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radar · Filosofia & teologia

MATHEUS BENITES DANDO PALPITE SOBRE DUNS SCOT | Parte I

¶1Hoje a gente tá aqui com um vídeo do Benit chamado como Dan Escotos salvou a filosofia. Carlos Dan Scott salvou a filosofia. >> Ele tem grandes contribuições, né? Mas depende do que ele entende por salvar a filosofia. É, para ele é salvar a filosofia, porque foi através dele que a gente tem aí a eh o ateísmo, secularismo.

¶2Ele bebeu da tese do pecado original da filosofia e vai nos brindar com esse vídeo hoje. Você já assistiu esse vídeo? Não, não assisti. >> Então vamos ter esse desprazer juntos agora aqui. >> Quando pensamos na origem da ciência moderna e do empirismo, a ideia de que o nosso conhecimento vem da experiência e da observação das coisas no mundo, costumamos olhar para nomes como John Lock ou David Hilm.

¶3Mas se formos mais longe, podemos traçar essa virada intelectual começando séculos antes. O nome dele era João Dans Escotos. >> Eu, Carlos, nessa pequena introduçãozinha assim, né? Se a gente fosse pensar que o conhecimento vem da experiência, não é com Bacon, não é com Hum, o pai da criança é Dan Scott. Aí >> pior, >> eu acho [limpando a garganta] que ele deveria ler Aristóteles, né?

¶4Porque Aristóteles, que é quem diz >> exato >> no Theanimo que o conhecimento começa nos sentidos. Não há nada no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos. É o da Jordo estratélico, na verdade. >> Pois é. Ele tá basicamente pegando aí, ele tá confundindo com todos os peripatéticos, basicamente n >> Contudo, não podemos ser anacrônicos e ignorar que Escodos era um homem do seu tempo, um escolástico franciscano.

¶5Ele não queria abrir caminho para o pensamento moderno, muito menos o naturalismo. Ele tentava apenas garantir o rigor lógico do pensamento. O que ele talvez não previsse era o efeito dominó que sua filosofia desencadearia. >> Frei, estou confuso. >> Na aula de hoje, veremos.

¶6>> Frei, estou confus, eu gostei muito desse trechinho do filme assim. Frei, estou confuso. Você também, Benit? >> Como que esse monge franciscano, do qual sabemos muito pouco, deu o primeiro golpe na metafísica clássica? Dentre outras coisas, ele abriu as portas para que Guilherme de Oakhan levasse essa lógica até o limite com o nominalismo.

¶7>> Aí, ó, tô dizendo, Carlos, é a teoria do pecado original. É dan Scott que gera que gera Lutero, que gera modernidade, que gera o ateísmo, que gera a parada gay. É assim, é sempre assim, entendeu? >> Não, mas pera aí. Ele falou que dá um golpe aonde?

¶8na filosofia qual moderna falou na na clássica. >> Deixa eu ver aqui. >> Muito pouco. Deu o primeiro golpe na metafísica clássica. >> Deu um primeiro golpe na metafísica clássica.

¶9Aí, ó, um dos pais dela assim praticamente, né? O desenvolvedores assim, né? >> Exato. Ele pretende manter a filosofia clássica, né? Ele mantém, aliás, por séculos, a filosofia dele mantém.

¶10>> Exato. Pô, uma das maiores escolas que foi mais popular em quase toda a idade média, Dan Scot, filosofia clássica, filho. >> Dentre outras coisas, ele abriu as portas para que Guilherme de Oakhan levasse essa lógica até o limite com o nominalismo. A tese de que os universais são apenas nomes e que só os indivíduos concretos existem. Quando você elimina as essências abstratas e coloca a realidade nos objetos individuais, a única forma de conhecer o mundo passa a ser olhar diretamente para ele.

¶11>> Aí, ó. Aí, ó, Carlos, pera aí. V, v, vamos, vamos ver. Peraí, rapidinho. Tem um pessoal comentando aqui.

¶12Deixa eu colocar alguns comentários aqui. Pera aí. Aqui, ó. Vimos tipo 13 segundos de vídeos e já estou tremendo. Exatamente.

¶13Ele, ele vai desenvolver mais essa coisa dos universais. Eu quero que vocês vejam o que que ele vai dizer. Vamos lá. Benites andou assistindo aos vídeos do Nuguet. Exato.

