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Lula discursa na ONU: soberania e pressões dos EUA nas eleições | Central Meio

¶1[música] e Olá, boa tarde. Sejam muito bem-vindos. Sejam muito bem-vindas ao Central Meio. Hoje é terça-feira, 22 de setembro de 2026. Eu sou Pedro Dor e hoje está aqui comigo Yasm Restum no Rio de Janeiro.

¶2Lá em São Paulo. Flávia Tavares e Magno Cal. Tudo bem turma? >> Tudo bem. E vocês?

¶3É eu, o Magno e uma furadeira. Chegamos a furadeira do vizinho. >> A furadeira e a chuva. >> E a chuva. Isso, exatamente.

¶4>> Estamos bem acompanhados hoje. >> Poxa vida. [risadas] Poxa vida, poxa vida. Pelo menos vocês não estão em Nova York. Imagina tá em Nova York ouvindo Donald Trump.

¶5[suspirando] É, não, eu ouvi de Imagina estar em São Paulo na chuva com uma furadeira ouvindo Donald Trump. Foi o que [risadas] eu fiz qualquer instante. >> Não seria um programa assim da minha predileção. Eu diria. >> Devia ter continuado com atriz Flávia Tavares.

¶6A vida ia ser melhor, talvez mais pobre, mas melhor. [risadas][suspirando] >> Pessoal, estamos junto. >> Hoje o presidente Lula discursou na abertura da Assembleia Geral da ONU e mandou um recado direto para ele, Donald Trump, sobre segurança pública e soberania nacional. Ele defendeu o combate ao crime organizado e que isso não exige presença militar estrangeira aqui no Brasil. >> É isso, Yasm.

¶7Nas palavras de Lula, abre aspas, não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Lula revelou, inclusive que entregou essa proposta pessoalmente ao presidente americano. >> Pois é, pessoal. O presidente também defendeu o fim da violência contra as mulheres como uma pauta global, afirmando que o combate ao feminicídio é uma causa que todo mundo precisa abraçar.

¶8A gente fala hoje sobre o discurso do Lula, sobre tudo que tem acontecido no Brasil há menos de duas semanas das eleições e muito mais. Então fica aqui com a gente, puxa sua cadeira, deixe seu like, mande sua pergunta no chat porque eu tô de olho e se inscreve no canal porque o central meio tá no ar. >> [música] >> Simbora. Pessoal, eu acho que esse discurso do Lula na ONU não teve muito nada muito diferente do que a gente já tava imaginando que ele falaria, né? Ele teve também outros encontros com outras figuras, outros figurões importantes da política norte-americana.

¶9Que que vocês acharam? Contem aí. Magno, Flávia, chegueem mais. quer começar, meu querido? >> Pode começar.

¶10>> Olha, eu acompanhei o discurso completo do presidente Lula. Eu peguei um pedaço do Antônio Guterres também antes, que foi um discurso até mais longo do que o previsto, porque tá em tá em clima de despedida, né, da ONU, secretário geral. E aí em seguida veio o Lula, fez um discurso de 20 minutos cravado. A gente sabia eh é natural que em ano eleitoral o presidente brasileiro vá ao a assembleia geral da ONU com um discurso duplo, né? Um pra comunidade internacional e um pra comunidade do seu próprio país, né?

¶11Eh, e normalmente essa costura é feita de uma maneira um pouco mais sutil, às vezes apresentando resultados do próprio governo e tentando então eh emular uma a enfim as mensagens e o que as prioridades pro mundo, né? Neste ano, o presidente Lula eh no seu 10o discurso na Assembleia da ONU, então é um veterano desse púlpito, né? sabe como fazer esse jogo, né, dos recados pro público interno e pro público externo. Eh, ele tinha uma aposta a ser feita, né? eh, ele tá numa eleição, enfrentando um cenário eleitoral dificílimo, apertadíssimo, cuja vantagem eh ele conseguiu construir nas pesquisas em alguns momentos ao longo do ano, [roncando] com um discurso de enfrentamento aos Estados Unidos ou de proteção da soberania, depende do ângulo pelo qual você olha, quem começou, né, por onde [limpando a garganta] que por dependendo de onde você olha com quem começou, né?

¶12Eh, ele recorreu a essa carta novamente porque sente de fato que existe uma ameaça de interferência do governo americano nas eleições brasileiras. Eh, vamos lembrar que neste fim de semana mesmo a vazou, né, a Mônica Bérgamo deu um relatório da ABIM para o presidente do TSE e para o presidente Lula falando do perigo, da interferência e tudo mais. E a gente sabe que o grupo, principalmente de Marco Rúbio, é mais próximo do grupo de Flávio Bolsonaro e vem dando sinais de que realmente pode de maneira indireta até aqui eh fazer essas ingerências. A maneira direta foram as tarifas, a as maneiras indiretas são essas eh seguem sendo essas ameaças, seguem sendo as as [limpando a garganta] ingestões ali do do grupo de Eduardo Bolsonaro, principalmente na Casa Branca, oferecendo relatórios, né, como eles dizem. O a crise no STF também não ajuda nesse sentido, abre uma porta aí de mais pressão e tudo mais.

¶13Então, o presidente Lula usou principalmente o minuto final do seu discurso para falar sobre eleição de uma maneira explícita, o que não é normal num discurso na ONU. Normalmente isso é feito de maneira indireta. Dessa vez o Lula fez diretamente, falou: "No dia 4 de outubro nós temos eleições no Brasil". as eleições do Brasil, eu não tô eh citando textualmente, mas o recado foi: "As eleições no Brasil serão livres, serão vigiadas por uma imprensa livre. A gente sabe que há grupos que vão tentar fazer eh interferir e a gente tá atento a isso.

¶14A democracia do Brasil pertence aos brasileiros. Então ele não citou o governo norte-americano, nem precisaria. Eu acho que ninguém desconfia de que possa ser para outro governo este recado, né? Eh, a nossa, eh, colega Vera Magalhães interpretou esse, eu e o Magno, a gente tava tava conversando sobre isso logo antes de entrar no ar, interpretou esse recado como um atestado de preocupação com a derrota. Eu brinquei com o Magno.

¶15Bom, ainda bem, né? porque senão seria uma alienação completa se ele não tivesse preocupado com isso. Eh, é uma aposta, ele tem uma aposta no discurso da soberania, no discurso de enfrentamento a Donald Trump e a proteção eh da do sistema eleitoral e do do na verdade do processo eleitoral brasileiro como algo que lhe renda dividendos eleitorais. Não tem muitos muitas outras apostas a serem feitas em 10 dias. Então ele recorreu a uma que pode lhe render algo ainda.

¶16É um é uma pauta relativamente popular. Pesquisas já mostraram que é algo importante pro brasileiro. A própria meio ideia teve perguntas sobre isso e é um valor caro aos brasileiros de todos os espectros que não haja interferência estrangeira no nosso processo eleitoral. É uma aposta que ele faz. Donald Trump falou em seguida e não passou o recibo de volta, não mencionou eh nada sobre isso, apenas citou ali Cuba, citou, fez eh fez alguns pontos de contato indireto com o discurso de Lula, mas sem nenhuma referência direta, o que também não quer dizer que o Lula não vá colher esses dividendos, apesar disso.

¶17Essa é a minha análise inicial, já um resuminho para eu te passar, Magno. >> Obrigado, Cláudia. Eh, é complicado a gente fazer essa análise logo minutos depois que isso tudo aconteceu, né? Você não tem muito tempo para digerir, mas a minha visão vai muito ao encontro eh daquilo que a Flávia falou, a própria ida do Lula a ONU, faltando 12 dias paraa eleição, uma eleição tão apertada, é uma aposta, é uma aposta que esse é um palco que projeta alguma coisa de significância para os eleitores brasileiros e paraa construção da imagem que o Lula faz. como um líder eh respeitado pelo mundo.

¶18A sua proposta de diferenciação entre si e o bolsonarismo, particularmente com Flávio Bolsonaro, passa muito por essa questão da autoridade de alguém que tem portas abertas pelo mundo, alguém que já ocupou aquele púlpito eh de abertura da Assembleia Geral da ONU uma dezena de vezes e que eh essa representatividade do Brasil é mais segura com ele. Essa, na minha visão, é a aposta de Lula e o motivo pelo qual ele se ausenta do país, mesmo na situação política que a gente conhece e com o tempo que nos resta ainda até o dia das eleições. e os dois perfis desse discurso, o perfil de um discurso pra comunidade internacional, mas também para o público interno que é presente e nas manifestações dos presidentes brasileiros nesse tipo de de ocasião, é particularmente entrelaçada nesse ano e particularmente entrelaçada vindo da boca do presidente Lula, porque a relação do Brasil com os agentes do exterior particularmente dos Estados Unidos, se tornou um um bem para o presidente Lula que eh tem tem é difícil a gente comparar com outras situações anteriores. um asset político pro Lula, eh, basicamente inesperado ou, eh, não visto até hoje em situações parecidas, em que a gente já sabe que desde o ano passado Lula encontrou nesse enfrentamento às vezes mais aberto, às vezes mais velado com o presidente Trump e os Estados Unidos, uma forma de se comunicar com o eleitor brasileiro, o governo Lula, o presidente Lula, o campo governista nessa eleição carece de pontes para se conectar com o eleitorado brasileiro, principalmente aquele eleitorado que não é automaticamente conectado às pautas do presidente Lula ou não é automaticamente um eleitor do Lula e do PT. e a soberania e a defesa do sistema eleitoral brasileiro contra interferências externas.

¶19A a defesa da economia brasileira contra ataques vindos do estrangeiro se tornou uma pauta eleitoral bastante significativa para o presidente que se encontrava em busca de temas e que foi presenteado por meio da ação não apenas de Eduardo Bolsonaro, mas também de Eduardo Bolsonaro, mas da forma como o presidente Trump se relaciona com outros países, encontrou um presente para que eh pudesse construir parte da sua campanha ao redor do tema da defesa da soberania. Então, eh, se tradicionalmente já é comum vermos um discurso de comunicação com o público interno brasileiro, mas utilizando dessa comunicação para apresentar o governo, apresentar o Brasil para um público do exterior, se vocês olharem como faz Jair Bolsonaro em 2022 em seu discurso, é é esse instrumento que ele utiliza de falar dos avanços ah a que ocorreram no seu governo, no Brasil, para o público brasileiro, óbvio, também era um ano eleitoral, mas sob a a ótica de quem apresenta o Brasil pro exterior, isso é comum. Lula tem um instrumento a mais aí, um motivo a mais para fazer essa conexão, porque está respondendo diretamente a Donald Trump, sem mencioná-lo, está respondendo diretamente às ameaças dos Estados Unidos, as pressões que os Estados Unidos fazem. Trump, Lula fala de liberdade de expressão, fala de hã >> segurança, >> fala de segurança em relação aos ao crime organizado. Então, faz essa amarra toda aos temas que são caros aos Estados Unidos e, claro, faz essa amarra, essa amarração com temas que são caros aos brasileiros também.

¶20Então, [risadas] se por um lado a gente não encontrou eh grandes novidades assim no discurso de Lula, a gente entende muito claramente de onde vem eh a inspiração para cada ponto daqueles que que ele levanta no discurso. E também a gente encontra a justificativa pela qual o Lula vai a Nova York. ele fez um discurso ali que o projeta internacionalmente, mas que também eh endereça boa parte dos temas que ele acredita que podem fazer efeito junto ao eleitorado brasileiro nessa reta final também. >> Vamos lá. Eh, eu peguei a pesquisa Quest que saiu ontem e comparei com a pesquisa Quest essencialmente do mesmo período de setembro de 2022.

