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Pesquisa BTG/Nexus traz Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no segundo turno | Central Meio

¶1[música] เฮ [música] >> [música] [música] >> เฮ [música] >> [música] [música] >> Olá, boa tarde. Sejam muito bem-vindos. Sejam muito bem-vindas ao Central Meio. Hoje é segunda-feira, 21 de setembro de 2026. Eu sou Pedro Dor e hoje estão aqui comigo o Cristian Lind no Rio de Janeiro e da sua casa em São Paulo, Flávia Tavares, nossa queridíssima editora chefe.

¶2Aprocheguem-se, compadre. Aprocheguem-se. Flávia, >> a Flavinha, como é que tá, Flavinha? tudo bemudo [risadas] >> bem. E vocês?

¶3>> Bem, [choro] >> bem, bem. É uma palavra forte. >> Bem, bem insones. [risadas] >> Isso, exatamente. Estamos, >> eu eu eu não sabia muito o que esperar dessa eleição, mas tá sendo tão intenso quanto a emocionalmente para mim tá sendo tão intenso quanto foi 221.

¶4Eu não sei se para vocês, mas eu acho que pela Eu acho que sim, né? >> De maneiras diferentes. Acho que a gente pode conversar. >> Não, não. São diferentes, são muito diferentes as três eleições, mas emocionalmente para mim tá sendo tão intenso quanto >> Uhum.

¶5>> Não sei. Acho que 22 foi uma barra pesada. >> Porque é que acontece assim, 18 a gente sabia que tinha um tsunami que era uma coisa inevitável que ia acontecer, mas Bolsonaro ainda tinha uma coisa meio de incógnita como ele ia governar. >> Uhum. né?

¶6Tinha muita expectativa, né, de que talvez ele se revelasse outra coisa e que os militares iam fazer isso, que que fazia assado. Tinha tinha uma certo um certo sentimento de fato consumado, né? Tinha uma coisa assim. >> 22 era uma coisa desesperadora. >> 22 a gente sabia que ele tava montando um golpe de estado.

¶7A gente não sabia o que que tava acontecendo dentro do exército. >> Tava no poder. Ele tava no poder montando o golpe de estado. E era aquele desespero, era aquela coisa horrorosa e tal. E a gente não sabia se o autocomando ia embarcar ou não.

¶8>> Exato. >> Eh, depois só depois, aliás, foi essa semana que saiu o o, hein, Flávia, o o livro do Batista Júnior, né? Eu disse não, né? que é o livro em que ele narra isso, eh eh essa coisa do dos dois comandantes, né, do exército e da aeronáutica, eh depondo na frente do Brasil inteiro. Agora o Batista Júnior publicou um livro, o cara que era comandante da Aeronáutica, publicou um livro contando como foi que o presidente da República pressionou a ele e aos seus pares, comandantes das outras duas armas, a a embarcar num golpe de estado.

¶9E você ainda tem uns 40% do Brasil que fica ali, eh, lá vem os caras falando desse papo de golpe de novo. [risadas] Veja, eu não teria problema com essa conversa se a pessoa se virasse, falava: "Não, tinha que dar golpe mesmo, tá tudo bem. [risadas] Estamos discutindo em cima da mesma realidade e temos opiniões muito diversas a respeito do que que é o ideal ou não. Agora, a turma que eh a turma que acha que não houve uma tentativa de golpe, essa me escapa assim, eu não sei o que falar, sabe? Que que você fala, Flávia Tavares?

¶10>> Eu não convivo com as pessoas que pensam isso. Brincadeira. [risadas] Nem eu. Nem eu. Mas, mas essa eleição, essa eleição ela é horrorosa porque a gente tem intervenção americana, tem tudo que a gente já sabe que a gente pode conversar aqui, mas a gente sabe o que que tá em jogo, a gente sabe o que que vai acontecer.

¶11>> Eu quero conversar sobre seu artigo ontem na Folha. >> Ah, tá bom. Vamos lá. Vamos, vamos. >> Mas assim, tem a gente sabe o que que vai acontecer.

¶12a gente sabe o que que tá em jogo. A gente não tem falsa expectativa. A gente sabe que tem um regime que tá que tá meio desmilinguindo. A gente sabe da da mediocridade do PT, das limitações do Lula. a gente sabe que eles não estão à altura do desafio de refazer o regime e a gente sabe também o que que vai vir do outro lado.

¶13É só olhar. A gente sabe pelo histórico do Bolsonaro, pelo histórico do candidato e sabe pelo que tá acontecendo nos países latino-americanos, onde a ultra direita tá assumindo poder debaixo da da supervisão do Marco Rubo. Então assim, isso aí a gente já sabe, não tem aquela coisa do é claro que a gente sempre pode ver é uma desgraça pelada, mas a gente sabe o que que tá vindo, não é uma não é o imponderável, né? É, eu acho [risadas] que tem uma conversa aí pra gente ter, mas deixa eu, deixa eu terminar aqui a, a abertura do programa, mas aí eu quero te responder. Eu quero não, não.

¶14Ali depois quando a gente retomar, eu quero te responder a sério o que você me perguntou sobre o que que eu respondo. >> Então, então assim que eu terminar a escalada a gente começa por você, tá bom? >> Tá bom. A pesquisa BTG Nexus, divulgada hoje confirma um cenário de imparte técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no eventual segundo turno. O presidente lidera com 46% e o senador vem logo atrás com 45%.

¶15Os dois também empatam na rejeição. 50% rejeitam o Flávio e 49% rejeitam Lula. As campanhas tão empacadas. Enquanto isso, o Lula fala na Assembleia Geral da ONU e Flávio é investigado pela Polícia Federal e pela justiça eleitoral por ligações com o advogado Willer Tomás, suspeito de envolvimento com fraudes do INSS. Vamos analisar tudo isso, então fica aqui com a gente, puxa sua cadeira, deixa seu like, se inscreve no canal que o Central Meio tá no ar.

¶16[música] Flávia Tavares. [risadas] >> Oi, meus queridos. É que aquela hora eu respondi de uma maneira jocosa só para brincar e, enfim, descontrair um pouco, mas é óbvio que a gente conversa sim e tenta eh fazer o nosso papel aqui como analista político, tentando trazer, enfim, a gente fez um documentário sobre isso, como é que converso. >> Então assim, não é obviamente foi só uma piada talvez não muito engraçada. Eh, mas o que eu acho, Pedro, e o que é para mim eh distinto nesta eleição, e aí eu acho que tem a ver com o que o Cristian começou a falar um pouco, eh, é justamente o fato de que nós não estamos diante do imponderável e a gente eh a gente vem entre solavancos, porque em 2018 eu entendo o argumento de que o governo Jair Bolsonaro seria era uma incógnita para uma parcela da população, embora embora não fosse para assim, eu não sabia exatamente lance a lance o que ia acontecer.

¶17Evidente, porque a gente não, né, não tinha como mantever cada aspecto do que foi o governo dele, não tinha nem pandemia no horizonte, né? Eh, mas a gente, quem acompanhava a trajetória política dele e a maneira como a candidatura dele foi construída, sem nenhuma base partidária, só num sentimento de muito, muita negação, né, do lulismo e da corrupção, aquilo tudo. E sabendo a figura que ele é, a gente mais ou menos eh previa que seria caótico, né, no mínimo. Eh, mas aí realmente foi caótico. E aí a gente chegou a 2022, eh, diante de uma de um governo que havia sido muito eh infeliz na sua condução de uma pandemia, com com um saldo mórbido, horroroso, eh que havia estava tentando uma uma ruptura, né, do estado democrático de direito [suspirando] e ainda assim via ele com fôlego muito baseado na figura dele.

¶18e nesse negacionismo mesmo das pessoas, né? Seja científico, seja democrático, o que fosse, mas havia na volta eh do Lula, e aí eu falo, não não puxando sardinha, né, pessoal, mas havia na esperança de um outro líder carismático cujos governos anteriores a gente já conhecia. Então, com todos os problemas e e vantagens que o Lula carrega, a havia a esperança de, olha, pelo menos encerrar um ciclo, esse ciclo tão caótico da nossa política, tão antidemocrático e tão do bolsonarismo, né? Isso para mim foi eh ainda se sustentou durante o julgamento do golpe. Para mim ainda havia uma uma expectativa de que conforme o julgamento do golpe fosse deixando evidente com as provas, com os próprios militares, alguns dos militares confessando o que havia acontecido, seríamos capazes de, se não encerrar 100% esse ciclo, essa força política, diminuí-la, restringi-la.

¶19E aí acontece para mim um marco que é o mesmo de 2016, que é a reeleição do Trump e que nos coloca em estado de alerta novamente. A gente tá sempre brincando que a gente tá dois anos atrás com delay, né, do com relação aos Estados Unidos, mas a gente vai vendo que realmente as ondas estão se repetindo e desta vez não é com o próprio Jair que está preso, condenado, mas é com o seu filho que representa basicamente as mesmas coisas com pitadas de coisas novas, né? Então, [risadas] eh, o, ele não tem o mesmo carisma do pai, ele não tem a mesma ascendência do pai sobre variados setores, mas por ser um um Bolsonaro e por ainda ter o capital eleitoral, ele tá agregando esses esses setores em torno de si com uma característica eh ainda mais eh talvez mais abertamente de entrega ao centrão, né? O o Jair Bolsonaro demorou um pouquinho para acenar com isso, até ficar realmente, né, difícil para ele evitar. Então eu chego a 2026 com um sentimento de frustração no sentido de que o Brasil, a política brasileira não foi capaz de oferecer alternativas que nos ajudasse a superar esse ciclo do bolsonarismo ou pelo menos a restringi-lo a um tamanho eh mais compatível com o que deveria ser a extrema direita e qualquer extremo no espectro político, né?

¶20Então, os extremos existem, mas eh idealmente são minoritários, então eh e bastante minoritários, né? São uma força para no máximo para se compor e e na medida do possível para conter, né? Eh, então é é algo frustrante para mim por isso, porque a gente eu acho, eu realmente achei que chegaríamos a 2026 num outro estágio do debate político, mas eu acho que a eleição de Trump e essa sobrevivência desse sentimento e eu acho que inclusive as falhas do governo Lula 3, né, de entrega do governo Lula 3 e da campanha em particular, que eu acho que nós vamos discutir ainda bastante, eh nos deixam novamente ente diante da possibilidade de um governo que a meu ver só tem a receita do desastre que seria um governo Flávio Bolsonaro. Era isso. [risadas] >> Você concorde com tudo.

¶21>> O Rafael Petinat faz um um comentário aqui com o qual eu concordo em 100%. Bons tempos de 2018, quando tínhamos Alcmin e Meres e Amor como candidatos da direita. Pois é, cara. [roncando][limpando a garganta] É porque, Rafael, é é evidente que você tem razão. Acho que boa parte dos nossos eh eh espectadores de esquerda eh concordarão com você, mas o problema cá entre nós é que esses caras não eram de direita, esses caras eram de centro, esses caras são todos liberais, os três eh eh na usando a classificação do Christian, liberais democratas, né?

¶22É o João Boedo. Então >> não, o João com certeza >> foi tratorado depois pela pela ultra direita dentro do Novo posto para fora. >> Pois é. Eh o o o problema do período PSDB, do qual eu também sinto imensa saudade mesmo, entendeu? é que não existia uma direita representada eleitoralmente na disputa pelo Palácio do Planalto.

¶23E e eu acho que a ascensão do PSDB, de certa vez, de certa forma represou esse voto de direita e aí quando ele veio, ele veio super radicalizado. O que é engraçado é que tinha uma direita, mas a direita tinha que a reboque porque ela não tinha legitimidade por causa do regime militar que gente era o PFL, como se fosse hoje União Brasil, entendeu? Você tinha, só que ele ia reboque do centro, >> que era um conservadorismo societário ali, né? Usando sonho. >> É, era uma É.

¶24E e que você não podia nem dizer que era conservador. Aí eles inventaram que eram liberais. >> É. Não, não >> que era frente liberal. >> Sim, sim, sim.

¶25Mas, mas era, não era liberal, era, era conservador, mas era o conservadorismo envergonhado, não tinha candidato. >> É. Aí o crítico anacrônico vem aqui, João Moeda de Centro. Estão de brincadeira, cara. Tá, desculpa, na boa, tá todo mundo com e o problema é que a direita foi tão pra direita que quebrou o o a bússola ideológica de todo mundo, entende?

¶26Porque é evidente que o João Amoedo é um cara de centro. É isso. O problema é que depende sempre como é que você tá vendo a a cena. Se você insiste em olhar o espectro político sempre dividido em dois, aí é desgraça que você coloca de um lado e do outro gente que é muito diferente, entendeu? entende comportamento.

