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Lula não cresce nas pesquisas apesar de aumento do Bolsa Família

¶1Mas é é um julgamento sobre o governo do dia. O eleitor é chamado a avaliar o governo do dia, né? Eh, então você acaba falando mais, né? Geralmente você acaba falando mais dos méritos ou deméritos de quem tá lado e do quem não tá, mas o incumbente tem uma vantagem, ele tem a desvantagem do desgaste, mas ele tem a vantagem de tá no poder, né? E o poder oferece ele meios, né?

¶2né? E e no Brasil, imagino que em outros lugares também, eh, a injeção de dinheiro na economia tem sido sempre no último ano, né, da reeleição ou da eleição, enfim, do de um outro candidato, um meio de você conseguir desequilibrar um pouco a balança, né, que foi exatamente que Bolsonaro fez, enfim, que a Dilma fez, enfim, todo mundo faz, né? Isso não é, é monopólio de ninguém, né? Mas isso não aconteceu com o Lula, né? Eu não sou economista, é difícil saber exatamente o que que foi que aconteceu ali.

¶3E foi isso também que fez com que na semana passada se anunciasse esse reajuste do Bolsa Família, que é justamente para ver se você levanta aí 1%, 2%, sei lá, se se mexe, se você faz, dá uma injeção de ânimo nesse nesse eleitor desanimado, né? Eh, então por conta disso, eh, não aconteceu o que eu estava achando que ia acontecer, que até que ter uma gordura maior e foi acontecendo exatamente o contrário. Foi o pessoal que não queria votar no Flávio, que não vendo outra alternativa resolveu começar a querer a a a votar. Isso explica porque que ele sobe, né? E explica também a petrificação, a petrificação do Lula.

¶4O Lula cometeu um erro eh grave que eu acho que isso tem a ver, que isso acontece em geral em regimes que estão sendo empedrados por parte das pessoas que tão eh que representam o establishment, né, que é uma atitude eh eh de rotina. Você tá habituado a jogar um certo tipo de jogo, você aposta daquele tipo de jogo. Quanto eh mais experiente, mas também mais mais velho, sem etarismo, mais cansado, você também confia no teu taco, você adquire autoconfiança, você fica meio aborrecido da da dos outros, você acha que ninguém tá à sua altura. E no caso do Lula, isso é natural, porque ele é um sujeito extraordinário, que sabe que é extraordinário e já falou aqui do do lugar dele na história do Brasil. né?

¶5E aí você acaba se mexendo pouco e o estoque de ideias também vai diminuindo, reduzem as pessoas em volta que são capazes de dar novas ideias, entendeu? Eh, eu costumo sempre repetir isso aqui. Eu sempre fico, como eu a gente, né, gosta de história, eu gosto de história. A gente fica vendo análise de queda do império, a gente fica vendo análise de queda da primeira república, que eu acho que são as melhores comparações, porque são regimes que tiveram início, meio e fim. a gente consegue ver a crise, por exemplo, na terceira república a gente não consegue ver crise.

¶6Foi crise de 51 até 64, entendeu? Não tem, não teve, não teve estabilidade, né? Mas a gente consegue ver no >> teve um governo Fernando Henrique, né? >> É porque o governo é >> o governo Fernando Henrique, governo Campos Sares, que são os governos que estabilizam. É, não, não, mas assim, o governo Lula um e dois, assim, por exemplo, eu acho que o governo um idoso do Lula foi o apogema do negócio, foi entusiasmo assim, por exemplo, o Lula 2 foi uma espécie de governo JK, >> é >> petróleo, Brasil que decola sei.

¶7Era, era uma coisa, inclusive na, inclusive na, na corrupção, entendeu? Era uma sensação de que você ia faz uma E aí alguém faz uma obra para embelezar o Rio de Janeiro, né? >> Sim. E ainda qu anos tenta um golpe de estado, o colapso na economia, tem uma roubalheira, a economia vai pro belel, entendeu? E aí você tem eh o que aconteceu.

¶8Então, eh eu acho que não tem dúvida nenhuma de que o o nosso regime tem ali uma curva também, gente. Os regimes são orgânicos também. Eles nascem, crescem, desenvolvem, morrem, conforme as gerações vem andando, conforme eles cumprem eh eh aquilo pro qual eles vieram. Quando a gente olha pro século XX, qual foi o tema do século XX no Brasil de 30 para frente? Foi o desenvolvimento, né?

