¶1A gente tá chegando ao fim do mês de setembro. E o mês de setembro geralmente tem uma campanha chamada Setembro Amarelo, que é uma campanha brasileira de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. É uma iniciativa laica, não é uma iniciativa religiosa, foi criada pela Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina e o CVV, famoso Centro de Valorização da Vida. Esse mês foi escolhido porque 10 de setembro é o dia internacional de prevenção ao suicídio. Eu confesso que eu nunca dei muita atenção a esses meses de conscientização de vida, esse tipo de coisa.
¶2Eu sempre fui um adolescente meu deprimido, meu melancólico, tive muita caramiola na cabeça por muito tempo e eu sempre achei que era só coisa minha que eu tinha que resolver com Deus. Aconteceu que em 2020 eu fui, talvez pela primeira vez constrangido pela dor de ter alguém que eu acompanhava no ministério tirando a própria vida. Não era ninguém próximo. Mas o Daren Patrick foi um autor que eu li muito. Teve um livro dele publicado em português, O homem, a mensagem, a Missão sobre plantação de igrejas.
¶3E a época eu tava muito interessado no tema da plantação de igrejas. Eu queria muito virar um plantador. Antes de eu ser pastor de igreja, eu tinha começado um pequeno projeto de plantação de igrejas. fazia evangelismo de porta em porta aí um bairro bem bem pobre aqui de Fortaleza. A ideia no começo do seminário era virar missionário e plantar igrejas em em periferias, em comunidades carentes.
¶4Essa esse plano, né, mudou quando eu fui convidado para pastorear uma igreja já estabelecida, uma pequena igreja em uma comunidade também bem pobre aqui de Fortaleza. Eu parei de estudar tanto sobreciologia nessa época, mas eu continuei acompanhando o ministério do Darwin Patrick, que era pastor de uma grande igreja no Missouri, nos Estados Unidos. Ele era ligado a Atos 29, que era um grupo que eu também acompanhava muito efusivamente na época e tal. Até que em 2020 o Patrick tirou a própria vida. Ele deixou a esposa e quatro filhos.
¶5Eu acho que foi a primeira vez na minha vida que eu comecei a pensar mais seriamente sobre a questão da saúde mental e do ministério pastoral. Se você é pastor de igreja, você é líder de algum ministério, você com certeza já sentiu a pressão do seu ofício. As demandas, as responsabilidades, os aconselhamentos, a dor, não é, dos nossos aconselhados, a dureza do coração obstinado que a gente lida constantemente, as horas de estudo isolados, né, sozinho para poder pregar, a luta de conciliar isso tudo, ser negligenciar a si mesmo, a mulher, os filhos, são desafios que todos os pastores passam. E nesses 11 anos em que eu pastorei a mesma igreja, eu enfrentei cada um desses desafios na minha própria saúde mental. Eu tenho acumulado muitos hábitos para me auxiliar, né, na minha própria minha própria cabeça, sejam hábitos naturais, sejam atos sobrenaturais, não é?
¶6sejam os hábitos mais devocionais de leitura bíblica, de meditação na escritura, de entender o local no trabalho, de entender qual é a minha identidade com relação ao ministério, de não projetar minha autoimagem toda nisso e coisas assim, desde a coisas mais naturais, né, como fazer exercício, não é, ter tempo de diversão e coisas assim. Mas um hábito que eu tenho acumulado é ler livros sobre descanso, sobre saúde mental, sobre como lidar com questões na alma. ter um espaço nas minhas estantes lá em casa só para livros sobre saúde mental pastoral, digamos assim, sobre como lidar com as próprias caramiolas da cabeça sendo [música] pastor. E aí eu fiquei muito feliz em saber que a Mundo Cristão lançou uma obra nova sobre isso, um livro que eu tive a oportunidade de ler e que é carregado de boas conversas, como se fossem amigos numa mesa falando, não é, sobre suas dificuldades e suas dores. Sim, a gente precisa de conversas à mesa entre amigos para aliviar o fardo, não é, que é cuidar do povo de Deus.