¶21Tem uma diferença nessa pesquisa. 8% de indecisos este ano, 5% de indecisos em 2022. Quem são esses 8% de indecisos? Mulher, classe C, periferia urbana, Sudeste, cidade do Rio, cidade de São Paulo, cidade de Belo Horizonte e junta aí Baixada Fluminense, ABC Paulista, Contagem, o o universo é esse. O Magno tava dando uma risadinha ali, porque eu sou samba de uma nota só, né?

¶22Eu só fico falando de mulher, classe C, periferia urbana Sudeste. Mulher tá lá, tá na pesquisa. 3% de diferença. O que que são esses 3%? São pessoas que votaram em Luís Inácio Lula da Silva em 2022.

¶23Essas pessoas seguem rejeitando Jair Bolsonaro. O problema é o seguinte. Nesta eleição, o que essas pessoas há duas semanas da eleição estão dizendo é que não se sentem representadas pelo governo Lula, não sabem o que que vão fazer com voto. O Flávio tem feito alguma coisa para conquistar o voto delas? Tem.

¶24Não muito, mas tem. Você olha pro propaganda eleitoral do Flávio Bolsonaro na televisão e o que que é o Flávio com carrinho de supermercado mostrando preço de coisa, biscoito de criança. É, é. sempre do ponto de vista de uma mulher que tem um filho, uma filha, dois filhos e não pode comprar um biscoito, não pode comprar um iogurte. É sempre isso.

¶25Essa é a propaganda do Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro fala mais sobre feminicídio na propaganda de rádio de televisão do que o Lula. Deixa eu repetir. Flávio Bolsonaro fala mais sobre feminicídio e a necessidade de combater feminicídio na propaganda de rádio e TV do que Lula. Agora veja, não é como se a campanha do Lula tivesse parada.

¶26Os programas de televisão tão lá falando de soberania, tão lá falando de terras raras. Bacana. A propaganda direcionada na meta, a a o TSE, o Tribunal Superior Eleitoral obriga as a as companhias que vendem publicidade digital a deixar um registro. Hoje de manhã eu botei o cloro para olhar o que que o Flávio tá comprando, o que que o Lula tá comprando. É uma é uma diferença abissal.

¶27O Lula já gastou nos últimos 90 dias R$ 6 milhões deais comprando publicidade na meta, Instagram e Facebook. Eh, o Flávio Bolsonaro gastou R$ 700.000. A diferença é muito grande e e não tem nada de errado. Eu acho que a campanha do Lula tá certo. E quando você olha o corte do que a campanha do Lula tá comprando, é inacreditável.

¶28Adivinha que demografias a campanha do Lula tá atingindo com a propaganda que ela compra. Mulher, classe C, periferia urbana, Sudeste. Então, que tem gente lá que sabe ler pesquisa, tem. Eu não sei se eles estão isolados no núcleo e trabalhando por conta própria, se eles estão trabalhando para tudo, mas eles estão. Aquilo [limpando a garganta] que uma pessoa bem educada, com mestrado, eh, que mora em Santa Cecília, em São Paulo, que mora em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, pensa sobre Israel, não é a mesma coisa que alguém que mora na periferia urbana pensa sobre Israel.

¶29Não é? Israel tem um imaginário. Gente, o bispo Macedo se veste como um rabino do Velho Testamento. Não tinha nem rabino no tempo do Velho Testamento. Uma coisa que ele imagina.

¶30É uma mistura de rabino russo do Lazar Xau, entendeu? tipo, eh violinista no telhado, tudo mais, com uma pegada de juízes. Talvez alguns dos que estejam assistindo já tenham lido o livro dos juízes, fica no Velho Testamento, logo depois dos livros de Moisés. É aquela parte que conta ali um pouco da eh eh da Israel pré-queda eh perante a Babilônia. Não importa se vocês não sabem do que eu tô falando, essas mulheres sabem.

¶31E Israel, Israel estar na mão de judeus é uma coisa que é importante para evangélicos, entendeu? Porque é é o retorno. Aí precisa, enfim, não importa a história, importa que é importante para eles. Por que que o Lula foi para Nova York e falar mal de Israel? E eu sei que a esquerda acha que tem uns quer quer classificar como genocídio o que aconteceu em Gaza.

¶32Eh, eu sei que o Lula também falou que o o Ramá é terrorista, mas é isso. O Lula é um presidente da República que precisa considerar Israel inimigo público número um junto com Donald Trump. é um direito dele. E uma quantidade imensa de eleitores que votam no presidente Lula também acham isso. Então, bacana.

¶33Essas pessoas estão sentindo um calorzinho. Como essas pessoas estão sentindo um calorzinho, que o presidente Lula tenha passado um um um um meia hora, uma hora com Zohan Mandani ontem e com Bernie Sanders ontem. Talvez exista algum lamento por não ter ele não ter se encontrado também com Alessandre Cácio Cortos votos na periferia urbana falar mal de Israel nesse discurso da ONU rendeu nenhum. Na verdade, para algumas pessoas que tenham prestado atenção, possivelmente deu mais motivo para ficar em casa. Quantos votos trouxe esse encontro com o Bern Sanders ou com ou com o Zoran Mandani?

¶34Nenhum. A reunião que ele teve na semana passada com Chico Boarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paula Lavini, Tony Beloto e e Malumarer, quantos votos trouxe na periferia urbana? Nenhum. O Lula na semana passada teve três agendas. no Rio Grande do Sul, uma agenda no Pará e nenhuma no sudeste do país.

¶35O resto dos dias ele passou em Brasília, ele é presidente da República, tinha muito trabalho em Brasília. É natural o que que ele foi fazer no sul do país? O que que ele foi fazer na região norte? Veja, Flávio Bolsonaro precisa ir atrás das mesmas mulheres e e e dois dias atrás estava fazendo motociata, não sei onde. No no Centro-Oeste também tá falando só com o eleitor dele.

¶36Quer dizer, não é como se o Lula tivesse cometendo erros sozinho. Gente, são escolhas. Faz, faltam duas semanas para as eleições. Se essas mulheres ficarem em casa, o Flávio tá no lucro. Ele se presidente da República.

¶37Tem tem uma hora, sabe, que é é simplesmente uma questão de pragmatismo. Tem um grupo de pessoas no país que não são muitas pessoas, [limpando a garganta] que votaram no presidente Lula em 2022. O presidente Lula ganhou aquela eleição por uma diferença de 1.5%. Tem 3% de brasileiros que estão indecisos este ano e não estavam indecisos no ano passado. A gente tem alguns estudos a respeito do que que deu certo em 2022.

¶38Uma das coisas, tem um estudo, um paper do Felipe Nunes a respeito disso, foi a propaganda eleitoral incentivando o voto útil, não propaganda negativa, incentivando o voto útil. Olha, eu sei que você não gosta do Lula, tá tudo bem, mas você sabe que o Bolsonaro é pior. Funcionou a campanha do presidente Lula tá fazendo isso esse ano, não tá? Tudo bem, Flávio Bolsonaro vai ganhar a eleição, como neste ritmo, do jeito que as pesquisas estão, Flávio Bolsonaro vai ganhar a eleição. É, é, é, é.

¶39No fim das contas eles são, sabe, é, é muito, eu sei que a gente olha pra propaganda e acha que é um jingle bacana, eh, é, é, é ficar repetindo coisas que fazem a gente como eleitor sentir um quentinho dentro, dizendo que achando que a gente tá acolhido, tal. Mas a gente tá em 2026, eleição é pura técnica. Você localiza quem são os eleitores que estão faltando e que podem vir a votar em você. Você entende quais são os anseios dessas pessoas e você promete para essas pessoas o que elas querem ouvir. Eu eu sei que é meio cínico, sabe, descrever desse jeito, mas é assim que você ganha voto.

¶40Se você fica falando as coisas que as pessoas querem ouvir, se você tenta descobrir, se você consegue descobrir é o o que que faz diferença na vida daquelas pessoas que você pode fazer, você ganha. A a propaganda do presidente Lula contra as betes é excelente. Vai ali naquele universo, entendeu? é muito ali naquele universo, principalmente de mulheres, mais mulheres do que homens, porque em geral são os homens que estão eh eh viciados em bet e as mulheres que estão angustiadas e não sabem o que fazer, doidas para alguém que proíba. Não tô dizendo que a proibição seja a solução, mas que elas estão doidas para que alguém proíba.

¶41Então, no fim das contas, é isso. Eu sei que o presidente Lula acha que há um Israel ou há um genocídio acontecendo e que Israel é responsável. Ele já falou bastante, precisa falar de novo. São escolhas. São escolhas.

¶42Magno Fábio. >> Não, eu queria trazer o ponto das bets. Eh, tem um grupo no governo que entendeu muito claramente que esse eh esse eleitorado tá em disputa. E as betes é talvez se você tivesse pedido pro pro Cloud fazer uma busca de qual tema fala mais facilmente com essa demografia específica, ele provavelmente traria como resposta a as bets. a gente pode discutir qual é a a efetividade desse tipo de política.

¶43Acho que é uma uma discussão bastante rica por aí, mas a gente pode discutir se de fato vai solucionar o problema que deseja solucionar, eh se tem impacto eleitoral ou não, se a o eleitor vai reagir como uma atitude positiva por parte do governo ou como uma interferência meio atabalhoada. num setor que se tornou importante para vários setores. Acho que a nossa eh o nosso julgamento moral a respeito das bets não pode eh obscurecer o fato de que eh o setor das betes hoje é muito importante para várias atividades econômicas eh no Brasil, mas uma [limpando a garganta] potencial medida provisória das bets que o governo h assuntou na semana passada de uma forma um tanto razoavelmente leve por não haver ver muitos detalhes, mas que está de volta hoje é algo que se comenta como uma possível atitude ainda nessa semana, uma possível ação do governo ainda nessa semana. é um tema eh que pode sim endereçar as preocupações desses eleitores. Se o governo depois vai adotar, depois das eleições, vai adotar uma outra regulamentação ou vai buscar uma forma de explicar pro eleitor que a medida provisória é um freio de arrumação, que você vai zerar o jogo e depois mais para frente a gente vai discutir eh o que é liberado e o que não é.

¶44É uma outra discussão, mas o presidente Lula nesse momento precisa de votos. A eleição está muito apertada. A gente pode argumentar que boa parte das movimentações dos últimos meses, eu diria, no na ponta da pesquisa, é dentro da margem de erro, mas as movimentações dentro da margem de erro parecir para um entendimento de que quem tá subindo é o Flávio e as Bets, eh, com a a desculpa da ironia, seria uma boa aposta. do presidente Lula para tentar fazer com que esse ponteiro se mova. Depois a gente pode discutir mais uma vez a qualidade dessa medida provisória, a qualidade da a efetividade dessas dessas medidas, se elas serão eh aliviadas ou endurecidas depois das eleições, se elas serão mantidas ou não.

¶45A gente pode discutir isso tudo, mas como instrumento da ciência da eleição, eh, do profissionalismo, da abordagem profissional da eleição, como Pedro diria, é [limpando a garganta] uma aposta muito inteligente, porque ela conversa com o público que o Lula precisa conversar nesse momento. >> Eu queria acrescentar uma coisa. Isso ainda deve ter uma uma jogada também sem querer. A hora que tava saindo eu percebi. >> É muito difícil a gente falar de de muito parte da nossa é da nossa linguagem.

¶46Mas enfim, >> eh o Lula ainda tem eh uma um lance [risadas] a realizar sobre isso. Essa semana tá previsto, pelo menos as coisas, né, dependem de eh de tá pronto, de negociar e etc. Mas em tese, tá prevista para esta quinta-feira, eh, tá previsto o anúncio da proposta de proibição dos jogos. Na verdade, eh, pelo que eu li até agora, claro que a gente só vai saber quando o anúncio for feito, o foco vai ser no tigrinho. Então, a maneira que talvez se encontre de um meio termo aí é, [roncando] na verdade, o que a MP original do governo previa, né?

