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Pesquisa BTG/Nexus traz Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no segundo turno | Central Meio

a tese

Central Meio de 21/09 com Pedro Doria, o cientista político Christian Lynch e a editora-chefe Flávia Tavares sobre o empate técnico Lula 46% e Flávio Bolsonaro 45% na BTG/Nexus, com duas teses de fundo: a eleição será decidida por 3% ou 4% de eleitores antilulistas que também repudiam o bolsonarismo, e o que está em crise não é um governo, é o regime de 88, com metade do Supremo sob suspeita no caso Vorcaro.

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É análise eleitoral de boa qualidade e envelhece em duas semanas; o único trecho com fôlego é a caracterização do Supremo como oligarquia por consenso, que vale como conceito solto, e são quase duas horas para chegar lá.

O que foi dito

  • Na pesquisa BTG/Nexus, Lula lidera o segundo turno por 46% a 45%, com rejeição também empatada (50% contra 49%); Doria diz que duas semanas antes via a eleição como 60 a 40 para Flávio e agora a vê como cara ou coroa, decidida na última semana pelo noticiário.
  • O modelo eleitoral de Doria: há três blocos, o petista/lulista travado desde janeiro (Lula não ganha nem perde eleitor), o bolsonarista, que ele estima em no máximo 25%, e um terceiro grupo antilulista mas não bolsonarista, cuja maioria, num segundo turno, prefere votar em Flávio a ficar em casa, porque o antilulismo grita mais alto que o antibolsonarismo; cita a leitura de David Samuels e Cesar Zucco sobre o antipetismo como forma de organizar quem não quer solução de esquerda num país onde só o PT se organizou como partido de verdade, leitura que ele considera válida até 2014.
  • Flávia Tavares faz a crítica de campanha: o vídeo de Lula sentado na altura das mulheres afetadas pelas bets, sem chapéu, é o melhor material da campanha até aqui, e a associação entre custo de vida e endividamento por jogo tem lastro real, mas veio tarde demais; Flávio está “teflon”, nada adere, e ela descreve a campanha petista como letárgica e incapaz de reagir rápido.
  • Doria contrapõe que não é letargia, é perda do método que fazia Lula vencer: antes ele ouvia fora do PT (até Delfim Netto como conselheiro de economia, e o Bolsa Família nascido de três economistas liberais) e entregava a campanha a publicitários técnicos como Duda Mendonça e João Santana, que resolveriam a questão do chapéu com grupo focal; hoje o entorno, incluindo Janja, decide por afinidade.
  • Ainda na crítica de campanha: quatro anos de governo gastos em desentendimento com a classe média baixa (taxa das blusinhas, insistência em CLT para quem quer trabalhar por aplicativo, queixa permanente do eleitor evangélico como manipulado), e a peça com artistas ricos fazendo o L é lida como desastre, porque Caetano Veloso e Maria Bethânia falam com a elite, não com o eleitor que decide.
  • O diagnóstico institucional: Doria lista cinco dos dez ministros em exercício do Supremo sob suspeita de envolvimento com Daniel Vorcaro (Moraes, Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques, Luiz Fux e agora Gilmar Mendes) e Flávia traz ao vivo a revelação da coluna de Andreza Matais no Metrópoles sobre o contrato de 427 milhões de reais com o escritório da mulher do desembargador Nilton Ramos, ligado à “turma do KN”, condicionado ao êxito numa ação de 8,5 bilhões em precatórios, sendo Kássio o presidente do TSE.
  • Flávia resume a entrevista que fez com a constitucionalista Eloísa Machado (FGV): com metade da corte comprometida, o problema imediato não é punir, é a falta de quórum e a ausência de resposta institucional (convocar ministro do STJ, esperar nomeação), e a sessão da semana anterior terminou sem encaminhamento nenhum, com Fachin suspendendo o julgamento sobre André Mendonça sem nova data.
  • Lynch oferece a chave analítica mais forte do programa: o Supremo é uma oligarquia no sentido clássico, um corpo pequeno que decide por consenso e no qual todos se protegem; quando o consenso quebra, a recomposição se dá pela violência, entendida como forçar o dissidente de volta à conformidade, e foi o que a facção bolsonarista fez ao abrir a investigação contra todos. Acrescenta que a disputa lá dentro não é ideológica (Gilmar foi nomeado por FHC, Moraes por Temer, Fux por Dilma) e está suspensa à espera do resultado eleitoral.
  • Sobre o cenário de vitória de Flávio, Doria prevê um acordão em que ninguém é punido, porque cada lado conhece o esquema do outro, e duvida que Moraes caia; projeta governo cleptocrático e autoritário entregue ao centrão, “o estado do Rio de Janeiro estendido ao resto do Brasil”, e nota a diferença em relação ao trumpismo: não existe um Project 2027, quem tem projeto para o poder total é Valdemar Costa Neto e Antônio Rueda. Flávia acrescenta que a contrapartida do acordão seria a anistia, com Jair Bolsonaro governando por procuração e mais forte do que seria em 2022.
  • O fecho é político e pessoal: Lynch diz que prefere o status quo ao projeto de derrubada do regime, Doria conta a história familiar de parentes presos no Estado Novo e na ditadura militar e admite medo de prisão, e os dois convergem na proposta de uma reforma constitucional ampla feita por iniciativa popular, fora do Congresso atual, porque nem um quarto governo Lula teria força para conduzi-la. Boa parte do programa é ocupada por apelo de assinatura e por digressões (uísque, restaurantes de Brasília), e Doria reclama de estar apanhando da militância de esquerda junto com Malu Gaspar e Vera Magalhães por não fazer jornalismo de torcida.

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