¶1Começa agora o BTC. Teologia é nosso esporte. Muito bem, muito bem, muito bem. Começa mais um BTC de número 666, 666. E é óbvio que esse tema, né?
¶2Enfim, eu sou Rodrigo Bibo e Alcino, tu que é um profundo conhecedor da gematria e da numerologia cabalística bíblica, tu sabe o que significa o número 3? >> É meio besta. >> Ah, que sem graça minha abertura. Tô tão na cara, né? Bei [risadas] >> eu sou Alcino Júnior e na minha adolescência eu dava aula de EBD de manhã e de tarde eu ouvia Iron Maiden.
¶3>> Nossa, mano, é um cara subversivo, né? O cara sempre sub >> quase, quase a minha entrada. Quase a minha entrada. >> Tu não vai vir com raio rei to essas coisas todas aí, né? Que >> não.
¶4Isso é de si viu você. Foi maior. Para mim é tudo rock do capeta, essas coisas dos demônios e tal, porque o ma chegava, o ma curte, né, esses esse essas bandas aí também e já usava como trilha sonora do Betcast no tempo que a gente podia botar música. A gente podia botar música no Betcast. >> Hoje caberia, hein?
¶5Se esse pod se esse podcast fosse patrocinado pelo Iron Maiden, caber >> tinha que abrir com The Number of the Beach. Não tem. >> Exato. É do Iron Maid. Essa é verdade.
¶6É >> e muito crente essa música, tá? Porque ele quer chamar a polícia por conta do ritual satanista. Não é um elogio. >> Exatamente. >> Vamos lá.
¶7E eu sou Leonardo Cruz e homenagem a minha camisa mate a besta. >> Olha aí, ó. Damon Hunter. Tá certo. Tá certo.
¶8[risadas] Gente, estamos aqui com frente dessa vez. >> Olha aí. Aqui, ó. Léo Cruz e Alcino Júnior para falar sobre a o número da besta, o 666. Esse número que está lá em Apocalipse, que causa muitas interpretações.
¶9Nós tivemos aqui há tempos atrás um BTC sobre a os números na Bíblia com André Hein e Víor Fontana, que infelizmente não puderam estar aqui com a gente neste episódio, mas mas é óbvio, né, que com o BTC 666 o tema tinha que ser a marca da besta, OK? Mas é bom que ouvindo este BTC você não vai pagar de besta por aí falando as neiras sobre a numerologia em apocalipse, especificamente ali o 666. Mas antes, é claro, os recados paroquiais. E nos recados paroquiais dessa semana, galera, vocês sabem que eu lancei aqui o Igreja Sob Medida com o Luís, esse livro aqui que fala sobre seis medidas que podem ajudar você a escolher uma boa igreja ou edificar uma igreja à medida do evangelho. Uma coisa que nós pensamos eh quando nós lançamos o livro, ah, o que nós vamos mandar para os influencers e tal.
¶10A gente pensou assim, às vezes a gente pensa, né, noss brindes para mandar pros influencers e tal, que são pessoas que nos ajudam a vender o nosso livro, a espalhar o conteúdo e por aí vai. tínhamos uma ideia de um puxa assunto. O Luiz, ele tem lá na casa dele que ele usava umas dinâmicas familiares e tal, ele me mostrou, eu não conhecia essa parada. Então nós pensamos, mano, não vamos fazer para os influencers, vamos fazer um push assunto para que todo mundo que ler o livro ou todo mundo que frequenta uma célula, um grupo pequeno, tá um churrasco com os amigos, essa galera crente que se reúne, quer ter conversas e mais profundas, conhecer melhor o outro, a fé do outro e a igreja do outro. Que que nós fizemos?
¶11Criamos o conversa sobre medida. Olha só, galera, essa caixinha aqui, ela contém 75 perguntas que vão te ajudar a fazer o quê? Fortalecer a comunhão, discernir, cuidar. A gente fala muito sobre escuta ativa, né, aqui no nosso livro ali sobre a comunhão. Então, o legal do conversa sobre medida é que ele vai ajudar vocês do grupo pequeno, o encontro de amigos, churrascos da família, enfim, uma galera que quer conversar sobre a sua fé, sobre a sua igreja, sobre a vida com Deus.
¶12Então, são 75 perguntas. Como é que funciona? Não tem regra, não é jogo do Uno, tá? Então, ou seja, até porque na regra do Uno, ninguém respeita a regra, não pode mais quatro em cima de mais quatro. Vocês sabiam, né?
¶13O que acontece? Você pega aqui a, você abre a cartinha, a caixinha e vai ter aqui as perguntas. Entrega a caixinha para alguém, a pessoa pega, puxa e vai ler a pergunta. Por exemplo, como podemos honrar nossos líderes sem transformá-los em celebridades ou figuras intocáveis? Não tem resposta errada, não tem resposta certa.
¶14Tem aquilo que o coração tá sentindo, aquilo que a pessoa percebe do seu ambiente. Muito legal, tá? Já já fizemos inclusive um teste, põe na tela aí, Rafa, por gentileza. A gente fez um teste num seminário que nós fizemos em Curitiba e entregamos as caixinhas ali paraas mesas. Mano, a galera não queria mais parar a dinâmica porque é muito legal.
¶15Até pessoas que você caminha perto, você acha que conhece, mas quando você começa ali na dinâmica, a pessoa vai abrindo o coração, falando outras coisas. Então, tá disponível agora. Tá bom? Nós temos uma parceria com a plenitude distribuidora. E como é que funciona?
¶16Você tem o livro e o kit, ou seja, você tem o kit, né, que tem o livro e o conversa sobre medida. Bibo, uma pergunta. Eu preciso ter lido o livro para poder jogar aqui o joguinho, para poder usar o puxa assunto? Obviamente que não. Ele funciona sozinho.
¶17Não tem perguntas teológicas difíceis e tal. Tem perguntas que elas fazem a pessoa pensar e tal, mas geralmente não exige da pessoa conhecimento bíblico, teológico. Agora, obviamente que quem lê o livro, por exemplo, você que é o líder aí dessa célula, desse grupo pequeno, se você lê o livro, você consegue dar talvez uma assistência mais bíblica para se a pessoa que for responder aqui e ficar com alguma situação, enfim, o livro com certeza ajuda, mas não é obrigatório. Então, nós temos o kit, onde você tem o livro e o jogo, ou melhor, né, o push assunto, ou você pode comprar só o push assunto. E eu particularmente fiquei de cara com o preço que a Plenitude fez, porque, mano, tá muito, tá um preço muito bom, tá?
¶18Então sim, se você tem células, pequenos grupos, grupos pequenos, grupos de discipulado, seja lá como é que você chama, o encontro que vocês têm semanalmente aí na casa de alguém da igreja, ou você que frequentemente está em churrascos, em encontro com os amigos, ou a sua família também é uma família cristã de igrejas, igrejas diferentes, com certeza o puxa assunto vai ajudar muito nessa dinâmica de ter conversas edificantes, conhecer melhor um ao outro e por aí vai, tá bom, gente? Galera, então deem uma força, eu acredito muito no potencial dessa caixinha aqui de proporcionar conversas realmente edificantes, tá bom? Os links são dois, né? Um só paraa caixinha, outro para o kit. Estão aqui na descrição deste BTC, tá bom?
¶19Simbora para esse papo aí que ele tá, ó. Não seja besta, compre o Converso sobre Medina. Vamos lá, gente. Vamos direto ao ponto aqui. É o 666.
¶20E eu, como alguém que eh já ouvi muito da escatologia eh dispensacionalista, por assim dizer, ah, no movimento pentecostal, já ouvi algumas coisas sobre o 666 e como já foi o código de barra, alguma coisa do cartão de crédito. E a primeira coisa que eu pergunto para vocês, talvez até mais direcionado ao Mas é claro que o Léo pode responder também, né, e dar o pitaco dele, >> ah, a nós fazermos essa aplicação, né, o 666, ele como sendo a marca da besta e alguma associação com algo dos dias de hoje. É algo que o livro de Apocalipse permite, eh, é, é, é, é teologicamente saudável ou é teologicamente possível eh fazermos alguma correlação do 666 ah com algo dos tempos de hoje, como por exemplo, as três as três barrinhas ali do código de barras ou www, que é a marca da besta, né, o www. Enfim, pessoal faz um monte de conta, faz um monte de curvas e tal, saltos, malabarismos, né? como eu ouvia no meu tempo de seminário, esse salto triplo mortal hermenêutico para encaixar alguma coisa aqui.