¶47Então, só fazendo um uma breve recapitulação, o governo Temer eh eh legalizou as apostas, aí eh faltava um texto que regulamentasse. No governo Bolsonaro isso não foi feito, muito por pressão da bancada evangélica, inclusive que segurou. >> Uhum. E aí no governo Lula foi apresentado um texto de regulamentação via MP que regulamentava apostas esportivas eh somente e excluía cassino online, categrinho, aviãozinho, são outros tipos. Gente, eu não vou entrar nos detalhes técnicos mesmo, porque eu não os conheço profundamente, mas eu sei que existe uma diferença inclusive sobre o a clareza que o apostador tem do quanto ele pode perder dependendo do jogo.

¶48Um termo, um termo específico para designar a aposta que você já sabe quais são as >> isso, os odis, né? O que que tá contra você, quanto que a casa leva, quanto que você leva, etc. Isso feito, isso posto, a Câmara alterou, incluindo o cassino online >> e aí foi pro Senado. o Senado, eh, se eu não me engano, eu fiz essa pesquisa ponto a ponto ontem, mas eu não a recuperei hoje, mas enfim, houve uma eh uma mudança no Congresso que manteve as apostas de cassino online, além da esportiva, eh, e reduziu a alíquota que o governo previa de imposto. E aí de 18 para 12%.

¶49Me parece que a MP que vem agora é eh resgatando essa essa ideia original de deixar só as apostas esportivas, embora o desejo do Lula, pelo menos manifestado publicamente é o de que seria o de que eh proibisse tudo, né? Eh, mas eu o que eu queria acrescentar sobre a o a fala do Pedro é que eu acho que tem uma, eu concordo com a tua análise do que tem que ser dito para quem? do aspecto eleitoral, eu discordo de um ponto, eh, na verdade não é uma discordância porque você não chegou a falar isso, mas enfim, eu acrescentaria um ponto que é o fato de que o Lula ainda é presidente da República também. E aí tem esse essa questão, né, da reeleição, da forma como as coisas são feitas aqui na nossa na nossa legislação eleitoral. E o cenário internacional pro Lula sempre foi algo que ele preza demais.

¶50Ele é um globalista para usar o termo, [risadas] para usar o termo dos bolsonaristas, né? Eh, ele é globalismo na veia, né? Eh, então, brincadeiras à parte, ele sempre valorizou muito eh o próprio papel no cenário internacional. Eh, e enfim, tem essa, eu acho que ele tem essa ambição, eu já fiz essa apuração no passado, mas ele tem uma ambição de eh se se firmar como um líder brasileiro no cenário internacional eh marcante, né, como alguém que deixa um legado e etc. Então, estar na ONU pro Lula é algo que ele valoriza muito, é parte do papel dele como presidente da República e mal ou bem pode ser a última vez, né?

¶51Inclusive, se ele perde a eleição, eh, é possível que esse tenha sido o seu último discurso, eh, né? Então, eu acho que este conjunto de questões o levaram a escolher estar lá esta semana. a gente pode debater, eu acho, a escolha de ter se encontrado com líderes da esquerda americana ou não na véspera pode. Eu não sei se ele tinha muita alternativa também. Não, não me parece que as vozes da direita americana estejam muito dispostas a se sentar com o Lula.

¶52pode ser demérito do próprio Lula, pode ser é uma eh mas circunstancialmente as portas não estão totalmente abertas pro Lula nos Estados Unidos sem ser por líderes da esquerda, né? Agora tem um aspecto do discurso dele logo no começo, Pedro, que eu acho que se não atinge essas mulheres da periferia urbana, e eu acho que realmente de uma maneira [limpando a garganta] geral não atinge, mas eu acho que ele, enfim, lá o pedaço que ele fala da do combate ao feminicídio como agenda global é o único que é voltado para essas mulheres. No resto ele não tem e da segurança. Ele falou na hora que ele falou da segurança, ele fala das mães que perdem seus filhos, dos policiais que não voltam para casa, mas é muito passando. >> Mas tem um ponto do discurso político dele que é logo no começo em que ele tá falando da democracia versus o negacionismo e que aí ele cita o Yasser Arafat e o Rabim e falando do de serem estadistas.

¶53E eu acho que não é um recado direto, eh eh foi um dos pedaços um pouco mais sutis em que ele tá tentando sim se diferenciar de Flávio Bolsonaro, né, de de se colocar como estadista ele próprio, eh, como reverenciar figuras de que que ele tá chamando de estadistas do passado e indiretamente mandar um recado de quem não é estadista, porque ele emenda democracia versus negacionismo direto noer Arafat e no Rabim e na no fato deles serem estadistas. E aí vai pro discurso sobre o genocídio na Palestina, mas fala também de como, enfim, a solução dos dois estados está interditada e etc. Eh, [roncando] eu acho que tem alguns recados e tem os recados ao ao Trump sobre a negociação, PS, cries, crime organizado e e imprensa, liberdade de expressão, inteligência artificial, eh recursos brasileiros e tal. E eu acho que se esse discurso não chega em quem ele precisa conquistar imediatamente, não é desimportante num momento em que o Brasil está realmente sob pressão numa eleição. Eh, eu eu concordo com você que a campanha, de um modo geral precisa de um ajuste.

¶54A gente teve esse debate hoje na na reunião de pauta, assim, tem várias falhas que eu que eu identifico. Não acho que esse discurso seja uma seja uma delas. Eu entendo no contexto do pacote Lula algo em que ele marca a posição eh como um líder brasileiro que se projeta internacionalmente, que é algo que a família Bolsonaro nunca fez. Então eu acho que tem um ponto de diferenciação aí. Era meu ponto.

¶55>> Só dois pontos muito rápido. Acho que a família Bolsonaro tenta se projetar internacionalmente, mas de uma forma um tanto desastrada. Ah, >> sim. >> Eh, né? E é são associações um tanto que também não trazem voto algum para eles, né?

¶56Não, não, não projetam nem uma importância internacional no sentido de projetá-los no cenário internacional como estadistas ou como construtores de alguma coisa, mas também pro cenário interno e não agrega quase nada. E há um ponto do discurso do Lula, o do Lula em Nova York, que ele poderia importar pro debate público brasileiro, que eu acho que o ajudaria eh eleitoralmente por aqui, que é um ponto que ele foi aplaudido inclusive quando ele disse que diferenças ideológicas não podem fazer com que hã parceiros não colaborem, né, que vizinhos não colaborem. >> [roncando] >> E se esse discurso é um discurso que os brasileiros que estão cansados da polarização, os brasileiros que estão cansados do lulismo e do bolsonarismo e independentemente do que os militantes lado a lado achem, os brasileiros que decidem essas eleições ou e que decidirão a eleição aqui mais uma vez gostariam de ouvir e o Lula poderia trazer isso um pouco para cá. teria sido muito útil pro Lula se eh a esse mandato dele tivesse também essa mensagem, tivesse como eh perna um pouco daquele da campanha de 2022, desse dessa desse apelo de, olha, gente, vamos parar com a doideira, vamos normalizar aqui as conversas entre brasileiros, vamos eh colocar as nossas diferenças ideológicas um pouco de lado, vamos, não Vamos deixar que as nossas diferenças ideológicas nos impeça de nos relacionarmos com os nossos vizinhos. Me parece ser uma inspiração da comunidade internacional e por isso Lula é aplaudido na ONU quando faz essa menção.

¶57Mas acho que também é uma aspiração do eleitor brasileiro e que o beneficiaria se essa mensagem estivesse um pouco mais presente na campanha que está se desenrolando nesse momento aqui no Brasil. Pedro, >> antes de você comentar, deixa eu trazer uma pergunta da audiência que eu acho que tem tudo a ver. Na verdade, é uma pergunta e também uma análise, né? A Bell Wendlin. Ela diz que o Lula fez um belo discurso e coerente com seus posicionamentos em relação aos conflitos externos, muito voltado para o público interno para captar o eleitorado e ela tá esperando que isso o ajude.

¶58Mas ela disse que também o discurso da soberania já foi mais significativo e a essa altura do campeonato, há poucos dias do primeiro turno, esse discurso, com tudo que vem acontecendo no Supremo Tribunal Federal, acaba ficando mais diluído e ela sente que isso esvazia a fala do Lula. No entanto, ela pergunta: "O que que caberia de material narrativo nesse discurso? A mais. Ele tava muito bem escrito na opinião dela e os temas foram bem pontuados. O que que faltou, talvez para ele ser mais marcante na sua opinião, Pedro?

¶59>> Então, deixa eu trazer outros dois comentários, Yasm. Eh, um, um é o do arte do alê. Lula é estadista, ele se coloca como presidente, mandou vários recados. Outro do Pedro de Maceno, que mulher da periferia vê discurso na ONU. Vocês estão viajando demais, caiam na real.

¶60O pessoal quer trabalhar, comer bem e andar com segurança no bairro. Isso que tá ferrando o Lula. Eh, veja, o Mark Carney, eh, premier do Canadá, fez um belíssimo discurso em defesa do multilateralismo. A gente discutiu no no último fórum de Davos. Eh, ele é primeiro ministro do Canadá, que é um país rico, com uma extensa classe média, com uma quantidade imensa de pessoas que fizeram eh eh curso superior, que tem vizinhança pros Estados Unidos, né?

¶61faz fronteira com os Estados Unidos, eh, e no qual esse discurso de multilateralismo faz muito mais sentido. Eu concordo. O mundo deveria ser multilateral. O mundo não deveria se fechar eh no dentro [limpando a garganta] do os países não deviam se fechar dentro dos seus próprios umbigos. Agora, a gente tá numa fase nacionalista.

¶62Eh, é muito mais fácil pro Markcarnen colar e passar credibilidade com esse tipo de discurso do que pro presidente Lula. Por quê? Porque, gente, globalmente o presidente Lula tá sempre do lado da China, tá sempre do lado da Rússia. eh eh ele se retorce todo para fazer algum tipo de crítica à China ou a Rússia, enquanto que pros Estados Unidos ele tem uma facilidade imensa. E eu não tô dizendo que seja ruim, eu discordo, mas isso é problema meu.

¶63E isso total tá no no espaço dos temas que podemos eh concordar, a respeito dos quais podemos concordar e discordar, a respeito de quem são os melhores e os piores parceiros pro Brasil. Agora o presidente tem lado. Ele tem lado. Ele gosta de fingir que a China faz parte disso, dessa coisa abstra abstrata que é o sul global. A China é outra potência.

¶64A gente tem duas grandes potências no mundo. Se você trata como se fosse a China de 1990, entendeu? Um país equivalente ao Brasil, não é mais. A China é uma das duas potências. Agora veja, eh, eu não tô sugerindo que o presidente Lula, por conta da eleição, não devia ir a ONU.

¶65Não. O Brasil tem um o Brasil tem um papel por conta do Oswaldo Aranha de abrir a o Brasil tem essa característica de que ele abre os discursos. Quando quando a ONU abre o seu ano em setembro, todos os anos, você tem essa série de discursos dos chefes de estado. O Brasil é sempre o país que faz essa abertura. Por quê?

¶66Por uma razão muito simples, o Brasil é o país mais importante do continente menos importante. A África tem massa, a Ásia tem massa, massa de gente, muita gente. E e isso sempre foi muito relevante. Eh, Europa e Estados e América do Norte tem dinheiro, uma quantidade imensa de dinheiro. Hoje a Ásia é mais do que massa.