¶14Ô, mas vamos ver aqui quem que Bora. A gente vai fazer uma, se eu pudesse, se eu conseguisse fazer enquete, a gente ia voltar aqui. Quem que foi que palpou mais sobre escotas? O Nuguê ou Benites? Bora ver até o final aqui.

¶15Vamos lá. >> Venha entender como que Dans Escotos pôs em marcha as engrenagens da filosofia moderna e do empirismo. Do que que a gente vai falar na aula de hoje? Vamos falar da ontologia escotista que abriu o caminho para o nominalismo e para a modernidade. Por isso que eu coloquei aí as setas do escoto passando para o Okam e do Okam pro racionalismo e pro empirismo, né, Decart e Hilm.

¶16E colocam muito na conta do Dan Scott também o protestantismo, né? Vários católicos. >> E ó, ó Carlos, Dan Scott, na verdade tá do meu lado, tá? Você é católico, mas o Scot é o pai do protestantismo, tá? protestante.

¶17>> Ele é protestante, >> potencial protestante. >> Protestou contra tudo da época dele, entendeu? Por isso que tá entrando em modernidade. Vamos lá. >> Reclamam.

¶18Dizem que foi o aí que começou o grande erro da filosofia da tradição ocidental. Bom, um comentador diz que o Scotus propriamente é o primeiro filósofo moderno, que o secularismo e o protestantismo teria vindo da sua doutrina da universidade doente. A gente vai ver o que que é isso. Não se preocupe com esses termos. Essa vai ser uma aula densa de metafísica.

¶19Então, as coisas vão ficar abstratas, é impossível não ficar, mas fique comigo porque vale a pena conhecer a origem das ideias, a história das ideias e a tea de influências que trouxe você até aqui, basicamente. Então, além disso, eu já gostaria de recomendar esse livro aqui, que é a tradução do compêendio de Cambridge sobre Duns Scott, que é organizado pelo Thomas Williams e que tem vários artigos interessantes, além de uma breve biografia dele, né, e contendo trechos de obras dele, é um autor muito pouco traduzido, assim, é difícil de encontrar traduções das suas obras pro português. E esses artigos são muito bons para compreender o seu pensamento, até porque é um filósofo difícil de ler, mais difícil que Tomás Jaquino. Então, se você tá acostumado a ler o Tomás Jaquino, é sua referência de filosofia medieval, você vai ver que é diferente da suma teológica. Ele não tá fazendo nenhuma suma, ele tá escrevendo obras mais sistemáticas, mais densas, não não tão resumidas.

¶20E >> é, eu eu acho esquisito ele dizer que assim, a Suma teológica é super sistemática, na verdade, ela é super sistemática. Não, não acho que tem uma equiparação aqui de dizer: "Ah, o D Scot é mais sistemático do que Tomás Jaquino, só pelo fato dele ser mais difícil." Na verdade é Dan Scott, ele tá fazendo a mesma coisa que Santomas. Ele comenta, Aristóteles, ele comenta, tem vários comentários dele, a a Pedro Lombardo, ou seja, ele com exceção da suma, ele faz a mesma coisa que são Tomás de Aquina. Ele comenta os mesmos autores, influências parecidas, ele conhece pelo menos as influências de São Tomás. Eh, tem uma, ele, na verdade, tem um escolástico que influencia bastante ele, que é o Sambôaventura.

¶21>> Uhum. Tirando a teológica, que é uma obra, é claro, de introdução a a teologia mais é sistemática, como você disse, ele faz exatamente a mesma coisa que são tomáquina. É, então, exato. É um comentário super estranho se ele tentar ficar fazendo esse contraste. Tô dizendo, não faz sentido.

¶22E justamente pegar o caso da Suma teológica, né, como você falou, era um livro para ser em tese didático assim, né, para as pessoas conhecerem, né? Eh, e comparar isso com a sistematicidade dos cotos e a dificuldade, sabe? Ai, tudo tá tudo estranho aqui que ele falou. Porque dependendo do livro que você lê, se você pegar, por exemplo, as questões disputadas sobre a potência de Deus, é uma bibliografia tão difícil quanto as obras de escoto. Na verdade, ali são Tomás Jaquino, ele é muito muito difícil, não é fácil de ler.