¶21E aí eu vou ler o texto, né, para vocês começarem a responder, que tá lá em Apocalipse 13, né, tem como epígrafe a besta que saiu do mar e tal. O o livro fala da dessa besta que não sei o que, não sei o que lá e tal, t tal t tal. Tem a besta que sai do mar, tem a besta que sai da terra e termina esse capítulo dizendo, tá? Eh, aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta, pois é número de homem.
¶22E esse número é 666. E aí termina a minha longa pergunta dizendo, o próprio texto bíblico está dizendo: "Ei, calcule aí você". Então isso parece ser um convite para que nós calculemos e tentemos achar um correspondente no nosso tempo. >> Perfeito. Veja bem, o problema da gente pegar o 666 e tentar >> podia começar com Veja só, né?
¶23Ô Alcino podia começar, já que tu é o desse tempo, podia [risadas] começar com Veja só, vejam só, né? Porque tu é do tempo em que o Vejam só sobrevivia por causa do calvinismo e arminiianismo. A gente é esse tempo aí, né? O Vejam só, teria acabado, não sei se já acabou esse Vejam só. Não sei se existem ainda.
¶24Acho que ainda não >> é, mas enfim. Mas ele hoje em dia quase ninguém fala dele, né? Pelo menos a minha bolha. >> O César Cavalcante tomou o lugar dele. >> É verdade.
¶25É, é verdade. Mas assim, antigamente ele sobrevivia com calvinistas e armenianos, né? Né? Se se debatendo amorosamente, né? Mas enfim, desculpa te cortar o C e o pessoal odeia quando eu faço isso, mas gente, foi mal, eu sou assim, foi mal.
¶26Vai lá, vejam só. Continua Alcino. >> Então, vejam só. O problema da gente pegar o 666 e tirá-lo do texto de Apocalipse transportando direto pros dias de hoje, é que quando a gente faz isso, a gente ignora justamente o contexto do livro de Apocalipse e da literatura apocalíptica. Me parece, na minha interpretação de Apocalipse que de fato o 666 faz algum sentido eh no aspecto futuro, mas a gente não pode transportá-lo diretamente pro futuro ignorando o que ele queria dizer pros seus leitores imediatos.
¶27Quando João faz referência a esse número, ele tá querendo dizer alguma coisa para os seus leitores. E antes de eu fazer uma interpretação futurista, eu preciso primeiro tentar entender o que é que João estava tentando comunicar aos leitores do primeiro século para que a partir daí então eu possa trabalhar essa questão sobre o ponto de vista futuro. E aí, qual é o problema que muitas pessoas, qual é o erro que muitas pessoas cometem? Elas pegam o 666, acham que 666 significa literalmente 666 e tentam enquadrar em qualquer coisa da nossa realidade que remeta o número seis repetido três vezes. Só que não é disso que João tá falando.
¶28Inclusive, se fosse disso que ele tá falando, ele não mandaria você calcular. Porque se ele manda você calcular, é porque aquele número é um código, é uma codificação que precisa ser descodificada para que você entenda o que ele significa. Então assim, se se eu for resumir o que eu tô dizendo, a primeira coisa que você tem que saber é que 666 não significa literalmente 666. Isso já é meio caminho andado para você [risadas] entender o que significa o 666. Boa, boa, boa, cara.
¶29Então, é por isso que eu tenho eh eu ainda não me decidi, né, em termos de interpretação de apocalipse, eu ainda não me decidi, tenho uma preferência, né, por essa questão mais a uma leitura mais histórica, né, do do do apocalipse e tal, como é que é o nome dessa interpretação? não é idealista, [limpando a garganta] é um preterismo. É, eu curto muito o preterismo e tal, ou seja, que muita coisa no apocalipse já se cumpriu no seu tempo e tal, enfim, ali no primeiro século, enfim, gosto bastante justamente porque essa ideia a gente é claro que tem coisa que não se cumpriu ainda, né? Jesus não voltou, eu e eu creio na volta de Jesus, tá? Só para deixar bem claro e tal, mas é porque essa leitura futurista muitas vezes que não tem também aplicação ou uma interpretação possível para o nosso tempo é justamente onde o pessoal acaba se perdendo.
¶30Porque assim, por exemplo, Alino, como é que tu vai dizer então pro Cleiton que não, o 666 ele pode ser sim o o www? Porque é é isso aqui, ó. Porque é a internet que tá tornando, é que tá manifestando aí o anticristo e tá apagando e apagando a nossa memória, não, né? Mas enfim, tá ludibriando a galera, >> enganando e tal. >> Ó, e tem anticristo na internet mesmo, hein, rapaziada.
¶31Mas assim, não é desse jeito. Espírito, é, o espírito do anticristo já está entre nós, já tava lá no tempo de João e com certeza está na internet também, né? Mas como é que tu como é que tu bloqueia então alcino, esse tipo de porque assim você admite dentro da sua interpretação que há um significado ou uma possível interpretação para o nosso tempo hoje, né? Mas então por que que o Cleayon, que diz que o o wwweram ao longo da história é o 666, tá errado? se há uma possibilidade de nós fazermos isso hoje.
¶32>> A chave para você entender isso tá justamente no que eu falei do contexto imediato de João. E aí a gente precisa lembrar de uma prática que era muito comum naquela época e que vocês até chegaram a mencionar no episódio sobre os números da Bíblia, que é a gematria. O que que é a gematria? Naquela época eles tinham o hábito de atribuir valores às letras. Então, cada letra do alfabeto representava um número.
¶33As primeiras nove letras iam de um a nove. As nove letras seguintes eram representando as dezenas, né? 10, 20, 30. E as outras as centenas, 100, 200, 300 e por aí vai. Então, cada letra representava um número.
¶34Quando João fala que o número 666 deve ser calculado, ele tá fazendo uma referência direta a essa prática, porque o número 666 era a soma das letras de um número. É, era a soma das letras que formavam um nome. Então, por que que 666, só para ficar no exemplo que você deu, não pode ser www? Porque o Vav representa, era representado pelo número seis, mas o 60 era outra letra e o 600 era outra letra. 666 no nas línguas originais da Bíblia, no grego, não é três vezes o número seis, é o é a letra do número seis, a letra do número 60 e a letra do número 600.
¶35Não pode ser três vezes a mesma letra. >> Ou seja, a galera que diz que é o wwwra nesse princípio básico da gematria. >> Já nesse princípio. Exatamente. >> E Alcino, essa interpretação nossa de que deve ser literalmente os números.
¶36E aí, atenção na palavra números. 6 6 se. Ela só faz sentido porque a gente vive séculos depois da da cultura hebraica, a gente tem um negócio chamado números indoarábicos que separam a a o signo que a gente usa para calcular as coisas das letras para não ter confusão. Então assim, você que odiava matemática na escola, imagina fazer isso com número numeral romano que não tinha o número zero. Como é que era para fazer matemática com isso?
¶37Graças a Deus, os árabes adaptaram o número a os números dos hindus e a gente tem esses números que facilitam bastante a nossa comunicação. Mas o fato da gente estar lendo esse texto numa situação histórica em que o signo que a gente usa para falar de dos nomes, as letras, alfabeto, não é o mesmo que a gente usa para falar do cálculo, faz com que a gente caia nessa falácia de entender que João tá falando do número mesmo 666, a ponto de, como você mencionou aí o Vav, eu lembrei dessa dessa anedota que surgiu nos Estados Unidos, tinha uma mulher lá que tava com andava com cartaz dizendo que o energético O Monster era a marca da besta, porque no design da letra M parecia, a cada perninha do M parecia um. Aí ficava 66 se6, logo marca da besta. Não consuma energético monster. >> Não, mas de fato não né, não consumam energético, OK?
¶38Não é uma coisa muito saudável para você, tá? Um unzinho de vez em quando aí porque eu gosto do saborzinho, cara, do Red Bull. O Monster eu não curto muito. É, eu acho muito doce o Monster, mas o Red Bull eu gosto de tomar alguns, só que, mano, isso aí não é muito bom pr você não. Você pode moler um café, entendeu?
¶39Toma um cafezinho aí que tá que tá tudo certo, tá? Mas enfim, nada contra, por favor, será que isso pode dar algum processo, galera? Porque eu não tenho dinheiro para lutar contra a Red Bull e a Monster. >> Eu tô dizendo que não é bom não. O vários nutricionistas aí falam para não tomar, né?
¶40Eu não tô dizendo que, né? Eu só diz: "Ó, gente, é recomendável não tomar, tá bom? Então, não seja besta, ok? Pronto, nesse sentido tá valendo. >> Pronto.
