¶1เฮ Olá, boa tarde. Sejam muito bem-vindos. Sejam muito bem-vindas ao Central Meio. Hoje é quarta-feira, 23 de setembro de 2026. Eu sou a Flávia Tavares e hoje aqui na bancada, uma bancada totalmente feminina, estão comigo a economista Débora Bizarria e a cientista política e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, o Iser Ana Carolina, evangelista Carô, tudo bem, queridas?
¶2>> Bem-vindas. >> Olá, bom dia, boa tarde. Quer dizer, já >> boa tarde. Eu já almocei hoje. Hoje eu me vim prevenida.
¶3>> Já almoçou? Eu almoço às 11:15, amor. É o dia que dá tempo, né? Eh, eu e como diria Faustão, minhas amigas, tanto no pessoal quanto no profissional, eu tô muito feliz com essa bancada aqui hoje. Bom, gente, vamos aos assuntos do dia.
¶4Há menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, a disputa pelo eleitorado indeciso esquenta. E o que pensam e o que querem as mulheres brasileiras, especialmente aquelas da classe C? A mais nova pesquisa nacional do Iser junto com a Quest mapeou a fé, as práticas e os comportamentos no país e revelou um eleitorado feminino hiperconectado, bastante religioso e cada vez mais atento à pauta econômica também. Um dos muitos temas que interessam a essas mulheres é a dependência em em apostas virtuais, as bets, que avança sobre o orçamento das famílias. Esse é um dos assuntos que o governo pretende explorar na reta final da campanha a reeleição do presidente Lula.
¶5Enquanto isso, o caso do Banco Master continua a sacudir a política com suspeitas envolvendo ministros do Supremo, políticos e preocupa as duas principais campanhas. Então, se você quer entender como tudo isso se conecta, se cruza e qual é o peso dessas pautas na hora de apertar o confirma nas urnas, você tá no lugar certo com as companhias certas. Fica com a gente, puxa a sua cadeira, deixa o seu like, manda sua pergunta no chat e se inscreve no canal, porque o central meio tá no ar. Meninas, vamos começar a destrinchar esses assuntos todos. Essa introdução que eu fiz ali, ela só rabisca alguns assuntos que se que se conectam de maneiras muito eh ou muito pontuais ou muito profundas.
¶6e vocês que vão me ajudar a fazer esse desenho. E um dos pontos de partida para este desenho é a pesquisa que o Iser fez com a Quest, que é, eu diria, a maior pesquisa eh já realizada sobre o comportamento religioso, a religião no Brasil, como que as pessoas se relacionam com a fé, como é que isso se entrelaça nas nossas vidas. Mas eu pensei, Carô, em pegando carona no noticiário mais quente da semana e num assunto que eu acho que perpassa economia, voto feminino, religião, eh, enfim, com tudo isso de uma vez só. Falar um pouco da relação com jogos, né? Porque ontem, quando a gente tava traçando aqui eh essa eh enfim essa possibilidade de que um anúncio seja feita feito amanhã pela campanha do presidente Lula, pelo governo para ajudar a campanha, né?
¶7Eh, de talvez fazer uma ofensiva quanto contra os jogos, eh, regulamentando, eh, tirando os tigrinhos, as coisas todas, mantendo só as apostas esportivas. Enfim, eh, uma das coisas que a gente mencionou aqui foi que no governo Jair Bolsonaro, não, a regulamentação dos jogos não avançou em parte por uma pressão da bancada evangélica que se opunha muito fortemente. No governo Lula acabou avançando um pouco. A bancada evangélica vai e vem, né, com este assunto. tem eh algumas concessões que são feitas, outras que outros pedaços da bancada dos representantes resistem mais.
¶8e o público evangélico, não só o evangélico, o religioso em geral, a bancada religiosa. E eu falei evangélico por força do do mau hábito jornalístico. Exatamente. Mas enfim, eh o o a bancada religiosa e o público religioso tem uma resistência a este assunto. Eu queria ouvir vocês duas a esse respeito, começando por você, eh porque você tá com esse tesouro nas mãos, eh, que é justamente entender, para entender como é que pensam, eh, essas pessoas e e acompanha tão de perto o trabalho também na no congresso, né?
¶9>> Sim, muito bom estar aqui com você. Eu tava com saudade de você aqui. É, >> olha só, a gente já sabe nesse essa temática eh da contrariedade às bets, a gente já sabe que é um tema que não polariza, né? que é um tema de consenso, nos diferentes recortes, atinge as famílias brasileiras e e a gente comprova com essa pesquisa eh também esse elemento independente do recorte por identidade religiosa, é 90% das pessoas respondem que são contrárias às bets, né, que as bets viciam e destróem as famílias. Então isso é comprovado aqui também na nossa pesquisa.
¶10Assim como outras >> perguntas que a gente faz sobre políticas sociais e políticas públicas. parece eh estar um pouco dissoante do que algumas lideranças da bancada evangélica e da bancada religiosa promovem de de propostas políticas do Congresso Nacional. A gente já sabe disso, a gente tem um acompanhamento disso, mas a gente consegue comprovar também nessa pesquisa alguns desses temas. Então, por exemplo, Bets, mas a gente pergunta sobre eh concordância e discordância com Bolsa Família, com o projeto de lei eh de fim da escala 6 por1, com demarcação de terras indígenas, por exemplo. Então, a gente tem uma um alto uma alta porcentagem de concordância da população com relação a essas medidas, independente do recorte por identidade religiosa.
¶11>> Aham. A mesma coisa, por exemplo, quando a gente pergunta sobre pautas de segurança pública, eh, apoio à posse de arma, facilitação para posse de armas ou redução da maioridade penal, a gente ainda encontra um alto grau de discordância com relação à redução da maioridade penal e com e discordância com relação à facilitação do poste de armas, independente do recorte por identidade religiosa aqui que a nossa pesquisa identifica. Eu cito essas outras medidas para um pouco dizer que são exemplos de políticas sociais e políticas públicas que a base, digamos assim, tá eh tá mandando uma mensagem pros seus representantes, pros seus parlamentares, especialmente da bancada religiosa, que ela não concorda com algumas medidas que eles estão propondo e Bet é uma delas. >> Mas Bets é uma delas. Eh, primeiro deixa eu falar uma coisa, gente.
¶12Essa pesquisa nós vamos explorar bastante esse assunto ainda ao longo do programa e ela tá disponível na íntegra, no site do ISER, tá? Então, assim, a gente deu na newsletter eh gratuita do meio na segunda, na terça-feira, tem lá o link, tudo certinho, mas se você eh não sei como você ainda não assina nem a newsletter gratuita do meio, mas vamos supor que você não assine, você vai também lá no site do Iser, tá lá disponível na íntegra e eh nós vamos explorar mais aqui. Mas deixa eu pegar esse gancho que você deixou eh no final, porque mas a bancada religiosa tem se colocado contrária a à regulamentação de BETs de uma maneira geral, né? Eu acho que pontualmente não, né? Como é que é essa questão?
¶13É bem importante dizer isso, inclusive e da Maris Alves e outros parlamentares dessa bancada são eh, signatários eh inclusive das propostas de das mobilizações, das propostas de PL, de regulação das bets. Então é importante dizer isso. Acho que tem um ou outro alinhamento da bancada religiosa para corrigir meu comentário anterior, >> alinhado uma questão eleitoral aqui. Então não quer apoiar nada que possa parecer um uma promoção do governo atual, mas sim com relação às bets eh também é um é um tema de consenso, né? É, >> sim, com certeza, porque a maior parte das igrejas sofrem muito com esse problema, tanto no ponto de vista religioso, né, e da vida da pessoa e da vida das famílias, quanto convenhamos não só as igrejas, mas todos os setores da economia, como varejo, serviço, sabem que se a pessoa tá gastando dinheiro dela com, né, com bets e aí vai apostes esportivas, cartin online, que é a coisa do tigrinho, né, que coisa de roleta e tal, >> eh, enfim, das diversas formas desse tipo de jogos de azar, a pessoa deixa de estar contribuindo com a igreja, de contribuindo com a com causa social de comprando coisas e consumindo serviços.
¶14Então, tende a ser um um consenso da economia produtiva como um todo, >> eh, e inclusive das igrejas, né? Então, tem tanto aspecto humano, social, eh, familiar, psicológico que se coloca, mas tem uma questão de de cunho pragmático e financeiro também, né? Então, pra base é bem importante que isso seja um assunto resolvido, só que é muito difícil porque diferente de um vício e com álcool ou drogas que tem a ser um pouco mais visível até certo ponto, com celular, você tá no seu celular e, tipo, é muito difícil se identificar. Você só vai ver quando o dano já tá eh materialmente constituído, né? >> Uhum.
¶15E tem uma camada, eh, parece em volta disso que foi eh debate no Congresso, inclusive no processo de regulamentação, porque ontem eu recuperei um pouco como é que foi, né, essa história das bets. Então, eh, foi aprovada no governo Temer, aí dependia de uma regulamentação que não foi feita ao longo do governo Bolsonaro por variadas razões, mas em particular por uma pressão da bancada religiosa do Marco Feliciano. Me parece que teve um papel. tirar uma dúvida inclusive que ajuda o o >> você pelo que vocês mapearam, né? Porque imagino, a a rejeição, a regulamentação era com a ideia de que se não regulamentar é melhor para as bets ou pior para as bets?
¶16>> É uma resist era não queria que se liberassem jogos. Então é uma linha da proibição. Entendi. Porque às vezes pode ser o contrário, né? Você não regula para coisa rolar solta, que foi o que aconteceu na prática.
¶17É, então, e exatamente, mas não era uma contraposição de valor mesmo, de de e esta é uma pauta que somos contrários à existência de Bets. >> Perfeito. >> E amplamente. E aí que que aconteceu? chegou o governo Lula e eh para regulamentar foi enviado um texto para o Congresso que propunha a regulamentação só das apostas esportivas, que me parece que é o meio termo que o presidente Lula vai ter margem de manobra para reapresentar agora, porque ele já falou publicamente que por ele eh proibiria 100%.
¶18Eh, isso não é novo, inclusive, não é só de campanha. Ele já tinha falado isso eh um pouco mais lá atrás, mas tem uma tem um lobby contrário que não é desprezível, né? Vamos lembrar que teve manifesto dos clubes de futebol, um manifesto que foi amplamente condenado pelas torcidas, por, enfim, por variados atores sociais, >> Maria de chantagem. >> Então, eh, você de acordo faltar, >> mas enfim. Então, eh, o governo Lula, então, eh, propôs esse texto que regulamentava as apostas esportivas porque entende-se que, eh, eles têm um pouco mais de previsibilidade dos ODS, né, de quanto que quanto que se pode perder a cada aposta.
¶19E é um evento que realmente eh acontece diante da sua, né, dos seus olhos e você aposta a respeito do do evento. É diferente do do cassino online que é só é só apertar um botão, não tem um evento acontecendo. >> Porque é semelhante a, por exemplo, a caça níquel, a roleta, a coisas que são que seriam físicas, só que agora no virtual você não tem nenhum tipo de fricção, né? Só pegar o celular e >> e fazer. E aí o o Congresso acrescentou o resto das, né, das apostas e eh online, dos do cassino online, né?
¶20E o governo Lula ainda, o Lula vetou e derrubaram o veto. Então, eh, foi uma um a ampliação assim tão grande da Bets foi um ato do legislativo, mas teve um papel também do executivo, mas foi essa ampliação tão grande foi do legislativo. E agora parece que a proposta vai vir no sentido de, ó, pelo menos vamos voltar para só pros eventos esportivos, pras apostas esportivas e tudo mais. Eh, o que eu acho que a gente pode tentar entender um pouco aqui é que esta pauta também conversa com um público muito importante que é o público feminino. E embora não seja e necessariamente a maioria de mulheres apostando, há uma uma há pesquisas que indicam e há uma percepção de que as mulheres são mais afetadas porque eh acabam tendo que gerenciar, além de eventualmente o próprio vício, o vício de familiares, de filhos, de marido e etc.
¶21>> Não. E tradicionalmente a gente entende que como a economia das famílias sendo muito gerida para as mulheres no dia a dia, né? Então isso acaba afetando maneira como elas lidam com essas finanças, né, familiares. >> E tem pesquisas que estão tentando eh identificar a correlação também entre casos de violência doméstica com eh >> endividamento, forceiros do Brasil. Isso.
¶22Fora do Brasil isso já é bem mapeado, assim como álcool. É a aposta esportiva eh nos Estados Unidos já bem consolidada no Brasil. Imagino que não deve ser muito diferente quando você tem, por exemplo, você tem quando um time de futebol americano perde, você tem um aumento de a eh violência doméstica da naquela região, né, do time que perdeu, ou seja, dos torcedores que >> eh que que estão no time que perdeu. >> Se a pessoa consumiu álcool e ou apostou, eh essa taxa aumenta, ou seja, os vícios eles acabam eh aumentando a probabilidade desse tipo de violência acontecer. que ele não é o único fator, mas quando você compara com a taxa que seria, infelizmente, né, normal, não é normal, não é aceitável, mas acontece, né, a taxa que é comum disso acontecer, você aumenta quando você tem eh eh apostas eh envolvidas, porque o cara fica com mais raiva, fica mais descontrolado e desconta em quem vê pela frente.