¶27>> Se você tem três macroideologias, >> é que eu tô falando, >> eu sei que é isso. Se você tem três macroideologias, se você tem três maneiras fundamentalmente diferentes eh eh de olhar pro mundo, conservadorismo, liberalismo e socialismo, uma escala de dois não comporta, você não consegue classificar. Pois é, >> eu uso o centro eh eh apenas como atalho, porque na verdade eu uso o centro como atalho para fazer caberem na escala esquerda e direita as três visões, [roncando] entende? Porque são três visões fundamentalmente diferentes. E se você não consegue perceber [roncando] que as duas visões que não são a sua, são muito distintas entre si, você não consegue enxergar com quem que você tá disputando ideias.

¶28Entendeu? Você não consegue, você não consegue fazer sentido, você não consegue compreender o que que é quem discorda de você. >> Olha, na verdade, é fácil, Pedro, assim, eu até recomendo o teste para os nossos nossos espectadores aqui. Se você encontrar alguém que é chamado de esquerda por quem tá à direita e de direita por quem tá à esquerda, é porque esse cara deve ser de centro, entendeu? Por exemplo, aqui no Rio de Janeiro, tô falando uma boa.

¶29Por exemplo, você pega o pessoal que tá em torno do Eduardo Pais, ele é chamado pelo pessoal de direita, embora já ter são obrigados a compor agora porque tem essa ameaça do tsunami lá, entendeu? E é chamado de esquerda por esse pessoal. Quer dizer, o bolsonarismo acha que o Eduardo Papais é de esquerda e acha que o e a esquerda acha que ele é de direita. Então ele tá onde? Eu pergunto, eu pergunto a você.

¶30Ele tá ele tá em algum lugar no centro, entendeu? Então centro existe, entendeu? Só que aqueles que não se percebem como como como é aquele que sempre que tá sendo jogado pelo adversário pro outro lado. Então existe e a gente tá falando isso, não é pro sujeito deixar de ser eh militar, ter opiniões, ter se engajar, é simplesmente para entender melhor a cena política, entendeu? Se ele quiser ver a cena política de de uma outra maneira que não seja só a torcida de torcida de futebol.

¶31A política não é só, ela se organiza de entre antagonistas, mas não tem necessariamente só dois antagonistas. Não é exatamente no segundo turno vira eh tudo bem, tem dois times só, porque as pessoas elas se arrumam, mas a a política em si mesma, fora do enquadramento de um segundo turno não é assim. Olha a corrida aí para Senado, olha a corrida para para eleição proporcional, entendeu? Senado, eh, acho que ficou claro, né? senão agora vem cá, eu o o eh por que que eu acho que essa é uma eleição diferente da eleição de 18 e de 22, principalmente da de 22 que tá mais recente.

¶32Na de 22, desde o início, era uma disputa entre Bolsonaro e Lula, era evidente. Um era presidente, outro ex-presidente. O Lula é o campeão de voto à esquerda do Brasil histórico, muito mais do que o Getúlio Vargas, até porque o Lula é de fato de esquerda, enquanto que o Getúlio era um camarião, né? era um cara que [roncando] eh mais se aproveitava das ondas do momento do que de fato Eu não tô dizendo que o jetulismo não era de esquerda, porque o Jango e Brizola claramente eram homens de esquerda, mas mas o Getúlio jogava em qualquer time que lhe fosse conveniente, dependendo do momento histórico, como ele faz um arco de uma carreira de 20, 25 anos, eh, na altíssima briga, ele vai de tudo, cara. Ele vai de liberal a fascista, a a trabalhista e todo mundo acredita que ele [risadas] as coisas em cada momento, né?

¶33Eh, e ele não era nada. Getúlio era Getúlio. O Lula não. O Lula é um cara de centro esquerda, sempre foi, é um cara que nasce, eu acho que a gente pode dizer, de uma esquerda mais dura e ao longo da carreira, principalmente a partir dos anos 90, ele começa a ir paraa centroesquerda e ele é essencialmente a socialdemocracia brasileira. Eh, é isso.

¶34>> E social democracia, quando eu digo partido que se ergue em cima de sindicato organizado, isso é socialdemocracia e isso é o que o Lula é. Eh, agora, por que que eu acho que essa eleição, aí eu jogo pro Cristian, por que que eu acho que essa eleição é diferente? Porque fundamentalmente eh essa eleição eu acho que o antipetismo é mais important eu acho que o o o Samuel e o Zuco, o César Zuco, da FGV, eles fazem uma leitura muito boa do que que é antipetismo num país que se organizou democraticamente, mas no qual só um partido de fato se organizou como partido, eh, eh com base, com militância, tudo mais, que foi o PT, você não teve do outro lado um equivalente para ser eh eh material da torcida, digamos assim, da militância de quem não queria aquela solução. Então, o antipetismo nada mais é do que a maneira de você organizar um pedaço da sociedade que não quer uma solução à esquerda. Quando você não tem claramente um partido de direita, você nunca teve uma militância tucana, você nunca teve uma militância eh eh agora tem o bolsonarismo, mas antes do bolsonarismo nunca houve nenhum tipo de militância organizada.

¶35Eh, pass e e isso é o antipetismo. O pessoal do petista fica muito e eh invocado. Como é que pode ter isso? O antipetismo é por causa disso. É porque não tem não tinha.

¶36Agora, esse antipetismo do qual o Zuk os falam, é um antipetismo que ficou para trás. E é uma leitura que eu acho que faz sentido em grande parte até 2014, até a eleição de 2014. Depois o bolsonarismo se organiza. Mas o problema é que o que a gente tem hoje, me parece, é são três conjuntos de eleitores olhando para essa eleição. Um eleitor é, evidentemente, o eleitor petista barra llulista.

¶37É o é é a turma que são é onde o Lula tá essencialmente no primeiro e segundo turno desde janeiro. É uma linha reta ali, primeiro turno e segundo turno, entendeu? Lula não ganha eleitor, Lula não perde eleitor. Não importa o que o Lula faça, ele tem esse tamanho. Ele não consegue puxar para cima, ele não perde, porque é isso, tá travado.

¶38Do outro lado, você tem dois tipos de eleitor. Um eleitor é o eleitor bolsonarista. E eu tenho defendido que isso não é, não tem mais do que 25%. É o eleitor bolsonarista. Agora tem um eleitor que não é bolsonarista, que não quer votar no bolsonarismo, que não quer um governo Flávio, mas que é antilulista.

¶39E parte desse eleitorado, a maior parte desse eleitorado, num segundo turno, entre votar no Flávio e ficar em casa, ele é tão antilulista que ele prefere votar no Flávio. O antilulismo berra mais do que o antibol do que o antibolsonarismo, até porque existe uma proximidade ideológica. Esse eleitor é de direita. A questão no fim das contas que eu acho que vai definir essa eleição, eh, Christian, é o quanto que esse eleitor que é antilulista, o quanto que o antibolsonarismo dele, o quanto que a repulsa o Bolsonaro eh eh que ele tem, eh o quanto que isso vai pesar na hora de ele decidir votar ou não votar. Eu acho que é isso que vai decidir a eleição, tá?

¶40Eh, porque eu não acho que o Lula faça mais voto. A questão é esse eleitor que não gosta do Lula, o quanto que ele desgosta igualmente do Bolsonaro. A maior parte vai botar no Bolsonaro. Agora tem aquela franjazinha que vão ser uns 2, 3%. >> É, eu tô de acordo com você.

¶41>> É, é. É, e e aí o jogo vai ser esse. >> É, a gente tá disputando isso mesmo. Eu achei que a disputa fosse ser menos Bom, você tava dizendo que ia ser assim desde o começo. Eu achava que não, porque eu achava que a economia ia mexer e a economia não mexeu, que é um fator estrutural, né?

¶42A gente tá falando, a gente sempre falou aqui que aqui achava que o incumbente tem uma vantagem. Quer dizer, a eleição é sempre feita, no fundo, contra o incumbente, né? Toda eleição é um julgamento, quer dizer, reeleição, pelo menos. Se bem que a eleição outras vezes também é, né? o lote foi derrotado lá pelo pela candidato Jceline e perdeu.

¶43Mas eh é um julgamento sobre o governo do dia. O eleitor é chamado a avaliar o governo do dia, né? Eh, então você acaba falando mais, né? Geralmente você acaba falando mais dos méritos ou deméritos de quem tá lado e do quem não tá, mas o incumbente tem uma vantagem, ele tem a desvantagem do desgaste, mas ele tem a vantagem de que tá no poder, né? E o poder oferece ele meios, né?

¶44e no Brasil, imagino que em outros lugares também, eh, a injeção de dinheiro na economia tem sido sempre no último ano, né, da reeleição ou da eleição, enfim, do de um outro candidato, um medo de você conseguir desequilibrar um pouco a balança, né, que foi exatamente o que que Bolsonaro fez, enfim, que a Dilma fez, enfim, todo mundo faz, né? Isso não é monopólio de ninguém, né? Mas isso não aconteceu com o Lula, né? Eu não sou economista, é difícil saber exatamente o que que foi que aconteceu ali. E foi isso também que fez com que na semana passada se anunciasse esse reajuste do Bolsa Família, que é justamente para ver se você levanta aí 1%, 2%, sei lá, se se mexe, se você faz, dá uma injeção de ânimo nesse nesse eleitor desanimado, né?

¶45Eh, então por conta disso, eh, não aconteceu o que eu tava achando que ia acontecer, que até que ia ter uma gordura maior e foi acontecendo exatamente o contrário. Foi o pessoal que não queria votar no Flávio, que não vendo outra alternativa resolveu começar a querer a a a votar. Isso explica porque que ele sobe, né? E explica também a petrificação, a petrificação do Lula. O Lula cometeu um erro eh grave que eu acho que isso tem a ver, que isso acontece em geral em regimes que estão sendo empedrados por [roncando] parte das pessoas que tão eh que representam o establishment, né, que é uma atitude eh eh de rotina.

¶46Você tá habituado a jogar um certo tipo de jogo, você aposta daquele tipo de jogo. Quanto eh mais experiente, mas também mais mais velho, sem etarismo, mais cansado, você também confia no teu taco, você adquire autoconfiança, você fica meio aborrecido da da dos outros, você acha que ninguém tá à sua altura. E no caso do Lula, isso é natural, porque ele é um sujeito extraordinário que sabe que é extraordinário e já falou aqui do do lugar dele na história do Brasil. né? E aí você acaba se mexendo pouco e o estoque de ideias também vai diminuindo, reduzem as pessoas em volta que são capazes de dar novas ideias, entendeu?

¶47Eh, eu costumo sempre repetir isso aqui. Eu sempre fico, como eu a gente, né, gosta de história, eu gosto de história, a gente fica vendo análise de queda do império, a gente fica vendo análise de queda da primeira república, que eu acho que são as melhores comparações, porque são regimes que tiveram início, meio e fim. a gente consegue ver a crise, por exemplo, na terceira república a gente não consegue ver crise, foi crise de 51 até 64, entendeu? Não tem, não teve, não teve estabilidade, né? Mas a gente consegue ver no >> não teve um governo Fernando Henrique, né?

¶48>> É porque o governo é é o governo Fernando Henrique, governo Campos Sares, que são os governos que estabilizam. É, não, não, mas assim, o governo Lula um e dois, assim, por exemplo, eu acho que o governo um e do Lula foi o apoguasmo assim, por exemplo, o Lula do foi uma espécie de governo JK, é >> petróleo, Brasil que decola se era uma coisa, inclusive na, inclusive na na corrupção, entendeu? Era uma sensação de que você ia faz uma E aí alguém faz uma obra para embelezar o Rio de Janeiro, né? >> Sim. E e ainda qu anos tenta um golpe de estado, deu o colapso na economia, tem uma roubalheira, a economia vai pro belel, entendeu?

¶49E aí você tem eh o que aconteceu. Então, eh eu acho que não tem dúvida nenhuma de o o nosso regime tem ali uma curva também, gente. Os regimes são orgânicos também. Eles nascem, crescem, desenvolvem, morrem, conforme as gerações vem andando, conforme eles cumprem eh eh aquilo pro qual eles vieram. Quando a gente olha pro século XX, qual foi o tema do século XX no Brasil de 30 para frente?

¶50Foi o desenvolvimento, né? Depois teve um consenso no começo da globalização de que a gente já tinha desenvolvido que o problema era a desigualdade social. Gente, só do governo do Sarnei outro dia eu lembrei do nome do do lema do governo Sarnei, tudo pelo social. Pergarnei que era governo conservador, né? Depois você tem do V Fernando Henrique, ninguém não pode, ninguém não fala de de reduzir desigualdade social, seja dando uma ênfase na liberdade, como foi o governo F Henrique, seja dando ênfase na da redução de desigualdades propriamente dita, como foram os governos dos governos do PT, entendeu?

