, primeiro começando com o que é mais importante, o som de V não existia em latim. Então, quando ele vem paraa Ibéria, ele é reinventado. Num pedaço da Ibéria vira V, noutro pedaço vira B. Tanto que os espanhóis leem o o V como uber gráfica, né? E como som de B.
¶51Por isso que [risadas] por isso que taverna e taberna é a mesma palavra. E por isso que tinha uma peça maravilhosa de teatro aqui em São Paulo, que não sei se viajou o Brasil, mas que se chamava Vacalhau e Binho, que era um [limpando a garganta] jantar com uma peça num espírito meio cabaré. Cabaré não, cabaré. Eh, e era muito maravilhosa porque era uma peça que o texto inteiro brincava justamente tanto com o português de Portugal e o português do Brasil, quanto com as trocas do V e do B. Pois é, justamente.
¶52Tá vendo? >> Eu eu eu queria chamar atenção para um ponto que vocês não tocaram, mas que exatamente é outra das peças que eu acho que ficaram muito melhor amarradas agora, é que é o seguinte, eu eu tô vendo, acompanhando aqui o pessoal comentando eh no YouTube e é muito curioso como tem essa convicção de que os times são claros, né? Se você é Mendonça, você é Bolsonaro. Aí o Mendonça é o máximo. Se você é Alexandre, você é Lula.
¶53E aí o Alexandre é o máximo. Lula é o máximo. Tudo mais. E gente, eh, Alexandre de Morais e Davi Columbres se juntaram para impedir que Jorge Messias fosse escolhido do Lula, fosse ministro do Supremo Tribunal Federal. Olha, o nome e o sobrenome dessa operação é Banco Master, tá?
¶54[risadas] É Daniel Vorcaro. É exatamente isso. Por quê? Porque o Messias era percebido. Aí eu não vou entrar no mérito de se corretamente ou não.
¶55O Messias era percebido como alguém que na investigação no Banco Bter se alinharia de Presto com Mendonça. >> Uhum. >> E [limpando a garganta] e quando eu faço esse comentário, não vou entrar no mérito de se tá certo ou não. Eu parto do princípio de que tá, tá? Eu não tenho dúvidas que o Alcol Columbri e o Alexandre estavam extremamente bem informados sobre qual era a visão do Messias nesse caso, entendeu?
¶56diga. >> Eu eu ouvi de uma fonte muito boa do PT dizendo o seguinte, [risadas] eh, uma fonte muito leal, presidente, dizendo assim, ó: "O Jaxes Wagner trabalhou de fato pela pela indicação do Messias, mas ele respirou muito aliviado quando foi rejeitado." E então é exatamente você tá dizendo. "Eu vou cumprir minha minha função aqui de líder do presidente, né? De ah, mas que tomara que não passe, porque se não passar esse cara vai chegar lá". Aí é é é é o jogo da sobrevivência política e aí ele deixa de ser para ser individual.
¶57Então você tá, eu acho que você tá corretíssimo na nesse caminho. Segundo as informações que eu tenho. >> Tem aquele episódio Bombig de que o o Wagner chegou a informar Palácio do Planalto horas antes, minutos antes da da votação de que tinha voto e não tinha. Eu não sei se ele tava desinformado, podia tá. Isso acontece ainda mais numa numa votação apertada que dois, três senadores indo para um lado, pro outro muda a coisa e foi o caso o ou se ele queria que o Planalto fosse pro voto, tá, para perder.
¶58>> Pois é. >> Eh, o que não quer dizer que ele não tivesse trabalhado nos dias anteriores, entendeu? As duas coisas são compatíveis. Ele informar errado o Planalto e ter trabalhado eh eh são absolutamente impossíveis de acontecer e e acontece em Brasília. Eu queria ler três comentários aqui que eu acho que ajudam a a amarrar alguns pontos aqui.
¶59Primeiro, dois são comentários do Slotus Aurélius, que eu acho que você é novo, Slotus. Muito bem-vindo. Eh, falta proporção. Olha as provas que levam à investigação do Morais. Por muito menos vocês defenderiam o afastamento investigação de qualquer parlamentar.
¶60Slotes Aurérios, eu acho que o Tofol e o Alexandre de Moraes tê de ser afastados do Supremo Tribunal Federal. não quer dizer que eles tenham que sair, mas eles não têm condições de continuar no Supremo Tribunal Federal, dado o volume de dúvidas eh eh sobre a sua honestidade, tá? Agora, eu queria fazer uma observação que faz parte do jogo de o volume de informações que tem a respeito de um, o volume eh de debate público que existe a respeito de um e do outro. Na verdade, aqueles sobre o qual existem suspeitas muito mais sólidas é o Tofol, não, Alexandre. Tá pelo seguinte, a gente sabe claramente de contrapartida que o Tofoli deu como ministro da Suprema Corte.
¶61Ele ativamente atrapalhou a investigação da Polícia Federal, ativamente por decisões suas como relator desse caso. Então, embora o Tofol tenha, segundo tudo o que sabemos, ganhado direto ou indiretamente menos dinheiro do Car Alexandre de Moraes, decisões dele no papel de ministro da Suprema Corte claramente beneficiaram Vgaro e o Banco Master, o que não aconteceu quanto a respeito do Morais. Eu não tô tentando aqui comparar honestidades. A gente tem indícios eh eh suficientes para levantarmos dúvidas a respeito de se o Moraes alimentou ou não o Daniel Vorcaro. Parece que ele alimentou o Daniel Vorcaro com informações a respeito do da investigação do inquérito que tava em curso em Brasília pela Polícia Federal.
¶62eh tentou eh informá-lo ou não a respeito de que momento seria melhor ele sair do Brasil para evitar uma prisão. Agora, a gente sabe, por exemplo, que a prisão não foi evitada, né? O o Vorcaro foi preso no aeroporto. Eh, então, talvez o Alexandre não tenha informado, porque a gente sabe o que que o Vorcaro falou na conversa. A gente não sabe o que que o Alexandre respondeu, o que que o Alexandre trouxe de informação.
¶63A gente não sabe o quanto que o Alexandre deu ou não deu. Veja, >> verdade, >> eu não tô de forma alguma tentando tratar o Alexandre como um anjo inocente, uma coisa assim. É só que pra gente ser preciso com as informações que nós claramente temos e e da quinta-feira para cá tem um jorro de informação que veio [limpando a garganta] que eu só tô conseguindo navegar por causa de inteligência artificial, de tanto documento que é, tá? porque simplesmente não dá para ler tudo. É muito documento ao mesmo tempo e e e faz parte da estratégia também para gerar uma certa confusão, porque aí jornalista começa a pensar aleatoriamente, lê um, lê o outro e faz uma matéria sobre um, outro, tudo mais, [roncando] mas concretamente eu acho que os dois têm que ser afastados.
¶64Ninguém e e ninguém aqui tá fingindo que não tem problemas muito graves a respeito dos dois. Mas bicho, em termos de contrapartida clara, o Tofoly tem um problema maior do que o Alexandre. Ele só, como parece e como tava sugerindo o Bombig e a como estavam sugerindo o Bombig e a Flávia, ele só adotou uma estratégia melhor para lidar com a crise, porque a personalidade do Alexandre é de ir pra briga e quanto maior a briga, mais interessante a coisa fica pro Alexandre. É uma é uma questão de personalidade. Eu queria trazer outros dois comentários aí, eu jogo para vocês.
¶65Eh, outros doos lotos Aurélios, mas qual a contrapartida do Flávio? A do Morais, tá claro. O o cara avisou o alvo de uma operação sobre a operação que o prenderia. Lula só tá sendo afetado por ter ligado ao Morais umbilinado ao Morais umbilicalmente. Cara, a contrapartida do Flávio é o potencial de ele chegar à presidência da República.
¶66É isso. A família Bolsonaro é no campo da direita quem tinha já a maior potencial de chegar à presidência da República, fora o fato de que ele é senador da República e o irmão Eduardo era deputado federal quando a grana foi combinada. Então, tem a questão da imensa importância que eles têm eh dentro do campo da direita, o fato de que o Flávio tinha a família Bolsonaro encaminha uma quantidade imensa de votos de direita no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado, mas principalmente eles têm e tinham um alto potencial de voltar à presidência da República. O Vorcaro não comprou apenas pelo retorno imediato. o o os próprios ministros do Supremo foram comprados muito antes de serem necessários.
¶67Ele foi comprando quem dava para comprar no TCU, no Banco Central, no PT, no PL, onde for que fosse, na família que fosse. Ele comprou quem poderia ajudá-lo em em várias circunstâncias diferentes. Cara, teu [limpando a garganta] no bolso o presidente da República para um sujeito como Daniel Vorcaro, vale ouro. Último comentário. Fernando Garrel.
¶68A população identifica todo o sistema como corrupto. Lula é a cara do sistema. Pronto, Pedro, tá explicado porque o Flávio não derrete nesse tema. Eu acho que não é só isso, mas eu acho que é muito isso. Sim.
¶69E se o Cristian L estivesse aqui, ele estaria falando justamente isso. O Lula é meio que a cara da nova República. Outros foram, mas Fernando Henrique tá em casa, José Serra tá em casa. Esses outros nomes que participaram da construção do que é a nova república, todos estão aposentados, Nelson Jobim, tal, mesmo as figuras eh eh um pouco menores, tal. Lula é literalmente o cara que tá na presidência da República e representa o o sistema que nasce em 85 e com a Constituição de 88.