¶23Então, fora do Brasil, isso é bem consolidado e não tem por imaginar que aqui não seria semelhante, só que claro, com diferentes esportes, né? E aí eu queria eh entender um pouco o que que as mulheres eh indicam, né, que tão eh sentindo a esse respeito, né? Teve uma peça de propaganda da campanha do presidente Lula que foi eh assim literal, né? Foi desenhou, né? Foi o presidente conversando com várias mulheres, algumas que eram elas próprias eh as devedoras, as as jogadoras, outras que tinham alguém da família, né?
¶24e elas todas manifestaram ali um desejo de eh proibir eh proibir 100% proibição, né? Eh, por outro lado, eu participei eh de um, enfim, de um evento de de pesquisa eh privado, não foi nada público, em que eu ouvi depoimentos de várias pessoas ligadas, afetadas por jogos. E um dos depoimentos me marcou muito, que era um jovem dizendo: "O que me salvou, ele era viciado no tigrinho do Gustavo Lima, certo?" Então, eh, porque é isso, né? Eh, eh, muitos influenciadores, cantores, jogadores, eh, de futebol, esportistas, emissoras, né? tá, tá completamente disseminado, mas teve um período sem regulamentação, e eu vou explicar porque que eu tô falando do período sem regulamentação, porque ele fala desse período, eh, em que o influenciador se associava a um jogo que não tava regulamentado e que tinha zero regras e a as perdas eram ainda, não sei se maiores, né?
¶25Não tenho essa métrica, mas assim, >> mas não tem nem métrica, né? Esse que é o problema. Métrica. Ex. >> E esse rapaz dizia nesse depoimento: "Olha, o que me salvou foi a regulamentação, porque quando regulamentou, primeiro a a o tigrinho que eu jogava além do do Gustavo Lima foi proibido, então saiu do ar".
¶26Aí o do Gustavo Lima foi regulamentado, parece. O menino diz: "Eu não contrachequei," tá, mas o que que aconteceu? os o governo publicou um site em que você podia ir lá e se inscrever para ter uma autorrestrição. E aí eu me eu não tive coragem, você podia escolher os prazos de autorrestrição, o menino falando. E eu não tive coragem de escolher um ano, eu escolhi seis meses.
¶27E eu falei: "Se eu conseguir ficar seis meses sem jogar, eu volto e me restrinjo por um ano". E eu consegui e foi e eu só consegui parar de jogar por causa desse site e até hoje eu tô na lista de bloqueio porque eu renovo. Então é é o tipo de discussão que é claro que o ímpeto, né, de proíbe tudo, eh, pode ser o inicial, mas eu queria ouvir vocês assim com a percepção de vocês sobre isso. inclusive entre evangélicos tem uma tendência muito grande a ir para esse caminho do inclusive tem conhecidos que foram escreveram artigos de opinião, falaram coisas do pá, tem que proibir e tudo. Só que em economia a gente aprende muito rápido que boa parte dessas coisas quando a gente proíbe a gente fica sem conseguir eh metrificar e sem conseguir lidar com o que a gente chama de externalidade.
¶28Por exemplo, em si mesmo, você apostar ou mesmo ir para um cassino nesse joelho físico virtual em si mesmo, não é, não seria um problema. O problema é o vício, né? é o controle financeiro, são o que a gente chama de externalidades, que é aquilo que >> se relaciona com a coisa que você tá consumindo, mas não é de forma direta ou pelo menos não imediata. >> Uhum. >> Né?
¶29Então você não consegue lidar com as externalidades. E a outra coisa que é importante também é a questão da fricção, porque uma coisa, um cassino presencial que no Brasil não é permitido, embora existam alguns a gente sabe, né? >> Eh, você tem que ir lá, você tem que trocar seu dinheiro por ficha, você tem que, tipo, tem todo um processo para você fazer isso. >> Uhum. No quando ele tá no seu celular, você não tem fricção quase nenhuma.
¶30E é por isso que tem discussões, inclusive no Banco Central sobre como criar restrições. Ou às vezes, tipo, não vai proibir você de jogar, mas cria, faz o seu banco mandar um aviso, um aviso para você, né? Tem certeza? Isso aqui é uma bet, você quer mandar mesmo dinheiro para lá >> e e coisas desse tipo. Então você vai criando momentos pra pessoa ver se ela sai do transe do do vício.
¶31>> E quando é proibido, você não consegue, é totalmente proibido, você não consegue eh criar esses mecanismos porque tá tudo proibido, então fica tudo abaixo da superfície da regulação. Claro que se você regula, você consegue ter eh ainda um mercado paralelo, como acontece com cigarro. Existe um mercado paralelo de cigarro. Entretanto, eh, na medida que você consegue fiscalizar, você consegue fazer a regulação da propaganda, você diminui muito o acesso das pessoas, eh, de forma indiscriminada, você consegue, né, encontrar formas de minimizar os danos e de fazer uma conscientização. Eu acho que o cigarro é um paralelo interessante porque cultural porque na medida que a gente regulou, a gente conseguiu criar uma norma social em que no Brasil se fuma muito menos do que já se fumou ano passado e do que muitos países inclusive desenvolvidos em que pessoal fuma em restaurantes, o pessoal fuma nos lugares que eu fico assim chocada, porque aqui isso é muito menos comum.
¶32Então, eh, é um desafio que quem tiver querendo regular vai ter que convencer as pessoas de que, que proibir não é uma coisa que vai ajudar a gente a lidar com o problema, que é não é só o jogo em si, é as consequências econômicas eh e psicossociais do vício nesse tipo de jogo, seja nas apostas, seja eh em cassinos online, né? Então, para além de perder dinheiro, aí o pessoal e aí vem todos os argumentos secundários, né, que é a perda de arrecadação para lidar com esses problemas, inclusive. >> Sim. >> Eh, a perca de visibilidade é muito mais difícil, gente, estudar uso de drogas que não são, não tô tem que analisar tudo, tá? Pelo amor de Deus, mas tô dizendo assim que é muito mais difícil você estudar qualquer coisa que é proibida >> do que você estudar uma coisa que é legalizada.
¶33Eh, então tem coisas que precisam ser devidamente regulamentadas e a gente pode discutir o quão frouxa ou quão restritivas dessas coisas podem ser em termos de eh de publicidade sobretudo, né, e acesso e como é que o Banco Central vai lidar com a a criação de fricção, né, para evitar que as pessoas entrem numa bola de neve eh financeira. Então, a gente pode discutir o quão quão forte e quão fracas são essas coisas. E eu queria fazer o mexando os meus amigos aí eh do membro do do movimento evangélico, mas não só criaram a campanha ontem eh cristãos com trasbets, em que eles não propõem uma proibição. Isso achei muito um diferencial muito grande do que costuma surgir, >> que é do pessoal do Justiça Pública, Aliança Evangélica, eh Associação dos Cristãos, a Ciência e outras organizações. Tem uma galera assinando.
¶34E eles propõe muitas muitas coisas na direção de aumentar fricção, como eu tava falando, e lidar com as externalidades. Então eu acho que ajuda a colocar, né, se se expandir mais, né, o a campanha surgiu ontem, eh, de colocar a bola no chão para discutir o assunto e de pressionar a galera da bancada evangélica que tá preocupada com Bet e dizer: "Olha, proibir acho que é meio utópico, porque mesmo na melhor das hipóteses a gente consegue proibir, o que eu acho difícil, porque o lobby das bets é muito forte, muito, muito, muito forte. Aí tem os os acessórios, né? vai ter influencer contra eh proibição, vai ter clube de futebol contra proibição. Então, se você consegue chegar no consenso de dizer pro pro pessoal, inclusive das do lobo das betas, olha, não dá para ficar do jeito que tá, então vocês vão ter que aceitar alguma coisaqui, né?
¶35Eh, então ajuda a colocar a bola no chão nesse sentido de que não, proibição vai ser muito difícil de conseguir, mas que dá para lidar e restringir o suficiente pra gente conseguir pelo menos compreender como lidar com as consequências e reduzir o número de vícios e de, enfim, dos problemas que as bets geram. >> É, e é justamente esse ponto do do jeito que tá, não dá para ficar que eu queria pegar esse gancho que as pesquisas de opinião, no fundo, tem pesquisas novas recentes sobre mulheres, né? Estúdio Clarissez agora uma pesquisa focada com mulheres sobre sobre Bets, eh, e outras pesquisas de opinião. No fundo, no fundo, se a gente pega todas elas com a com as nuances de cada segmento, ela basicamente a população tá dizendo é tem que fazer alguma coisa. Isso >> não entra muito necessariamente na até porque por desconhecimento das das pessoas dessas tecnicalidades do que do que pode ser feito legalmente, do que não pode ser feito, do que favorece, do que não favorece.
¶36Ex. Mas o o o básico é dizer do jeito que tá, não dá para ficar. >> Uhum. e um pouco medindo os diferentes impactos, seja na na na geração mais jovem, seja na nas mulheres. Eh, mas é um pouco dizer do jeito que tá dando para ficar.
¶37E tem e a Maria Paula, que é a nossa diretora, mandou aqui inclusive, né, o o nosso espectador desorganizador informacional, que que é assído inclusive, né, querido. Eh, ele falou: "Ó, eu respondi uma pesquisa no sábado sobre BETs e eu disse que era contra a proibição. Pelo jeito eu sou minoria". Não. Eh, a maioria é a Ah, bom, você é contra a proibição, sim, você é minoria, porque uma Atlas Bloomberg recente mostrou que 75% dos brasileiros dizem que devem ser totalmente proibidas.
¶38Eu acho que esse este pacote que a Débora apresenta eh sobre inclusive razões científicas para ter algum jeito de você enxergar o que que tá acontecendo, me fazem inclusive eh ponderar sobre tudo isso. Eu acho que é um debate importante. >> Assim, no mundo ideal, eu gostaria muito que muitas coisas fossem proibidas, inclusive, mas eh eu acho do ponto de vista de política pública, pelo menos um primeiro momento, a gente tem até a gente tem uma mudança cultural muito significativa pelos números que a gente tem. Tem muita gente, né, gastando dinheiro com bet, o volume de recursos é muito alto. A gente precisa fazer uma uma transição que comece a observar esses números e a gente rediscute.
¶39>> Mas eu mas até por uma dificuldade política de proibir, >> porque como eu falei, né, Bet tem muito dinheiro e como elas têm muito dinheiro, elas conseguem fazer logo em Brasília, que ajeite nós aqui e os meus amigos da campanha não conseguem fazer >> não. >> Então, >> mas tem uma questão de pressão popular que não é desprezível, né? Eu e aí eu acho que diga, >> mas não, mas há que ver também o quanto eh o tema das bets e é difícil medir por pesquisa, afeta voto, porque eu posso dizer: "Ah, eu sou contra, mas aí o deputado que eu quero votar tá lá fazendo o lobby a favor, eu não vou deixar de votar nele porque ele me representa 99% do resto das coisas, entendeu? Que eu defendo. Então isso é uma outra coisa interessante medir futuros de pesquisas, né, e tudo eh dos institutos.
¶40é o quanto cada uma das pautas que eu sou a favor contra afeta a probabilidade de eu votar no candidato ou não. >> E tem uma diferença para candidatos ao legislativo e candidatos aos do executivo, né? Então aí também vaios prestam muito menos atenção eh em nas votações. É quem quem presta atenção em como o candidato vota eh numa pauta ou noutra é uma minoria. A gente aqui quem tá em casa muito provavelmente >> e nem todas, né?
¶41São em pautas que a gente se importa mais. Então, se Bet, ah, eu sou eu sou muito a favor de proibir, mas é a sexta pauta na minha lista de prioridades, cara, vai ficar muito muito lá atrás. Então isso pode ser uma um fator importante também. >> Mas aí, então, eu quero pegar o cerne eleitoral dessa desta discussão, porque eu acho que ele vai nos ajudar a entender a temperatura, né? Inclusive, eh, quem tá nos assistindo já deve saber que o Pedro Dória faz uma um reage, né, um react, que é um formato de YouTube.
¶42Ele faz o reage, que é a as propagandas eleitorais, presidenciais, e sempre vai ao ar logo ao fim do central aqui, as quartas e sextas, né, Maria? Se eu não tiver enganada, você me corrige aqui no no slack. Eh, e hoje tem e aí e inclusive ele vai falar disso, da, eu sei que, né, o termo talvez não seja o melhor, mas da aposta do Lula na pauta contra Bets, eh, que para justamente mobilizar. Carô, eu quero te ouvir um pouco sobre esse aspecto, eh, porque me parece que é um jeito de falar com mulheres, de falar com mulheres de uma, eh, de uma classe C especificamente, embora não seja um problema que afete exclusivamente eh os mais pobres, né? Mas eh é o é o público que o Lula precisa conquistar nesta reta final.
¶43O Flávio também precisa, está em disputa, é o público que está em disputa e é uma pauta que afeta essas mulheres, como a gente já falou. A outra pauta que o Lula vinha apostando também bastante é o 6 por um, que deu uma travada, porque o 6 por1 depende do ao columbre, que depende do master, que depende do Supremo e sim, as coisas todas dependem umas das outras ao mesmo tempo na política, né? É por isso que a gente brinca com a ideia do xadrez, porque você tem que pensar em três, quatro jogadas ali na frente e tal. Eh, qual que é o potencial da pauta de Bets n na sua opinião? Não tô pedindo futurologia, mas assim, é algo eh, que num curto prazo pode realmente fazer diferença em termos de humor, de aproximação de um candidato ou não?
