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Lula não cresce nas pesquisas apesar de aumento do Bolsa Família

a tese

Trecho de entrevista do Meio (o entrevistado não é nomeado na legenda, mas fala como historiador e colunista da casa) em que ele explica a estagnação de Lula nas pesquisas apesar do reajuste do Bolsa Família e amplia o diagnóstico: não se trata de crise de um governo, e sim de um regime em decomposição, com PSDB colapsado, PT pendurado em Lula e um terço do eleitorado que não quer reformar o sistema, quer derrubá-lo.

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não

É análise conjuntural competente e bem informada, com boas chaves históricas, mas é comentário de eleição com validade curta, sem nada que renda trabalho.

O que foi dito

  • Parte da premissa de que eleição é julgamento do governo do dia e de que o incumbente compensa o desgaste injetando dinheiro na economia no último ano, recurso usado por Dilma e por Bolsonaro, mas que desta vez não produziu o efeito esperado, daí o reajuste do Bolsa Família anunciado na semana anterior para tentar mover um ou dois pontos.
  • Sua leitura do movimento nas pesquisas: quem não queria votar em Flávio Bolsonaro, à falta de alternativa, começou a aderir, o que explica ao mesmo tempo a subida dele e a “petrificação” de Lula.
  • Atribui parte da paralisia ao desgaste natural de quem está há muito tempo no poder: confiança no próprio taco, estoque de ideias reduzido, círculo cada vez menor de gente capaz de trazer novidade, agravado no caso de Lula por ser alguém extraordinário que sabe que é e já fala do próprio lugar na história.
  • Usa comparações históricas explícitas, a queda do Império e a da Primeira República, como regimes com começo, meio e fim, e periodiza: Lula 1 como apogeu, Lula 2 como um governo à moda de JK (petróleo, país que decola, inclusive na corrupção), e a partir de 2010 a crise de representação que explode em 2013, traz a direita em 2014, a extrema direita em 2015 e o impeachment em 2016.
  • Identifica o tema-eixo do século XX brasileiro no desenvolvimento e o do período democrático na desigualdade, lembrando que até o governo conservador de Sarney adotou o lema “tudo pelo social”, e sustenta que o ciclo se esgotou sem que nada novo o substituísse.
  • Relata ter ouvido de lideranças ligadas ao PL no Rio que a estratégia agora é aproveitar a crise do Supremo para tentar emplacar uma nova constituinte, o que ele considera pedido legítimo mas inconstitucional, e cujo sentido real seria encerrar o regime de 88, não reformá-lo.
  • Sobre a judicialização, argumenta que a politização do Judiciário trouxe a política no pior sentido para dentro do STF: quem corrompia o Congresso passou a rodear o Supremo, ministros passaram a se comportar como “senador de toga” e a perder a distinção entre legitimidade e legalidade, e o bolsonarismo, percebendo que ali está o epicentro do poder, foi disputar o tribunal por dentro.
  • Cita Edmund Burke (“o Estado que não se dá meios de se reformar está fadado a perecer”) para dizer que a deterioração continua independentemente de Lula ou do PT, e lembra a frase de Mano Brown de que hoje o voto conservador é votar em Lula, ilustrando que o campo que defende a conservação fala em restauração, não em renovação.
  • Diz que a alternativa representada pela família Bolsonaro não é solução e sim capitulação: entrega aos Estados Unidos, estado de defesa, e sobretudo cooptação do Judiciário e da Polícia Federal para abafar os próprios escândalos, com Moraes jogado aos leões e o resto terminando em pizza, já que os primeiros beneficiados seriam Flávio e Vorcaro.
  • Conclui defendendo uma coalizão democrática ampla que atraia o centro hoje ressentido pelo hegemonismo e pela arrogância do entorno do presidente, e lembra que a eleição será decidida por 3% ou 4% do eleitorado, gente que oscila conforme o noticiário da semana.

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