¶51E aí que acontece, você começa a ter a sensação de de não representação, tudo bem que isso é uma coisa geral também no mundo, mas vamos ficar focado no PT. A partir de 2010, 11, 12, começa essa sessão de corrupção, que não é só corrupção de dinheiro, é uma espécie de não representação. O negócio explode em 13. A coisa, a a a direita volta 14 com força, a extrema direita em 15, 16 você tem o impeachment da Dilma. E de lá para cá você tem uma uma uma um problema de de de que eu achava que era só uma crise de representação, mas não é porque metade do pessoal que tá aí e, né, ou pelo menos 1/3 do pessoal que dá o tom que é bolsonarista, eles não quer regenerar o regime, ele quer botar o regime abaixo.

¶52Eu tive outro eh conversando com uma pessoa, enfim, de dentro da política do do Rio de Janeiro que conversa com o setor com com gente que de liderança do do PL, não é? O que eles estão imaginando agora é eh que a extrema direita no Brasil, que é o PL, é aproveitar a crise do Supremo para ver se passa uma outra constituinte, né? Quer dizer, eh, é legítimo pedir uma constituinte, é, é inconstitucional, mas é legítimo, né? Mas assim, eu tô querendo dizer que é para acabar com esse regime, é para terminar. Então, o que acontece?

¶53O nosso drama é que a gente tem um regime que tá desmilinguindo. Você fez o o governo Bolsonaro veio para destruir o regime. Houve uma resistência do do regime democrático. Mas os bacinos que estão fazendo a decomposição do regime e que não tem a ver com o PT necessariamente só com o PT, porque você olha que o o o desmanch porque você tinha dois partidos que seguravam o regime e o PSDB colapsou, mas o PT também tá colapsando. O PT tá o PT tá pendurado no Lula.

¶54você não tem renovação, você não tem novo estoque de ideias, entenderam? A gente não percebe um pouco isso. É claro que o PT tem mais organicidade, vende mais de baixo para cima, mas a capacidade da resposta aos problemas, ela tá muito limitada também. Isso, isso contribui para você não conseguir renovar o regime, porque ao invés de você ter um estoque novo de ideias e e dá sentido de comando, dá o sentido de reconstrução, você dá o sentido, não, você tá aderindo ao ao regime. Em vez de você falar em renovação, você fala em restauração ou reconstrução no sentido de construir o que já tinha antes, entendeu?

¶55Que e que já tava >> é o mano Brown, né? Eh, já viu o rapper conservador votar no? O voto conservador é votar no Lula. >> Pois é. Então o que acontece?

¶56Eh, o quem defende a conservação só que como diria um um revolucionário chamado Edmundo Burker, né? Um um governo estado que não se dá meios de se de se reformar, tá fadado a perecer. Então, os bacilos continuam, a deterioração continua. Aí, repito, isso não tem a ver necessariamente com o Lula, isso muito não tem a ver com o PT. Isso é um é uma coisa mais ampla.

¶57Você, olha o que que tá acontecendo. Você vê que mesmo durante o governo Bolsonaro, você vê as constantes do governo Bolsonaro e do governo Lula, que é o quê? que é o o que é o centrão, que é a perda de poder do executivo, é a perda da capacidade da direção e o país, é a tentativa de cooptar o judiciário. O o judiciário, né, a gente tava vendo nos governos passados, ele ele era a cúpula, né, durante a Lava-Jato, o judiciário era a cúpula que ia salvar o país da corrupção, da degeneração do regime. Aí o que foi que aconteceu?

¶58Você você viu, na verdade, que o a politização no judiciário fez o quê? trouxe a política no mau sentido da palavra para dentro do Supremo Tribunal Federal, né? Trazer a política significa trazer a corrupção. As pessoas que estão tentam corromper o Congresso passaram a rodar também o Supremo Tribunal Federal. As pessoas que passaram a ser escolhidas também pro Supremo Tribunal Federal passaram a achar que o cargo delas era ser senador de toga, entendeu?

¶59né? Se também se isolaram no alto de uma torre de castelo e começaram a perder a noção do de da diferença entre legitimidade e legalidade quando não da própria legalidade, né? E aí nesse meio tempo, aconteceu o quê? Também uma vez que você percebe que o Supremo Tribunal Federal é o epicentro do poder, você vai tentar dividir também o Supremo Tribunal Federal do E você botou o o bolsonarismo lá dentro e você passou a ter uma ação bolsonarista lá dentro também. E quem resiste esse negócio que quer, né, quer resistir, que quer segurar o regime, porque também tem poder dentro desse regime.

¶60Eu não acho que tem uma ala que é do Lula, você tem a ala que quer manter o status qu, entendeu? Tô discutindo o status qu é bom e ruim. Eu acho que parado com, embora comparado com o que o bolsonarismo quer, eu acho que é o status qu é é sempre menos ruim, né? Então, o que acontece? A gente tá tendo uma espécie de uma de um de um de um um uma doença que parece que vai dando uma uma qual é o nome daquele negócio?

¶61Quando quando vai dando vai dando uma metástase, entendeu? E aí a opção é ou você reconstrói esse negócio ou você Isso tem que fazer uma coalizão grande democrática, chamar gente para dentro, ouvir gente com novas ideias e atrair bases novas, entendeu? Eh, ou você ou ele vai acabar de desmoronar, né? Eh, eu acho, né? Já tô falando demais, mas assim, eu acho que eh não dá mais para ficar como tá e você precisa ter um redesenho, você precisa dar o reboot no sistema, não é?

¶62Agora, o problema, a opção que tá dada de de desmoronar é a opção representada pela família Bolsonaro, que aí realmente é acabar tudo, é entregar o Brasil para Estados Unidos, é decretar estado de defesa, é não é não apurar absolutamente nada do que tá sendo discutido aí de corrupção no Congresso, né? Porque isso vai ser uma, como eu falei no meu artigo ontem, é uma pizza generalizada, porque o primeiro a ser favorecido no governo eh eh eh é Flávio, é o próprio Flávio e o próprio Vcáo, entendeu? você vai você vai jogar o o o Morais aos leões e o resto vai terminar em pizza, entendeu? E e você vai ter uma espécie e de um governo autoritário cuja finalidade no do do do ponto de vista de quem vai tomar o poder vai ser simplesmente cooptar judiciário e polícia federal para abafar os próprios escândos próprias rbalheiras, que que foi mais ou menos que aconteceu no governo no governo do Jair Bolsonaro, entenderam? Então isso não pode ser opção para para você resolver os problemas do do regime democrático de 88.

¶63Isso não é uma opção, isso aí é uma desistência. Isso aí é uma entrega. Isso aí é uma capitulação, entende? Então agora, ao mesmo tempo, você precisa que quem tá do outro lado desperte. Não sei se vai ter que ter o segundo turno para isso, entendeu?

¶64Porque você tem boa parte dessas pessoas que estão no centro, que precisam ser atraídas para essa geringonça, precisam ser atraídas para essa para para essa proposta, né? Elas estão também estão justamente ressentidas porque não foram não foram chamadas, porque fica esse hegemonismo e fica essa rotina e fica essa certa arrogância eh por parte da da das pessoas que estão em torno do presidente da República e que é e que é candidato, entendeu? E e são essas pessoas, né? Eu oo dizer, eu vi uma crítica à coluna, a uma coluna, acho que da Marilis, né, falando justamente que você precisa pegar esse pessoal, diz assim: "Ah, mas tem escândalo, vai o vato esse esse esse pessoal não conta". Gente, a a a eleição vai ser decida por 3% da população.

¶653 4%. Esses 3 4% são exatamente as pessoas que ficam sujeitas a votarem para lá ou para cá, dependendo do que tá acontecendo na semana, que depende do noticiário. Como é que você não precisa dessas pessoas? Claro, >> você precisa exatamente dessas pessoas. Desculpa.

¶66>> É só porque o teu microfone começou a falhar muito. Então, como eu sei que o Marc tá só esperando também tá dando tristeza. É, mas o meu é só eu falar mais alto. O teu tá falhando. [risadas] Aí eu acho que o Marcito vai precisar dar um ajustezinho.

¶67Agora, agora subiu >> aí. E aí o Marc vai dar uma justinha. >> Hã, >> assim que é bom, cara. Ouv você. >> Mas Fábio, é bom que você conseguiu e raptar o microfone do Christian.

¶68Ele >> não imagina. Eu é meu professor. Eu por mim ouço 3 4 horas ininterruptas. Eh, mas eu queria só acrescentar que eh a certa altura ele falou eh que precisa de um despertar do entorno do presidente Lula. E eu eh ouso dizer que próprio.

¶69Eh, hoje eu menciono aqui com alguma frequência a coluna as colunas do Thomas Trauman na no Globo, né? ele ele divulga uma newsletter toda segunda-feira e é sempre uma newsletter bastante robusta, assim, de muita apuração, de muita informação, com vários assuntos diferentes. E um desses assuntos na data de hoje é um episódio que para mim é tão simbólico eh desta campanha e isso vem me afligindo porque o Cristian, né, falou de uma maneira muito eh profunda, estrutural. E aí tem uma camada que é um pouco mais superficial, que é a que é a de campanha, é a do imediato, é a que chega no ouvido do eleitor e decide no curtíssimo prazo, né? Porque eu eu acho que o a massa dos eleitores talvez não se engaje numa conversa sobre reformar o regime, o sistema e tal, mas tem alguns outros eh outras formas de engajar, algumas outras formas.

¶70E o Thomas conta um episódio eh em que a campanha se mobilizou numa discussão profunda por semanas se o Lula devia ou não refazer a foto paraa urna com ou sem chapéu. mesmo mesmo tendo uma fartura de qual de pesquisas de grupos de foco, de qualitativa, dizendo, mostrando o fato de que as pessoas rejeitam o chapéu. Então não é nem que se gasta muito tempo porque não se tem certeza de qual caminho seguir num detalhe estético que pode ser todo ou pode até ser decisivo. A gente sabe que tem eleição que às vezes, né, uma cara feia de um candidato decide, [limpando a garganta] mas não se trata nem disso, se trata de algo que a campanha já sabe, que o público rejeita e ainda assim gastaram semanas debatendo, marcaram uma sessão fotográfica, fizeram a sessão fotográfica do Lula sem o chapéu e no fim ele decidiu manter a foto com chapéu. se recusou a ouvir as próprias quals.

¶71Isso eu tô, eu sei que é meio anedótico pegar isso, mas para mim existe uma existe alguma coisa acontecendo dentro da campanha, eh, que os nossos colegas que estão apurando mais de perto, eles apontam eh alguns grupos em conflito sobre a a o rumo da campanha, da comunicação eh da campanha de reeleição. E me parece que há uma contraposição entre um grupo que é do Sidônio e um grupo que é da Janja, eh, Janja mais Stooker versus o grupo do Sidônio. E ele, essa, esse conflito já apareceu variadas em variadas situações, né? Então, por exemplo, você pega o evento de lançamento da campanha lá em São Bernardo do Campo, onde eu estive. Eh, eu testemunhei isso, não foi ninguém que me contou.

¶72A Janja e o Ricardo Stooker conversavam ao pé de ouvido, eh, eles conversaram 90% do tempo. Então, deu para entender que naquele evento quem estava no comando eram eles. Eu não sei o quão mais eh para dentro, né, a estratégia da campanha tá na mão deles ou não. Mas o que o Thomas Trauman relata nessa coluna é que eh havia uma percepção de que o chapéu envelhece o Lula, que o afasta [risadas] tudo que a gente sabe que ele que ele precisa lutar contra neste momento. Tanto que >> e dá um tom de malandragem, né?

¶73Alguém alguém me falou isso também. Dá uns tom de malandro. >> Dá um ar de malandragem, né? dá um ar de chapéu Panamá da esquerda latino-americana que [risadas] falar essas pessoas, né? E aí, eh, você pega o, o vídeo em que o Lula tá falando com as mulheres que, cujos maridos, filhos ou elas próprias, né, cujas famílias foram afetadas pelas bets, que, eh,, né, a gente até conversou sobre isso no grupo de WhatsApp nosso do central, foi eh em muitas métricas o melhor material do Lula até aqui em campanha.

¶74Ele tá sem o chapéu. Ele tá sentado na altura do público, olhando nos olhos das pessoas, conversando sobre problemas reais da vida delas, né? E é uma campanha, uma uma um vídeo que humaniza ele como um uma liderança política realmente preocupada com o que aflige essas mulheres, né? E agora, gente, nós estamos a 15 dias da eleição. Eu acho que teve dois bons momentos da campanha do Lula até aqui.