¶44Ou você você imagina que é uma aposta? Eu acho que esse governo e a candidatura do presidente Lula tem o desafio e que é a candidatura de um incumbente que tá tentando continuar, né? Porque essa é raciocínio, né? A gente tá falando de um incumbite de um governante que tá tentando continuar eh na eh no poder, continuar como mandatário e ele precisa mostrar eh resultado pra vida das pessoas. mostrar políticas que impactem nos nos problemas principais que as pessoas estão vivendo.
¶45Então, eu acho que nesse sentido essas são já eram as apostas e outras também e inclusive porque os números não tm mostrado muito reconhecimento no na queda do desemprego, reconhecimento na na questão dos do preço dos alimentos. vocês duas, eu já escuto vocês duas falando sobre isso já há muito tempo por aqui. Eh, então, quais são as outras, quais estão as outras sinalizações, outras medidas que esse governo pode mostrar que terá impacto na vida das pessoas? A outra é voltar a conversar sobre política pública e proposta de governo que não seja a crise do STF. Esse governo precisa mudar a conversa.
¶46É, seja com bet, seja com seis por um, seja com qualquer outra medida ou qualquer outra medida que seja concreta, que tenha chão, que tenha eh aterrizagem na vida das pessoas, é também uma tentativa de mudar a conversa. >> Eh, se o ministro A, B ou C tem uma relação com o caso do Master ou não A, B ou C, não tem um grande impacto na vida das pessoas, como tem se a gente tivesse discutindo propostas de governo e política pública. >> Então, tem uma um desafio de mudar a conversa >> ou pelo menos não tem impacto direto, percebível, palpável. Uhum. >> Não, concordo, Carô.
¶47E eu acho também tem para discar uma camada, tem uma questão de linguagem também, porque eu acho que muita política pública você consegue comunicar ela eh de maneira diferente, a depender do que você tá querendo atingir. Por exemplo, né, teve a taxa das blusinhas, dá tanto para ir na questão de abertura comercial, de redução de tarifa, de importação, tal, dá tanto para ir para uma linha mais liberal de defesa dos mercados e tal, e dá para ir pra linha do que o Lula fez com a linha social, que é é uma questão de justiça, que é absurdo. Como é que as pessoas não podem comprar as coisas barata? Concordo. Devia ter feito isso desde o começo, mas enfim.
¶48questões. Isso só para ilustrar um exemplo. Eh, isso porque a depender da forma como você fala de beto, de Bolsa Família, tem como você chegar mais nesse público, vamos dizer, classe ser religioso, periférico, e tem como você se afastar, dependendo da forma como você conta essa história do porque que, ah, por que que não proibiu antes, por que que tá propondo isso agora? Se você consegue montar uma narrativa coesa de tipo, a gente tá preocupado com as famílias, a gente tá preocupado com o dinheiro tá no seu bolso, enfim, uma um um um foco muito em autonomia e como o estado tá lá para apoiar as pessoas, pelo menos é o que seria a minha forma de contar essa história, é bem mais interessante do que a coisa como ela tava indo, que é tipo: "Ah, a gente fez mil coisas para você, tá tudo uma maravilha, tá tudo perfeito." Uhum. >> Não tá colando, as pessoas não estão reconhecendo esse mérito todo no governo, ela não tem não tem perspectiva de melhora na economia.
¶49>> Uhum. Então, o melhor é reconhecer que a gente tem um desafio pela, por exemplo, seria uma coisa que eu faria se fosse fosse eu, meo, né? Ah, eu tenho, tá, tá difícil, mas imagina se tu bota um cara que não tem experiência no executivo para conduzir esse navio. >> Uhum. >> Vai ser muito mais difícil.
¶50>> Uhum. >> Então você tem como colocar sem se colocar como grande, perfeito, maravilhoso, vai dizer: "Olha, é difícil, tem desafios, olha o congresso, a gente não conseguiu avançar com essa pauta, com essa pauta, mas a gente tá tentando, mas imagina, bota um cara desse, como é que vai ser?" >> Uhum. Então é uma forma de contar uma história. Se eles vão seguir para esse caminho, euô tô achando que não. Eh, aí é mais diferente, mas eu tendo eu tento achar que a maneira como a gente comunica certas políticas públicas importa tanto quanto a qualidade da agenda, >> né?
¶51Eh, então eu acho que vai muito por aí da maneira como o o PT e o governo vai decidir eh se comunicar com esse público que pode ir para um lado ou pro outro. E aí, Carô e Débora também, mas pensando muito na tua atuação no Iser e na forma como o Iser e você como pesquisadora atuam e vem atuando já há muito tempo tentando entender como é que é a interlocução dos campos políticos com os os vários segmentos religiosos. >> Uhum. Tem uma questão também que é o fato de que algumas das pautas que interessam as mulheres de classe C, as de política pública em particular, as de bet, por exemplo, eh são alguns pontos de conexão com o público, eh, com a esquerda. É, é onde a esquerda consegue encaixar o discurso pro público religioso, paraas mulheres, eh, principalmente.
¶52Então, falar de Bets, você começou a tua fala sobre Bets falando isso. Olha, é uma pauta que agrega, né, pessoas de várias ideologias tendem a eh ser a favor da proibição ou ou tem que tem que ser feito alguma coisa. O que que você pode me contar dessa interlocução de como é que ela anda e e do que que vem sendo feito, principalmente pensando em campanha, né? Mas claro que isso antecede um pouco ou do que não foi feito, né? Eh, porque eu sei que isso é algo que você estuda e acompanha muito de perto.
¶53>> Sim. É, eu acho que tem uma tentativa um pouco cada vez maior em tentar falar sobre essas medidas concretas das vidas das pessoas e e um um termo uma um tema que conecta com o que a Débora tava falando antes e que aparecem nas nossas pesquisas qualitativas, sejam com mulheres de uma determinada religião ou não, de falar de futuro, de perspectiva de futuro. Não se vê futuro. O endividamento das famílias, vocês já falaram aqui algumas vezes, não permite com que as famílias tenham perspectiva de futuro. Então, acho que essa essa conversa também sobre sobre futuro, sobre eu até entendo que é um pouco o que aparece nas nas entrevistas das pesas qualitativas, o que tá esse governo tá os os preços de fato mudaram, tem mais tem mais emprego, mas eu não sei se isso vai continuar até a semana que vem.
¶54>> Uhum. Eu não sei se isso vai durar uma semana, eu não sei se isso vai durar um mês, eu não sei se a minha família tem futuro. Eh, então tem uma conexão eh eh >> porque a gente já passou por isso em governos do PT, inclusive a gente já passou por isso. E tá bem perto da eleição >> e vem a vem envia a bomba no mandato seguinte, aconteceu com a Dimas sobretudo. >> Então eu acho que gatos calados, as pessoas tm as pessoas lembram dessas coisas assim mais menos que os números de PIB, não sei o quê, é a sensação que a coisa tá dando.
¶55Mas vocês não, bom, desculpa, >> e tem um outro segundo ponto que eu queria falar, que é sobre esse que você pergunta se tem uma mudança, né, no diálogo da da do do da política com esses campos religiosos, que é o diálogo via as lideranças, via os inter o que eu tenho chamado de de intermediadores dessa conversa, né? As lideranças religiosas intermediam, como esse discurso chega na ponta. A Débora sabe muito bem disso, né? Eh, então elas são aliadas importantes ou eh barreiras importantes para como essa conversa vai chegar. E aí, às vezes, acho que erra-se muito em priorizar algumas lideranças e detrimento de outras ou focar sempre nas grandes lideranças mais midiáticas que já estão com uma agenda política que vai independer do que vai acontecer, elas vão estar pautadas radicalmente, politicamente naquela história.
¶56Então, tem um erro aí de não, por um lado, não considerar lideranças pequenas, médias e variadas do campo religioso, separadas pelo Brasil como aliadas nesta comunicação, seja BE bet, seja 6 por1, seja qualquer outra medida. e ao mesmo tempo focar apenas nas que vão cobrar a fatura no final do dia da eleitoral da das grandes lideranças. Não, eu adicionaria que além de liderança no sentido estrito, tipo o pastor ou político que é do segmento, tem os influenciadores de cultura evangélica. Eu vou colocar desse jeito, sei lá, você tem um cara que fala de teologia, você tem o cara que escreve livro, você tem o cara que é músico, você tem você tem várias dessas personalidades evangélicas que poderiam ser ponto de diálogo. E e aliás que várias delas estavam apoiando até a Cris STF, vi algumas delas, não várias, mas algumas delas apoiando, inclusive Augusto Curi.
¶57Então, eh, e eu não vi ninguém tentando chegar nelas, sabe? Pelo menos não vi, né? Foi uma coisa que me pareceu um pouco orgânica, mas acho que vem muito desse cansaço, né? Com a polarização e tudo. Mas para além dos pastores que estão na TV, tem muita gente por aí que tem uma influência muito grande que vai para além das igrejas, que é interdenominacional, que é às vezes até interreligioso, como é o próprio caso do Augusto, próprio Augusto Curi, né?
¶58Eh, mas sabe o que eu acho, Gabri? Eu acho que também acho que cada vez mais, especialmente pela dinâmica da comunicação, né? Acho que tem é uma uma comunicação muito mais democrática no sentido de que todos esses tipos de influenciadores têm uma um peso eh nas redes. A gente vai acho que assistir cada vez mais eleições onde vão vão a gente vai ter influenciadores de um determinado segmento para apoi para vários lados. >> Sim, >> né?
¶59Então a gente não vai poder concluir agora porque às vezes eu eu me canso um pouco de ver algumas análises públicas. Eh, se aparece algum algum influenciador apoiando Renan Santos agora, algum influenciador evangélico apoiando Renan Santos, agora os evangélicos estão com Renan Santos, agora os evangélicos estão com Augusto Curi. Agora não, não, a gente não pode concluir a parte pelo todo. Eh, a gente não pode, a gente tem os que tm mais audiência, a verdade. Eh, eh, mas a gente tem uma assim, acho que tá todo mundo já de olho no que esses comunicadores podem fazer.
¶60E é importante a gente lembrar e a nossa pesquisa mostra isso, a importância dos influenciadores e comunicadores também do campo católico. >> O campo tá católico tá muito fortemente no mundo digital, o que surpreende muita gente. A gente faz uma pergunta aqui na nossa pesquisa, é paraa base nacional total, se as pessoas seguem algum algum influenciador, artista ou liderança religiosa nas redes sociais e entre as pessoas, é importante dizer ao mesmo tempo que 80% das pessoas respondem que não seguem nenhum influenciador religioso, que a pergunta especifica religioso, porque essa é a nossa intenção de entender. Mas dos 20% de dos respondentes que falam que seguem uma liderança religiosa, os cinco nomes, dos cinco nomes mais mencionados, quatro são católicos. Olha aí, quatro são lideranças católicas da Renovação Caral.
¶61>> Os maiores canais no YouTube são católicos, né? >> Claro que isso tá influenciado pela pelo também pela porcentagem de respondentes, né? A gente tá falando de um país de 50% católico e são a maioria de católicos que seguem os influenciadores católicos. Mas o que eu quero dizer é que eles são tão importantes quanto a gente foca muito nos nas lideranças eh eh digitais evangélicas, mas a gente tá olhando uma participação de diferentes lideranças de diferentes campos religiosos no Brasil nas redes sociais. >> Uhum.
¶62Eu vou eu quero muito aprofundar esse gancho do dos católicos. Deixa eu só trazer uma informação antes da gente prosseguir sobre ainda a questão das bets. A a Miriam Leitão, a coluna da Miriam Leitão, a repórter Luciana Casemiro, eh, informa o seguinte, coisa de meia hora atrás, houve uma reunião nesta manhã no Palácio do Alvorada, eh, com os ministros Dário Durrigan, né, da Fazenda e Miriam Belquior, da Casa Civil e Bruno Morete do Planejamento com o presidente Lula. e eles estão discutindo duas MPs, justamente eh dentro daquilo que a gente já falou aqui, só tô confirmando com a informação apurada então pelo Globo, pela repórter da coluna da Miriam Leitão. >> Uma das MPs é aquela de restrição dos cassinos online, mas mantém liberados os a liberadas as apostas esportivas, proibiria cassinos online e publicidade das empresas de aposta.
¶63Essa é a versão um, pedido a publicidade. >> É exato. >> É, essa é a MP, o modelo um que tá sendo debatido. O modelo dois é a proibição total de tudo, >> de tudo. >> Eh, havia uma expectativa de que essa MP eh fosse publicada ainda hoje, mas não há uma confirmação ainda de que será, tá dependendo do presidente Lula.
¶64Eu tinha lido que eh a previsão era amanhã, quinta-feira, porque hoje ele tem ainda uma agenda eh de cultura rolando, né? Ele vai se encontrar com os artistas, os os clássicos da MPB, Gil, Chico, eh faz anos de sempre, mas ele tá porque, enfim, ele tá divulgando a parte do programa dele sobre cultura hoje e tal. Então, vai usar aí essa essa base fiel a ele para fazer essa divulgação e então eh focaria em Bets e puxaria amanhã. Só que se ele já trouxe para o programa político eh de hoje, que tanto que o reage do Pedro Dória já é sobre isso, talvez eh ele vai fazer uma coisa casada, né? de hoje durante o dia já falou sobre isso, já falou sobre Bets, mas eh eu não assisti, minha filha também não assistiu, não tenho Silvio Santos, mas minha filha assistiu.