¶41Dá. Pronto. Pronto. Ok. Ok.
¶42Tá. Hum. Continua. >> Só para complementar, quando João diz que o número deve ser calculado, por que que ele tá dizendo isso? Porque esse tipo de enigma numérico brincando com gematria, era muito comum na época.
¶43Por exemplo, nas escavações de Pompeia, eles encontraram uma inscrição na parede dizendo o seguinte: "Eu amo aquela cujo nome é 545". >> Caramba. >> Qual é, qual [risadas] é qual é a ideia por trás disso? >> A ideia é a dona do nome sabe que ele tá falando dela, >> mas as pessoas que estão ao redor não tem como saber. Por quê?
¶44Porque vários nomes podem somados dar 545, assim como 666. 666. Se você pegar vários líderes ao longo da história e fizer os cálculos, o nome vai dar 666. E também a depender do número que eu atribuo a cada letra, eu posso fazer qualquer nome da 666. >> Uhum.
¶45>> Entende? Então, entender isso é fundamental para que você não faça uma leitura do texto jogando tudo pro futuro, sem levar em consideração o universo que João estava inserido quando escreveu aquele texto, que era uma prática super comum essa coisa de usar números para codificar nomes. Por quê? Porque João tá escrevendo para uma igreja que tá sendo perseguida. Então ele precisa também se valer desses códigos para que a mensagem seja entendida por quem já sabe do que que ele tá tratando naquele escrito.
¶46>> Uhum. Muito bom. Chegando aqui agora na sala do BTC, Vittor Fontana, seja muito bem-vindo, meu chegado. Que bom que você conseguiu dar uma passadinha aqui para nos brindar um pouco a sua sabedoria. Tudo bem, Víor?
¶47Você >> tudo tudo tranquilo. Eu só eu só dei uma passada aqui para dizer que o auxílio tá completamente correto no que ele acabou de falar sobre a questão da isopfia e sobre gematria também, exceto por um pequeno detalhe. Você não consegue criar qualquer nome. Qualquer nome é muito exagerão. >> É, não é?
¶48Exagerei. Me empolguei. Me empolguei. >> Muitos nomes, né? Porque, por exemplo, eu me lembro que é, eu me lembro que, por exemplo, pegavam o nome em latim do Luís X na França, que é Ludovicos.
¶49E ele falava assim: "A soma dessas letras do latim dá 66 me6 me6. Olha como esse rei é um rei ilegítimo". Tinha a gente que fazia isso com frases também. Na época da independência dos Estados Unidos, na Revolução Americana, eh tinha os grupos, né? os independentistas, o pessoal das 13 colônias e os regalistas, a galera que queria ficar no império britânico.
¶50E um dos slogans da da galera regalista era supremacia da Inglaterra, alguma coisa nesse sentido, né? Supremacia britânica, porque eu não lembro exatamente a frase, mas eu lembro que algumas pessoas para dizer que esse governo era ilegítimo, a soma das letras da frase dava 666. Então isso é usado como retórica na história, eh, para você criticar algo que você considere legítimo. E a gente comentou algo parecido com o próprio com o próprio título de anticristo, né, na live que a gente fez sobre anticristo, que >> no início simboliza tudo aquilo que é contra o a pessoa de Jesus e o ministério de Jesus. E depois à medida que, por exemplo, a gente vai avançando na reforma protestante e chega nos reformados criticando a postura da Igreja Católica e vem no Papa a figura de alguém que se coloca em oposição ou de maneira contrária àilo que Jesus fala, aquilo que Jesus demonstra, o papa, a instituição do papado, ela é o anticristo, não é a pessoa específica ali.
¶51Eh, então esse título, assim como 666, vira um xingamento teológico, por assim dizer, que vai sendo usado por motivos políticos diversos. Muito bom, muito bom. É, aí o Léo já traz um pouquinho pra gente até de como esse texto, né, vai sendo recebido aí na história e deve ter ainda outros exemplos assim. Mas vamos lá, então, galera. O, então, esse a audiência primitiva ali de João, certo, de quem está recebendo esse inscrito, eh, qual o cálculo que era possível e para quem estava apontando então esses 666.
¶52Aí existem existe discussão, né? A maioria dos dos >> estudiosos tende a dizer que que ele tava se fazendo uma referência a Nero. Só que é aquilo que eu disse, outros nomes também podem se encaixar nessa conta. E o nome de Nero também, a depender de como ele é grafado, ele pode dar 666, ele pode dar 616, depende de como você da grafia que você utiliza, entende? Então, eh, me parece >> e tem a ver também com quando você vai datar também apocalipse, né?
¶53Porque também se você data ele mais >> bem, é, se você data ele mais cedo, por exemplo, ali, né, 60, 70, >> beleza? Mas aí você você data ele mais tarde, final do primeiro século, também poderia ser uma referência Nero também, mas não faria sentido isso também? Não sei. Ficou, >> é, mas aí já tem a ver com a questão do mito do Nero Rede Vivo, que era um mito que havia na época de que Nero poderia eh ressuscitar. >> Mas aí tem uma questão, como eu disse, depende de como você grafa o nome do Nero, porque se você escreve Nero César em grego, por exemplo, vai dar 100, não vai dar 666.
¶54Hum. >> Entende? E aí existe até uma havia até uma brincadeira que eles faziam naquela época com isso, porque 1005 também é a soma da frase e aquele que matou a própria mãe, que foi o que Nero fez. >> Meu Deus, né? [roncando] Então, então veja, é muito difícil a gente dizer exatamente qual é o nome que ele tá falando ali e por isso ele diz que precisa ser calculado.
¶55Mas a a grande maioria, pelo menos até onde eu sei, entende que de fato ele tá falando de Nero. >> Existe um motivo para pro consenso acadêmico ser nero ali, tá? Porque 666 seria uma possível um possível resultado da somatória da somatória de Neron Keer, tá? seria o resultado de uma possível sumatória de Neron Keer. O fato de existir a possibilidade de grafar Nero sem esse nzinho final, Nero Keer e somar isso e dar 616 é um dos principais argumentos que faz com que exista um certo consenso em localizar em Nero essa figura.
¶56Por quê? Porque Neron Keer dá 666. Se você transformar essas letras em hebraico, essas letras gregas em hebraico e em hebraico fizer a gematria. Então hebraico, aramaico, você faz a gematria, grego você faz isopsefia. São duas maneiras de fazer a mesma coisa, né?
¶57Agora a grafia Nero sem o N, o sem esse ni final ou nun em hebraico final, Nerozer, que também é uma grafia possível, dá 616. E nós temos na crítica textual variante textual dando 616. Isso parece indicar, segundo quem defende essa linha, e é mais ou menos a a maioria da academia hoje. Isso parece indicar que lá no segundo século, quando a gente encontra eh segundo, terceiro século, quando a gente encontra já essas variantes textuais e Irineu de Leon também aponta para essa variante textual. Então, se tem muito cedo na história eh do cristianismo essa variante textual aparecendo, aponta para pessoas que já provavelmente associavam essa passagem à figura de Nero a ponto de produzirem uma variante textual com outro número que também apontava para ele.
¶58É mais ou menos essa ideia. Então, eh eh o estado da coisa é por causa disso. Agora, esse consenso acadêmico é algo pelo que os acadêmicos morrem defender. Não é, não é o tipo de consenso acadêmico em que todos os acadêmicos que concordam têm 90% de certeza que é isso. é o tipo de consenso acadêmico em que 90% dos acadêmicos acham que essa é a melhor explicação, muito embora não seja muito sólida.
¶59É diferente uma coisa e outra. Uma coisa é você ter um consenso acadêmico em que mais da metade tem muita convicção de algo. Outro tipo de consenso acadêmico é que quase todos têm pouca convicção de que essa é a melhor. E é mais ou menos nesse sentido que a gente tem a formação de consenso acadêmico hoje em torno da identificação do 66 com Nero. Então, se você pegar qualquer comentário técnico publicado nos últimos 30 anos, aí você vai pegar o Craig Coaster no na série Ancorale, o David na série World Biblical Commentarry, ah, o DKB no New International Greek Testament, que são aquelas séries que estão preocupadas com o idioma original, com a sintaxe, a gramática, etc.
