¶1[música] เฮ [música] >> [música] [música] >> เฮ [música] >> [música] [música] >> เ >> [música] >> Olá, boa tarde. Sejam muito bem-vindos, sejam muito bem-vindas ao Central Meio. Hoje é segunda-feira, dia 5 de outubro de 2026. Eu sou Pedro Dor e aqui está comigo exuberante, meu amigo, o grande, grande, grande cientista político desta nação, Christian Edward Silent. >> Bom dia, Brasil.
¶2Hoje é 5 de outubro, um dia maravilhoso para comemorar o aniversário desta moribunda que é a constituição do Brasil. [risadas] E lá de São Paulo está a queridíssima, queridíssima, a minha grande companheira de meio, Flávia Tavares. Bem-vinda, Flávia. >> Meu amor, eu tô muito feliz que eu te inspirei hoje de manhã [risadas] com meu ânimo. Eu tô realmente feliz.
¶3Tô adorando. É isso aí. Parabéns pra nossa constituição. Eu sempre gostei de me enganar que ela era do dia 6 de outubro porque é o dia do meu aniversário, mas foi foi ali, foi pertinho, foi na véspera. >> Foi.
¶4E olha, [limpando a garganta] é também eh dia dos anos de um dos meus grandes amigos que talvez esteja nos assistindo eh nesse momento, porque eu sei que ele estará mais tarde no ar na GNT. Chico Bosco, queridíssimo, queridíssimo Chico, feliz aniversário. >> Feliz aniversário, parabéns. >> Nosso nosso nosso companheiro de >> Mais um libriano. Mais um librianinho.
¶5Esse é >> claramente tá em falta de librianos. [risadas] Se o Lula realmente tivesse nascido no dia 6 de outubro, que foi a data de registro dele, e não 27 de outubro, eh, que é a data que ele realmente nasceu e aí que torna ele um escorpião, ele tava eleito em primeiro turno, como ele esperava. >> Esses escorpiões não prestam, né? >> Eu tô, eu [risadas] tô, >> eu sou escorpião. >> Bora, gente.
¶6>> O problema de escorpião também não tô entendendo. Eu e Rui Barbosa. E você? >> É verdade. O Rui também era escorpião.
¶7>> Como assim? Rui Barbosa compartilha comigo da mesma data de aniversário. Modéstia parte, >> modestia parte, né? >> É dele. >> É também, é também remember the 5th of November.
¶8>> É, é o o o golpista, o golpista puritano e eh que tentou explodir a a Torre de Londres, não, a ponte eh de Londres. Eh, eh, Guy Fox foi no 5 de novembro também. Pessoal, no início do dos do dos anos 2010 gostava de usar a máscara dele no Vior Vendeta, né? >> Em 2013 tinha uma pção de gente com aquela cara dele. >> Pois é, mas não só no Brasil, né?
¶9Pelo mundo todo. Era marca daquelas manifestações que começavam a onda reacionária no mundo. Que bonitinho. Combina com Guy Fox, tá? Combina com Guy Fox.
¶10Ontem, no primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente Luís Inácio Lula da Silva perdeu 3.5 milhões de votos em comparação com 2022. O senador Flávio Bolsonaro do PL terminou a rodada de votação com quase dois pontos à frente de Lula. Os partidos PL Novo vão dominar quase 40% do Senado a partir do próximo ano. A direita mostrou tração e ocupou espaço. De onde veio essa onda?
¶11Ela é fruta de uma rejeição conjuntural ao governo Lula ou vem de uma reorganização da sociedade? Quem são os eleitores que fizeram Lula amargar a sua pior votação em primeiro turno desde 1998? Este é o nosso principal assunto de hoje. Então fica aqui com a gente, deixe o seu like, manda a sua pergunta no chat e se inscreve no canal, porque o central meio tá no ar. [música] Olá, Marco, bota o trio.
¶12Vamos, vamos, vamos nos vamos nos juntar. Eu eu ainda estou processando dados, eh, e eu vou trazer dados eh eh mais sólidos. O o que que eu fiz ontem? Eu tinha feito uma série de contas com amostras de urnas do Brasil. Hoje eu fiz uma coisa diferente e eu eu fiz uma coisa um pouco diferente e e eu baixei 100% dos dados das urnas de todas as urnas do Brasil, eh, do primeiro turno de 2026, do primeiro turno de 2022.
¶13Eu passei a madrugada fazendo isso, baixei todos os dados da PINADE contínua também, que é a grande pesquisa do IBGE, que tem dados de renda, de religião, gênero, características diversas de domicílio, eh, do Brasil. e tô querendo entender eh o que que aconteceu. Eu eu mas eu queria antes de tudo, tem alguns dados que eu já posso dar, eu só não posso dar um número exato. Eh, isso são coisas que eu falei ontem e eu queria lembrar ao nosso público. Eh, primeiro, a abstenção não prejudicou o presidente Lula.
¶14Talvez vocês tenham ouvido que esta foi a maior abstenção desde 1989. Devagar com a dor. Isso é um número. Em termos percentuais de eleitores, a abstenção foi de 21%. Foi até um tico, menos de 1%, um tico menor do que a abstenção de 2022.
¶15Não tão diferente assim da abstenção de 2018. A abstenção caiu no Nordeste, foi a menor abstenção percentual no Nordeste em muito tempo. Lula teve, na verdade, graças à baixa abstenção, mais votos do que era para ele ter. Flávio foi prejudicado pela baixa abstenção. Eh, eu vou até a a diferença não é grande, mas só para eu trazer aqui.
¶16Vamos lá. Eh, Lula ganhou e isso faz muito pouca diferença nos percentuais, tá? Mas isso são números reais comparando a eleição desse ano com a eleição do ano passado. Lula ganhou uns 70.000 votos porque a abstenção caiu um pouquinho e Flávio neste jogo perdeu 160.000 votos. Não foi a abstenção que fez diferença nesta eleição, tá certo?
¶17Eh, eu ainda tô fazendo esse jogo, mas outra coisa que eu gostaria de dizer é o seguinte: eh, Lula ganhou em apenas uma classe social, que é a classe E, foi a única classe social que deu mais votos para Lula. Agora, a única, a única, outra classe na qual o Lula quase ganhou, ele quase empatou com Flávio, foi a classe A, principalmente no sudeste do país. Então, é é importante vocês entenderem isso. Sabe aquela coisa que a gente ouve muita gente de esquerda falando a elite, isso e aquilo? A elite votou pesadamente em Lula, principalmente a elite urbana.
¶18Classe Aar, tanto a os brasileiros com maior escolaridade quanto os brasileiros com maor renda votaram pesadamente em Lula, quase no mesmo nível que Flávio Bolsonaro. Agora, onde que foi a grande derrota de Lula? Foi na classe C. O Flávio Bolsonaro teve 53,5% dos votos da classe C. Lula teve 37.2% dos votos da classe C, tá certo?
¶19Essa é a uma classe que corresponde a 49% do Brasil, quase 50% do Brasil. Lula perdeu na classe C. Lula perdeu na classe C. É muito importante. Eu ainda não tenho processados o o os dados evangélicos e católicos.
¶20Como é que evangélicos e católicos votaram eh no Brasil? Eu diga, Fábio. >> Não, não, eu eu eu eh conclua que aí eu falo de evangélicos e católicos. >> Tudo bem, tudo bem. Eh, mas por que que eu tô falando isso?
¶21Eu eh eu convivo com muitas pessoas na minha família, inclusive, que são que estão bastante à minha esquerda, muitos amigos, colegas de faculdade, as humanidades em geral, eh eh levam a atraem mesmo eh mais estudantes de esquerda do que do que de direita e tal. E e faz parte. Então quando você olha para jornalistas, a ideologicamente nós jornalistas tendemos a esquerda. Eh, mesmo quando são liberais como eu, tendemos a ser liberais progressistas. Eh, eh, é um pouco da natureza.
¶22Eu acho que com exceção do direito, quase todas as carreiras da humanidade tendem a a profission a a atrair pessoas mais de esquerda. E, e, eu, portanto, tenho bastante contato. Eu tenho mais contato com a com as bolhas de esquerda do que com as bolhas de direita, bolhas conservadoras mesmo. E e olha, vendo muito do susto que muitas pessoas de esquerda tomaram ontem e vendo de um certo oba ob eh eh uma coisa de ah e eh vamos ganhar no primeiro turno, tal, e algumas pessoas achavam realmente que havia chance de Lula ganhar no primeiro turno. Era muito difícil, era mais fácil, Flávio ganhar no primeiro turno do que Lula.
¶23Eh, e vendo e e ouvindo os argumentos de muitas das porradas que eu passei o ano tomando. Eh, eu eu vou falar uma coisa que talvez seja mal recebida, mas é algo que eu vou insistir muito nessa semana e eu vou mostrar dados para isso. Se você tá se informando por veículos de esquerda, você está sendo mal informado. Você não está entendendo a realidade do povo brasileiro. você não tá entendendo a realidade de quem é o Brasil.
¶24Eh, se você seguir se informando, você vai ver muita gente fora da esquerda sendo culpada. Não esquece o seguinte, Lula é o presidente da República, o governo era de esquerda e este governo foi reprovado nas urnas brasileiras ontem. Agora, estando na presidência da República, Jair Bolsonaro conseguiu capturar no segundo turno quase quatro pontos percentuais a mais. Eh, não é impossível Lula vencer essa eleição, não, tá? Se se você também entrou numa de que Lula tá fora do jogo tudo mais, as os dados estão muito mais para Flávio do que para Lula.
¶25É mais fácil para Flávio vencer do que para Lula vencer, mas esse jogo não é irreversível, só que precisa conversar com a classe C. E e vai ser fundamental pra esquerda entender que ela tem uma visão profundamente preconceituosa a respeito da classe C. Eu realmente recomendaria a quem ainda deseja vencer algum tipo de eleição, inclusive essa agora pela esquerda, que aposente expressões como CEO de meia, pobre de direita e por aí vai. O estado vai precisar ser reinventado para caber nos anseios da classe C. Sabe por quê?
¶26Porque a classe C é metade do Brasil. Eles são o povo brasileiro, não nós. Eles são a melhor representação do que o Brasil é. E se eles têm determinados anseios, determinadas expectativas, é hora de alguém, além da direita mais dura do país, começar a prestar atenção no que eles estão pedindo. É assim que a gente ganha a eleição, prestando atenção naquilo que está pedindo a maioria do povo.
¶27Flávia, vai lá. Eh, eu queria só sobre esse recorte religioso, trazer uma análise eh feita por uma pesquisadora aqui de São Paulo, a Tábata Tesser, que foi a Carol evangelista que me passou e que ela faz com base eh num cruzamento feito pelo Wall. O W cruzou os resultados de 2018, 2022 e 2026 com os dados de religião do censo. E aí o que que qual foi o o a conclusão que esses dados eh revelaram, né? Primeiro, o que já se imagina, o Flávio tem maioria entre evangélicos, mas nas cidades com presença evangélica acima da média nacional, o Flávio fica com 52% dos votos válidos.
¶28Não é uma um massacre. Em 2022, o Jair Bolsonaro tinha tido 48,8. Então, houve um crescimento na casa dos três pontos que conta, que é importante, eh, foram fundamentais paraa vitória do Flávio. Mas Táata, essa professora e pesquisadora de São Paulo, reforça o seguinte: a história completa é tem muito mais a ver com a queda do Lula entre católicos. Então, no texto dos municípios brasileiros com maior proporção de católicos, Lula tinha 64,9% dos votos em 2022 e caiu para 59,4, 5 pontos e me tá aí.
¶29Ela ela avança, ela fala: "Ó, mais importante ainda é observar a distância pro bolsonarismo. Em 2022, nesses municípios mais católicos, o Lula abriu 35,7 pontos sobre Bolsonaro. Em 2026, a vantagem sobre Flávio caiu para 24,7. Então, caiu 11 pontos a diferença, né? E aí ela conclui falando que eh o aumento de um conservadorismo católico como movimento mesmo é algo que quem pesquisa religião vem eh estudando e conversando a respeito já há algum tempo.