¶65Eh, então, enfim, eu não sei, mas deve ser ainda entre hoje e amanhã deve vir uma dessas MPs eh para ser mandada pro pro Congresso. Eh, voltando para isso que você falou dos católicos, eh, pera aí, ó. Deixa eu só ler dois comentários do nosso público aqui. A Karine Silva falou: "Meu esposo é professor de jovens aprendizes e ele está chocado de que no quinto dia útil os adolescentes gastam todo o salário com apostas. Adolescentes de 14 a 18 anos que já chegam à vida adulta viciados.
¶66E o Sidney Gonçalves diz: "Eu conheço um cara que gastou R$ 100.000 R$ 1000 com bet caça nickel online. Deu ruim para ele, entrou em depressão. É um problema seríssimo de saúde pública, de endividamento, eh, e, enfim, fora o de corrupção nos esportes. Eu, como corintiana vi o meu time ser eh o o clube e o time que eu amo eh ser cooptado por uma dessas betas, corrompido, né? Não que pobrezinhos inocentes, não é isso que eu tô falando não.
¶67Essa corrupção já existe antes das B muito, mas é um fatora mais >> como tem mais grana rolando e aquele caso famoso do do Paquetá, né? >> É. E e dos próprios jogadores que ficam vulneráveis. Então assim, destrói o próprio esporte. A gente que ama esporte é uma tristeza, sabe?
¶68É uma tristeza. A, claro que o drama humano é 1 milhão de vezes maior. Eu tô falando que além de tudo o esporte fica concadas coisas andam juntas. Não tem como. Não tem como você corromper o sistema desse tamanho e não massacrar vidas humanas no caminho.
¶69>> Exatamente. Então, mas eu quero voltar para isso que você falou eh dos católicos. Mas primeiro eu quero dizer o seguinte, gente, a pesquisa que o Iser realizou com a Quest, e você vai contar um pouco mais de como foi esse trabalho, foram 15.000 1000 entrevistas em mais de municípios no Brasil. É de longe a maior pesquisa já feita no país para entender como o brasileiro se relaciona com fé, com religião, né? Então, eh, não é assim um trabalho, sabe?
¶70Eh, mais uma um cheirinho do que tá acontecendo. É um, >> um tremendo estudo do de como o Brasil se relaciona com religião, com a fé. E eu quero te ouvir. 28 dias de campo, gente. Isso daqui é a gente que faz a meio ideia, a gente sabe o tanto que é custoso, não só dispendioso, mas custoso de energia e de tutano para você entender e mapear uma coisa desse tamanho.
¶71Então, parabéns. Você mencionou os católicos na bolha da esquerda, no X, eh, começou um movimento, um Por que que você tá já tá rindo da bolha esquerda, da esquerda do X? mais respeito com a bolha da esquerda do X, Débora Bizarria. Eh, começou uma um burburinho, tem dois dias que de que o a Igreja Católica, ó, os católicos foram a campo para ajudar o presidente Lula. Eh, essa é uma interpretação, claro, de militância, porque tem um ponto que é da história política do PT, que, enfim, nasceu também dentro da eh do catolicismo, de um pedaço do catolicismo.
¶72Então, tem um pedaço do catolicismo que é afim as pautas eh do PT, do Lula, etc. Mas na verdade tem algo, tem um movimento maior da Igreja Católica que não é necessariamente para ajudar o presidente Lula, né? O que que você sabe, o que que você tá acompanhando disso? >> Eu acho que a gente também tem que olhar isso mais em perspectiva, né, no sentido de que assim como a Débora começou falando, que tem, né, eh eh a o manifesto aqui e a e a mobilização cristãos contra Bets, eh eu acho que a gente tem os campos religiosos organizados institucionalmente colocando pautas políticas para lidar com a injustiça social e a desigualdade social e esse momento eleitoral do Brasil. Então, a gente também tem a Igreja Católica que já desde o começo do ano não era nem não era nem apenas, né, esse fervor agora do do momento eleitoral.
¶73Já desde o começo do ano, a Igreja Católica lançou uma cartilha que um pouco orienta os seus fiéis no sentido dos do que são valores democráticos, eh, de quais são as políticas públicas que de eh de combate ao desmatamento, de proteção da da da mãe terra, de questão da de questões urbanas, de orientação de voto, de que ninguém é dono do seu voto, de que ninguém manda no seu voto, eh de que as pessoas têm livre arbítrio para decidir o seu próprio voto. Então tem um um movimento também da das especialmente eu eu vejo em a gente olhando isso numa linha do tempo em reação a um movimento mais radicalizante de que quem é da religião A só pode voltar do do do modelo A, do do jeito A. Quem realmente é cristão só pode voltar do do jeito A, B ou C. Então, tem uma reação dos campos religiosos, especialmente cristãos, que a maioria no Brasil, católicos e evangélicos, se organizam instaloralmente de forma diferente. Então, se a gente vê uma mobilização a partir da Igreja Católica, ela é a partir da Igreja Católica, >> ela é hierarquizada, >> ela é hierarquizada.
¶74ainda que, né, é sempre no Brasil, a partir da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, que tem a sua secretaria geral e que tem muit que tem divisões internas, mas que seguem uma orientação. Essa cartilha, inclusive foi publicada pela CNBB no início do ano, antes do processo eleitoral, obviamente entendendo que a igreja faz parte da realidade social brasileira e das pessoas, de que esse ano seria um ano eleitoral e de que então a igreja tinha um papel social, como sempre teve, de orientar seus fiéis num momento político importante, que era as eleições. Então agora, claro que a gente tá mais no quente do no momento eleitoral e eh tem manifestações, sejam descentralizadas de padres e bispos nos nas suas homilias, tem vídeos e e e manifestos específicos já aprofundando um pouco isso, lembrando as pessoas que elas têm que votar por por pautas que que melhorem a vida delas, por pautas sociais, por pautas ambientais. Então eu colocaria mais neste contexto, >> tá? E é uma agenda propositiva, no caso também.
¶75>> Isso que eu dizer, uma agenda propositiva. A gente pode ler que isso é indicação de voto a um ou outro, mas ninguém ali tá pedindo voto para ninguém. Estão dizendo que o seu voto terá impacto sobre essas medidas na sua vida. Eh, prestem atenção nessas políticas, nessas medidas, na defesa da democracia como um valor pro Brasil ao ao analisar o seu voto, ao avaliar o seu voto. Ontem o Pedro Dória falou uma coisa interessante, é raro, mas acontece muito aqui na bancada.
¶76É, é raro, mas acontece muito. Que eh eu fiquei com isso na cabeça, falei: "Amanhã eu não posso deixar de perguntar pras meninas, que é o seguinte, porque ele falou assim: "Ah, a gente vira e mexe fala dos evangélicos, né?" e era uma crítica dele, né? Os evangélicos, a gente, por exemplo, não fala os católicos, a gente não segmenta. >> Os católicos são maioria no Brasil, mas a gente nunca os tratou como uma categoria neste sentido, como passamos a tratar eh invariavelmente os evangélicos como uma categoria, um tipo de voto, né? Eh, eu queria te ouvir vocês duas um pouco a esse respeito, porque eh o uma das coisas que este esta pesquisa faz, né, Carô, e você eh me corrija se eu tiver errado, é inclusive eh eh entender como cada um desses eh públicos e dentro deles outros subgrupos se relacionam com política, né?
¶77Agora, tem também um jeito que a política se relaciona com eles, né? e e nós analistas políticos e a imprensa e etc. Então, eh, conta um pouquinho para mim o que que a pesquisa mapeou desse jeito, eh, de cada grupo e subgrupo ou ou não, ou se é muito difuso para se mapear, o que que o que que dá para já saber desses grupos? Você quer falar um pouquinho? Não, começa antes.
¶78Começa >> não. Acho que é só para todo mundo entender por que a gente faz essa pesquisa, né, desse tamanho. Porque era importante a gente, qual é o dado que a gente tem no Brasil de identidade religiosa? A gente tem o dado do senso. É importante todo mundo que tá nos ouvindo lembrar e e saber que o senso é um instrumento muito importante.
¶79O senso, o Brasil é um dos poucos países no mundo que mede a identidade religiosa da sua população por um instrumento sensitário. Débora tá aqui, ela vai poder me corrigir. Por favor, Débora me corrige se eu falar alguma besteira. Eh, faz isso já há mais de 100 anos. tem uma linha do tempo, só que o o senso faz uma pergunta única.
¶80Qual a sua religião oculto? E a partir dessa pergunta única consegue ter uma comparabilidade, né, ao longo desses anos todos e consegue classificar a população brasileira em grandes grupos religiosos. >> Perfeito. >> O problema mora nos detalhes. >> Uhum.
¶81como a gente sempre soube e sabe. Eh, então as pesquisas amostrais complementares, elas são muito importantes pra gente poder olhar com lupa, olhar os detalhes, seja de um determinado campo religioso, seja da dinâmica, como eles, esses campos se relacionam, as práticas religiosas das pessoas. a gente já, o senso já mostrou pra gente que o Brasil tá se diversificando em termos da sua identidade religiosa. A gente tinha um país de imensa maioria católica, agora com com esse cristianismo também dividido com o campo evangélico, crescem o sem religião, crescem as as pessoas de religiões de matriz africana. Então, um país que vai se pluralizando em termos de identidade religiosa e a gente precisa entender o que significa isso.
¶82Essa mudança acontece por quê? Quem vai para de onde para onde? Que que acontece ao longo do tempo? Quais são as práticas religiosas desses dentro de cada campo religioso? Quais são as visões políticas e as visões sociais de cada campo religioso?
¶83Como ele sub ele se subdivide, especialmente o campo evangélico, que eu costumo dizer que é o novo na cena, né? Porque é o novo na cena, não é tão novo assim, já faz uns 40 anos mais ou menos. Quem diz que é novo passa um pouquinho de vergonha, mas de qualquer forma é o elemento novo se a gente olha a história do Brasil. >> Isso. Se a gente sabe como o Brasil foi descoberto, né?
¶84que a gente sabe que é um campo que se organiza institucionalmente de forma muito diferente do do da do campo católico. Então aí mais ainda a lupa é importante. Então por que que a gente faz uma a gente trabalhou esses anos todos e o Iser tem uma experiência, né, dos últimos das últimas décadas em fazer um Zoom aí de de práticas religiosas, segmentos específicos. A gente quis fazer uma, a gente trabalhou para fazer uma pesquisa de uma amostra grande paraa gente pudesse fazer todos os cruzamentos, né? As am para todo quem tá ouvindo a gente, a gente costuma falar do campo evangélico, do campo católico, especialmente com relação à política, com as pesquisas amostrais que a gente tem eleitorais, né, Débora, que são 2.000, no máximo, quando quiss chega a 5.000 respondentes.
¶85E aí a gente não consegue passar da página um, a gente não consegue eh granular o que é o campo evangélico, a gente não consegue cruzar com gênero, rasta, região, idade, porque a amostra não permite que a gente faça isso. Então, por isso que a gente fez, os nossos dados vão estar públicos depois das eleições. A gente, é uma base de dados que a gente eh eh vai disponibilizar para que todos os pesquisadores, pesquisadoras, políticos de qualquer campo elidológico tenham isso como base de conhecimento, porque a gente possa ter uma linha de base e renovar esse esse banco de dados a cada x anos. Então, fundamentalmente é esse esforço de fazer um zoom. Então a gente consegue medir trânsito religioso.
¶86A gente sabe hoje já que 23% das dos brasileiros hoje já mudou de religião, já teve outra religião. A gente já sabe que o catolicismo não é mais o doador universal. Uhum. >> As pessoas não é só o catolicismo que doa novos outros doa fiéis para outras religiões. O próprio evangelicalismo hoje já perde fiéis.
¶87>> Aham. perde membros para para categoria sem religião e perde membros paraas religiões de matriz africana, especialmente nas gerações nas gerações mais jovens. >> Então, com esse dado, é ainda interessante a gente se perguntar o que que tá acontecendo, por que que tem essa mudança e a gente consegue colocar uma lupa aí mais na filiação institucional dentro do campo evangélico que a gente sabe que importa, né? importa especialmente. Aí eu só faço esse último comentário para passar paraa Débora, que uma outra, um outro elemento a partir das perguntas sobre comportamento eleitoral, sobre visão com relação a políticas públicas, com relação ao campo evangélico na nossa pesquisa, o que fica eh um dos elementos que vai ficando claro é que a intermediação institucional importa, dependendo de qual é a sua frequência a espaços religiosos, com que frequência você vai a espaços religiosos e para quais instituições religiosas você vai, a sua opinião política.
¶88eh muda. Mas antes da Débora entrar, eh, porque aí eu acho que ela também vai poder falar dessa pergunta, tem uma questão que a pesquisa responde muito claramente e que aí eu quero te ouvir se pode ser só vergonha de admitir ou se é ou se enfim, se dá para se sacar, se é algo realmente genuíno, que é um cansaço das pessoas de ter essa mistura da religião com a política dentro dos templos, das igrejas, enfim, da sua vida religiosa, né, dessa essa invasão. Eh, isso pode ter sido só um jeito de eh disfarçar algo ou é algo que você sente que é genuíno? >> Eu acho que não, porque a gente já vem a gente já vem testemun, a gente já vem medindo isso por pesquisas menores e por pesquisas qualitativas nos últimos 10 anos, que vai aumentando um cansaço pelo excesso de política eleitoral dentro dos espaços religiosos. não significa eh uma recusa à política como um todo, porque senão a gente tá dizendo que essas pessoas não têm opiniões políticas, não fazem política dentro das igrejas.