¶23Então essa existe que por conta da sua teológica, eh se criou essa mitologia de que São Tomás é um autor muito fácil, muito claro. Se ele fosse tão claro assim, >> Uhum. >> pelo menos na na doutrina, por exemplo, vamos pegar aqui as doutrinas centrais do tomismo. Na analogia existem quantas interpretações? Na doutrina do ser existem quantas interpretações?

¶24Na doutrina sobre a essência? Quantas interpretações? Várias. Várias interpretações. Por quê?

¶25Porque na verdade a tem alguns textos deles que são truncados, são difíceis, igual os escoto. >> Exato. Eu tô aqui com, por exemplo, aqui, ó, que eu recebi da Logos, né, os opúsculos filosóficos aqui. E eles compilaram aqui, olha, sobre o ente a essência, os princípios da natureza, da eternidade do mundo, da unidade do intelecto contra os averroístas, sobre os anjos ou sobre as substâncias separadas. Cada um desses opúsculos aqui tem dificuldades variadas e não é tão fácil assim de ler, sabe?

¶26Mas ele é como você falou, né? Ele meio que toma como amostra assuma teológica, que era um livro para ser realmente didático, né, para estudantes inclusive iniciantes. Mas enfim, >> eu também quero recomendar a história da filosofia do Giovan Reali, o volume um, que tem a parte da filosofia antiga e filosofia medieval, né? Então tem umas 10, 15 páginas sobre o Dons Esotos aqui, eh, que eu usei bastante. >> É, eu, eu sempre recomendo Giovan Reali para iniciantes, mas vale sempre dizer que tem vários erros, tá?

¶27Tem vários erros na história da filosofia dele. Evidentemente, quando você pega um autor que faz um trabalho tão abrangente, né, de tentar comentar todos os autores, vai sair uma coisa ou outra assim meio distorcida. Apesar de eu achar o Giovan Reali competente, especialmente por causa de Platão, né? Ele é muito mais o comentarista de Platão, né, que é a especialidade dele, né? Então, os links estão aqui na descrição, caso você queira adquirir.

¶28Eu não vou falar sobre a biografia dele agora, eu acho que é mais interessante a gente ir direto pro que importa, né? Outro comentador que tá aqui nesse compend de Cambridge, publicado no Brasil pela editora Ideias e Letras, o Peter King, né, no seu artigo Scotus sobre metafísica vai dizer que Scotos sustenta a haver exatamente três ciências teoréticas reais perseguidas por si mesmas, que estão abertas a nós na nossa vida presente. A metafísica, a matemática e a física. Você vai ver que o escotos compreende a teologia de um jeito completamente diferente do que era o padrão na escolástica ou pelo menos no período que ele tá escrevendo, Dans Scot, Dans Escoto, como você preferir falar. Vou falar dan escotos.

¶29Eu tô botando aqui na tela para vocês as grandes obras dele. Eh, o principal que a gente vai falar hoje é essa ordinácio, que é a revisão e ampliação das suas préeleções em Oxford sobre as sentenças de Pedro Lombardo. Essas sentenças de Pedro Lombardo vão ser comentadas por basicamente todo mundo nesse período, porque a dissertação, digamos assim, eh a a tese de um estudante de filosofia nas universidades da época, eh a gente tá falando do começo das universidades, né? era justamente fazer comentários a essas sentenças então do Pedro Lombardo. Então, cada filósofo vai ter a sua, é muito interessante.

¶30Eh, e é nela que se encontram as formulações mais maduras das grandes doutrinas influentes do Scotos, né, que é a Universidade do CF e a e cidade, né? Eu quero só fazer um comentário para não ficar uma má impressão para as pessoas com esse comentário dele que ele falou, ele tentou fazer uma analogia assim, sei lá, pode ter sido só por didatismo, não sei, mas é que como na Idade Média, assim como a gente tem hoje nas universidades que as pessoas fazem teses, aí havia também uma tese que eles faziam, acho que ele falou alguma coisa assim, né, sobre as sentencias, mas não, eles comentavam todos os quatro livros das sentencias, né? Então não era assim, ah, vou pegar uma tese, vou fazer um artigo sobre as teses de Pedro Lombardo, né? Na verdade eles comentavam tudo, né? Era um começo assim e era para teologia, né?