¶30Então, eu me lembro, por exemplo, das entrevistas que a gente fez eh para falar da escolha do novo papa, né? Eu entrevistei o Rodrigo Toniol, que é queridíssimo pesquisador e tal. entrevistei uma pesquisadora americana sobre eh esse essa nova cara do conservadorismo católico. E é existe realmente um consenso de que eh esse isso é um movimento dentro dos do grupo, do segmento, que não é desprezível, inclusive em termos de organização política, de discurso político. Prova disso é que, claro que isso pode ser uma prova pontual, mas não é desprezível, o fato de que a deputada estadual eleita em São Paulo com maior com 2 milhões de votos é representante exatamente deste movimento.
¶31Ela foi a mais votada, ela tem apenas 23 anos. E no combo do discurso dela, que é bastante, não é só conservador, ele é bastante reacionário, mistura algumas coisas, agrade, ela agradece a Deus pela colonização do Brasil, porque matou índios canibais, esse tipo de discurso. e eh ela é o terror das feministas, enfim, mas é um discurso que cabe dentro da do de um conservadorismo católico que tá em expansão, que já há algum tempo e que custa também e que não houve Nossa Senhora capaz de mobilizar o contrário, né? Então, eh, só para usar o recorte que você tava falando, ó, não tenho ainda. Eu acho interessante, então, esses números a partir da análise do Alladora, eh, Tábata Tesser.
¶32>> Eu tenho os números agora. Eh, eu o o o que que eu fiz? Eu eu cruzei cada sessão eleitoral com a PINADE contínua e em cada ponto geográfico eu estipulei se a se aquela era uma região de maioria evangélica e maioria católica e determinei cada sessão como sessão católica ou evangélica. Quer dizer, existe uma imprecisão, mas é uma imprecisão baixa porque no final das contas é no nível da urna, né? Eh, então vamos lá.
¶33Em 2022, Lula teve 53,6% dos votos católicos. Neste ano, ele teve 48,9% dos votos católicos. Lula perdeu 4.7 pontos percentuais entre os votos católicos. Jair Bolsonaro teve 39% dos votos católicos em 2022. Flávio teve 44,7% dos votos católicos.
¶34Ele ganhou 5.7 pontos perpendicuais em 2026. Entre evangélicos, Lula tinha em 2022 28.1 votos por dos votos católicos. Ele passou a 25.3, desculpa, evangélicos. Ele passou a 25.3% dos votos dos evangélicos. Ele caiu 2.8 pontos percentuais.
¶35Jair Bolsonaro teve 64, dos votos evangélicos. Flávio teve 65.8, ganhou 1.4. Se vocês forem ver, a a mudança entre evangélicos é pequena. >> É isso. Três pontos na conta do W.
¶36>> É três 2.8 na minha conta aqui que o Lula perdeu. 1.4 que o Flávio ganhou. >> É, é pequenininho. Agora entre católicos é 4.7 que o Lula perdeu, 5.7 que o Flávio ganhou. Então, tem um delta aí de quase 10 pontos.
¶37Eh, eh, >> e, ou seja, Nossa Senhora da Aparecida, eu acho que agora a gente pode falar com tranquilidade, não fez nenhuma diferença eh nessa nessa eleição. >> Eh, não sabemos, né? A gente não tem o contrafactual. Talvez o estrago tivesse sido maior sem isso, né? Justo, justo.
¶38Você tem toda a razão. Você tem toda a razão. Você tem toda a razão. [risadas] Eh, >> mas deixa o Cristian falar também um pouquinho que a gente atropelou ele. >> Desculpa, >> não, imagina.
¶39Estou falando de dados. Eu abri os dados aqui, eh, de dados de primeiro turno, de segundo turno. É interessante quando a gente falar assim, eh, mudou isso, mudou aquilo, mudou não sei quê. Mas assim, o que mudou, na verdade, as coisas não estão mudando muito desde 2014, porque essas vitórias, por exemplo, isso é uma coisa engraçada, né? Eu tô vendo aqui, eh, desde que o Lula foi eleito pela primeira vez, ele tinha ele fez 46.4 na, na, no primeiro turno 2002, fez 48.6 no segundo turno.
¶40Segundo turno não, não, no primeiro turno de 2006, Dilma fez 46.91. É mais ou menos. Você vê como é que é muito parecido, né? Dilma também 2010, 2014, ela fez aí foi ruim, foi 42%, né? Aí teve o negócio do Hadad que foi menos de 30.
¶41Foi [roncando] no ano que o Bolsonaro foi eleito, né? Agora em 2022 o Lula fez 48.43, agora ele fez 45.16. Você vê que tem um negócio que tem um negócio que não não desce ali, né? Tirando o Hadad lá, enfim, que é 40 40 45 46 por ali. Então, quando a gente tá falando, a gente tá falando de 5% das pessoas.
¶42É claro que tem também uma uma uma variável importante aqui, que essa eleição meio que funcionou como se fosse primeiro turno, segundo turno no primeiro. Isso é uma, isso é um negócio que é delicado pro Lula, >> porque nas outras vezes o que que o que que você teve que fazer para conseguir subir eh o a eleição que foi o ponto de virada foi 2014, porque 2014 passou a ter polarização mesmo. Foi com a Écio, começou com a Écio, depois foi para Bolsonaro. Porque quando você olha, olha dado, e a Dilma tinha 42 no primeiro turno e ela ganha com 51,64 naquele último arranque, entendeu? Quer dizer, já era um um negocinho assim que ela ganhou 51.64 e o Lula ganhou em 22 com 50.90.
¶43Quer dizer, olha, olha a diferença não chegou, não chegou a um ponto, um ponto percentual de vitória, né? Eh, e o agora o Lula agora no primeiro turno assim, que que ele perdeu? Que eu tô querendo só localizar a quantidade de gente que assim, não é todo mundo, né? Mas ele perdeu nessas eleições, se você não consegue conquistar 4, 5%, você perde a eleição. >> Uhum.
¶44>> Então é assim, é quando quando a gente tá falando assim dos católicos, não sei que da classe C, assim, não é a classe C inteira, não são todos católicos. Claro que também tem uma uma eh uma coisa que é mais complicada, porque às vezes o católico é da classe C, se o católico é da classe D, se o evangélico é da classe A, se não tem tem porque essas coisas sobrepõem. Ninguém é só católico, ninguém é só classe C, ninguém é só >> Claro, >> mas é claro também que é difícil a gente conseguir, >> a gente tem que isolar, né, as identidades para conseguir fazer os cálculos, >> certo? >> Né? Mas o fato é que e o Lula tá e com mais [limpando a garganta] de três pontos menos do que ele teve na última eleição e que ele ganhou por um FIAP.
¶45Então, na verdade, o que a gente tá discutindo aqui é isso. É assim, é e e tem um país inteiro que continua muito parecido. Você tem 40 e tantas pessoas que votam no candidato da esquerda, entendeu? Ou pelo menos a gente não sabe se vota no Lula, né? Porque a gente não teve um candidato pós o Lula ainda, né?
¶46Ou ou ou tem uma terceira a alternativa que é vota no candidato de esquerda, vota em Lula especificamente ou vota contra a família Bolsonaro. >> Sim, acaba sendo tudo a mesma coisa, né? >> É, é o mesmo candidato, mas são e eh >> embora o Hadar, eu tenho um conjunto de amigos, entendeu? O meu o meu meio liberal >> eh cara, votou pesadamente no Lula. Sim, eu sei.
¶47>> E não votou nem no Lula, nem na esquerda, votou contra, sabe o Bolsonaro. >> Isso é o antibolsonarismo. >> É isso. >> Então, mas a gente tá, a gente entrou nessa desgraça em 2014. É isso que eu tô querendo dizer.
¶48Isso não foi com Bolsonaro. Isso, a gente essa, essa, essa, essas o antipetismo levanta e põe a cabeça forte mesmo em 2014. Agora, eh, uma coisa que é preocupante, eh, o Lula teve 45. 45.16 ontem. O Hadad teve 44.8.
¶4987 em 2018. Quer dizer, é uma diferença de meio ponto da eleição da daquela época que o PT perdeu, né, que foi a onda de direita também, entendeu? Então, então no fundo a gente tá eh eh tô parece que eu tô dando uma volta que eu tô desdizendo, não tô desdizendo nada, só dizendo que a gente tá no mesmo lugar e que, como a gente tem falado aqui desde o começo, essa eleição é disputa de 5% do eleitorado. >> Uhum. >> É uma disputa pequena.
¶50Se o o país continua dividido, assim, a onda que a gente tá falando é uma coisa, pelo menos para presidente, é uma coisa desse tamanho, mas eh você não podia esperar que você o segundo turno para tentar fazer esse esse movimento, principalmente numa eleição como essa, em que o segundo turno foi no primeiro quase. Por isso que é difícil. Por isso que é difícil. Mas por outro lado você continua tendo isso que eu que queria fazer 40 e tantos por da população que é que tá do outro lado. A a você tem uma alternância diante isso e ante aquilo.
¶51Na verdade não tem não tá no horizonte agora de despolarização. Não, o despolitização, isso não tá não tá no horizonte, né? Havendo, continuando, eh, havendo instituições, eh, que garantam eleições limpas e justas, nada impede que daqui, ah, sei lá, se caso caso Flávio Bolsonaro seja eleito, nada impede que daqui a 4 anos também ele perca de novo. É isso que eu tô querendo dizer, porque você continua, o antipoliconarismo continua em pé, entendeu? Embora as instituições também estejam em mudança, né?
¶52Eh, eu não, eu não vou fazer uma análise, não. Eu queria só fazer uma pergunta sobre essa tua análise. Primeiro, vamos pontuar que aparentemente as urnas eletrônicas foram salvas, né? Elas não deram, não são fraudadas, né? Parece nessa eleição.
¶53É, varia de acordo com o resultado delas. varia [risadas] de acordo com resultado. As urnas são fraudadas por um escândalo, manipuladas quando o nome Bolsonaro fica atrás, quando ele fica à frente, não. Aí naquela eleição elas funcionaram, entendeu? Você tem que entender a lógica, Flávia.
¶54>> Isso >> não. A esquerda faz quando quando quando a esquerda perde é dizer que o o povo foi enganado. >> Mas isso é a tradição, né? O povo foi enganado, que o povo foi, >> foi falsa consciência, foi falsa consciência >> pela mídia, por nós, >> por nós, né? Se se o narrador do jogo torcesse pelo time certo, ele tinha influenciado a torcida e aí o resultado e aí o craque teria feito o gol que ele não fez, entendeu?
¶55A a a culpa pra direita é das urnas, a culpa pra esquerda da imprensa, né? >> Da direita é da É da pra direita é a imprensa também. Também a direita apanha de qualquer maneira. >> Não sai bem com ninguém, >> porque todo mundo tem que tomar lava. Todo mundo tem que tomar lá.
¶56Não, mas eu acho não, não gosto da esquerda é a coisa da falsa consciência. É a coisa de que os os ricos conseguiram vender uma ideologia. Eles venderam pro para essa classe C essa esse papurado de que eles querem que eles podem ficar ricos. Enfim. volta, volta para tua divisão.
¶57Eu acho, acho interessante a tua divisão de 2014 para cá e do desse sentimento, né, do antilulismo e da divisão ao meio. O que me parece eh, que a gente talvez tenha consolidado de uma maneira já em 2022, isso já tava ali, mas como teve uma tentativa de golpe no caminho, eu acho que muitos de nós ficamos com a expectativa de que isso diluísse o que é o bolsonarismo, eh, em contraponto ao que é o antilulismo. Eles são eh eh é é uma questão de quem tá contido em quem. Eh, mas me parece que esta eleição em que o Flávio, que foi visto até por alguns bolsonaristas como a escolha menos confiável, no sentido de que ele tinha muito esqueleto no armário, pouca eh eh enfim experiência, >> armário, não tava nem no armário, não, [risadas] >> justo. Enfim, os próprios, parte dos bolsonaristas até desconfiavam desta candidatura, da força dessa candidatura.