¶75Este, e eu acho que ele ainda tem potencial, né, porque a a a eh a MP, né, a proposta de proibir as BETs deve ser apresentada na quinta-feira, quando ele voltar da ONU, da Assembleia Geral da ONU. Eh, e teve o momento em que realmente ele partiu para uma comparação com o governo Jair Bolsonaro nos termos de miséria mesmo, né? Porque a a economia segue muito ruim, tá tudo muito difícil, mas o quadro de Fila do Osso, né, daquela da de do mapa da fome, isso realmente novamente foi revertido. Então, eh não é algo que vá conquistar voto, talvez da classe média, porque a classe média tá muito pressionada em termos inflacionários, eh, custo de vida, tá tudo muito difícil. Só que o Lula demorou até semana passada para dizer que reconhece que a questão do custo de vida tá difícil mesmo.

¶76Ele demorou até semana passada e até sexta-feira, o sábado, para associar com as bets, que é um, tô falando de campanha, tá gente? Não tô falando de mérito do discurso das questões de economia, tô falando de campanha, de eficiência de campanha puramente, que é uma um recurso retórico que pode funcionar, porque a gente sabe pelos dados reais que realmente uma parte grande do endividamento das famílias tá vindo de dívida de bet, de dívida de jogo. Então é um discurso que tem lastro na realidade e pode funcionar eleitoralmente. É tudo muito tardio. É tudo com muito atraso, é tudo parece que tão nessa espera desse vídeo bombástico que vai destruir, que vai derreter o Flávio.

¶77E já tá muito claro que a não ser que seja algo que a gente não tá nem conseguindo conceber de tão escandaloso, o Flávio tá mais ou menos estabilizado, ele tá não, ele tá teflon, as coisas não estão aderindo, né? Eh, então eu estou vendo nesta campanha presidencial de reeleição do presidente Lula uma letargia, uma, não sei se é salto alto, se é só desconexão com a realidade, porque eu não acho que eles estão tranquilos de que já ganharam. Eu acho que eles estão mesmo sem competência para re para reagir rapidamente e reajustar o discurso. >> Eu eu acho, Flávia, que tem eh eh algumas coisas aí. Eu não acho que seja letargia, [roncando] eh, mas eu acho que existe um grupo no entorno do Lula que, eh, eh, no qual certamente a do qual certamente a Janja faz parte e o fato de ser mulher dele atrapalha, entendeu?

¶78Porque ela acaba, evidentemente, e eh pelo laço de casamento, eh, tendo uma palavra que tem um peso, que que conta. Então, o o que que acontece? O Lula se afastou de o o que que quais são as características que faziam do Lula um político vencedor, eh, quando ele passou a ser um político vencedor, porque a gente não pode esquecer daquele Lula que a gente conheceu dos anos 1970, 80, 90, que era um político perdedor, que era um político de uma franja, uma franja consistente do eleitorado, 20 25% ali e tal, mas que tinha um teto e ele não conseguia eh e chegar longe. >> Ele era o grande líder da oposição. >> O que que acontece?

¶79Acontecem duas coisas. Primeiro, o Lula para de se aconselhar apenas com gente do PT. Ele amplia até Delfim Neto era conselheiro dele eh para falar de economia. Um bando de gente, ele ampliou muito eh eh botou gente muito capaz como conselheira, entendeu? E derrubou os preconceitos.

¶80ele ouvia liberal que não acabava mais no primeiro governo dele. Eh, eh, e eu tô falando de liberal na economia, mas eu tô falando de de tipo o grande projeto social dele é [roncando] um projeto de três economistas eh eh liberais, que é o Bolsa Família, entendeu? É o grande sucesso. Ó, eu tenho essa meta, como é que eu resolvo tecnicamente esse problema? Tinha uma turma que tinha ideologia, tipo a vontade, o povo, isso e aquilo, que é blá blá blá, e tinha uma turma que se virava, que tinha técnica.

¶81Olha, a maneira mais barata e mais eficiente de você resolver isso é botando dinheiro na mão das pessoas. Como é que você distribui? Tem um tem uns truques aqui. Você bota na mão da mulher, não bota na mão do homem. Eh, você faz um corte de tal maneira, você precisa ter um cadastro com tais condições.

¶82O bolso escola já tem o início desse cadastro. Você distribui via cartão com correios com banco, Banco do Brasil e e casa lotérica e tal. Você monta usando esse sistema e você acerta. Cara, é simplesmente a ideia de que as ideias, é a concepção de que as ideias, boas ideias não pertencem necessariamente ao único campo ideológico. Gente, ele ouviu, você acabou de falar que ele ouviu o Delfineto.

¶83Delfineto, não sei se as pessoas sabem quem foi Delfinetador estatística, >> gente. Defineto acionou o A5. Ele tava aqui no Palácio das Laranjeiras e acionou o A5, entendeu? Mas você acha que o cara desse não pode ter boas ideias também do ponto de vista da economia, né? Não sei se da não sei se da democracia, mas enfim.

¶84tem que ouvir todo mundo. É esse que o ponto. >> E aí tem uma outra coisa que é as campanhas eleitorais do Lula eram puramente técnicas. Você botava primeiro era o Duda Mendonça, depois passou a ser o João Santana. Mas tipo, você bota publicitário capaz que vai lá e cara não tem mistério.

¶85Isso aí que você tá descrevendo, eh, Flávia, no tempo do Duda Mendonço, do João Santana, essa questão do chapéu era uma não questão. Tem os grupos de foco, ouviu, tá resolvido. Porto acabou. Não, não tem o que. Você gasta tempo com que precisa gastar tempo, você simplesmente resolve tecnicamente os problemas que existem para resolver tecnicamente.

¶86Só que esse Lula não existe mais, entendeu? Eh, eh, e essa esse fim de semana, nesses últimos quatro dias, saíram duas peças publicitárias. Uma é um golaço, é deixar o Lula ser Lula. É deixar o Lula ser Lula. Há quantos anos a gente não vê o Lula conversando com gente do povo entregue, entendeu?

¶87Esse é o talento do sujeito. Ele é um político nato. >> Se você deixa ele conectar com gente de classe média baixa, porque classe média baixa é o mundo do qual o Lula vem. Boa parte da vida adulta do Lula. Na na infância ele foi muito pobre, mas boa parte da vida adulta ele é um cara de classe média baixa, que é uma relação ser de classe média baixa.

¶88Hoje Hoje quase 50% do Brasil é classe seca. Essa classe média é baixa, entendeu? [roncando] Seu problema é pagar boleto, seu problema não é eh eh ter comida todo dia na mesa. Agora você deixa o Lula falando com gente de classe média baixa, é um troço extraordinário, entendeu? Ele conecta, é olho no olho.

¶89O o olho de date ele se emociona, o olho dele enche de água, entendeu? Isso é da natureza dele. Ele ele sabe fazer isso. A gente passou 4 anos de um governo em que o grande problema do governo foi entender classe média baixa, foi botar taxa de blusinha que não tinha que botar, foi ficar brigando com gente que quer trabalhar em aplicativo para obrigar os caras a serem CLT. Eles não querem ser CLT, entendeu?

¶90É ficar reclamando de evangélico o tempo todo que é manipulado, que é isso, que é aquilo. É o discurso pobre de direita. Isso foram 4 anos de governo e são essas pessoas dessa classe social que vão definir essa eleição. Só agora, há três semanas da eleição, puseram o Lula para conversar com o povo. Se você tem um Pelé e a grande característica do Pelé é fazer esta jogada, como que você passa 4 anos isolando esse sujeito disso, entendeu?

¶91Mas não porque pobre de direita, porque evangélico, porque eh tem que ser CLT. Tudo bem, o vídeo é espetacular. Aí qual é a outra peça que eles põem? Um bando de artista rico, entendeu? Que mora entre a Alagoa e o Leblon, passando por Ipanema falando que vota Lula e fazendo o L bonitinho.

¶92Mas isso é um desastre, entendeu? Porque o que bate pras pessoas, esses não, esses são os artistas que eu ouço em casa, esses são os artistas que vocês ouvem em casa. Esses não são os artistas que o povo ouve. E não é só que estes não são os artistas que o povo ouve, é esses artistas em particular passam paraa boa parte da população um ar de alienação, um ar de valores que são os opostos aos meus valores. E e e veja, isso não é uma crítica a a Caetano Veloso ou Amalu Mad, o ou a Gilberto Gil.

¶93Não, eu sou apaixonado pela Malumader desde os 16 anos de idade. >> Sou testemunha. É, [limpando a garganta] é, não é, imagina um deslumbre, linda, talentosíssima. É, é, [limpando a garganta] eu ouço Caetano quase todo dia. Eu adoro Caetano Veloso.

¶94Eu acho que é um artista que se reinventa a cada 4 anos. Eu eu vivo, eu acho que nenhum artista entende a alma do Brasil melhor do que Caetano Veloso. É um artista que fala com elite, entendeu? É, é o que é. É isso, entende?

¶95Mas não tá lá. E o Lula tá perdendo tempo se encontrando com gente que vai votar nele e que só fala com gente que vai votar nele. Eh, sabe, são essas coisas de alienação. Aí eu estendo isso para uma questão, porque o problema não é só com Lula. Eu tô há três semanas apanhando inclementemente da militância de esquerda em tudo que eu publico de análise a respeito dessa candidatura e da candidatura do Flávio.

¶96Agora não é só em mim, tão batendo na Malu Gaspar, estão batendo na Vera Magalhães, estão batendo em tudo quanto é jornalista de política, entendeu? É, é, é, é um troço assim inacreditável, inacreditável. Sabe como é que foi a [risadas] >> tipo, jura que vocês estão perdendo o tempo batendo em mim? Não tem nada mais importante pra militância fazer? É o quê?

¶97É o conforto de achar que, ah, se não tivesse feito crítica o Lula, o Lula teria ganhado, entendeu? É, é, desculpa te interrompir. >> Não, não, não. Eu fico só naquela nas minhas maluquícias habituais que eu fico lembrando da queda do império. Você que você não gosta de império?

¶98Você gosta de Mas assim é quando você não não, mas você pode pegar o Getúlio também. Assim, eu tô lembrando do Jaguari falando, por exemplo, que um das razões do suicídio que a política que ele tentou implementar era uma política que ele tinha que ter feito um engajamento eh eh eh em massa em grupos de pensamento de intelectual público, de tinver o desenvolvimento. E ele continuava fazendo uma política e do tempo dele, que era uma política de falar com A, com B, com C. Você tá entendendo? Eu quero dizer quer ser que você tá cansado que só ia ficando isolado e você vai insistindo, né, no em tentar fazer as coisas de um jeito num mundo que já é outro.

¶99você vai começa a perder inteligibilidade, mas você é o você é Getúlio Vargas, você confia no teu taco. Mas assim, eu tava falando de de império assim do Pedro II, assim na semana anterior ao golpe militar, não é que só que teve ilha fiscal, isso isso é até bobagem, porque tinha um sentido diplomático ali na na ilha fiscal, mas o imperador assistiu a uma a uma a uma concurso de professor do colégio Pedro II, foi para Petrópolis, o golpe foi de manhã, eh o aconselharam a ele a ir pro interior. Sabe o que ele disse? Quê? Mas adorar meu amigo.

¶100E a frase que eu acho fantástica é assim, ó. É claro que eu vou descer pro Rio. Eu conheço os meus patrícios chegando lá, tudo se arranja. E ele desceu e foi pro meio, pro meio do furacão. E quando e quando chegou lá, veio, veio o ministro que tinha sido deposto pelo golpe dizer que não podia continuar e disse assim: "Quem que o senhor eh indica para continuar no seu lugar?" "Como se não tivesse acontecendo nada?" Quer dizer, é uma coisa de rotina.

¶101Você tá, quer dizer, é cansaço, é saco cheio, é muito tempo no poder, é você vê muita gente rodando e só você que fica ali parece que tá ali o tempo inteiro, entendeu? Isso vai criando uma um ambiente de isolamento, de cansaço e de teimusia, entende? Mas o problema é que é assim que que os regimes os regimes sempre acabam caindo nessas circunstâncias, porque você tem o o um o governante que não vende futuro ou se tranca, entendeu? que é um pouco exatamente o que que a Flávia tava tá tá tá descrevendo, entendeu? O estoque de ideias vai desmilinguindo, porque você também não não você não ouve mais ninguém, você nem percebe as mudanças que estão acontecendo em volta.

¶102>> Quer ver uma coisa que eh eh que vai exatamente nessa linha? Já passo para você, Flário. Eh, e ontem eu publiquei, eu eu tenho publicado muita coisa no meu Instagram. Ontem eu publiquei um carrossel eh destrinchando uma pesquisa, uma pesquisa da IPS, eh que é uma pesquisa do ano passado, mas que é uma pesquisa que se você fizer ela hoje vai dar a mesma coisa. Por quê?