¶31Acho que ele comentou assim pros filósofos, mas era especialmente quanto ao curso de teologia, né? >> É em relação à ciências teoréticas que ele colocou ali, mas foi matemática, exatamente as mesmas ciências teoréticas que são Tomás elenca, com exceção da teologia. Mas assim, quer dizer, para a exceção do caso aqui é a visão de escoto em relação ao a questão especulativa da da teologia, se é ciência ou se ou se não é. Eh, mas não existem grandes diferenças porque até até porque na época de escot outros autores, inclusive alunos de Tomás Jaquino, tinham uma concepção de que a teologia não era ciência. E será que esses alunos também são também abriram as portas paraa modernidade?

¶32>> Pois é, né? >> Era uma posição extremamente comum não considerar a teologia uma ciência. >> A gente vai explicar o que que é isso. E a doutrina do voluntarismo, que é a parte mais fraca da sua filosofia. E tem essas outras obras.

¶33Eh, a o tratado sobre o primeiro princípio é uma das mais populares, que é a sua argumentação para a existência de Deus, como se fosse a via escotista, digamos assim. Eh, a gente vai falar sobre ela. Enfim, vamos avançar. Então, eu tava falando sobre essa delimitação rigorosa dos âmbitos de estudo. Para o escotos, a filosofia, que ele entende a metafísica, né, como eu disse antes, metafísica, matemática e lógica.

¶34Então, a filosofia metafísica se preocupa eh com ente enquanto ente, de tudo que a ele é redutível ou dele dedutível ou ser enquanto ser. Se você quiser falar dessa forma, dá no mesmo. Já a teologia, que não é ciência, trata da fé. Então, a primeira, >> eu sei o que que você vai comentar, mas ó, ele já pareceu ter colocado a filosofia aqui, né? A metafísica, a física e a matemática com uma coisa só, tratando do ente quanto ente, né?

¶35Já tá errado aí, mas eu sei que você vai falar outro. Pode falar, Carlos. >> No século XI já havia se introduzido, especialmente entre os teólogos, essa terminologia, esse nome ENS, essa palavra, né? >> Sim. E ela não significa ser, ela não é um correlato exato de ser.

¶36Na verdade, é uma palavra complexa ou plexa, né? >> Uhum. >> Ou seja, na verdade o ente um conjunto de ser e essência. >> Uhum. >> Não é só ser nem só essência, as duas coisas.

¶37Então o ente ele não abarca apenas o ser porque o ser não esgota tudo aquilo que é. Existe o âmbito da essência. E aí que a palavra entra como uma essa palavra que captura essas duas realidades, uma realidade meio que combina nome e ação, né? Pelo menos assim na parte, né? >> Exato.

¶38>> Mas é, então, e aí ele tá falando aqui, ó, já a teologia para danza Scot não é ciência, mas tem nuances sobre isso daqui, né? Porque na Ordinácio ele fala sobre isso, né? Na ideia de de como consideração científica, né? Eh, >> sim. Então assim, tá é tudo estranho esse comentário do Benit aqui.

¶39>> Primeira por demonstração e a segunda por persuasão >> aqui, ó. Carlos, a meta, como é que é? A metafísica opera por demonstração e a a teologia por persuasão. >> Eh, com ente enquanto ente de tudo que a ele é redutível ou dele dedutível. >> Deixa até eu colocar esse trecho de novo que eu queria ouvir o que que ele tinha falado direito.

¶40>> Como eu disse antes, metafísica, matemática e lógica, que ele entende a metafísica. a gente vai falar sobre ela. >> Enfim, vamos avançar. >> Então, eu tava falando sobre essa delimitação rigorosa dos âmbitos de estudo para o escootos, a filosofia que ele entende a metafísica, né, como eu disse antes, metafísica, matemática e lógica. Então, a, >> ó, viu, ele falou assim, a filosofia, então para ele, a filosofia é metafísica, matemática é lógica, né?