¶9Depois teve um consenso no começo da globalização de que a gente já tinha desenvolvido que o problema era a desigualdade social. Gente, só no governo do Sarnei outro dia eu lembrei do do lema do governo do Sarnei, tudo pelo social. Perdia do governo Sarnei que era governo conservador, né? Depois você tem do V Fernando Henrique, ninguém não pode, ninguém não fala de de reduzir desigualdade social, seja dando uma ênfase na liberdade, como foi o governo F Henrique, seja dando ênfase na da redução de desigualdade propriamente dita, como foram os governos dos governos do PT, entendeu? E aí que acontece, você começa a ter a sensação de de não representação, tudo bem que isso é uma coisa geral também no mundo, mas vamos ficar focado no PT.

¶10A partir de 2010, 11, 12, começa essa sessão de corrupção, que não é só corrupção de dinheiro, é uma espécie de não representação. O negócio explode em 13. A coisa, a a a direita volta 14 com força, a extrema direita em 15, 16 você tem o impitment da Dilma. E de lá para cá você tem uma uma uma um problema de de de que eu achava que era só uma crise de representação, mas não é porque metade do pessoal que tá aí e, né, ou pelo menos 1/3 do pessoal que dá o to que é bolsonarista, ele não quer regenerar o regime, ele quer botar o regime abaixo. Eu tive outro eh conversando com uma pessoa, enfim, de dentro da política do do Rio de Janeiro que conversa com o setor com com gente que de liderança do do PL, não é?

¶11O que eles estão imaginando agora é eh que a extrema direita no Brasil, que é o PL, é aproveitar a crise do Supremo para ver se passa uma outra constituinte, né? Quer dizer, eh, é legítimo pedir uma constituinte, é inconstitucional, mas é legítimo, né? Mas assim, eu tô querendo dizer que é para acabar com esse regime, é para terminar. Então, o que acontece? O nosso drama é que a gente tem um regime que tá desmilinguindo.

¶12Você fez o o governo Bolsonaro veio para destruir o regime. Houve uma resistência do do regime democrático, mas os bacinos que estão fazendo a decomposição do regime e que não tem a ver com o PT necessariamente só com o PT, porque você olha que o o o desmancho, porque você tinha dois partidos que seguravam o regime e o PSDB colapsou, mas o PT também tá colapsando. O PT tá o PT tá pendurado no Lula. você não tem renovação, você não tem novo estoque de ideias, entenderam? A gente não percebe um pouco isso.

¶13É claro que o PT tem mais organicidade, vende mais de baixo para cima, mas a capacidade da resposta aos problemas, ela tá muito limitada também. Isso, isso contribui para você não conseguir renovar o regime, porque ao invés de você ter um estoque novo de ideias e e dá sentido de comando, dá o sentido de reconstrução, você dá o sentido, não, você tá aderindo ao ao regime. Em vez de você falar em renovação, você fala em restauração ou reconstrução no sentido de construir o que já tinha antes, entendeu? Que e que já tava >> é o mano Brown, né? Eh, já viu o rapper conservador votar no?

¶14O voto conservador é votar no Lula. >> Pois é. Então, o que acontece? Eh, o quem defende a conservação hoje, só que como diria um um revolucionário chamado Edmundo Burker, né, um governo estado que não se dá meios de se de se reformar, tá fadado a perecer. Então, os bacilos continuam, a deterioração continua.

¶15Aí, repito, isso não tem a ver necessariamente com o Lula, isso muito não tem a ver com o PT. Isso é um é uma coisa mais ampla. Você, olha o que que tá acontecendo. Você vê que mesmo durante o governo Bolsonaro, você vê as constantes do governo Bolsonaro e do governo Lula, que é o quê? que é o o que é o centrão, que é a perda de poder do executivo, é a perda da capacidade da direção e o país, é a tentativa de cooptar o judiciário.

¶16O o judiciário, né, a gente tava vendo nos governos passados, ele ele era a cúpula, né, durante a Lava-Jato, o judiciário era a cúpula que ia salvar o país da corrupção, da degeneração do regime. Aí que foi que aconteceu? Você você viu, na verdade, que o a politização do judiciário fez o quê? trouxe a política, no mau sentido da palavra para dentro do Supremo Tribunal Federal, né? Trazer a política significa trazer a corrupção.

¶17As pessoas que estão tentam corromper o Congresso passaram a rodar também o Supremo Tribunal Federal. As pessoas que passaram a ser escolhidas também pro Supremo Tribunal Federal passaram a achar que o cargo delas era ser senador de toga, entendeu? né? Se também se isolaram no alto de uma torre de castelo e começaram a perder a noção do de da diferença entre legitimidade e legalidade quando não da própria legalidade, né? E aí nesse meio tempempo aconteceu o quê?

