a tese
O canal ateísta The Sound of Science reage ao vídeo de conversão de Joe Schmid ao catolicismo alegando que a conversão é oportunismo financeiro (salto de audiência no YouTube) somado a recaída na doutrinação católica da infância, e ataca como moralmente repugnante o fato de Schmid ter se comovido com a história de Santa Maria Goretti, a menina de 11 anos assassinada que perdoou o agressor antes de morrer.
aprofundar
não
o vídeo é invectiva sem argumento (o único ponto verificável é a comparação de audiência), e serve apenas como registro do tipo de reação anticristã que o caso Schmid está atraindo, não como interlocução filosófica.
O que foi dito
- O apresentador se define como alguém que “disseca maus argumentos” a favor de fantasmas, duendes e deuses, e enquadra Schmid de saída como “alguém que antes se passava por ateu” e agora adora um deus que “afoga bebês de modo planejado e sistemático”.
- Rebate o anúncio “Deus existe, Cristo é Senhor” dizendo que nada mudou no mundo real, que não há evidência nova depois de dois mil anos de alegações cristãs, e que o único fato novo é o grau de credulidade de Schmid.
- Apresenta como argumento central de suspeita os números de visualização: os vídeos anteriores à conversão marcavam 4 mil, 5 mil e 11 mil views, e os posteriores 88 mil, 128 mil e 169 mil, o que segundo ele multiplicou por dez a receita de YouTube de Schmid, sugerindo motivação de “mudança de caixa, não de coração”.
- Reduz a biografia de Schmid (colégio católico do jardim de infância ao último ano, sacramentos frequentes) a “lavagem cerebral desde a infância” que voltou a alcançá-lo na vida adulta, e chama a trajetória de comum e sem nada de especial.
- Trata com escárnio o relato de Schmid sobre o canal The Worldview Design e os testemunhos de objetos voando, mudanças instantâneas de estrutura facial, levitação, remissão completa de esclerose múltipla avançada e cura de cegueira, concluindo que Schmid “virou um maluco completo”.
- Descarta em poucas linhas o argumento do ajuste fino das seis constantes mencionado por Schmid, afirmando que ele entende mal probabilidade e é circular, sem desenvolver nenhuma das duas objeções.
- Dedica o núcleo do vídeo ao caso de Maria Goretti e Alessandro Serenelli (do vídeo de Gabby Afterhours que Schmid citou): aceita que os fatos ocorreram, chama a menina de vítima dupla, do assassino e da doutrina, e sustenta que ensinar perdão nesse caso é um incentivo prático a pedófilos, referidos por todo o vídeo pelo eufemismo de internet “PDF files”.
- Estende o ataque à encarnação, afirmando que um deus que fala planetas à existência poderia ter falado Jesus à existência em vez de “engravidar uma menina”, e lê a frase final de Schmid (“onde abundou o pecado, superabundou a graça”, Romanos 5:20) como promessa de impunidade a agressores sexuais dentro de um “grupo de autoajuda predatório”.
- Termina com insultos pessoais (inclusive questionando por que Princeton mantém Schmid no doutorado) e insinuando que Schmid tem outra “revelação” a fazer em breve, sem oferecer contra-argumento filosófico a nada do que Schmid disse.