¶1Amor, eu eu acho que tem dois assuntos que se misturam aí e que eu queria mesmo ouvir o pH a esse respeito. Eh, eu primeiro assim, só trazendo o relato da Carô Evangelista ontem e da Débora, só para quem não estava nos assistindo ontem e também pro PH, né? Quando eu comentei ontem de, olha, eh, a bolha da esquerda tá interpretando esse movimento da da CNBB e de outros bispos pontualmente replicando esse movimento da CNBB, né, nas suas igrejas como um endosso e e a entrada na campanha, entraram na campanha e tal. Eh, e existe mesmo um pedaço da Igreja Católica que tem muita afinidade com o petismo, porque que é nascido nesse berço em partes, né? Tem uma parte que é puramente sindical, mas tem uma parte que mistura a teologia da libertação, pastorais e etc.
¶2E tem e teve essa eh essa ligação, principalmente nos anos da ditadura com com eh com dissidentes do regime, com enfim, com o pessoal da esquerda eh do regime, né? Eh, agora o que a Carol pontuou muito bem é que diferentemente do que fazem eh pastores evangélicos que têm eh mais autonomia e e descentralização na maneira que se envolvem na política, embora seja um campo que tenha uma eh predominância de direita, né, são autônomos. é da natureza do próprio campo evangélico, eh o fato de que o campo evangélico nasce inclusive de dessas eh divergências e de você poder contestar o regime o regime, a linha única, né, da da igreja e tal. no catolicismo, não. O catolicismo é hierarquizado e a CNBB no Brasil é o a entidade que resume eh as diretrizes, né, que define e resume as diretrizes.
¶3E o manifesto pródemocracia, que é nos termos em que eles estão falando, é pródemocracia, tal, é de janeiro, é anterior à eleição, eh, ao período eleitoral e é muito em linha com o que a Igreja Católica vem eh repisando já há há vários anos, então, de resgate de uma uma agenda de justiça social, que é muito em linha com a campanha da fraternidade, com várias outras agendas da igreja, né? Eh, e falando de do voto autônomo, da do do rebanho com com a sua consciência de voto, independentemente do que ouça de outras pessoas e tal. Então, é um jeito muito mais indireto de se envolver na política. Não quer dizer que eles não se envolvam, porque se envolvem e se envolvem inclusive historicamente. Desde sempre a bancada religiosa no Congresso sempre foi até essa essa onda mais recente, majoritariamente católica e não evangélica, né?
¶4A virada é recente. Eh, então eles se envolvem sim, mas que tem essa essa diferença. É claro que na ponta e principalmente paraa militância que tá precisando de todo o apoio que puder angarear, né? faz sentido interpretar como um endosso eleitoral, entraram na campanha, tão próula e tal, mas é um pouco mais complexo do que isso. Esse foi o relato que a Carol me trouxe e que eu achei interessante repetir aqui hoje.
¶5>> É, eu só tenho uma discordância com relação a isso, na verdade duas. Flávio, eh esse discurso da CNBB, tanto na no pronunciamento do seu presidente, quanto nos cortes que têm sido divulgados de vídeos de bispos, eh eh eh eh falando sobre o tema, eles trouxeram um elemento novo que não tá no discurso tradicional da justiça social, da democracia, da CNBB, que é a questão da soberania nacional. >> Uhum. Eles estão falando explicitamente, esses esses cortes estão circulando na internet. Eh, eh, inclusive eu mandei um longo paraa minha mãe que é muito muito católica, então mandei um muito católica e e e uma alucinada pelo Lula, né?
¶6Então, mandei para ela um vídeo eh que era um corte de um bispo fazendo um discurso a favor da soberania nacional. E você tem razão, eles não tocam no nome dos candidatos como os pastores tocam. Inclusive, h pesquisa recente que mostra que uma parte considerável do dos evangélicos tem satisfação com a entrada da política diretamente nos cultos, né? Eh, >> era a pesquisa que a gente tava comentando ontem que foi feita pelo Iser, onde a Carol é pesquisadora e pela questão, mas tem uma tem um então essa questão da soberania quando ela entra é um sinal é um é um dog whistle claro de de quem que eles estão falando. Uhum.
¶7Não é? Eh, quem tem politizado o tema da defesa da soberania? O Lula. >> Uhum. >> Quem tem falado explicitamente que nós precisamos entrar no arco de influência dos Estados Unidos?