¶89Sobre o que falar sobre suas comunidades e fazer um diagnóstico, por exemplo, social das demandas da sua comunidade religiosa, isso também não é política. Isso é política. E as pessoas querem sim falar sobre isso, eh querem ter eh eh conversa sobre cidadania, conversa sobre estado, conversa sobre políticas públicas. O que o que aqui é importante dizer que é o cansaço de política eleitoral, a presença de candidaturas, a presença de indicação de voto, a presença de uma conversa sobre política o tempo todo dentro do espaço. A gente já havia medindo isso.
¶90E agora a gente pergunta objetivamente de três formas se as pessoas concordam ou discordam com a com essa presença política dentro dos espaços religiosos. E na grande maioria, entre 83 e 90% das pessoas, dependendo da pergunta específica, é contrária a esta presença da política nos espaços religiosos, >> o que a nossa pesquisa também indica, e isso não significa dizer que as lideranças religiosas não deixem de tentar que essa política eleitoral esteja presente. Mas eu vou deixar esse teaser para esse teaser para Débora. Não, eu acho que eh dando um passo atrás, você falou da questão do da vergonha e tudo. E eu acho que é sempre bom lembrar porque a gente tá acostumada a ver as lideranças são mais locais, tem presença na mídia, etc.
¶91Mas eu não vi atualizado os dados, então por favor me corrija se tiver errado. Mas as maiores denominações no Brasil são denominações que não tem envolvimento político, que tem como regra não tem nenhum tipo de envolvimento político eleitoral, que é Congregação Cristiana do Brasil e Igreja Deus é amor, são as maiores assim, eh, e são daquelas que são as igrejas pequenininha do interior, do interior, etc. Exemplo, minha avó paterna vai para uma dessas. Então, eh, são igrejas que, eh, el tem como regra não ter discussão de política eleitoral nunca. E realmente não tem, você não vai ver posicionamento eh de eleitoral das lideranças de maneira geral, em lugar nenhum.
¶92Pode ser que no almoço, domingo, né, depois do culto, as pessoas conversem sobre isso. Uhum. >> Mas então, então isso corrobora um pouco eh bastante, eu acho, com o número que a Carol achou na pesquisa. Agora tem uma outra coisa que puxando o gancho do que a Carol tava falando, é que isso não quer dizer que as lideranças não tentem. Tem uma outra coisa que meu pastor, é um dos meus pastores, né, que é o Víor Fontana da minha igreja, ele tem um canal de teologia e ele sempre fala que eh não fala de política eleitoral e anele eleição para evitar, né, influenciar seja de forma indiretamente o a eleição.
¶93E aí ele tem um vídeo em que ele mapeia as formas de você fazer isso, formas mais corretas e menos corretas. Um é não falar, tipo, não vou falar em quem eu vou votar, não vou falar nada. A outra opção é você falar em quem você vai votar, mas deixar as pessoas realmente livres e aí livres de fato. >> Uhum. E tem como você discutir eh uma agenda ou princípios e tal.
¶94E tem uma quarta forma que é a forma dissimulada de fazer isso, >> que pode pode eh no número do não, a gente não quer isso, pode tá caindo um pouco na versão dissimulada, que é ah, você tem que votar numa pessoa, aí você começa a descrever a a o perfil da pessoa e só dá para ser um candidato, entendeu? de porco. De porco. >> Na hora eu vi um vídeo de uma liderança bem grande que não é dessas que a gente tá acostumada a ver, né, em Brasília, vou vou colocar assim, mas que é bem grande e emergente assim, fazendo, falando de quem quer votar, né? Aí falou: "Não, porque é importante a gente eh votar em pessoas que que reflitam os valores cristãos, não sei que lá, não sei que lá".
¶95E aí foi falando dos votos dele, falou, não falou pro presidente, mas falou todos os outros. Aí olhei até eu f rapaz e esse povo não me parece muito vibe cristã não. Assim é um pessoal que tem uma agenda às vezes muito muito agressiva na segurança pública de um jeito que eu sei que na propósito assim que não em termos de evidência não dá muito resultado. Não tá dando resultado, inclusive não vou dizer que estado é que é, mas enfim, entendam >> e vários. O único candidato que eu achei uma uma indicação que fazia mais sentido era o candidato a deputado estadual, porque ele falou aí, é um cara que eu conheço e era um cara com formação em gestão pública, era um cara que tinha propostas assim, que tinha um perfil mais propositivo e mais do tipo de agenda.
¶96os outros era grande sinalização de eu sou de direita, eram pessoas populares na direita, mas que eu, pelo menos do que eu acompanhei das campanhas da direita, não tenho nenhuma agenda que era assim: "Nossa, isso aqui é identificável como realmente cristão, como uma agenda, sei lá, nem que seja arrojada num tema que não tem muita atenção, seja em bet, seja em política social, seja em política de segurança que seja. Era só discurso slogou e velha maneira como eu chamo. Eu fiquei, amigo, você não tá obrigando ninguém a votar nessas pessoas?" Mas assim, na boa, sabe? E aí você vai criando um calde que às vezes e importa dizer isso, às vezes não é nem a liderança, às vezes é o já e às vezes acontece o contrário da liderança, tem uma uma visão divergente do grupo de ovelhas ali ou de um grupo barulhante de ovelhas que quer que a pessoa defenda candidato ou que faça essa defesa dissimulada eh de de candidaturas, né? E aí é muito difícil de você dizer se quando o fiel diz: "Ah, eu não quero ver política".
¶97Se ele tá levando em conta essa forma de falar de política eleitoral, que é meio velada, mas se você é uma pessoa ligada em política, você saca que a pessoa tá indicando um voto ou tá eh diminuindo muito o escopo de critérios que podem ser usados para votar em alguém de acordo com os valores cristãos. E aí vai ter uma série de palavras chaves que eu posso me alongar aqui depois em que as pessoas começam a trocar certas coisas que deveriam ser maiores sobre valores e sobre visão de mundo e sobre ética. Eh, para usar, eu uso essas palavras no lugar de ideologia para não falar não, você tem que votar numa pessoa de direita. E direita é só isso aqui, tá? É só um parço muito pequeninho, não é tipo, ah, os conservadores no geral, seja direito, uma galera mais, entendeu?
¶98Então, eh, tem esse essa coisa tem que ficar, o pessoal tem que começar a ficar ligado também, >> não? E a gente começou a ver, porque a gente eh a gente começou a ver o o fato de da de ter essa contrariedade por política eleitoral eh nos espaços religiosos é pela porquanto ela se tornou divisora, né? Porquanto ela se tornou conflituosa, divide o que a gente fala aqui, divide famílias, rompeu o almoço de domingo, dividiu, tá dividindo comunidades religiosas também. Então as pessoas, a gente tem relatos disso dos últimos anos muito forte nesse sentido, >> embora as comunidades religiosas tenham uma predominância ideológica X, se isso é uma coisa, eh, e quando a gente, inclusive quando a gente, esse dado que mostra eh que as pessoas têm, não querem que a indicação de voto ou a política eleitoral esteja no púlpito com a com a constância que tem estado, não significa que elas mudaram o voto delas. >> Uhum.
¶99Hum. >> Não significa que elas passaram a votar diferente. São coisas diferentes. Não significa que elas deixaram de votar mais no candidato à direita ou a centro direita, como vinham fazendo em 22, como vinham fazendo em 18. Porque parece uma contradição de dados.
¶100E não é, eu não quero falar de política nos dos tempos, mas eu continuo achando que esse esse esse candidato é o candidato que entrega valores cristãos política para mim. E é bom reforçar isso porque essa contradição ela aparente, ela só é aparente se você tá na sua cabeça de que o fiel ele é sempre é um voto de cabeo. Claro que a pessoa pode ser influenciada, a gente tá sempre alinhada, né? Claro que a pessoa pode ser influenciada, mas ela pode ser influenciada por >> qualquer pessoa. E eu tendo a achar, tem que ver dados sobre isso, mas assim, meu forteal dos na minha cabeça, tendo a achar que os grupos, principalmente, né, essas comunidades t se influenciar muito mais, porque, cara, o meu pastor fala comigo uma semana, mas e meu irmão, meu pai, minha mãe?
¶101Eh, meus amigos, meu pessoa do trabalho. Então, se você tem uma vida em que todo mundo é de esquerda ou todo mundo é de direita, >> eh, é algumas coisas você, inclusive acontece com pessoas que a gente conhece, que é tipo aquele comentário: "Nossa, você é muito conservador para uma pessoa e eu olho, eu faço: "Vocês estão malucos, vocês não conhecem um conservador de verdade para falar isso dessa pessoa, né? Só porque a pessoa desvia um pouquinho." E o contrário também já aconteceu comigo, eu tá falando de política social e vale lembrar, né? Transferências de renda são políticas liberais, né? de origem bastante liberal, que é você dar o dinheiro pra pessoa fazer o que ela quiser com o dinheiro dela.
¶102E eu tava falando sobre isso e tal, a pessoa tem certeza que tu não é de esquerda? E e eu amado, pergunta pro pessoal de esquerda se eles acham que eu sou da esquerda, que aí tu vai ter a resposta, entendeu? Então assim, toda ver que que bolha que a pessoa tá, ela enxerga o espectro político de uma forma radicalmente diferente. Isso também é importante ser levado em conta, >> né? Então, >> então por falar em bolha, >> eh eu tenho um episódio eh muito recente de dois dias para cá que eu que a gente tá sendo cobrado para comentar no chat, mas eu já traria de mesmo sem a cobrança, mas agradeço quem nos cobrou, porque a gente olha, a gente lê e a gente tenta sempre também eh estar antenado com o que vocês estão pedindo pra gente comentar, que é o fato de que o pessoal do Calma Urgente convidou Fábio porchá para gravar um vídeo que é é quase um mini doc, né?
¶103Uma reportagem eh com uma carinha ali de é uma é um não é uma reportagem genuinamente porque não tem uma apuração própria, mas eles usam tudo que saiu na imprensa para contar a história eh a partir do que saiu na imprensa da relação do Flávio Bolsonaro, do Daniel Vorcaro e o Fabiano Zetel. É que eu sempre falei Zetel, mas aparentemente é Zetel. É, então >> eu não sei, >> eu não tenho certeza, >> não vou opinar. >> Eh, mas enfim, desse grupo, eh, Flávio Bolsonaro, Nicolas Ferreira com Daniel Vorcaro, Fabiano Zetel, com uma denominação que é a igreja da Lagoinha, eh, de Belo Horizonte e que aí, enfim, eu eu não conheço a fundo suficiente para saber se ela é nacional ou se ela é só de Minas. >> É bem nacional.
¶104Internacional diria. >> É essa altura internacional já não tanto tá universal, vale dizer. >> Não. Sim, tem outra parte internacional porque tem >> Não, mas tem eles tem Miami, tem tem eles coisas, >> mas é muito menor. É por isso que a gente traz especialistas, né, para não passar vergonha.
¶105Então, eh, e aí o que que aconteceu? Eles fizeram esse esse mini doc aí, que vou chamar assim, esse vídeo, eh, de 30 minutos, mais ou menos. é um projeto do eh do grupo ali que faz o o podcast de Calma Urgente, que é do Gregório, eh, da Alessandro Oufino e do Bruno Torturra. E mas que tá sendo apresentado pelo Fábio Porchá. Até na nossa reunião de pauta hoje, eu falei: "Olha, o Fábio Porchá, eh, eu acho que ele expande um pouco mais o alcance do vídeo do que o Gregório, eu acho ele bem mais identificado com o público da esquerda.
¶106O porchá não é visto como um cara de direita, evidentemente, mas eu acho comunicador ele é um tipo mais comunicador comunicador, ele alcança mais gente, então tem realmente mais potencial de chegar a mais gente com o porchá aparecendo do que se fosse, por exemplo, o próprio Gregório e que já tá com mais com 500.000 views, mais de 500.000 no YouTube e nos perfis do Instagram, eh, no perfil do Instagram, eles postaram de, eh, em dois em duas postagens diferentes, né? Uma que foi o que o que a gente chama de teaser, né? Uma espécie de um trailer do vídeo mais curto e um com o vídeo eh completo. E aí a soma desses acho que já passou 7 milhões de alcance. Hoje de manhã esse perfil chegou a cair, a meta chegou a derrubar, a Mônica Bérgamo noticiou, outros outros portais noticiaram, mas foi restabelecido o perfil, então ficou algumas horas fora do ar, pelo que eu entendi.
¶107Não ficou eh já tá de volta, já tá restabelecido no YouTube chegou a ficar em Ah, tenho tenho uma informação que parece que já passou de 2 milhões de views. >> É, eu ia falar isso. No YouTube, já passou de >> isso. ficou em primeiro lugar nos vídeos em alta, que é aquele ranking que, aliás, né, você que tá aí nos assistindo, sempre lembrando que você pode dar aquela curtida e ainda dá para dar uma hypadinha, hypada. >> Gostamos?
¶108E aí então e realmente repercutiu. Eu queria trazer e ouvir um pouco de vocês. A gente sabe, por exemplo, né, Carô, que lá atrás eu fiz uma reportagem em 2014 sobre o voto em pastores, quando não era um fenômeno inédito, mas teve ali começou eh já houve uma expansão das candidaturas ligadas explicitamente a vinculações religiosas, a denominações religiosas, né? E só morava em Brasília. Eu acompanhei dois eh candidatos eh na época eh um era o federal, a federal e o outro a distrital.
