¶1Olá, esse é o seu ponto de partida React e eu te pergunto o seguinte: como que o financiamento de um filme milionário se cruza com o perfil de uma eleitora específica que pode definir essa eleição? Esses dois assuntos são tema de hoje da minha conversa com Pedro Dória, que vai direto falar com a gente de Foz do Iguaçu. Hoje a gente tem um ponto de parte da React remoto, mas mesmo assim Pedro não vai conseguir fugir das perguntas de vocês, não. Vamos nessa. >> E aí, Pedro, tudo bem?
¶2Como você tá? Tudo bem? Passeando. Interior do Paraná hoje. >> Pois é, corrido, né?
¶3Agenda cheia. >> Agenda cheia. Mas é bom que a gente a gente sente o que que outras regiões do Brasil estão pensando, sentindo, agindo. >> Ah, é isso. É verdade.
¶4Eu vou começar aqui com o comentário do Alberto, que eu achei genial no seu último ponto de partida, falando justamente sobre essa essa eleitora, né, descrevendo, deixando a gente conseguir enxergar melhor esse retrato de quem é essa mulher tão importante, tão decisiva para essas eleições. O Alberto falou o seguinte, cara, depois de uma consultoria dessas, eu até cobraria por esses vídeos nas campanhas. Você sente um pouco isso, Pedro? Acho que será que estão te escutando? >> Eh, Yasmin, eu o que acontece nas campanhas eh e na campanha do presidente Lula em particular, a campanha do Flávio, do senador Flávio Bolsonaro, é uma campanha bastante amadura.
¶5eles eh eles trocaram de publicitário diversas vezes e e obviamente não tem eh mudaram de tomanha várias vezes. Mas olha, essencialmente o Flávio Bolsonaro tá fazendo uma campanha dentro de um supermercado. Ele entendeu exatamente, ele entendeu mais cedo que o presidente Lula quem é o eleitor ou no caso a eleitora com quem ele tem que falar. E quais são as coisas que mexem com essa leitura? Eu tenho a impressão que a campanha do PT também entendeu, só entendeu tardiamente.
¶6Essa movimentação toda do presidente Lula em relação às bets nesses últimos dias é um tipo de reação de quem sabe exatamente com quem que tá falando, porque a questão das betes é uma que dói muito para essa leitora, mas eu acho importante que a gente não se esqueça que ele passou o primeiro mês de campanha falando de soberania, de terras raras. Eh, e esse é um tema que passa ao largo desses eleitores. Esse é um tema que atinge um eleitor que o presidente Lula já tem. >> Hum. >> E eu acho que tem um terceiro ponto aí que é importante a gente explorar, que é o seguinte, conforme a eleição vai, isso evidentemente é movimento da eleição, né?
¶7Você vai juntando os eleitores de um lado, os eleitores de outro e a gente vai começando a ver quem fica, quem sobra, qual voto que ainda tem para buscar. E cara, é muito interessante pelo seguinte, o Flávio não tá melhor do que o pai dele tava. O Flávio aparentemente tem os mesmos eleitores que o pai dele tinha. >> Hum. >> Quem perdeu o voto foi o presidente Lula.
¶8Esses 3% de indecisos que não estavam indecisos, essas 3% de indecisos, porque majoritariamente mulheres que não estavam indecisas em 2022, votaram no presidente Lula. Quer dizer, no fim das contas, não me parece que seja um eleitor que o Flávio consegue conquistar. Uma eleitora que o Flávio consegue conquistar. >> É, >> é uma eleitora que abandonou o presidente Lula e abandonou o presidente Lula em essência. Eu acho que a gente vai conversar mais sobre isso, porque o governo a ignorou por 4 anos e e enfim, essa é uma conversa que é uma conversa importante da gente ter.
¶9>> É, eu fico aqui me perguntando, eu acho que é visível que que essa eleitora se sente invisibilizada, mas ao mesmo tempo, por que que será que ela não cola mais em Flávio Bolsonaro? O que que você poderia elencar assim, se você pudesse escolher aí dois, três pontos, por que que ela não cai no papinho, digamos assim, né? Tô falando uma linguagem de flirt, mas digamos assim, por que que ela não consegue acreditar em num voto mais decidido no Flávio Bolsonaro? O que que ele tem que não cola para ela? >> Ah, duas coisas, a pandemia e as armas.