¶67América do Sul é aquele país que tem pouca gente, é aquele continente que tem pouca gente e tem um país importante que é o Brasil. Aí você ainda calha de falar de de saber que após a vitória dos aliados o Osvaldo Aranha era um cara que conhecia todo bem, todo mundo. Ele era o chanceler brasileiro, tinha sido embaixador do Brasil eh em Washington. Ele conhecia toda todo o governo americano, ele conhecia todo o governo inglês. Ele virou uma figura muito chave ali na organização da ONU naquele momento chave.

¶68Então você junta essas duas coisas e o Brasil, olha, ele é um representante dos países pobres, sem ser completamente pobre, ele é de um continente que não tem peso nos debates do mundo, que é a América do Sul. Então, o Brasil era um bom país para abrir essas sessões. Isso dá espaço pra gente, que eu acho que nenhum presidente brasileiro deve abrir mão. Isso dá um espaço, de fato. Você fazer o primeiro discurso quer dizer que é aquele discurso que as pessoas ainda não estão com sono, elas prestam atenção eh eh no debate diplomático mundial.

¶69E isso é uma oportunidade para presidentes brasileiros eh eh fazerem discursos. E eu acho sim que o multilateralismo tem que ser defendido. Pelo amor de Deus, alguém tende defender. É só que na voz do presidente Lula isso tem menos credibilidade, porque ele é percebido como alguém que tem lado nesse debate Estados Unidos e China. Eu sinto muito, se muita gente acha que ele não tem, que ele tá certo, que isso, você pode achar achar que ele tá certo, ele tem lado nesse debate.

¶70Você pode dizer: "Ah, o XGPIN é legal". E o Donald Trump não é, tá tudo certo. O presidente Lula segue tendo lado nesse debate. E ele já tinha lado quando quando o Joe Biden era presidente dos Estados Unidos e o lado era exatamente onde ele tá hoje. Isso é uma leitura que o Celso Amorin faz do mundo.

¶71Isso é uma leitura que o PT faz do mundo. Isso é a leitura que o presidente Lula faz do mundo. O problema é que o problema é que o preço do supermercado é o que vai te trazer voto. as betes vão te trazer voto. É, e é nada do que ele pois llar vai reverter em voto.

¶72As ações que ele escolheu, eu acho que tinha uma estratégia que ele tentou seguir e e que tá e que tá correta, que é ele tentou comprar uma briga com Donald Trump, ele ele tentou ali ter gerar algum tipo de reação do Trump, o Trump não caiu. Se o Trump tivesse dado uma pancada nele, eu acho que aquilo poderia gerar algum tipo de comoção aqui no Brasil. E isso, pelo que a gente viu, sempre que o Trump ou o governo Trump dá uma porrada forte no Brasil, isso reverte em aumento de popularidade pro Lula. E esse aumento de popularidade tem valor nesse tipo, nesse, nesse momento da campanha. pode definir, se ele aumenta dois pontos de popularidade, isso pode definir essa eleição.

¶73Então, eu acho que ele tinha o que fazer nos Estados Unidos. Não só ele tinha um papel que eu acho que um presidente brasileiro tem que cumprir, como ele tinha uma oportunidade ali que ele tentou cavar, não veio. O problema é que isso sempre foi uma aposta. O o Trump poderia responder ou não? e o mais provável era que o Trump não respondesse.

¶74Então ele podia ter feito algum tipo de discurso menos o mundo e mais o Brasil, olhando pro público brasileiro, pelo menos para render alguns cortes. E eu acho que não tem muito corte, entendeu? Eu eu a mim parece que foram dois dois dias a duas semanas da campanha eleitoral que o presidente escolheu jogar fora. Agora eu quero insistir numa coisa, tá? Eh, eu acho que o Flávio tá acertando na campanha da televisão, mas é só a queste e a família Bolsonaro é a principal percebida como envolvida no escândalo do máster.

¶75E isso é uma das coisas que a quest mostra. Em segundo lugar, o Supremo Tribunal Federal. Em terceiro lugar, o PT e o presidente Lula. E e isso é ruim pro Flávio. Tem coisas que são ruins pro Flávio.

¶76Eu da maneira como eu leio, as pessoas falam: "Não, mas essa eleição ainda tá dura, tá difícil, é, não tá dado e é verdade. Olha, é uma moeda para cima, cai caro ou coroa é quem vence". É, é, é uma eleição muito apertada, muito de igual para igual, é, eh, muito dura e qualquer coisa pode acontecer. E assim como o o o a campanha do presidente Lula tá errando muito, eu acho que a campanha do Flávio tá errando muito, mas eu acho também que a campanha do Flávio, porque isso é uma coisa que é da natureza da direita e não é da natureza da esquerda, a campanha do Flávio entende melhor a periferia urbana brasileira. A campanha do Flávio fala com mais facilidade a classe C.

¶77A campanha do Flávio entende melhor pobre do que a campanha do PT. Isso é uma coisa que a esquerda não gosta de ouvir, que ela não entende de pobre. Ela não entende de pobre, ela já entendeu de pobre. Isso foi na época que tinha fome. Agora que não tem mais fome.

¶78Esse tipo de pobre que é um pobre novo, que tem ambição, que quer crescer, que quer ser burguês, a esquerda não gosta dele. É mais do que ela não entender. Ela não gosta dele, porque ela espera um pobre que precisa de ajuda do governo. E quando a a as pessoas têm um tipo de orgulho que elas não querem, esperam ajuda de governo, aí é um pouco mais complicado, porque não é um cartão de plástico, é política pública. É difícil mesmo, tá?

¶79Não é não é é é uma mudança de mentalidade para para todo espectro político do Brasil se adaptar ao fato de que 49% do Brasil, que é a classe C, é é um tipo novo e diferente de brasileiro com outras expectativas. É só que veja o fato de que também tá difícil pro Flávio. Quer dizer só uma coisa, o nome Bolsonaro é muito rejeitado no Brasil. Se fosse o Tarcísio, isso aqui era um passeio, gente. Isso aqui era um passeio.

¶80Não tinha nem disputa. O fato de que o presidente Lula tem chance de se eleger é porque é o Flávio. É, é só que eu acho que é muito importante as pessoas também serem realistas e perceberem o seguinte, quando a pesquisa da Quest diz que tem 3% mais de indecisos esse ano do que tinha no mesmo momento em 2022, esses 3% são a turma que votou no presidente Lula. não são a turma que votou no no ex-presidente Bolsonaro. E o fato de serem a turma que votou no presidente Lula, quer dizer que se eles ficarem em casa, não é o presidente Lula que ganha essa eleição.

¶81E me parece que nessa viagem que foi feita para Nova York, por conta de um evento que eu acho que o presidente tem que ir, ao qual ele acho que ele tem que ir, ele não trouxe nenhum voto. dois dias a menos na campanha. Amanhã ele tá no Brasil, é um senhor de 80 anos de idade, estará cansado porque mesmo num avião bacana é uma é uma viagem pancada, né? E ele não pode passar o dia dormindo, não. Ele tinha que tá nos lugares.

¶82Pedro, uma coisa a gente pode discutir eh se o discurso da oposição é mais fácil de ser feito do que o do governo. Eu acho que é ah é muito mais fácil você fazer o discurso do carrinho de supermercado estando na oposição. PT utilizou, a gente deve se lembrar o Bolso Caro de 2022, havia uma série de de de iniciativas nesse sentido e e obviamente a população não sente o índice de inflação oficial, a população sente o índice de inflação do supermercado, das coisas que compra ali no dia a dia. Tanto que o o Bolsonaro, se a gente pegar o discurso do Bolsonaro de 2022 na ONU, ele tava falando do preço dos combustíveis no Brasil, que era um ponto muito importante para o apelo eleitoral do Bolsonaro lá atrás. E a fragilidade desse governo Lula é exposta no na competitividade dessa eleição, porque a direita pegou o pior candidato que ela poderia ter pegado, escolheu o pior candidato que poderia ter escolhido pelas fragilidades que o Flávio já tinha.

¶83O o Flávio desde que foi eleito candidato, foi escolhido candidato, eh foi ainda pior do que as pessoas acreditavam, né? todas as desconfianças a respeito que o do Flávio que se tinha no ano passado, antes do pai dele eh colocá-lo para ser o candidato à presidência, foram mais do que confirmadas desde que ele se transformou em candidato. Se havia preocupação com casos de corrupção e Flávio Bolsonaro, [risadas] o que hoje a gente sabe é ainda pior do que a gente sabia antes e ainda assim ele permanece competitivo. Então, a a gente está vendo ainda uma competição eh bastante dura por dois motivos. Primeiro, porque o presidente Lula é uma personalidade política gigantesca.

¶84Ele consegue falar com o público eh amplo, o bastante para diferenciá-lo de todos os outros políticos brasileiros. Ele tem uma história grande, o bastante para diferenciá-lo de todos os outros políticos brasileiros. E o seu adversário é muito ruim. É muito ruim, eh, tanto pelas suas faltas de qualidade quanto pelas ações que, eh, cometeu durante a sua carreira política. Mas isso não é com [risadas] as ações que cometeu.

¶85Eu eu eh vamos colocar assim. [risadas] Eh, mas isso não pode apagar a fragilidade desse desse governo. Assim, o o o a condição que esse governo deixa o candidato Lula para disputar a a reeleição. Eh, há uma série de questões que a gente pode falar: "Olha, o Bolsonaro destruiu o Brasil, mas bem, o Bolsonaro também tinha a pandemia para para colocar a culpa dos fracassos do seu governo e isso não apaga o desastre que foi o governo Bolsonaro. como não pode apagar o desastre que foi esse esse governo Lula.

¶86Esse governo coloca mesmo um candidato com a história política imensa do Lula, competindo com um candidato fragilíssimo como Flávio em perigo de perder. E isso não pode ser perdido de vista sob pena de nós chegarmos em 2030 e a esquerda não entender as dificuldades que pode enfrentar lá na frente, mesmo tendo vencido mais eleições desde a redemocratização do que a direita. E acho que o mesmo alerta também pode ser feito para o campo bolsonarista, que talvez eh a escolha de um candidato tão frágil, com tantos rabos presos em tantos esquemas por aí quanto Flávio Bolsonaro possa cobrar um preço que seja maior até do que a derrota em 2026, mas um preço que possa tirar a oposição de um rumo eh que parece até um tanto óbvio de Tarcis e outros candidatos daqui pra frente. Antes, antes da Flávia, antes da Flávia falar, eu só vou sequestrar aqui a palavra. Dois segundinhos.

¶87Flávia, só quero sublinhar uma coisa aí que o Magno falou, porque eu acho que é importante. Eh, eu acho, Magno, que é isso mesmo. E e é muito importante sublinhar o fato de que o Flávio é um candidato muito fraco. O Flávio é um candidato com muitos problemas. E o fato de o Lula tá tomando um sufoco do Flávio é demérito pra campanha do presidente Lula.

¶88De qualquer outro candidato de direita que tivesse sido, que tivesse a bênção de Jair Bolsonaro, mas sem o sobrenome Bolsonaro, ele tava tomando um passeio. Eh, isso eu acho que é [roncando] o o Lula tem a chance de ser reeleito. Por que, o Flávio? >> Se fosse outro candidato que sem o sobrenome Bolsonaro, eu acho que esse jogo era outro, tá? ou mesmo uma um Tarcísio com vice Michele.

¶89Putz, era outra eleição. Desculpa, Flávio. >> Imagina. Eu queria desafiar um pouco essa lógica com duas, com uma coisa imponderável e com um que é dado, que é eh informação objetiva. A informação objetiva é de que a última quest, que é a que você tá sobre a qual você tá debruçado, ela tem um ponto que eh que destoa da tua lógica, que é o fato de que o presidente Lula vem crescendo no Sudeste.