¶70Então, sim, se é um voto antisistema, acho que você tem razão e tem um componente disso. Sim. Aliança formada após o 8 de janeiro, ela é muito forte. Eu acho que ele usou inclusive o termo umbilical, né, que pode parecer um exagero. Lula tão umbilicalmente ligado ao Alexandre, que é um cara que nós sabemos que vem de uma outra corrente da política.
¶71O Alexandre é um político, né? Ele chegou ao STF, mas ele é um político, ele foi secretário, ele vinha do outro lado, né? Ele vinha do campo adversário ao petismo em São Paulo, né? PSDB, MDB e tudo mais. Mas eu eu concordo porque o 8 de janeiro, inclusive, que politicamente o presidente Lula usou o 8 de janeiro, o episódio do 8 de janeiro, para se aproximar demais do Supremo e inclusive para para pegar a ideia dele lá de Frente Ampla que ele montou e joga fora, né?
¶72Eu me elejo com a Frente Ampla e governo com outra frente, governo aqui com o PT. Eh, vou dar uns ministérios periféricos aí pro Vaguinho, para sei lá quem no novo governo e me e faço uma aliança eh por cima, né? Uma aliança institucional, né? Uma aliança com com o Supremo, uma aliança tentar com as duas presidências da Câmara. Eh, e aí ele se ele ele ali, na minha visão, ele pegou a mão do Supremo e vamos junto, né?
¶73Vamos junto. É óbvio que quando o Supremo entra na na na linha de tiro, ele ele vá sofrer as consequências disso, né? Eh, nesse sentido, ele ele é ele ele ele, por mais que tente hoje recuperar a questão eh de ser antiistema e é muito é muito maluco porque se você for olhar a história do PT, o PT nasce, surge questionando o Supremo Federal, Tribunal Federal, eh, Supremo Tribunal Federal, eh havia correntes, né, na na criação do PT que pregavam o desrespeito a ao Supremo, porque era uma corte composta eh pela elite pelo capital, pela elite. Eh, isso foi muito forte lá atrás dos prêmios. O PT não demorou muito debate, esse debate para além das questões que que surgiam, ele ele marcou os primeiros a primeira década quase até um pouco mais de existência do partido, né?
¶74Até chega uma hora que ele chega à presidência e e daí ele passa inclusive fazer as indicações, né? E me lembro que nas primeiras indicações, por exemplo, havia eh ainda correntes no PT que que questionavam como é que a gente pode estar fazendo essas indicações? O jogo não é isso, nós fomos contra a vida inteira. Eh, eu tô falando isso do primeiro mandado do Lula, né? Desde então foram indicações atrás indicações, uma aproximação atrás atrás de aproximação.
¶75Não adianta você querer voltar, não adianta, não adianta você ir paraa Vila Euclides, que foi onde o partido começou, chega lá e falar mal do mesmo supremo e e tentar criar uma névoa eleitoral que que dê essa cara de anticistema. Porque nós aí entrando um pouco no campo da eleição, ainda não, eu aí é difícil, eu tenho acompanhado eh vocês todos, né? Tenho acompanhado outros colegas, né? Ninguém consegue cravar, principalmente o pessoal de pesquisa e marketing disse: "Asa é uma eleição de mudança, uma eleição de continuidade", né? Tem hora que ela perde mudança, hora que ela perde de continuidade, mas me parece que não há muita dúvida de que há ainda um sentimento antisistema eh eh solto no ar e que o Flávio eh goste se ou não, concorde se ou não, eu eu obviamente não concordo, sabe explorar um pouco mantendo mantendo-se como uma candidatura que de alguma maneira é antissistema.
¶76>> Eu eh discordo só de que o Flávio saiba explorar. Eu acho que ele tá levando pela inabilidade da campanha do Lula de virar o jogo [risadas] eh eh retórico, >> verdade, de fazer o embate, né? >> É porque o o que tem o que tá acontecendo neste e que me parece que a campanha do Lula percebeu e começou a mudar o tom a partir de sexta-feira, né? Isso inclusive foi noticiado por alguns colegas em termos de bastidores, né? Eh, o Cristian que postou outro dia, o Cristian V, nosso querido colunista, que não veio hoje, que ele tá com uma gripe dessas, [limpando a garganta] eh, que derrubam também esse tempo no Brasil, não tá fácil de acompanhar, mas enfim.
¶77Eh, mas ele postou pro dia, ele falou: "Não aguento mais a palavra bastidores e realmente tudo é bastidor, tudo é bastidor". Mas é, mas enfim, quem cobre campanha sabe que as coisas não se falam todas em OM. Então, a gente chama de bastidor. É isso, né? >> Uhum.
¶78mas que a campanha do presidente Lula percebeu pelos pelas pesquisas próprias que tem, né, os trackings, mas também pelas pesquisas que estão sendo divulgadas. o mau momento, óbvio, tá claro que ele não só parou de crescer, como o Flávio voltou a crescer, eh, e voltou a crescer de uma maneira a em a quest hoje dá o Flávio numericamente à frente no segundo turno, a BTG Nexus também, a nossa deu empate a semana passada numérico, enfim, mas fechou totalmente, inclusive já no primeiro turno. Então, a partir disso, a campanha teria decidido ir para uma postura muito mais de embate, muito mais de eh desqualificar o Flávio Bolsonaro, a pessoa do Flávio Bolsonaro, o que me parece que talvez tenha até demorado, mas eh aí a gente pode debater se demorou ou não. O fato é que parece que agora vai adotar essa estratégia. Eh, o Flávio, ele não ele não tem um discurso que convença ninguém.
¶79O discurso dele é derrotar o Lula. Sou eu que vou derrotar o Lula. Sou eu que posso derrotar o Lula. Não tem um grande, né, uma uma âncora, eh, nem de carisma, nem de carisma muito pouco, inclusive, mas nem de valores, nem de nada, >> esperança, né? >> Nada, nem um projeto mãe assim, nada.
¶80Eh, ao contrário, é é um é uma campanha bem esvaziada. Eh, podia, pensando na fragilidade da campanha do Lula, poderia ser bem mais potente a campanha do Flávio em termos de discurso. Eh, agora tem um um fator também que eu acho que eh vale mencionar só das perguntas que o Pedro recebeu hoje no programa, no podcast O assunto, que é aquele que a Natusaneri apresenta do G1. ela ouviu o professor Oscar Vilena, eh, que vem, enfim, que é um grande, eh, constitucionalista e cientista político, né? E eu achei muito interessante, eu não tinha pensado ainda por este ângulo e eu acho que isso vai começar aos poucos, conforme os o agora não é mais vazamento, né?
¶81conforme o as reportagens sobre eh o máster vão assentando aí Dark Horse e tudo mais, eh que no caso do Dark Horse, independentemente do que ficar comprovado sobre o destino do dinheiro, já existe um componente de lavagem de dinheiro, de recursos ilícitos, passando por um fundo, passando pelas mãos de políticos. e entrando num fundo eh americano e l e sendo com isso esquentado, né? Para eh completar esse ciclo de esquentar essa grana, precisa mostrar que entrou mesmo, né? E foi gasto com quê? que, aliás, é a parte que eles sequer se deram ao trabalho de apresentar ainda.
¶82Eh, então assim, eh, se a gente lembrar a cronologia de Dark Horse, quando estourou com a matéria do Intercept, com a revelação dos áudios, teve aquele primeiro dia em que o Flávio negou, aí no dia seguinte admitiu falando que era tudo dinheiro privado e que em 30 dias seriam apresentadas as contas. E até ontem, pelo menos, não apresentaram contas convincentes de nada. Talvez hoje ainda apresentem e eu tenha, né? Então, tô fazendo esse R, mas não me parece que estejam prontos para apresentar, não. Eh, então tem uma questão criminal já de você senador, pré-candidato à presidência da República, naquele momento ele ainda não tinha sido ungido pelo pai, né, nas reuniões com o Daniel Vorcaro.
¶83Então, possível candidato, mas já senador da República. >> Flávia, é, e independentemente de ele ser candidato ou não, não importa. A família Bolsonaro, quem ela apoiasse seria o principal candidato direita no Brasil. Eh, eh, o dinheiro é pra família. E aí você pega, e o professor Oscar Vilena formulou isso para mim de uma maneira muito cristalina no assunto, que eu falei, eu acho que as pessoas não tão perdendo a dimensão disso.
¶84Eh, é uma são políticos, é um grupo político recebendo milhões de reais da maior organização criminosa do sistema financeiro do Brasil. Então, eh, a gente, mesmo que que se falassem que se falasse em recursos privados, supondo que isso parasse em pé, e a gente já sabe que não para, né, porque tem a questão das emendas, mas tem também a questão de que todo o esquema master girou com dinheiro público deção, eh eh de crédito sexta, de consignado, etc. eh é um é uma organização criminosa injetando milhões de reais num grupo político e isso tá sendo perdido de vista eh enquanto o a investigação não avança de fato, né? Então aí avançou pelo lado do Flávio Dino, das emendas, né? antes da guerra de liminares da semana passada, do fim de semana, o que teve de fato novo em Dark Horse foi via Flávio Dino, que entrou eh politicamente na briga, política e juridicamente na briga, que tá conflagrada.