¶60qualquer um desses caras eh vai passar pelo fato de que a academia abraça esse número como associado a Nero. E mais, bíblias de estudo em geral, na nota de rodapé, acabam tendo que lidar com isso, mesmo que eh seja uma Bíblia de estudo que não tenha uma abordagem assim muito exegética ou e às vezes até tem uma abordagem ideológica, teológica, que seria melhor que o 66 fosse outra coisa, mas o cara acaba tendo que passar por isso na nota de rodapé porque é o consenso acadêmico. Então o cara tem que de alguma maneira, se ele tem outra posição, eh dizer o por ele tem, né? Então esse é o tipo de consenso acadêmico que a gente tem nesse caso. Não é um consenso em que a maioria dos acadêmicos têm plena convicção de que é Nero, mas é o tipo de consenso que a esmagadora maioria dos acadêmicos tem alguma convicção de que, por enquanto, essa é a melhor explicação.
¶61E só complementando, só complementando, eh, esse consenso, ele de fato, como o Vittor disse, eles não morrem por ele. Inclusive os próprios comentaristas que defendem isso, eles colocam questões que fazem com que não a questão não possa ser fechada. Porque, por exemplo, como o Víor mencionou, eh, para que o nome de Nero dê 666, você precisa transliterar pro hebraico para poder fazer o cálculo com as letras do hebraico e depois voltar pro pro grego. E aí um dos questionamentos que se levanta é: será que os leitores de João tinham conhecimento suficiente para fazer essa operação? Então, esses detalhes como esse fazem com que, de fato, apesar de haver o consenso, ninguém bate o martelo com 100% de certeza, porque existem problemas aí.
¶62E é por isso que é um enigma. >> E aí, quais são as outras opções viáveis então dentro ainda da realidade do primeiro século? >> Eh, www. >> Essa a gente falou já, Vitor, já falou. [risadas] Não vem com a >> Não vem com a Monster não, que essa também a gente falou, né, do das primeirinhas da Monster.
¶63>> Tem o Pix, tem o código de barra, tem o cartão de crédito. Ô, ô, ô, Vittor, eh, não, assim, não, vamos ficar dentro do primeiro século ainda. Se é um enigma e para que Nero se encaixe, né? Tem essas duas possibilidades e tal, o 666, o 616 e tal, mas ainda assim são uma tem que dar uma esticada aqui e alguma coisa lá. Alguma outra alguma outra teoria, alguma outra coisa que possa fazer algum sentido ou não?
¶64meio que a academia também parou de investigar isso. E >> e eu eu acho relevante falar, já que você mencionou ANPSAN, você e o Alcino mencionaram a ideia de nero red vivo, eh que a teoria do nero red vivo ela ela faz bastante sentido. Então, quando a gente fala Nero, eh, muito provavelmente, se o que tá lá em Neron Kaiser mesmo, João não estava se referindo à figura histórica de Nero, mas a figura ideológica de Nero. Acho que essa é é é acho que isso é uma coisa fundamental de falar, >> porque a ideia do Nero Red Vivo não é propriamente a percepção de que existiria um bebê que iria nascer com o nome de Nero e seria um um novo Deus, uma nova divindade como Nero foi ou algo assim. é a ideia de um novo imperador, >> espírito de Nero, né?
¶65>> Alguma coisa assim, tá? E foi associado, Nero foi associado várias vezes a Domiciano, que é o imperador mais provável do período da redação de Apocalipse, tá? Então, quando a gente fala de apocalipse, a gente tá falando de Domiciano, o último imperador da dinastia flaviana. E [roncando] eu sempre gosto de relembrar que ele é o último imperador da dinastia flaviana, porque a dinastia flaviana acaba, ele é o último, mas o império continua sob outra dinastia. E que que isso mostra pra gente?
¶66que esse período é um período de tensão política dentro do império. Existe disputa pelo trono. E nessa disputa pelo trono, os partidários de Domiciano identificam Domiciano como esse segundo Nero por causa da capacidade de gestão de Domiciano. Ele é quem conclui a via Domiciana, que é a estrada mais importante do império nos 400 anos seguintes. E a primeira metade do governo de Nero é associada com uma capacidade de gestão importante.
¶67Tem muita gente que atribui isso não a Nero, mas a CNEC. Cênca morreu, Nero [risadas] começou a reinar sem conselheiro, virou uma doideira, né? Mas eh em parte isso é atribuído à capacidade de gestão de Domiciano. Então Domiciano tem obras importantes que ele conclui, não necessariamente inicia, mas conclui. E a violência de Domiciano, Domiciano é violento como Nero foi violento.
¶68Então essa associação do Nero Red Vivo com a figura de Domiciano, no sentido ideológico, ela ela ela existe efetivamente, não dentro do livro de Apocalipse, no contexto supostamente dos primeiros ouvintes, porque de novo, se existe um salto linguístico entre o grego e o aramaico e a capacidade dos leitores das sete igrejas da Ásia de fazer esse salto, eles são capazes ou não são, não sabemos. Existe um outro salto aqui que é uma coisa, é a o tratamento cortesão de Domiciano da burocracia de Roma e eh ideologicamente tratando-o como esse segundo Nero. Outra coisa é assumir que isso se transpõe pra popularidade colonial em cidades já mais distantes na Ásia Menor. Então, na Ásia Menor, domiciano seria facilmente identificado como neurorede vivo. Esse esse é esse é um outro desafio.
¶69Então, Nero César, ele pode ser Domiciano, pode. Ã, 666 pode ser Nero César ou Nero Caar? Pode. É, é difícil cravar. Existe outra explicação muito convincente, cara.
¶70Eu eu eu não vejo nenhuma explicação muito convicinente que não seja esse tipo de coisa. >> Uhum. >> Ah, que e de alguma maneira sempre a gente vai precisar associar esse 66 de alguma maneira ao Império Romano. Pode não ser César, mas algo do império está lá, porque é o que tá sendo apresentado nos capítulos 12, 13 e 14. Eh, quando a gente olha os capítulos 12, 13 e 14, o que tá sendo apresentado é o império como caricatura do poder cósmico de Deus.
¶71Então, eh, alguma relação com o império tem que ter. Para não fazer uma leitura muito preterista, eu eu tô fazendo aqui uma leitura que é mais simbólica. Por quê? Aí vem um outro problema. O 666, ele tem que tá ligado com os 42 meses do capítulo.
¶72E aí é uma coisa um pouco difícil de explicar, mas tem hora que a paulada em Roma, tem hora que a paulada na Babilônia. Os 42 meses são uma paulada na Babilônia, tá? Me localiza, localiza a gente nos 42 meses. Onde é que tá isso aí? Do 42.
¶73>> 42 meses que a besta iria governar. Ah, são uns 3 anos e meio, né? Que que para quem é dispensacionalista radical são 3 anos e meio. Uhum. >> Tô brincando, [risadas] né?
¶74Mas o >> gente assim, vocês tem que entender que entre o Vittor e o Alcino tem mais que e a rivalidade não é teológica, ela é futebolística. Tá bom? Então, >> mas a gente tá feliz hoje. >> OK. Exato.
¶75>> É, hoje tá todo mundo em paz. Eu, por enquanto, ainda tô em paz. É a outra pessoa que o me6 me6 referencia, né, que é a Xuxa, diria, né, todo mundo tá feliz. >> OK. Nossa, verdade.
¶76A Xuxa já foi a meia. Verdade. Enfim, mas ela eu cortei o o Víor, mas o comentário dele me traz uma questão que eu acho que é importante nessa discussão sobre o 666, que me parece que a gente gasta muito tempo tentando descobrir a referência a quem o número alude e menos a inserção dele no texto para esse mecanismo imperial que fala da da testa da mão direita e da emulação disso com a prática e a prática dos tefilins e da comparação com capítulo capítulo 14, que o exército do cordeiro tem a marca na testa também. Então, o o principal do 666 é inseri-lo, pelo menos para mim. Aí vocês que são da Bíblia, me ajudem a colocar recheio nesse contorno que eu tô dando.
¶77Eh, para mim o principal do 666 é perceber essa diferença entre quem segue a besta e quem segue o cordeiro nesse contexto imperial e menos sobre identificar um sujeito, um CPF na história que termine 666, entendeu? Você acabou de fazer a síntese do que eu tava tentando explicar em análise. Então, deixa eu analisar a síntese que você acabou de fazer, [risadas] que a história dos 42 meses é exatamente isso que você tá falando, tá? Por que que eu coloquei a história dos 42 meses aqui no meio? Porque quando a gente se refere aos tais 3 anos e meio, que são muito conhecidos, para quem tem uma visão escatológica sobre tribulação e tal, né?
¶78Vem daí, vem desses 42 meses. Aí a referência de 42 meses que tá nesse mesmo contexto, nesse mesmo bojo de Apocalipse 12, 13 e 14, ela é uma referência a Daniel e a Nabuco Don Nozouro. Uai, mas então é Nero ou é Nabuco Donzour? >> É qualquer um que tenha um governo que é que contrasta com o cordeiro. >> E a ideologia é é exatamente isso que o Léo acabou de explicar brilhantemente.