¶41Ou seja, não é só metafísica, apesar de ele ter colocado aqui entre parênteses, metafísica se preocupa do ente enquanto ente. Ué, mas eh a matemática não é o ente enquanto o ente. A gente tá falando aqui da metafísica. Realmente só a metafísica é o ente quanto o ente, mas as outras delimitam de outra forma o seu objeto de estudo, né? Ela, Exato.

¶42Eh, a lógica vai ter um objeto de estudo diferente da concepção de som dos tomistas, que é eh as as segundas intenções do intelecto, né? Para escuto, o objeto formal da metafísica é o raciocim ou o silogismo, que é a terceira operação do intelecto, porque ele entende que a perfeição da ciência está no seu e, portanto, o silogismo é aquilo pelo qual as outras operações, as outras duas operações lógicas tendem. Então, eh, ela é de fato o silogismo em si o objeto formal da lógica. você tem a filosofia da natureza que compreende os tratados eh de física de Aristóteles. E aí entra a física, mas tem outros livros de física e tem, por exemplo, sobre o céu, também é física, tem o da geração e da corrupção, que também entra nesse escopo.

¶43E aí para escuto, o objeto dessa ciência não é o mesmo objeto que é para São Tomás de Jaquino, porque por exemplo, ah, para escoto vai ser o corpo natural. Santo Tomás vai argumentar que é o ente enquanto móvel, né? Então é são alguns são algumas coisas que ele deveria ter colocado aí, não é só matemática, eh lógica e metafísica. Exato. >> Filosofia metafísica se preocupa eh com ente enquanto ente, de tudo que a ele é redutível ou dele dedutível ou ser enquanto ser.

¶44Se você quiser falar dessa forma, dá no mesmo. Já a teologia, que não é ciência, trata da fé. Então, a primeira opera por demonstração e a segunda por persuasão. O escotos acreditava que para você salvar sua alma, a fé é algo completamente diferente do conhecimento filosófico. E você pode ser persuadido, né?

¶45Você pode eh ouvir a retórica de de um pregador, digamos assim, e ser persuadido a a seguir determinada doutrina, seguir determinada prática. O escotos era um franciscano e isso vai ser algo muito bem quisto dentro da doutrina franciscana, né? essa sua parte eh da vontade como uma potência superior ao intelecto. A gente vai falar sobre isso, >> mano. Que salada isso aqui porque para poder ser salvar a sua alma é que tem essa ideia de que a fé é um conhecimento diferente.

¶46Ai, vai entender, vai entender. É mete, já mete voluntarismo no meio também e joga. É, mas que salada maluca foi essa daqui. Nem sei se ele entendeu o que que ele mesmo falou aqui. Passo que o Tomás Jaquino é muito eh, digamos assim, aristotélico, ele filosofa muito a teologia.

¶47Eh, o Dans Scotus, ele vai fazer uma separação radical, né? Eh, então não tem muito aquela ideia de que a filosofia te leva até um lugar e depois a teologia toma conta e segue a partir daí, né? Como a gente tem no Tomás dequino, a gente não tem a ideia do da analogia. O Dan Scots vai rejeitar analogia do ser. A gente vai falar sobre isso.

¶48>> Oh meu Deus. Ele é que tem que se se ele se se ele, por exemplo, ol buscar assim histórias da filosofia assim, já ela já comenta que que em escoto existe sim uma espécie de de analogia doente. Aliás, o grande autor que o autor como se comunica que é Henrique Gigante, ele tinha uma doutrina doutrina analógica a qual o Scot se contrapõe com a universidade, mas isso não significa que ele não possuísse nenhum tipo de teoria analógica também, né? Coisa que o mastero vai trabalhar, vai sistematizar melhor. Mas sim, escoto também possui uma analogia do antes.

¶49Dentro da universidade existem graus de analogia, né? Só que aí o Benites ele pega, sei lá, eu não sei nem de o que que ele usou para fundamentar isso aqui. Ele ele vai falando, ele vai falando, por exemplo, assim, ah, que eh como é que é que Danz Scott é menos aristotélico, que Tomás Jaquino é aristotélico, que consegue articular as coisas com razão. Dan Scott é só retórica, ou seja, na fé é tudo retórica, não tem essa etapa de a razão auxiliar para depois a teologia conduzir. É uma salada muito louca, assim, não faz o menor sentido isso.