¶10>> Eu acho que não é uma resposta difícil. Eh, pensa nessa mulher. Essa é uma mulher periférica, adulta, tem 25 a 50 anos de idade. Ela tem filhos ainda idade escolar. Ela é extremamente preocupada com os filhos.
¶11Os filhos são centro da vida dela. Ela é uma mulher conservadora. Eh, e ela tem ela [roncando] tem uma relação com o Estado que é o seguinte, ela precisa do Estado de um ponto de vista muito prático. O estado oferece saúde, o estado oferece eh segurança, o estado oferece educação pros filhos. Então, saúde na pandemia foi um desastre.
¶12o presidente Jair Bolsonaro, o então presidente Jair Bolsonaro, eh, ele fez de tudo para deixar para muito claro para ela que uma presidência Bolsonaro não ajuda, entendeu? E pode atrapalhar num momento de crise em que ela precisa muito do sistema de saúde, que ela precisa muito do sistema de educação, entendeu? porque vai precisar de tablet, vai precisar disso, vai precisar daquilo pros filhos poderem estudar dentro de casa, vai precisar de vacina para para ela poder sair e voltar a ganhar algum tipo de dinheiro. Eh, aquilo foi um desastre de imagem, um desastre de imagem perante essas mulheres pro nome Bolsonaro. Isso contamina o filho, isso contamina o Flávio.
¶13Eh, eh, é claro que sim. E aí tem as armas. Ela tem muita clareza de que a arma vira eh se vira contra ela dentro de casa porque um marido, um companheiro bêbado que chega, se tem uma arma numa situação de violência, pode terminar num feminicídio. E ela sabe que essa arma vai pra mão de bandido e ameaça os filhos na rua. Então essa mulher é contra arma e essa mulher precisa muito de serviço público.
¶14Ela não vota em Bolsonaro. Agora, ela também sente que a esquerda não gosta dela. E ela tem razão, tá? Eh, a esquerda não gosta de pobre de direita. A a a a esquerda passou os últimos 4 anos dizendo isso, eh não entendendo por completo a não se esforçando para entender de forma alguma quem é essa pessoa, quem é essa mulher.
¶15Eh, quando são evangélicas, a gente tá falando de um público é muito é que é mais católico do que evangélico, tá? >> Hum. eh essas indecisas, mas parte delas são evangélicas, eh, e elas são conservadoras. O para essas mulheres, quando elas são religiosas, o discurso contra Israel é muito ruim. >> Eu sei que na cabeça dos das pessoas de esquerda, você faz um raciocínio de não, mas um genocídio, mais isso e aquilo, é só na cabeça de gente de esquerda.
¶16>> Sim. Cola-se muito ao governo de Benamin Netaniarro, né? É, é, é. Não, mas é, é, aí é que tá. O que a esquerda faz é transformar o governo Benjamin Netaniarro no país Israel.
¶17>> Hum. >> Entendeu? como se os Estados Unidos fossem Donald Trump, como se o Brasil fosse Jair Bolsonaro, como se os países não fossem mais complexos do que isso. E como esses países, essas democracias em crise, como é o caso do Brasil, como é o caso de Israel, como é o caso eh dos Estados Unidos, não tivessem dividido a um meio eleitoralmente. Então, é exatamente a mesma coisa.
¶18E só que Israel, para uma mulher católica, eh, eh, e principalmente uma mulher evangélica no conservadora, e, e Israel tem um sentido bíblico também, entendeu? Eh, os judeus estarem no comando de Israel é um retorno a um equilíbrio bíblico. Eu sei que para uma pessoa de esquerda isso é uma coisa absurdo, isso e aquilo. Eh, eh, e, e algumas pessoas de esquerda acham, inclusive, que os judeus não deveriam estar na sua terra. Eles não percebem o quanto que isso é algo.
