¶1E se a concretização do seu sonho significasse a destruição de muitas vidas? Como você viveria se suas capacidades geniais fossem usadas pro mal de muitas pessoas? Vidas ao vento, filme de Ral Meak, é uma cinebiografia de Giro Rikoshi, um homem inteligentíssimo, mas que foi responsável pela criação de uma das armas mais mortíferas já usadas em guerra. Vem comigo para conhecer mais sobre essa história, discutir sobre esse filme e pensar sobre o que é que nós podemos aprender com vidas que são lançadas para o nada. Esse é o mundo cópia nosso programa de resenhas cristãs de filmes, seriados e outros elementos da cultura.
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¶4Nessa época, o Japão passava por profundas mudanças. A era Meijique, que durou de 1868 a 1912, foi marcada por uma profunda modernização, mudanças nas estruturas políticas, econômicas e sociais e a incorporação de novas práticas ocidentais. Além disso, o Japão havia se isolado do mundo em um sistema feudal de economia e de política durante o famoso shogunato Tokugawa. A restauração Meiji abriu o Japão pro mundo, o que o fez passar por uma acelerada transformação em suas estruturas. Giro era um jovem que sonhava com aviões e com um ser piloto, mas que por causa da sua milpia ele era inapto pra tarefa.
¶5No entanto, a sua paixão pela aviação o faria consumir várias revistas sobre aviões e estudar para ser um engenheiro aeronáutico. Ele poderia ter passado no ITA. ele fosse brasileiro, tendo como uma das suas grandes inspirações Giovanni Batista Caproni, um engenheiro italiano. Tanto o processo de modernização japonesa quanto a vida de Giro são discutidos em vidas ao vento. Assim como o Giro sai da sua comunidade rural em que nasceu para estudar em Tóquio, o Japão sai da economia rural para abraçar a modernidade.
¶6Embora isso fosse em muitos aspectos um progresso, isso também resultaria em consequências com as quais o Japão teria que lidar. A abertura, as influências estrangeiras e o imperialismo nipônico levaram o Japão a se aproximar das ideias nacional socialistas da Alemanha e da Itália, o que cuminou na sua associação com esses países na Segunda Guerra Mundial. É curioso, como lembramos com mais ênfase de Hitley e de Mussolini e de seus terríveis feitos, mas o Japão também cometeu atrocidades como na Coreia e na China durante o seu período de modernização. Após a Primeira Grande Guerra Mundial, o Japão sai como uma das potências vencedoras ao lado das nações aliadas, o que significava um avanço impressionante por um país que tinha acabado de sair de 200 anos de feudalismo. O Japão se torna então um dos membros da Liga das Nações em 1920, juntamente com a França, com a Grã-Bretanha e com a Itália.
¶7Ou seja, a era MEI trouxe grande orgulho ao Japão porque ele já estava equiparado à grandes potências europeias e esse orgulho nacional levaria ao rompimento com a liga. Em 1931, no chamado incidente de Murkiden ou incidente da manchúria, militares japoneses explodiram uma estação ferroviária chinesa e acusaram os próprios chineses de sabotagem. O líder chinês serviu de fantoch político e serviu com uma das grandes motivações paraa Segunda Guerra sino japonesa. É esse mesmo orgulho nacionalista motivado pelo acelerado crescimento que fez o Japão se associar com as forças do eixo porque ele queria dominar o Pacífico e a Ásia. E é nesse contexto que Giro atua.
¶8Ele foi o engenheiro aeronáutico responsável pela criação do avião A6M0 Mitsubishi. Todos aqueles cálculos que nós vemos na animação são reais e todo aquele esforço de giro para construir um avião culmina numa das mais letais armas japonesas usadas durante a Segunda Guerra. Os zeros, como eram apelidados, eram ágeis e voam por longas distâncias. Nas mãos de um piloto habilidoso, eles conseguiam fugir e atacar os aviões inimigos. Além disso, eles percorriam tão longas distâncias que uma mesma esquadra japonesa conseguia passar por mais de uma base inimiga, de forma que as forças aliadas não sabiam precisar a quantidade de aviões japoneses, porque não sabiam se tinha sido a mesma esquadra que havia passado por ali ou se era outra.
¶9Além disso, foram os heros que cruzaram o Pacífico e atacaram a famosa base de Pearl Harbor. Quando finalmente foram superados, os héros ainda eram terríveis aviões usados pelos kamikazes. Esse nome vem da junção de Kami, que significa deus, e K, que significa vento. Ou seja, os pilotos suicidas se consideravam deuses dos ares a usarem os seus aviões com com eles próprios dentro dos aviões como projéteis. É sobre isso que Castorp conversa com Giro quando eles estão no hotel.