¶109Eu, obviamente, com a minha memória eh completamente líquida que anda, né, pós Covid, tá gente? porque realmente derreteu a minha memória. Eu não vou me lembrar, mas um deles era Roberto, foi grande, foi líder da bancada evangélica. Já já eu pesquiso. E já naquela época havia um pelo menos um uma espécie de um consenso entre essas lideranças de que grandes casos de corrupção afetavam as chances eleitorais de candidatos ligados à igrejas, né?
¶110No caso deste ano, eh, a gente tem este esta ligação muito explícita, né? Então, que é o Fabiano Zetel, Zetel era eh, pastor. O próprio Daniel Vorcaro teve uma trajetória de eh locutor de rádio gospel. Eh, o pai dele eh se eu não me engano é pastor ou foi pastor, enfim, mas é uma ligação muito óbvia com uma igreja em particular. eh, e é um cara que não só corrompeu e se corrompeu e corrompeu geral, a república, como para fazer isso entre muitos mecanismos usava orgias, usava, né, garotas de programa, operárias do afeto, como dizem no X, eh, e tudo mais.
¶111Então, eh, eu queria ouvir de vocês um pouco primeiro do vídeo do Porchá, da igreja da Lagoinha, o que que vocês podem contar, mas também de se deste ciclo, se isso pode ter algum impacto no voto da das pessoas que são religiosas ou se não. >> Eu queria ouvir a Débora, mas eu entendo que isso sim tem impacto, sempre teve. que a gente pega lá o escândalo da sangue sugas, >> isso que é o é o clássico escândalo das sangue sugas, que que foi inclusive o único momento onde a bancada evangélica diminuiu o do de membros, diminuiu de parlamentares eleitos. foi a única vez foi justamente por por escândalos de de corrupção aí ligados ao seu às candidaturas específicas aos deputados, né, que nesse caso que você tá dizendo no o pastores da Lagoinha não são candidatos a a a nenhum cargo. Então acho que esse dado é relevante.
¶112E aí acho que por isso que esse esse esse vídeo >> aparece também e ele só pra gente eh lembrar o o vídeo porque é feito por esse pelo caro urgente eh e tem uma estrutura jornalística por trás, eles têm apuração. Então o ele é roteirizado e é feito a partir de uma apuração. Então as correlações não é não é uma obra de não é uma obra de ficção colagem que o que o Fábio Porchá faz. Ele faz, desculpa, o Fábio Porchá faz, ele fala a partir de um roteiro de apuração das relações dessas três figuras, >> tá? >> Caso Master, Igreja da Lagolinha e eh a candidatura Fábio Bolsonaro à presidência da República, né?
¶113Ele faz essa correlação. >> Não, não faz totalmente. O que eu quis dizer com isso é só que, pelo que eu entendi, é uma apuração eh é uma curadoria de apuração de outros veículos jornalísticos. Isso dier não é apuração apuração própria. Então que aí eu acho que é justamente colocar luz como a gente tá conversou falando hoje sobre isso, né?
¶114A conversa está muito ao redor dos membros do STF, da relação com o caso master. a importância da gente colocar luz também paraa relação do caso master com uma candidat com um dos candidatos a presidente da República nesse momento e e as e as evidências mostram isso. Então, acho que esse vídeo faz isso e aí sim, à medida que você consegue mostrar e de fato falar que existe uma correlação, eu vejo impacto que possível impacto no eleitorado. O ponto é que enquanto você coloca como algo, ah, isso aconteceu nos muros da igreja entre pessoas que não serão candidatas da política, não tem impacto. >> Uhum.
¶115>> Não. E tem uma outra coisa que é, eu não sei qual o impacto desse tipo de vídeo no eleitorado pêndulo, vamos chamar assim, né? Mas que a galera olha, eu vi um, eu não vi o vídeo inteiro, eu vi um corte do vídeo e todos os comentários eram o quê? Ué, cadê o, cadê ele fala do do PT da Bahia? >> Uhum.
¶116>> Entendeu? E é sempre isso, toda vez é isso. E aí assim, o fato de ser um veículo e pessoas identificadas à esquerda vai limitar o alcance desse troço, >> porque mesmo que a pessoa tivesse disposta a votar do Lula no segundo turno, porque não quer o falar do Bolsonaro, o a chance dela confiar na qualidade na qualidade dessa dessas informações, a gente tem muita pesquisa de política pública, inclusive de comunicação, melhor dizendo, de política pública, que fala assim: "Olha, a você ser transparente com a identificação ideológica é importante porque as pessoas confiam um pouco, né, eh, de que as pessoas de que informação é neutra, etc. Nesse momento, quando sai desse buraco aí outra discussão, mas assim, cara, vários comentários. Ué, cadê o Pet da Bahia?
¶117Ô, esqueceu Guino Mantaga. Ah, esqueceu não sei quem. Esqueceu não sei quem. >> Mesmo sendo um vídeo sobre um aspecto do caso máximo. >> Exato.
¶118Exato. Mas porque era um, vale dizer, era um corte, né? Não era do vídeo completo. >> Uhum. >> Mas eh era, mas imediatamente assim, por que que ele não tô falando do resto?
¶119É diferente se a gente anunciasse já junta, fazer uma série de todos os ângulos, a gente já tá lançando esse primeiro. Isso é uma outra conversa. Claro que ainda ter gente criticando, mas é a primeira coisa que vai vir numa pessoa identificada, nem vou dizer muito bolsonarista, mas de direito ou antipetista, é tipo, beleza, mas por que que por que que tô falando só dos crentes? Isso vai vir sempre. Então, eh, >> eu entendo isso, mas eu queria, mas eu mas então ultrapassando o vídeo em si, né?
¶120Porque eu acho que a gente chegou num ponto e aí até trazendo o o STF e o caso master como um todo para essa discussão toda, né? Porque eh tem uma visão de mundo mapeada aqui nessa pesquisa, tem uma visão de mundo que tá sendo expressada eleitoralmente em duas candidaturas, né? Eh, que são que t propostas e jeitos de se conduzir bem diferentes entre si. tem uma uma expressão de uma visão de mundo expressa no apoio a ao Mendonça, ao André Mendonça, por exemplo. >> Sim.
¶121>> E aí independe do vídeo do Porchá, mas o fato é que a esta altura eh já tá mapeado publicamente. Ô, meu amor, saúde, você quer que eu desligue o arqu? >> Não é o clima de alérgico. A gente é São Paulo sendo São Paulo. >> Não, Brasil, né?
¶122É o ar de São Paulo. >> Eu tenho amigos e parentes no Brasil todo com gripe de cama. Tá todo mundo. Sorte quem tá nos nos ouvindo e não tá em São Paulo. >> É o El Ninho.
¶123E ao mesmo tempo eu tô achando quente aqui, já arranquei a blusa, enfim, né? Eh, ainda assim a gente já tem elementos o suficiente para entender que muitas das figuras eh envolvidas que se que falam que são ou religiosas, não pastores necessariamente, mas essa coisa do cidadão de bem, dos tiveram na nas festas consumiram eh o que lhes foi ofertado fosse eh mundano. ou não, né? Eh, é é o tempo inteiro uma carga desse noticiário, dessa mistura, dessa promiscuidade. E eu não tô falando isso com nenhum juízo de valor.
¶124Eu acho que se é entre adultos e é com sentido, tá tudo certo, desde que não >> seja pago seu dinheiro também, né? >> Então, não vai favorecimento, não ten políticos, nem jurídicos envolvidos. É isso que eu quero dizer. Eu não tô fazendo juízo. >> Cada um faz o que quiser na boate do jeito que quiser.
¶125>> Valor. Juízo de valor da em si. É isso que eu quero dizer. Não é isso que tá em questão, mas muitas dessas figuras públicas fazem esse juízo de valor publicamente, eleitoralmente, politicamente e aí conforme vai se revelando que elas mesmas participavam de coisas não tão eh assim moralmente retas, isso isso isso isso em si já não seria suficiente para esse >> para para esse eleitor se questionar muito tempo, não é, né? >> Sabe por quê?
¶126Porque tem antipetismo que a gente sempre fala >> que é maior que >> é maior e vão e vai e vai vir junto de o fato que o governo também não se ajuda em várias questões. Então é uma coisa que é um sedimento que pode ter razões mais ou menos legítimas e que vai ser muito pautado em valores. O cara vai dizer: "Ah, mas o cara tava roubando, mas ele não é a favor do aborto." E aí para muita gente isso vai ser uma grande questão e vai ser a questão mais importante pra pessoa. >> Uhum. >> E outras questões ainda vão, vai rolar uma justificação a posterior do tipo, a gente precisa eh apoiar esse lado porque esse é o lado que vai ganhar do Lula.
¶127precisa tirar o PT do governo e aí entra nas coisas em que o governo colabora ou não se ajuda, que é, ah, eh, o Xandão tá muito identificado com Lula. Eu e você, você, a gente que sabe que o Xandão ele tá defendendo ele mesmo, né? Ele defende ele mesmo, mas as pessoas identificam como sendo parte do mesmo grupo político. O Flávio Dino ter feito o que fez na última sessão não ajuda a descolar imagem, muito pelo contrário. >> Então, o que as pessoas pensam, bom, o STF é um problema.
¶128Se o governo continua, eles continuam indicando gente para lá. jeito que vai ser do lado do chandã, se a cabeça das pessoas, as pessoas estão lendo desse jeito, quem tá acompanhando política em algum nível, eu sei porque eu gastei tempo tentando explicar pras pessoas, olha, não é tão simples. E o pessoal briga comigo, eu falo: "Gente, mas eu ocupo esse troço todo dia". >> Uhum. >> E o pessoal briga comigo, entendeu?
¶129mesmo, mesmo, mesmo. Então assim, é muito difícil de escolar porque tem claro o antipedismo de chegada, aquela coisa, o ressentimento e muitas coisas como o governo e tem o lado que de novo o governo não se ajuda, ele não faz o esforço de comunicar, de descolar o do Xandão, abandonar mesmo ou de fazer uma campanha que tenha uma narrativa que tenha mais apelo. Às vezes não é mudar a proposta, às vezes você é pegar as propostas que eles já têm, coisas que eles já fizeram, sair um pouco salto alto >> e tentar dialogar com a população para chegar nos na porcentagem de votos que eles precisam para ganhar, se for se foi esse objetivo. Então >> é muito é porque eu sei que a sua pergunta era: "Ah, mas não deveria fazer as pessoas refletirem um voto nessas pessoas?" Sim, mas as pessoas já estão pensando no segundo turno, >> já pensando que é só tem duas opções, eu preciso escolher a menos ruim na minha na cabeça. Então, qual é o pecado que eu acho tolerável?
¶130É meio isso, qual é o pecado que a gente tolera no final dos contos? >> Mas sim, só ponderando que isso que sim, a pauta da corrupção é é uma pauta importante para as pessoas, né? A gente também eh mapeou aqui na pesquisa o o que as pessoas indicam identificam como maior problema do Brasil. >> Eh, e aí a gente até tava conversando sobre isso antes, né, Flávia? Como eh então é eu, eu confirmo que a gente já sabia, a gente pode segmentar por identidade religiosa, mas confirmo que a gente já sabia.
¶131As três temáticas mais mencionadas são segurança pública, em segundo lugar, corrupção e depois saúde, né? E depois vem economia, inclusive, né? E aí tem uma alguma variação aí por região, alguma variação por identidade religiosa, eh, gênero, os homens se preocupam mais com corrupção, eh, eh, nessa, tá identificado nessa pesquisa do que as mulheres. Mas, enfim, acho que a gente tá falando aqui e qual foi a qual é a pauta única das últimas três semanas? Corrupção.
¶132>> Uhum. Mais até, né? sequer sobre segurança pública estamos falando que é a maior preocupação da população. Então, eh, acho assim, falar eh o tema da corrupção tem um impacto no eleitorado e, eh, colado ao antipetismo de chegada, que eu gosto muito desse termo que é usado pelo Ma Moura. >> Eh, e aqui a nossa pesquisa a gente também identifica que esse antipetismo de chegada ele é muito mais marcado no segmento evangélico.
¶133Aqui é todas as perguntas que a gente faz é quase inequívoco. É como esse antipetismo tá e eh foi tá marcado realmente >> virou uma questão de identidade do grupo mesmo que eu acho quanto tanto em mulheres quanto em homem Aham. Então então esse quando não significa que é imutável, significa que você entenda que quem é do PT tem as outras. Sempre vale lembrar que tem vídeo do Sil Malafel e o D que ressuscita essa história desse vídeo, mas é verdade, tem vídeos antigos do Silv e Malafa de bigode, que é a fase que ele não pregava teologia da prosperidade, vale dizer, ele apanha no Lula. Então, isso não quer dizer, é, isso não quer dizer que isso seja eh imutável, como a Carol falou, mas virou ou neste momento, neste momento, né, eh, e já faz uns anos, é meio que quase um identificador de identidade.
¶134>> Uhum. >> Não importa que você vai votar, mas não importa que você não vote no Lula. >> Uhum. no PT ou na esquerda e aí vira o comunismo, eh, comunismo, progressismo e coisas misturadas que as pessoas nem sabem identificar direito que é, mas é essa coisa que a gente é contra. >> Nós fazemos na pesquisa duas perguntas para para tentar medir eh eh simpatia, aceitação partidária e rejeição partidária.