¶85E aí aumenta ainda essa sensação de que tudo tá sendo manipulado só pro outro grupo perder e se perdendo de vista que olha as coisas são verdade também além de tá sendo usado, porque é verdade também que tá sendo usado politicamente, mas também é verdade que teve o crime e aí como é que, né, o pelo menos a suspeita, né, os indícios, então precisa ser investigado. Então, a gente tá preso nesse dia da marmota de acusação de que é político e que o ah, mas é crime, mas é político, mas é crime, mas é político, mas é e a eleição tá aí, tá na nossa cara. Enquanto isso, realmente virou uma disputa, uma guerra de atenção de quem vai conseguir monopolizar. Eu acho que a essa altura, com este empate, a guerra é de atenção. É uma guerra de qual assunto vai estar, né, na atenção dos eleitores, da imprensa, das redes sociais nas vésperas da eleição, porque o empate tá posto, os grupos estão decididos, tem um pequeno pedaço que tá ainda em dúvida e que tá neste momento pendendo mais pro lado de Flávio Bolsonaro por uma série de fatores, inclusive a própria eh inabilidade da campanha do Lula de criar um fato positivo.
¶86para si, um fato novo, uma um discurso atraente, mas também porque a a janela de atenção mais recente o prejudica. [risadas] Então, nós estamos nessa nessa janela. Diga, queria dar uma informaçãozinha, uma informação sobre essa questão da campanha do Lula que você pontuou bem. A ideia da campanha do Lula era a ideia clássica. Segundo eu apurei aqui, eu tô no segundo turno.
¶87Eh, vou deixar usar a famosa frase, né? Vou deixar o Flávio ali se debatendo ali embaixo. Eh, usar a famosa frase de João Santana, que era a fagocitose de anões, que ele fala quem tá embaixo ali vai ficar brigando entre si, tirando voto um do outro. E ele usaria essa primeira fase da campanha, primeiro turno, para baixar a rejeição dele, né? Baixar a rejeição, melhorar a avaliação do governo, que seria falar de coisas positivas e não entrar rolar na lama com Flávio nem com ninguém.
¶88não deu certo. E aí você eh eh quando você coloca, ele vai ter que fazer isso, ele vai ter que fazer isso. Agora isso no longo prazo, segundo eh eh os marqueteiros mais experientes, pode ser complicado, porque quando você bate muito também, você aumenta a tua rejeição, você aumenta a polarização. Então, no mundo ideal, o Lula estaria agora que nem 2000, em 2002, 2002 o Lula flanou no primeiro turno e ficou lá Crido Garotinho, Serra, se matando para ver quem iria pro segundo turno com o Lula. Quando o Serra chegou, o Serra já, ele já tinha apanhado o garotinho, tinha apanhado o Crio, tinha aphado o próprio Lula, tinha parado um monte de gente, ele chegou mais fragilizado e o Lula tava bem, né?
¶89É óbvio, eu tô falando, são situações diferentes. Então, eu acho que isso é um revesto pra estratégia do Lula. Ele deveria estar usando esse primeiro turno para melhorar a avaliação do governo e não tá dando certo. Eh, o que o Pedro explicou aqui para quem tá nos acompanhando e fez a questão, né, da contrapartida do Flávio, tem uma frase clássica em política que é mais importante que o poder, só a expectativa de poder. O poder é muito importante, a expectativa de talvez seja mais importante do que o próprio poder.
¶90E e aí uma coisa assim que que eu me chama atenção nessa crise, que é uma observação não muito profunda, mas às vezes a gente constatar o óbvio também importante a nossa função é tudo aquilo que a gente dizer que acontecer aconteceu nas nomeações, né? Então hoje você olha por que que o por que que o Lula nomeou o advogado dele pro Supremo? Por causa por causa disso. Por que que o Lula nomeou o ministro da justiça dele, Flávio Dino? que tem uma histórico na esquerda por causa disso, porque tá acontecendo agora.
¶91Por que que o Jair Bolsonaro nomeou André Mendonça que por causa do que tá acontecendo agora? Então e aí é uma constatação assim, mas que assim o Supremo hoje virou no meio, o mais próximo possível de você para não existir mais o Fux que foi nomeado pelo Zéceu e depois no mestal votou contra para não ter mais um faquinho que foi nomeado pela Dilma, chegou lá e e e petrolo, não fez o que se esperava. Isso é muito ruim. Eu sei que eu tô chovendo na mulher, fazendo eh uma contratação móvel, mas eu acho isso muito ruim para as instituições, sabe? Vai chegar um ponto que nós vamos que que e e o que tá acontecendo nessa eleição é isso.
¶92Nós sabemos os votos. Eh, eu acho que Brasil todo sabe os votos porque nós simplesmente olhamos quem nomeou, né? Os que foram nomeados por quem não tá mais. Eh, aí eu acho que talvez tenha um pouco mais de independência. Isso é é lamentável.
¶93Pedro, Flávia e Bombig. Deixa eu trazer uma atualização aqui que a gente aproveita também esse horário do almoço para fazer um uma espécie de breaking news que a gente faz obviamente melhor e e muito bem a análise, mas eu preciso trazer pra gente poder analisar em cima dos fatos novos. Primeiro, numa apuração aqui da Gabriela Boixá, repórter da CNN Brasília, a Polícia Federal liberou os dados do celular do Vorcaro pros ministros do STF. E os gabinetes do Gilmar Mendes e do Cristiano Zanim já disseram a Gabriela numa apuração aqui da CNN que já receberam e estão analisando o material entregue pela Polícia Federal e a expectativa é de que outros ministros peçam esse acesso também ao longo do dia. Além disso, gente, o André Mendonça também derrubou o sigilo de investigação que mira transações financeiras no caso Master depois dessa ordem do Faquim.
¶94E bom, como a gente sabe, essas informações estão sendo tornadas públicas aí as vésperas desse dia fatídico pro Supremo Tribunal Federal. Eu queria aproveitar também para trazer dois comentários aqui que eu achei interessantes da nossa audiência. O primeiro é do Rafael Simonelli. Ele disse assim que não é muito distópico a gente debater alas do Supremo como se fossem alas do Congresso. O problema parece que tá na origem.
¶95E por fim, aqui eh, uma pergunta do Lucas Caetano. Ele tá perguntando se existe alguma chance da forma que tiraram o Tofle da relatoria com abaixo assinado, atestando que todas as ações foram legais e eh idôneas, tenha sido para justamente preservar diligências e provas com relação a ele. São duas questões diferentes. Também lancei a bomba aí das atualizações, tanto da CNN quanto do Jornal Globo. E aí, deixo para vocês.
¶96[risadas] >> Deixa eu, deixa eu começar pela coisa de se é distópico ou não a gente falar de alas do Supremo. Eh, por um lado, não necessariamente eh é normal que Cortes Constitucionais se dividam em alas, mesmo quando elas estão funcionando muito bem. Eh, porque você tem teses de como se deve ler a Constituição, como se deve interpretar a Constituição. E quando você tem mais ministros de uma de eh que são em eh a favor de uma determinada maneira de ler, em detrimento de outra, eu dou um exemplo que é o exemplo mais clássico. Eh, existe um jeito de você ler uma constituição que é tentando imaginar qual era a intenção do constituinte quando escreveu o texto, entendeu?
¶97que é aquele e no nosso caso, seria o eterno retorno a 1988. Agora, existe uma outra turma eh que diz: "Não, uma constituição tem que ser interpretada à luz do tempo". Isso, por exemplo, são duas maneiras absolutamente legítimas antes de você ler uma Constituição numa Corte Constitucional. Então, é natural que e e que Cortes Constitucionais se dividam em alas. É claro que é evidente que não é isso que a gente tá vendo.
¶98>> O que a gente tá vendo é você trazer a disputa política da polarização brasileira, né? Bolsonarismo versus do Lismo para dentro da corte. Eh, eu só chamaria a atenção de que, embora seja tentador ver deste jeito, não é exatamente isso que tá acontecendo. O que tá acontecendo na Suprema Corte não é um mero espelho da disputa eh dessa disputa Lula versus Bolsonaro, [suspirando] entendeu? Gilmar Mendes não é um lulista, ele pode estar circunstancialmente aqui, mas não vamos esquecer que Gilmar Mendes é o sujeito que não permitiu que o Lula assumisse como ministro da Casa Civil da Dilma.
¶99Eh, eh, por exemplo, em um determinado momento da da Lava-Jato, o o Gilmar tava no lado. Aí virou, aí virou porque ele começou a perceber a Lava-Jato como uma ameaça, não ao grupo político do Lula, mas ameaça a um sistema como todo >> do qual ele faz parte e no qual ele montou um poder. Existe um grupo, >> vira na frase das prisões alongadas, né, não tôado. mar quando ele faz aquela um dia nós teremos que nos aver com essas prisões e eh alongadas da Lava-Jato. >> É isso >> ali.
¶100Ele >> é isso. Por quê? Porque >> não é uma frase pró PT, como você mesmo coloca, é uma frase pró pró sistema, pró pró empresários, pró pró indústria. Deixar mofando. É isso, pró centrão, tudo mais.
¶101Eu eu eu acho que também tem uma certa confusão das pessoas. por exemplo, eh eh eu vou entrar num assunto paralelo, mas que é que ao mesmo tempo faz parte. Eu eu vou dizer uma coisa para vocês, eu posso estar errado e eu realmente considero a possibilidade de tá errado, tá? A minha impressão é de que Flávio Bolsonaro representa muito menos um risco de um golpe de estado, como o pai dele representou, eh, e muito mais um risco de uma deterioração ainda maior do sistema nas mãos do centrão. Eu acho que o Flávio Bolsonaro, como presidente da República, é mais provável que ele eh dê mais poder ao centrão e que a gente veja um sistema ainda mais corrompido, incluindo o Supremo Tribunal Federal.