¶7Mas às vezes uma uma obra, não é, é como se fosse uma conversa entre amigos. Não sei você, mas eu acho que pastores também precisam colocar algumas coisas para fora, compartilhar lutas, assumir limitações, confessar tentações e pecados, ah, justamente para que escândalos não ocorram, né, na casa do Senhor. Quantos escândalos talvez não tivessem acontecido se as pessoas fossem mais abertas, né, sobre as as dores que sentem, as questões morais do seu próprio coração e até mesmo as confusões, né, em suas cabeças. E aí que chega o livro Pastores pela vida. Uma ideia excelente, é ditado por Valdir Sternagel e por Daniel Guanais.
¶8Daniel que já apareceu aqui [música] no 2D do de teologia. Ele é autor de uma outra obra também chamada Cuidar de Si que fala mais ou menos sobre o mesmo assunto. Eu me repito nos assuntos, mas é porque alguns assuntos são importantes, merecem ser falados mais de uma vez. Por trás da eloquência do púlpito, da sabedoria de um conselho, do direcionamento em uma questão e do testemunho público, existe um indivíduo que é tão pecador como todos aqueles que Deus adotou como filhos. Esse indivíduo não é uma máquina teológica, não é inerrante, não é invulnerável aos sofrimentos, ao estresse, ao cansaço, ao desgaste, às tentações, aos pecados.
¶9Pastores são humanos e pastores precisam cuidar de si mesmos. A velha frase latina, né? Quis custódis. Alguma alguma coisa por aí, bota na tela e tud que eu não sei decorar não. Quis custodiet y os custódes.
¶10É que quem vigia os vigias? Quem vigia os vigilantes? A pergunta no fim das contas pra gente aqui nesse contexto é quem [música] cuida dos cuidadores? Quem cuida de quem cuida? Alguém tem que cuidar de quem cuida.
¶11Se a gente não tiver freios e contrapesos num país, um poder vai querer sobressair aos outros, né? A gente tem uma ditadura. O que acontece a gente que cuida, não tem ninguém que cuide de nós, vai ser o equivalente, a gente vai pra desgraça, vai pra catástrofe também, mas a gente constantemente esquece disso. A gente tá tão ocupado em cuidar dos outros que a gente esquece de cuidar de si mesmo. E a gente tá tão atarefado com as demandas da igreja que a gente esquece que nós também somos membros da igreja e temos que cuidar de nós mesmos para que o corpo do Senhor não adoeça.
¶12É claro que Jesus é o cabeça da igreja, mas os pastores são homens chamados por Deus e que estão à frente conduzindo o seu povo e que por isso assumem uma responsabilidade especial. Cristo é a luz. Pastores são os faroleiros que apontam a luz aos navegantes para que eles não encalhem nem naufraguem na fé. É por isso que nós pastores precisamos estar saudáveis fisicamente, espiritualmente, mentalmente. E pastores pela vida é um ótimo recurso para nos ajudar nisso.
¶13Pastores pela vida é um material voltado para pastores, para líderes religiosos e de qualquer um que lidere ministérios na igreja. É um livro que começa tratando de algo que é muito negligenciado no ministério pastoral. E aqui entenda que sempre que eu me referi a pastores ou ministério pastoral, eu tô me referindo também a qualquer outro ofício de liderança eclesiástica na sua comunidade, tá? Tá, Iago. Mas qual que área é essa que você está falando aí que é negligenciada?
¶14É justamente a área mental. Infelizmente existe um tabu muito grande de que o Espírito Santo dá um tipo de blindagem mental aos crentes, especialmente aos pastores, de forma que eles não podem ter depressão ou ansiedade ou burnout, outras doenças mentais. Muito disso vem de ignorância sobre essas questões, mas também de preconceito e falta de sensibilidade teológica. saber distinguir como é que a Bíblia lida com essas questões. Assim como a Bíblia não tem o interesse de ser astronomicamente precisa em todos os detalhes e se adequa ao conhecimento do seu público, ela também se adequa à compreensão psicológica de seus ouvintes e leitores originais.
¶15Na época do Antigo Testamento, doenças de pele eram todas tratadas como lepra. o leproso tinha que ser isolado da comunidade. Hoje, a ranseníase tem um tratamento medicinal muito mais efetivo do que no tempo do antigo tachamento. Ninguém é tolo de dizer que nós precisamos abandonar os tratamentos medicinais das doenças para envolver os doentes com faixas ungidas e e isolá-los em setor hospitalar. Mas por que é que a gente age assim no que diz respeito a doenças mentais?