¶10Ele antevê que mesmo com os avanços que o Japão alcançou, o país sofrerá consequências terríveis, o que de fato nós sabemos que aconteceu. Japão escolheu esquecer o que fez em nome do Progresso. Giro ainda estava desenvolvendo o zero e Castorp fala que o Japão em alguma hora veria as consequências desastrosas das suas ações. No final do filme, Girou caminha pelo cemitério de Zeros. A criação que ele tanto se empenhou para construir agora estava reduzida a mero ferro velho.
¶11Mais do que isso, as vidas que aqueles aviões carregavam junto com a vida dos inimigos, tudo se tornou igualmente cinzas indistintas levadas pelo vento. O ser humano que tem criatividade para construir câmaras de gás é o mesmo que caminha até elas com oração nos lábios. Os aviões eram a grande paixão de Miyasak. Embora eles tenham sido usados paraa guerra, eles também são aqueles que levam mantimentos pros necessitados, que transformam pessoas para além do mar e que mostram a conquista dos ares pelos seres humanos. O ser humano que se junta para construir Babel, para que seu nome seja louvado e seja grande, é o mesmo que se une para construir hospitais, casas, abrigos.
¶12O ser humano que com a pólvora faz guerras, com ela celebra os anos que se passam com fogos de artifício. Vidas ao vento. Fala ao mesmo tempo do potencial criativo e do potencial destrutivo do ser humano, como seres criados à imagem de Deus. Nós temos esse impulso criativo e como pecadores temos a inclinação de transformar qualquer coisa em um instrumento do mal. Nós desenvolvemos muitas criações pro nosso próprio desenvolvimento, com a mesma agilidade com que nós usamos essas criações para perpetrar vários males.
¶13Como viveremos? Então, era a famosa pergunta dos anos 2000. E agora, como viveremos? A gente tem que saber como viver então diante disso, porque se tudo aquilo que a gente produz, se todo o nosso avanço tecnológico, se toda a nossa criatividade se converte muito rapidamente em bem e em mal, a gente tem que estar preparado, porque os ventos, os ventos sempre se levantam, eles são imprevisíveis, eles sopram onde querem. A gente tem que saber se adaptar, saber ter sabedoria para extrair o melhor das eras, sabendo que seremos nós os redentores daquilo que a gente produz.
¶14A gente tem que lamentar pelo mal, nos opor ao mal, mas continuar sendo inventivos, porque é pela inteligência que nós conseguimos fazer bem ao mundo. Mas esse bem ao mundo não pode ser restrito apenas ao desenvolvimento humano. É preciso de uma moral, de uma ética, de uma espiritualidade que faça com que a nossa genialidade não se converta principalmente em morte. Muito daquilo que a gente cria, por sermos imagem de Deus, serão usados com base na nossa queda e na corrupção dessa imagem. É por isso que os profetas diziam que as espadas seriam [música] convertidas em arados.
¶15A tecnologia criou a lâmina. Deus vai transformar isso em mero recurso pra gente trabalhar no solo. Precisamos esperar pelo vento que trará o som da liberdade para que desfrutemos de paz eterna juntamente com aquele que dá ordem aos ventos, que traz brisas e tempestades. [música] Vidas ao vento é triste, é doloroso, de alguma forma é belo, como só o estúdio Gible consegue ser belo e nos lembra de quão quebrados nós podemos ser, mesmo quando a gente tenta fazer o melhor de nós. Talvez vidas ao vento nos lembre de Eclesiastes quando diz que vaidade de vaidades, tudo é vaidade, que em uma vida debaixo do sol até o melhor de nós pode se converter em coisas terríveis pra humanidade.
¶16Onde está a nossa esperança, então, senão em um Cristo que possa redimir não apenas as nossas falhas, mas redimir até as nossas melhores qualidades. Porque até aquilo que há de melhor em nós ainda precisa de redenção. Existe pecado na nossa inventividade. Frutos negativos saem das coisas mais maravilhosas que a gente pode fazer. Se dependermos de nós mesmos, nós estamos perdidos.
¶17Mas é pela graça de Deus que existe uma humanidade, que existe uma civilização, que existem ainda coisas belas nesse mundo. E é ansiosos pela expressão máxima dessa graça que o reino de Deus se estabelece nenhuma vida mais vai ser jogada ao vento. Você já assistiu Vidas ao Vento? Vocês me pedem muito para reagir às animações do estúdio Gible. Vidas ao Vento é um muito especial para mim.
¶18Se você assistiu, que lições você tirou desse filme? Que outros filmes do SH de Gibl você acha que eu poderia trazer aqui? Então comenta pra gente poder continuar conversando sobre os lições sonhos cristãs e elementos são importantes da cultura. Que outros animes você gostaria que falar? Eu adoro falar de anime, não falo tanto porque não tem tanto público para assistir coisas de anime aqui no canal, mas eu teo.
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