¶58E a gente chega eh a este ao fim deste primeiro turno. Eu fiquei pensando muito desde ontem numa num cenário em que dentro de cada 45, 47% tem um pedaço grande de rejeição ao outro campo, mas no bolsonarismo tá muito consolidado para além do antilulismo. Para mim, o um candidato como Flávio conseguir essa votação tão expressiva está me dizendo que existe um sentimento pró visão de mundo de direita radical, eh, que tá consolidado, que tá que não tá só antilulista, entendeu? Queria te ouvir sobre isso. >> Não, não, eu quero te fazer uma pergunta, porque você tava falando disso ontem.
¶59Você bateu nisso, bateu nisso ontem assim, mas a partir do momento em que você tem eh nos levantamentos de pesquisa que que praticamente todos os candidatos de direita pontuavam igual, você acha que isso é uma coisa bolsonarista ou é porque você tá querendo dizer o seguinte, não é só antipetismo, existe um conteúdo bolsonarista. Aí a minha dúvida é assim, tem um conteúdo conservador >> que é contraante PT ou você A pergunta é, você acha que só a cara dos Bolsonaros pode pode exercer esse papel? Porque para mim é claro que Bolsonaro botou o filho lá para ele, pra família continuar sendo essa cara e não ceder a cara para outro como pro Tarcísio. Então eu não sei assim se tem você tá querendo dizer que tem um conteúdo conservador ou se tem um conteúdo que é especificamente bolsonarista dentro do conservadorismo. >> Não, eu acho que é um um conteúdo alinhado com eh a ultradireita europeia americana.
¶60Eh, que então assim que no Brasil a expressão é o bolsonarismo. O Renan tentou ocupar outro lugar de uma direita radical não bolsonarista, não colou. Aí a gente pode avaliar todas as todas as razões pelas quais não colou, mas não colou. Eh, então, a minha tese, olhando os dados e este o combo de como as pessoas votaram, então, eh, o voto atravessado, né? Eh, Flávio, governadores de direita, senadores, deputados e deputados estaduais de direita, essa onda mesmo, né, que ela não é só de norte a sul, ela é vertical.
¶61Então, o que que as pessoas estão dizendo com este voto, a meu ver? Eh, é uma uma onda alinhada com um resposta ultra radical, de ultradireita, que eles estão sabendo dar, que eles estão mexendo com a cabeça do eleitor. Pode, veja, uma parte é por desesperança com a centroesquerda, com o incumbente, etc. Outra parte é porque as pessoas estão querendo fazer esta aposta. Olha, para sair daqui, além de mudar, eu quero mudar para isso aqui.
¶62>> Sim, sim. É, sim. Existe uma identidade de de direita consolidada ou de direita ou ultradireirita que tá consolidada, que é antipetista, que é contra a identidade que existia, que tem, que é essa identidade enorme aí que tem 40 de 40, 45%, >> né, e tal. Aí você criou uma uma quase que é quase um espelho da outra que tem um conteúdo. Meu ponto era só se tinha que ser a cara.
¶63da família Bolsonaro, entendeu? Ou se não foi um efeito de recall >> porque o Bolsonaro conseguiu impor o filho dele, entendeu? Se porque eu fico achando que Tarciso de Freitas e outros se tivesse chegado no segundo turno ia ser mais ou menos isso. Quer dizer, e aí a minha dúvida é se você achava que o quando a gente tá falando em antipetismo é um conteúdo vazio, simplesmente contra. Não, não.
¶64Eu acho que tem uma identidade conservadora, né? Só é quem, o meu negócio só quem é quem veste a cara, porque porque o Flávio começou com 30 e pouco, né? Não, não era uma coisa óbvia. Ele não tava que nem o Lula lá com 40 e tanto. Ele tava com 15% menos.
¶65Exatamente. Porque eu acho que uma coisa é identidade conservadora, a outra é identidade bolsonarista. Eu ten entende o que eu tô querendo dizer? E aí porque ficou e não teve opção e o outro não apareceu, ele ocupou outro. >> Então vai esse mesmo, porque o Lula é o pior candidato.
¶66Então voto em qualquer coisa para tirar o Lula, né? É, eu eu eu discordo que tenha que a gente veja com clareza que esse é esse eleitor, eu acho que é um eleitor mais antilulista do que é por um único motivo. Eh, no final, no segundo turno, todos os outros candidatos pontuavam igual contra o Lula. Acho que >> é eh qu que é essencialmente você tá falando, né? É, >> é, não tô falando assim, você tem você tem unidade conservadora, não necessariamente outra direita, mas assim, o o Bolsonaro quer quer manter o monopólio da cara da família dele e eleger a família inteira, porque a gente já sabe aquilo ali afirma, né?
¶67Afirma. Agora só só um pontinho que eu queria que eu queria eh falar disso é assim, >> essas pessoas esses assim, a gente tá discutindo aqui assim, ah, qual foi o razão da a razão da virada, qual foi a razão da onda? Gente, é 4 5%. >> Uhum. Não é o país virou, não é 4, 5% 4, 5% que abandonaram o Lula nesse nessa nessa primeira.
¶68>> E eu e eu tenho mais informação sobre quem são esses. >> Pois é. É esse pessoal que interessa saber o perfil desse pessoal. >> É, não é um voto recuperado. Mudarem, antes de vocês mudarem de assunto, deixa.
¶69Eu juro que eu não vou ficar longo >> não. Não, só ainda sobre o que cara que é o bolsonarismo e o que que é o que que é. Veja, parte da minha impressão para isso é que, por exemplo, o centrão, o centrão encolheu no Congresso e o PL foi ocupando esse lugar. Então, >> eh, União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, eh, ainda seguem muito expressivos, mas foram cedendo o lugar e eu não acho que seja porque eles se identificam só com o PL. Então, é parte da minha lógica passa por aí.
¶70Eh, mas por favor, prossiga, Pedro. >> Eh, vamos lá. A, o voto que o Flávio ganhou em cima do pai e o voto que o Lula perdeu em relação a ele mesmo em 2022 foi uma transferência direta. O voto que o Lula perdeu não foi para branco, não foi para Lula nulo, não foi para eh eh não foi para um terceiro candidato. O voto que o Lula perdeu foi pro Flávio Bolsonaro.
¶71Eh, vamos lá. Onde que o Lula perdeu? Ele perdeu 4.4 pontos. Tudo em relação comparando o 26 com 22. E gente, eu não estou falando de pesquisa eleitoral, eu tô falando dos votos nas urnas, tá bom?
¶72Comparando urna por urna no Brasil. Ó, nessa urna tem tantos votos pro Lula, tantos votos pro Flávio, qual é a soma, tá? Eh, eh, isso aqui é número real, isso aqui é realidade. Lula perdeu 4.4 pontos percentuais na classe D e 4.6 pontos percentuais na classe E. E esses votos foram para Flávio Bolsonaro.
¶73Eh, Lula perdeu 2.9 milhões de votos de católicos e Flávio ganhou esses votos. Eh, e para vocês terem uma ideia, o Flávio teve 4.9 milhões de votos mais que o pai dele em 2022. Metade disso são votos católicos que o Lula teve em 2022. Tipo, literalmente comparando urna com urna, tá? Evidentemente não é eleitor com eleitor, mas é o conjunto de votos de uma urna para outra urna.
¶74Quer dizer, é um um é um número com um nível muito alto de precisão. E municípios com menos de 20.000 votos, Lula caiu 5.5. Cidades com mais de 1 milhão, Lula caiu 0,6. Lula caiu principalmente no interior, em cidade pequena. Eh, ele perdeu 7.8 pontos percentuais no Centro-Oeste, perdeu 6.1 no Sul, 3.7 no Nordeste e no Sudeste.
¶75Então, o o desenho é esse, tá? Lula perdeu o voto de gente muito pobre, Lula perdeu o voto de católico e Lula perdeu o voto de gente que mora em cidade pequena. Eh, são esses os brasileiros. E eles mudaram voto para Flávio Bolsonaro. Eles não foram pra terceira via.
¶76Agora, os votos que estão na terceira via, os votos que estão com Renan, que estão com Curi, que estão com Caiado, olha que interessante. Sabe em quem esses eleitores votaram em 2022? Majoritariamente em Simone Tebet e Ciro Gomes. Esses votos são recuperáveis. Eh, esses votos são recuperá.
¶77Esquece que é candidato de direita, tá? Esquece que a Renan Curi é é caiado, porque o Zema não existe, né? Eh, são principalmente votos de Tebet e Ciro das classes A, B e C. Esses votos, os da classe A vão pro Lula. >> Isso.
¶78Totalistas, inclusive mesmo, a mesma quantidade de gente. >> É >> 5% por aí. >> Por aí, por aí. Tem voto para pegar. Tem voto para pegar.
¶79>> O problema é o o problema é classe ser >> prorrogação, né? que 15 minutos. Tudo bem, tudo bem. Não, o o problema, o problema, me perdoe a franqueza, é é que a esquerda eh o pessoal fica reclamando: "Ah, Pedro fala de esquerda, tal". Teve uma moça que fez um comentário muito interessante que eu acho que eh revela muito disso que eu tô falando.
¶80A a Angelina THX 1138. Pedro é um cara insuportável. Tô ouvindo só por causa do Cristian. Eu também só tô aqui por causa do Cristian. Isso nós temos em comum.
¶81Eu estou aqui por causa do P. [risadas] >> Então vou embora. Boa boa tarde. >> Não, eu tô falando que foi chamado por [risadas] tô exausta. >> Não, por amor.
¶82É, eu tô só por você, querida. Se for só por amor, >> eu vou ficar com ciúme assim. >> Não, por você, pai chama. Ca vez piora o negócio aqui. [risadas] >> É isso.
¶83Não, ainda bem que esse quatro p desescendente lá [risadas] os dois rasgar ceda. Eh, Angelina, eu, se fosse você, eu me ouvia, tá? Eh, sabe por quê? Porque o que eu passei os últimos anos falando que o PT tava errando é justamente a coisa que tá aparecendo na, entendeu? Não fala com a classe C, não entende a classe C, desrespeita à classe C, esnova a classe C.
¶84O problema do voto de esquerda é que o voto de esquerda são dois, é um voto de elite e é e é um voto de gente muito pobre. Eh, o único voto que o PT não perdeu foi o voto da elite, porque mesmo no voto de gente muito pobre, o PT perdeu margem ali. Então, eu acho que é hora de a esquerda começar a se perguntar porque que ela só é compreendida na elite da elite. >> Mas esse pessoal que votou da Simone Tebet, tal, o Pereré, qual é o perfil deles? >> Classe AB.
¶85>> Ah, isso também é elite. >> Não, não. Sim, sim, sim, sim. E esse voto vai pro Lula. Mas >> esse esse voto já foi pro Lula na última eleição.
¶86>> Sim. Então o >> eh entendeu? Esse voto vai pro Lula. O problema é que ele não é o suficiente porque o resto do voto vai pro Flávio. >> Pois é.
¶87Por quê? Por porque Caiado, Caiado, esse pessoal todo não é >> esquece, esquece Caiado. Renan Curi. Os eleitores que votaram nelesade. >> Em 2022 votaram na Simone e no Ciro Gomes.
¶88Verdade. Sim. Então, na verdade, o que você tá dizendo é, existe um problema, um problema que eu reconheço e acho que é verdade, a gente tem batido nessa tecla aqui, existe um problema de, vou falar a palavra difícil de acadêmico, de o problema não bom esse, esse não é complicado, problema cognitivo, mas eu ia falar problema de inteligibilidade, assim, eh, existe um problema de que boa parte da esquerda ela não vê as mudanças sociais que estão acontecendo e já que estava acontecendo antes de 2014, >> não. Mudança social é mudança de perfil das pessoas, dos votantes. A sociedade de de 2014 não é a sociedade de 2002, não é sociedade de 1980, 75, não é?
¶89Inclusive por conta das mudanças que foram operadas pelos governos Fernando Henrique, pelo governo Lula. Você aumentou o horizonte de expectativas, de você aumentou o horizonte de desejo das pessoas, o horizonte de aspirações das pessoas, porque elas não estão mais só precisando, como né, o outro, o Lula dizia em 2002, precisa, né, três, ter três refeições por dia. Você aumentou, a, a coisa ficou complicada por esse aspecto porque ela melhorou, porque o país melhorou, porque o país não está desgraçado, miserável, como era antes. >> Posso ler um comentário aqui? Pode.
