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radar · Teologia Brasil

VISITEI A CASA DO MEU HEREGE FAVORITO (Karl Barth)

¶1Seja muito bem-vindo. >> Será que eu posso falar alto assim? >> Se eu te disser que eu tô neste momento dentro da casa de Cbart. Sim, a casa onde ele escreveu Church Dogmatics. A casa onde ele viveu até perto do fim da sua vida, a casa onde ele viveu com a sua com a sua amante.

¶2É meu patrão. Sabia que um dos maiores nomes da história da teologia viveu com duas mulheres simultaneamente e tá e acabou a vida meio desigrejado. Cbart é um dos grandes nomes da história da teologia, mas é também um nome muito complexo, muito paradoxal. E a gente vai falar sobre ele hoje nesse Teologia na estrada aqui direto da Suíça. Mas antes de falarmos dessa casa aqui, bora para uma outra casa que ele morou.

¶3[música] >> [música] [música] >> Tô aqui em uma das casas de Cbart e eu vou trazer você pra jornada que o Cubart fazia de caminhada, uma caminhada de 1 km da casa dele que tá aqui atrás, número 25. Eu não sei dizer o nome da rua. Eu vou ler aqui, ó. É Pilgers trace 25. Esse é meu, esse é meu alemão.

¶4Bom, o que importa é que CB morou nessa casa aqui que tá bem detonada no momento, de 1944, eu acho, até 1955. E todos os dias ele saia daqui e caminhava em direção à Faculdade de Teologia da Base Leia. E eu vou fazer com vocês a jornada que Cobart fazia caminhando até a faculdade e encontrava alguns alunos no caminho, alguns amigos. A gente tem no registro, né, das histórias do Cbart, justamente o trajeto que ele fazia. Mas você sabe quem foi Cbart?

¶5Calbart é um nome profundamente polêmico na história do protestantismo, porque Cubart é uma dessas figuras profundamente contraditórias e paradoxais que acabam entrando na história da igreja, né? Ó os meninos brincando ali. Vamos p os meninos brincando, né? Subindo as paradas, nada a ver. Deus sabe para quê.

¶6Minha infância boa é isso. Eu acabei de ver, não vou deixar o colocar em tela, uma parede com um pinto pintado. Assim, eu quero deixar is registrado que eu estou na Suíça, entendeu? Estou na Suíça, próximo aos Alpes suíços, terra de grandes intelectuais e tem um um falo desenhado numa parede de uma casa histórica. Então assim, não reclame do Brasil tanto quanto você reclama, porque o problema é é humano.

¶7Olha que lugar lindo. Isso aqui é um é um hotel. Olha que tá bonito. Parquezinho na frente do hotel. Que coisa linda.

¶8[música] Nós sabemos que o Cbart passava por esse caminho para ir pra Faculdade de Teologia da Universidade de Basileia, porque os registros históricos dizem que ele passava por esse portão aqui, é o Spalendo, se minha pronúncia não estiver exageradamente incorreta, que são os portões, um dos três portões mais famosos aqui da cidade de Basileia. Este portão é datado de cerca de 100. 100. É um negócio realmente impressionante. Alto, bonito.

¶9Será que pode passar sinal vermelho na Suíça? Ficou verde. Tá bom. Aqui à esquerda tem um um jardinzinho bonitinho ali, mas faculdade é para cá. Olha que bonito, Gabriel.

¶10Bonito, bonito. Dá para tirar uma foto aí, Gabriel? Bota uma foto aí para eu botar no meu Instagram, Gabriel. Aí, ó. [música] Na época que essa era uma cidade fortificada, você tinha portões obviamente em volta da cidade para proteger dos inimigos.

¶11Por muito tempo, a cidade era interpretado como uma zona de segurança, né? Se você vivesse, vivesse solto por aí pelos campos, pelos pelos ermos, você podia ser atacado com mais facilidade. Se você mora dentro de uma cidade, você tem um sistema de leis, você tem uma estrutura que lhe protege de ataques de aventureiros, de caçadores de recompensa, ladrões, né? Andar pelas estradas era perigoso, estar dentro da cidade era segurança. Agora aqui é muito, Olha que que coisinha bonita.

¶12Nossa, livros, quadros, turistas pr caramba. O som deles. Olha que bonitinha essas casinhas com janelas de cores diferentes, casinhas diferentes. Muito bonitinho. São construções provavelmente mais recentes, mas mais recente em uma cidade europeia você sabe o que significa, né?