¶19Aí eu tô falando explicitamente eleitoralmente. Do ponto de vista eleitoral, isso afasta o voto conservador. Isso quer dizer, ah, tudo bem, este grupo político não representa os meus valores. Então, isso é um problema pro presidente Lula. Isso pode custar a eleição do presidente Lula.
¶20[suspirando] Eh, e e aí você também tem a questão de de não compreender o espírito da classe C, que que é uma nova burguesia. Eles querem ganhar a vida, eles não querem o emprego CLT. Veja, a coisa da escala 6 por1 é popular para esse pessoal, entende? Porque eles percebem como justiça. Mas quando você tenta pegar a a turma de aplicativo e botar na CLT, eles não querem isso.
¶21Eles não querem ser aprisionados por um monte de regra trabalhista. Eles querem liberdade de poder trabalhar quando querem, como querem. Sim, eles trabalham para e eles gostariam que a vida fosse um pouco mais fácil. Mas você tem que pensar essa regulação de desse novo trabalho, eh, fora da caixinha da CLT. >> Uhum.
¶22>> Fora das limitações que a CLT traz pro empregador e pro empregado. Eh, é claro, essas limitações são o que formam a CLT, são o que permitem a CLT. Como é que você faz uma coisa sem esse tipo de limitação, sem hora para entrar, sem hora para sair, sem uma série de compromissos? Eh, eu não sei se é claro como fazer, não, tá? Isso é um problema do século XX.
¶23Mas o problema é que o governo entendeu, começou a entender muito tarde quem são essas pessoas. Tá das blusinhas foi um desastre. Você vai em duas coisas simultaneamente. Você vai nos símbolos de status que as pessoas têm, porque a maneira delas se sentirem como pertencentes à classe média é por coisas que você compra. É por um óculos escuro, bacana, é por um celular bacana, é é por uma blusinha bacana, entendeu?
¶24Um tênis, uma coisa assim. Esse esse jogo de você poder comprar numa loja chinesa e trazer pro Brasil muito mais barato do que você encontra no Brasil é parte muito fundamental da vida dessas mulheres. Outra coisa que a parte muito fundamental da vida dessas mulheres, cara, é você revender. É você comprar na China e revender num negócio via WhatsApp, num negócio via Mercado Livre, num mercado, esses esses marketplaces todos, né? Eh, isso é uma fonte de renda importante, uma fonte de renda secundária, às vezes importante para para muitas dessas mulheres.
¶25E e o governo não entendeu nada disso. Ele viu como uma maneira de é aquela coisa, né? Uma um jeito de pensar o Brasil. Ah, precisamos fazer muitos gastos públicos, principalmente na indústria. A gente precisa dar eh a gente precisa dar uma colher de chá paraa indústria automobilística.
¶26a gente precisa dar uma colher de chá pra indústria de linha branca, porque se a gente dá eh diminui imposto para elas, aí elas vendem mais, elas empregam mais. Emprego de quê? De operário. >> Hum. >> Não é como a classe quer, não é o que a classe quer.
¶27Aí você gera esses empregos de operário, mas as custas de quê? de endividar a classe média que já tava endividada, porque, opa, não, deixa eu comprar uma geladeira, deixa eu comprar um carro em não sei quantas vezes, em 10 vezes, 50 vezes. Isso é um problema. Isso é um problema para as pessoas, porque elas se endividam mais. Aí o governo gera um crescimento no PIB, é um crescimento aparente porque é as custas do endividamento da classe média.
¶28E ao mesmo tempo, como é que você precisa, como é que você repõe essa arrecadação? Opa, vou cobrar uma taxa de tudo que tá entrando no Brasil. Vocês viram a quantidade de dinheiro que tá entrando no Brasil eh via China, produto via China? Vamos botar um impostozinho ali, atinge no coração da classe C. Quer dizer, você pensa na economia como anos 70, você quer gerar emprego para classe C, que é o emprego CLT na indústria.