¶90>> Víor Fontinelli. Eu eu eu eu tenho ouvido muita gente, inclusive na minha família, falando exatamente o que você tá falando, Víor. Eu tô vendo muito essa construção eh eh que você apresentou eh eh por aí. É exatamente o caminho para entregar a presidência para Flávio Bolsonaro. A classe C é fascista.
¶91>> Hum. >> Tem que se no governo Bolsonaro. Minha vida tá feita. Quero ver Uber e motoboy passando fome e pequeno comerciante falindo. Isso é a cara da esquerda no Brasil, tá?
¶92Bom, como eu dizia, a gente tá aqui para discutir como é que você ganha voto, não, como é que você entrega a rapadura pro adversário, né? Então, você tem uma mudança que tá na base. Eh, o problema é que as pessoas que eh os os políticos que estão em geral que têm sucesso, eles ficam repetindo as mesmas fórmulas. Eles eles estão dentro de uma rotina institucional que pressupõe uma sociedade que não existe mais. Aí você começa a ter um descolamento dessa sociedade, porque você não começa a analisar, você começa a repetir as mesmas coisas, continua falando com as mesmas pessoas e você não tá analisando eh o movimento de deslocamento das placas tectônicas que estão acontecendo na na sociedade.
¶93Isso é um problema. Isso tem sido um problema. O outro problema foi, acho que tem sido também, que é uma certa arrogância ou também, não sei se também faz parte da rotina, uma certa arrogância de que vai dar tudo certo porque eu já ganhei várias eleições, eu não preciso me juntar com as pessoas que que me criticam, embora não sejam meus adversários existenciais, né? Às vezes eu acho que tem pessoas eh dentro do PT especificamente, mas a esquerda em geral, às vezes o próprio Lula solta isso como se eh o isso que a gente tá chama de centro, essas pessoas que votaram na Simone Tante na outra eleição, como se as pessoas também fossem inimigos existenciais, assim, eles não são inimigos existenciais. Quer dizer, aí tem um problema da Frente Ampla que o Lula prometeu que ia governar com esse pessoal e alienou esse pessoal.
¶94Não precisava ter feito isso, entendeu? Teve uma certa arrogância. Eu acho que foi uma arrogância da ideia de que a gente ia voltar pro segundo governo do Lula de alguma maneira, entendeu? >> E aí você perde embaixo porque você não tá olhando, só para, eu acho que você não tá olhando o que que tá acontecendo embaixo e você tem um problema de uma certa arrogância que você não acha que não precisa do voto desse pessoal em cima ou que você pode esperar o segundo turno para ir atrás desse pessoal. Aí você tem três semanas para fazer tudo.
¶95>> Eu vou eu vou eu vou ler aqui um um >> Eu ainda queria responder o Vittor se o comentário >> Claro, claro, claro, claro. Eu eu depois eu trago um comentário que eu acho que muito importante do meio Fukuyama, meio meia shimer. >> Eh, eu trago na sequência. você não não porque é um pouco mudar de assunto. Fala você pro Víor.
¶96>> Vai ser vai ser vai ser rápido. Eh, eu também tenho visto exatamente esses comentários. Eh, e eu entendo onde eles vêm e eu associei hoje de manhã na nossa reunião de pauta ao que eu chamei das cinco fases de luto, né? Eh, eu acho que assim, eu não tô querendo com isso dizer que acabou, morreu, enfim, mas >> quem tá dizendo é ele. >> Hã, >> quem tá dizendo isso é o Víor.
¶97Esse que recebe não. E o comportamento da militância. E o comportamento da militância. Então, o que que eu acho que aconteceu? Vamos lembrar os estágios do luto.
¶98Quais são? O primeiro é negação. E assim, a negação para mim da campanha lulista começou antes da eleição, né? Antes de ontem já. não sentido de desistir e tal, mas de negar uma realidade que tava se apresentando até os 45 do segundo tempo.
¶99Então, quando a campanha que que foi mal coordenada, que estava dividida internamente, escolhe falar de legado, >> é >> para um país que está dizendo já a alguns ciclos eleitorais que o legado do Lula talvez não seja eh o que tá tá querendo celebrar neste momento, não é não era uma eleição celebratória do Lula, é o contrário. Então isso para mim já é processo de negação. Eu falei isso aqui algumas vezes no central, logo que eles estabeleceram que esse ia ser eh essa ia ser a aposta. Falei: "Ó, eles talvez estejam apostando que talvez lembrando que o Lula já foi antissistema dê aí algum start. Não deu, né?
¶100Isso é a negação. Agora a segunda fase, o segundo estágio do luto é a raiva, é a revolta e é procurar culpados. O que a esquerda, a meu ver, tá fazendo neste momento, claro que com as louváveis exceções de sempre, mas a maioria, é procurar culpados para fora do seu próprio campo ou das suas atitudes, o que costuma ser a receita de fracasso. A gente sabe até até em o Augusto Curi já ensina isso nos livros dele. [risadas] Qualquer coach mais básico de autoajuda vai te ensinar a olhar primeiro os teus erros, né?
¶101E tanto que uma das coisas que começou a circular, que começaram a circular desde ontem, é que o que fez o Lula perder neste primeiro turno foi a proibição das bets, como se este movimento ali aos 45, né, eh, pudesse responder sozinho por esse movimento todo que a gente assistiu ontem. E e enfim, não. E quando você olha pro eleitor eh de classe C, que é em tese o que devia ser o mais grato, né? Tô fal imaginando a cabeça do militante, tá? O mais grato por ter emergido justamente foi o, né, a população que o Lula ajudou a sair da miséria e tá aí agora.
¶102E então que volte a se ferrar, que volte a sofrer com tudo. É, é você tá eh, basicamente culpando a vítima, né? É, desculpa usar essa analogia, mas por mais tentador que seja, e eu entendo que que é tentador você olhar para eleitor que não entendeu nada muito entre aspas, né, na visão desse militante e culpá-lo, eh, politicamente é a receita do fracasso, porque você não ganha, exatamente como o Pedro falou, você não vai ganhar a eleição falando, escuta, você é muito burro, mas se você quiser votar em mim, eu te ajudo, tá? Por por puro altruísmo, não vai rolar, né? Então, eh agora as as outras duas fases são as outras três fases são a barganha, que tem que começar para ontem, né?
¶103Que é você começar a imaginar uma saída, imaginar cenários alternativos e chamar mais gente para compor aí o a base, né? e a depressão, se de fato se confirmar a vitória do do Flávio e depois uma aceitação de voltar paraa luta, né, que eu espero que se viesse confirmar a vitória do Flávio seja esse o percurso completo e não vi e não se transforme numa num sinal contrário absoluto, né, de aí questionar urna, questionar mudança de zona eleitoral, que também já aconteceu, entendeu? Espero que caso a esquerda realmente perca, eh, se cumpram todas as fases [risadas] e aí volta paraa luta, né? Mas enfim, diga. >> Deixa eu começar aqui com Eu quero ler três comentários.
¶104O primeiro do Daniel Custers. Vai se vender, Pedro, quando eles baterem na sua porta como mídia não grata. Vai, olha só, quem tentou me comprar até hoje foi o PT, tá? Eh, dentro do Palácio do Planalto. Eh, eu não me vendi lá, não é para bolsonarista que eu vou me vender, tá?
¶105Eh, eu aí eu quero entrar pro pro meio Fucuyama, meio Mirimer e pro Luís Tonos. O Luís Tonos tinha feito a seguinte pergunta: "Pedro, quais os anseios da classe C? O que o governo criou devia fazer ou dizer para ganhar essas pessoas?" criou MEI, isenção de imposto de renda, bolsa família, o que mais precisa ser feito e o meioama, meio meimar. Ontem o analista Miguel Lago disse que devemos seriamente cogitar descrever o que estamos que estamos em um processo revolucionário no Brasil há pelo menos 8 anos. Eh, o o o Miguel é um cara que eu adoro, adoro.
¶106Eh, e é outro excelente parceiro de shop e e um cara muito inteligente que conhece muito a história do Brasil. Eh, eu concordo e discordo do Miguel e eu acho que isso tem muito a ver com a pergunta do Luiz Tôus. Deixa eu desenvolver um pouco o que que o que que o Miguel falou ontem no Foro de Teresina. Ele falou, e eu concordo com ele, tá? Eh, e eu vou explicar porque que eu concordo.
¶107Ele falou que a gente tá vivendo um movimento revolucionário no Brasil nos últimos oito anos. eh, e que a única maneira de conter esse movimento revolucionário é com movimento contra revolucionário. E quem vem eh no raciocínio dele eh atuando como força contra revolucionário é o judiciário. E uma parte da imprensa decidiu bater no judiciário que estava agindo como força contra revolucionária. Eh, eu eu eu acho que o Miguel e tá tá eu entendo o que o Miguel tá dizendo.
¶108Eu acho que ele tá correto. Então, vamos falar sobre classe C, vamos falar sobre isso. Eu acho que a gente tá vivendo uma coisa muito parecida com 1930. Eu tenho a impressão que o Cristian concorda comigo nesse ponto. Eh, a primeira república deu certo, a nova república deu certo.
¶109O que que é um regime dá certo? ele realmente transformar a cara de uma sociedade. Os únicos dois regimes que nós tivemos que de fato transformaram a cara da sociedade brasileira para melhor foram a primeira república e e e a nova república transformar a cara da sociedade, não é? A infraestrutura industrial, Estado Novo mudou. A infraestrutura industrial mudou, mas não mudou a cara da sociedade.
¶110A a segunda república, né, de 45, não mudou. Agora, a primeira república criou duas novas classes que não existiam. Criou uma classe média urbana e criou uma classe operária. Isso eram coisas que não existiam no Brasil. O problema é que chega num determinado momento ali na década de 1920 e aquelas duas classes novas elas tinham anseios, elas queriam coisas, elas queriam ascender socialmente, elas queriam tipo de legislação que as beneficiasse, elas queriam uma infraestrutura de estado que fosse feito, pensaram nelas.
¶111E a turma que tava na na no comando da primeira república, eh, é o que é natural de um regime quando ele envelhece, não consegue perceber e fica tentando aplicar fórmulas que são as fórmulas que você já aplicava 15, 20 anos antes e não resolve porque aquela turma pensa com uma cabeça diferente. Aí o Getúlio veio com a revolução de e e ao longo da da primeira parte da ditadura do Getúlio e depois do Estado Novo, ele reorganizou o Brasil para um país que tinha uma classe média urbana, eh eh que passou a ter voz, tal, e para um país que tinha uma classe operária, que passou a ter sindicatos organizados, estrutura de lei trabalhista e tudo mais. A Nova República criou dois novos tipos de brasileiro que não existiam antes, que é a classe C, que é essa turma evangélica de classe média baixa da periferia urbana e e e a turma do agro. E e esses dois grupos têm uma ideia de Brasil na cabeça e e ele e a nova [limpando a garganta] república não consegue reconhecê-los, entendeu? Sim, tem lobby boi bala bíblia e eh tem bancada disso, tal, mas a infraestrutura de estado, a maneira como o estado é organizado, simplesmente não atende essas pessoas.
¶112Aí o Luís Seveira, pô, criou MEI, isenção de imposto de renda, bolsa família, o que mais precisa ser feito? Percebe o seguinte, como é que o estado, como é que o estado brasileiro é pensado? Eh, o estado brasileiro é pensado para atender da seguinte forma. A gente faz uma aposta em empresas muito grandes e essas empresas vão contratar muita gente e dar estabilidade de emprego para muita gente e essas empresas muito grandes vão gerar a a a riqueza do Brasil, tá certo? Essa é a lógica que o Getúlio implantou para aquele Brasil.