¶135Então, a gente pergunta se tem algum partido, pergunta aberta, se tem algum partido que as pessoas têm simpatia, se identificam e uma segunda pergunta, se tem algum partido que as pessoas rejeitam ou não simpatizam ou não se identificam. Eh, e espontaneamente os dois partidos mais citados e porque é o que estão mais presentes no hoje na política é o PT e o PL, >> mas se a gente pega pela rejeição e recortes regionais, etários e por identidade religiosa, no segmento evangélico, eh, pelo recorte do segmento evangélico, a rejeição ao PT chega a triplicar da dos respondentes da média nacional. Uhum. Então, e isso está acontecendo, isso isso existe neste segmento. >> Então, quando a gente fala de as campanhas precisarem falar com mulheres de classe C, eh, de grandes cidades, que é o que vários, eh, institutos de pesquisa apontam, que vai ser o público definidor numa eleição tão apertada.
¶136São poucos os públicos que realmente conseguem definir a eleição. Este é o público apontado unanimemente como eh o que vai definir mulheres de classe C de grandes cidades. A gente tá falando necessariamente de mulheres evangélicas? >> Necessariamente não, mas é um pedaço grande porque o Pedro também inclui o Sudeste. >> Se fosse se fosse no Nordeste aí tem é é uma das regiões que tem menos evangélicos.
¶137A proporção de evangélicos é muito melhor. >> É, é que quando a gente fala de grandes cidades, as maiores cidades estão no Sudeste mesmo, né? Mas tem grandes cidades, mas no geral. Mas e aí você pensa periferia de grandes de grandes cidades é o quê? É crente, não só, mas muito uso crente.
¶138É diferente de interior você vai ter mais católico, me corrija, por favor, você vai ter uma propostação maior de católicos e entre ricos você vai ter mais gente sem religião ou então aquele católico nominal de famílias antigas, não sei que lá. Então, você pegar esse recorte da sociedade, é crente, é gente emergente que foi paraa igreja quando teve, tem inclusive o paper do pessoal da USP que fala muito sobre esse processo de imigração e como isso eh favoreceu, né, as igrejas evangélicas, né, esse processo de migração dos últimos >> 40 anos. >> Então é um perfil, é só não, mas é momentamente. E se não forem evangélicas, elas tendem a ser mais conservadoras nos valores, são com a família. É, mas que em 2022, por conta de vários fatores eh do governo Bolsonaro, parte dessas mulheres de classe C das grandes cidades eh optou pelo Lula.
¶139>> E aí se, né, pelo que as pesquisas indicam, se frustraram em boa medida e agora tão reconsiderando. Eh, >> se bem que na última pesquisa Quest foi onde o Lula cresceu, né? Luan cresceu entre mulheres, >> o Flávio cresceu entre evangélicos e entre extratos extratos de rendas mais altos. >> Isso. Exatamente.
¶140Pesquisa. >> Isso cresce e cresceu um pouco no Nordeste também, né? Ol, >> não. E vale lembrar que assim 30% a gente fala, né, que a maioria dos evangélicos vota, né, tende a votar na direita ou ante Lula, melhor dizendo, nas últimas eleições, mas assim, 30, entre 25 e 30% vota no Lula de qualquer forma. >> Uhum.
¶141Então agora esse número pode variar às vezes o suficiente para ajudar na composição de uma possível vitória se for se fosse o caso. Mas depende muito de novo como é que o governo vai decidir conversar com essas pessoas. Uhum. >> Por isso que a gente volta no nosso ponto inicial de hoje. Se mudar a conversa para falar de políticas do cotidiano das da vida das pessoas, tende a ter uma uma mudança desse eleitorado que feminino especialmente que já vinha se mexendo.
¶142Mas se a conversa continuar sendo apenas sobre corrupção e apenas sobre os imperadores do STF, a coisa vai complicar. ou ainda eh que seja sobre o governo, mas seja naquele salto alto meio: "Ah, não, tá tudo bem, você tá, se você não gosta do governo, você tá errado." Como é, como tava se ensaiando de ser há um tempo. >> É, eu não tenho mais visto se acontecer, né? Eu acho que teve uma, uma chacalhada bem bem bem grande, mas às vezes eu sempre acho que as pessoas tem sempre tentação de voltar ao estatus corpo, sabe? Tipo, as pessoas têm uma tentação muito grande de voltar o estado de corpo, mas assim, eh, porque as pessoas têm >> eh inclusive pegam muito no pé da pop da min leitão por causa disso, porque às vezes ela vai falar: "Ah, não, mas os dados estão bom".
¶143Aí o pessoal tá doida, não se lá começa a esculachar com a mulher, mas um pouco por causa disso, porque as pessoas, principalmente desse recorte que, enfim, que é mais conservador, etc. Tenho dificuldade de enxergar futuro, como falou a Carol, e aí eu vi que tá tudo bem, mesmo que os números digam isso, eh, parece que, eh, gera um distanciamento muito grande, uma dificuldade de se conectar com quem tiver falando nesses termos. >> É, eu queria eu, antes da gente falar, eu tinha falado pra Caru que eu ia dispensar ela antes do fim do programa, que fingindo normalidade. >> Não, eu te mandei um recadinho no zap disfarando. >> Não, mas eu tô aqui falando com você.
¶144Não vou olhar meu WhatsApp. >> Eh, porque eu eu antes da Tudo bem, tá tudo bem. Tá. Eu queria falar um pouquinho mais da campanha, mas eu queria só aproveitar que vocês me deram vários ganchos para contar que a campanha, as campanhas podem não estar falando o que importa. Veja, importa, né, gente, mas de mais diretamente, no impacto mais direto na vida das pessoas, mas o meio tá.
¶145Então, eu queria convidar você que nos assiste, eh, porque a gente fala de STF também e fala de de inclusive de segurança pública. E eu vou dar um exemplo muito concreto para vocês não acharem que eu tô só, olha só, vocês sabem que assinante Premium do Meio recebe eh várias newsletters eh especiais, com reportagens especiais, com eh entrevistas, com análises e tudo mais. Eu tenho a sorte de ao meu lado, ter duas dessas colaboradoras para uma dessas newsletters, que é a o meio político. Embora também já tenha, a Débora já tenha escrito pra edição de sábado, você eu não me lembro se já escreveu, mas já foi fonte. Eh, e nesta semana, nesta semana o meio político que saiu hoje é da Débora e ela já vai contar tudo que ela escreveu porque eu quero convidá-la a narrar.
¶146Mas na semana que vem, fonte >> direto, na semana que vem, por exemplo, a gente traz uma entrevista que eu fiz com uma das maiores especialistas em segurança pública do Brasil e entender política pública de segurança pública, que é a Joana Monteiro, que assim que eu termino a entrevista falando para ela, eh, no meu governo você vai ser ministra, porque ela é realmente alguém que entende demais e que tem uma visão muito séria e ao mesmo tempo muito objetiva, sabe? Sem não precisa de firula, de e dá para fazer, tá aqui o que tem que ser feito e tal. Então, é uma entrevista imperdível, sai na semana que vem. Neste sábado, que é edição de sábado, newsletter premium também a gente convidou outra autoridade em um dos assuntos mais relevantes, eh, que geram essa sensação de falta de perspectiva, que é o futuro digital do Brasil. E quem vai escrever é o Francisco Brito Cruz, que é simplesmente o cara de entender regulação, de entender como é que se eh como é que se discute eh a vida digital eh tanto do aspecto político quanto do aspecto legal, né, para um futuro de de país, tá?
¶147neste sábado. Então assim, vocês estão vendo que eh não falta tem o nosso docreaming eleições 2026, a escolha, o momento da escolha tá chegando, tá ali daqui 11 dias. Eh, pode te ajudar muito se você ainda não escolheu ou se você quer ter mais argumentos para convencer alguém pro seu campo político, também funciona, tá lá, porque a gente oferece informação, conteúdo para você fazer a sua própria cabeça e aí se você quiser tentar fazer a cabeça de outros, aí é com você. Eh, então, por favor, gente, a assinatura de vocês é muito importante pra gente. São só R$ 15 por mês.
¶148Eu sei que a vida não tá fácil para ninguém, que a gente tá falando aqui de todo mundo, né, apertando conta. A gente sabe que a assinatura de jornalismo é sempre uma das primeiras coisas que são cortadas junto com eh personal trainer. Não corte nenhum dos dois. Faça o seu exercício ouvindo o nosso material, consumindo o meio, certo? ou eh corte o personal que a gente sabe que você tem preguiça de acordar cedo mesmo, né?
¶149Não, brincadeira. Cuide da sua saúde, cuide da sua cabeça, assine o meio. Débora, conta um pouquinho o que que você trouxe no meio político desta semana, que o teu texto está um primor. Bom, eh, então nessa discussão toda do STF, às vezes a gente perde vista para além do impacto imediato da política e das coisas ficarem meio travadas e virar um assunto eleitoral, eh, a gente perde também o quanto eh essa instabilidade do STF e do judiciário brasileiro, porque tem outras questões que perpassam, né, o judiciário como todo, não só, como tem vem sendo discutido, principalmente nos últimos roda viva, né, com especialista na área, o quanto tem impacto econômico. Então eu trago alguns casos, né, do Brasil e de fora e de evidências do quanto eh o fato de, por exemplo, você ter muita eh decisão monocrática no STF, aumenta muito a dificuldade de empresas fazerem cálculo de investimento, né?
¶150Porque uma vez que você constrói a fábrica ou faz a ponte ou faz a hidrelétrica, não tem como, se o Brasil, se o país vira um caso, você tirar as coisas e levar embora para levar para outro país, né? Isso é muito difícil de fazer. Então isso pode gerar tanto uma perda de recursos como eh fazer com que investimentos simplesmente não aconteçam, sejam adiados por muito tempo, né? Eh, na medida em que a gente tem a necessidade de ter uma uma infraestrutura judiciária que gere algum tipo de previsibilidade. Isso não quer dizer que eh a justiça para ser boa paraa economia, ela precisa sempre dar ganho de causa pros investidores ou pros empresários.
¶151Mas quer dizer que ela precisa ser previsível nas regras e não tipo, ah, se cair no juiz X, eh, vai ser de um jeito, se cair no Y, vai ser de outro jeito e no outro não sei, depende do dia se ele almoçou ou não, >> né? Isso isso torna qualquer cálculo de investimento completamente inviável, né? É em economia que a gente tem um conceito de incerteza, não é quando, ah, tem probabilidade diferente de coisas diferentes acontecerem. Quando a gente chama de decisão somente certeza, é quando a gente não sabe a probabilidade de alguma coisa acontecer. Isso gera um dano econômico e dificulta crescimento e desenvolvimento e até, né, uma distribuição justa dos recursos, né, porque daí eh ganha ou consegue fazer melhores eh negócios quem tem ou afeto direto, né, e é corrupção aos juízes e as pessoas tomam decisão ou algum tipo de acesso de saber como aquela pessoa pensa.
¶152Eh, e isso, eh, prejudica, né, concorrência, prejudica pessoas que são de fora do país a entrarem no mercado e competirem e gerarem emprego e crescimento econômico. Então, a ideia é ilustrar um pouco como eh esse caso do STF acaba sendo uma ilustração para um problema um pouco maior e que acaba afetando a economia como um todo. >> Eh, gente, tá muito incrível esse texto. Eu realmente convido vocês a assinar o meio e e consumir esses esse material que a gente produz, porque é assim, é de uma profundidade e é de uma originalidade. Você não leu isso em nenhum outro lugar.
¶153Então, eu queria É verdade, não é? sempre le Débora >> e você também quando você escreve, a Carô escreve nas nos nas quinta da na quinta quarta-feira dos do mês. Este mês, por causa da entrevista da Joana, eu pedi licença para ela, para ela jogar pro mês que vem, pra última quarta-feira. E aí a gente ainda não bateu o martelo, mas eu vou bater o martelo publicamente porque aí você vai me comprometer >> já vou te comprometer que aí o artigo da Carô vai ser o primeiro pós segundo turno, se segundo turno houver, >> eh >> porque, né, Brasil a gente não sabe com o que que a gente tá lidando no dia 4 de outubro ainda. Eh, mas antes de de eu caminhar aqui pro fim, a gente tem mais 10 minutinhos, eu queria te convidar a trazer mais alguns aspectos da pesquisa, eh, que que aí são um pouquinho menos políticos, mas que eu acho que são igualmente interessantes e, e fazem a gente entender, eh, fazem a gente se enxergar tanto, né, Carô?
¶154Eh, eu, por exemplo, que já tive eu já tive uma orientação religiosa, eu já tive de tudo. Eu estudei em colégio católico, certo? É, pois Brasil, né, gente? Colégio católico é um clássico. >> É, não é colégio católico é muito clássico.
¶155Estudei. >> Eh, inclusive minha eh eu falei aquele negócio dos católicos, né, que tem uma ligação com uma um setor mais progressista da política. A minha formação católica, a igreja, a escola onde eu estudei minha primeira infância era muito ligada a Luía Erundina. Sim. >> A Luía Erundina deu uma palestra pra gente candidata à prefeita >> ainda.