¶13Deve ter alguns séculos pr ser mais recente. Seu portão é de 10000. Avalia o resto. Olha que bonitinho. Essa água aqui é toda potável, viu?

¶14Dá pr beber essa água. Aí eu vi o pessoal bebendo. Bom, eu disse que era potável, que dá para beber. A verdade é que eu vi as pessoas bebendo. Significa que é potável?

¶15Não necessariamente. Significa que dá pr beber? Não necessariamente. Será que eu vou arriscar? Eu acho que no último dia da viagem eu arrisco, porque se eu adoecer no meio da viagem é problema.

¶16É, não, não vou tentar não. Desculpa aí. A água. Pô, será que é diferente o gosto da água e sai do solo da Suíça? Uh, coisa, coisa chique, meu Deus.

¶17Vou provar assim. Agora, Cbart, como uma grande figura complexa, né, uma figura cheia de contradições, é alguém que intriga até hoje o modo como se faz e se pensa a teologia no mundo inteiro. Cbart era um neoortodoxo, o que significa que ele tinha visões bem pouco usuais acerca das escrituras. Não acreditava na Bíblia como palavra de Deus, né? A Bíblia se tornava a palavra de Deus quando falava conosco meio da do espírito e tudo mais.

¶18Mas o Cbart como um neortodoxo na em qualquer igreja moderna, ele provavelmente seria escomungado e ser tratado como um descrente, como herege. Ao mesmo tempo, Calbart foi um dos grandes apologetas contra o liberalismo teológico e foi um dos grandes nomes de um retorno à crença na escritura no meio de um tempo de profundo secularismo e de crítica ao texto bíblico. E aí fica, né, aquela aquela velha contradição, né, grande defensor da escritura em um tempo de liberalismo foi uma pessoa que não acreditava na escritura do mesmo jeito que a gente acredita. Mas nem de longe, essa é a principal contradição que a gente tem em Calbart, que talvez, talvez seja o herege mais respeitado entre os conservadores, digamos assim. é uma pessoa que a gente lê, estuda, aprende, respeita profundamente pela grande capacidade técnica e teológica, mas que absolutamente não é um modelo de de teologia a se seguir, né, de forma muito muito estrita, não é?

¶19Muito difícil ser um bastiano e ser uma pessoa ortodoxa. Por outro lado, a gente, olha que lugar lindo. Nossa, olha isso. Olha que coisa linda, gente. [música] Muito bonito.

¶20Olha. Puxa. Muito bonito. Muita flor. E também agora que eu não sei se é um espaço privado, público.

¶21Eu não queria ir pra cadeia na Suíça, né? Será que a cadeia na Suíça é é melhor? Bom, tandersil. De longe, as principais contradições envolvendo Cbart envolvem sua moral, né? Cbart foi um homem de vida dupla, um cara que se entregou a promiscuidade, que teve amante, que mesmo casado fez da sua secretária, sua amante, e colocou a sua secretária para morar com ele e com a esposa.

¶22Então ele viveu um trisal maluco aí é um trisal porque a mulher dele não era casada com a com a mãe, mas você entendeu o que i dizer. Viveu um uma bigamia basicamente dentro da própria casa. E quando ele morreu, a amante dele teve uma doença degenerativa severa, né? um algo provavelmente Alzheimer. E quem teve que cuidar da amante do Cbart foi a viúva do Calbart.

¶23Então, olha que que maluquice. Isso foi obviamente escondido, as pessoas não sabiam muito disso, mas os filhos do Cbart depois que ele morreu foram quem colocaram isso a público no futuro. Um homem que não é não é um modelo [roncando] de muita coisa, mas que foi um dos maiores teólogos da história do cristianismo, quem é que vai explicar as coisas, né? A gente consegue aprender dele e olhar [música] para ele como alguém que a gente pode aprender de muitas formas. Mas por outro lado, né, nem de longe representa um modelo teológico, um modelo de fé.

¶24Eu falei que era contradição muito grande a figura do Cobart. Bom, estamos aqui na Faculdade de Teologia da Universidade de Basileia. Aqui também tem a Biblioteca Universitária de Religião. Quer conhecer um pouquinho aqui dentro? Bora lá, [música] pessoal.

