Radar

radar · Teologia Brasil

VOCÊ TEM QUE VOTAR EM CANDIDATO DA SUA IGREJA?

a tese

Yago Martins sustenta que a igreja como instituição não deve ter candidato próprio, porque a autoridade pastoral é limitada e regulada pela Escritura e não alcança as escolhas intramundanas do fiel. No mesmo programa de reações, ele também discute perdão cristão a criminoso não arrependido e conselhos a maridos crentes.

aprofundar

talvez

porque o bloco sobre candidato de igreja oferece um argumento eclesiológico limpo e útil (autoridade pastoral regulada pela Escritura, ênfases da Escritura, igreja-instituição versus cristão-cidadão) que dialoga direto com a sensibilidade da tradição dos irmãos, mas o restante dos 31 minutos é reação solta e propaganda, então vale ir ao trecho, não ao vídeo inteiro.

O que foi dito

  • O episódio é do “Teólogos do Twitter”, programa em que Yago Martins (pastor batista no Ceará, doutorando em teologia) reage ao que viraliza sobre Deus na internet, e abre com uma animação da tempestade acalmada falada em cearense.
  • A primeira reação é a um colecionador que exibe uma Bíblia luterana de 1720 em alemão gótico, encadernada em couro de porco, com ilustrações por livro e os deuterocanônicos presentes (o colecionador usa isso para dizer que Lutero não retirou esses livros, e Yago observa que a presença física não é argumento sobre o cânon).
  • Diante do preço de R$ 100 mil pedido pela Bíblia, Yago calcula que o valor sustentaria um missionário de salário mínimo por cerca de cinco anos e conclui que não compraria, mesmo com dinheiro sobrando, por ser item de luxo.
  • Há um bloco longo de publicidade da AUVP, escola de investimentos de Raul Sena, inclusive com a ressalva de que quem vive com salário mínimo não precisa de curso de investimento.
  • O núcleo do vídeo é a reação a um reel com “três motivos para votar no candidato da sua igreja”, e Yago rebate os três: o chamado político ser legítimo não implica que a instituição igreja tenha candidato, assim como ela não deveria ter banco, carteira de ações recomendada ou marca de roupa.
  • Ele constrói uma escala de legitimidade no púlpito sobre dinheiro: pregar boa administração é legítimo, alertar contra pirâmide e “urubu do Pix” é legítimo, recomendar ações específicas do Banco do Brasil já não é, e indicar candidato oficial da igreja é abuso da autoridade religiosa e corrupção da missão da igreja.
  • Contra o argumento de que a política afeta a igreja, ele concede o fato mas nega a inferência: Jesus, Paulo, Pedro e João viveram sob poder político hostil e nunca apontaram a conquista de influência política como garantia da vida da igreja, que se sustenta no poder do evangelho.
  • Sobre o voto como “aliança com a igreja”, responde que a autoridade do pastor é regulada pela Escritura e não escolhe emprego, cônjuge, bairro, time nem candidato do membro, e que Paulo ordena oração e intercessão pelas autoridades sem ordenar forma de engajamento político, pelo que é preciso respeitar as ênfases da Escritura; ele mesmo não divulga seus candidatos, por achar que confunde a autoridade pastoral, ainda que considere legítimo outro pastor fazê-lo fora do culto.
  • Na reação ao caso de 2020 em que Drauzio Varella abraçou numa prisão uma pessoa travesti depois identificada como condenada por crime gravíssimo contra criança, Yago distingue o perdão concedido no coração (possível ao não arrependido) do perdão que se concretiza, o qual depende do arrependimento, e diz que o amor de Deus difere do nosso porque concede ao pecador o próprio arrependimento; concorda com o princípio geral de misericórdia, mas nega que o cristianismo seja “o amor bobo e piegas da cultura contemporânea” e critica a reportagem por ser feita sem conhecer o crime.
  • Fecha reagindo a um perfil de “verdades óbvias para maridos crentes”: acrescenta que divisão desproporcional do trabalho externo implica divisão desproporcional do doméstico, endossa que pai não é “rede de apoio” e que terceirizar a fé do filho à igreja de domingo é falha do pai, e critica a ideia de “última palavra”, porque líder (de casa ou de igreja) que precisa impor autoridade com frequência já está liderando mal.

Mais de Dois Dedos de Teologia

49 no radar
09/10O FILME MAIS CRISTÃO DO STUDIO GHIBLI? Vidas Ao Ventoaprofundar: talvez08/10A MAIOR POLÊMICA SOBRE CALVINO: ELE MANDOU EXECUTAR SERVETO?aprofundar: talvez06/10POR QUE VOCÊS ME INDICARAM ASSISTIR ESSE DOCUMENTÁRIO?! | A morte da esposa do pastor, Netflixaprofundar: talvez05/10MUITA GENTE VAI ACHAR QUE EU TO DEFENDENDO O LULA NESSA...aprofundar: talvez02/10♫ JESUS VOLTA, MAS VOCÊ NÃO SUBIRÁ ♫aprofundar: não

todos os 49 vídeos de Dois Dedos de Teologia no radar →