¶103Porque a gente faz essa pesquisa e eu sei como é que é o como é que são os números. E quase 1/4 da sociedade tá de saco cheio dos dois, não quer votar em nenhum dos dois. Eh, dá pouco mais de 30 milhões de pessoas, tá de saco cheio dos dois. E é o público mais importante. Os comentários são uma lista de gente dizendo que eu tô comparando o Lula com o Flávio.

¶104Eu não. É 25% da sociedade brasileira que não quer nenhum dos dois. Que eu tô compando isso, que essa comparação nunca se faz e eh que isso, que que a imprensa isso, que a imprensa aquilo, tudo mais, tal. É simplesmente gente se recusando a enxergar. Gente, a democracia brasileira tem um problema aqui.

¶105A democracia brasileira tem um problema. E e eu acho que isso as pessoas não estão entendendo. O sistema está derretendo neste momento. Sabe sobre quantos ministros do Supremo Tribunal Federal existe a suspeita de envolvimento com Daniel Vorcaro? Alexandre de Morais, José Antônio Diffoli, Cássio Nunes Marques, Luiz Fux e agora começa a aparecer Gilmar Mendes.

¶106São cinco dos 10. >> Sim, mas qual é qual é a resposta que alguém vai escrever daqui a pouquinho no chat? O Lula não meou nenhum deles. >> Posso só falar um negócio que é um breaking news? diga.

¶107>> Não é o tema do dia. Talvez vire o tema do dia. Ai ai ai ai. Foi agora. >> [risadas] >> É porque a gente vai batendo novos recordes a cada dia.

¶108E o Metrópoles, a coluna da Andresa Mata revelou há pouco, >> que o contrato de advocacia pra turma do CN, que é assim a que se refere a Polícia Federal e as mensagens, para destravar um negócio de 8 bilhões e meio de precatórios, uma ação que interessava o Daniel Borcaro, foi de R$ 427 milhões deais. O COu um contrato de quatro vezes, quase quatro vezes, aquilo que o Alexandre e e o Flávio receberam, >> indiretamente. Então, o que que é uma >> Esse homem é presidente do Tribunal Superior Eleitoral. >> Uhum. Então, o que que a reportagem explica?

¶109que eu vou reproduzir aqui brevemente, porque eu bati o olho, li rapidamente para trazer para vocês. Eh, [roncando] existe um advogado chamado Newton Ramos, se eu não tô equivocada, vou eu vou vou ter que ler, tá, gente? Porque senão vou cometer erros. Eh, [risadas] ah, só um segundo. É isso.

¶110Eh, a troca de mensagens revela que assessores divorcaros chamavam de a turma de do KN, o desembargador Nilton Ramos. Ele é um desembargador do TRF1. E a mulher dele, a advogada Camila Ramos, é com escritório desta advogada que foi fechado esse valor de 427 milhões. Eh, e era o Newton Ramos que intermediava as negociações do Cássio sobre viagens, hospedagem, não sei se também sobre a Operária do Afeto, não me lembro. Eh, além de atualizá-lo sobre o caso dos precatórios.

¶111Então, eh, até onde, eh, até então já se sabia que o escritório de advocacia da Mulher do Desembargador havia sido contratado pelo máster. Agora a gente sabe o valor. É isso, R$ 427 milhões deais no caso de êxito, tá? Eh, e aí nas mensagens extraídas do celular e obtidas pelo Metrópole, a mulher do desembargador comemora o voto de Cásio Nunes no julgamento. Gente, eu entrevistei no último sábado paraa edição de sábado do meio que é exclusiva para Cinandes Premium.

¶112Cinem que code na tela só R$ 15 por mês. A gente tá todo sábado dando entrevistas muito em cima do assim com análises muito profundas, mas em cima do noticiário quente. No último sábado foi com a professora Elía Machado da FGV que é constitucionalista, estuda Supremo Tribunal Federal há 25 anos e a meu ver foi uma entrevista realmente muito, muito sólida, muito importante para este momento. E ela mencionou isso, Pedro, dos de metade de um tribunal, de uma corte comprometida. É claro que no devido processo legal todos eles vão precisar e ter o direito de se explicar, de provar sua inocência.

¶113Na verdade, quem os acusa tem que provar que eles são culpados e etc. Tudo isso não exclui medidas que a própria institucionalidade exigem. E essa explicação que a Eloía me dá na entrevista para mim, ela é muito fundamental e eu acho que ela tá sendo um pouco perdida de de vista na na discussão, porque é claro que a gente fica no noticiário esperando que tem que afastar, tem que julgar, tem que condenar, tem que prender, tem que fazer o caramba, né? A opinião pública, tô falando, né? a demanda da sociedade por alguma resposta.

¶114E o tempo da justiça, ele é diferente do tempo do clamor >> social. >> Agora, existem respostas institucionais que podem ser dadas a contento do tempo do clamor social e que eh engrandeceriam a instituição nos e a preservariam. por exemplo, eh, é possível que o STF, numa condução do ministro Edson Faquim, tenha que encarar o fato de que pelo menos cinco dos 10 ministros têm sobre sobre si suspeitas. A gente não tá falando que eles são culpados de saída, mas há suspeitas. E aí, o que que vai se fazer com isso?

¶115Porque aí não tem quórum para votar mais nada sobre o caso. Eu perguntei para ela, mas professor, aí fica sem quórum e aí como é que faz? Ela fala: "Então, e aí como é que faz?" Eles têm que ter esse debate institucional público e esclarecendo o público. A gente e agora a gente tá sem pórum. O que que a gente faz?

¶116Que encaminhamento institucional a gente vai dar? A gente vai esperar a nomeação de um novo ministro? A gente vai recorrer a um ministro do STJ, como era antes de 2009, em que se convocava um ministro da corte imediatamente inferior, né, na instância imediatamente inferior para compor. a gente, o fato é que não, na percepção da professora Eloía, né? E aí, claro que a gente pode, esmiçar aqui se vocês concordam ou não.

¶117O o gosto amargo da sessão da última terça-feira não é só o de a o Alexandre de Moraes não foi punido, não saiu eh aqui investigado, é que não houve resposta alguma, [limpando a garganta] é que ficou aquele gosto de tá, então nós estamos nós estamos saindo daqui sem resposta sobre ninguém. e sobre resposta sequer de como encaminhar isso daqui adiante, porque agora o Faquim suspendeu o julgamento do André Mendonto, dis sobre se Mendonça seria investigado, seria depois de amanhã, tá suspenso, tá adiado, sem data marcada. Mas ela mesma perguntou: "E aí o Alexandre de Moraes poderia votar nesse ou não?" Nem isso ficou decidido. E aí quando for a vez do COI Nunes Marques, o Mendonça e o Morais vão poder votar e o Gilmar e o Fuxs? [risadas] Porque é isso, tem metade da corte comprometida e a gente ficou sem resposta alguma sobre o que fazer, né?

¶118Eh, e enfim, a a entrevista tá muito boa. Eu recomendo. Quem assinar hoje pode ler as passadas, a gente vem fazendo uma cobertura intensa sobre tudo isso e sobre a eleição, enfim. Mas eh olha o estado em que a gente chega. A gente chega num momento em que os grandes protagonistas do embate sobre quem tá certo e quem tá errado no Supremo, André Mendonça e Alexandre de Moraes, e chega um terceiro ministro, [risadas] gente, com um possível contrato de 427 milhões indireto ali, mas que que as mensagens dão a entender que são para que ele favorecesse por caro.

¶119E ele é o presidente do TSE. E ele se declarou impedido daquele julgamento e vai se declarar impedido para tudo agora ou não? Como é que fica? Nós estamos num vazio de resposta institucional do Supremo Tribunal Federal neste momento e da procuradoria geral da República. Frise-se, porque na própria sexta-feira saiu mais, é, é, é notícia requentada, mas com foto ela sempre ganha um pouco mais de impulso, né, [limpando a garganta][roncando] do Gonê tomando o whisk e fumando o charuto >> na famosa escada de Londres, né, >> que só eu e você não fomos convidados.

¶120Pedro Dória, o que mostra que a gente não chegou lá. E [risadas] e e eu diria e eu diria e eu diria, Flávia, que aposto que nós três iremos aproveitar alguns dos whiskys, pelo menos mais do que metade dos presentes naquela festa. São tão car mais gratidão, né, >> cara? E é que tá um cara que eu já eu que sou isqueiro, eu já disse também chegar, cara, a gente não consegue nem mais saber a diferença de um esque para outro, entendeu? Gente, eles também não sabem, mas eles só querem eles só querem beber.

¶121Eles só querem beber para dizer: "Eu estou bebendo o risco de 1 milhão de dólares." Mas não sabe a diferença. Beb, você não sabe a diferença do do, sei lá, do red label pro para esse whisk de 1 milhão de dólares aí. >> Uma vez eu e o Cristian lá em casa matamos sozinhos uma garrafa de Blue Label. Tava boa aquela garrafa, >> tá? Mas é bom lembrar que essa garrafa não foi não foi o Vcário que deu porque nem o Vcário não existia na época que você ganhou de presente sei lá de >> um amigo meu que não tem nenhum tipo de >> E para isso não me convida, só me convida para dar plantão.

¶122Agora [risadas] é isso daí é o velho truque do churrasco de pobre, né, amor? Você serve uma primeira rodada eh de bebida boa e depois vai e vai servindo scol e vai servindo a hora que vem, [risadas] tá? Eu fiz muito isso quando era moço. >> Cerveja. A a comida é o processo inverso.

¶123Você começa com a linguiça, enche a pança de linguiça da galera para não dizer outra coisa e depois deixa uma picainha pro fim. >> Olha, mas o o Blue Label é bom, hein? É bom. >> Não sei. Nunca experimentei, amor.

¶124Não sou convidada. >> B, mas é difícil. Depois de um certo nível não faço diferença nenhuma. os preços vão ficando exorbitantes. E se você me dá para provar, eu não sinto, não sei qual é a diferença.

¶125Aí é só snobismo. É que que no fundo é isso aí, né? Esse, esse cara mesmo aí, Vcaros, é que era snobismo puro e você vai, você olhar o celular dele, ficar mostrando, tem foto com todo mundo para ficar conseguindo fazer negociata com outro, te mostrar, pô, fulano é fogo aí, pô, pô, fulano conhece crrano, pô, fulano conhece belano, aí vai lá, põe um dinheiro para cá, põe o dinheiro para cá, entendeu? É o que também saiu a Malu Gaspar também revelou uma outra conversa em que ele fala o do Hugo. O Hugo é só number one é isso.

¶126E vai um por um. E teve também um vídeo de um evento que eu não acho que não era o da escada, acho que era num num museu, não sei, um evento de luxo também em que tava o Andrei Rodriguez. Bom, era o mesmo, né? Da o escada, acho que foi tudo ato contínuo um do outro. Enfim, mas é isso, é é um um lugar suntuoso, luxuoso.

¶127As pessoas realmente se deslumbram com isso. Gente, eu vi isso acontecer por muito menos em Brasília. As pessoas se deslumbravam com Piantela. O Piantela é um restaurante OK, cuja comida OK, entendeu? Mas as pessoas realmente se deslumbram com muito pouco.

¶128Não que uma viagem para Londres para seja tão pouco, mas a questão do piantela e não era a qualidade da comida, mas a qualidade das decisões que se tomavam lá, né? >> E das compascia ambiente, né? >> É, é, >> é. O ambiente ele ele emulava muito mais luxo do que ele entregava, né? Ele tinha, ele era uma simulação de luxo, não tinha luxo nenhum.

¶129Só >> claro, é claro. Era um era um o o Cristian vai entender o que eu tô querendo dizer. O o Piantela, no fim das contas, era um degrau metida besta, [risadas] que é um restaurante aqui do Rio, que é a mesma coisa, um restaurante português que as cadeiras são acolsoadas, tudo mais, tal, e mas fas uma é uma comidinha portuguesa bacana que serve lá. Eu, mas o problema só para dar um gancho com que que a a Flavinha tá falando, nossa senhora, tá com uma mulher na cabeça, até falou o nome dela. Eh, >> isso é culpa, Cristian Lind, a gente não sabe o que que você fez, mas você sabe.

¶130Ah, eu fui f pra Flávia, ficou da minha mulher. Eh, é que Mas assim, o desenlace de tudo isso depende da eleição, entendeu? da eleição desenlace disso tudo depende da eleição. >> E se >> sim, mas você é que tá, eu acho que o FAQ meio que suspende um pouco o negócio e vai tá tudo paralisado porque na verdade a briga é uma briga interna de poder dentro da corte, porque você porque você tem a facção bolsonarista que quer tomar aquilo ali do do do da turma Gilmar, eh, Morais. E quer dizer, acho você tem que entender isso primeiro.