¶25Ok, eu vou falar baixo porque eu não quero parecer o esquisito que eu falando, mas a gente tá aqui nessa faculdade porque a gente tá numa conferência europeia de neocalvinismo, tem teóricos do mundo todo aqui apresentando paper, ouvindo palestra e e coisas do tipo. Tô com vergonha de passar por aqui e a galera me vê. [música] Pegar minha casa. >> Eu sou um youtuber tímido. Eu tenho vergonha em gravar em público.

¶26A gente tá aqui na conferência, a sétima conferência europeia de neocalvinismo. Eu vim apresentar um um artigo científico aqui, vi apresentar um paper comparando Cbart e Abram Kiper sobre a visão deles de estado cristão, se pode existir ou não estado cristão. Começou uma musiquinha do nada aqui, ó. Espada dessa aqui, o governo brasileiro já teria condenado, viu? Olha isso aqui.

¶27Ol aí tudo como é torto. É tudo torto aqui, ó. Estaria condenado já pelo estado. Esse aqui está o quintal da casa de alguém. Meu Deus.

¶28[música] >> [música] >> Foi aqui que CBT deu aula e é para mim é uma coisa muito emocionante assim, eu tá no no local onde onde um dos gigantes, né, da construção teórica evangélica viveu, apresentando [música] um paper sobre ele, sobre as ideias dele, ao lado dos maiores eruditos em neocalvismo do mundo, sendo avaliado por grandes [música] eruditos, apresentando paper em inglês, quem diria. [roncando] É emocionante para mim é para mim é um negócio inacreditável, né, para quem vive tendo que entrar em polêmica besta na internet. entrar em [música] temas acadêmicos difíceis, histologicamente profundos, gente acadêmicos de ponta tendo colocado minhas ideias sendo colocados à prova por gente super capacitada. É um absurdo difícil, mas é uma oportunidade que eu que eu valorizo [música] muito. Nessas salas aqui que Cubar deu aula, não só CBT, tá?

¶29Aqui dentro você teve Frederick Nietz, não aqui na faculdade de teologia obviamente, mas dentro da Universidade da Lasileia, Frederick Nietzs deu aula. Se eu não me engano no departamento de linguística. A gente teve K Augusto Aviang dando aula aqui também. E o Paracelso, você sabe o Paracelso, aquele famoso alquimista, Paracelso, foi professor aqui também, tá? Uma universidade muito antiga, por isso coleciona muitos nomes conhecidos, famosos aí além do próprio nome do Cbart.

¶30Agora daqui a gente consegue, sabe para onde? Pra casa que Cubart viveu os últimos anos de sua vida. já um pouco mais distante daqui e onde está hoje o museu e o arquivo [música] de Cbart. Bora lá. [música] Cubart nasceu aqui mesmo na Basileia em 10 de maio de 1886.

¶31Ele era filho de Johan Frederck Fritz Bar, pastor reformado e professor de teologia e de Ana Catarina Sartórios. Pouco tempo depois, a família se estabeleceu em Berna, onde o pai passou a lecionar. Por isso, Cbart cresceu em um ambiente ligado à Igreja Reformada Suíça, profundamente relacionado à vida pastoral e aos estudos teológicos. Na academia, seu pai estava ligado, de certa forma, ao lado conservador do protestantismo, embora o ambiente em que ele se encontrava estivesse ligado ao liberalismo teológico. Inicialmente, Cbart se interessou por história, política, literatura e militarismo europeu.

¶32Quando finalmente decidiu estudar teologia, ele se interessou justamente pelos representantes da teologia moderna que o seu pai considerava perigosos. Entre 1904 e 1909, Cbart estudou teologia nas universidades de Berna em Berlim, Trumigen e Marbur. Em Berlim, ele estudou com Adolf Von Harnak, importante historiador da igreja e representante do protestantismo liberal. Em Marburk, Bark se aproximou de Will Herman, que se tornou seu professor mais influente. Calbart também foi profundamente marcado por Frederick Schilemar, para quem a religião estava relacionada à experiência de dependência absoluta de Deus.