¶79É a ideologia imperial. Só que ideologia imperial aqui de novo aí é outro problema. Não é meramente ideologia imperial romana. É quando a gente pega toda essa crítica Roma feita no capítulo 13 e a gente olha pro capítulo 14 e a gente vê que a crítica ao império tá sendo feita a partir do livro de Daniel, que tipo de crítica antiperial está sendo feita no livro de Daniel, na profecia de Daniel? a todo tipo de império.
¶80Porque quando a gente olha pro que é a besta no capítulo 13, a besta no capítulo 13 é uma besta cósmica. Ela tem um monte de animal junto nela. É uma loucura, é um monstrengão, tá? E o número da besta é o número desse monstrengão aí, cheio de animais juntos, um bicho intransponível, que é inclusive o que os adoreadores da besta vão dizer. Quem pode guerrear contra ela?
¶81Não dá, ela é intransponível e ela tem um número e esse número vai ser marcado na mão, na testa, etc. Quando a gente volta para Daniel, as bestas são bestas enfrentáveis. Então a gente tem animais, que que são bestas? São bestas selvagens. São animais.
¶82São animais que não são domesticáveis, mas são enfrentáveis. Então você na antiguidade enfrenta leopardo, você enfrenta urso, você enfrenta leão. E eh inclusive você pode ser baixinho e enfrentá-los com uma funda, tá? Então, o que que acontece quando você volta os olhos para Daniel? O que que o autor de Apocalipse tá fazendo você enxergar?
¶83Ele tá fazendo você enxergar que a besta do capítulo 13, ela parece intransponível, ela parece invencível, ela e e é exatamente esse o trabalho do falso profeta, né, que é a segunda besta, é fazer parecer que a besta é absolutamente intransponível. Mas quando você olha para as bestas de Daniel, deixa eu te perguntar, império babilônico ele tá eh no período do Império Romano, o Império Babilônico ele existe? Ou ou ele foi derrotado. O império persa, ele existe ou ele foi derrotado? Então, águia tudo, tudo foi derrotado.
¶84Império babilônico, império persa, império leúcida, todos eles caíram. >> Então, o que que você vai começar a enxergar? Cara, não é exatamente o Império Romano o problema aqui. E por consequência, 666 não é exatamente um código a ser decifrado, mas um símbolo que é utilizado por todo tipo de império. Então, todo tipo de império, ele coopta a sua fidelidade.
¶85No ah no reino do cordeiro, a sua fidelidade ela se dá por meio do flactério, por meio do teflim, por meio eh da confissão constante de Deuteronômio, capítulo 6, de Levítico capítulo 19. Então, só para explicar história que o Léo mencionou do filactério do tefilim, mão direita e testa é é onde você coloca a sua devoção ao verdadeiro Deus. Baseada em Deuteronômio, capítulo 6, chema Israel. Escuta, Israel, eu sou Senhor, teu Deus, eu sou um. Os judeus fazem isso até hoje, né?
¶86aquela prática de enrolar uma fita de couro no braço e você tem uma caixinha na mão, no punho e uma outra caixinha aqui na testa. Dentro dessa caixinha você tem um pedacinho de Torá que é precisamente de Deuteronômio, capítulo 6. >> Tem a ver com o lance, que é o que eu penso e o que eu faço, tem por trás, tem essa pedagogia? >> Tem um pouco de pedagogia, sim. >> Uhum.
¶87Legal. No texto de Deuteronômio 6 tem mais a ver com o fato de que você se esquece com com facilidade e você precisa se lembrar de não esquecer. Então você escreve no umbral da porta, você marca na mão, você marca na testa, etc. O número da besta tá aqui e tá aqui. Ou seja, quem que não tá aqui nem aqui?
¶88O cordeiro. Então, como que o império funciona? Primeiro, ele te engana, ele te seduz com a segunda, com a segunda besta. Depois ele faz com que você prometa lealdade. No caso do Império Romano, eh, uma lealdade que envolve compra e venda.
¶89Se você não for leal ao império, você deixa de desfrutar as benéces da Pax Romana. Então, por que que Domiciano é o cara? Porque ele construiu uma estrada. Nossa, cara, construir estrada, cara. Era uma estrada que evitava que os navios tivessem que subir ao longo da bota para atracar perto de Roma e pudessem atracar no sul da Itália, na pontinha da bota, e as mercadorias subiriam então do sul da Itália até Roma por terra.
¶90Isso tem um valor comercial. E tudo em Roma, tudo no Império Romano é medido em cestos. Tá? Tudo tudo no Império Romano é medido em cestércios. Eh, eh, tudo em Império Romano é medido em dracmas, tá?
¶91Então, eh, eh, qual que é o grande lance? [suspirando] A sua prosperidade financeira é o que vai te seduzir a sucumbir ao império, a parecer uma laudiceia, em vez de parecer uma Filadélphia. Você é rico aos seus próprios olhos ou você é rico aos olhos de Deus? >> Alcindo, eh, tu e o Víor tem uma questão também teológica um pouco diferente. Eh, algum contraponto que você colocaria a fala do Víor?
¶92Se bem que eu acho que com tudo o que ele falou você é porque é uma coisa mais histórica e tal, né? Mas algum contraponto, enfim. >> Sim. Não, eu concordo com tudo que ele falou. E aí a questão é que se você tem uma leitura mais futurista eh desse desse texto, tudo que o Víor falou também vai te ajudar a entender, porque a ideia, se ele tá questionando essa ordem imperial, essa mentalidade, esse espírito que está por trás de todos esses impérios que já passaram pela Terra, a ideia é que essa besta que vai surgir, ela também virá nesse mesmo mesmo espírito.
¶93E a marca da besta, como o Víor brilhantemente colocou, não tem a ver com um chipe que é colocado na minha testa, nem na minha mão direita. Ela tem a ver com a ideia de algo que domina a minha mente, portanto, a minha maneira de pensar, a minha maneira de enxergar o mundo e as minhas, a minha mão direita, porque ela domina as minhas obras, ela domina aquilo que eu faço. Então, o espírito do anticristo, esse essa ordem imperial que João tá criticando, ela domina o homem de tal forma que ela domina não apenas a sua maneira de enxergar o mundo, mas também a sua maneira de agir. A partir do momento que a minha maneira de enxergar o mundo e a minha maneira de agir estão dominadas por esse espírito, por essa mentalidade, não há mais lugar pro cordeiro. E aí, por isso que ele tá, me parece que João tem em mente Deuteronômio 8 de fato, Deuteronômio 6 de fato, porque ele tá fazendo um contraponto direto a ideia de guardar a lei na mente e na mão direita.
¶94Então, quando mesmo que você olhe para esse texto e aí volta pro que eu falei no início do episódio, mesmo que você faça uma leitura futurista desse texto, você precisa levar em consideração todo esse background que o Víor apresentou, que o Léo também apresentou, enfim, para que a partir daí então você possa lidar com o texto olhando pro futuro. Você não pode ignorar todo esse pano de fundo e pegar o meia meia e querer jogar ele hoje em dia como se não houvesse todas essas questões para você trabalhar anteriormente, porque senão aí você cai nessas bobagens aí de dizer que é o Pix, que é o código de barras, enfim. >> Tem uma coisa muito importante que eu acho que vocês não mencionaram, que é a questão do braço que fica a marca da besta, né? Por que que o braço direito é importante? Eh, e aí a gente precisa lembrar da daquela constante nas imagens bíblicas da comparação entre o destro e o canhoto, né?
¶95geralmente é destra de aprovação, o canhoto de rejeição. Então, como a maioria das pessoas é destra, ela vai amarrar o tefilinho, filactério no braço esquerdo. A marca da besta fica no braço direito. E aí é uma sinalização de que é difícil fazer essa leitura da sedução do império, ou seja, é difícil resistir a sedução do império porque ele é uma paródia da mensagem do cordeiro. Ela parece muito, mas não é.
¶96Ela tem a testa, tem o braço, mas opa, é o braço direito, não é o esquerdo. Então tem essa imagem também que precisa ficar na nossa cabeça, porque se a gente quiser trazer esse texto para hoje, independente da sua leitura mais preterista, como é a do Fontâia minha ou mais futurista, né, é muito difícil fazer essa e essa interpretação teológica no sentido de pegar elementos da história e dizer isso. que é nitidamente a besta. Porque o 666 tá aqui, porque o próprio texto já sinaliza que se a gente não olhar para esses elementos de eh de paródia que a retórica imperial faz em relação ao evangelho, é muito fácil a gente confundir e se deixar levar pelas nossas preferências aos impérios do momento. E daí que surge inclusive muitas das conspirações sobre o 666, se é a ONU, se é uma organização internacional, se é um novo sistema financeiro e não olhar para como o texto de Apocalipse trabalha esse contraste, porque bem, quais são as ações e as convicções que levam alguém que tem a marca da besta agir como a besta?