¶50Às vezes o Scot usa sempre a razão super sistemático. Seria assim, seria o maior teólogo da história. >> Exatamente. Exatamente. Que a teologia para Dan Scot é retórica, é persuasão, não tem não tem raciocínio, né?

¶51Não tem demonstração, não tem nada assim, né? >> Então vamos lá. A universidade doente, ele tá falando de uma simplicidade irredutível de todos os conceitos complexos. Todo conceito é unívoco. O primeiro é o ente, tudo que existe de algum modo.

¶52Ente é tudo que existe de algum modo. Eu sou um. Esse copo é um ente. A água é um ente. Deus é um ente.

¶53Mas tem uma diferença que não é uma diferença como Tomás Jaquino entendia a diferença. A gente vai falar sobre isso. Que Deus é o ente enquanto ente ou o ser enquanto ser. Então o ente perí vamos. >> O unívoco é o primeiro objeto do intelecto.

¶54Pro dans escotos. do nosso intelecto, ele foi feito para compreender tudo que pode ser compreendido, tudo que existe. Mas ele é um cristão, ele acredita nas escrituras bíblicas, então ele entende que o ser humano está numa posição decaída. O ser humano, ele é imperfeito, ele ele ele vai ter dificuldade para aprender as verdades. Então, o intelecto, na condição humana atual, decaída, material, imperfeita, é obrigado a seguir o processo de abstração.

¶55>> Olha só, isso aqui me chamou atenção. Na condição humana atual, seja decaída, né, por causa do pecado e tal, o intelecto humano é obrigado a seguir o processo de abstração. Olha, Carlos, foi por causa do pecado que a gente tem esse tipo de de gnoteologia, né? Na verdade, o que ele quer dizer é o seguinte. Ele ele é porque, enfim, é claramente uma pessoa que não tem um domínio do que tá falando.

¶56O que para escoto é é na verdade é um fruto inclusive do pecado, não da condição exatamente humana, mas do pecado que ocasionou uma condição humana diferente do estado original. é que, por exemplo, antes da queda não havia não um processo de abstração. A questão é que não havia a conversão dos fantasmas. É essa a tese escutista. >> Sim.

¶57>> Não havia o processo de conversão dos fantasmas. Então, eh, de alguma forma a nossa, a direção do nosso intelecto ao singular era muito mais imediata, era de uma forma muito mais intuitiva, mas com a queda, a queda coloca como imposição esse essa necessidade do do intelecto retornar sobre sobre si mesmo, seus conceitos abstraídos e então de alguma forma conhecer o singular, né? E aí eu não vou entrar em detalh sobre a doutrina do conhecimento do singular em escoto, mas tá errado já essa explicação dele em relação ao processo de abstração. E haveria processo de abstração em qualquer estado humano. >> Uhum.

¶58ele confunde eh a aquela aquela questão controversa entre tomistas e escutistas sobre o primo cognitum, o primeiro objeto do intelecto, eh, que é uma questão extremamente complexa e não é tão fácil de existem oposições que tentam aproximar Tomás Jaquino com escuto, ou seja, dizer que escoto defende a mesma posição do S. Tomás, tem posições que separam o escultá. Eh, por exemplo, o carradel Caetano no seu opúsculo, comentando o opúsculo, né, a a o dente Santo Tomás, ele vai dizer, ele vai contrastar a opinião dele com a opinião de Antônio Trombeta, que era um grandeista de Pádua. Ele vai dizer que para a trombeta, isso é fácil, é isso é fácil, é fato, né? para a trombeta, o primeiro objeto do intelecto, não é que é o ente, mas é a espécie especialíssima, que não é o eh, enquanto para os tomistas seria a cuididade sensível ou a coisa concretada nas na nas essências, né, materiais, né, para escuto seria espécie especialíssima.

¶59E aí existe outra outra questão que tá sendo confundida aqui, possivelmente a origem da confusão, que é outra coisa, o objeto adequado do intelecto, eh, que é o ente de fato para este escuto. É, >> na verdade tem uma outra confusão também, porque quando a gente fala também do objeto da metafísica que é o ente enquanto ser, aí ele fala assim: "Para escoto, Deus é o ente enquanto ser". Uma coisa assim, não é? alguma coisa assim que ele falou, disse isso de Santo Tomás, que escoto que para escoto eh existe uma diferença em relação a Tomás dequina. A diferença é que, por exemplo, eh, para São Tomás o Deus é o ser enquanto ser.