¶33Certamente tudo isso influenciou para que Cbart se tornasse um representante da chamada teologia liberal. O liberalismo teológico foi um movimento cheio de antecedentes iluministas vindo do século XVII, tomando forma sobretudo no século XIX, especialmente nas universidades alemãs, sob influência do Iluminismo e da filosofia moderna. O seu pressuposto era que o ser humano poderia encontrar a verdade e a realidade por meio da consciência e da razão. Um dos principais pensadores do movimento foi justamente Shilaemarha, que era considerado pai da teologia liberal. Para ele, a fé era um tipo de sentimento [música] interno sobre o ser infinito e produziu uma dependência por parte da criatura.

¶34Schlemmaremar negava doutrinas extremamente fundamentais paraa fé cristã, como a criação, como o nascimento virginal, o papel salvífico da morte de Cristo. Ele negava a ressurreição de Jesus, negava que ele voltaria, também negava a direção direta do Espírito Santo sobre os escritores [música] bíblicos. Por exemplo, ele afirmava que os livros individuais do Novo Testamento são inspirados pelo Espírito Santo e sua união em uma coleção ocorreu sob a orientação do Espírito Santo. Valeará, tô entendendo não. O que que tá errado nisso aí?

¶35O perigo tá justamente no que a que Schleemar queria dizer com inspiração. Pro Schlemar, o Espírito Santo atua por meio da comunidade histórica. Em outras palavras, a inspiração se refere primeiramente à atuação do espírito de Cristo na comunidade apostólica, da qual os autores do Novo Testamento participaram e a qual deram expressão em seus escritos. E por isso, o pai do liberalismo teológico dizia que os escritores do Novo Testamento estavam propensos a limitações históricas, diferenças entre os seus relatos, elementos culturais judaicos, interpretações particulares e imprecisões, seja narrativas ou doutrinárias. Isso quer dizer que para ele a inspiração estava lá no texto, mas a inspiração não garantia a ausência de erros humanos e nem tornava Deus o autor direto de cada formulação do texto.

¶36No fim das contas, a Bíblia ficava com um rosto predominantemente humano. E por isso ele conseguia dizer que a Bíblia era inspirada pelo Espírito Santo, que o Espírito Santo falava ali por meio dos profetas e apóstolos, mas ainda assim o Espírito não era autor, não era uma voz ativa, não era como os reformados acreditam, a autoridade divina paraa salvação da vida cristã. O texto bíblico então não é mais um instrumento divino paraa salvação do ser humano. É como um pessoal que, por exemplo, tenta dizer que acredita na inerrância, mas crê que o texto tem erros. Conhece esse pessoal aí?

¶37Esse tipo de jogo retórico não é novidade, não. Bom, em 1909, Cbart foi convidado para ser pastor assistente em Genebra. Por isso aqui, tô aqui do lado do local onde Cbart começou o seu ministério. Vim aqui em Genebra justamente porque foi nesse lugar que o ministério de Cbart começou em 1909. Ele passou dois anos aqui.

¶38Foram dois anos depois do seu ministério aqui em Genebra que ele se tornou pastor de uma igreja andville, no interior da Suíça, já em outra cidade. Realizava os seus cultos justamente no auditório de João Calvino, ao lado da Catedral de Sampierre. Calbegou por dois anos regularmente aqui nesse prédio. Séculos antes de Cacht pregar aqui, Calvino havia ensinado a Bilío nesse espaço. [música] Teodoro de Beza.

¶39Johnx pregaram aqui. Alguns séculos depois, o jovem Cbart subiria no mesmo púlpito para pregar a congregação alemã. O próprio Cbart mais tarde brincou com isso. Ele disse que pregava no próprio auditório de João Calvino e em seu púlpito, acrescentando que Calvino provavelmente não teria ficado muito satisfeito com os sermões que ele pregava naquela época. O motivo dessa piada é que o Bart de 1909 ainda era profundamente formado pela teologia liberal alemã.

¶40Com toda a influência do Herman e do Shilaemar. Ele ainda estava muito longe do Cbart, da carta aos romanos e da dogmática eclesiástica. Foi justamente enquanto ele pregava nesse auditório que ele começou a estudar Calvino com mais profundidade. Durante esses anos, ele mergulhou na edição de 1559 das Institutas e posteriormente reconheceu que talvez tivesse sido o próprio espírito do lugar que o teria levado a fazer incursões mais profundas na teologia reformada. Em 1913, ele se casou com Nelly Hoffman, uma violinista com a qual teve quatro filhos.