¶97Só olhar a comparação entre o capítulo 13 e 14, mas eu gosto de jogar paraa conclusão desse arco aí que é a que era da Babilônia 1819, porque o Fontana falou muito bem, a prosperidade é uma das coisas que leva à sedução ou a prosperidade é uma das coisas que o poder imperial usa para sedução. E que tipo de prosperidade é essa? Diz lá no capítulo 14 que vem riqueza, pedras preciosas de tudo que é canto, mas lá no final diz a custo de vidas e almas humanas, ou seja, é a morte e a escravidão. Uma prosperidade que vem da morte da escravidão, provavelmente a gente está vendo uma o espírito imperial, o espírito da besta se manifestando ali. E qual é o contraste então com quem tem a marca do cordeiro na testa?
¶98A o exército do cordeiro, mesmo sendo um exército, conforme João descreve no capítulo 14, ele mostra que pertence ao cordeiro sendo primícia e sendo sacrifício, entregando a sua vida ao invés de tirando a vida do próximo. Então existe esse contraste de atitude também por e esse são essas são as chaves pra gente perceber onde é que tá a paródia. a gente tá vendo um sistema que entrega a vida, fornece vida, produz vida um sistema que gera riqueza a partir da exploração e da destruição da vida. É aí que tá a chave pra gente ver o que que é o espírito imperial, o que é o espírito do evangelho. Antes da gente, se quiser, comentar aqui essas anedotas que vão levar o 666 a a ser a ONU, se o Chip, enfim.
¶99Eh, e aí vem o grande ponto que no na minha percepção e e acredito na percepção de vocês, isso também é verdadeiro, que na verdade a melhor leitura de Apocalipse ela não é nem futurista, nem só preterista, nem apenas simbólica, nem apenas anti-imperial. Ela é um pouco de tudo isso acontecendo ao mesmo tempo. Então o cara que faz uma leitura preterista e entre presbiterianos isso é mais comum de fato, né? O cara que faz uma leitura amilenista, às vezes ele tem a tendência a ser mais preterista do que ele não pode localizar o capítulo 13 e 14 meramente no império romano, porque o próprio texto não permite. O texto volta até Babilônia.
¶100Então não pode ser só no Império Romano. Se ele tá voltando até Babilônia e tá falando também da Pérsia em alguma medida e tá usando a Babilônia como uma espécie de linguagem para falar a respeito de Roma, não serviria isso para falar também de todo e qualquer império que haja segundo essas mesmas lógicas, segundo essas mesmas ideologias. E no caso de uma interpretação dispensacionalista ou pré-milenista histórica, o intérprete vai entender que haverá ainda um império final que tem essas mesmas características. E essa é a discussão que divide pré-milenistas e eh dispensacionalistas, pós-milenistas e amilenistas. eh se vai ter mais um específico no futuro que eh corresponde a cada uma dessas características.
¶101É aí que talvez haja uma divisão interpretativa entre o que diz o Alcindo e entre aquilo que eu diria. Mas na interpretação específica do capítulo 13, não há porque haver discordância ou não deveria haver motivos para discordância entre um amilenista e um dispensacionalista eh mais eh digamos assim >> progressivo. Mas não, não diria progressivo, diria mais biblista. O Charles, o Charles Ry, por exemplo, não é um progressivo, mas ele já leria isso dessa forma, tá? E eh eu acho que quem a gente vai acabar arrumando encrenca lá atrás com Scofeld, lá atrás e eh eh com Darby, >> tá?
¶102Mas não com dispensacionalismo do século XX. E aí eu acho muito importante que quem tem uma leitura mais historicista do livro de Apocalipse perceba, é que quando se diz que a besta ou o anticristo ou o número da besta estão associados a Roma, isso é correto? É. A Babilônia, isso é correto? É.
¶103eventualmente há outros impérios ao longo da história. Me parece bastante correto. E quem associou a a besta, o número da besta, o anticristo, a figura dos ditadores fascistas e nazistas do século XX, não não fizeram isso equivocadamente, não. Cara, >> alguém deu uma esticada pro capitalismo em relação a isso. O capitalismo é uma grande marca da besta, Léo, alguma coisa assim.
¶104ou qualquer outro. >> Ah, nesse sentido simbólico, né? Talvez você encontre alguém da da, por exemplo, da teologia da libertação, até mesmo do pessoal mais comunista, né, da Red Theology, aí falando alguma coisa nesse sentido, mas é simbólico, assim, não como eh o capitalismo é o sistema do anticristo, né? Quem faz isso? Acho que hoje, inclusive, falando dessa dessa questão de identificar a a ordem mundial presente como algo do anticristo, na verdade é o pessoal lá do Vale do Silício, o Peter Ti da Palanti, pessoal que é é é CEO das grandes empresas de inteligência artificial aí porque >> e na verdade eles que são anticristo, >> é, entendeu?
¶105[risadas] Esse é o papo, porque eles entendem que a rejeição inteligência artificial, que na cabeça deles vai trazer um grande avanço, eh, não só tecnológico, mas para uma questão aí até transumanista. E se o Luiz Adriano tivesse aqui, ele poderia dar aulas sobre isso, né, sobre transhumanismo. Mas essa galera entende que a IA ela seria esse esse gatilho para um novo estágio da espécie humana. E o anticristo é o pessoal que fica criticando a IA e com um discurso na cabeça deles eh de catástrofe, que isso levaria a criar uma regulação global para controlar o investimento em IA. Isso atrasaria a humanidade, traria muita vigilância, quando na verdade o caminho na cabeça do Peter Ti e do pessoal do Vale de Silício é deixar acontecer, né, o aceleracionismo, deixa aí a se desenvolver.
¶106Vamos enfiar aí a águala baixo das pessoas para que essa tecnologia se desenvolvendo a gente alcance o novo estágio e aí a gente consiga chegar ali no quase é um pós-milenismo, né, no fim das contas, né, chegar num estádio de harmonia completa graças à tecnologia. >> E para eles o anticristo é um reacionário, então, né? >> É, para eles o anticristo, >> basicamente >> é é um reacionário, é um ludista. É um ludista para eles, o anticristo é um ludista. >> Sim, sim.
¶107Eu só queria, eu só queria pontuar no que o Fontana falou dessa questão do conflito das interpretações. E eu concordo com o que ele disse, no sentido de que então eh o Eu, por isso que eu usei a expressão do espírito que tá por trás desses impérios todos, ele pode, como eu acredito que ele pode se manifestar no império futuro, sim, mas aí volta no que eu havia dito. É por isso que o erro que muitos cometem é olhar para esse império futuro sem ter todo esse pano de fundo. Por eu não tenho como decifrar, como entender o império futuro se eu não entender quais são as balizas que já estão postas pelos impérios que já vieram antes nesse mesmo espírito. É por isso que não pode ser uma leitura só futurista ou só preterista, como o Fontana colocou.
¶108Por isso que muita gente erra ao ficar procurando o a marca da besta hoje, porque ela não leva em consideração tudo isso que já aconteceu, tudo isso que já passou e que nos ajuda a a estabelecer as bases interpretativas para entender esse império que possivelmente vai surgir na minha interpretação, na de outros não. Mas independente disso, você não pode ignorar o que já aconteceu, tá? É, o que fica evidente com a fala de vocês é isso, que esse negócio de chip, né? O chip. Ah, porque ah, porque viu, a ciência tá falando que vai ter um chip, que a gente vai pagar a conta só encostando a mão e não sei o quê, eh, encostando a testa.
¶109Seria engraçado, né, galera? Nas maquininhas encostando a testa assim. E isso para mim fica muito evidente que >> você tem que se curvar diante do capital, entende? >> Exatamente. Exatamente, [risadas] né?
¶110Ou seja, isso fica muito claro para mim de que não faz o mínimo sentido, né? Ser o código de barras, como já foi, né, muito tempo atrás. Ah, ou alguma coisa do cartão de crédito também já tem. >> Porque o Ô, Bibo, essas interpretações elas geralmente elas geralmente partem de um de um local histórico muito específico que se chama Estados Unidos da América. Se você não entender isso, que eh essas interpretações do chip, do cartão de crédito, elas sempre vêm numa internacionalização da política ou do sistema financeiro, uma ameaça à soberania dos Estados Unidos da América e os Estados Unidos da América como luz para as nações e com o papel de acelerar o tempo paraa volta de Jesus.