¶131Primeiro que não é uma luta em si mesma sobre o bem pro mal. A questão de bem e o mal, a gente pode avaliar eticamente, mas assim, aquilo ali é luta de poder. Você você montou uma facção que está querendo mandar na na no no epicentro do decisório do país que que o Supremo em que se tornou Supremo Tribunal Federal, né? Aí você tem uma turma que tem mandado lá, independentemente de quem foi, porque eh quem nomeou Gilmar foi foi Fernando Henrique, quem nomeou Moraes foi Temer, foi quem nomeou, sei lá, eh, o outro do outro lado que foi pro outro lado, Fux, foi Dilma. Então não tem necessariamente a ver com ideologia, não tem a ver com isso, tem a ver com o que tá mandando lá dentro.

¶132E você tem uma facção que que quer derrubar essa outra facção, mas a derrubada depende do resultado da eleição. Então não também não adianta muito o faquinho ficar botando a mais a corte para ficar brigando, porque tá todo mundo também lá dentro em suspensão, porque se o Flávio ganhar, isso tá resolvido. A questão agora é tudo vai tudo vai depender de quem vai ganhar a eleição, porque também se o Flávio ganhar você já sabe quem que ele vai nomear. Você vai nomear, você vai ter quatro, quatro vagas o cinco. Vai, o Mendonça vai vai nomear, vai indicar as tantas, Fux vai nomear não sei quantas, eh, Csio vai nomear não sei quê, vai ter um acordaço geral no qual, inclusive parte dessas pessoas que estão contra essa facção vai aderir, vão vão acampar, né?

¶133Talvez Mor seja jogado para para pr leões. O resto vai fazer a composição, entendeu? As pessoas estão aí e muito, sempre poupou o Gilmar Mendes, eu acho que com isso em vista inclusive >> não. E eles poupam, eles poupam o Tofoli, o Tofoly que também se que se deu que se que que que não julgou na semana passada de e e ainda lembrou, olha lá, hein, vocês mandaram arquivar aquele meu processo, dizendo que eu não tinha feito nada. Ele deu, ele disse isso em público, ele ele colocou aquilo ali do tipo, vocês já me disseram que não tinha nada, não me veio depois dizer que eu >> e não, e teve de ouvir que aquilo foi separado paraa avaliação depois, né, que não tá suspenso que nada, tudo mais.

¶134>> É, as pessoas tm que entender o seguinte, aquilo ali é uma oligarquia no sentido clássico, sentido não sentido negativo. Oligarquia é quando é você tem pouca gente que manda. Quando você tem pouca gente que manda, é assim, você tem um sistema que é que é que é monárquico, um que é oligárquico e um que é democrático. No monárquico é a seguinte, você tem um sujeito que manda, apoiado por uma oligarquia, evidentemente, mas tem um sujeito que manda e esse sujeito indica o sucessor. Você tem um cara que manda.

¶135No sistema democrático tudo é resolvido por eleição e maioria, por maioria. Vence a maioria, vence a maioria, vence minoria. No sistema oligárco não funciona assim. no sistema oligarico é o sistema é por consenso. Todo mundo está ali por consenso, entendeu?

¶136É claro que a você vota de um jeito, vot, isso não é. Você tem um consenso geral sobre o que que você vai ter que fazer. [roncando] Então, todo mundo se protege. Esse é o sistema oligárquico, entendeu? E quando o sistema oligárquico quebra e você tem uma disensão, a forma de você resolver com isso é a violência.

¶137É só você ver o sistema oligárco da primeira república. Você vê que todos os sistemas oligárquicos são assim. você resolve na violência. A violência, mas a violência não é para exterminar o outro cara necessariamente. A violência é botar o é para botar o cara na conformidade de novo, trazer o cara para conformidade, entendeu?

¶138E foi exatamente isso que aconteceu a partir do momento que que o a facção bolsonarista foi paraa violência assim, então vamos vamos abrir para todo mundo, então vamos ter que investigar todo mundo. E foi o que a gente viu, foi jogar todo mundo lá e foi por isso que o outro também deu no pé, né? O Cásio deu no pé, o outro deu no pé, entendeu? E foi aquela violência que foi, mas a a oligarquia tende sempre a se recompor. É bom lembrar e sempre o sistema vai ser oligárco do Supremo, porque é muito pouca gente, porque são 11.

¶139Isso não tem a ver com isso tem a ver com a quantidade de gente, tá? E com e com e com o tipo de de de corporação que tá colocada lá, tá? Eh, então as pessoas estãoag as pessoas, boa parte das pessoas que estão eh eh eh bombardeando o Supremo na expectativa de eh de que ele vai se deporar. boa parte dessas pessoas e tem uma parte que acha que ele vai se deporar e tem outra parte que simplesmente quer o Supremo capturado pelo bolsonarismo. Eles não tm nada contra o Cársio, não tem nada contra o a corrupção.

¶140Se tivesse uma coisa contra a corrupção não votava em Flávio Bolsonaro, né? Então eles só querem isso. Eles querem o Supremo que faça uma aderência a esse a a a esse projeto de de derrubada, entendeu? As e as pessoas que estão que querem a depuração, certamente não vai ter depuração nenhuma no governo do Flávio. Isso é piada.

¶141Ele é o político que tem mais até o que consta no momento, é o cara que tá mais envolvido dos dos políticos, quer dizer, o pessoal que tá aqui que que não é juiz, é ele, Ciro Nogueira, não sei mais quem, entendeu? Os os juízes que foram nomeados pelo pai ou que apoiaram o pai, os caras que negaram a existência do do crime de golpe de estado, de Mendonça, Fux, Tof, Tofol, não, Mendonça, Fux e o Cássio, entendeu? Ah, mas eles não julgaram do do do não sei quê. Não, mas eles no julgamento do 8 de janeiro eles disseram que não teve tentativa de golpe de estado. Teve tentado a democracia, alguma coisa assim, mas golpe de estado não teve.

¶142Eles não acham que teve golpe de estado, >> entendeu? Então o que acontece? Eles estão apostando na volta do poder. A grande pizza vai ter se eles voltarem. Aí vai ser vai ser a pizza tamanho família.

¶143Família pizza família tamanho. Tamanho família Bolsonaro. Entendeu? Vai entrar todo mundo, cara. E e vai ser o [risadas] regime de força.

¶144E >> eu vou falar uma coisa. Isso vai controlar a Polícia Federal como como o Bolsonaro eh controlava, entendeu? >> É, eu tenho eu tenho eu tenho minhas dúvidas aqui. O o que que é eu primeiro eu vou falar uma coisa que não é muito popular, eh, que o pessoal da direita não gosta e o pessoal da esquerda não gosta, porque os dois querem a mesma coisa. Eu não acredito, eu não acredito que na eleição do Flávio o Alexandre de Moraes rode.

¶145Eu vou te dizer porque que eu não acho que o Alexandre de Mora >> Não, não acho. >> Eu vou dizer por que eu não acho. Porque porque o Alexandre de Moraes tende de fazer parte do acordo, porque todo mundo que tá envolvido com Daniel Vorcaro sabe de tudo, entendeu? E você tem um ponto, se Flávio voltar já, o Bora não vai ter mais nenhuma, não vai haverar mais nenhum problema para para pro bolsonarismo. Eles estão, eles estão instantaneamente, eles estão instantaneamente numa situação que é aquela situação de um tá em cheque em relação ao outro.

¶146O Flávio certamente conhece o esquema do Alexandre todo e o Alexandre conhece o esquema do Flávio todo. Então, no fim das contas, você não pode enforcar um, porque se você enforcar um, evidentemente isso é uma metáfora, quem for sacrificado vai contar tudo. E você precisa servir essa pizza. E a única maneira de você servir essa pizza é é num pacto em que ninguém é punido. >> É isso.

¶147>> Entende? Agora, é evidente que o o Flávio e eh tende servir essa pizza. se ele foi eleito, ele tende a aposentar a porque aí tem uma outra coisa. Primeiro, a a minha impressão, a a leitura que eu faço hoje de tudo que eu ouço de generais e e do que eu aprendi a respeito do Exército Brasileiro no no nos últimos eh anos, é que não interessa o exército dar um golpe militar e entregar o poder pra família Bolsonaro. Não interessa.

¶148Eu não tô dizendo que não interessa o exército dar um golpe, eu acho que não interessa. Mas se for aí, é para botar um general no comando, entendeu? Eles não vão botar alguém que mete uma faca pelas costas qualquer coisa. E se tem uma coisa que eles aprenderam com muita clareza a respeito da família Bolsonaro, é que eles metem a faca nas costas de quem eles quiser no momento que interessar eles, entendeu? Não tem nenhum tipo de lealdade, não tem nenhum.

¶149É tipo ali é jogo sujo. Eh, eh, não tem, só vale filho, [limpando a garganta] filho homem de Jair Bolsonaro. Fora filho homem de Jair Bolsonaro, todo mundo serve pro sacrifício. Eh, eh, é esse o jogo da família Bolsonaro. [roncando] Aí tem uma outra coisa que eu acho, eu acho que o o governo Flávio não é um governo Flávio, é um governo do central.

¶150Eu acho que é um governo central, Cristian. Eu acho, eu não tô dizendo que seja bom. >> É mais ou menos, né? É um governo meio marco Rúbio. Mas lembra que o governo Bolsonaro, o Bolsonaro também alogou o governo pro central.

¶151Isso isso não quer dizer, isso não foi grande garantia. O ponto o ponto que eu tô fazendo, o Diego Querobino aqui e tá falando de Project 2027. Essa eu acho que é uma diferença fundamental entre o bolsonarismo e o trampismo. Eh, o trampismo tinha a serviço dele um fin tank, reacionário na heritage, nasce conservador, vai se reaccionarizando com bando de intelectual que conhece profundamente Estados Unidos e que montou pro Trump um projeto que não dá para montar esse projeto sem ser público, né? Todo mundo sabia do Project 2025.

¶152A a Flávia fez uma longa reportagem pro pro para uma edição de sábado da gente explicando o que que era o Project 2025 que [roncando] o que o Trump tá botando em prática. Gente, a turma que o Bolsonaro, o bolsonarismo conhece toda medíocre. Não existe um projeto 2027, entendeu? O que não, Quem [canto] tem ideias de o que fazer com o poder total do Brasil é Valdemar Costaeta, é Antônio Rueda, entendeu? E e é importante a gente entender que esses caras são meio medíocres, tá?

¶153Eh, >> não sei, mas tem os professores lá em Washington, entendeu? Tem os professores em Washington e você vai ter que ter o regime meio autoritário para abafar essa essa corrupção toda do próprio central. Veja, veja, veja, veja. Centrão. >> Eu não tô dizendo que não vai ser um governo autoritário.

¶154>> Vai estar defesa. >> Eu não tô dizendo, eu não tô dizendo que não vai ser, mas não vai ser igual porque a família Bolsonaro não tem sobre o Congresso Brasileiro a ascendência que o Trump tem sobre partido, partido republicano, que também virou um hospedeiro desse pessoal de ultradireita. E e isso é uma coisa, o o que nos Estados Unidos você tem um partido republicano subserviente ao Trump, >> entendeu? Porque o Trump tem voto e eles não tem. >> Sim, sim.

¶155Eh, você não tem um centrão subserviente ao bolsonarismo. Eh, eh, o centrão ficou de fora da eleição. Se você ganhar, a gente chega a um acordo. >> Mas parece que no segundo já vi umas manchetes assim, já merece. >> Não, veja, é claro que eles vão embarcar no governo Flávio Bolsonaro no segundo que ele tiver eleito.

¶156Agora eles vão embarcar com que objetivo? Eles vão embarcar com o objetivo de fazer o botim, entendeu? Eh, eh, eu tô, eu, eu assisto mais a um governo profundamente corrupto, >> autoritário cleleptocrático. >> É, é um, é um governo cleptocrata. É, eh, ou cleleptocrático, se você preferir.

¶157É, é, é, é um governo de roubo, >> é um governo de impunidade, é, é um governo com crime organizado, muito mais próximo do Planalto. >> É o estado do Rio estendido pro resto do Brasil. >> É o estado do Rio estendido pro resto do Brasil. É o que eu tenho falado desde sempre. Eh, desde o início dessa eleição, Flávio Bolsonaro é alérge no poder, porque é isso que eles sabem fazer.

¶158Tipo, você quer imaginar, você quer imaginar o pior cenário possível para um governo Flávio Bolsonaro? É só olhar pro que que o grupo político do Flávio Bolsonaro fez no Rio de Janeiro. Olha pro governo do Rio de Janeiro e você vê o governo Flávio Bolsonaro, entendeu? Você sabe que eu fico às vezes irritado com essa história de que, ah, não tem escola boa, é porque é robô, sabe? Conversa de fila de supermercado, né?