¶41e uma filha. Ao ver a realidade daquela comunidade industrial e os conflitos entre patrões e operários, Cbart se envolveu em várias causas sociais. Em 1915 se filiou ao Partido Social-democrata da Suíça com a Primeira Guerra Mundial, porém ele viu suas causas sociais e políticas serem traídas. Isso porque professores com os quais ele estudou, como o Adolfo Van Hanark e o Willam Erman, apoiaram a entrada da Alemanha na guerra. Eles usaram sua influência para convencer o povo de que a entrada da Alemanha na guerra era uma necessidade defensiva e que o militarismo alemão era necessário para proteger a identidade nacional.

¶42Em 4 de outubro de 1914, Harn assinou o manifesto ao mundo civilizado, juntamente com outros 92 intelectuais alemães. O documento defendia que o governo alemão havia tentado preservar a paz, que a invasão da Bélgica foram nessa cidade defensiva e que os soldados alemães não haviam cometido atrocidades contra civis belgas, entre várias outras coisas. Isso gerou uma crise muito profunda em Calbart. Ele percebeu que a teologia liberal de nada servia ao povo para o qual ele pegava naquela pequena cidade. Nesse tempo, ele conheceu Edward Turnson, pastor e teólogo luterano.

¶43Em meio à crise iniciada em 1914, Thornesen e Bart buscaram novas respostas pro desafio da pregação. Em 1916, Bart começou a estudar intensamente a carta de Paulo aos romanos. Foi desse tempo que Bart estudou Lutero, Calvino, Kikgard e Dostoyevski. O fruto desses estudos em 1919. Esse ano, Bart publicou a carta aos Romanos, que teve uma segunda edição em 22, um comentário: "A carta aos romanos, que é considerado talvez um dos textos teológicos mais importantes do século XX, onde Bart enfatiza a transcendência de Deus".

¶44É nesse livro que Bart fica associado à famosa frase que Deus é totalmente outro, que expressa que Deus é um ser transcendente à sua criação e que não pode ser reduzido a aspectos humanos. Uma declaração distinta da Ditlaemarre. Tillyem situava o ponto de partida da teologia na experiência religiosa da comunidade. Bart diria na não é de jeito nenhum. Deus é totalmente outro.

¶45Mas se Deus não pode ser acessado por meio da razão humana, como é que a gente o conhece então por meio de um ato soberano dele de se revelar a nós? A revelação de Deus não é simplesmente uma declaração que é entendida racionalmente, assentida pela nossa vontade. É um ato que ocorre por meio de sua palavra em Jesus Cristo. A segunda edição, então não era só uma cópia da primeira, a segunda edição tinha mais linguagem dialética e mais influência de Kikegard. Foi daí que em 1921 Bart foi convidado para ser professor de teologia reformada na Universidade de Goldingen, mesmo sem ter um doutorado ainda.

¶46Teria como se um pesquisador em uma pequena cidade sem doutorado, nem carreira acadêmica formal ainda, publicasse um bestseller e fosse convidado para, sei lá, virar catedrático na USP, sei lá, na UFC. Era a mesma universidade que Edmund Hussell, o famoso filósofo do século XX, ensinava, né? Ele ensinou em Guttingan de 1901 a 1916. Por causa de seus estudos escritos, Cbart se tornou um dos principais nomes do movimento teológico que posteriormente foi chamado de neoorttodoxia, ao lado de nomes como Emilio Bruner e Frederick Gogartter. Em sua forma, a neorttodoxia rejeitava completamente o ensino do liberalismo e que havia um ponto de contato na criação e na experiência humana que levaria o ser humano a Deus.

¶47para Cbart, somente Deus pode se tornar conhecido. Em 1927, Cbart publicou um esboço de sua dogmática cristã, mas posteriormente ele abandonou o projeto por considerar que ele ainda estava muito dependente dos pressupostos filosóficos, especialmente do existencialismo, porque ele queria escrever uma obra que fosse mais bíblica e mais teológica. Ele sentia falta de ler um pouco mais sobre isso, se preparar mais sobre isso. Então ele não queria que nenhum sistema de qualquer escola filosófica determinasse previamente o seu conteúdo. Então ele recomeçou e iniciou a dogmática eclesiástica que ele nunca chegou a terminar completamente.

¶48Mesmo incompleta, a obra tem 13 volumes que somam mais de 9.000 páginas. Talvez seja aí que se expressa nos momentos mais deprimentes da história [música] de Cbart. Em 1924, Charlotte von Kirtba conheceu Cbart. Nos anos seguintes se tornou sua assistente, sua pesquisadora, sua revisora e sua interlocutora teológica. Com um tempo [roncando] muito mais que isso.