¶18Também uma vez que você percebe que o Supremo Tribunal Federal é o epicentro do poder, você vai tentar dividir também o Supremo Tribunal Federal do E você botou o o bolsonarismo lá dentro e você passou a ter uma ação bolsonarista lá dentro também. E quem resiste esse negócio que quer, né, quer resistir, que quer segurar o regime, porque também tem poder dentro desse regime. Eu não acho que tem uma ala que é do Lula, você tem a ala que quer manter o status qu, entendeu? Tô discutindo o status qu é bom e ruim. Eu acho que o comparado com, embora comparado com o que o bolsonarismo quer, eu acho que é o status qu é é sempre menos ruim, né?

¶19Então, o que acontece? A gente tá tendo uma espécie de uma de um de um de um um uma doença que parece que vai dando uma uma qual é o nome daquele negócio? Quando quando vai dando vai dando uma metástase, entendeu? E aí a opção é ou você reconstrói esse negócio ou você Isso tem que fazer uma coalizão grande democrática, chamar gente para dentro, ouvir gente com novas ideias e atrair bases novas, entendeu? Eh, ou você ou ele vai acabar de desboronar, né?

¶20Eh, eu acho, né, já tô falando demais, mas assim, eu acho que eh não dá mais para ficar como tá. Você precisa ter um redesenho, você precisa dar o reboot no sistema, não é? Agora, o problema, a opção que tá dada de de desmoronar é a opção representada pela família Bolsonaro, que aí realmente é acabar tudo, é entregar o Brasil para Estados Unidos, é decretar estado de defesa, é não é não apurar absolutamente nada do que tá sendo discutido aí de corrupção no Congresso, né? Porque isso vai ser uma, como eu falei no meu artigo ontem, é uma pizza generalizada, porque o primeiro a ser favorecido no governo eh eh eh é Flávio, é o próprio Flávio e o próprio Vcáo, entendeu? você vai você vai jogar o o o Morais aos leões e o resto vai terminar em pizza, entendeu?

¶21E e você vai ter uma espécie e de um governo autoritário cuja finalidade no do do ponto de vista de quem vai tomar o poder, vai ser simplesmente cooptar judiciário e polícia federal para abafar os próprios escândos e as próprias rbalheiras, que que foi mais ou menos que aconteceu no governo no governo do Jair Bolsonaro, entenderam? Então isso não pode ser opção para para você resolver os problemas do do regime democrático de 88. Isso não é uma opção, isso aí é uma desistência. Isso aí é uma entrega, isso aí é uma capitulação, entende? Então agora, ao mesmo tempo, você precisa que quem tá do outro lado desperte.

¶22Não sei se vai se vai ter que ter o segundo turno para isso, entendeu? Porque você tem boa parte dessas pessoas que estão no centro, que precisam ser atraídas para essa geringonça, precisam ser atraídas para essa para para essa proposta, né? Elas estãoamente estão justamente ressentidas porque não foram não foram chamadas, porque fica esse hegemonismo e fica essa rotina e fica essa certa arrogância eh por parte da da das pessoas que estão em torno do presidente da República e que é e que é candidato, entendeu? E e são essas pessoas, né? Eu oo dizer, eu vi uma crítica à coluna da a uma coluna, acho que da Marilis, né, falando justamente que você precisa pegar esse pessoal, diz assim: "Ah, mas tem escândalo, vai o vato esse esse esse pessoal não conta".

¶23Gente, a a a eleição vai ser decidida por 3% da população. 3 4%. Esses 3 4% são exatamente as pessoas que ficam sujeitas a votarem para lá ou para cá, dependendo do que tá acontecendo na semana, que depende do noticiário. No noticiário político não se fala em outra coisa que não essa crise do STF, né? No meio a gente faz essa cobertura completa, sim, mas vamos além.

¶24Nas edições de sábado de setembro, nosso time foi atrás de quem estuda o Supremo. Entrevistamos alguns dos maiores juristas e pesquisadores do país para analisar essa crise, para explicar essa crise. Não é opinião de mesa de bar, é contexto, é informação. Foi assim com Rubens Gler da FGV Direito SP sobre urgência de uma reforma na corte. tá lá na nossa edição mais recente, mas o STF não pode abafar todo o resto.

¶25Por isso, trouxemos entrevistas e artigos sobre os outros temas que também preocupam o brasileiro nessa eleição, como economia, como educação. A Débora Bizarria, por exemplo, escreveu um artigo comparando os cinco programas de governo na economia. A Priscila Cruz do Todos pela Educação bateu um papo com a gente sobre o que cada presidenciável propõe nesse campo. São os temas que o noticiário do dia a dia deixa passar, mas a gente não. Se você quer acompanhar essa eleição com esse nível de profundidade, qualidade de análise, assina o meio premium e receba a edição de sábado toda semana.

¶26vai fazer diferença para você entender no que tá botando.