¶90Ele tá com cinco pontos a mais do que a pesquisa anterior. E em contrapartida, o Flávio cresceu três pontos no Nordeste. E eu acho que eh isso, eu eu não sei ainda como ler esses dados, quero a ajuda de vocês, mas me parece que tem alguma coisa no discurso mais recente que que encaixou pelo menos eh momentaneamente com um público eh do Sudeste específico, né? Porque foi um foi um aumento de cinco pontos. A margem de erro é de, se não me engano, dois para mais e para menos.

¶91Então não é um aumento super expressivo. Pode tá ali >> na [roncando] margem, né? Eh, ou só um pouquinho fora da margem. Ainda assim não era o esperado. >> Um raríssimo movimento fora da margem, >> né?

¶92Isso é uma das coisas. A outra é a seguinte, Pedro, eh, eu entendo muito perfeitamente a sua a sua lógica de se fosse o Tarcísio, por exemplo, estaria sendo um passeio. Porque eu particularmente [limpando a garganta] acho também que a campanha, eu não esperava que a campanha do presidente Lula de 2026 fosse ser tão pouco efetiva como a gente tá vendo. E ouso dizer, inclusive pouco profissional. Tenho algumas apurações de bastidores, assim, assustadora a minha apuração, assim, de coisa eh muito básica, de equipes inteiras de redes sociais sendo deslocadas eh de volta paraas suas bases, né, porque não não tão tendo autonomia para trabalhar e não conseguem convencer os gestores da campanha de coisas muito básicas, de como se trabalhar redes sociais, por exemplo.

¶93Trago já já essa apuração. Agora, por outro lado, eu me questiono se justamente a força do sobrenome Bolsonaro não é o que deixa a oposição tão eh forte contra Lula. E veja, eu eu tendo a crer assim, eu tendo a concordar com a tua lógica, mas eu também acho que o Flávio sendo um candidato tão fraco, ele só está tão forte por causa deste sobrenome, que é algo que outros candidatos da oposição não teriam, certo? Então, e tanto que a gente vê outros nomes da direita com imensa dificuldade de se projetar. Então, eh, eu acho que caberia também a lógica inversa, né, nesta, nesta conclusão, sabe?

¶94E queria ouvir vocês um pouco sobre isso, sobre esses dois pontos. >> Eu acho que tem o ponto do Sudeste, eh, é realmente uma questão sobre o o Lula recuperando, ele tá diminuindo a diferença, né? O o Lula perdeu bastante, o Flávio ultrapassou em Minas Gerais, por exemplo, a diferença em São Paulo eh é significativa. O Lula ainda estava na frente do Rio, eu não sei como tá agora, mas o Lula de fato recuperou o o Sudeste e o Flávio tem ontem, o Flávio estava em Natal, enquanto o Lula estava em Nova York, o Flávio tava em Natal. Eh, o Flávio está focando bastante no Nordeste, dado que o Sul e Centro-Oeste eh, são regiões em que ele já tem eh uma uma diateira grande.

¶95Aí o Sudeste é realmente a a região que está em disputa. E acho que essa recuperação do Lula precisa ser eh melhor estudada. E penso que a aposta das bets, de novo, desculpa pelo trocadilho, a aposta das bets pode ser eh um tiro para esse grupo que o Pedro descreveu muito bem no início do programa, um público urbano, periférico, basicamente feminino, que tem uma rejeição ainda maior às bets do que o brasileiro, a média dos brasileiros. sobre o sobrenome. Eh, eu não, eu penso que o efeito seria igual, porque o quem vota no Bolsonaro, quem vota no Flávio pelo Bolsonaro votaria no Tarcis, votaria em em outros candidatos também, mesmo que esse voto se pulverizasse no primeiro turno, vamos dizer que eh o Tarcísio não conseguisse reter esse voto como o Flávio retém e esse voto fosse pro Caiado.

¶96esse voto bolsonarista de que valoriza o sobrenome Bolsonaro. Esse voto poderia eh migrar um pouquinho pro Caiado, um pouquinho pro Zema, um pouquinho pro Renan Santos, um pouquinho pro Curi. Mas no segundo turno eu não consigo imaginar esse voto fiel ao sobrenome Bolsonaro indo pro Lula. Então, acho que nós teríamos os benefícios do nome Bolsonaro de qualquer forma, sem os malefícios trazidos pela rachadinha, pelo filho, pelo filme do pai, pelo contato com Vorcaro, pelas mentiras sequenciais do Flávio, que é desmoralizado a cada interação a respeito do Vorcaro. Então, eh, eu acredito que a aposta da oposição ou a aposta do Jair Bolsonaro tenha sido de fato nesse nome, tenha sido na força do nome, mas foi uma aposta ruim, na minha visão, uma aposta que não levou em consideração que esses votos provavelmente não iam pro Lula de qualquer jeito e que estão colocando ou colocaram um candidato muito muito ruim para eh representar a oposição nessa nesse embate.

¶97com o Lula. A a oposição foi oferecida a à oposição brasileira uma oportunidade muito rara, que é derrotar o incumbente, principalmente o incumbente com a história do Lula, o tamanho do Lula. e a oposição, na minha visão, se não vencer as eleições, terá jogado essa oportunidade eh pelo ralo, por total escolha de si mesmo. Eu eu acho que o essa era uma uma eleição pro Lula perder e a oposição, se não vencer, terá jogada essa oportunidade no RS. >> Deixa eu deixa eu pegar aqui os números.

¶98Vou pegar só a quest. Eh, e onde que tem oscilação fora da margem de erro, tá? Eh, Lula cresceu entre as mulheres, saiu de 41 e foi para 44%. Tá certo? Que é onde ele tem que crescer.

¶99Ele cresceu no Sudeste, foi de 31 para 36%. É um crescimento muito considerável. Eh, eh, é um crescimento relevante no Sudeste. Agora, na classe C, ele oscilou dentro da margem de erro. O crescimento dele foi onde tem mais de cinco salários mínimos, que aí ele foi de 47 para 53%, ele tá crescendo na elite, ele ele faz um discurso sofisticado.

¶100Ele tá falando de terras raras, ele tá falando de soberania. você precisa de um determinado nível educacional para que isso não é só que a pessoa compreenda isso, é que ela considere que faça diferença no país pro futuro. Se a gente tá falando de uma pessoa com uma renda mais baixa, é é difícil essa pessoa olhar para além do supermercado, da escola pública e da saúde pública ou da segurança, entendeu? Eh, isso é uma coisa muito importante entender. O tipo de discurso que você faz tem impacto direto em quem você atinge.

¶101Para você achar que questões abstratas como soberania e terras raras são importantes, você tem que estar com um conforto econômico grande. Se você tá precisando de escola pública, de saúde pública, eh se Bet tá um dreno na no seu orçamento e segurança é uma preocupação imensa para você, dificilmente um discurso sobre soberania, terras raras vai te comover. Lula perdeu no Nordeste, perdeu três pontos porque o Flávio cresceu. Eh, ele tá com 57 pontos, não é? é bem mais do que a maioria.

¶102Agora essa é uma perda que era esperada, tá? Por quê? Porque o voto do Lula no Nordeste é um voto mais velho. As pessoas vão se aposentando, vão morrendo. Conforme vai aumentando o número de jovens, a tendência é que o voto da direita volte pro Nordeste.

¶103O Nordeste é a uma das regiões mais conservadoras do Brasil. Esse voto no Lula, no Nordeste, a gente já conversou aqui diversas vezes, não é um voto de esquerda, é um voto conservador de pessoas que têm muitaid identificação pessoal com o presidente Lula. Essas pessoas [limpando a garganta] são mais próximas da idade do presidente Lula. Elas têm a minha idade para cima, de 50 para cima, gente. Eh, vai aumentando o número de jovens, vão morrendo essas pessoas.

¶104ou isso é um problema pro PT, o PT tem que fazer um baita de um trabalho de levar essas pessoas, principalmente a turma com mais de 70, 75 para urna, porque se eles ficam em casa, isso é voto que faz falta eh eh no Nordeste, >> não? Não à toa, eh, só para conc, só um breve parênteses, não à toa. Pelo menos as três últimas inserções que eu vi da campanha do Lula em rádio e TV falam muito de aposentado, de aposentadoria. O INSS saiu das manchetes, né? o o escândalo do INSS saiu das manchetes e ele tá falando de reajuste de aposentadoria, eh, de reajuste de salário mínimo, né, que é associado, que é vinculado, eh, e, e batendo muito nessa tecla e porque assim o ele tem este público mais velho como um público que ele precisa que já lhe é mais afeito e mas que ele precisa tirar de casa.

¶105E uma coisa é que as duas campanhas precisam eh ter em mente para esses dias que faltam, fazer com que os seus eleitores de fato compareçam as urnas. Porque se a gente está falando de uma eleição decidida por um ponto, por um ponto e meio, a o comparecimento faz muita diferença. O aumento da abstenção no Brasil eh tem sido observado nas nas eleições em 2022. foi menor no segundo turno e tudo, mas o esforço de fazer com que os eleitores saiam de casa e de fato vão votar precisa ser das duas campanhas, porque pode fazer a diferença. >> Pois é.

¶106E aí eu queria chamar a atenção de outro segmento que é o de evangélicos. O Flávio cresceu de 51 para da rodada da semana passada para cá. Quer dizer, o Lula precisa crescer em mulheres evangélicas de classe C no Sudeste. Ele cresceu entre mulheres no Sudeste, não entre evangélicos e classe C. Ele cresceu entre mulheres da elite.

¶107Ou seja, o discurso >> o discurso, o discurso que o presidente Lula tá fazendo e na direção de mulheres, ele tá chegando em mulheres, mas ele não tá chegando eh eh nas mulheres que importam. E por que que eu tô dizendo aí? Algumas pessoas que estão nos assistindo estão dizendo: "Ah, mas importa porque no fim das contas ele precisa de mais voto. Ele tá recebendo". É, tudo bem.

¶108O problema é o seguinte: o número de mulheres que ganham mais de cinco salários mínimos é esse. O número de mulheres na classe C é esse. Se você aumenta três pontos, quatro pontos percentuais aqui, é o equivalente a você aumentar um ponto percentual ali, entende? E se você tá caindo aqui e tá E se você tá caindo entre evangélicos e tá, você não tá atingindo quem você tem que atingir. Isso é uma coisa de calibragem de discurso, mas aí eu volto.

¶109Isso é uma coisa técnica. Isso é um trabalho para João Santana. Isso é um trabalho para Duda Mendonça. Isso é trabalho pra gente que sabe fazer isso. E essa turma tá ausente na campanha do presidente Lula.

¶110Também não tá presente na campanha do do candidato Flávio Bolsonaro. Não tá, não tá. E eles erram muito também. O Flávio é um mau candidato, mas o Lula tá tomando um sufoco. >> Pedro, >> e aí deixa eu só acrescentar uma coisa.

¶111Já te passo, Yasm, é só uma coisa, porque assim, ainda assim e e eu não tô discordando em nada de você, tá? Tô só tentando trazer nuances para essa e veja, eu só tô lendo pesquisa, é isso que eu tô fazendo aqui. Eh, >> isso, mas e tem um fato de que é porque o Lula foi perdendo vários segmentos, né? Então, a gente vem falando disso aqui, como o governo Lula 3 deixou de fazer muitas entregas, prometeu coisas que não conseguiu entregar, eh, teve um problema que é ali de início de governo, que eh pegou o país muito bagunçado mesmo, mas depois conforme a chave foi virando, não conseguiu eh fazer as entregas que havia prometido e as que tinha para para fazer também não conseguia comunicar também, etc. Mas ainda assim esse número tá distante, se eu não me engano, eu vou pegar aqui a a os números de 2022.