¶29E o que a classe C quer e busca é um emprego na área de serviços com muito mais autonomia. É, é, é um estilo de vida novo, é um novo tipo de pobre. Aí essas pessoas reclamam e a esquerda se vira e fala: "Pobre de direita". Então, quando a gente olha pros números e percebe, opa, nessa altura do campeonato tem um número maior de indecisos, quem são esses do que tinha em 2022? Quem são esses indecisos?
¶30Eh, o que que eles querem? Porque em 2022, o que que essas pessoas estavam pensando? O que essas pessoas estavam pensando em 2022 é: Lula tinha ficado lá atrás em 2010, Dilma tinha criado uma crise econômica, mas Lula não é Dilma. Lula tinha eh melhorado muito a economia, foi um momento de bom de commodity e tudo mais e de juro baixo eh nos bancos centrais do exterior. Eh o o Lula era uma memória de sucesso, enquanto que a memória muito recente do Bolsonaro era uma memória de tragédia para essas pessoas, de horror para essas pessoas, pandemia e armamento.
¶31Então, experimentaram o que que são agora 3 anos e meio de governo Lula e olharam e falaram: "Esse cara não é o nosso presidente. >> Esse cara é presidente para outras pessoas que estão pensando outras coisas para aquilo que a gente quer, não é ele. Eh, eh, então, [limpando a garganta] então agora eles estão correndo atrás e, e é muito impressionante como eles demoraram tanto para entender, entendeu? Veja, essa diferença é mais entre católicas do que evangélicos. Os evangélicos perderam.
¶32O voto evangélico que veio pro Lula em 2022 foi embora. Foi embora como? Falando mal de Israel. É, é falando que que crente é manipulado por pastor, com Janja cantando gospel e eh que as pessoas sabem que é fake, que não é verdade, que ela não tá sentindo, entendeu? Eh, e veja, e não tem nenhum problema.
¶33Eu não sou, eu não, eu não cantaria gospel. É, é quase que, por assim dizer, como, como alguém identitário de esquerda diria, é uma apropriação cultural, entende? Eh, você tá fazendo, você as pessoas percebem que, ó, eles estão querendo o meu voto. >> Sim, que é uma instrumentalização daquela fé de alguma maneira. >> É claro, é claro, é claro.
¶34Entendeu? Eu não, eu acho esse negócio de apropriação cultural em geral uma bobagem, tá? Eh, eu só usei como brincadeira mesmo. As pessoas percebem que aquilo não é sincero. >> É diferente de quando a Michele Bolsonaro Nicolas Ferreira fala: "É sincero, eles eles foram criados dentro de igrejas protestantes evangélicas.
¶35Ali é sincero porque eles falam aquela língua desde pequenos e entende? Eh, e não tem problema. O, a esquerda poderia ter pastores do seu lado, porque existem pastores crentes agora, pastores de esquerda, entende? >> Mas aí os que eles conseguem levantar são aqueles que são super socialistas. Muito >> você precisa de uma turma muito de nicho.
¶36Aí esses não conversam com a massa >> que é conservador. >> Pedro, deixa eu aproveitar para trazer a pergunta da Deline Marson. Ela diz assim: "Pedro, eu gosto muito de lhe ouvir e por isso eu sigo o meio. Eu tenho medo de uma possível vitória do Flávio e por isso eu preciso lhe dizer que ouvi-lo falar que quem se sentar na sala dessas mulheres, dessas eleitoras, leva essa eleição, me fez temer a possibilidade da campanha do Flávio ouvir isso e decidir bater a porta delas. Eu sou mulher, sou mãe e hoje eu sou uma profissional liberal, mas por muitos anos eu fui CLT.
¶37Eu vou votar no Lula, não por identificação com o PT, mas por estar certa que nesse momento é a nossa melhor escolha e por muitos motivos. E se possível for, eu gostaria de saber. E você, você tem medo do quê, Pedro? >> Eu tenho medo do derretimento institucional do Brasil. Eh, eu eu acho que eu acho que dos candidatos postos, o Flávio é o pior candidato em grande parte, porque ele faz parte do esquema do master, não é só por ele ser filho de um de um de um pai que tentou um golpe militar.