¶111você não vai entender porque essas coisas surgem. E eu tô falando isso aqui, parece até caricato dizer que isso é muito americano, mas quando você vai pesquisar a bibliografia de origem, da onde que essas coisas surgiram, vai bater lá nos Estados Unidos num tipo de dispensacionalismo muito específico, que tem raízes numa coisa que a gente já falou aqui, acho que eu e o Bib em live lá sobre o Miller e a questão do Jesus voltar em 1844, que é uma reinterpretação do Darby e aí depois junta com o destino manifesto, o crescimento dos Estados Unidos até a crise 29. >> E aí essas coisas elas começam mesmo grande depressão, pós grande depressão, porque tem um livro muito importante para começar isso, que é de um pastor metodista chamado Arnold Gabelin, que se chama o conflito das eras. E aí ele começa dizendo que os Estados Unidos estavam, eles caem na grande depressão, numa grande crise, porque um sistema do anticristo governado por banqueiros judeus internacionais, aí ele tá adaptando o protocolo de Sião paraa teologia, governa o sistema financeiro mundial e esses inimigos da cruz, porque eles mataram Jesus no passado, querem matar agora a maior nação cristã do mundo. E esse etos fica ali na presente na teologia popular norte-americana, que depois isso vai ser retomado em outros eventos, como, por exemplo, quando surge o cartão de crédito ou código de barras e os primeiros sinais de internacionalização do sistema financeiro, vão surgir os livros nos Estados Unidos, nesse caso, mais especificamente, uma mulher chamada Mary Steward Ralph, é quase Ralph, mas é Ralph o nome dela, que ela escreve o sistema financeiro 666, que é ela que vem com a ideia do código de barra e ser o o número da besta, porque a soberania americana tá se distribuindo, tá sendo diluída para um sistema global.
¶112E esse negócio de União Europeia, proposta de Mercosul, é para criar um governo global e depois quando vem deixados para trás, assim, eh, a galera aqui da mesa, né, mas talvez você tá escutando não saiba, deixados para trás com o Nicolá e todo aquele negócio que emula a ONU como centro do governo do anticristo. E depois vai dar até na novela da Record. Isso. Tudo isso vem embebido nesse cenário de uma teologia popular norte-americana que é profundamente dispensacionalista e nacionalista e entende que qualquer coisa que afete a soberania norte-americana em algum detalhe da política do sistema financeiro é algo do anticristo. Resumidamente é isso.
¶113>> Tem uma tem um detalhe >> amigo do Alcino aí, Deus o livre. Tem um detalhe nessa [risadas] história que o Léo tá contando, que é o seguinte, é muito importante a gente fazer uma diferenciação do que é o dispensacionalismo que é desenvolvido no ambiente acadêmico e nos púlpitos de grandes pregadores, tá? do dispensacionalismo popular americano. Então, você fala com um acadêmico do Dallas Theological Seminary, o dispensacionalismo que esse cara te conta, você fala: "Não, não é a mesma coisa que eu ouvi do povo". E por que que não é?
¶114Porque na trajetória de popularização desses pensamentos que o Léo acabou de descrever, a mídia escrita, ela só foi bem utilizada quando apareceu deixados para trás. a gente não tem um registro teológico tão forte escrito dessa popularização desse dispensacionalismo, porque ele se deu no rádio, no rádio e no púlpito não escrito, tá? Então, o que que acontece? O que que um programa de rádio precisa para continuar no ar? >> Audiência e publicidade.
¶115>> Publicidade que depende da audiência. O cara não vai anunciar se você não tiver audiência, certo? >> Exatamente. >> Então, o problema do dispensacionalismo popular ou popularesco, não vou nem chamar de popular, o problema do dispensacionalismo popularesco norte-americano, especialmente do sul dos Estados Unidos, é que uma boa parte da disseminação dele foi feita por meio de programas de rádio que apostam na audiência. E para você obter audiência, você precisa de sensacionalismo.
¶116Então, começou se associar um jeito de se fazer e pensar teologia com conspiracionismo ou conspiracionismos ou do jeito brasileiro, que já tá virando um novo vocábulo, monarquismos. >> [risadas] >> É a escatologia do cagaço na sua essência >> do verbo monarcar. >> Monarcar. [risadas] >> Meu Deus. >> Mas o que que acontece?
¶117>> O Bial viu a queda do muro de Berlim, né? A gente viu a queda do monarque. >> Então, por exemplo, e tem um um super pastor de rádio americano que tem um monte de livro publicado, mas são livros que não vem aqui pro Brasil. Por exemplo, David Jeremia. David Germa, ele tem um monte de livro publicado em inglês, um ou outro veio pro Brasil, mas não é essa febre toda.
¶118E não é a teologia dispensacionalista, mas ele é um cara que no rádio, meu amigo, ele tá dizendo que tudo que você imaginar é o anticristo. Você entendeu? Ele tá dizendo que tudo que você imaginar pode ser o número da besta. Ele tá e vai mudando e e troca sem o menor pudor. Até semana passada era um.
¶119>> Virou como é como é que é o slogan do Tropa de Elite do? O inimigo agora é outro, né? >> O inimigo agora é outro. >> Ou seja, mudou o inimigo, mudou mudou o detentor do número, né? Então, isso se disseminou nos programas de rádio de maneira muito eh eh muito significativa.
¶120E a partir da década de 80, esses programas de rádio de pastores que estavam na rádio, similares aos programas de rádio que a gente teve no Brasil, ainda tem muito de pastores na década de 90, nos anos 2000, às vezes rádios alternativas para não usar o outro tipo de nome, [risadas] com tapa olho e perna de pau, né? >> Sim. Rádios comunitárias. [risadas] >> Isso. Isso.
¶121>> Rádio de guerrilha. >> Exatamente, >> né? Então, [risadas] o o que que acontecia a partir da década de 80? Esses caras passaram a receber publicidade não apenas do Sabão Ópera. Para quem não sabe, o Sabão Opera era uma marca de Sabão que patrocinava as rádios americanas e por isso a gente chama em inglês novela de Soul Popera, porque as novelas de rádio eram patrocinadas pelo Soul Popera, pelo pelo Sabão Ópera, tá?
¶122Iniciativa privada. a partir da década de 70, 60, mas nas rádios de programas de pastores evangélicos, isso se intensifica na década de 80 mesmo, eh, não tem mais só a iniciativa privada investindo nesses programas de pastores. Tem o Grand ou Great Old Party investindo nesses programas de pastores. Great old party é o partido republicano. >> Caramba, [risadas] o governo como eu fiz a brincadeira mesmo.
¶123Jesus. >> Então o que que Então o que que acontece? Mistura a teoria da conspiração com a política do momento, o que é interessante para aquele político que tá e depois os democratas vão investir também, tá? não é uma inicia com republicano, depois os democratas correm atrás do prejuízo, mas eh muda-se de anticristo de acordo com o interesse partidário, [risadas] tá? Então você vai pegar os radialistas da Flórida recentes, ã, que tem esses programas e aí tem radialista que nem pastor não é, tá?
¶124Mas o cara é um evangelical que se diz muito fiel e que tava na ilha do outro lá que você sabe quem é. [risadas] >> Deus, cara. Lembrei daquela daquela impressora. Tem uma impressora, né? E como é que é o nome da impressora?
¶125>> Isso. Epson. Epson. né? É mais ou menos isso.
¶126E aí o cara eh >> e e aí o cara até meados da década de 2010, claramente a Rússia era associada ao anticristo >> total. >> De repente um outro presidente conservador tá eh gosta mais do Putin. Ah, a Rússia é maravilhosa. Quem que falou que a Rússia é ruim? [risadas] >> É, exatamente.
¶127Exatamente. >> Entendeu? Então, essas coisas elas vão criando um eh um etos, um ambiente, um um campo de jogo em que a gente consegue alterar as regras do meio do caminho. Essa eh, é uma hermenêutica cujas regras são bastante maleáveis. >> Uhum.