¶102Eh, eh, eh, tá certo com Gilmar Paluza, tudo mais, com dinheiro de gente fluindo cada vez mais no Congresso, porque é exatamente o que o grupo político do Fábio fez aqui no estado do Rio de Janeiro, que é onde a gente vive, entendeu? O o grau de deterioração que o governo do Rio de Janeiro teve. E eu eu sei que pro resto do país, eh, parece que o Rio de Janeiro tem um sistema de política interna podre desde sempre. Não é verdade, tá? É, no momento que o Sérgio Cabral Filho chega ao governo, a coisa começa a piorar muito.
¶103quando ele é sucedido pelo pesão, que era o vice dele. E aí entra o Wilson Witzel, despenca o número de gente ligada à milícia e tráfego que entra na Assembleia Legislativa do Rio, a a conta da polícia da Polícia Federal é de que metade da Assembleia do Rio é formada por pessoas ligadas à milícia e o tráfico de drogas, principalmente milícia. E milícia é polícia e bombeiro aqui no Rio, diretamente ligado às secretarias de segurança do Wilson Witz ou do Cláudio Castro. Quer dizer, houve uma um apodrecimento em 8 anos da política do estado do Rio, que foi muito mais acerrado por causa deste grupo político, que eu insisto, é o grupo político do Flávio. Eu acho que é muito mais provável que essa política de rachadinha, de eh negócio com qualquer coisa vira negócio e tudo mais, é muito mais um cenário muito mais provável no governo Flávio do que um cenário de golpe militar.
¶104Eh, e eu acho que é menos pior, tá, do que um golpe militar, porque ditadura você não tira com facilidade. Eh, isso aí você tem sempre a oportunidade de numa eleição seguinte mudar. O que eu não tô querendo sugerir que seja bom, porque entre outras coisas existe o risco de golpe militar, porque o pai dele tentou. Eh, eh, então, mas o >> tentou e vai tá solto, provavelmente tentou e vai tá solto, mas eu tenho impressão que de tudo que eu ouço dos generais, Flávia, eh, a gente nunca sabe o o quanto que a gente pode confiar, não, que a gente tá ouvindo de fonte, mas de tudo o que eu ouço dos generais é que para eles não faz nenhum sentido mesmo eh eh embarcar com Bolsonaro. Tipo, eles eles consideram, >> nem vou discutar isso com você, porque eu eu acho também, eu nem quis te te interromper.
¶105Eu só lembrando que assim eh eh a a vitória eventual do Flávio Bolsonaro não é a vitória do Flávio Bolsonaro sozinho. E a vai se aprofundar a crise institucional com o STF, inclusive ou vai fazer parte do acordo, >> eu acho que vai ter um acordo >> de encerrar o máster em troca da anistia geral ampla e restrita, ou vai ter que rolar um enfrentamento? Porque eh e aí a gente os dois cenários são muito ruins. >> É, pois é. E o problema do enfrentamento é o seguinte: tem gente ali com personalidade pro enfrentamento?
¶106Claro que tem. >> [suspirando] >> É, é, é, é. Só que o acordo é muito tentador para todo mundo, né? Que todo mundo sai livre e todo mundo sai com poder. >> E todo mundo sai com poder.
¶107Sai livre e com poder. Alexandre Moraes terá poder, entendeu? Flávio Dino terá poder, Flávio Bolsonaro terá poder, Jair Bolsonaro terá poder. E quer dizer, é o acordo é muito tentador e e se existe ainda alguma lógica na política, eu apostaria no acordo mais do que enfrentamento. Embora as idiossincrasias humanas sempre nos fazem levar em consideração que não pode ter gente afim de briga ali.
¶108É, é, é claro que pode. Eh, a gente vai para um cenário muito imprevisível numa presidência Flávia Bolsonaro. [suspirando] E o, mas o ponto que eu tô tentando fazer aqui é o seguinte, não fica pensando, isso que eu falaria pra maior parte do público, não acha que o que a gente tá assistindo é uma briga bolsonarismo versus lulismo, porque a entidade mais forte do Brasil hoje, como nunca foi forte na Nova República, é o centrão. E o tipo de política fisiológica do Centrão, entendeu? Sempre esteve ancorada no Congresso Nacional.
¶109O que tá acontecendo agora, porque parte da briga que o Senado teve na coisa do Jorge Messias, parte da briga, o que que era? é que o Senado queria ter ele a sua vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, porque o Congresso passa querer ter, olha, eu entendi que o Supremo virou um dos lugares em que se há disputa de poder >> e eu quero mergulhar ali. [risadas] Então, >> eu também preciso do meu ministro. >> Eu também preciso do meu ministro e na sequência vai querer o segundo ministro, né? Porque é é é o processo.
¶110Vamos dividir. É muito mais fácil negociar isso com Flávio Bolsonaro do que Lula. E isto não é um elogio ao Lula, tá? Eh, eh, essencialmente eu tô o troço não é um mero a a esquerda democrática versus a extrema direita malvada ou então a ameaça venezuelana versus a integridade da Lava-Jato. Não é assim que tá acontecendo.
¶111A gente tá vendo uma briga intestina dentro do sistema que tem muito a ver com uma deterioração do sistema que está diretamente ligado ao enfraquecimento do poder executivo, ao a hipertrofia do Supremo, a hipertrofia da do Congresso Nacional, que é o que aconteceu graças em grande parte ao governo Bolsonaro pelo fortalecimento do centrão. Então tem uma briga aqui que é uma briga por botim, que é uma briga por quem vai est no comando desse negócio. O troço é mais sujo do que um mero. É, é, seria tão mais confortável se fosse herói contra bandido, né? E no entanto, os eleitores estão meio que encantados por uma serpente ali, daquelas serpentes indianas.
¶112Tem tem um certo encantamento do tipo: "O outro é o inimigo que vai nos levar a todos à destruição." Gente, é tão mais complicado do que isso. É. E é pior do que isso, entendeu? E aí tem uma, eu queria acrescentar dois, eh, duas coisas a essa sua fala. A primeira é que eh tem uma coisa que alguns dos especialistas que eu venho ouvindo, né, nas últimas duas semanas paraas nossas edições de sábado, que para quem tá nos assistindo e ainda não sabe, é o nosso material premium, é parte do que a assinatura premium do meio oferece.
¶113A gente oferece um pacote de produtos para quem assina, são só R$ 15 por mês e um deles é a edição de sábado, onde a gente faz entrevistas e reportagens de mais fôlego, de mais eh aprofundando no bom e velho testão. Lembra como era gostoso? Tem gente que ainda gosta, viu, gente? Eu particularmente ainda gosto. Eh, mas enfim.
¶114E uma das coisas que eu venho ouvindo desses estudiosos, desses especialistas, é que a gente pode falar o quanto for de reforma do judiciário, de reforma do Supremo. E ela é claramente, evidentemente necessária, mas ela desacompanhada de uma reforma política nos coloca no mesmo cenário, talvez com atores e circunstâncias um pouco diferentes, mas no mesmo cenário de crise daqui 10 anos. Em que sentido? No sentido de que parte da politização do Supremo é culpa da política. que incapaz de resolver os seus próprios embates dentro do processo legislativo, dentro dos das da hierarquia partidária ou intrapartidos, né, levou tudo para dentro da justiça para disputar na justiça.
¶115E como o desenho da nossa Constituição entregou para o Supremo Tribunal Federal a decisão sobre disputas par eh que envolvam parlamentares, que envolvam presidentes e etc, ficou tudo lá. Então, para além de debater o que é ou não constitucional, passou a se debater dentro do Supremo as disputas políticas e os eventuais crimes de parlamentares. E não existe ser humano juiz magnânimo eh auto preservado o suficiente para não se politizar ao julgar esse tipo de questão. >> Mas tem que ter, né, Flávio? De qualquer forma tem que ter tem tem que abrir essa discussão sobre uma Desculpa ter te te te interromper, concordo com você, seria bom zelado, mas tá na hora da gente fazer alguma coisa.
¶116Eu eu o o o Pedro aqui é um historiador, né? Mas me parece que esse modelo nosso da República Velha, né? A segunda república é de 46. >> Segunda República, eh, na República Velha começa, na verdade, a a a ter eh alguma autonomia com relação ao poder político, né, ao mundo jurídico. Tá na hora da gente abrir por uma para uma por uma por um debate, por uma conversa.
¶117Eu não acho que é uma questão só do Supremo, né? Obviamente as cortes de você vai descendo e verticalmente, há muitos muitos problemas em todas as cortes, né? Sem dúvida, absoluta. Não. E nenhum do desses especialistas, e muito menos eu, que só os ouvi, mas nenhum deles advoga que isso seria um impeditivo para se debater a reforma que o judiciário precisa e que deve ser feita.
¶118É só porque tem uma questão de origem, de causa, que não é só interna ao judiciário, que é também como o sistema político passou a usar o judiciário para resolver os seus as suas próprias questões. Eh, e isso pela própria incapacidade, mas também pelo desenho que é que coloca dentro do Supremo eh esses debates, essas disputas, né? Então, eh, passaria por aí também de inclusive, eh, repensar se o Supremo não deveria voltar a ser uma Corte só constitucional e não julgar casos criminais e etc. Então tem tem essas várias esses vários níveis do debate. E eu mas eu acho que isso é importante no contexto do que o Pedro estava falando, do que se do que realmente tá sendo discutido ali, porque esta briga, ela é muito exemplar, a meu ver, eh dessa hipertrofia que o judiciário eh tá vivendo.