¶38Eh, até porque se eu tiver correto, na maneira como eu tô entendendo, o Flávio vai governar nas mãos do centrão. É diferente. É corrupção, [limpando a garganta] é uma nova alerge, >> eh, uma nova Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, é levar pro Brasil a crise do Rio de Janeiro. Eh, é um governo muito ruim, muito ruim. para dizer que a gente vai estar na mão de Davi Columb, >> eh, também do central todo.
¶39>> Eh, Artur Lira, Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira e tá todo mundo eh eh enterrado até a cabeça. No caso do MK Master, eles vão servir uma pizza. E se e se eles cons se eles não conseguirem servir uma pizza, vai ser porque a sociedade brasileira foi pra rua. Hum. >> Eh, se eles conseguirem servir uma pizza, vai reforçar na cabeça dos brasileiros a ideia de que a democracia não funciona, ela não é capaz de eh tratar os crimes de quem tem poder.
¶40E ela manda também um recado em Brasília de que você pode continuar. Isso desemboca no Brasil, na história do Brasil. esse apodrecimento do regime desemboca na história do Brasil eh num golpe militar. Então, eu não acho que isso vai acontecer imediatamente, mas eu acho que isso cria na direção de 2030, 2031, 32, a as condições pra gente ter um um chega, esse negócio de democracia não funciona. Eh, e eu tenho muito medo disso, muito medo disso.
¶41Eh, agora eu também tenho eh o o meu trabalho, a maneira como eu compreendo o meu trabalho é explicar paraas pessoas o que que tá acontecendo, é ajudar as pessoas a entender o que que tá acontecendo, entendeu? Como é que você lê uma pesquisa, como é que como é que você lê o discurso de candidato, como é que você lê a maneira como a sociedade reage esses discursos? O o meu trabalho é levar informação pro eleitor. Eh, para quê? Para que ele possa fazer suas escolhas eleitorais, entendeu?
¶42Eh, eu acho que o governo Lula foi um governo medíocre. Eu não não posso não dizer que eu acho isso, entendeu? E e em grande parte por não entender o século XX, em grande parte por não entender o mundo em que a gente tá. Então, meu ponto essencial é o seguinte: eu acredito em democracia. Eu sou um liberal democrata.
¶43Eh, eh, esse regime é o regime da minha ideologia. Eh, eu acredito muito neste regime e o lugar do jornalista nesse regime não é o mesmo lugar do político. >> Hum. É claro que ele tem um papel político nesse jogo, mas não é o mesmo papel do político. O papel é dar informação pro eleitor que ajude ele a votar >> essencialmente.
¶44Então eu não posso ficar pensando quando quando eu faço uma leitura, eu não posso ficar pensando, ah, eu vou ajudar o lado A ou lado B, entendeu? Eu tenho que fazer da forma mais honesta possível o a análise que do que eu tô vendo. Por quê? Porque eu passei a vida estudando esse negócio, como é que funciona. Eh, eu passo a vida acompanhando esses fatos.
¶45A maior parte das pessoas passa a vida fazendo outras coisas. Eh, e, portanto, não podem dedicar o tempo e a atenção que eu posso, por esse ser o meu trabalho, a a a decodificar os acontecimentos. Então, o meu trabalho não é feito pros candidatos, o meu trabalho é feito pro nosso público, é, é, é, é pra cidadania, é, é para isso. Eh, eu não posso pensar se eu ajudo uma campanha A ou uma campanha B. Nesse momento, tanto a campanha do Lula quanto a campanha do Caiado tão usando imagens minhas no meio, nas suas peças de propaganda.
¶46Eu acho que tá tudo bem, entendeu? Eles fizeram escolhas, acharam que ajuda eh nas suas campanhas a análise que eu tava fazendo num determinado momento, a leitura que eu tava fazendo determinado momento. E eles estão usando eh em trocas peças que eu já vi. Tá tudo certo, entende? Eu sei que campanhas vão usar.