¶113Eh, aí você começa a criar uma burocracia de estado que é muita regrinha, é muita regrinha. Eh, e você cria um sistema de tributação que é um inferno na terra. Para uma empresa muito grande, isso não é um problema. Você é grande o suficiente para ter verba, para contratar um mar de advogados e contadores que vão garantir que toda plaquinha que tem alguma lei que exige que num ambiente, num banheiro, você precisa ter uma plaquinha dizendo isso, porque senão o fiscal entra e diz que não pode aquilo. você vai ter eh eh um grupo de contadores que vai saber contar cada coisa que entra, cada coisa que sai da empresa e vai uma empresa grande consegue viver no Brasil porque ela tem dinheiro suficiente para gastar com o custo que o estado impõe, que é esse país que tem um monte de regrinha para muita coisa diferente, entendeu?
¶114Você já parou para pensar quantas plaquinhas um botiquim de esquina tem que pendurar para não ser mutado por fiscal? Entendeu? Porque tem a lei municipal que determina que tem que avisar tal coisa para não sei quem. Porque tem a lei estadual que e são essas coisas. Por quê?
¶115Porque o Brasil é pensado para isso, uma grande máquina que faz vastas contratações. Só que aí você tem uma nova classe que se vira e fala: "Eu não quero ser empregado porque eu não acho que eh de onde eu venho eu tenho oportunidade de ascensão social como empregado com ensino médio numa grande empresa. Eu vou no máximo ser gerente de supermercado e vou ser demitido aos 55 e aí eu vou viver do quê, entendeu? As pessoas fazem esse cálculo porque elas passam a fazer esse cálculo porque elas não são mais pobres, desesperadas, elas já estão na classe média, elas querem construir. O problema é que o Brasil continua o país com muita regrinha.
¶116Aí você faz mais um puxadinho. É mei é um puxadinho. É uma tentativa de adaptar o uma infraestrutura construída para um país de empresas grandes. Eh, mas é um puxadinho. Aí você se vira.
¶117Não, mas aí eu abato o imposto de renda de quem ganha até 5.000. Tá bom. De novo, você tá tentando encaixar aquela figura de classe C nesse sistema em que você tem que ser CLT, em que você tem que fazer o desconto para imposto de renda desse jeito, porque você tá numa máquina que é feita, na verdade, para você ter o desconto da fonte feito por uma empresa muito grande. Eh, aí você fala de Bolsa Família, Luís. Bolsa Família não é para classe C, cara.
¶118Classe C não tem bolsa família não. Classe C vive do próprio trabalho. Bolsa família. Isso é uma coisa inclusive do descolamento da elite, da classe AB do resto do Brasil. As pessoas acham que Bolsa Família é paraa classe C.
¶119Não. Bolsa Família é paraa classe E um pedaço da classe D. É para outro tipo de gente, tá? E eh. Mas sim, tem essas políticas pontuais, só que o que você precisa é fazer um redesenho completo do Estado brasileiro, que é exatamente o que aconteceu na década de 30, redesenhar por completo o Estado brasileiro e inverter para uma lógica de um estado cuja economia baseada em empresas muito pequenas.
¶120Um estado cuja economia é baseada em empresas muito pequenas e uma vastidão de empresas muito pequenas é um estado que tem que desburocratizar, que tem que simplificar e tem que repensar quais são as relações de trabalho. E o problema é que a nossa elite ela não consegue e e eu não tô falando, quando eu falo da nossa elite, eu não tô falando da esquerda, entendeu? Eh, eh, da direita à esquerda, da FIESP a CUT, todo mundo pensa com esse modelo de estado grande, com empresas grandes, com BNDs. E, e isso é um problema, entendeu? Lula e Geraldo Alkmen concordam no modelo de estado.
¶121Ciro Gomes é o campeão desse modelo de estado. E você tem metade da sociedade se virando e falando: "Eu quero outra coisa, eu quero outro tipo de lógica". É uma reforma de estado muito grande que a classe C tá pedindo. E ela quer isso. Ela tá pedindo isso.
¶122Ela tá se virando para você e falando: "Eu não quero carteira de trabalho, eu não quero ser empregado numa determinada coisa, eu quero montar um negócio e eu não tô conseguindo." Aí a esquerda olha e fala: "Ce de maye tá falando de CEO de May? primeiro, trabalhando, tratando com descasa a solução do MEI, mas principalmente ele tá dizendo o seguinte: empresa pequena não funciona e e e não não deixa de ser verdade. A empresa pequena não funciona, porque o estado não é organizado para ser um país de empresas pequenas. Os países europeus são organizados para serem países de empresas pequenas. Os Estados Unidos é organizado para ser um país de empresas pequenas.
¶123O Brasil não é. E no entanto, metade da sociedade brasileira tá dizendo o que que é isso. Entende? Eu não acho que o bolsonarismo vá oferecer esse negócio, não, tá? Porque o bolsonarismo essencialmente é formada por gente de muito baixa competência.
¶124Mas nesse sentido, eu acho que o Miguel tá certo no sentido de que isto é uma revolução, é uma mudança radical na maneira como o Estado é organizado. Isso mexe profundamente na Constituição, isso mexe profundamente na maneira como o Estado brasileiro organizado, como a burocracia brasileira organizada, com as funções que os funcionários públicos brasileiros organizam, com todo o sistema cartorial brasileiro. É, é uma mudança que não se faz de um ano, não se faz no, no mandato de presidente, é uma mudança que você faz no arco de 10, 15 anos e você vai adaptando e vai reconstruindo. É isso que vai se virar e fazer e e dar uma infraestrutura que permite a ideia que parece ridícula pra esquerda de CEO de MEI, que o cara possa ser um CEO de uma empresa de três funcionários que seja funcional e seja fácil de operar, entendeu? Porque um dono de uma empresa com três funcionários, ele não tem a energia e o capital necessários para operar com toda a burocracia que o Estado brasileiro exige para você manter uma uma empresa operacional e funcional.
¶125Eu eu eu eu sei que eu tô falando uma coisa que parece muito complicada, mas o que que a classe C tá pedindo? Ela tá pedindo esse país, entendeu? Que é um país protestante, tá? O o país das grandes empresas é um país católico. O o o país da multidão de pequenas empresas é um país protestante.
¶126Eh eh tem a ver inclusive com a cabeça, eu acho que isso tá um pouco no Weber, mas tem a ver com a cabeça de eh eh uma estrutura religiosa centralizada que com uma hierarquia rígida e você não pode sair daquela máquina com uma coisa que cada igreja é autônoma. é, é, é um jeito de pensar diferente a estrutura da sociedade. E, e agora, hoje a gente tá numa situação em que a as pessoas que estão na esquerda sequer tem a capacidade de imaginar que o Estado brasileiro poderia funcionar de uma forma diferente. É daí que vem o preconceito CEO de MEI, mas toma uma CLT ainda. É, é.
¶127Aí eu tô vendo muitos comentários aqui em outros lugares, entendeu? Ah, o cara tem mais que se ferrar, isso, aquilo, tal. Ah, mas o governo, a classe C só existe porque o governo Lula fez o que fez. É verdade. Mas deixa eu contar uma coisa para vocês a respeito de democracia.
¶128Dane-se. Não fez mais do que obrigação. Governou bem, fez coisas, permitiu a ascensão social. Ótimo. Essas pessoas não têm que ser gratas.
¶129Elas querem mais, elas têm o direito de querer mais, entendeu? Não se vota por gratidão, não. Se vota pelo futuro, o que que você vai entregar ali na frente? E a esquerda perdeu a capacidade de oferecer um futuro. A gente tá quantos ciclos eleitorais?
¶130Desde 2014, a esquerda só vem de passado. Olha como eu fui grande. Olha a capa da economist. Foi 15 anos atrás. E aí tem gente que prefere eh não se esquerda não vende futuro, tem gente que vende passado, mais [risadas] passado, mais remoto, entende?
¶131E aí você quer mudança, né? Lembra que a gente quando a gente fala classe C, de novo, eu quero só fazer o recorte aqui, não é a classe C inteira, é um pedaço. A gente tá falando de sempre de 5%, eu nem sei quantos quantos desses 5% são a classe C. O fato é que você tem um percentual de pessoas ali que poderia estar votando com a esquerda e resolveu não mudar, mudar para qualquer coisa. E e aí acho que o pessoal que tá ouvindo a gente tem que botar uma coisa na cabeça assim, não é que isso é um plebiscito, é o eleitor médio não percebe isso como um plebiscito entre o Lula e o Bolsonaro.
¶132Ele percebe isso aí, na verdade, ele tá julgando o governo do dia, tá? Isso é uma coisa básica que a gente aprende ciência política. Tem lá o se quiser o livro lá, recomendo vocês lerem Bernard Manã, os princípios do governo representativo. É um plebiscito sobre o incumbente. É o sujeito médio não é que nem a gente, a gente é o que que é 5, 10% da população.
¶133As pessoas normalmente não tão viciadas no Twitter, no Instagram, discutindo política o dia inteiro. As pessoas estão tocam a vida delas, entendeu? E elas têm uma percepção que pode ser eh pode ser mais ou menos influenciada pelo noticiário, enfim, pelo não sei que e tal. Tô me referindo o pessoal que muda de opinião, que turma que muda de opinião no Brasil é no máximo 10%. Desde 2014, 10% para cá é 5%, 10% para cá, para cá.
¶134Então, ó, o que a gente tem que discutir aqui é o por que foi que esse esse percentual de 5 e 10% resolveu votar no Flávio e não votar, quer di, não foi nem no Flávio, né? 5%, porque o resto foi para pros pros outros candidatos. Por que que eles resolveram mudar? Por que que eles resolveram querer ter outra coisa? Qual é o tipo de insatisfação?
¶135Primeira coisa que você tem que saber para para para poder fazer alguma coisa é entender porque que você perdeu esses 5% de voto. De quem que você perdeu, eh, o que que você devia ter feito para ter mantido isso, tá? Então, assim, eh, eh, não é complicado. Como é que você faz? Você tem que olhar para baixo o que que tá acontecendo.
¶136Você tem que pegar o pulso da nação ou pelo menos pegar o pulso. Quer falar da minha demagogia? Enfim, tá falando de 5%. Você tem que pegar o pulso das pessoas e tentar entender porque que elas preferem mudar para qualquer coisa. Porque porque votar no Flávio Bolsonaro é meio qualquer coisa, a gente não sabe nem que ele pensa, não sabe qual é o programa, não sabe nada, nada.
¶137Ele conseguiu atravessar atravessar a a a campanha inteirinha sem falar nada. E até engraçado que eu vi hoje. É o candidato que não pode abrir a boca. Inclusive, saiu hoje um uma notícia de que eh os marqueteiros estão querendo dizer: "Pelo amor de Deus, não vai não vá a debate nenhum, não vá nenhum. Se se tiver que ir um, vai só um na véspera, entendeu?
¶138Porque se abrir a boca, ele sabe, se abrir a boca vai falar besteira e vai perder voto." Então ele tá passando como meio como boneco de posto. Então nesse sentido, eu acho que até é pior um pouco pr pr pr pra esquerda, no sentido de que ela tá perdendo um pouco que é para qualquer um que signifique qualquer outra coisa, porque ele nem abriu a boca. nem sabe o que que ele eh ele ele não precisa nem se explicar. Ele atravessou a campanha inteira sem precisar se explicar e só ficou mentindo, mentindo e rolando e não Isso. Isso fala menos mal dele como candidato ter ficado na frente do Lula do que da campanha do Lula, entendeu?
¶139Que supostamente tem uma porção de gente lá que é entendido, que é inteligente, que é ligado à universidade. Como é que você Como é que você Como é que você não não pegou não pegou o pulso desse pessoal? Como é que você foi pego, como é que o presidente Lula que já tá tá tentando o quarto mandato e elegeu a Dilma, né? Então é o quinto ou se você não tô querendo dizer que ela não tinha mérito também se eleger, mas que se fosse assim o sexto, como é que ele fala que foi tomado de surpresa? Ele falou isso ontem, como é que ele foi tomado de surpresa?
¶140Isso mostra uma certa falta de capacidade de aferir o que que tá acontecendo embaixo. É, é apostar muito no próprio taco, entendeu? Aí você ué, e o que aconteceu? você não pode chegar. Eu eu mostro um certo isolamento também, entendeu?