¶60>> É, né? >> Para escoto também. >> Pois é, >> tem que lembrar que para escoto também. >> Pois é. E entra outra questão que ele não estudou, que é a questão do constitutivo formal da essência divina, que aí entra nesse detalhe do ser ele enquanto ser ou do ser por si mesmo, né, ou ser subsistente, etc.

¶61Vamos ver então quais são as grandes diferenças com relação a Tomás Jaquino. Para Tomás Jaquino, o termo ser aplicado a Deus e às criaturas não é nem estritamente unívoco. O significado não é idêntico, nem puramente equívoco, nem é totalmente diferente e sem relação. O ser é predicado de forma analógica. Então, quando a gente fala de Deus, por mais jaquino, a gente tá falando de por analogia.

¶62Eh, nessa discussão tem muito aquela ideia também da da eh teologia apofática, né, de que você fala sobre Deus por negação. Nós somos limitados, Deus, portanto, não é limitado, né? Eh, nós somos materiais, Deus não é material. Enfim, contra Tomás Jaquino, Escotos sustenta que o termo é unívoco e que não há diferença entre ente e a essência. Você deve talvez ter ouvido falar no grande tratado, assim, não é um tratado grande, mas é influente do Tomás Jaquino, ente e a Essência, que é uma obra menor, uma obra de juventude, mas ele faz uma diferenciação que não existe pro escotos.

¶63A gente vai ver porquê, mas antes vamos falar do argumento do escotos para Deus. >> O ente do esse na verdade é um opúsculo, né? Não é um tratado, né? Que Tomás Jaquino faz, não é um é realmente pequeno comparado a um tratado como a sua teológica ou coisa assim, né? Vamos ver que ele vai falar assim agora.

¶64O argumento de esco para Deus. Isso aqui eu acho que é vai ser interessante. Vamos ver o que que ele fala aqui. >> É que a grande diferença introduzida por Tomás Jaquino nesse opúsculo de ente essência é que as coisas são compostas de ente essência, coisa que escoto também vai aceitar. >> Uhum.

¶65Perfeito. Aí ele tava falando isso como uma tese demarcatória ali, né? Ele vai rejeitar as cinco vias de Tomás de Aquino, assim como ele vai rejeitar o argumento ontológico de Anselmo. O argumento ontológico de Anselmo é a priori, é um argumento via intuição, é um argumento que você vai basicamente deduzindo, eh, só preciso da razão. E os argumentos do Tomás Jaquino, eles são a posterior, então eles partem da experiência, eles partem do mundo sensível, né?

¶66Mas o Dan escotos vai rejeitar isso também. Por quê? Porque para ele as coisas do mundo sensível são contingentes. O que que significa ser contingente? Metafísica básica.

¶67Algo ser contingente como esse copo é ele poder não existir, né? Aí você volta lá pro Aristóteles, pra sua teoria das quatro causas. Eh, qual é a causa eficiente desse copo? Quem fez esse copo, né? Foi a fábrica, o robô da fábrica programado pelo engenheiro ou sei lá quem, né?

¶68qual é a causa eficiente desse vídeo, né? Eu tê-lo produzido. Enfim, e tem as outras causas, a causa final, a causa formal e a causa material. As coisas contingentes, elas têm causas anteriores que explicam a sua existência. Elas poderiam não ter existido.

¶69Então, a vasta maioria das coisas são coisas contingentes. Mas assim, eu tô falando aqui dentro da metafísica escoltica escotista, não tô falando nesse momento do que eu penso, tá? É, então o escotos, ele diria que essas coisas contingentes, elas não podem levar a ter algo necessário, como o Tomás Jaquino acreditava. Em vez disso, o escotos vai pela necessidade da possibilidade da existência, cuja única causa pode ser Deus. Como assim, Mateus?

¶70Que história é essa de possibilidades? Vai ficando cada vez mais complexo? Então, uma das grandes influências do Dans Escotos é justamente pensar em termos modais. Quando eu falo modal, eu tô falando em possibilidades. Então, ele tá introduzindo nessa discussão ou popularizando nessa discussão a questão sobre possibilidades de ser.