¶47E o ponto é, não é para elas que eu tô fazendo, é para que as pessoas possam é para ajudar as pessoas a pensarem como elas votam. Dito isso, assinem o meio para facilitar a vida de vocês, que ao invés de você ter que ficar zapeando em 300 jornais, 300 fontes de informação, se perguntando se é confiável ou não, você encontra tudo num só lugar por R$ 15. Olha só que maravilha. Deixa eu aproveitar agora que eu já fiz esse jabazinho para trazer uma dobradinha de perguntas. Agora entrando já no caso do Dark Horse, né?
¶48O Eric Nag, ele diz que muito provavelmente existe uma troca de favores aí e obviamente não é um investimento de Daniel Vorcaro, mas enquanto não houver provas é tudo especulação. Infelizmente é assim, não adianta ficar chorando, Pedro, espera que a verdade vai aparecer. E o seu xá, o Pedro da Silva, diz assim: "A pergunta não é quanto custou o filme e nem de onde veio o dinheiro, e sim qual a contrapartida que vai ser dada ao Vorcaro caso o Flávio Bolsonaro seja eleito?" Você acha que essa é a pergunta, Pedro? >> É, vamos lá. O o objetivo daquele eh daquele vídeo, daquele ponto de partida, é o seguinte.
¶49Eu percebi que eh tinha colado para algumas pessoas a ideia de que o Daniel Vorcaro tinha feito investimento no filme. Eu só de novo, [limpando a garganta] é aquela coisa, organizar a informação paraas pessoas que elas estão vendo informações soltas, né? Ah, ganhou tanto, ah, o filme custa tanto, ah, produtora isso, ah, o dinheiro foi para bem, vamos organizar todas as informações num lugar só, ó. Essa história de investimento não fica de pé. Isso aqui não é o investimento.
¶50O o o que o o [roncando] que o ponto de partida de segunda-feira explica essencialmente é uma coisa só. Isso aqui não é um investimento, porque como investimento não fica de pé. O cenário pessimista é que o filme seja equivalente ao filme que mais vendeu na história do cinema brasileiro. Quer dizer, a maneira dos três cenários que eles apresentaram do Dark Horse pro investimento ficar de pé, eh, ele precisaria vender tanto quanto o maior filme brasileiro. Aí quando você olha aquilo, você vê que ainda assim o investimento não volta.
¶51Isso era o cenário pessimista deles. Como investimento não faz sentido. Ele, o Vcara tava investindo em outra coisa ali. Aí o eleitor tem que fazer fazer uso da imaginação dele. O que que você tá comprando quando você dá um monte de dinheiro para um senador da República que pode vir a seu próximo presidente?
¶52>> Eu acho que você tá sendo injusto porque você não tá considerando a excelente qualidade daquela peruca. de R$ 10.000. >> É, Pedro puxado. Olha, eu acho que eu vou te liberar. Tudo certo?
¶53>> Sim, senhora. >> A gente se encontra >> semana que vem. Semana que vem é a última, hein? >> É, presencialmente a última não, ainda tem, >> ainda temos muitos outros pontos de partida React, mas vai ser o derradeiro antes do primeiro turno. >> Do primeiro turno.
¶54É, >> é isso. >> É. coração acelerado, né, Pedro? Boa viagem aí para você, bom retorno pro Rio quando você vier e até a semana que vem presencialmente >> até 1989. Desde então, nunca uma eleição presidencial despertou tão pouco interesse no brasileiro quanto essa também, né?
¶55Segundo nossa pesquisa, meia ideia, 42% dos brasileiros vem os grupos de Lula e Flávio Bolsonaro como igualmente corruptos. quase metade do país. O resultado é cansaço, desesperança e muita gente simplesmente deixando de prestar atenção. Mas a gente está remando contra corrente. O meio acompanha pesquisas, entrevista especialistas, debate pontos de vista e mantém ativa uma produção que inclui newsletters, programas ao vivo, podcasts, documentários e análises para tentar entender [música] o país que vai sair dessa eleição.
¶56Olha, sem escolher candidato por você, tá? Sem transformar jornalismo em torcida. Mas um jornalismo que se recusa a entrar na torcida também precisa de quem acredite nele. Assine o meio premium. São R$ 15 por mês para apoiar o meio a continuar fazendo esse trabalho todos os dias.