¶16E é justamente por causa dessa insensibilidade bíblicoc-cultural que a psicologia é reputada como o conselho de Satanás por muitos que se dizem conselheiros bíblicos. O Valdir e o Daniel. Então, após dois capítulos de apresentação do tema, falando da importância e da relevância, dedicam três capítulos a tratar do assunto da necessidade de cuidado mental do pastor. Eles nos mostram que pastores precisam de cuidados. Eles mostram que depressão e ansiedade não são alheias à vida cristã e mostram que elas não são falta de fé.
¶17O tom do livro, como eu já mencionei, é como de uma conversa. É claro que é um embasamento bíblico para tudo que eles falam, mas não é como uma aula de seminário, não é um livro técnico, não é estritamente teológico como um material de teologia sistemática, é como uma conversa. o tipo de conversa que você vai ter tomando um suco, um açaí, um cafezinho com o seu amigo. E é bastante interessante que eles chamem outras pessoas para se sentarem à mesa e conversarem com a gente à medida que a gente lê o livro. Ao final de cada capítulo, há uma sessão chamada ressonância.
¶18Nessa sessão, colaboradores, amigos e outros pastores contribuem com o tema do capítulo relatando suas perspectivas, suas experiências, dando conselhos. E de fato é como se eu tivesse conversando com vocês sobre criação de filhos e chamasse para falar alguém que tem mais experiência por ter três ou quatro filhos, sabe? É bem interessante esse tipo de reforço dentro de uma obra. O que reforça a ideia dos organizadores de que a vida pastoral não se constrói sozinha, mas entre aqueles que também estão envolvidos no ministério de alguma forma. É na multidão de conselhos que nós encontramos sabedoria, diz o livro de Provérbios.
¶19Agora, um capítulo que me chamou muito atenção é o capítulo quatro. É um capítulo que eu vou dizer, eu queria ter lido antes na minha vida. Tem coisas que, cara, é, são tão óbvias e que a gente não aplica direito em nossa vida e aí a gente acaba simplesmente putando os pés pelas mãos assim. É, é terrível, cara. O capítulo 4ro fala sobre nós não sermos os Messias, de que não seremos nós que restauraremos em definitivo outras pessoas.
¶20E claro, se você perguntar para qualquer pastor que não seja um here maluco, é você quem muda as pessoas? Qualquer um vai dizer que não, mas o modo como nós vivemos no nosso ministério pastoral geralmente nos faz acreditar que as pessoas mudam por causa da da gente, né? do nosso esforço, da nossa capacidade. Muito triste acharmos isso. Mas tem muita gente que acaba se gabando.
¶21Já vi, eu sinceramente, eu disse que, ah, a menos que você seja um herege, mas existe um nível de megalomania que às vezes afeta alguns pastores. Já vi muita gente ah usando as pessoas que passaram pelos gabinetes e que foram restaurados como um tipo de argumento a favor da própria capacidade, da efetividade do seu método de aconselhamento bíblico, coisas assim. E acaba que é muito doido, porque quem muda as pessoas é o Espírito Santo. Não, não, não é a gente com as nossas capacidades, com os nossos poderes. Se a gente acredita que temos essa capacidade, não vai demorar muito pra gente ser esmagado pelo peso de responsabilidades são imensas.
¶22Não é o nosso método, não é a nossa abordagem que muda as pessoas. Além de alimentar o orgulho, crer nisso tem como contrapartida trazer frustração quando o nosso método não serve, quando o problema persiste, quando o pecador não se arrepende. Além disso, pode levar a práticas abusivas, né? Um ponto que é muito bem trabalhado no capítulo oito do livro, segundo as quais o pastor se torna o detentor da verdade e somente por meio dele é que alguém vai encontrar a libertação. Outro capítulo que eu gostei muito foi o capítulo sete, que trata da questão do sofrimento.
¶23Líderes eclesiásticos podem pensar que eles precisam sempre demonstrar uma força inabalável. A gente pode se iludir com a ideia de que nós não podemos ter fraquezas, muito menos demonstrá-las. Mas os autores nos lembram que a verdade não se ocultou em armaduras intransponíveis. Muito pelo contrário, dividiu a mesa com seus amigos, gargalhou nos momentos engraçados. lamentou perdas difíceis e demonstrou cansaço, fome, sede e a necessidade de ter seus aprendizes orando com ele no jardim de sua aflição.