¶119Eh, os juízes, os magistrados, eles enquanto corporação perderam os qualquer senso de limite de até onde eles podem eh se expandir, seja em decisões, seja em comportamento, em conduta. Então, você pega esses ministros, que é eh que é, enfim, né, é a crítica que muitos eh estudiosos vêm fazendo há tanto tempo. esses ministros foram sendo autorizados e forçando essa barra já tem muito tempo desses eventos eh corporativos em que se mistura absolutamente todo tipo de interesse eh sem nenhum constrangimento, sem nenhum nenhum decoro mesmo de falar: "Não, até aqui eu vou, daqui em diante eu não posso ir". Eh, tudo numa desculpa de qual que é o o teto de salário, eh, com uma comemidades, eh, de desses penduricales de coisas para essa casta, né? A gente tá falando de uma casta, a gente, é óbvio que eu não tô falando do servidor ali mais chão ali, né, de fábrica.
¶120Eh, eh, mas existe essa, esse debate todo é de uma, de uma coisa muito inflada, que foi sendo colocada em cheque de uns anos para cá e que esse essa disputa por sobrevivência passa por sobreviver o escândalo do máster, por sobreviver a tentativa de diminuição de poder desses atores. e por sobreviver a este cenário político em que as forças estão todas se reconfigurando, né, simultaneamente. Então, tá, o presidente da República tá mais fraco, o Congresso tá mais forte, eh ao mesmo tempo não é qualquer, não é todo o Congresso, é um grupo muito específico do Congresso, tem outras coisas que estão completamente fora do debate, né, do importante que deveria ser feito no legislativo. As comissões perderam totalmente a importância, eh, as audiências, gente, a gente cobriu o Congresso, né, Bombig, a gente sabe o quanto que já foi importante a comissão. O, então assim, não é que o Congresso tá só hipertrofiado, ele se modificou, o papel do Congresso se modificou, o Congresso virou um grande balcão de de negociação, de reeleição de deputado e de verba paraa prefeitura que faz essa máquina girar, né?
¶121Então, e e isso neste cenário tá todo mundo brigando pelo seu >> porque ele passou a executar o orçamento, né? Você passa executar o orçamento, você perde um pouco sua função, o que que legislar. >> E eu queria você falou de uma coisa fantástica aqui que eu sempre penso nisso, esqueci cenário econômico, né? A vida obviamente nunca vai se desenvolver no vácuo. Tem muito dinheiro rodando no mundo, né?
¶122muito dinheiro. Acho que o mundo nunca viu tanto dinheiro rodando todo quant lado. Você olha o futebol é clubes milionários, tudo tudo é muito dinheiro. E o mundo jurídico tem muito dinheiro rodando, né? Eh, aquela coisa de lá atrás você ser um juiz de direito, que você tinha uma estabilidade, você se aposentar no teto, aposenta até hoje, que você tem um emprego, que ninguém te manda embora, você não tem patrão, você não tem.
¶123Eh, eh, o, aí nós vivemos nos últimas nas últimas décadas eh o crescimento das grandes bancas de advocacia, dos grandes escritórios, que assim, não é mais três escritórios, como tinha atrás, todo mundo ganhando muito dinheiro. E, e conversando com gente desse meio, há de fato na magistratura uma dificuldade ele dizer, como é que eu posso de alguma maneira e aí não tô nem fazendo uma suspeção sobre a moral, a ética, né? eh da da magistratura, mas como é que eu posso de alguma maneira melhorar aqui, engordar ali, né? Quer dizer, aí vem penduricalo, aí vem evento, aí vem o parente que vai montar o escritório, aí vem o outro lá que vai pegar um pedaço de um processo. Isso não é bom, né?
¶124Precisa você pensar uma forma, porque ao mesmo tempo quando você joga o salário deles e em algumas conversas privadas com magistrados, eles falam: "Eu ganho pouco". e dizem isso e conseguem argumentar que dentro do tanto de dinheiro que no mundo jurídico hoje, ele de fato talvez não ganhe o que ele merecesse. Eh, quando você joga isso pra sociedade, o cara falam: "Mas como você ganha pouco num país de miseráveis que nem esse, né?" >> Então, esse é um problema muito sério. Eu acho que você tocou um ponto muito importante. >> Quando começa, ele vem a é é o evento não sei na onde, a palestra, não sei na onde.
¶125Ele vai voa de graça, fica no hotel cinco estrelas, eh, o filho tá divulgando para cá, divulgando para lá. Isso é muito complexo. Isso também precisa ser repensado de alguma maneira. Eh, como como resolver isso, porque eu não vejo isso como mudar, sabe? Leser falou na entrevista que me deu pro sábado que ele ele defende uma e alguns outros eh enfim, pesquisadores já defenderam também eh uma uma solução meio radical, na verdade, nesse sentido, que é [roncando] o Pedro até já falou isso aqui publicamente também, mas que é a de só restariam os vocacionados mesmo como ministros do Supremo.
¶126Exato. porque eh teria que ter uma aposentadoria compulsória em que ele pudesse no máximo dar aula, ele não poderia advogar, parente não poderia advogar e e se questionado, tá, mas mas aí a pessoa vai ser só ministro do STF e acabou, não vai poder fazer mais nada? Não, não vai poder fazer mais nada. Não dá para ter o bônus de ser uma das figuras da República mais poderosas de todos os poderes e ainda querer o ônus de ficar rico. E então ele formulou assim, tá?
¶127Eh, para mim, ele falou assim: "Então, e o o tradeoff é o seguinte: você quer estar no colegiado dos 11 homens e mulheres eh no mundo ideal, né, mais poderosos do Brasil? Você pode, mas para isso você tem que abrir mão de qualquer ambição pessoal de enriquecimento seu e da sua família. O o professor não fica, o professor da rede pública não fica rico. >> Exato. >> E o e para muitos o magistério é um sacerdócio.
¶128>> Você ganha mal porque não tem tempo para trabalhar, tem tem que corrigir prova, fazer um monte de coisa e não fica e não consegue. Não tô nem falando, talvez tivesse alguma forma de de ganhar aqui ali, coisa assim, mas não consegue porque não tem esse atrativo, não sei o quê. E o professor e o professor eh da rede pública vai lá e fica ali os seus 30, 35 anos até aposentar. Por que que o juiz não pode fazer isso? Deixa eu, deixa eu, eh, eh, trazer aqui um, eu, eu gostei muito do rumo que vocês dois trouxeram para essa prosa, sabe?
¶129O o ministro Pedro Malã publicou ontem no Estadão um artigo sobre republicanismo, sobre ser republicano. É um artigo muito bonito, eu recomendo todo mundo a ler ontem no Estadão. Eh, eu antes de tudo, eu preciso confessar aqui um viés que é, eu acho uma dos maiores homens públicos da Nova República, tá? Ele fez duas coisas, duas coisas. Ele é o cara eh que negociou a dívida externa, que é o um dos dois maiores problemas que os militares nos deram como herança foi a dívida externa, que era uma dívida externa impagável.
¶130Ele passou anos negociando a dívida externa no governo José Sarnei e conseguiu produzir um acordo com 300 credores, centenas de credores. Ele conseguiu, eram quase 700 credores, er, era um número aterrador. Imagina botar todo mundo na mesma mesa para negociar os mesmos termos com todo mundo. ele conseguiu conduzir essa negociação e e na sequência ele eh eh ele entregou pro governo no final um uma dívida que tinha um pano de pagamento possível. Quem terminou por pagar essa dívida, imagina, foi negociado nos anos 80, quem terminou por pagar essa dívida foi o presidente Lula, >> tá?
¶131É, eh, demorou, mas pelo menos era pagável. Na sequência, quando Fernando Henrique Cardoso, que era chanceler do governo Itamar Franco, foi deslocado para se tornar ministro da fazenda e tinha aquele pesadelo do que Yasm não tem ideia do que que é isso, mas eu, Bombig e Flávio, lembramos o que que era inflação, porque pelo menos eu e Bombig já trabalhávamos inclusive quando >> a Flávia não [risadas] lembra. A Flávia, a Flávia ainda não trabalhava, mas >> eu me lembro de ir com o meu pai fazer estoque de supermercado. >> Eu já ganhava salário, Flávia era [risadas] >> eu ganhava mesado. >> Pois é.
¶132O o quando o o Fernando Henrique é nomeado ministro da Fazenda, o Malã é o cara que para quem o Malã e o B são os dois sujeitos para quem o Fernando Henrique liga. O que que eu faço? Eu tenho que lutar contra inflação. E os dois caras, olha, tem dois rapazes aqui, o o o Pérs e o André, eles têm uma ideia que é um pouco esquisita. o cara negocia a dívida externa e na sequência é é é essencialmente o sujeito que é responsável pela e eh pela manutenção, pelo fim da inflação.
¶133E e é isso que dá ao país a chance de respirar, que é o que começa a acontecer nos anos seguintes. >> E 8 anos calado no ministério, trabalhando, >> cara. 8 anos com uma descrição, eh, não batia a boca, não brigava num isso, naquilo. Era tipo gerindo economia num tempo em que as crises financeiras no mundo explodiam a cada se meses. Era na Indonésia, era no México, era Rússia.