¶112O número de evangélicos que votou no Bolsonaro, no Jair, é na casa dos 7030. Então o Flávio ainda não está no mesmo patamar de Jair Bolsonaro no voto dos evangélicos. Eu acho essa esse empate que o Flávio tem com o presidente Lula, ele ele tem outros elementos para além do voto dos evangélicos. E uma coisa que tá que começou a acontecer um movimento bastante recente, isso começou a aparecer um pouco mais na bolha da esquerda. Eu ainda não tenho uma apuração ampla sobre isso.

¶113É algo que eu estou começando a olhar, é que os católicos progressistas começaram a fazer campanha e isso inclui eh a gente sabe que eh os segmentos religiosos progressistas são muito minoritários. Eles não mudam o ponteiro de uma maneira expressiva. Mas dentro do catolicismo em particular, eh, há há muitas colorações, né? Eh, eh, inclusive há uma teologia eh, né, próxima da esquerda, que não é necessariamente progressista, mas que tem bases. O PT vem de uma base católica também, né?

¶114Teve uma Então, esse há ainda setores do catolicismo próximo próximos do petismo, do progressismo, que não são necessariamente, né, enfim, a bandeira completa do do da progressista. E esse pessoal foi, parece que começou a fazer um trabalho de base, não sei se ainda dá tempo de ter um resultado expressivo, eh, que eu acho que ainda tem, eh, chance de mexer um pouco o ponteiro de Sudeste, porque o catolicismo é ainda forte no Sudeste, é mais no Nordeste, mas ainda tem alguma força no Sudeste. O as religiões têm, né, de maneira geral. Então, eu ainda vejo alguns movimentos possíveis, mas quero só frisar que realmente vejo muitos problemas dentro da campanha do presidente Lula atualmente. Um deles é sim e uma divisão bastante problemática de briga de poder entre um grupo que é da primeira dama Janja em parceria com Ricardo Stooker [roncando] e outro grupo que é do Sidônio.

¶115O Sidônio, Palmeira ele é muito mais, ele é cria do João, né, Santana? é do João ou do Sim, do João. >> E ele, eh, enfim, ele transformou a comunicação do governo, né? Vamos lembrar o que que era o Paulo Pimenta como ministro das [risadas] como Secom, né? Era um >> Você viu a propaganda dele no Instagram fazendo dancinha?

¶116>> Não, não vi. Que bom, porque talvez eu não conseguisse desver. >> [limpando a garganta][risadas] >> É colíra do des. Eu eu eu fiquei eu tô procurando aqui, eu fiquei constrangido. >> É, eu imagino.

¶117Pois é, >> mas [risadas] enfim, o Sidônio entra no governo e dá uma mexida importante, coloca eh outro gás, ainda longe do que eu acho que poderia ter sido ideal, mas aí também tem um tem coisa que o mensageiro não consegue fazer milagre se a mensagem não tá não tá ajustada, né? >> Eu acho que esse é um problema da campanha do Lula também. >> Isso. E aí veja, e, né? Então, só que aí tem uma coisa de campanha, de tiro curto que é assim, azar da mensagem.

¶118Eu vou aqui pegar e vou fazer o milagre que eu sei fazer. E é estelionato eleitoral que chama isso, mas tô falando de como é que pensa a cabeça de de marqueteiro de campanha. É, tá apertado. Vamos para cima. Vamos fazer a a mensagem que precisa ser feita, com quem precisa ser feito.

¶119E isso [limpando a garganta] não é o que a gente tá vendo na campanha do Lula. A o vídeo das betes é um tremendo de um acerto, mas até onde eu e eu acho que a essa proposta se vier e se for bem embalada é o que pode dar um [suspirando] né, um gás aí final. nesse primeiro turno. Eh, e aí tem um segundo turno inteiro pela frente. E, ah, e eu, só para acrescentar, para te passar, e parece que a campanha passou a estudar a possibilidade do Lula ir no debate da Globo.

¶120>> Uhum. >> Eh, é um movimento arriscado, porém, considerando que o Lula é um veterano de microfone na mão, não é o que o Flávio é. >> Uhum. >> Eh, pode lhe render alguma coisa. Eh, mas assim, é um indício do tanto que tá no sufoco, né?

¶121Porque ele não iria se não estivesse. >> Rapidinho, Yasmin, muito rapidinho. Duas coisas. Eh, duas coisas que corroboram e esse esse ponto da Flávia de Vai para cima, é campanha, vamos ver tiro curto. A campanha do Flávio e o Flávio não falam como eles vão recuperar a a economia do Brasil, na verdade, né?

¶122Todas as perguntas feitas pro Flávio na entrevista do Jornal Nacional, por exemplo, mas em outras declarações da sua campanha, eles falam que vão combater desperdício, que vão combater a corrupção, que vão fazer revisão do que está eh do dinheiro que está sendo desperdiçado, mas não fala se vão eh revisar, por exemplo, as medidas de correção do salário mínimo, se vão revisar a vinculação do salário mínimo aos gastos previdenciários, nada disso. não dão nenhum detalhe específico sobre como vão fazer isso. Ou seja, depois a gente vê o negócio, eles dizem que não vão eh não vão penalizar os aposentados. O que que isso significa? Nada, sei lá.

¶123Outro ponto é que as Bets é uma das poucas eh um dos poucos temas que o Lula pode fazer esse eh consegue penetrar nesse voto de direita, porque a direita não é confortável com as bets. A a direita não tem eh a bet, as bets não são uma pauta que com a qual a direita é confortável. Eles podem sentir confortável com business, eles podem conseguir eh conversar melhor com os lobistas das Bets do que a esquerda, mas a direita, principalmente evangélica, não é confortável com ela. O o Zema era o candidato antibet antibet dessa eleição, o Zema, que andava com Chega de Bets na na sua camiseta. Então essa a as Bets é quase uma oportunidade eh desenvolvida para ser usada nessa situação do Lula.

¶124e de novo, sem fazer juízo de valor, mas é a estratégia mais inteligente pragmaticamente nesse momento pro Lula utilizar, tentando essa visão de tiro curto e mais uma vez com a estratégia parecida com a do Flávio, que os detalhes a gente vê depois, depois a gente faz uma reorganização, depois a gente decide como isso vai ser de fato operacionalizado, mas pensando numa campanha de tiro curto que precisa ter um resultado imediato, as bets é a melhor aposta do Lula. Lula neste momento. >> Perfeito. Pessoal, antes de trazer duas perguntas da audiência que falam justamente sobre essa temática da religiosidade, queria só dar um recadinho. Falta muito pouco, né, pro Brasil ir às urnas, só que o trabalho do jornalismo não termina quando as urnas se fecham, né?

¶125Seja lá qual for o resultado, o Brasil ainda vai ter instituições sob pressão. E a gente espera que uma democracia para preservar um governo que precisa, aliás, e a gente espera que uma democracia ela consiga se preservar diante de um governo que também tem que ser fiscalizado. E é para isso que o meio precisa continuar por aqui, sem mudar de posição, porque mudou o governo, sem aliviar também para quem venceu. O jornalismo independente, ele precisa continuar firme antes, durante e depois do voto. Por isso, eu te convido a assinar o meio premium.

¶126São só R$ 15 por mês para ajudar a garantir que esse jornalismo continue. O link tá aqui na descrição e você pode também apontar a câmera do seu celular pro QR Code que tá aqui na tela. Seguindo aqui agora com as perguntas da audiência, gente, o Rafael Petinat falou o seguinte: "No discurso da ONU, o Lula teve várias oportunidades de se aproximar do público judaico e eu acho que também evangélico, né? Mas ele sempre tratou esse público como inimigo e parece que repetiu a dose na opinião do Rafael Petinat. Agora o @sebaapedreiro falou que não consegue acreditar como alguém religioso, pode achar que a família Bolsonaro é gente de bem.

¶127Como é que a gente explica isso, Pedro? >> Eh, eu eu acho que, gente, no fim das contas, a gente tá falando de política que é ancorada em identidade. Não tem muito mistério, não tem muito segredo. Eh, a gente, nós coletivamente abrimos mão de entender política pelos critérios que o Iluminismo trouxe, entendeu? Por que que o Iluminismo surge na Europa?

¶128Porque as pessoas estavam se matando. Tavam se matando em guerras religiosas, entendeu? Era protestante de um lado, católico do outro. A Inglaterra tava assim, a Espanha tava assim, a Holanda tava assim, a França tava assim. Em alguns países, como a Espanha, que era majoritariamente católica, o número de mortes era baixo.

¶129Holanda majoritariamente protestante, o número de mortes era baixo. Quando você ia pra Inglaterra, quando você ia para pra Alemanha, quando você ia pra França, populações meio que divididas meio a meio, era uma matança desgraçada. foram dois dois séculos de matança desde eh eh desde a reforma ali com Lutero e Calvino. [suspirando] E aí num determinado momento, um um um um grupo de pensadores, um grupo de filósofos começou a olhar e falar: "Gente, a gente tem que começar a a olhar um pro outro como seres humanos com os mesmos direitos, entendeu? E e começar a permitir que certas escolhas pertençam à esfera privada, entendeu?

¶130Aí a gente escolhe não olhar mais pras pessoas como parte de um mesmo clã, entende? Pega pega. Eu acho que as pessoas não têm muito essa clareza de como que esse negócio funcionava, mas pega, por exemplo, Romeu e Julieta, aquela coisa de Monteéquios e Capuletos, duas famílias em Verona que se matam, aquilo é como política na Europa era, entendeu? Você tinha as duas famílias que mandavam numa determinada região e viviam em guerra. Você tinha a rosa isso e a rosa aquilo e você tinha guerra das rosas, você tinha todas as guerras eram dadas por identidade de grupo.

¶131Podia ser religião, podia ser clã, podia ser isso, podia ser aquilo, mas é identidade de grupo, entendeu? Eu sou do time A, eu sou do time B. Quando você começa a olhar para todo mundo como ser humano, que por um acaso tem uma profissão, que por um acaso pertence a uma família, que por um acaso escolheu uma religião, mas de resto somos humanos e, portanto, iguais. Quando você começa a adotar esse primeiro essa e e essa identidade universal, nos encontramos na nossa humanidade e a partir daí uma identidade nacional. Por que que o nacionalismo começa depois do século XVI e entra no século XIX para se consolidar?

¶132Por que que a unificação da Alemanha e da Itália acontece no século XIX? Por que que a consolidação das fronteiras da Europa se dá no século XIX? Porque é o momento que abre-se mão de se identificar por grupo dentro de uma nação e passa a se identificar por uma nacionalidade. Eu sou francês, eu sou português, eu sou brasileiro. O que o que tá acontecendo aqui é que a gente começa a se ver desse jeito.

¶133Não somos os negros, somos os gays, somos os evangélicos. E e você começa a olhar para esses grupos dentro do país como eh eh grupos em oposição a outros grupos, entendeu? Aí é a turma que tá lutando pelos direitos eh eh LGBTQ a mais em oposição, o grupo que tá lutando por ser evangélico e fica em oposição. A gente parou de se ver como eh eh como brasileiros, entendeu? É por isso que a camisa da seleção brasileira vira a o símbolo de um time político.

¶134É por isso que eu boto uma camisa vermelha para gravar um vídeo no Instagram e e não importa se eu tô falando sobre índio tupi, tem gente lá no comentário dizendo que eu sou petista, entendeu? Porque eu tô com uma camisa vermelha. Isso é uma loucura, né? Isso é uma loucura completa. Então o o que tá acontecendo não é ah, como é que os evangélicos acham que o FL os evangélicos não acham nada.