¶49Em 2008, os filhos de Cachtisam tornar públicas cartas entre os dois que revelavam um triste caso [música] de amor. Segundo os historiadores, a esposa de Cbart sabia do rolo, não é, desde o início. E claro, é o tipo de coisa que gerava, né, confusão, obviamente, né? Teria havido até uma briga, brigérica entre eles depois de uma visita que charlot teria feito a família e tal. Acontece que depois de um tempo, Charlotte, Nelly e Bart viveram os três sobre o mesmo teto.

¶50Os três passaram a morar juntos, Cbart, a esposa e a amante. [música] O divórcio chegou a ser discutido, mas por algum motivo não foi levado adiante. Cart se sentia em dívida com a sua esposa, mas também não queria abandonar os sentimentos que ele tinha [música] pela sua assistente. Bart chamou isso de uma tradução literal do do alemão, de uma comunidade de emergência ou num, como eu chamaria, gostaria de chamar de safadeza, né? É uma coisa que já é muito sabida na história da igreja.

¶51Quando a gente foi na casa de Cbart, todo mundo só perguntava sobre isso. Infelizmente é uma marca terrível da história da igreja. [música] kind of normality and of course it was aic relationship that there was also [música] secretary of course yeah it's a difficult thing to describe the kind of relationship between the [música] three was so aboutcha [música] was quite clear it was quite clear to him and others >> [música] [música] >> together and stay in home course [música] people visited here every weekend one day was one letter so long as could and with it and after [música] so maybe look on this relationship makes quite clear [música] it's not only laugh also [música] it was it was a special kind of relationship between because [música] of understanding what was [música] [música] >> não há um momento documentado em que Ca tenha rompido o relacionamento amoroso e extraconjugal com Charlotte. Eles seguiram na convivência pelas circunstâncias até Charlotte ser acometida de demência. Cbart chegou a morrer primeiro em 1968 e Charlotte só em 75.

¶52[música] E nele, a esposa de Cbart ainda enterrou Charlotte junto de Bart, né? Eu acho que é um, acho que foi um, sei lá, um uma ironia aí, né? Sei lá, acho que foi o último o último grito de de ódio dela, do tal marido, talvez de ah, é dela que você qu ela que você queria, então enterrar você do lado dela. É complicado. Ela chegou a cuidar da amante do marido depois que o marido morreu por causa da demência da amante.

¶53É uma coisa que é um tanto inconcebível de compreender. [limpando a garganta] [música] Everyone thing is let him live this way. For me of course the whole relationship and the whole problems about relationship every visit is asking [música] of course is very good to understand of course for me this is one of the most interest maybe the last [música] interesting point his relation he did not have any pressure and he did also not have any pressure socialist symb the church never attempted to discipline Mother think about connection between [música] academic theology and not as close as in [música] even the public in articles and no one wasting about this relationship [música] one of the most interesting points minister o que é que faz com que, sabe o que é que explica esse tipo de coisa? um homem teologicamente tão dotado, habilidades intelectuais completamente incomuns, que escreveu textos incríveis paraa história da igreja, que enfrentou o liberalismo teológico, mas que viveu mais de 10 anos. É uma relação de profunda, quase bigamia, se a gente puder dizer assim.

¶54Cubart sentava na sua no seu escritório, a gente pode ver isso na casa de Cbart, escrevendo os seus textos, olhando para uma imagem de um Cristo crucificado. Todos os dias ele sentava e escrevia suas palestras, seus sermões olhando para um quadro do Cristo, mas ainda assim traía constantemente esse Cristo na sua vida comum. Isso mostra o dualismo terrível, né, que existe muitas vezes no mundo da teologia, onde alguns acabam substituindo a verdadeira vida piedosa pelos seus grandes méritos intelectuais, como se inteligência pudesse salvar a alma. A gente sabe que nos [música] salva. É muito difícil acreditar em um bom destino pra alma de Cbart pela vida que ele escolheu viver, apesar daquilo [música] que ele poôde escrever.

¶55[música] Seguinte, eu vou tentar aqui. Vamos ver o que que Vou beber a água do chão. Só do descer. Sei saber não. [música] like [música] Say hello to my YouTube channel.