¶134Era um troço assim do tipo, as pessoas não têm muita noção da monança que o Lula pegou. Eu não tô dizendo que isso é demérito pro Lula, a sorte dele que bom pro Brasil, mas foi um período de altíssimas tempestades. Ele entregou o país inteiro no final e com a as contas públicas super organizadas, o que literalmente permite a a qualquer governo começar a trabalhar, poder ter planos pro futuro, tudo mais. E o Malã escreve esse artigo, eh, ele é exatamente a história dele como servidor público é exatamente isso que vocês estão dizendo. Eh, eu não vou, gente, e eh ele teve problemas financeiros com filhos a ainda idade escolar, etc.
¶135e e recebendo o salário de ministro. Mas aquilo era uma missão. Aquilo era uma missão. E olha, aí terminou o governo deixou o governo, não voltou mais a a a foi trabalhar na iniciativa privada, foi construir sua carreira e tudo mais. Eh, a gente de alguma forma perdeu essa noção do espírito republicano, entende?
¶136E cara, é isso mesmo. Você quer fazer carreira no magistério? Em geral, quando você entra numa, desculpa, eh eh como juiz na magistratura. >> É isso. Olha, por um lado, você vai ter sempre um salário garantido, você vai ter uma aposentadoria que vai te deixar bastante confortável, entendeu?
¶137Na classe média alta, não é ruim. Agora é, você não vai ser rico. Quer ser rico? Advogados formados por boas escolas, boas escolas tem a oportunidade de ser ricos, entendeu? Pela USP, pela PUC do Rio, pela FGV, pela UERGE aqui no Rio.
¶138Boas universidades dão advogados realmente o potencial de se tornarem ricos, assim como boas faculdades de economia, não economistas, a possibilidade de se tornarem ricos é meio que uma roleta, tá? você vai entrar, você não sabe se você vai dar certo no mercado, se você vai conseguir entrar no Mas se você se posiciona, você vai ser uma pessoa muito rica. São escolhas que a gente faz na vida. Ex. Agora a gente tem que parte desse espírito republicano é ter uma autonomia e eh é ter uma certa consciência da sua autonomia individual.
¶139Você faz as escolhas paraa sua vida, abraça a escolha que você fizer, os ônus e os bônus. É isso. >> É isso. >> E olha, como ministro do Supremo, você entra paraa história, entendeu? Você aponta o o país para um determinado rumo ou pro outro.
¶140Você tem uma quantidade de poder incrível, você tem muita influência. Se a a se uma determinada visão de constituição é importante para você, é um é uma baita missão, é uma baita honra, é uma baita construção. Você é ministro do Supremo Tribunal Federal, você é uma das >> dois exemplos, três exemplos recentes disso, Pedro, >> por favor, >> a gente a gente não precisa nem ir tão longe. a gente tá falando do Supremo e dessa crise moral e ética do Supremo para além de jurídica, [risadas] mas a gente tem exemplos recentes de ministros do Supremo Tribunal Federal que passaram pela casa com eh ombridade eh e seguiram suas vidas. A como as normas permitem, alguns voltaram a advogar, tá?
¶141Mas ainda assim de maneira discreta. Por exemplo, ministro Cels de Melo, ministra Rosa Weber, ministra Helen Grace, não são ministros espalhafatosos, não foram ministros que foram ministro Airis Brito >> e os que saíram e foram trabalhar emo privado. Nelson jogou. É isso, né? Privado.
¶142>> Então, Joquim Barbosa, >> Joaquim existem e é possível mesmo neste ambiente. É possível. Eh, o que não é possível é a gente ver a situação em que alguns dos ministros estão atuando e fingir que é costume, entendeu? E achar que tá bom, que tá OK, vamos seguir. Tanto não é possível que isso se transformou numa guerra.
¶143Não é só, não se transformou numa guerra só porque é ano eleitoral. não se transformou só porque um foi indicado pelo Lula, o outro foi indicado pelo Temero, o outro foi indicado pelo pelo Jair Bolsonaro. É porque eles estão brigando por dinheiro, inclusive por poder de um jeito torto, que não é o jeito de olha, a minha visão de eh do que é constitucional ou não é mais eh correta do que a sua. Não, não é isso. é outra, é outro tipo de disputa que a gente sequer tá entendendo plenamente, né?
¶144Agora eu também queria fazer um último comentário eh sobre aquela tua fala ainda sobre o Flávio Bolsonaro, que eu acho que tem tudo a ver inclusive com o republicanismo eh que a gente que você tão bem trouxe para conversa, [limpando a garganta] eh que é o fato de que simultaneamente neste final de semana, mas com bastante menos espaço na imprensa e também porque eh me parece que ainda tá carecendo demais eh apuração, investigação, mas Mas eu entendo que puxa um fio da meada muito importante pra gente ficar atento. O nosso colega Guilherme Amado, eh, do Amado Mundo pegou uma denúncia que o Renan Santos vinha fazendo nas redes, por conta, a meu ver, o Renan Santos, eh, por conta, inclusive, de ver o seu próprio derretimento nas pesquisas, se viu perdendo ali pro Augusto Curi, perdendo espaço, mas também porque o Renan Santos, de todos os candidatos à direita, é o único que se dispôs desde o começo, até de uma maneira espalhafat OSA um pouco agressiva a bater no Flávio. O Renan Santos vem falando já há algum tempo nas redes sociais de uma ligação da campanha do Flávio Bolsonaro com recursos vindos dos Estados Unidos, da do entorno trampista ali. E o Guilherme Amado então pegou esse rastro para seguir jornalisticamente com apuração daí. E eu acho importante falar disso aqui, Pedro e Bombig, Yasmin, eh, sugerir esse assunto mais cedo na reunião pelo seguinte, eh, vou resumir aqui brevemente o que já se tem de fato apurado, mas é algo que me preocupa eh [risadas] numa eventual presidência Flávio Bolsonaro.
¶145E aí, enfim, aí tem muito a ver talvez com eh com o meu viés, não sei. Mas eu acho que é uma discussão que vale a pena. O Guilherme Amado, o que que ele conseguiu apurar dessa denúncia que o Renan Santos vem fazendo, alardeando em redes sociais? Não há um documento provando que esteja entrando dinheiro eh da dessa organização que se chama Rock Bridge, que é uma organização, é uma é um fundo, né, fundado pelo JD Vence com outro eh investidor americano para representar interesses de milionários. americanos eh que financiam projetos de direita pelo mundo, certo?
¶146A legislação brasileira não permite dinheiro de outro país financiando campanha eleitoral. Então, é óbvio que se uma investigação for aberta e o PT abriu uma investigação, o, desculpe, o PT pediu a abertura investigação >> eh a partir dessas denúncias do Renan Santos, tá? Eh, se for aberta uma investigação e se eventualmente se comprovar a entrada de dinheiro americano na campanha de Flávio Bolsonaro, isso é ilegal. E aí a gente vai estar ali na frente diante de um eh de uma potencial impugnação da candidatura. Nós estamos distantes deste momento ainda.
¶147Então, quero deixar isso bem claro, né? O que se tem até este momento de de fato sobre isso? O suplente do Flávio Bolsonaro é o Paulo Marinho, certo? E o Paulo Marinho tem dois filhos, a Dúlia e o André Marinho. O André Marinho é político, é candidato pelo Novo ao governo do Rio de Janeiro.
¶148Uma das coisas que a gente, a Júlia não é política, é uma cantora que se casou com Kennedy, Conor Kennedy, que é filho, por sua vez, de Robert Kennedy Júnior, que é aquele secretário da saúde maluco, antivax, negacionista, uma coisa bem horrorosa mesmo, eh, do governo Trump. O André Marinho, que esse sim político, fez um documento em que na capa tá estampado lá Flávio Bolsonaro Campiném e que segundo ele não foi apresentado a ninguém, mas é um memorando, mostrando tudo que a campanha do Flávio estaria disposta a oferecer ao governo americano em termos de terras raras no Brasil e tal, eh, prospectando negócios, tá? Ah, então isso é um pedaço da das da reportagem do Guilherme. Aí outro pedaço dá conta de um sócio do André Marinho, se chama Pedro Stange. Stang ou Sangue?
¶149Sangue. Acho que não tem esse T não. Sangue. >> Sangue. Sangue com G mudo no final.
¶150Isso que é então sócio do André Marinho e que está dentro da campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Eh, então ajudou a montar o comitê em São Paulo, se apresenta como Pedro da Rock Bridge paraas pessoas e participou, segundo consta e segundo o próprio Pedro teria admitido, da arrecadação da paraa campanha de, na verdade, da interlocução para financiadores de campanha e etc. Então, este Pedro, sócio do André, se e também sócio, não, ele não é sócio, ele circula nos Estados Unidos ao lado de um outro empresário chamado Thales Gomes. Esses dois circulam em vários eh ambientes se apresentando como representantes da Rock Bridge, que é esta empresa do J V e desse outro Chris, que eu agora me fugiu o sobrenome, que é o fundador. Então, há indícios da participação dessa rock bridge dentro da campanha de Flávio Bolsonaro.
¶151Não há ainda o nenhum documento. Não sei também se vai haver sequer uma investigação a esse respeito, [risadas] se provando que haja recursos eh aqui dentro. O que a gente sabe de fato de como opera o entorno trampista em eleições pelo mundo de seu interesse. Eles fazem de variadas maneiras as suas interferências. Então, eh, a gente sabe que na Turquia, por exemplo, foi de uma maneira muito mais aberta, né?