¶159Mas o aqui no estado do Rio aconteceu isso sim. A a tem uma uma linha do metrô que não saiu por de tantos que roubaram, porque a quantidade de dinheiro que roubaram, tantos bilhões que foram roubados no governo passado, dava para fazer o diabo da linha do diabo da linha de metrô. Agora você imagina como é que vai ser no no quando esse tipo de governo for estendido pelo resto do país [roncando] em todas em toda a malha federal? >> Agora veja, é um governo que vai entregar >> diga. >> Não, só sobre isso mesmo que você falou, porque eu acho que a cleptocracia que você tá vislumbrando, ela tem um braço de negócios com cleptocracia trampista.

¶160Ah, claro. Isso >> vão entregar o Brasil inteiro. >> E isso e eu acho que isso vai se misturar com ideologia e e autoritarismo, porque não tem como separar as coisas. Eu acho que a esta altura nem o trampismo se sustenta só no pilar do autoritarismo ou só na cleptocracia e e talvez nem um governo Bolsonaro dois, entendeu? Então você pega a maneira como essas coisas vão ficar misturadas, eh a gente não vai ter eh, o efeito vai ser deletério mais do que só uma cleleptocracia pura, a meu ver, eh neste sentido, porque vem com um projeto que para poder continuar roubando vale tudo.

¶161E aí é que o risco fica instalado, a meu ver, é nessa nessa mistura, nessa nessa vai e vai e vai abrir com esse negócio da segurança nacional. Vai ser a coisa mais engraçada. vai abrir que nós temos que decretar o estado de defesa para combater o comando vermelho e o PCC com que tem negócio aqui. Mas eu não antevejo, eu não antevejo eh nos primeiros anos de governo, tipo, jornalista sendo agente Eduardo Bolsonaro embaixador, >> Sim, mas eu não eu não vejo jornalista sendo preso, advogado sendo preso, o professor sendo preso, entende? >> Não precisa >> não, não precisa.

¶162Eh, eh, agora vai ter essas coisas de expulsar a TV Globo do Palácio do Planalto porque é Globo lixo ou como é que eu não sei mais se Globo Lixo é esquerda que fala ou direita que fala. >> Ca concessão. >> Eh, eh, talvez eu acho que caçar concessão mais agressivo. Você pega o Trump assim, se você se você imitar o Trump, concessão, >> se você imitar o Trump, tudo que ele fala, gente, outro dia é é que é uma coisa inacreditável, a gente fica naturalizando ou a gente não assimila porque a gente não acredita. né?

¶163O, por exemplo, uma das obsessões do Trump é com é com é com o Kennedy Center lá, que é um centro de artes em Nova York, que ele impôs o nome dele. >> É >> centro centro Kennedy. Depois queria que botar só o nome dele, o aí o centro resiste, ele >> começa a dizer que vai mandar demolir o centro. >> Isso, >> entendeu? assim, você e e as pessoas se esqueceram assim, o governo Bolsonaro era era isso quatro vezes por dia.

¶164Você não tinha, era no café da manhã, era no almoço, era era era no jantar, era no lanche e era no jantar. Entendo que essa coisa da mobilização permanente populista é outra reacionária, cara. É um e você vai usar, como disse a Flavinha, você vai usar a ideologia para como uma espécie de uma de uma cola, um cimento para justificar esse negócio todo, entendeu? E aos poucos você vai, você vai trancando o Supremo e os você vai pegar a Polícia Federal, não vai apurar nada, vai virar essa capta para cima. Aliás, dizem que Venezuela é assim agora, né?

¶165[risadas] >> A Venezuela é assim agora. É Brasil Venezuela. Eh, >> eu queria só acrescentar, então, nesse tom super otimista que a CNN e o político eh que foram barrados >> suspensos da Casa Branca, >> isso. Eh, eles optaram por reagir da seguinte forma. Deixa eu ver quem mais.

¶166Eh, CMN, MSAL e Político. As emissoras eh decidiram boicote da cobertura à Casa Branca a partir de hoje. Eh, não sei como isso vai se materializar. Eu nunca vi uma situação desse tipo. >> É, não sei como é que você não cobre Casa Branca, mas tudo bem.

¶167eh >> não sei como não se cobre Casa Branca, sendo que, né, como seu dever é informar nação sobre o que que o o poder tá fazendo. Você vai parar de falar de do presidente dos Estados Unidos? >> Não está claro para mim o que que eles vão fazer, de que maneira. Eh, o fato é que eles suspenderam a cobertura de Casa Branca em boicote. Eh, não fará cobertura de eventos designados como cobertura em pool do presidente.

¶168Então, é específico, não é que eles não vão mais cobrir eh tudo que saia da Casa Branca. É meio que eles estão dizendo que não vão dar palco pro Trump, né? >> O que não quer dizer que não cobrir governo dos Estados Unidos. Eh, [risadas] e é uma linha bem tên e é porque eles estão de mãos muito amarradas. >> Pouco que eles possam fazer diante de um cenário tão grave.

¶169>> Ag, tem uma coisa também, tem uma variável aí nesse jogo a respeito do que que é um governo Flávio Bolsonaro que a gente não tá levando em consideração, que é a eleição de meio de mandato em novembro, agora logo no início de novembro. Se os democratas de fato ganharem, entendeu? as duas casas. O governo Trump também passa a ser um governo bastante mais fraco, porque ele perde o Congresso. Eh, >> e e >> mas a eleição deles é depois da nossa.

¶170>> A eleição deles é depois é nossa. Claro. Não não não não influencia na nossa eleição, mas influencia no tipo de governo que um Flávio Bolsonaro pode ganhar. E veja, deixa eu falar uma coisa. Tem outro fator.

¶171Ah, pois, >> deixa eu só falar uma coisa. Eh, duas semanas atrás eu tava dizendo que essa era uma eleição 60 40, tá? Eu talvez esteja parecendo eh eh mais pessimista do que e e deixa eu caracterizar esse pessimismo aqui, tá? Eu acho o governo Lula um horror. Eu acho o governo Lula um problema.

¶172E e e eu acho que é uma lástima que a nossa alternativa, Flávio Bolsonaro, seja Lula por um motivo muito simples. A gente precisava de um Tancredo Neves, a gente precisava de um Afonso Arinos, a gente precisava de alguém com a capacidade de reinaugurar o regime. >> A gente precisa, alguém a gente fala de futuro, cara. >> A gente precisa de um JK e a gente precisa de um perfil que o Lula não entrega. Eh, parte da razão de a gente tá à beira da possibilidade de uma eleição de um de um Flávio Bolsonaro tá diretamente ligado ao fato de que o Lula fez uma escolha no governo dele.

¶173Ele se elegeu como um como um presidente de uma de um arco de alianças ideologicamente amplo e governou entre a esquerda desenvolvimentista e a esquerda identitária. Ao fazer essa escolha, o governo Lula se isolou e em 1/3 da sociedade, porque o tamanho desse mundo entre a esquerda desenvolvimentista e a esquerda identitária não passa muito de 30% da sociedade. Então o o o problema do Lula é esse. Ele é um presidente pequeno pro tamanho do problema que a gente tem. Eu sinto muito quem gosta do Lula, ele é um homem pequeno pro tamanho do problema que a gente tem.

¶174Agora, eu acho, na boa, e sinto muito, eh eh eu tô vendo que a gente tem um largo público eh bolsonarista nos assistindo. É o horror. É o horror. O o pai é um golpista, entendeu? E Flávio Bolsonaro nunca fez nada na vida, nada.

¶175Ele não era nem formado quando ganhou de presente de papai um mandato de deputado estadual. enquanto deputado estadual é é de uma mediocridade, não apresentou um projeto de lei relevante, não fez nada, só roubou e roubou muito. Aí ganhou de papai um mandato de senador da República e vai ganhar de papai, periga ganhar de papai o mandato de presidente da República, entendeu? É, é o voto mais anticonservador que eu consigo imaginar. Vocês são loucos de votar nesse sujeito, entendeu?

¶176É um medíocre, não faz nada. O fato de ser um pouco mais inteligente do que os outros dois irmãos não faz dele sequer inteligente. É que a comparação é muito ruim mesmo, entende? É, é isso. É entregar o país para uma figura medíocre nesse nível e corrupta nesse nível é é um troço de deixar qualquer um pasmo.

¶177>> Olha, >> e eu quero e eu aí só amarrar e já jogo para vocês. Perdão. Agora isso suposto. Semana passada, duas semanas atrás eu achava que essa era uma eleição 60 40. 60 Flávio, 40 Lula.

¶178Eu tô achando que é 5050, tá? vai ser cara e coroa quem vai ganhar e e vai ser decidido no na última semana de acordo com o noticiário, porque vai ser um fiozinho de eleitores que vão decidir essa eleição. Eu não sei se ela termina no primeiro turno ou no segundo. Pode terminar no primeiro com a vitória de um dos dois. Pode terminar no segundo com a vitória de um dos dois.

¶179A gente tá ferrado. Eh, o cenário do Flávio é muito pior do que o cenário do Lula. Perdão, Cristian. [limpando a garganta] >> Não, não, nada. Eu talvez só comentar que a respeito especificamente desse candidato, eu não eu não tenho nem o que dizer porque é o é difícil imaginar o candidato, tem o livro do Musilo, né, que chama-se Homem sem Qualidades, né, a a Mas o homem do mús defeitos.

¶180Esse esse candidato não tem qualidade e só tem defeito. Eh, eu preferia votar no Ciro Nogueira, eu preferia votar no Valdem Costa Neto por opção, porque eles fizeram alguma coisa na vida. Eles fizeram alguma coisa, eles se empenharam, eles eles fazem política, construíram alguma alguma coisa, entendeu? Tem tem alguma coisa. Esse sujeito não tem absolutamente nada.

¶181Ele não é coisa nenhuma. Ele esse jeito nunca governou nada. É uma coisa assim, eh, e tem gente, a ideia de votar nele simplesmente por por porque você não gosta do Lula é meio como você botar assim: "Eu odeio o síndico, vou atacar fogo no prédio, só que você mora no prédio, aí você esquece que que vai acontecer." Assim, pensem simplesmente no que vai assim, todos os problemas do Brasil vão vão parecer que vão desaparecer dois dias depois da eleição de Flávio Bolsonaro, quando ele anunciar o ministério, quando ele anunciar medidas do que vai fazer, quando começar a ver a os cumprimentos de de de Trump, de Marco Rúbio, quando quando você vai ver o que que vai acontecer, a gente não vai lembrar dos problemas da que a gente tá atravessando. As manchetes vão mudar completamente, entendeu? É assim, eu não consigo nem tenho até dificuldade de escrever candidato, porque você tem que, porque a pessoa tem que ter um perfil para você poder avaliar.

¶182Eh, mas como sujeito que não tem perfil nenhum político, não tem não tem não tem carreira, não tem coisa nenhuma. É difícil de você avaliar, entendeu? Eu acho que a gente tá ignorando um outro fator. E aí, só antes de eu acrescentá-lo, eh, eu queria só lembrar que isso que você relatou, Pedro, da Frente Ampla, né, e da dessa ausência do governo de Frente Ampla que apoiou a eleição do Lula, é algo que o Thomas Trauman fala no nosso documentário, eleições 2026, a escolha, cujas eh eh cuja entrevista na íntegra vai subir hoje pro nosso streaming. Então, já falei de edição de sábado, tô falando agora do nosso streaming.

¶183Quem é assinante premium tem acesso a tudo isso, gente. São só R$ 15 por mês. Você fica com acesso a todo o nosso material. A gente vai trazer um meio político essa semana muito, muito especial também da nossa Débora Bizarria, analisando a economia política da desconfiança nas instituições. Olha que coisa, tipo, eh, com, mas com um jeito que ela sabe escrever, que deixa a gente muito bem informado, é uma maneira leve, didática, que você sai realmente entendendo as coisas.

¶184O que eu acho que a gente tá talvez tentando avaliar um governo, Flávio Bolsonaro, ignorando o Jair Bolsonaro. E eu acho que a contrapartida deste acordão é a amistia. Claro. >> E o Jair, quem vai governar é Jair Bolsonaro novamente. O Flávio Bolsonaro é proxy.

¶185O Jair Bolsonaro a gente sabe que a a saúde dele não é eh não tá [limpando a garganta] boa, mas ele também não está moribundo, gente. Ele tá com a saúde controlada em prisão domiciliar. se ele for antiado, eh, se o se o acordão for desenhado e envolver a anestia deles, é a continuidade, é o governo que ele teria feito em 2022 e não fez com o apoio de Donald Trump na Casa Branca. Exato. E com Supremo e com tudo com mais frentes de com mais frentes de [risadas] cleptocracia abertas e com um com os cabeças do centrão, muitos deles fragilizados.