¶24Esse Deus perfeitamente humano me livrou até aqui da ilusão de que estou imune aos processos químicos e sociais que podem nos alcançar. Uma citação que eu fiz questão de guardar aqui para vocês. Vale também muito a pena parar um pouco nos capítulos 9 e 10. São capítulos que nos lembram que nós não somos perfeitos e que nós precisamos caminhar junto de outras pessoas. Se nem Jesus, que era perfeito, caminhou sozinho, por que que a gente caminharia?
¶25Porque que a gente faria isso? O ministério pastoral acaba sendo, claro, uma coisa mais reservada. É claro que a gente não pode desabafar com qualquer pessoa sobre as questões pelas quais a gente passa, as nossas lutas, as dificuldades que a gente enfrenta, mas se torna um problema quando a gente não conversa com nenhum amigo pastor, né? Quando não tem ninguém, quando a gente ora sozinho, né? como se todas as lutas pastorais fossem resolvidas sempre no quarto de oração e nunca na mesa da comunhão.
¶26A falsa percepção de perfeição nos leva ao isolamento. E o isolamento é uma toícia. Qual conselho bom você vai poder ouvir de um pastor que se isola? Como é que um pastor vai saber se as suas interpretações, se as suas atitudes, se as aplicações bíblicas que ele faz estão erradas ou ou certas? se ele se considera perfeito ou se ele se isola em suas próprias convicções ou se o único lugar que ele vai ter para testar suas ideias novas foi o púlpito da igreja ou as sessões de aconselhamento.
¶27O sentimento de perfeição associado ao pensamento de que somos o Messias pode nos levar a um tipo de comportamento como se nós fôssemos aqueles que descobriram todas as verdades, todos os meios e tratássemos tudo sozinhos, né? Mas isso é tolice, gente. No último, quem se isola só busca os próprios interesses. Isso é na Bíblia. Pastores não são perfeitos, mas são aperfeiçoados quando caminham com outros imperfeitos servos do Senhor.
¶28Setembro é é o mês do cuidado da saúde mental e da prevenção do suicídio. E por isso, pastor, líder, cuide de si mesmo para que você possa cuidar piedosamente das ovelhas do Senhor. Cuide de si mesmo. Como você cuidaria de alguém debaixo da sua responsabilidade? Essa é uma frase famosa do Jordan Peterson no livro dele 12 regras pra vida.
¶29É um materialzinho de alta ajuda, mas que tem lá um umas coisas até úteis. Eu gosto muito dessa frase do livro. Não negligencia a sua saúde mental por causa de uma falsa noção de robustez espiritual. Pastores pela vida pode ser a porta de entrada para você perceber o que é que você precisa cuidar em si mesmo. Leia, mas não leia sozinho.
¶30Quem sabe leia com seu presbitério. Leia com os líderes da sua igreja local. Leia com os membros da sua comunidade. Ser santo como Deus é santo pode talvez significar também buscar ter uma mente sã para poder melhor cuidar do povo santo do nosso Deus. Se você quiser ler Pastor pela vida, vai ter um link na descrição e no comentário fixado para você ir lá no site da Mundo Cristão ou no melhor site que eu encontrar para você também ser abençoado por essa obra como [música] eu fui.
¶31Agradeço sempre o pessoal da Mundo Cristão. A Mundo Cristão é uma parceria aqui com o nosso canal e todos os meses eu escolho um livro deles para resenhar. Sempre escolho o livro deles que eu mais gosto, o que eu mais acho que vai edificar a vida de vocês. Eu leio um livro deles todo mês e divulgo aqui para vocês as minhas impressões e como esses materiais edificam a minha vida. Mundo Cristiano tem publicado muita coisa boa.
¶32Você quiser também conhecer a editora, vai lá e aproveita o que eles tem produzir. Se você gosta desse tipo de conteúdo, não deixe de clicar em gostei e deixar seus comentários aqui embaixo pra gente seguir com esse debate em torno da palavra de Deus. Quem sabe você devia mandar esse vídeo aí pro seu pastor, [música] seu líder de ministério, que tá meio borocooch, que talvez precise aí de ajuda, por que não? Bom, esse é o review, é o nosso programa de resenha de livros aqui no Dois Dedos [música] de Teologia. Um cheiro no seu cangote e até a próxima.