¶152Nem todo o país tem justiça eleitoral, nem todo o país tá com o seu com as suas instituições funcionando. Não dá, não sei nem se dá para dizer que o Brasil tá, né, como a gente tá vendo, mas em alguns países eles conseguem fazer as suas interferências de maneira muito aberta, muito mais clara, muito mais direta, em outros menos direta. O fato é que eles já é muito claro que para para as eleições que interessam ao governo Trump e na verdade ao entorno trampista maga, né, a esta a este a estas organizações de extrema direita, eles se aproximam sim de candidatos de seus interesses e passam a interagir e passam a inclusive prospectar negócios. Não é uma coisa que tá fora eh do do noticiário, né? É uma coisa que já tá bastante sabida.
¶153Então, quando a gente fala dos perigos de golpe ou não, ou do que que seria uma presidência do Flávio, eu acho que tem um fator muito diferente. E aí eu não sei como isso bateria para dentro do dos militares, realmente não sei, tá? Mas existe um fator que é muito diferente do que foi o governo de Jair Bolsonaro eh nos últimos 2 anos, que foi quando ele acirrou o embate com o Supremo Tribunal Federal. foi quando realmente, né, as suas intenções golpistas foram sendo maquinadas de uma maneira mais clara, a gente sabe hoje que é o governo Trump no poder, né? É um fator que para mim faria muito, muita diferença de desestabilização aqui no Brasil.
¶154Então, no cenário em que o Flávio Bolsonaro parte para uma um embate com o Supremo Tribunal Federal, eh supondo que o grande acordo que beneficie todos não seja fechado, ter o governo Trump ao seu lado faz diferença, eu acho, e é algo que para mim eh não é desprezível, não é um cenário pequeno. Não acho que o Trump vá sequestrar eh o Lula como fez com Maduro. Não é, não acho que seja nada neste grau, o que não quer dizer que não possa ser grave no longo prazo, na deterioração das relações, eh nas na infiltração, eh, de uma máquina trampista dentro da máquina de estado brasileira. Isso me preocupa e eu acho e eu é algo que eu gostaria de ver mais debatido. Eu eu eu antes da gente jogar pro Bombiga, a gente já tá no fim também, deixa eu só eh existe uma tradição conservadora brasileira eh que é eh eh quando você mergulha no no nos estudos do Christian Lint sobre ideologias brasileiras, existe uma ideologia que é duas ideologias nascem na virada do século X pro 19, que são meio que as ideologias fundadoras do do Brasil.
¶155Uma é o liberalismo que vem ali dos inconfidentes, do Frei Caneca, tudo mais, que é a ideologia derrotada. E tem uma que é o que ele chama de nacionalismo estatista e eh conservadorismo estatista, perdão, que é a ideologia do do José Bonifácio, que é a vitoriosa. Esse esse esse conservadorismo estatístico, o que que é? Ele é uma coisa de direito, evidentemente, é um conservadorismo. O que quer a a manutenção é é o que tava defendendo ali a manutenção do Brasil como um país íntegro.
¶156eh que nos patisface que nem América espanhola. É uma coisa que tem uma visão de um estado que tutela, né? Eh, controla o povo, controla o povo não indica o caminho pro povo. Não é, não quero sugerir que seja uma coisa ditatorial, não, porque não é [suspirando] esse conservadorismo estatista. Eh, você vê ele com vários rostos diferentes.
¶157Eh, ele tá, por exemplo, no Getúlio Vargas de 1930 a 45. Eh, ele tá no Jcelino Kubichek, que é a sua visão positiva e otimista em relação ao futuro. Ele tá em Ernesto Gaisel, ele tá em quase todos os presidentes da República Velha, ele tá eh eh que é uma coisa que é uma ideia essencialmente de um governo que é um governo central que dá o futuro, determina para onde que a indústria vai. determina que setores que devem crescer e assim produz o crescimento no Brasil, até porque ele parte um pouco do princípio que a sociedade não é capaz por si própria de de fazer o país crescer. Eh eh o Brasil, a sociedade brasileira tem um certo primitivismo, é isso que ele acredita na encolha, tá?
¶158tem um certo primitivismo que não lhe permite crescer por conta própria. Eh, o brasileiro tem que ser levado na mão. Agora, temos uma força de trabalho grande, então se você tem o troço bem planejado e bem organizado, você leva. E claro, a família no centro, todo mundo muito bem comportado e eh tudo mais. Isso é o conservadorismo estatístico.
¶159É maior. A gente fez a nossa pesquisa aqui da mais de 20% da sociedade. É a maior eh é a maior visão ideológica eh é a visão ideológica mais presente no Brasil. O melhor o melhor exemplo de um conservador estatista na nossa eleição é o Ronaldo Caiado. Aquilo é o puro conservadorismo estatista, tá?
¶160É, é. E não é à toa que o Caiado fica falando o tempo todo que o Jelcelino é o o grande presidente da história do Brasil na cabeça dele. É, é. [limpando a garganta] E olha, é o conservadorismo estatístico na sua melhor forma, tá? O o JK.
¶161[risadas] Eh, por que que eu tô falando disso, Flávio? E parece que é uma coisa absolutamente aleatória. Porque a ideologia raiz do exército brasileiro é o conservadorismo estatista. E cara, essa é uma ideologia é bonifáciil. Esse troço é nacionalista.
¶162Esse troço fala, começa a berrar entreguistas, etc., para qualquer um que comece a abrir as pernas pro pro estrangeiro com a mesma virulência que Leonel Brizola falava, entendeu? Até porque o socialismo nacionalista, que é o Getúlio de 50, que é o Jango, que é o Brizola, nasce do conservadorismo estatista. é a versão à esquerda, né, o Ciro Gomes, tá? [risadas] Eh, é a versão à esquerda desse negócio. E olha, você junta o socialismo nacionalista com o conservadorismo estatista e é tipo quase 50% do Brasil.
¶163Então eu tenho dificuldade que o que os eh eu não gosto do termo entreguista, não, sou liberal, afinal de contas. Mas, cara, não tem bicho mais entreguista do que os Bolsonaros. E e o exército não criticou. >> Mas mas Flávia, não, tudo bem. Tinha tem um bando de gente do exército que eles puseram na boquinha ali no governo e que estavam muito felizes com a grana que eles estavam recebendo.
¶164>> Mas o instituto, a instituição exército brasileiro, o alto comando do exército, o alto comando da Aeronáutica, o alto comando da Marinha, eu eu fico muito curioso de saber se um governo começa escancaradamente a entregar tudo pros americanos. >> [roncando] >> Ô Pedro, >> mas o o meu ponto não foi só não foi só esse. O meu ponto é o meu medo com o Flávio não é só o os militares embarcarem por causa do Trump. O meu medo é você vai me desculpar, eu vou usar a palavra entreguismo, tá? É o que o entreguismo faz com o Brasil.
¶165Mas aí eu não tô sendo entreguismo eh década de 60, tolinha esquerda, não é isso. Eu tô falando de eh penetração. Eu eu sei, eu eu sei. O meu ponto é só que eu acho que existe uma aversão atávica na sociedade brasileira. O o Brasil é um país fechado.
¶166O Brasil não é um país cosmopolita. O Brasil é um país que tem o que eu queria dizer com essa coisa do do conservadorismo estatista e do socialismo nacionalista. que são as duas ideologias predominantes no Brasil, que dá pouco mais de 50% da sociedade, é que a principal característica delas é justamente uma aversão a isso. O Brasil é um país fechado culturalmente, é um país avesso a a esse negócio. A todas as nossas ditaduras, a característica delas foi justamente essa coisa de se fechar num nacionalismo e eh tudo mais.
¶167Eu eu não tô dizendo que eles não sejam capazes de tentar. Eu fico curioso de ver como é que vai ser a reação da sociedade, porque eu tenho a impressão que o brasileiro é avesso, é muito avesso atavicamente a a a essa coisa de de se entregar para um outro país, sabe? Bom, Big, >> eu acho que concordo. Eu acho inclusive se tem alguma coisa que funciona nessa campanha do Lula, é esse esse discurso da soberania que ele deve encontrar alguma ressonância. É óbvio que ele não vai virar a eleição, não vai resolver sozinho, porque uma eleição é um conjunto de expectativas, né, dentro do eleitor, né, eh, expectativas, ressonância, né, de alguém que pensa igual, de alguém que que de alguma maneira tem de um viagem de confirmação porque o cara sujeito acredita na vida dele.
¶168Mas eu acho que é um um caminho, aliás, quando eu converso com há muito medo hoje, né, dentro das campanhas. E aí dentro das campanhas mesmo, né, das duas principais de interferência. interferência no processo. Então, já tiver uma primeira aí que nós já passamos muito tempo debatendo, que é do STF, né? Putz, todo mundo imaginava que isso ia acontecer depois da eleição.
¶169Eu me lembro de na Copa do Mundo, né? A Copa do Mundo é uma coisa que marca a vida da gente, né? Na Copa do Mundo eu fui almoçar com uma fonte que disse: "Olha, o Mora esquece o Morais, esquece o Morais". Aí eu falei: "Não, o que você tá sabendo não, ó, esquece o Morais". Moral já era, mas vai ficar para depois da eleição.