¶71Ele vai influenciar o Libnis, que vai falar depois na teodiceia, vai usar a lógica modal para falar sobre porque Deus não é a origem do mal, né? Porque esse é o melhor dos mundos possíveis e depois vai ser satirizado pelo Voltaire. Mas depois na filosofia analítica atual a gente fala de lógica modal o tempo todo. O filósofos muito influentes contemporâneos, Cripic e Name and Necessity, ele basicamente vai eh fazer algo que é semelhante ao que o Scotos tá falando ali, fazendo ali naquele contexto do nosso contexto, que é popularizar a lógica dos mundos possíveis. O Planting também vai fazer isso, que é um filósofo teísta da filosofia analítica.

¶72Então o argumento do escotos é a priori como do Anselmo, só que é bem diferente. >> É, não faz a menor sentido dizer que é a priori, né? Escotos, ele também dá exemplos empíricos e, enfim, na verdade tem toda aquela discussão se ele tem uma prova simultânea, né? O que que é de fato que ele faz no tratado do primeiro princípio, mas eh se ele tivesse fazendo uma argumentação a priori, seria de fato com Anselma. Ele parte do mero conceito da coisa e aí vai derivando algo, né?

¶73Não, poucos autores pensaram que escoto procedia da mesma forma que são Tomás, tá? Isso aí, primeira coisa, especialmente a bibliografia mais recente em relação a esse assunto, tende a pensar que escuto na verdade não proceder de uma forma tão distinta eh como eh em relação a santino, por exemplo, de alguma forma não apelar a a a algo da experiência, porque a sua demonstração ela precisa de alguma forma se voltar paraa experiência, né? Existem esotistas que pensaram, e eu penso como eles, que escoto ele fez de certa forma uma espécie nova de demonstração, porque de fato ele diz no tratado acerca do primeiro princípio que a sua demonstração é parecida com de Anselmo, porém ele procede de uma forma diferente em relação a Santselmo, que ele não parte simplesmente da da concepção de um conceito, da possibilidade de concepção de um conceito, por exemplo, de Deus ou não. ele vai por outro caminho até chegar, aí ele parte do possível, aí ele chega no necessário, que é uma nova forma de entender eh esse tipo de demonstração. Então, colocar simplesmente a priori e a posteriori não simplesmente não.

¶74Até porque existem demonstrações de filósofos contemporâneos a esses filósofos que que não é a posterior e nem a priori. Eu cito aqui, por exemplo, a demonstração por equiparação do Lúlio, que não é nem a priori, nem a posteriori. Tá uma confusão toda. Deixa eu ver o que o pessoal tá falando aqui, ó. Eu não entendo porque falam tanto de filosofia.

¶75Quando eu era do escotismo, nós nos preocupávamos em ensinar cidadania, valores e princípios para os meninos escoteiros. >> Muito bom. Tô falando aqui que mais? Mateus palpites. É, esse vídeo todo tá uma palpitaria só.

¶76Como que como que pode alguém vir na internet falar sobre algo que ele definitivamente não sabe? Quem foi que normalizou uma coisa dessas? É, na verdade, o canal do Mateus Benites é praticamente isso, né? Deixa eu ver aqui. Só ver o chileno lá.

¶77Exato. Se sente muito empoado para falar uma coisa que não domina, né? Escotos, o verdadeiro criador da lógica modal no século XI, diga-se de passagem. É, então ele também mencionou aqui quase como se o escoto fosse o inventor dessa coisa, né, de ser algo ser contingente, algo ser modal, de algo ser necessário, como se Tomás Jaquila não tivesse ali na uma terceira via que falasse justamente sobre isso, né? Uma prova em que se parte da contingência também, né?

¶78>> Inclusive, ia dá até um pouco de raiva como as pessoas menosprezam o caráter modal da terceira vi. Ele de fala, na verdade, de contingência e e necessidade em termos de moda também. Exato. >> Afinal de contas, existe uma lógica modal em Aristóteles, n logística aristotélica. >> Isso, pior que o Benites fala com árias da autoridade intelectual.

¶79Pois é, mas vamos lá. Tem ainda tem essa autoridade ainda vai dar muitos argumentos aqui.