¶141Cris, >> é disso que eu tô falando, mas eh >> é este isolamento vem sendo relatado agora, né, por quase todo analista, né, que foi ouvir as pessoas mais próximas. Mas você sabe que eh eu assisti ao Flow, né, a entrevista do presidente Lula ao Flow no dia na noite lá em que seria também >> debate >> e eu não achei que ele tivesse falando sério. Achei que era tava sendo um pouco ou mentindo ou dorando ali alguma coisa quando ele disse que não fez a medida provisória proibindo as betes antes, porque não sabia do tamanho do problema. Aí o, eu não sei se você se lembra desse pedaço, aí o Igor do Flow fala assim: "Mas como assim você não sabia? Você não tava vendo as dívidas, as coisas?" Ele falou: "Não, a gente via, daí proibia de usar o bolso a família e tal".
¶142Mas eu não tinha conversado com ninguém ainda sobre isso. E aí quando foi chegando mais perto e ele ele falou assim, eu acho um pedaço para esconder que foi uma medida meramente eleitoreira na véspera do primeiro turno. Eu comecei depois de ouvir os relatos do isolamento dele e associando com essa surpresa dele ontem e tudo mais, eu comecei a achar que pode ser bem verdade, que ele eh tinha uma intuia que chegava nele, olha, presidente, estamos com problema aí, as betes estão causando endividamento nas famílias e tal. E era uma coisa assim meio eh etéria. E aí finalmente ele foi ouvir pessoas a esse respeito reais e entendeu o tamanho do buraco e decidiu agir.
¶143E aí a gente pode entrar no mérito se a ação foi melhor, pior do que podia, enfim. mas agiu. Eh, eu me parece que pelos relatos que vão sendo apresentados agora, né, nos no rescaldo, que as pessoas vão se sentindo também mais à vontade para falar, porque até a votação eh um aliado não quer sair falando dos problemas internos da campanha, a não ser que esteja com interesse de fazer perder, né? Então você, ah, não, não é bem assim, não, tá todo mundo, mas já saía uma coisa ou outra sobre a divisão dentro da campanha, sobre os papéis que cada um tava assumindo, principalmente sobre um contraponto entre um grupo mais profissional do marketing eleitoral, que é o grupo do Sidônio, versus um grupo que é da Arjanja com Stooker. Eh, isso vinha aparecendo já, é uma oposição entre os profissionais e aqueles que apostam no carisma.
¶144no carisma do dia de de sempre e no coisa do Eu acho que é mais que carisma, tá? Eu acho que é uma coisa também de viver num, eu não sei se a Flávia vai concordar comigo, mas é viver num mundo de fantasia da bolha de esquerda das redes sociais. Eu tenho a impressão de que foi uma campanha, esse pedaço feito pela turma da Janja, eh, e do Stooker, foi uma campanha de quem ama o Lula como líder político, de quem acha que o, eh, olha, é impossível não amar esse cara e e começou a, sabe assim, e a vendê-lo como como uma unanimidade, sendo que ele não é uma unanimidade, né? Não é um olhar profissional, >> é exato. É um olhar militante e apaixonado.
¶145Eh, que claro, o marqueteiro idealmente consegue emprestar esse olhar para eh a campanha profissional. Eh, mas isso é com instrumento, é com é com ferramenta, eh, né, enfim, é com ferramental profissional que você faz. Eh, então, se a gente se a gente recupera o passo a passo, a gente chegou eh em janeiro, fevereiro e aí quando veio o caso master, a ligação, as ligações convocaram, a campanha do PT estava exultante de ter o Flávio como adversário. E em parte eu até entendo porquê, porque eu acho que se tivesse sido outro nome, e nisso assim acho que a gente tá plenamente de acordo, se tivesse sido outro nome da direita não bolsonarista, ia ter sido maior o estrago, eu acho. Acho que ele teria ganhado no primeiro turno, né?
¶146Eh, por causa desse plebiscito do do, né, de avaliação do governo, a Sila e o Maurício sempre falam da pergunta do merece ou não continuar, sendo uma das mais relevantes da pesquisa e tudo. O meu ponto sobre o voto bolsonarista é outro, tá? Mas enfim, já fiz meu ponto aqui antes. Agora eles achavam que ia ser um passeio e eles optaram. A gente viu matéria disso dia após dia.
¶147Vamos deixar para bater no Flávio mais paraa frente. Vamos deixar para bater no Flávio mais paraa frente. E esse paraa frente não chegava. Fosse por eh teto de vidro, fosse porque eles achavam que não. O povo vai perceber o que que o Flávio é.
¶148O povo vai perceber o que que o Flávio é. Bom, uma parte do povo percebeu e quis mesmo assim. Uma parte do povo percebeu, quis mesmo assim de nariz tapado e uma parte eh eh enfim, nem percebeu, não deu nem tempo, só quis mudar mesmo e pronto, né? Então eh eu acho que olha, o Lula disputa campanhas, disputa eleições desde 1989. a gente pode criticar o profissionalismo da primeira, que tava todo mundo reaprendendo a fazer campanha, né, [risadas] e sentindo a temperatura do que que era uma campanha naquele momento.
¶149E, enfim, aí ali sim teve, né, a meu ver, uma interferência importante da cobertura de imprensa e tudo mais, mas foi profissional. A campanha foi profissional, levou um azarão, ó, levou um Dark Horse pro segundo turno e quase que ganhou, tá? Aí dali em diante, as campanhas do Lula eh sempre foram profissionais a a partir de 2002 para outro nível, mas 94, 98 foram profissionais. Nesta eleição houve um amadorismo até faltar um mês de de para data e assim amadorismo estratégico, não é só as peças eram bonitas, né? Não é técnico, é estratégico.
¶150É como qual a escolha estratégica que você vai fazer com este candidato aqui? Me parece que as pesquisas, as quales chegavam nas mãos dessas pessoas e elas desconfiavam. Era é a negação que eu tô falando. Não, não, isso daqui não pode ser. Não é por aí, não.
¶151É só que eles não perceberam ainda. É só que eles ainda não, a gente ainda não conseguiu comunicar tão bem, né? E foi e foi e foi se arrastando. Agora são três semanas. É um e aí eu acho que a gente tá no caminhando pro fim.
¶152Eu não sei se, enfim, vocês tinham outra ideia aqui, mas eu acho que a gente precisa começar a falar dos caminhos práticos, né, de cada um. O Flávio é isso. Ele já não queria participar da campanha de debate já semana passada, ainda mais agora, né, que tá na frente. Eh, mas eu tive a impressão que você queria ainda se manter no outro assunto, né, Pedro? Não, não é que eu queria me manter num outro assunto.
¶153Eu só queria antes da gente ir pro pro futuro, o que que acontece nas próximas semanas, eu eu só queria lembrar de uma coisa que bate um pouco naquela Parugo se vira aqui e pergunta: "E por que que o escândalo do master não colou no Flávio?" Eh, as pessoas estão votando com plena consciência de que o Flávio botou essa grana no bolso, tá? Elas estão votando contra o Lula, elas não tão votando a favor do Flávio. Eu acho, eu tava até conversando com o Felipe Nunes, eh, aliás, eu queria fazer uma observação sobre pesquisa. A nossa pesquisa saiu na quarta-feira. A nossa pesquisa meio ideia.
¶154O que ela disse na quarta-feira era o seguinte: "Ess dois estão empatados, mais ou menos dois". A gente acertou. E o Maurício Moura, a pesquisa estava empatada eh eh e essa eleição terminou empatada no mais ou menos dois. O Maurício Moura >> explica mais ou menos dois, explica mais ou menos dois. A margem de erro >> é que a margem de erro ela ela no no fez de contas o que a gente tava dizendo é que a a eleição vai terminar empatada.
¶155Eh, sendo que desse ponto de empatado aqui, o o os candidatos, cada um dos candidatos pode ter dois pontos para cima ou dois pontos para baixo. A questado é eh que já foi depois do debate, a gente não pegou o debate, a quest acertou no número. A quest acertou no número. Aquela coisa, as pesquisas erram, não, não, não, não, não. as boas pesquisas acertaram.
¶156E eu quero lembrar que o Maurício Moura, desde o início do ano, Maurício Moura, que é o fundador do Ideia, que é o nosso parceiro, Maurício Moura, tá desde o início do ano martelando aqui no meio, martelando em cada uma das edições da Quest, da, desculpa, da pesquisa meio ideia, ele tá martelando ali. É, vai ter uma onda de antipetismo de chegada. Vai ter uma onda de antipetismo de chegada. em cima tem uma turma de eleitores do do contra Lula que vão lá e votam em quem tiver primeiro contra o Lula. Ou seja, a gente disse que tava empatado e o Maurício Moura ainda rematou.
¶157tem tem uma onda forte, porque é isso que ele tava dizendo nas últimas duas semanas, vai ter uma onda forte de antipismo de chegada e nisso tava a direção de para onde que quebrava o empate. Eh, eu eu quero sublinhar isso que pesquisas boas acertaram e eu passei o ano, eu acho a Atlas super interessante. O que que eu passei o ano falando pra turma do Renan? Tá errado, tá distorcido. Tava eh isso, isso tudo posto.
¶158Deixa eu voltar a uma coisa que eu acho que as pessoas não entenderam. A gente tá preso numa dinâmica que é o seguinte. O bolsonarismo tem sólido, sólido, sólido [roncando] 13, 14 pontos, 15. O lulismo tem sólido aquele cara que vota no Lula até dizer chega 35 pontos. Tá certo?
¶159Qual? Esse é o tamanho. Mais de metade do Brasil não quer nem Lula nem Bolsonaro. Mais de metade. Mas o que que acontece?
¶160Quando o Lula já começa com 35 pontos, ele mata todo o resto da esquerda, porque não tem chance de alguém de esquerda alcançar os 35 pontos do Lula. na esquerda, é o Lula que vai pro segundo turno. E quando Bolsonaro, alguém com sobrenome Bolsonaro, começa com 15 pontos, fica muito difícil, muito difícil para qualquer um candidato da direita chegar rápido aos 10, 12 pontos para se mostrar competitivo. Então, percebe o que que aconteceu esse ano? O Flávio janeiro, fevereiro, março, ele foi ali, tipo, como é que eu chego aos 20?
¶161E depois que chegou aos 20, por quê? Porque ele começou a a cenar, eu sou o candidato antiLula viável. Agora, mais de metade do Brasil ontem votou contra. Esse não foi um voto a favor. a armadilha na qual a gente tá, que constrói essa, qual de nós estava falando de uma malz, né?
¶162Esse malestar >> foi adora, >> foi a Dora, >> adora, >> esse mal-estar que todo mundo tá sentindo nessa eleição. Nossa, mas que eleição baixo astral, que eleição com pouca gente vestindo camisa de candidato, que eleição com pouca gente entusiasmada no Brasil inteiro. No Brasil inteiro teve exão eleitoral que era mais gente de preto do que de qualquer coisa. Essa malese é justamente o fato de que essa cristalização de voto que a gente vê Lula e Bolsonaro, é um pouco porque essas figuras têm de fato esse tamanho e por elas têm esse tamanho nas nossas regras eleitorais, elas trancam o jogo e tiram todo o resto de fora. Um dos meus problemas com essa leitura de, ah, o Brasil escolheu o fascismo, isso e aquilo, não.
¶163O Brasil não escolheu a extrema direita. O Brasil votou contra Lula. 5%. >> Não foi o Brasil. >> Veja, não, tudo bem.
¶164Tem um perdeu um pedaço assim, entendeu? Perdeu um pedaço porque o governo é mal avaliado. >> É mais mal avaliado que bem avaliado. É isso que é o e a pessoa dele do presidente também, porque às vezes varia se o presidente é o presidente ou se é o governo, entendeu? >> E tem que entender também de da economia.
¶165né? As pessoas não, as pessoas agem de maneira racional, as pessoas não chegam assim: "Esse é o fascismo, então vou vou fascismo, não sei quê". Não, >> de novo, é 40 40. Tem uma miolo que você tem que disputar. Por que que você perdeu o pedaço desse miolo?
¶166É isso que tem que ser entendido. E tem que sentar o traseiro e tem que baixar a crista e trabalhar. >> Pedro, isso não explica a maior bancada da Câmara? Explica sim. É porque o sujeito chega lá e 22 22.