¶135O que os evangélicos eles não acham nada sobre o que que eles não acham que Jair Bolsonaro seja um santo. Eles não acham que o Flávio Bolsonaro seja um santo. O que eles acham é o seguinte, o Lula é contra eles. Então o cara que é a favor de mim é o cara que é contra o Lula. Esse é o jogo da política.

¶136E se você para para prestar atenção no que que militantes de esquerda falam faz 4 anos a respeito de evangélicos nas redes sociais, quem sou eu para dizer que eles estão que eles estão errados, entendeu? >> Quem que escolheu tratar os evangélicos como uma categoria? Os evangélicos e não os brasileiros. Entendeu? Percebe que a gente não fala de católicos assim, os católicos, quem são os católicos?

¶137A gente não fala desse jeito, não, mas tem os evangélicos. E, e, e, [limpando a garganta] e por favor, não eh eh eu não tô dizendo de forma alguma que seja há uma coisa da esquerda, não. O movimento negro é todo mundo se tribalizou, todo mundo se encastelou numa determinada identidade e trata os recursos da sociedade como escassos, entendeu? Então, vira um jogo de soma zero, que é a aflição de tudo quanto é liberal no fim das contas, entendeu? Porque tem aquelas liberdades, ou pego para mim ou ou o outro vai pegar.

¶138Então, a gente precisa ir para uma briga de sobrevivência. E tá todo mundo nessa briga de sobrevivência. Os direitos não deviam ser escassos. Os direitos deviam ser simplesmente garantidos para todo mundo. >> Desculpa ter te interrompido.

¶139Senti que o Magno tava querendo falar. >> Problema. Não, claro. >> Não, Yasmin. Eu só queria complementar com uma coisa que o que o Pedro colocou e a irracionalidade também, né?

¶140O que o que explica eh tal grupo apoiar tal político, se tal coisa acontece também? É que nem tudo é racional. E a a identificação não é necessariamente racional. você consegue ser contra a corrupção e votar no PT e no Flávio. E se eu disser para vocês que o PT esteve envolvido em casos de corrupção, que o Lula foi condenado, que o Flávio, [limpando a garganta] você vai arrumar uma forma de me garantir que, apesar disso tudo, o seu voto nele é válido.

¶141A gente precisa entender que a aplicação de critérios racionais paraa decisão política [roncando] é uma coisa, é uma forma de tentar entender as decisões que as pessoas eh tomam. Não é a forma padrão pela qual as pessoas tomam decisão. É uma forma da gente enxergar de fora o que leva as pessoas ou que aumenta a possibilidade das pessoas tomarem uma decisão ou outra. o que influencia ali naquelas decisões, mas a reação das pessoas é o que costuma guiar o seu voto, essa esse primeiro instinto, né, o o pensamento rápido da da analogia daquele do livro do pensando rápido e devagar. Então, a as pessoas tomam decisões políticas de forma a justificar depois racionalmente as decisões que já tomaram.

¶142Então, a gente tem, claro, eh acontecimentos das pessoas falando de eh contra a corrupção do Banco Master com uma foto gigantesca do Flávio atrás delas. Por que elas fazem isso? Porque a decisão pelo Flávio já foi tomada. E se vocês perguntarem para elas por que elas fazem isso, elas vão encontrar formas racionalíssimas de explicar para vocês porque elas fazem isso, porque essa é é você se apaixona por alguém e depois você encontra razões para explicar paraas pessoas porque você se apaixonou por essa pessoa. E a política eh funciona dessa dessa forma também.

¶143Flávia, >> queria aproveitar para trazer aqui uma pergunta do Fred McKenzie. Ele tá querendo uma palinha da possibilidade dessa eleição terminar no primeiro turno diante do apresentado. Ele queria saber qual que é a probabilidade desse fato ocorrer. A gente não faz futurologia, né, Flávia? Flávia faz sim.

¶144>> Não faz. >> Hã? >> Ô, Flávia, eu contava com você. Alguém tem que fazer. [risadas] >> Não, eu faço, eu tenho outra outra outra ciência oculta que eu pratico, que é o botequismo, mas é só bot com [risadas] aditivos, eh, >> com a facilita com com a facilitação de outros ingredientes ali, >> com o lubrificante das palavras, né?

¶145Eh, mas eu não faço futurologia e não e nem e nem botequismo aqui no ar. Eu eu evito, às vezes eu faço sem querer, mas eu procuro evitar. Mas eh sabe quem não faz futurologia nem botequismo, mas acha que essa possibilidade existe real, é são os nossos parceiros do meio do do Ideia, do Instituto Ideia, que fazem a pesquisa meio ideia conosco. >> E eles baseiam essa essa não é uma previsão, tá? é entender que existe essa possibilidade.

¶146São coisas diferentes. Eles não estão cravando que é isso que vai acontecer, mas eles entendem que isso pode acontecer e tem uma chance realisam que isso pode acontecer inclusive para ambos os lados, embora eh acreditem que seja mais pro lado do Flávio, por um comportamento eleitoral que o Maurício chama de antipetismo de chegada. é o Maurício Moura, que é o fundador do Ideia, eh, que é este esta noção de, olha, as pessoas eh um dos fatores essenciais de decisão de voto é a derrota do Lula. E e é assim, desde que o Lula foi pro segundo turno pela primeira vez. Eh, e quer dizer, talvez não desde a primeira vez, porque o próprio Fernando Henrique, por exemplo, ele não se elegeu por um sentimento antilulista.

¶147Acho que isso é algo e nem foi pro segundo turno. Exatamente. [risadas] Eh, não precisou, mas eu acho que principalmente desde que o Lula é eleito pela primeira vez, a decisão de voto se articula muito entre os que gostam e escolhem Lula e os que são antiLula. E aí qualquer candidato com capacidade, com chances de derrotar o Lula, agregam este outro pedaço dos brasileiros. Pedro tava falando de identidade.

¶148Existe uma identidade eleitoral forte do brasileiro, que é o antilulismo, o antipetismo, mas principalmente o antilulismo, né? Eh, e aí o que pode acontecer é que, e aliás, a campanha do Flávio vem explorando isso bastante, é que essas pessoas que estão ainda dispersas ou indecisas ou dispersas em outros candidatos e nesta eleição os outros candidatos são majoritariamente de direita, façam o voto útil já no primeiro turno, né, falando, olha, eh, o voto útil é no primeiro turno, né, eh, para derrotar o Lula, eu vou Não só vou sair da minha casa, não só vou abrir mão de votar no outro candidato X, como vou escolher votar no Flávio para derrotar o Lula e encerrar essa fatura. Como tá ficando muito apertada, né, a eleição já no primeiro turno, as pesquisas indicam aí uma diferença de que já foi bem maior e que hoje tá ali na casa dos cinco pontos. Eh, este movimento pode levar com que se encerre no primeiro turno. Pro outro lado, o que poderia motivar esse esse movimento no voto no Lula, que é mais improvável por conta disso tudo que eu falei, é a rejeição ao Flávio Bolsonaro.

¶149Eu acho que essa é a grande aposta. Eu acho que assim, há há poucas esperanças no campo lulista, na campanha petista, de que o Lula conseguisse consiga encerrar no primeiro [limpando a garganta] turno. Eh, eles falam bastante disso na militância. Eu acho que é muito mais para animar a militância do que uma crença verdadeira. Agora, se houver alguma chance de isso agregar, é no sentimento de rejeição à família Bolsonaro.

¶150E é uma das apostas que a campanha está fazendo nesta reta final. Eu eh falei do dos vídeos, né, se endereçando aos aposentados e o outro, isso já é um slogan, o Pedro me alertou que isso já vi já vem sendo usado há alguns dias. Eh, um, uma das inserções que eu ouvi é falando, ó, é um confronto muito direto. Flávio Bolsonaro é contra o 6 por1, é contra o aumento do salário mínimo, é contra o aumento da Bolsa Família. Eh, você não conhece o Flávio Bolsonaro, ele é o pior dos Bolsonaros.

¶151>> Isso já falado. >> Então, assim, é uma aposta nessa rejeição ao Flávio para tentar pegar uma um pedaço desses indecisos, aqueles até que, como o Pedro apontou, já até já votaram no Lula. estão insatisfeitos com o governo dele, mas que conquiste via rejeição à família Bolsonaro ao Flávio em particular. >> É, talvez você nem rejeite o Jair, mas o Flávio é o pior dos Bolsonaros. Falando muito da questão da corrupção, principalmente, né?

¶152Eu não sei se essa é uma campanha vinculada nacionalmente, mas no Rio de Janeiro é bastante específica a respeito das companhias do Flávio, né? Flávio é amigo de fulano, que é amigo do Cláudio Castro, que é amigo do Bacelar, que é amigo e Flávio, o pior dos Bolsonaros. Então, é uma uma tentativa de criar uma rejeição que é mais do que a rejeição ao bolsonarismo. É uma tentativa bastante específica para um eleitor que talvez não rejeite o Jair, talvez não rejeite o bolsonarismo, mas mostrando a ele que olha só, o Flávio é uma outra coisa e uma coisa muito pior. Olha aqui o que ele fez.

¶153Olha as olha quem são os amigos dele. Olha os envolvimentos que essas pessoas têm. Talvez você ache até que o Jair não tenha, mas olha o Flávio. Então é uma uma estratégia que, aliás, muita gente esperava que tivesse começado antes, né? Antes da campanha, havia uma expectativa de que uma vez que a campanha eh oficial começasse, o PT iria com muita força sobre essas questões pregressas do Flávio e não foi exatamente o que aconteceu.

¶154Então, talvez seja esse último, nesse último, talvez seja nesse último esforço que estará eh essa, essa, essa acelerada do PT sobre as questões especificamente relacionadas às ações anteriores de Flávio Bolsonaro. >> Tem um comentário precioso aqui no nosso chat que eu queria trazer e e é do João Pilon. João, eu não não não entenda isso como como uma malcriação minha, não, mas é que eu eu eu queria muito usar esse exemplo do seu comentário, porque eu acho que ilustra muito aquilo que eu tô tentando falar hoje no programa inteiro, tá? Pior é pobre que se acha rico e vota no Bolsonaro para ferrar com pobres. Qualquer dono de comércio achando que tem um dinheiro a mais que outros.

¶155A gente tá falando da classe C, é 49% do Brasil, é metade do Brasil, tá? Quando a gente fala da classe C na periferia urbana, dá pouco mais de 30%, 32, 33% da sociedade brasileira, 1/3 dos brasileiros. Esses são os pobres que votam pesadamente no Bolsonaro, tá? Eh, eles não se acham ricos, na verdade, eles têm muita consciência da quantidade de horas que eles trabalham por dia. A gente tá falando de um sujeito que sai da Baixada Fluminense aqui no Rio eh dirigindo um Corolla Preto e trabalha como Uber Black das 3 horas da manhã.

¶156Ele vem pra zona sul do Rio, fica circulando aqui, trabalha das 3 horas da manhã e 6 horas da tarde, aí volta para casa, dá um beijo na testa do da mulher, come alguma coisa, chapa, acorda 3 horas da manhã e trabalha 6 a 7 dias por semana. Eh, a gente tá falando de um bombeiro hidráulico, a gente tá falando de um dono de uma birótica, assim, uma uma birostica em um pequena loja em duque de caxias e tudo mais. Fundamentalmente, asas pessoas trabalham uma quantidade absal de horas por dia e trabalham e ganham 5.000 por mês, tá? Eh, é mais ou menos isso. Isso dá perápita R$ 3.000, R$ 5.000 por mês per cápita de uma família de marido, mulher, dois filhos.