¶128É, ou seja, muita, muitos absurdos que a gente vê em torno do livro de Apocalipse, né, as luas de sangue e aí cada guerra que envolve Israel, enfim, a gente viu isso, a gente vê isso toda semana, né, todo ano tem alguma coisa. é uma leitura muito equivocada eh do livro de apocalipse. Já falamos isso várias vezes aqui e obviamente que o número 666, né, o 666 não ia ficar de fora também eh dessa novela, né, que se faz aí com a teologia e que a galera, infelizmente, surfa muito em cima disso. Pessoal, vou ter que encerrando por aqui, né? Eh, alguém quer indicar alguma literatura pro pessoal poder dar uma lida, poder, enfim, não precisa ser exatamente sobre o 666, mas às vezes sobre leitura.
¶129É, o Víor indicou que vai indicar. É isso aí, ó. Fala aí, Vitor. Eu ia falar desse livro aí, >> então eu falo do outro. Pera aí.
¶130>> Tá >> pronto. [risadas] >> É, pronto. Vai aí, ó. Ó, gente, a gente não é que eu quero puxar aqui, ó, o o, né, enfim, a brasa pra sardinha da Thomas Elson, que é a minha editora, né? Mas, mano, ela lançou aí três livros de apocalipses assim que são maravilhosos, que é o apocalipse para discípulos de sidentes.
¶131É muito interessante aqui do Scott Mcight, outro cara não lembro o nome, tá? Eh, COD machet, alguma coisa assim. É machete. Ah, >> é como é que se fala o nome dele? >> Cody Matchet.
¶132>> Cody Matchet. Enfim, algumas coisas que o Víor falou tem bastante e bastante ancoragem aqui nesse material. E tem um que ela já lançou tem uns dois anos, que é o que o Víor tá mostrando ali, né, que é o lendo apocalipse com responsabilidade, tá? Digo para você do Michael Gman. Esse do Michael Gman, gente, às vezes tá R$ 30, tá na Amazon.
¶133>> Às vezes é um absurdo assim, porque é um livro grandinho e tal. E, mano, eu acho R$ 30 um barato, tá gente? Barato. Borman é um desses que eu indiquei durante anos em inglês. >> Exato.
¶134E trouxe em português. >> E tem o teologia do apocalipse do Balkan também, do Richard Balcan, tá? É, é bom, mas é menos, é uma linguagem mais voltada pro aluno de seminário, vamos dizer assim. >> Exato. Exato.
¶135É esse aí, ó, lendo o apocalipse com responsabilidade é muito bom, gente, muito bom mesmo, tá? Gosto da do jeito que o Gorman escreve, inclusive. E esse aqui do MCnight também fica aí a dica. É, Alcino, quer indicar algum aí que é um deixados para trás com capa de luxo, alguma coisa assim? Não sei.
¶136>> Não, não, não. Eu não quero indicar. [risadas] >> Eu >> sacanagem, né? Eu não quero, eu não quero indicar livro nenhum, mas eu queria só dizer uma última coisa, eh, porque o cara tá se dando como referência. Eu não quero indicar livro, mas eu quero dizer que vai lá, [risadas] >> não é?
¶137Porque o Vítor fez essa distinção fundamental entre os acadêmicos e e o que se diz popularmente no dispensacionalismo. E aí eu, como sou uma das pessoas, não sou o único, mas sou uma das pessoas que tenta trazer essa visão mais acadêmica do dispensacionalismo, eu só queria encerrar dizendo uma coisa muito importante. É, se você é dispensacionalista como eu, se você é pré-tribulacionista, se você acredita que a igreja vai ser arrebatada antes da grande tribulação, não faz sentido teológico e não faz sentido biblicamente você ficar procurando marca da besta nesse momento. Porque se você entende o apocalipse como uma narrativa linear, a marca da besta só surge após o arrebatamento. Então, qualquer desses especuladores travestidos de especialista em escatologia que defendem o arrebatamento da igreja e ficam tentando dizer para você que a marca da besta já está entre nós, são fraudes.
¶138Não tem outra palavra para esse >> caramba, Alcino, agora você escola de samba você foi mangueira, né? Deixou a Portela para lá, hein? >> Agora você foi mangueira, hein, Alcin? Porque você deixou o Portela para lá, hein? Caramba, sensacional.
¶139Quem tinha, quem tinha que ficar especulando marca da besta é nós que somos simbólico, né, cara? Exatamente. [risadas] Exatamente. Alcinou, ótimo disclaimer, cara. Porque assim, eu acho que a posição é majoritária praticamente da da da do evangelicalismo brasileiro é esse é uma alguma forma de dispensacionalismo e tal.
¶140Eh, essa galera especulativa que faz cursos e e res vai eh bebe um pouco dessa fonte, mas acho que não bebe o suficiente ao ponto de fazer essas esquisitas. Cara, muito bom o seu disclaimer. Muito bom mesmo. Legal. Legal demais.
¶141Porque eles eles se vendem como acadêmicos, mas defendem o essa esse dispensacionalismo popularesco que vem das rádios americanas. E aí em vez de eu ler a realidade a partir da Bíblia, eu fico tentando ler a Bíblia a partir da realidade. Gente, muito bom. Mais um episódio aqui que nós entregamos gratuitamente para você aqui em bibotal.com, essa casa da teologia que é o Bibotal. Obrigado, Léo, por mais uma vez participar aqui do nosso podcast.
¶142Estamos together, Alcinão, obrigado mais uma vez meu chegado. Boa sorte pro seu time aí nessa reta final. Não sei do que que a gente tá falando do que galera. Libertadores, né? Libertadores.
¶143Tá todo mundo vivo por enquanto. O >> time de todos aqui tá vivo. >> É verdade. Para quem não sabe, eu sou um palmeirense bem ruim assim, não acompanho muito, mas o Víor Volt me atualiza do Palmeiras e tal. Então a gente tá tudo vivo na Libertadores, né?
¶144A gente corre risco de jogar. É com o Fluminense que o Palmeiras pode jogar, né? né? >> Palmeiras e Fluminense. >> É, tá legal.
¶145Então, então estamos na final já, né, Víctor? Porque se é contra o Fluminense, estamos na final. [risadas] Acho que não, não é assim não, pô. Desculpa aí galera, foi mal, foi mal. Desculpa.
¶146Pr minha esperança, né? Pra minha esperança, o Flameng tem jogado Barrapiras. >> Como é que hã como é que é, Vittor? >> Aí você vê que o Bibo é um palmeirense esfarrapado e eu sou um palmeirense de verdade. Palmeirense de verdade sempre acha que a gente vai perder.
¶147>> [risadas] >> Não, mas é que a gente não tá bem no Campeonato Brasileiro. Se fosse contra o Flamengo, eu admitia a possibilidade. Mas o Fluminense tá atrás da gente da tabela, não tá? >> A gente tá bem, Bibo, mas tem um negócio que chama parmeirada. Sabe o que que é palmeirada?
¶148>> Não. >> É justamente a gente tá bem, aí a gente vai lá e perde pra Inter de Limeira. >> Ah, entendi. >> A, a gente tá bem. >> É, o futebol é muito sofrível, galera.
¶149Eu acompanhei Flamengo tem as flamengadas também, >> né? Parmeirada. É, é, é, é um problemaço na nossa história. E você lembra quando a gente perdeu pro Asa de Arapiraca? >> Nossa, mano.
¶150É, não sei nem que time que é esse. Mas >> então, pois é, nós perdemos para esse time. Você não sabe que time que é esse. Nós somos eliminados por esse time. Meu Deus, meu Deus.
¶151Futebol é muito. Flamengo perdeu uma final pro Santo André. Verdade, >> car. Eu vou nem comentar aqui. >> Eu sei queura do meu time.
¶152>> Ó, do Fluminense eu só lembro daquele meme lá de 30 anos atrás, Fluminense e Barcelona. Eu só sei isso do Fluminense. >> Fluminense. Fluminense, o primeiro título que eu vi do Fluminense foi o campeonato carioca que o Fluminense estava saindo da Série C por conta do senhor Eurico Miranda. >> Olha só.
¶153O Eurico criou o o o [risadas] Miranda Pasta João Avelange. Mas ó, >> deixa eu falar uma coisa para você, Bibi. Única coisa que você precisa saber, a ala carioca desse episódio aqui, se a gente tá falando de palmeirada e de time pequeno que a gente perdeu, a ala carioca eh desse desse episódio aqui tem na sua história uma questão muito constrangedora e mal explicada com outro time que era grande e se tornou pequeno. E eu vou ficar por aqui, tá bom? >> É bom, caramba.
¶154Olha aí, fica por aí mesmo. >> Uma certa escalação meio esquisita que um dia aconteceu. >> É, é, é verdade. Gente, aí quem quem ouviu >> aí vocês se resolvam. O que que é o >> quem quem lê que quem ouviu que calcule o número.
¶155>> [risadas]