¶167Ele ele é é é o é um baixo engajamento que faz as pessoas tomarem atalhos. Ah, eu vou votar no 22 de caba rabo. É por isso que faz um monte de senador, faz um monte de governador, faz é é a desistência. É, sequer houve reflexão, sequer houve escolha. Meu Deus do céu.
¶168Era, era o Afif que era o candidato do Partido Liberal em 89. [risadas] Dois patinhos na lagoa. Vai Fifi 22. Quem quem caraca era um partido liberal conservador na época. >> Olha, olha.
¶169É, não era um partido liberal razoável. L que eu lembro que era conservador. Mas sim, >> olha isso parece, sabe o quê? Isso parece aquela história assim, o seu número continua o mesmo, mas os seus cabelos, quanta diferença. Aí tem Cilda.
¶170Flávia, você ia tomar outra direção? >> Eu ia, embora eu siga discordando de você nesse ponto e eu em nenhum momento falei que o Brasil escolheu o fascismo, tá? >> Ah, não, mas eu não achei que você tinha não. Se eu parei dar, passei a impressão de que eu tava achando isso, eu não não tenho essa impressão não, >> tá? Eu, eu, aliás, amanhã eu vou entrevistar a professora Lara Mesquita, que é uma das maiores pesquisadoras sobre formação de congresso, como é que o congresso opera e tudo mais paraa nossa edição de sábado.
¶171Eh, você falou tão bonito aí da nossa pesquisa e nem vendeu assinatura, nem apontou pro Qar Cod, nem nada, né? Tem que fazer tudo nessa casa. Eh, enfim, vai ser sem pacotão. [risadas] >> E aí, eh, e vou e vou questioná-la um pouco sobre isso, sobre, eh, como é que funciona esse voto, esse, essa onda. Eu acho que existe uma uma resposta que a que a ultradireita está oferecendo que tá ressoando a ouvir e que tem uma, claro que ela tem demagogia, ela não é uma resposta bem formulada, é uma resposta simplista e tudo mais, mas quando a gente olha o mundo, eu acho que sei, não sei, eu já falei que que eu acho.
¶172Ó, eu vou entrevistar a Laura, >> mas eu acho que você acho que você tá falando uma coisa muito interessante. >> Acho que tá falando uma coisa muito interessante, porque a gente tem que olhar pro congresso também. É. E pros governadores e senador, né? Senado, que eles estão querendo assembleias.
¶173É, >> é uma, é uma, é uma, é uma, tem coerência no voto, >> tem um Tarc Lula, tem um Tarc Lula rolando de vez ou outra, tem, como já teve, né, o Bolsodória e outras eh outras duplas [risadas] improváveis eh ou não improváveis, mas ideologicamente distintas por pragmatismo, porque tá falando a desta vez eu vi um pouco mais de coerência no voto e um voto mais de ponta a ponta alinhado. É, é a minha percepção, mas eu é uma percepção de 12 horas, né, gente? [risadas] A gente tá começando a amadurecer tudo isso e tal. Assin o meio. Era isso que eu queria dizer.
¶174>> Mas eu acho que você tem um ponto mesmo. Você tem um ponto da insegurança. >> As pessoas se sentem inseguras, elas não sabem e e elas votam a partir da insegurança. E quando elas estão inseguras, elas votam na elas querem autoridade, entendeu? E aí, quem tem cara de autoridade é polícia, é delegado, é esses candidatos de extrema direita que vendem segurança.
¶175[suspirando] >> Aliás, milícia também vem de segurança, né? Então tem tem a ver também no movimento, mas elas estão atrás de uma coisa de segurança, porque o governo não deu segurança. Eu agora é tem dois tipos de insegurança. Tem aqueles que que se sentem cronicamente inseguros, que que são conservadores permanentemente e tem o pessoal da meiuca e que se sente inseguro e reprova ou não reprova o governo, porque de novo a gente tá desde 2014 preso nesses 5, 10%. >> Esse pessoal é um pessoal que se sentiu inseguro com o caos do governo Bolsonaro.
¶176>> Isso >> o caos. tentativa de golpe de estado, desgoverno da pandemia, guerra cultural, era o caos, caos, caos, caos. Três vezes caos todo dia, ninguém tinha paz nesse país. E você assim, eu quero sossego de volta, eu quero quero paz de volta. Quem é o dono da casa?
¶177O dono da casa da da nova rep é o Lula. Traz o Lula de volta de novo. 5 c ali por 5% às vezes menos 1 2%. >> Entendeu? Agora é o contrário.
¶178O que que tá acontecendo? estão inseguras de novo. Isso é uma coisa, existe um problema crônico do mundo de insegurança. Agora você tá insegur inseguro a respeito da economia, tá inseguro a respeito de certos valores, entendeu? De novo a gente tem que botar na cabeça, a gente tá te falando de 5, 6%, entendeu?
¶179E é por isso que esse pessoal votou. Agora eu acho que uma coisa é a eleição presidencial, coisa Lula e tal, Peré, outra coisa é o Congresso, porque o Congresso a gente consegue ver melhor a coisa da ideologia, não é a pessoa, não são os dois turnos, né? E no congresso, o que o que a gente viu, né? A gente tava comentando isso ontem à noite, vocês à tarde e à noite, eu sou à noite, entendeu, cara? Eh, o centro, as pessoas estão achando que para ter segurança não pode ter meia medida, não pode ter moderação, não pode ter, por um lado isso, por um lado aquilo.
¶180Porque a gente viu que PT cresceu, PCDB cresceu e e os partidos do do do meu, o centrão deu uma encolhida, o PSD deu para cá, para cá, para cá, né? Isso aumenta a ideia de que é assim, nós queremos caminhos pro futuro e que o caminho não pode ser o e que no meio não tem caminho, entendeu? No no no caminho tem ou é para cá ou é para lá. E eu acho que isso vai não, aqui é só que o caminho é aqui. Tô falando aqui é meio que m grande, >> seu lugar é o meu >> tô falando meio que meio m pequeno, né?
¶181Eh, e que você precisa de grandes tomadas de decisão, você precisa de apontar até a esquerda. Eu acho que tá indo para isso, tá caminhando para isso, >> entendeu? [limpando a garganta] Eu quero para lá, entendeu? Eu quero para lá. É a China, é o desenvolvimento, é não sei quê, é a classe, entendeu?
¶182Eh, eu acho que esse esse é um pouco o recado do Congresso, entendeu? E eu acho que esse é um negócio que tá acontecendo em toda parte. Então, é uma coisa que que eu falo aqui há anos, entendeu? Não tem como ter uma extrema ultra de extrema sem você ter em alguma hora a esquerda indo pro outro lado. Você pode, a gente até pode dizer que essa identitária, que que eu sempre falo, a gente chama porque política é identidade, né?
¶183Que gente mais identitário que bolsonarista, né? Mas isso que a gente chama é uma coisa que fragmenta a identidade. Quando você sente a insegurança, você quer retornar para formas de pertencimento mais amplas. é a família, é a igreja, é o estado, pode ser a classe, no caso da esquerda, é a nação, entendeu? E essas coisas estão voltando, entendeu?
¶184E a esquerda tá um pouco parada e um pouco esclerosada num mundo de 20 anos atrás, entende? E eu acho que as eleições estão apontando nesse caminho, entendeu? Que você vai que você de novo vai ter que apostar numa numa >> numa numa numa comunidade de identidade mais ampla, entendeu? E as coisas estão indo nesse sentido. >> Marjor Tolentino, o Brasil é fascista.
¶185Temos de encarar a realidade que 50% do país é constituído de pessoas ruins. A gente que lide com isso. Eh, >> vai ficar sem ter lugar para ir no mundo, porque todo lugar tá meio assim, não? E é e é cara, eu eu acho muito curioso e e esse tipo de reação que é o seguinte, eh um dia sábado eu me preocupo com o povo, eu estou nos valores do povo, eu eu tô Aí o povo volta do outro lado e bando de fascista tem que mais que se ferrar mesmo, entendeu? vai morrer se >> o problema que esse começ >> você não tava preocupado com o povo, né?
¶186Você tava era feliz com eh esse é aquele pedaço da esquerda que eu espero seja minoria e desconfio que é a minoria, tá? É aquele pedaço da esquerda que é de esquerda, na verdade, para ficar no seu grupinho lá bebendo taça de vinho e eh ficar no seu grupinho. Eu me preocupo com os pobres, garçom. Eh, aquele francês 1979. Traz mais um.
¶187[risadas] Pedro, tem daí. Você só falta chamar de socialista de iPhone. Pelo amor [risadas] de Deus. Porque, pelo amor de Deus, Flávia, Flávia, porque veja, é claro que eu fiz uma caricatura, mas veja aqui a situação. E eh são pessoas que se dizem de esquerdas porque estão preocupadas com as pessoas mais pobres, para com as pessoas que têm dificuldades com isso que aquilo.
¶188Aí no momento que essas pessoas pobres com mais dificuldades com isso é que aquilo e votam numa outra coisa, são fascistas, tem mais é que se ferrar mesmo. Eu vou ficar aqui assistindo de cima. Você não tá preocupado com o povo, você tá gostando de se sentir preocupado com o povo, entendeu? Eh, eh, isso é uma coisa que tem mais a ver com o seu narcisismo do que com qualquer tipo de análise política. E eu tô vendo muita gente de esquerda assim, isso é puro narcisismo.
¶189Eu vi alguns vídeos ontem, eu vi alguns vídeos ontem que era de gente assim, não, por que que eu voto no PT? É, eu vi uma moça, eh, por que que eu voto no PT? Olha, eu estaria muito melhor com a direita no poder, mas eu sei que há pessoas que precisam de coisas e eh isso é puro narciso, entendeu? Isso, isso é um exercício de autocongratulação. Olha como eu sou generosa, olha como voto acima dos meus e e aí perante uma derrota que não sabe explicar, entendeu?
¶190É. A gente precisa urgentemente, eu eu insisto e essa tecla na qual eu batido nos últimos anos, eu vou continuar batendo. A a gente precisa voltar a ouvir o brasileiro, entendeu? Eh, o fato o fato de que a esquerda ajudou a esquerda tanto pelo lado da esquerda liberal com Fernando Henrique Cardoso, quanto pelo lado da esquerda socialdemocrata com com Luís Inácio Lula da Silva, acho que deu muito certo, deu muito certo, entendeu? transformou o país.
¶191O problema é o seguinte: e estando transformado o país, agora as soluções necessárias são outras, porque os problemas são novos, são diferentes, não são mais aqueles problemas que existiam. Posso >> só mencionar o nosso queridíssimo Thago Menezes, >> claro, >> que falou o seguinte: "Gente, eu vou ter que assinar o canal de vocês. Finalmente encontrei meu lugar para recolher informações. Infelizmente estamos em uma situação complicada. Vocês acham que a idade do Lula afetou a eleição?
¶192Thaago, primeiro, bem-vindo. Assinando ou não, já está muito bem-vindo. Se assinar mais, bem-vindo ainda, ficaremos muito felizes. E precisamos da assinatura tua e de todos que nos assistem. É o que nos mantém aqui.
¶193É, e a gente não tá só pedindo pela pelo altruísmo, não. A gente oferece muito produto legal para quem é assinante antipremium. Tem a edição de sábado, tem o meio político, tem o canal de streaming, tem a pesquisa meio ideia em primeira mão, enfim. [roncando] Eh, então vai ser uma honra de ter como nosso assinante. Sobre a idade do Lula, eh, eu acho que ela pode ter tido algum efeito menor do que eu imagino que que alguns vão avaliar.
¶194Eh, talvez simbólico, talvez menos palpável. Eu não acho que a pessoa foi pra urna falou: "Eu não vou votar nele porque ele é um velho". Né? Realmente ele é um idoso, ele tá com 80 anos. Eu não acho que esse tenha sido o motor de uma rejeição expressiva, não.