¶157Tá certo? Eh, meu camarada, o qual o problema dessa pessoa? e e você vai poder reclamar, tem rancor, isso e aquilo. O problema é que boa parte dos programas do governo são voltados paraa classe de que dá pouco mais de 20% da sociedade brasileira, 1/5 da sociedade brasileira. São as pessoas que se não tiverem algum tipo de ajuda do governo, vão passar fome, não vão conseguir comer três vezes por dia tem um teto em cima da cabeça.

¶158Então é para elas que benefícios continuados eh eh são garantidos, como bolsa família, eh eh como vários tipos de pensão, como aposentadoria rural, que é aposentadoria pra gente que nunca contribuiu. Você tem uma série de programas que botam dinheiro na mão dessas pessoas. Essa turma que tá na classe C ganha 4.000 por mês em detrimento de alguém na classe D e que ganha 800 por mês. 1000 por mês. É diferente, mas ao mesmo tempo as pessoas têm contato.

¶159E aí o que que acontece? Boa parte das políticas públicas não são voltadas pra classe C. >> [roncando] >> A classe C literalmente se considera, embora ela seja metade do Brasil, ou 1/3, se a gente fala da classe C da periferia urbana aqui no Sudeste, embora ela seja uma quantidade considerável do povo brasileiro, boa parte das políticas públicas de auxílio não são voltadas para elas. Você tem algumas coisas como Pro Uni, como programas para você fazer eh eh universidade, ter acesso à universidade, mas é uma quantidade muito pequena e muito particular dos que recebem. esse tipo de programa, eh, você tem os serviços públicos e nenhuma, para ninguém na sociedade brasileira, serviço público é tão importante quanto para essa turma.

¶160Quem usa hospital público são eles, quem usa posto de de saúde público são eles, quem usa escola pública não são nossos filhos, são os filhos deles, tá certo? Em geral, o contato com o qual eles têm com o estado é de um estado precário, porque a escola pública não é boa, porque a saúde pública é bastante boa se você compara com a da Bolívia, com a da Argentina, com a de uma quantidade grande de países ricos, inclusive nos Estados Unidos nem isso teria. Mas olha, quando você tem que fazer marcar com dois meses de antecedência para fazer um exame urgente, é precário, é ruim, não tá te entregando. Então, é uma turma que rala pra muito mais horas do que nós ralamos, para ganhar uma quantidade de dinheiro muito menor do que a que nós ganhamos e e que ao mesmo tempo não recebe aquele tipo de serviço público, aquele tipo de ajuda pública, aquele tipo de benefício que os realmente pobres na sociedade recebem. é, é [limpando a garganta] uma turma que sente, que sente um pouco que é esquecida pelo estado, é esquecida pelo governo.

¶161Aí vem um bando de gente de esquerda que tá dentro da USP, que tá dentro do FRJ, que tá dentro de uma das PUCs, que mora em Santa Cecília, que toma um shopping em Vila Madalena, eh eh que mora em Laranjeiras e e e vai, qual o nome daquela praça mesmo que tem a gente? São Salvador. >> Praça São Salvador. Muito obrigado. Eh, e e que fala de do último disco do Caetano, do último disco do Emicida, entendeu?

¶162Eh, e que houve podcast de rapper e aí e assiste o IC, se sente muito comovido por sua preocupação com como pobres e aí olham para essa turma e falam: "Pobre de direita". É isso. Esse é o problema. Essa é a turma. São essas pessoas que vão escolher o próximo presidente, tá?

¶163>> Estamos ou não estamos em maus lençóis, Mari? >> Não, não, não tô dizendo que estamos em maus lençóis, não. Só tô desenhando o o retrato da coisa. >> Mas essa turma que garantiu ao petismo e ao lulismo o domínio eleitoral que garantiu por muito tempo, né? >> Sim.

¶164Só que há um ressentimento por parte dos lulistas, porque essas pessoas agora estão esperando algo a mais. Mas essas aspirações são absolutamente esperadas daqueles que passaram a comer, né? Eu eu passei a ter uma escola, né? O o Brasil só universalizou o acesso à escola nos anos 90. E é natural que a pessoa quando tem acesso à escola, agora espera uma escola melhor.

¶165Eu tenho acesso à alimentação, agora eu quero ter eh acesso a outras coisas. Eu tenho um trabalho, eu tenho um veículo, mas eu quero trafegar com o meu veículo com mínimo de segurança. Eu passei a ter acesso à informação, então eu tô seguindo a política de mais perto. Então eu exijo que a política tenha uma qualidade melhor, que tenha mais ética. Eu eu estou acompanhando o judiciário.

¶166Como assim? Isso aqui é o que está acontecendo com o judiciário. Todas essas aspirações são absolutamente compreensíveis. E quem está no meio da tabela da renda ali brasileira, o a maioria dos brasileiros que está ali naquele momento, naquele ponto, ele enxerga pessoas sendo beneficiadas para baixo e enxerga pessoas sendo beneficiadas para cima. Ele se vê, o brasileiro da classe C se vê como alguém que só toma na cabeça, que tá pagando muito caro para fazer tudo e não recebe absolutamente nada, porque se a filha dele tá doente, ele tem que pagar eh um plano de saúde.

¶167A a renda extra que ele consegue, ele vai lá e coloca na escola particular e ele tá com medo de comprar qualquer coisa porque ele tem medo da violência. E aí, se ele reclama de alguma coisa, ele vê, ele vira um velho reaça. E não é isso. Ele é uma pessoa normal que mora na região sudeste, onde se concentra a maioria hã da população brasileira, ou nos grandes centros urbanos das outras regiões e tá morrendo de medo, tá gastando muito dinheiro com muitas coisas, não vê o padrão de vida dele aumentar e não pode nem usufruir dos bens que ele muito suadamente compra, porque ele morre de medo. Então, eh, é isso.

¶168A, a o meu a minha >> tô siri >> Siri, >> por algum motivo tudo a gente ainda tá sendo monitorado, né, Magno? >> E além de tudo, a gente ainda tem a inteligência artificial se metendo nos nossos temas. Mas em resumo, para fechar, eh, a gente falou muito por um período, talvez nos anos 00, nos anos 10, sobre a classe C, mas do meio dos da década passada para cá, a classe C, talvez por um certo eh malestar com esse grupo depois de 2013, depois daquelas manifestações, foi um tanto esquecida. E acho que há um ressentimento que a gente pode eh debater se é justificado, se a vida delas era pior ou melhor antes, se a classe tá sendo mal agradecida ou não, como se os políticos fizessem qualquer favor pra gente. Mas é uma um diagnóstico de que vem os ricos sendo beneficiados, vem outras pessoas que trabalham menos e pelo menos na sua percepção tem uma vida melhor do que elas e se vem como um grupo que só toma na cabeça, que está exposto à violência pública, que não consegue eh garantir aos seus filhos um conforto, que não consegue garantir a sua família um conforto.

¶169E a gente tem que levar a sério essas preocupações, como a gente já levou a sério as demandas desse grupo há algumas décadas. Eu não acho que há problema algum em termos esse esse público eh se achando injustiçado. Eu espero que eles não se tornem não se tornem golpistas e acreditem que acabar com a democracia é uma forma de ascensão social, mas acho que a política deve ouvi-los, sim. Ai ai, resolvemos os problemas só [risadas] almoçar neste clima. Almocei ainda tem entre nós alto em alto baixo astral.

¶170Eu vou encerrar [risadas] o central meio de hoje. Tô de baixo astral não. >> Você aliás não, você aliás tá zero baixo astral porque você está belíssima com esse batom vermelho. Eu amei. Eu amei.

¶171Achei chique. Tô inspirada. >> Me aguardem amanhã. >> Tem hora, tem hora que a gente tem que cultivar o alto astral de fora para dentro também. Ouvi uma música legal.

¶172É verdade, gente. Olha aqui o meu momento. Sabedoria. Não é nem botequismo e nem futurologia. Esse é >> uma coisa clodovil, minutos de sabedoria.

¶173[risadas] >> É, fala pra câmera da verdade. >> Olha pra câmera. Olha, o público tá te assistindo e manda um [limpando a garganta] recado. Flávio. >> A câmera da verdade eu não passo.

¶174>> É, pessoal, cultivem de dentro para de fora para dentro um pouquinho também, sabe? Uma música bacana, um batonzão vermelho, se for a sua praia. Eh, o que o que te fizer bem, não precisa seguir exemplo de ninguém. Uma coisinha bacana assim, porque os dias são pesados, né? Tão pesados.

¶175Eh, sei lá, eu tô tendo um ano sinistro, então a gente cultiva, >> tá certo? >> Rafael Simonelli me recomenda aqui usar batom vermelho amanhã. Acho que fazia isso. >> Eu acho, Pedro, a gente pode vir combinando. O que que você acha?

¶176>> [risadas] [suspirando] >> Não me ofereça essas essas possibilidades. Sabe que é duro de usar batom vermelho? Como eu não eu tenho até tenho, sigo umas umas eh queridas que ensinam dicas e tal e já fiz aula de maquiagem quando eu fazia teatro e tal, >> mas eu ainda não peguei o truque que eu curto mesmo assim para não borrar o dente. Então [risadas] eu fico toda hora com medo, a gente tá com dente borrado e vou fazendo uns assim discretamente, entendeu? Não, eu fiquei sabendo que o negócio é você colocar um >> um papel quando você termina e aí você dá uma mordidinha no papel assim e aí fica aquela parte do lábio ali que encosta no dente, pega essa parte do batom.

¶177Pronto. Isso. >> Magnu, >> eu ia viver a vida inteira sem saber desse truque. >> É. Exato.

¶178Olha, olha como os homens são mal informados. Sou um especialista. Sou um especialista sazonal, mas sou um especialista. Todo carnaval eu estou lá bastante enfeitado de diversos tipos de fantasia, mas sempre que possível tem uma peruca e um batom que é para dar um um destaque no meio do bloco ali, né? Adorei.

¶179Um verdadeiro liberal. >> Perfeito. Bem liberal nos costumes, do jeito que a gente gosta. Pessoal, sem mais conversa mole, obrigada aí por a gente conseguir encerrar aí agora simastral. Muito obrigada Central Meio fica por aqui.

¶180Obrigada por você que tá nos assistindo, pela sua companhia e até amanhã. Coragem. Político, como se fala em outra coisa que não essa crise do STF, né? No meio a gente faz essa cobertura completa, sim, mas vamos além. Nas edições de sábado de setembro, o nosso time foi atrás de quem estuda o Supremo.

¶181Entrevistamos alguns dos maiores juristas e pesquisadores do país para analisar essa crise, para explicar essa crise. Não opinião de mesa de bar, é contexto, [música] a informação. Foi assim com Rubens Glzer da FGV Direito SP sobre urgência de uma reforma na corte. tá lá na nossa edição mais recente, mas o STF não pode abafar todo o resto. Por isso, trouxemos entrevistas e artigos sobre os outros temas que também preocupam o brasileiro nessa eleição, [música] como economia, como educação.

¶182A Débora Bizarria, por exemplo, escreveu um artigo comparando os cinco programas de governo na economia. A Priscila Cruz, do Todos pela Educação, bateu um papo com a gente sobre o que cada presidenciável propõe nesse campo. São os temas que o noticiário do dia a dia deixa passar, mas a gente não. Se você quer acompanhar essa eleição com esse nível de profundidade, qualidade de análise, assina o meio premium [música] e receba a edição de sábado toda semana. vai fazer diferença para você entender no que tá botando.

¶183>> [música] [música]