¶56[risadas] [música] >> [música] >> Foi nesse quarto [música] aqui que ele celebrou o aniversário de 70 anos. Ele nesse hall meio pequeno para caber muita gente aqui, né? E onde fica o arquivo do Cubar também tem muitos livros sobre Cubart livros do Cbart. >> [música] [música] >> very much for nearly 50 years most of the I think during the [música] time maybe he was able to work also in library but then he bought many many books sources of working and was working tabac brand [música] É alemã, mas é inspirada no tabaco brasileiro. Olha o símbolo.

¶57Mas o caba tava fumando até com brasileira, mano. Olha isso. Brazilian tabaco. Cas smoking Brazilian things. Entre 1925 e 1930, Cbart foi professor de dogmática e exegese do Novo Tchamento em Monster.

¶58Em 1930 se transferiu pra Universidade de B, onde permaneceu até 1935. Entre 33 e 35, Hitler já estava no poder e vários cristãos começaram a adaptar sua teologia ao nacional socialismo. Cubra isso por entender que o problema era que esse cristão estava adotando outra fonte de revelação e autoridade além de Jesus Cristo. Em maio de 1934, representantes luteranos, reformados e cristãos unidos se reuniram no sínodo de Barmen. Bast foi o principal redator da declaração teológica de Barman, que entre seus artigos defendia que o Estado não pode assumir a missão da igreja, que a Igreja não pode transformar a palavra de Deus em instrumento de projetos políticos, que a igreja não pode alterar sua mensagem para acomodar a ideologia e que Jesus Cristo é a única palavra de Deus que a igreja deveria ouvir.

¶59Esse documento se tornaria uma das bases teológicas para a igreja confessante, da qual dietrichfa também fez parte e foi um dos principais documentos para resistência à nazificação da igreja. Cbart se recusou a prestar um juramento incondicional de fidelidade a Hitler e por isso foi suspenso e perdeu a cátedra que havia assumido em Bom. Em 1935, retornou à Suíça e assumiu a cadeira de teologia sistemática na Universidade de Basileia, onde permaneceu até 1962. [música] Com o fim da Segunda Guerra Mundial, ele defendeu que os alemães reconhecessem sua responsabilidade histórica, mas também insistiu que as igrejas alemãs deveriam ser reconciliadas e reintegradas à comunhão cristã internacional. Ele voltaria temporariamente à Universidade de Bon em 1946.

¶60No ano seguinte participaria da elaboração da declaração de Darwad, documento que criticava o nazismo e a associação do protestantismo alemão, com segmentos da política como o nacionalismo, militarismo, o conservadorismo político e o antissocialismo. Em 1948, ele proferiu uma das principais conferências da primeira assembleia do Conselho Mundial de Igrejas em Amsterdam. Em 1962, ele se aposentou da Universidade de Basileia. Nesse mesmo ano, ele participaria das conferências em Prington, Chicago, Nova York e São Francisco. Inclusive, teria se encontrado brevemente com Martin Luther King e foi também capa da revista Time.

¶61Ele foi convidado a acompanhar o Concílio Vaticano I, que ocorreu entre 1962 e 1965, mas ele não pôde por problemas de saúde. Em 1966, ele visitou Roma e conversou com o Papa Paulo VI. Suas perguntas ao papa e avaliações foram publicadas no Ad Limna Apostólogo. Em dezembro de 1968, aos 82 anos, Cbart morreu em sua casa na Basileia. Relatos dizem que na noite anterior à sua morte, ele conversou com seu amigo de longa data, Edward Tunersen.

¶62[música] Cart nunca fez doutorado, mas suas produções incluídas somam cerca de 553 títulos. [música] Ele recebeu títulos honorários de várias universidades, como Manchester, Gasglow, Utret [música] na Holanda e em Oxford, em Hindburgo, em Chicago, na Soborn, na França, entre várias outras. A teologia de Calbart buscava relacionar todas as doutrinas à cristologia, tanto a pessoa quanto a obra de Jesus. Devido à influência de Bart, o cristocentrismo se tornou uma das marcas mais influentes da teologia do século XX. Outra doutrina que Bart recuperou dos erros dos teólogos liberais foi [música] justamente a trindade.