¶8O Flávio. Então, isso é claro, assim, o endereço político do discurso. Um outro ponto, na verdade, que também me parece eh eh que eu que eu discordo, é que não é só a esquerda que tá fazendo com que esse discurso soe como um discurso a favor do Lula. A direita está interpretando isso como um discurso a favor do Lula e tá tá repercutindo isso como olha esses bispos comunistas, etc, etc, pedindo voto, não sei que pro Lula, não é? Eh, eh, então [risadas] a própria direita, a dinâmica das redes e tal, da própria direita, tem [limpando a garganta] associado isso eh eh ao ao à escolha dos bispos pelo Lula.
¶9Então, acho que esse efeito é produzido por essas duas dimensões, a entrada da questão da da da defesa da soberania e a própria identificação que tanto esquerda e quanto direita fazem com relação ao endereço político desse discurso. >> Agora, com relação ao efeito, só só rapidinho para concluir, [risadas] com relação ao efeito de de eleitoral disso, >> eh, a gente não sabe qual vai ser. Eu acho que pode existir algum efeito. Eu acho que pode existir. >> Eh, ah, é claro que esse efeito vai ser sempre menor do que o efeito que os evangélicos têm na política, porque eles estão muito mais bem organizados.
¶10>> Uhum. >> Né? Então, existem até figuras como o pastor Henrique Vieira, que é um deputado do Rio de Janeiro, eh, um deputado que é pastor, mas é de esquerda, inclusive do PESSOL. Mas essas figuras são, digamos assim, eh elas são exceções que confirmam a regra, fato de que a maioria eh eh a maioria absoluta da bancada evangélica é de direita. Então eu acho que e esse e e muitas vezes os deputados alinhados à Igreja Católica votam com a Bangada evangélica em termos de costumes, por exemplo, né?
¶11Então eu acho que isso é um fator que pode surtir efeito. Pode surtir efeito, sim. mais menor do que o efeito que os Mas a a a preferência dos evangélicos está muito mais cristalizada que a dos católicos, né? Sim. >> Então isso por isso, até por isso isso pode surtir, isso pode surtir um efeito, né?
¶12E e mas eu acho que a no primeiro ponto, eu acho que a gente nem opa, que a gente nem discordou tanto, eh, porque eu não tava dizendo que, eh, que [risadas] que foi um endoso, eu tava dizendo só que é um movimento que tenta ser um pouco mais que que nasce de uma maneira maior do que um entramos na campanha, estamos endossando lua, né? Ele vem, ele nasce de um contexto, >> republicano, digamos assim, é. >> Aham. Mas republicano tá falando do interesse geral e não apenas de um >> Tem isso. E tem e tem uma coisa de do da eu acho que do histórico também e do fato de que é um movimento que nasce em janeiro.
¶13E se a gente lembrar bem, em janeiro essa conversa sobre soberania nacional tava no no auge. a gente tava eh ainda eh então ele é ele ele tem o efeito de ser exatamente isso que você descreveu, mas ele ele nasce num momento anterior eh e que ganha atração agora conforme a eleição se aproxima mesmo, né? Então ele ele não é um endosso puro e simples a duas semanas da eleição, mas ele tem uma uma um caminho que ele percorre, né? Era mais nesse sentido. >> 1989, desde então, nunca uma eleição presidencial despertou tão pouco interesse no brasileiro quanto essa também, né?
¶14Segundo nossa pesquisa, meia ideia, 42% dos brasileiros vem os grupos de Lula e Flávio Bolsonaro como igualmente corruptos. quase metade do país. O resultado é cansaço, desesperança e muita gente simplesmente deixando de prestar atenção. Mas a gente tá remando contra corrente. O meio acompanha pesquisas, entrevista especialistas, debate pontos de vista e mantém ativa uma produção que inclui newsletters, programas ao vivo, podcasts, documentários e análises para tentar entender o país que vai sair dessa eleição.
¶15Olha, sem escolher candidato por você, tá? sem transformar jornalismo em torcida. Mas um jornalismo que se recusa a entrar na torcida também precisa de quem acredite nele. Assine o meio premium. São R$ 15 por mês para apoiar o meio a continuar fazendo esse trabalho todos [música] os dias.