¶170O que o que tem o conjunto de de de indícios de prova, sei lá, o que contra ele é muito forte, blá blá, mas vai ficar para depois da eleição, eh, porque não interessa para ninguém agora que isso vem à tona agora se que veio, né? É uma outra questão, ainda que eu que eu seja ainda da da da do time do Pedro que acredite no acordo. Eu acho que nós vamos caminhar para um acordo, né? Mas enfim, eh, então vem essa primeira intervenção que é que é essa do judiciário do STF no meio da eleição, né? Aí tem um monte de medo, né, dos outros dos dois lados, que é a interferência externa via BigTex.
¶171Essa eu conversei com gente, por exemplo, há tempos atrás, falou assim, ó, o que fizeram com Augusto Curi no meio, não é que ele esperou passar, quando ele subiu deu aquele arranque, tinha gente dentro da campanha do PT, por exemplo, me dizendo: "Não, isso aí foi Bigcch, isso aí é só só para assustar a gente". E eles falam, falavam: "É para assustar a gente para mostrar que eles fazem o que eles querem na campanha. Escolheram o Augusto Curi." Coincidência ou não, o cara não cresceu mais, né? tá caindo inclusive, né? Mas tem da BigTech, tem do Trump.
¶172O Trump é um fio desencapado, né? qualquer movimento do Trump pode de alguma maneira influenciar eleitoralmente. E há dentro da campanha do Flávio da direita, um medo de que o Trump faça alguma coisa que beneficie o Lula, que por exemplo reforce o discurso nacionalista, aumentar uma tarifa, entrar dentro de algum país eh vizinho no meio de uma eleição, o que eles acham que pode favorecer o Lula o discurso nacionalista. E eu acho que é o que mais empareda o Flávio neste momento. Para mim, as melhores peças da campanha do Lula são as que o Flávio tem que se explicar porque eles falaram, porque que eles defenderam tarifá, porque eles fizeram isso, porque eles fizeram, fizeram aquilo outro.
¶173Então, de uma maneira, eu ainda acho que o brasileiro, eh, aí você faz um recorte que não é à direita ou à esquerda, ele ainda é muito cioso de uma determinada autonomia, de um de um de uma soberania que nem sei também em que medida ela faz mais sentido no mundo que a gente vive hoje em dia, né? Agora, mas é por isso >> de grandes corporações, >> mas foi por isso que eu eh que eu dei recorte do meu temor com o Flávio eleito, não antes da eleição. >> Isso. E aí eu vou concordar com você tudo isso ainda bem que você me lembrou, porque eu vou concordar com você no ponto essencial. Tem que ser debatido esse negócio.
¶174Infelizmente não está sendo debatido. Primeiro que a gente não tem debate, né? Pode parecer, é a debate não muda voto, gente. O debate não é só para alterar o o eletrocardiograma da eleição. O debate é para você assumir compromissos públicos com o futuro também é para se colocar o que pensa, não é?
¶175É uma questão de transparência. Então precisa ser mais debatido, precisa ser melhor colocado e eu não sinto que vai acontecer agora com essa água turvada do STF. a gente tá há três semanas do primeiro turno. Essa é uma questão que de fato eh eh para o futuro com com gente que eu converso de economia de mercado, olhando, dizendo: "Ah, não sei como é que vai ser eh essa questão se o Flávio foi eleito, da mesma maneira que você colocou". Eu confesso que eu não tenho uma uma diretriz e gostaria de saber mais, ouvir mais e que ele que ele fosse melhor questionado sobre o que qual a posição dele, qual a relação dele com o governo Trump, o que ele pensa pra economia brasileira, o que que ele pensa das alianças, dos acordos bilaterais, enfim, falta expção.
¶176>> Então, e o fato de que o eleitorado não gosta de interferência, e eu concordo com vocês que ele realmente não gosta, as pesquisas mostram isso. Todas as perguntas que a gente já fez nas nossas pesquisas, que já foram feitas em outras pesquisas sobre tarifaço, interferência, perigo de interferir na eleição e etc., o público é muito refratário. Eh, e é óbvio, eh, eh, que isso não interessaria eh como plataforma, embora o o que o Flávio faz como plataforma é dizer: "Estaremos próximos do governo Trump, queremos estar próximos". Isso pro público bolsonarista raiz, eles gostam porque eles não querem, não é que eles eh [risadas] quando é de Trump, quando é de Estados Unidos, tem tem essa afinidade, né, ideológica e aí vale o resto do público eh resiste, não é a mesma visão. Isso não quer dizer que só por conta disso a campanha, caso pudesse ter a chance, não fosse usar >> Uhum.
¶177>> qualquer recurso >> oferecido de ajuda do governo Trump para vencer uma eleição, né, gente? Então, eh, o [risadas] fato de que isso eleitoralmente não pegaria bem, não quer dizer que não vá, que não tenha acontecido. Eh, então, [risadas] eh, isso é, eh, é uma preocupação que eu tenho, porque se abre esse tipo de precedente, eh, assim, gente, eh, na boa, não é algo saudável, né, de qualquer lado. Eu não ia gostar de saber que eh sei lá, a campanha do Lula tá recebendo dinheiro da Rússia, da China, de quem quer que seja. Eh, não é saudável, né?
¶178E e ainda mais sem a gente entender em que em troca de quê, né? enfim, o o quais os próximos passos, em que termos isso está se dando. Eh, não acho desprezível, acho importante, acho que é uma discussão que tá claro, a gente tá diante da maior crise do Supremo Tribunal Federal da história, e isso roubou a atenção 100% do debate eleitoral. A gente tá deixando de debater outras coisas, sabe? Quem não tá deixando de debater outras coisas?
¶179o canal meio. Inclusive, demos uma reportagem muito boa no sábado também sobre educação, eh, que a Miriam e o Léo fizeram ouvindo a Priscila Cruz, estudando os programas de governo, o que que cada um dos candidatos eh líderes, né, em nas pesquisas pensa de educação pro Brasil, gente, tipo, essas coisas estão completamente fora do do da discussão. A gente tá passando ao largo, eu nunca vi uma eleição tão ao largo dos temas, eh, né, enfim, que que afetam mais diretamente a vida. Claro que o Supremo afeta diretamente a vida de todos nós, mas esses que afetam a vida diretamente das pessoas, o meio segue fazendo esses debates >> e uma eleição de reeleição, porque geralmente na eleição de reeleição você tem, você acaba e entrando mais no mundo real, porque você bate o governo em curto se ele merece mais 4 anos ou não, né? Nem assim nós estamos conseguindo ver esse debate, né?
¶180Geralmente se fosse o fim de um ciclo, aí são base, você tem duas promessas, mesmo que uma seja de continuidade, não é o mesmo candidato. Nesse caso era, né, de no mundo que a gente conheceu se escrutinar o governo Lula, né? >> O Lula dizendo: "Eu mereço mais 4 anos" e o outro dizendo: "Não, você não merece porque você não vai bem nisso, nisso, naquilo outro". É inacreditável. Não, não, não acontece esse debate.
¶181>> E como disse uma boa fonte minha, amanhã teremos o grande e primeiro programa eleitoral. desta eleição que é a transmissão da sessão do Supremo. >> Primeiro debate também, né? >> Primeiro debate, primeiro programa eleitoral. Amanhã vai est todo condensado lá.
¶182>> Essa é uma eleição, né, gente? Que vamos lá, [suspirando] Lula não vai a debate, Flávio não vai a debate e os três candidatos, quatro candidatos que estão disputando eh eh que tão disputando essa briga com o Flávio, batem mais no Lula do que no Flávio, né? Eh, eh, eh, tipo, então é aquela coisa, é literalmente uma uma eleição de cabeça para baixo ou como vocês paulistanos preferem, de ponta cabeça. Ponta cabeça. É isso aí, >> Bombig, muito obrigado, cara.
¶183Foi muito bacana você estar aqui. >> Obrigada a vocês pelo convite. É sempre um prazer. Gosto muito. >> Obrigada, querida.
¶184>> Tchau. Tchau, >> queridos. >> Chefe, [risadas] Yasmin. >> Amanhã, amanhã é dia, hein? Amanhã é dia.
¶185Estaremos esperando todo mundo aqui. Pessoal, nós >> estamos montando um esquema especial, inclusive de cobertura. >> Exatamente. Era sobre isso que eu ia falar. Amanhã vai ser um pouco diferente, tá?
¶186A gente vai começar aqui o central um pouco mais cedo, tá? Às 10 da manhã junto da sessão do Supremo. Isso retransmitindo cada detalhe para você poder acompanhar. Então a gente te espera e o central meio fica por aqui. Até lá.
¶187Elas estão se aproximando as eleições e aqui no meio você acompanha com dados de verdade sem depender de conteúdos pouco confiáveis das redes sociais. Você sabe, né? A pesquisa meio ideia é uma das nossas bússulas. A nossa pesquisa independente registrada no TSE, [música] feita todo um mês em parceria com o Instituto Ideia. Quem é assinante premium recebe a pesquisa completa em primeira mão e ainda garante acesso à nossa plataforma interativa que permite o cruzamento da intenção de voto por região, por classe, por gênero, para comparar com as rodadas anteriores e [música] ver com os próprios olhos o que que mudou de verdade a cada mês.
¶188Esse tipo de leitura, até pouco tempo [música] atrás, só quem trabalhava dentro de um banco ou de um partido conseguia ter acesso. Agora tá disponível para quem assina o [música] meio premium. Em um ano como esse, olha, vale o ouro. e receba mais esse material exclusivo.