¶63Na sua dogmática, essa doutrina tá logo no início para resgatar sua importância. Mas Bart também errou muito na sua bibliologia. Para ele, a Bíblia era um testemunho falível, cheio de erros humanos. A Bíblia para Bart não era a palavra de Deus escrita em sentido direto e estático. Ela era testemunho humano e falível da revelação, mas que se tornava palavra de Deus [música] na medida em que Deus falava por meio dela.

¶64Isso possui semelhanças e diferenças com o liberalismo teológico. Cbart não conseguiu superar a ideia do liberalismo teológico de que a Bíblia [música] contém erros, mas ele também não a reduziu a um mero documento humano. Ele entendia que existiam formas da Bíblia se tornar realmente [música] palavra de Deus. Enquantoos setores do liberalismo ignoravam a revelação a parte da experiência de Deus como ato sobrenatural, Cubach entendia que Deus revelava sobrenaturalmente e soberanamente sua vontade e sua verdade por meio desses escritos. [música] A palavra de Deus, nessa relação com o texto bíblico, não era uma realidade que o ser humano possuía ou controlava.

¶65Era um devir, era um vir a ser, algo que acontece [música] devido à vontade divina quando Deus fala por meio das escrituras. A doutrina da eleição de Bart também é bastante controversa e motivo de muitas discussões acadêmicas. Para ele, a eleição não é um decreto secreto [música] de Deus, mas Jesus é o conteúdo do decreto. Em Cristo, Deus escolhe a humanidade para uma comunhão consigo. Para Caubarte, a eleição não começa com indivíduos, mas com um só indivíduo, Jesus Cristo, que é ao mesmo tempo Deus que elege e o homem eleito.

¶66E nele a humanidade é salva. Cristo também recebe a rejeição de Deus. Cristo recebe a rejeição que cabe ao pecador e a humanidade recebe em Cristo a eleição paraa vida com Deus. Alguns acreditam que isso é um tipo de universalismo com floreios e retórica, mas outros vão defender cbart aqui. O próprio Bart negava transformar a salvação universal em conclusão necessária, mas suas formulações parecem indicar o contrário.

¶67E se algo precisa de muito esforço, detalhamento e explicação para dizer que que não é aquilo, talvez talvez seja, né? [música] Mas mas quem sou eu para quem sou eu para julgar? Não resta dúvida de que Cbart foi usado por Deus para refrear o mal do liberalismo teológico. A neorttodoxia, claro, é passiva de muitas críticas, mas ela veio como resposta a um problema muito maior. Calbart pode ser muito criticado, mas é innegável o peso de seus escritos teológicos.

¶68Paraa infelicidade da história da igreja, ele viveu por muito tempo num relacionamento amoroso extraconjugal, mesmo diante de todos os sofrimentos que isso causava. Talvez faltou a Calbat uma cristologia que eu lembrasse de que Cristo só tem uma noiva, que é a igreja e que qualquer outro relacionamento desfiguraria o testemunho do seu sacrifício. [música] Se a gente tem que viver cristologicamente, a gente também deveria viver monogamicamente. >> [música] >> hero academic minder smart ideas concepts don't know of you E aí, o que que você achou do vídeo de hoje? Hoje foi instrutivo, né?

¶69Fomos na casa do Calb, f duas casas do Cubti, entramos em uma, a gente olhou a biblioteca dele e mas é um é uma reflexão poderosa acerca das complexidades, dos paradoxos que envolvem a história de pessoas reais, não é? Você gosta desse tipo de vídeo? Não deixa de se inscrever no canal e assinar as notificações para ficar sabendo sempre que houver. E de novo, meu amigo Ednard tá me zoando aqui, ó, tirando foto minha enquanto eu gravo os vídeos. A câmera 360 vai pegar ele me zoando, ele vai, vou colocar o Ednardo me zoando aí no Mas você gosta de teologia na estrada, você sabe o que fazer.

¶70Se inscreve no canal, a as notificações. Se você quer aprender teologia de forma descomplicada, de forma inteligente, fácil, vai lá no Instituto Chefeife de Teologia e Cultura, tem um link na descrição para você entrar no nosso Netflix de teologia e aprender com a gente. Um cheiro no seu cangote. Lá dá um cheiro, dedica um cheiro no cangote pro pessoal aí, ó. >> Um cheiro no cangote, galera.

¶71>> Não, alguém, alguém, um gaúcho, um cheiro no cangote. Não, não fica bom. Não fica bom. Mas bom, valeu e até a próxima. M.