¶186O Ciro Nogueira ainda pode ser preso, gente. O Antônio Rueda ainda pode ser preso. Davi Columbri ainda pode ser preso. Então é um bom, o próprio Flávio ainda poderia, mas tudo isso vai ter que ser negociado. Então, se a depender dos termos dessa negociação, é um Jair Bolsonaro muito mais poderoso do que teria sido em 2022, porque o centrão que lhe impunha algumas eh chantagens talvez não esteja mais em tanta condição de impor eh ele vai estar na posição de vantagem dessa negociação.

¶187É, eu eu acho que assim e não dá para tirar do cenário essa o Flávio não fala isso da boca para fora só para conseguir voto que quer subir a rampa com o Jair do ao seu lado. O governo é dele. >> É soltar papai pro papai governar. É a desforra. >> É uma desforra.

¶188Isso. >> Entendeu? Então assim, este cenário de que olha, não vai ter jornalista preso, não vai ter eh realmente, talvez não primeiro momento, mas vamos lembrar que o André Mendonça, quando era ministro da justiça usou lei da segurança nacional para vigiar jornalista. >> Exato. Professor, >> professor, >> colunista de jornal, entendeu?

¶189Para vigiar e para e meter processo. E o Aras também >> é, gente, vamos lá. Por que que eu tô falando que veja, eu não quero eh [roncando] eu eu falo com eu falo com eh eh muita clareza aqui. [limpando a garganta] Eh, eu me conheço e eu eu fui criado de um determinado jeito. Eu eu eu eu passei minha infância e minha adolescência ouvindo histórias de família.

¶190Eh, a a eu venho de uma família que tá na política desde sempre no Brasil, entendeu? Desde antes da da independência. Eh, a minha família sempre esteve na política dos dois lados, tá? Eu tenho gente na esquerda, eu tenho gente na direita. E o e o debate político é uma coisa que é uma constante na minha casa e é constante na casa dos meus primos e é uma constante é a vida.

¶191E e tem certas coisas que eu sempre aprendi, entendeu? entre elas que ditadura, a ditaduras a gente resiste, a gente enfrenta. O um dos problemas disso é que tanto na ditadura do Estado Novo quanto na ditadura militar, eu tenho um monte de primo e de tio que foram presos, entendeu? E e eu lembro muito eh eh eu já tava a na boca da adolescência quando quando a ditadura militar acabou com a eleição do Tancredo Neves. Eu e o Cristian temos praticamente a mesma eh tava naquela virada dos 12 pros 13, né?

¶192>> Isso. >> Eh e e cara, eh, eu lembro muito nitidamente dos momentos de medo do meu pai, entendeu? Nos anos 70. Quando eu lembro do clima de medo em casa, quando alguém da família tinha sido preso, quando alguém da família tava pronto para ser solto, eh a quando quando ele próprio achava que podia, putz, e eh ter um momento lá num determinado momento que a gente foi paraos Estados Unidos, meu pai arranjou uma bolsa e e foi fazer [limpando a garganta] um pósdoc nos Estados Unidos porque literalmente eh eu fui alfabetizado lá, eh, porque literalmente tinha um medo de ser preso. Eu tenho medo de ser preso.

¶193É, eu vou ter muito, eu vou ter acesso a advogado muito bom, eu vou ter, só que você não controla muito o que que acontece nas primeiras horas depois de uma prisão, entendeu? E se você pega um cara que não sabe que vai ser um estrago, porque é claro que no meu caso, se uma pessoa como eu, uma pessoa como um jornalista conhecido é preso e é torturado, putz, isso vaza em 2 segundos, entendeu? É, é, é, é, é uma merda para quem fez, mas o problema é que em geral quem te prende não sabe, [roncando] entendeu? Eh, eu tenho muito medo disso, mas eu também tô agindo com uma lógica que é o seguinte, eu não acho que vai ser diferente do Milei, eu não acho que vai ser diferente do Trump, >> mas o Milei de Trump é diferente. Não é igual e um tem maioria, outro não tem.

¶194Eu eu sei de tudo isso. Eu sei de tudo isso, mas metade do país terá votado contra Flávio Bolsonaro, entendeu? Você vai ter um país alerta e não é histórico destes regimes que estão se instalando aqui na América Latina. Eh, e mesmo nos Estados Unidos, eh, é, é um tipo de autoritarismo, é uma dissolução do regime democrático, mas não é a mesma coisa que a ditadura militar ou a ditadura do Estado Novo, >> entende? ainda a gente terá nos primeiros anos espaço de crítica, de protesto, de debate.

¶195E o trabalho de gente como a gente vai ser [roncando] usar esse espaço para protestar, para criticar, para debater. Se acontecer de Flávio Bolsonaro ganhar, eu acho que a seleição tá 50 por 50 por 50 e Lula vai ganhar. Se o Lula vai ganhar, se o Lula for ganhar, aí tem um outro debate para acontecer, que é pressionar esse esse segundo governo Lula, esse quarto governo Lula, a trabalhar numa reforma constitucional que ela é urgente. Ela é urgente e não pode se envolver só essa essa proposta de reforma constitucional, de grande ampla reforma constitucional dentro da Constituição, ou seja, sem mexer em cláusula pétria, tem que ser feito fora do Congresso Nacional. por iniciativa popular, porque se for feito por esse congresso, vai ser um desastre.

¶196Não pode deixar com esse congresso para fazer essa reforma constitucional. Tem que ser por iniciativa popular. A gente vai ter que juntar a a as universidades, a academia, o jornalismo, entendeu? Eh, a a a e vamos construir uma reforma, porque este governo Lula não vai ter força e nem iniciativa. Ele vai tentar sobreviver um dia após o outro.

¶197Pois é, mas é que tá, porque se ele se se ele se ele ganhar sem fazer essa concertação, se ele ganhar deixando os bacilhos que estão corroendo o regime democrático continuarem, aí realmente eu não sei nem se eles chega no meio, no meio no fim. É, não, eu não sei se algum chega no meio do fim, porque entre outras coisas a gente tem encomendada por herança do governo Lula 3 e do governo Bolsonaro um, a gente tem encomendado uma baita de uma crise fiscal já no ano que vem batendo a porta, entendeu? lado, me tranquiliza. E aí eu vou falar na comparação. Eh, eu não acho, inclusive que isso tenha venha sendo explorado o suficiente nas campanhas, na campanha lulista em particular, olhar com mais carinho para Geraldo Alkmin.

¶198>> Geraldo quem? [risadas] >> Pois é sério. Não aparece >> usá-lo mais como ativo da campanha. É isso que eu quero dizer, porque você olha pro, >> acho que daria um presidente muito melhor do que o Lula, tá? muito [roncando] melhor.

¶199>> Justamente. Bom, eu eu tenho as minhas preferências pessoais, mas eu acho que o o Geraldo Alkmin é o ativo de campanha, principalmente na comparação com Alfredo Gaspar, que é uma coisa tão assombrosa. A diferença tão pouco. >> O meu comentário geral do quem é porque sumiu no mapa. É porque acho que foi por isso que eu perguntei, não é porque não acho que não dou importância, entendeu?

¶200Porque ninguém sumiu, desaparece, entendeu? Ninguém, ninguém usa, ninguém fala, ninguém mobiliza. >> Excelências, >> nada resolvemos >> nada. >> Vão ser duas semanas. >> Seguimos aqui.

¶201Isso. >> Seguimos aqui fazendo jornalismo. Ajudem o nosso jornalismo. Assinem. R$ 15 por mês, gente.

¶202Não é nada, >> gente. >> É nada. por mês. >> Deixa deixa eu falar uma coisa com vocês. A, aproveitando que a Flávia eh já falou muito do que que a gente ofereceu pros nossos assinantes.

¶203Tem a entrevista do Thomas Trauman. Tem a entrevista que ela fez. >> Ah, tá Ah, bom. Tem isso, tem que susto. [risadas] >> Desculpa.

¶204Eh, a gente tá a gente tá num momento muito crucial pro pro país e e o que a gente vai continuar fazendo no meio é exatamente isso que vocês estão assistindo. Isso aqui não vai ser jornalismo próula. A gente não acredita em fazer jornalismo pró-governante. O papel de imprensa não é aplaudir governante. O papel de imprensa é procurar o que tá de errado e apontar.

¶205e analisar e tentar explicar o que tá acontecendo. Esse é o nosso trabalho e isso é o que a gente vai continuar fazendo. Agora a gente não vai deixar de alertar pro fato de que Flávio Bolsonaro, não só um sujeito profundamente medíocre, profundamente corrupto, como ele é filho de um sujeito que tentou dar um golpe militar, o primeiro golpe militar tentado desde 1964, a gente não vai fugir dos fatos, a gente não vai deixar de fazer a análise que a gente faz, que é uma análise em cima de fatos. Eu sei que para muitos de vocês isso é com frequência motivo de irritação. Tem a turma aqui na caixa de comentários dizendo viva Lula.

¶206Tem a turma na caixa de comentários dizendo viva Flávio >> é futebol. >> Viva Bolsonaro. Não é o nosso jogo. A gente tá tentando entender o que tá acontecendo. E olha o algoritmo da das redes sociais aqui do YouTube, no Instagram, no X, no TikTok, onde for.

¶207O algoritmo não gosta de quem tá não tá na torcida, porque quem tá na torcida dá audiências grandes, entendeu? Quem não tá na torcida, quem tá tentando entender, o algoritmo não gosta, ele mostra para menos gente e tá tudo bem, porque a gente não vai mudar, a gente sabe como é que funciona o algoritmo. Doutora, eu trabalho com o jornalismo na internet desde 1995. >> Ah, já existia internet? >> Já existia internet.

¶208[risadas] Já existia na internet. A gente conhece o jogo, a gente sabe como é que faz, a gente sabe o que que tem que fazer para explodir. A gente não vai fazer, a gente vai fazer jornalismo. Esse tipo de jornalismo, a gente precisa da assinatura de vocês mesmo, porque o ano tá muito ruim e anos eleitorais são, em geral aqueles anos em que você acumula a assinatura para conseguir viver os três anos seguintes. Esse ano, o desespero e o e o desinteresse das pessoas.

¶209pela eleição, porque a eleição travou e boa parte dos brasileiros realmente queriam ter outras escolhas na cédula, não lhes foram oferecidas pelo sistema político. A eleição travou, apertou, empacou, como a gente tá dizendo hoje, e e virou um jogo que vai ser na cara e na coroa. A gente não sabe. A gente vai esperar até o último segundo para saber o que que foi decidido. Mas pro meio, isso é um problema, esse desinteresse, porque no desinteresse as pessoas não assinam, as pessoas desligam, as pessoas vão embora.

¶210Eu sei que a eleição tá difícil, tá chata, tá empacada. Eu sei que a grana tá curta, tá curta para todo mundo. A gente precisa muito das assinaturas de vocês, muito. A gente precisa dessas assinaturas pra gente viver os próximos 3 anos. Então eu peço a vocês encarecidamente, assinem o meio, a gente precisa de mais.

¶211[roncando] E se vocês acham que o tipo de jornalismo que a gente faz ajuda você a entender o Brasil, eu realmente acho que na internet você vai encontrar poucos lugares que não vão ajudar você a ter aquele calorzinho no coração de esse aqui tá falando por mim. Não é isso que a gente tá oferecendo. Eu sei. É mais gostoso o calorzinho e é mais chato e mais difícil e menos agradável esse trabalho de compreender. Mas esse trabalho de compreender numa democracia tem valor porque no fim das contas, cara, cara cidadão, um voto.

¶212É o que você compreende que permite você entender como votar, inclusive estrategicamente. Se o nosso jornalismo faz diferença para você, e eu acho que para muitos de vocês faz, assim no meio, a gente precisa dessa assinatura. Flávia Cristian, como eu tenho o prazer de fazer esse programa com vocês dois também. >> Muito obrigado, hein? >> Tenho muito orgulho de estar aqui.

¶213>> Que bom. >> É sempre ótimo, gente. >> É, é múo, é compartilhado. >> O Central Mail de hoje fica por aqui. Muito obrigado pela companhia.

¶214Até amanhã. CR do a gente faz edições de sábadoo entrevistamos juristas do país para analisar essa opinião de mesa [música] de contexto. Tem que foi assim uma FGB direito sobre ausência de uma reforma nos pode abafar todo o resto. Por isso trouxemos entrevistas sobre os outros temas que também oculpam o brasileiro nessa eleição como economia como educação. Débora Bizarria, por exemplo, escreveu um artigo comparando os cinco programas de governo na economia pela educação.

¶215Cada presidenciado propõe nesse campo, que são os temas do dia passado. Se você quer acabar essa eleição de profundidade, assina meio premium e receba a edição de sábado toda semana. vai fazer diferença para você [música] entender no que tá botando. >> [música]