¶156E aí, enfim, e eh eh eh existe. Só que aí eu fui pro Augustiniano Mendel no Tatuapé, que eu sou da zona leste, vai Corinthians, eh, e que é um colégio de padres e que aí é total, é o oposto, é assim, a Igreja Católica mais conservadora, né, na sua forma eh eh mais raiz, conservadora e tal. Então também convivi, depois fui cardecista e agora sou sem religião, que é uma categoria riquíssima, né? Porque é uma categoria que envolve sim os ateus e os agnósticos, mas mas envolve só quem tem fé, mas não tem uma religião que siga só. E aí a gente teve até um debate interno aqui, Carô, que foi muito engraçado.
¶157E eu vou te contar para você, para te dar gancho, para você explorar mais os dados aí, que foi o seguinte, um dos dados da pesquisa é que entre os sem religião, 15% dizem ter uma segunda religião. >> Então assim, eu sou sem religião, mas eu também sou tal coisa. E eu achei isso muito curioso, porque eu falei, gente, isso é muito Brasil, né? É, dizem frequentar uma outra religião. Exatamente.
¶158Acho que é importante a gente também lembrar que é um é um país que tem fé e acredita em Deus. >> Uhum. >> Então isso é geral e generalizado, né? 91% das pessoas têm fé. 98 eh 98% das pessoas têm fé, desculpe.
¶15991 >> 98 >> 98% dos brasileiros têm fé e 98% dos brasileiros afirma acreditar em Deus. Que loucura, gente. >> Obviamente a gente poderia depois teria que o que significa Deus, o que significa acreditar em Deus, né? Então a gente tá falando no geral. >> Não, você não, mas assim, mas é, mas uma mas enfim, prossiga.
¶160>> Não, imagina, imagina. E como a nossa pesquisa e eh segmenta, né, por identidade religiosa, faz a pergunta sobre qual é a sua religião oculto e inclusive o sem religião são 14%. Entre o sem religião, 91% tem fé e 89% desacreditar em Deus entre o sem religião. E a gente também pergunta, porque no Brasil é muito muito comum dupla pertença, a pessoa ser uma religião e frequentar outra, o que não significa ter uma dupla pertença necessariamente. E a gente pergunta sobre eh eh se a pessoa frequenta uma outra religião mesmo para as que dizem não ter religião.
¶161E aí 15% dos que não têm religião dizem: "Eu frequento uma outra religião". E aí entre essas outras essa outra religião que os sem religião frequentam é uma um empate ali entre católicas evangélicas e e uma menor porcentagem de religiões afro-brasileiras. A gente já tem uma migração desse perfil religioso da da do segmento jovem. Como eu comentei aqui, os jovens de 16 a 34, a faixa de 16 a 34 anos não é mais católica. Apenas eh quatro em cada 10 pessoas de 16 a 34 anos afirmam serem católicas.
¶162Então >> mas elas são evangélicas. evangélicas e são de religiões afro-brasileiras, estão de outras religiões e sem religião. O sem religião é bastante jovem também, é bastante masculino, tem uma renda mais alta e é bastante jovem também. Então a gente vai conseguindo ver essas mudanças. A gente já consegue mapear pela primeira pergunta de qual sua religião oculto as pessoas que a eh se autodenominam cristã, >> sem especificar cristã o quê?
¶163Sou cristã e esta é minha identidade. 5% dos brasileiros eh na nessa primeira pergunta afirmam serem cristãos. Como a gente também pergunta qual qual igreja você frequenta, é com qual frequência você vai, a gente entre esses 5% de cristãos, a gente consegue entender que na verdade eh 70% deles frequentam uma igreja evangélica. Então a gente reclassifica depois, mas originalmente a identidade é cristã e a gente tá vendo isso ser refletido na política, né? já vem, então é uma pesquisa que já vai identificando isso.
¶164>> Tem candidatos que optam por essa nomenclatura, que geralmente é um pessoal mais próximo do centro, que sabe que falar evangélico às vezes pode afastar um eh um pessoal que tem fé, que é cristão ou que até vai para uma igreja evangélica, mas que não quer se se identificar com a bancada ou com os nomes famosos da da área. Acho que combina muito com esse >> com essas pessoas, né? Comunidades religiosas eh seguem mobilizando eh atividades de assistência social. E aí é um dado que eu trago que acho que nos pareceu bastante importante, né? Eh, 30% das dos evangélicos afirma participar de atividades de assistência social a partir das suas comunidades religiosas.
¶165E igualmente 30% das pessoas afroreligões afro-brasileiras afirma participar de atividade de assistência social nas suas comunidades religiosas. Então, igualmente, a gente tende a achar que esse essa essa assistência social ligada à comunidades religiosas, ela é uma coisa, uma herança católica, ela é apenas católica ou ela é agora promovida apenas por comunidades evangélicas e as comunidades religiosas de religiões afro-brasileiras estão tão engajadas em atividades de aspen social quanto o campo evangélico hoje no Brasil. Qual que é o tamanho do segmento de regiões de religiões afro-brasileiras? Então, 3% do 3% da população brasileira hoje se afirma religiões afro-brasileiras e é o segmento que tem mais dupla pertença, né? >> Ao redor de 40% das pessoas que são de religiões de bat eh eh religiões afro-brasileiras afirmam ter uma segunda religião.
¶166Isso vem muito do nosso histórico de dupla pertença. Primeiro porque a até muito recentemente no Brasil era proibido se afirmar de religiões de religiões afro-brasileiras, né? Era considerado uma seita. a gente vem de um país católico. Então as pessoas se diziam católicas, mas na verdade frequentavam eh igrejas eh de religiões de afro-brasileiras.
¶167E aí a gente vai tendo uma migração aí geracional, >> passa por também por pelo elemento da da identidade racial no Brasil, né, de de de uma maior identificação racial aí a partir das religiões afro-brasileiras. >> E a gente tem uma cultura bíblica no Brasil muito forte. De novo, o Brasil segue sendo muito católico, mas em geral e a cultura bíblica ultrapassa as fronteiras cristãs que a gente conversa, ah, o lugar onde mais se imprime blíma é no Brasil. >> Mas o que no diferença, o que que é cultura bíblica? A gente pergunta, você tem a Bíblia ou e ou versículos bíblicos?
¶168Você você tem a Bíblia ou versículos bíblicos como ensinamento de vida? 73% dos brasileiros afirma >> ter a Bíblia como referência para algum ensinamento, para algum ensinamento de vida. Não significa necessariamente um aderência, >> uma aderência religiosa, mas mesmo entre os sem religião, mais de 50% afirma o ter a Bíblia como uma referência de filosófica nas suas vidas. Então, uma cultura bíblica forte e a gente também mapeia uma cultura, um consumo de cultura eh eh religioso importante, né? Eh, 67% das pessoas afirma consumir música gospel.
¶169Isso brasileiros em geral. 59% consome filmes e séries religiosas, 55% rádios cristãs, >> novelas bíblicas. >> Mesmo entre os 100 religião, 50% eh eh afirma ouvir música gospel. Então, a gente tá falando também da religião, não é só a religião que você pratica, mas a religião como cultura de massa no Brasil. Perfeito.
¶170É, gente, é uma pesquisa, eu não tenho como enfatizar mais tanto que ela é. >> Você é suspeita? >> Não, não sou não. Por quê? Ótimo.
¶171>> Sou nada. Eh, sou suspeita. Eh, não, sou uma grande entusiasta porque eu sei do esforço de colocar de de enxergar este público de uma maneira eh com dados, né? E eu e eu eu tô esperando os artigos de de Débora sobre os dados que tem nessa pesquisa, porque a Débora é uma mestre em destrinchar os Aébora é uma mestre em correlacionar fenômenos sociais, econômicos com dados. E agora aqui assim, aqui não é importante todo mundo que tá ouvindo a gente entender, não é uma pesquisa sobre religião, é uma pesquisa sobre perfil social e político brasileiro que tambémid eh classifica o o ao cidadão brasileiro a partir da sua identidade religiosa.
¶172Inclusive, Débora, no questionário, é um questionário de 180 perguntas, ou seja, pergunta sobre muitas dimensões da vida das pessoas. E a gente só pergunta a identidade religiosa das pessoas a partir da pergunta número 107. Caramba, quando >> a gente pergunta sobre política, sobre hábitos, sobre visão sobre as políticas públicas, para isso não, porque isso é uma escolha metodológica para que as suas as suas respostas não sejam condicionadas à sua identidade religiosa. Se você começa perguntando sobre a religião, a pessoa pode, é um viés de questionário, ela pode entender, pô, o que corretamente eu deveria responder sobre essas, >> já que eu estou representando aqui a minha religião, já estou, a gente então vai perguntar sobre identidade religiosa e sobre práticas religiosas só no final do questionário. Tem uma intencionalidade para isso.
¶173E uma pergunta que é bom que fica pro pessoal aqui que assiste é vocês vão liberar o, eu sei que você falou que iam liberar os dados todos, mas assim, microdados para pesquisador vocês vão vão liberar, então vou mandar pr os amigos aí. Vai liberar tudo. >> Pesquisa >> vai ser legal. >> Foi feita para isso. Foi feita para o dado ser público usado para por todo mundo.
¶174>> Porque é eu escrevi uma coluna sobre isso, né? o eh órgãos diferentes estão dificultando acesso a dados recentemente LGPD por 1000 questões. Então é fundamental ter eh essa pesquisa e vai ser bom, acho que vai render nos próximos anos boas evidências sobre como o brasileiro se comporta, escolhe coisas, vive e isso melhora, né? Tem pacto de política pública, de compreensão eleitoral, tem vários desdobramentos que eu acho que vai ser muito bom. Deixa eu falar mais uma coisa antes da gente encerrar aqui, gente.
¶175Primeiro que eu lembrando todos vocês que assim que eu falar até amanhã, tati tati vem, né? Assinei e aí você fica aqui que tem o reage do Pedro Dória, eh, aos programas eleitorais, inclusive falando de Lula e Bet e tudo mais. Mas antes eu queria só dar mais um recado que é o seguinte, a Tarot Evangelista é uma das maiores pesquisadoras deste país eh sobre religião e política, além de cientista política, ela, né, se dedica a e além de corintiana, o que, né, já a coloca acima do dos outros mortais, >> eh, e faz pesquisa de campo, vai lá, ouve, senta, conversa, troca, sabe? não é uma pesquisa assim eh de Twitter, né? É uma pesquisa da vida mesmo, inteira, dedicada e em campo.
¶176E o Iser, que você dirigiu até pouco tempo e onde continua atuando como pesquisadora, né, Carô? Me corrija se eu tiver cometendo qualquer erro. >> Exatamente. >> Faz várias frentes de pesquisa. Essa sim eu sou suspeita para falar porque eu tive um um uma interação mais eh próxima.
¶177inclusive faz um monitoramento legislativo que é um primor e que eu recomendo que vocês vão lá no site do Iser e de uma olhada, eh, que acompanhou, por exemplo, os últimos 3 anos desta legislatura aqui aqui em 47ª, eh, mostrando o que que é, como é que o, a linguagem e a ação religiosa permeiam a atuação política de alguns parlamentares. De que forma? em que pautas, como que se conectam com pautas que aparentemente não são do campo religioso, mas acabam sendo eh instrumentalizados dessa maneira. Então, assim, é um trabalho, tem muitos trabalhos dentro do ISER que são riquíssimos para quem se interessa por essa intersecção entre religião e política. E eu acho que todo mundo que se interessa por política se interessa por essa intersecção, porque é algo muito vivo, muito latente na política atualmente, não só no Brasil, no mundo inteiro.
¶178Então é um convite que eu faço a vocês, acompanhem a Car, acompanhem o trabalho do ISER e a Débora eh e igualmente pega os dados, destrincha, explica eh e enfim, é um prazer e um privilégio ter vocês como parceiras aqui no meio e hoje nessa bancada. Muito obrigada, meninas. Obrigada. Obrigada. Agradeço.
¶179Tava com saudade. >> Eu também. E ah, posso dar um spoiler que eu te amarro mais ainda. >> Nossa, já deu o spoiler do meio político. Não, não vou dar >> ai não posso dar ainda.
¶180Ainda não combinei com com a chefia. Depois eu dou outro spoiler. Então vocês venham, voltem aqui todo dia que cada dia dou um spoilerzinho. Tá bom, gente? Então é isso.
¶181Central meio de hoje fica por aqui. Muito obrigada pela sua companhia. A gente recebeu elogios aqui que eu nem li, pessoal falando que a bancada hoje feminina tava maravilhosa. Obrigada pela sua audiência. Eh, e até amanhã.
¶182Amanhã tem mais. Até. Então, nunca uma eleição presidencial despertou tão pouco interesse no brasileiro quanto essa também, né? Segundo nossa pesquisa Meia Ideia, 42% dos brasileiros vem os grupos de Lula e Flávio e Bolsonaro como igualmente corruptos, quase metade do país. O resultado é cansaço, desesperança e muita gente simplesmente deixando de prestar atenção.
¶183Mas a gente tá remando contra corrente. O meio acompanha pesquisas, entrevista especialistas, debate pontos de vista e mantém ativa uma produção que inclui newsletters, programas ao vivo, podcasts, documentários e análises para tentar entender o país que vai sair dessa eleição. Olha, sem escolher candidato por você, tá? Sem transformar jornalismo em torcida. Mas um jornalismo que se recusa a entrar na torcida também precisa de quem acredite nele.
¶184Assine o meio premium. São R$ 15 por mês para apoiar o meio a continuar fazendo esse trabalho todos os dias. เ