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O FILME MAIS CRISTÃO DO STUDIO GHIBLI? Vidas Ao Vento

a tese

Yago Martins lê "Vidas ao Vento" (Hayao Miyazaki, 2013) como parábola da ambivalência da imagem de Deus no homem caído: a mesma genialidade que cria também destrói, e nem o melhor de nós escapa da necessidade de redenção.

aprofundar

talvez

bom material para pregação ou aula sobre imagem de Deus e cultura, mas é resenha de dez minutos sem carga exegética nova, e o único ponto verificável de grego ou história (a etimologia de kamikaze) está torto.

O que foi dito

  • Abre o programa de resenhas culturais do canal com a pergunta que organiza o vídeo: como viver se a realização do seu sonho significa a destruição de muitas vidas.
  • Reconstrói a biografia de Jiro Horikoshi, nascido em 1903 em Fujioka, míope e por isso inapto a pilotar, que se tornou engenheiro aeronáutico tendo Giovanni Battista Caproni como inspiração.
  • Usa a era Meiji (1868-1912) como moldura: o Japão sai de dois séculos de feudalismo do xogunato Tokugawa, se moderniza em velocidade acelerada e entra na Liga das Nações em 1920 ao lado de França, Grã-Bretanha e Itália.
  • Traça o paralelo estrutural do filme: assim como Jiro deixa a comunidade rural para estudar em Tóquio, o Japão deixa a economia rural pela modernidade, e paga o preço disso.
  • Cobra a memória seletiva do Ocidente: lembramos Hitler e Mussolini, mas o Japão também cometeu atrocidades na Coreia e na China, e o incidente de Mukden (1931), com militares japoneses explodindo uma ferrovia chinesa e culpando os chineses, serviu de pretexto para a segunda guerra sino-japonesa.
  • Detalha a obra de Jiro, o Mitsubishi A6M Zero: ágil e de longo alcance, confundia os aliados na contagem de esquadras, atacou Pearl Harbor e, já superado, serviu aos pilotos kamikazes.
  • Glosa “kamikaze” como kami (deus) mais kaze (vento) e conclui que os pilotos suicidas se consideravam deuses dos ares, leitura forçada: a expressão designa o “vento divino”, os tufões que destruíram as frotas mongóis, não uma autodivinização do piloto.
  • Ancora a tese na cena do diálogo com Castorp no hotel, que antevê a catástrofe japonesa, e no plano final do cemitério de Zeros, em que criação, inimigos e pilotos viram as mesmas cinzas levadas pelo vento.
  • Formula a antropologia: criados à imagem de Deus temos impulso criativo, e como pecadores a inclinação de converter qualquer criação em instrumento do mal, quem constrói câmara de gás é o mesmo que caminha até elas com oração nos lábios, quem faz guerra com pólvora celebra aniversário com fogos.
  • Fecha com Eclesiastes (“vaidade de vaidades”) e com a promessa profética das espadas convertidas em arados: a esperança não é abandonar a inventividade, mas esperar o Cristo que redime até as nossas melhores qualidades, porque existe pecado na nossa inventividade.

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