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VISITEI A CASA DO MEU HEREGE FAVORITO (Karl Barth)

a tese

Em vlog de viagem por Basileia e Genebra, Yago Martins apresenta Karl Barth como o "herege mais respeitado entre os conservadores": gigante contra o liberalismo teológico, mas errado na bibliologia, ambíguo na eleição e moralmente desqualificado pela relação de décadas com Charlotte von Kirschbaum.

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Há material para uma avaliação crítica do próprio Yago (juízo sobre a salvação de Barth, bibliologia de Barth reduzida a "não acreditava na Bíblia como Palavra de Deus", o erro do Vaticano I), mas o vídeo é mais vlog que argumento, e o paper sobre Barth e Kuyper, se publicado, rende mais que isto.

O que foi dito

  • Yago abre dentro da casa onde Barth escreveu a Dogmática Eclesiástica, anuncia que ali ele “viveu com a amante” e refaz a pé o trajeto de Barth até a Faculdade de Teologia de Basileia, onde diz estar para apresentar, na 7ª conferência europeia de neocalvinismo, um paper comparando Barth e Abraham Kuyper sobre a possibilidade de um Estado cristão.
  • A parte biográfica percorre a formação liberal (Harnack em Berlim, Wilhelm Herrmann em Marburgo, influência de Schleiermacher), com um excurso sobre a doutrina da inspiração de Schleiermacher que Yago usa para alfinetar quem “diz crer na inerrância mas crê que o texto tem erros”.
  • Em Genebra ele mostra o Auditoire de Calvin, onde Barth pregou de 1909 a 1911 e começou a ler as Institutas de 1559, e conta a piada de Barth de que Calvino não teria gostado daqueles sermões.
  • A ruptura vem com o manifesto dos 93 intelectuais de outubro de 1914, assinado por Harnack, com a amizade de Eduard Thurneysen e com o comentário de Romanos (1919, reescrito em 1922), que Yago resume na fórmula do Deus “totalmente outro” e na revelação como ato soberano em Cristo.
  • Seguem Göttingen sem doutorado, a neo-ortodoxia ao lado de Emil Brunner e Friedrich Gogarten, o esboço abandonado de 1927 e a Dogmática Eclesiástica inacabada (13 volumes, mais de 9.000 páginas), além de Barmen (1934), a recusa do juramento a Hitler, a perda da cátedra em Bonn e a Declaração de Darmstadt (1947).
  • O vídeo afirma que Barth foi convidado ao “Concílio Vaticano I” (o correto é o Vaticano II) e cita o encontro com Paulo VI registrado em Ad Limina Apostolorum.
  • A seção moral é longa: a correspondência publicada pelos filhos em 2008, os três sob o mesmo teto por décadas, a “comunidade de emergência” (Notgemeinschaft), Nelly cuidando de Charlotte com demência e o túmulo comum, com trechos em inglês de um guia do arquivo dizendo que a igreja nunca tentou disciplinar Barth.
  • Na avaliação teológica, Yago credita a Barth o cristocentrismo do século XX e a recuperação da Trindade, critica a Escritura como testemunho falível que “se torna” Palavra de Deus e lê a eleição em Cristo como provável universalismo “com floreios”, porque “se algo precisa de tanto esforço para dizer que não é aquilo, talvez seja”.
  • Fecha dizendo ser “muito difícil acreditar num bom destino para a alma” de Barth e que lhe faltou uma cristologia lembrando que Cristo tem uma só noiva, com propaganda do Instituto Schaeffer.

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