¶195>> Eh, acho que, enfim, pode ter uma percepção meio diluída de que ele tá mais velho, mais ultrapassado. Ele não é uma pessoa, um idoso com de baixa energia, ele é um idoso de alta energia, fala, anda, corre, faz vídeo. Então, assim, não acho que é muito diferente do que foi o Biden, né, que eh tava com uma deterioração de saúde a olhos vistos. E isso ali, embora o Trump também fosse eh um idoso, eh ficou no contraste ali naquele momento realmente ruim, né, pro Biden. Eu não acho que isso tenha pesado nesse momento, não.
¶196Eh, a gente, enfim, talvez em alguma quale isso apareça e tal, mas eu acho que se aparecer vai ser muito pontual. E não, inclusive, para mim, a surpresa foi, não foi algo muito explorado pelo bolsonarismo, não foi algo em que o bolsonarismo bateu forte de chamar o Lula de velho, de falar que tava doente. Eh, mesmo tinha muito mais fake news de que é um clone do que de doença de do Lula. [risadas] Então assim, eu eu acho que eles inclusive eh exageraram. Ainda bem, né, que não usaram isso.
¶197Eu não sei se vocês discordam dessa minha avaliação. Fazer só uma pontuaçãozinha. Eu eu também acho que o negócio não é eu acho que quando as pessoas pensam no Lula, cara, elas elas nem lembram qual é a idade do Lula. A maior parte das pessoas que moram no que que vota no Lula, entendeu? Para você ter uma ideia, eu quando eu não fico enfim vendo, eu leio mais do que vejo.
¶198Quando eu vi o Lula no flow, é que eu comecei a olhar a garganta, não sei que tal, não sei que aí é que eu vi assim, pô, o Lula tá tá velhinho, mas porque para mim o Lula é uma entidade, ele não tem idade, é uma coisa assim tipo e de vida eterna, >> mas ele não aparenta ter os 80, >> entendeu? É, então, mas eu acho que o problema, o problema, respondendo ao nosso novo assinante, >> eu acho que o problema não é esse. O problema é é uma pessoa que pode até ter 80 anos de idado, não é um problema físico também, não é um problema cognitivo. O problema é uma pessoa que tá há muito tempo no poder >> e quando tem essa idade, ela fica teimosa, ela acha que ela sabe as respostas, ela acha que não precisa mudar, ela tem muita certeza. Entendeu?
¶199Eu acho que é esse esse é que é o problema, entendeu? Que você vê historicamente em todos os países quando você tem um governante que tá governando há muito tempo, entendeu? Você vê isso no Pedro I no final do império. Você vê isso o Getúlio no segundo governo. Quer dizer, são pessoas que estão repetindo as mesmas fórmulas e o mundo não tá não funciona.
¶200Winston Churchill ou você pode pegar gente da cortina de ferro altesco, sei lá, Ronicas, você tinha aqueles aquelas pessoas que estavam muito tempo no poder, porque aquilo era o governo autoritário, que não é o caso do Brasil, não é o caso do Lula, >> entendeu? E tem uma hora que e às vezes você não precisa nem ter idade. Às vezes você pode você fica isolado e o efeito é o mesmo. Por exemplo, eu acho que a Dilma, por exemplo, no final tava muito isolada. Tinha três, quatro pessoas que tinham acesso a ela e você não sabe o que que tá acontecendo em volta, entendeu?
¶201>> É, tem um isolamento e tem uma coisa de uma fórmula vencedora, né? O Lula, ele teve uma fórmula vencedora de eleição, né? e a a mais vencedora da Nova República é dele. Então, eh tem uma confiança nessa fórmula que, eh, enfim, não se pagou, né, nesta nesta eleição. Então, eh, e aí esse isolamento contribui para essa confiança excessiva.
¶202>> Exato. Exato. Eu acho que quando tem essa confiança, você começa a não prestar atenção no que que tá mudando no entorno, entendeu? Porque você parece que é tudo sempre a mesma coisa, porque aí você vai tocando tudo meio que na rotina, >> entendeu? você v fica confiando no teu taco, você fica menos suscetível a ouvir ideias novas, ser contrariado.
¶203Eu acho que a resposta do fundo é essa. Não tem a ver com decadência física, não tem não tem a ver com isso. Tem a ver com com [roncando] >> com uma temos. Eu acho que tem um último, eu acho que tem um último elemento que combina com isso tudo que vocês estão falando, que é o seguinte. Eh, houve, e aí pesa a idade, assim, houve uma revolução tecnológica no mundo, o Lula é um sujeito que não usa smartphone.
¶204Isso gera uma espécie de alienação, porque você tá, cara, eu não sei como é que você compreende total. Eu acho que eu acho que faz parte do pacote. Eh, eu acho que complemento o que vocês estão dois estão falando. Não, não, não é uma coisa diferente não. >> Mas você não entende a conversa política se você não tá numa rede social.
¶205>> É. Aí você fica apostando mais do mesmo. >> É. Não. Pois é.
¶206Pois é. E mas você se descola mesmo um pouco da realidade. Eu queria fazer duas últimas respostas antes de encerrar, que é uma do Eduardo Guedert. dona e outro do Lucas Verde. O Eduardo escreve o seguinte: "Que análise triste, Pedro.
¶207Você prefere dizer que o Brasil escolheu o Flávio ao invz de aceitar que mais metade do país analfabeto político". [suspirando] E aí o Lucas Verde, eu discordo, Pedro, >> é que muitas vezes os mais pobres que as pessoas se preocupam, muitas vezes não têm instrução e que acabam votando em quem vai governar contra elas. Eu acho que aí tem uma diferença fundamental, eh, divisão de mundo mesmo. Eu sou liberal, eu realmente acredito em democracia. Eu realmente não acho que as pessoas sejam imbecis.
¶208Eu acho que as pessoas compreendem perfeitamente as suas vidas. Elas compreendem exatamente onde que o o calo dói. Elas compreendem perfeitamente o quais são as suas ambições, entendeu? Eu não acho que as pessoas sejam ignorantes. Eu não acho que pobre não sabe votar.
¶209Eu não acho que analfaberta não sabe votar. Eu acho que as pessoas criam sapiências, criam teses de vida. Eh, todo mundo é sábio depois de uma determinada idade e quanto mais dura a sua vida é, mais sapiências você acumula. Essa coisa de que pobre não sabe votar, de que a gente precisa tutelar o povo, eh, não, não conte comigo. Eu lembro do tempo que esse era um discurso que a direita fazia.
¶210A gente tá numa fase que esse é um discurso que a esquerda faz. Eh, discordamos, tá? Eu acho que as pessoas sabem votar. Eu acho que as pessoas sabem por que elas estão votando. Aliás, não é possível acreditar em democracia se você acha que as pessoas não têm condição de votar, tá?
¶211A crença na democracia parte fundamentalmente da crença de que dá certo se você vai dar para todo mundo o direito ao voto. E eu sou um entusiasta eh eh seguidor da ideia do sufrágio universal. Eu acho que todo mundo tem o direito de votar e que todo mundo carrega paraa urna a sua experiência de vida, a sua história, as suas ambições, os seus sonhos. Ele bota de acordo com elas com a sua lógica própria. Eh, eu tenho imenso respeito por isso.
¶212Eu não vou deixar de ter imenso respeito por isso. Em em 2022, eu declarei voto no Lula porque existia uma tentativa de golpe de estado eh tendo feita. Em 2026 eu não fiz nenhuma declaração pública de voto, eh, porque eu acho que para jornalista guardadas as temperaturas, as condições básicas de temperatura e você não tem que declarar voto, você tem que fazer uma leitura da situação. Eh, mas se tem uma coisa que eu não mudei de lá para cá, é, eu acredito em democracia e não é compatível com acreditar em democracia, acreditar que o povo não tem capacidade de votar. Desculpa se isso é uma novidade para vocês.
¶213Se você acha que o povo não tem capacidade de votar, você não é um democrata, tá? Eh, me perdoem por esse último desabafo no no no final. Flávia Cristian, suas palavras finais. Eh, de acordo. E estamos aqui, seguimos aqui.
¶214Tô muito feliz de tanta gente ter parado para nos ouvir hoje aqui. Espero que vocês sigam conosco. Quem descobriu o canal hoje pela primeira vez, eh, aqui nós somos o canal meio. Nós estamos completando 10 anos de vida e a gente faz esse jornalismo aqui trocando ideia, discordando, concordando, tentando analisar a situação, trazendo gente do gabarito de Christian Lint. Eh, sim, meu bem.
¶215E e outros todo dia tem >> professor titular, senhor professor [risadas] doutor titular. Exatamente. >> Você sabe que quando eu saí com essa história de que titular o >> chegou chegou chegou ao generalalato e ao autocomando. O comentário mais engraçado que eu que eu ouvi dessa genealogia foi o Otávio Guedes falou assim: "Você sempre foi titular para mim [risadas] demagogadinho ao demagoga. Eu adoro ele.
¶216>> Então, eh, então convido vocês que estiveram por aqui pela primeira vez a voltar. Todo dia nós estamos aqui. A gente tem também a nossa assinatura premium, da qual já falei, são só R$ 15 por mês. Quem assinar anual paga só R$ 150 e recebe material bacana toda semana. Eh, e é isso, um prazer dividir esta segunda-feira com vocês.
¶217Seguimos aqui livres, leves, soltos, curtindo a democracia que ainda está aqui entre nós. >> É. E chama as acesas. Chama as acesas. Não, o mundo não ainda não acabou não.
¶218Nem nem pior que o mundo nem acaba. O mundo não acaba. E >> e seguiremos nos próximos 4 anos praticando o doce exercício da livre imprensa. >> Exatamente. Espero assim.
¶219Espero. [risadas] Bora, gente. >> Cristian, >> partiu. >> Tem duas semanas ainda. Vai parar com essa choruru aí, Ora coisa que eu quero dizer mesmo é o seguinte, assim, é preciso entender, é preciso compreender.
¶220Se você não compreende, você não consegue reagir, entendeu? É isso. >> É o que a gente tá discutindo aqui. Você tem que compreender. Aconteceu isso e o mundo acabou.
¶221Não, o mundo acabou. Aconteceu assim, assim, assim, assim, assim, assim. Então, você quer que você quer que as coisas mudem? Eh, primeiro compreenda, né? Não, não, não, não é só ficar tendo conforto em gente que tá repetindo as mesmas coisas que você, senão você vai ficar mais desesperado em vez de conseguir ter mais conforto, né?
¶222Eu até botei um negócio assim, até botei uma frase do Getúlio hoje no Instagram que dizia isso assim, que é que adaptar-se, adaptar não é covardia, adaptar-se é tomar a cor do ambiente para melhor lutar. Então assim, eh, mas para isso tem que entender, até para entender você tem que ser para poder se adaptar que que tá acontecendo e não ficar apavorado dizendo assim: "Meu Deus, o que tá acontecendo? Que vem se tsunami compreender é isso. >> O central meio de hoje fica por aqui. Muito obrigado pela sua companhia.
¶223Amanhã estaremos aqui ao vivo. Flávia, segura aí a minha cadeira que amanhã eu participo de São Paulo, tá? Abraço. >> Tá meu presente >> até lá. Sim, senhora.
¶224>> Traz meu presente. >> Sim, senhora. do certo. Ten que comprar alguma coisa para ela. Beijo.
¶225O meio começou com a newsletter que chega na sua caixa de entrada com as principais notícias do dia. Sabe qual é, né? Aquela que você lê em 8 minutos. Depois, [música] depois a gente evoluiu pros vídeos aqui no canal do YouTube. São as análises e programas que mais tarde foram adaptados para áudio, com os podcasts que você pode ouvir lavando louça na academia, na [música] fila do mercado, cozinhando.
¶226E a barra ficou mais alta porque chegamos às produções audiovisuais com qualidade de cinema e um filme próprio. São séries e documentários originais e um catálogo [música] exclusivo para eles, os nossos assinantes premium. É assim que o jornalismo do meio vem crescendo para caber no [música] seu dia e do jeito que fizer sentido [canto] para cada um dos nossos leitores se informar. [música] Conheça o nosso acervo prum e faça parte de uma comunidade que não apenas consome notícia, mas analisa o que tá lendo, [música] ouvindo e assistindo. meio primo.
¶227[música]