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Direita domina Brasil nas urnas e Flávio fica à frente de Lula no 1º turno | Meio

a tese

Central Meio do dia seguinte ao primeiro turno. Pedro Doria baixou 100% das urnas de 2022 e 2026 e cruzou com a PNAD Contínua: Lula venceu só na classe E e quase empatou na A; perdeu na classe C (Flávio 53,5 × 37,2), entre católicos (de 53,6% para 48,9%) e nas cidades pequenas. Christian Lynch insiste que a disputa é de 5% do eleitorado e que a eleição é plebiscito sobre o incumbente; Flávia Tavares vê um conteúdo de ultradireita consolidado para além do antilulismo.

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Dois fios tocam o seu interesse: o deslocamento católico para a direita (dados por seção eleitoral) e a tese sociológica de Doria sobre Estado "católico" de grandes empresas contra sociedade "protestante" de pequenas, que mistura Weber com eclesiologia (hierarquia centralizada × igreja autônoma). Vale discutir se a analogia aguenta o peso.

O que foi dito

  • Abstenção de 21% não prejudicou Lula: foi um pouco menor que em 2022 e caiu no Nordeste; nas contas de Doria, Lula ganhou uns 70 mil votos com isso e Flávio perdeu 160 mil.
  • A elite urbana, de maior renda e escolaridade, votou pesadamente em Lula; a derrota foi na classe C, que é 49% do país. Doria conclui que quem se informa por veículos de esquerda está mal informado sobre quem é o Brasil e recomenda aposentar “CEO de MEI” e “pobre de direita”.
  • Flávia traz o cruzamento de Tábata Tesser (grafia incerta) com o censo: nas cidades mais evangélicas Flávio fez 52% (Jair tinha 48,8); nas mais católicas Lula caiu de 64,9 para 59,4 e a vantagem sobre o bolsonarismo encolheu 11 pontos. Há um conservadorismo católico em expansão, exemplificado pela deputada estadual mais votada de São Paulo, 23 anos, que agradece a Deus pela colonização.
  • Doria confirma com a PNAD por seção eleitoral: entre católicos Lula perdeu 4,7 pontos e Flávio ganhou 5,7; entre evangélicos a mudança foi pequena (Lula menos 2,8, Flávio mais 1,4). Doria diz que Nossa Senhora Aparecida “não fez diferença”; Flávia responde que não há contrafactual.
  • Lynch mostra a série histórica: o PT oscila entre 42 e 48 no primeiro turno desde 2002 e Lula fez 45,16, meio ponto acima do Haddad de 2018. A polarização nasceu em 2014 com Aécio e o antipetismo; a disputa real é 5% do eleitorado, e desta vez o segundo turno “aconteceu no primeiro”.
  • Debate Flávia × Lynch: ela vê voto vertical (presidente, governadores, Senado, assembleias) alinhado à ultradireita europeia e americana, não só antipetista; ele pergunta se precisava ser a cara dos Bolsonaro ou se Tarcísio faria o mesmo, e lembra que todos os candidatos de direita pontuavam igual contra Lula.
  • Doria com os números finos: o voto que Lula perdeu foi direto para Flávio, não para branco ou terceira via. Lula perdeu 4,4 pontos na classe D, 4,6 na E, 2,9 milhões de votos católicos (metade do ganho de Flávio sobre o pai), 5,5 pontos em municípios com menos de 20 mil votos, 7,8 no Centro-Oeste e 6,1 no Sul. Os votos de Renan, Curi e Caiado eram de Tebet e Ciro em 2022: os de classe A voltam para Lula, mas não bastam.
  • Doria desenvolve a tese de 1930: a Nova República criou a classe C evangélica de periferia e o agro, mas o Estado segue desenhado para empresa grande com mar de contadores; MEI e isenção de IR são puxadinhos. A classe C pede um Estado de empresas pequenas, “um país protestante”, contra o “país católico” das grandes empresas, e evoca Weber; o bolsonarismo não entregará isso porque é “gente de muito baixa competência”.
  • Lynch: ninguém vota por gratidão, vota pelo futuro, e a esquerda só vende passado desde 2014. Flávio atravessou a campanha sem dizer nada, orientado a não ir a debates; que um “boneco de posto” fique à frente diz menos dele do que da campanha de Lula, que ainda alegou surpresa.
  • Flávia relata o amadorismo estratégico: o grupo profissional de Sidônio contra o grupo da Janja e de Stuckert, que vendia Lula como unanimidade; a campanha exultou com Flávio como adversário e adiou bater nele até não dar tempo. Doria defende as pesquisas Meio/Ideia e Quaest, que previram empate com “onda de antipetismo de chegada” (Maurício Moura).
  • Doria sobre a armadilha estrutural: bolsonarismo sólido de 13 a 15 pontos e lulismo de 35 trancam o jogo e matam o resto; mais de metade do Brasil não quer nenhum dos dois, e o voto de domingo foi contra Lula, não a favor de Flávio. Lynch acrescenta a insegurança como motor: em 2022 era o caos de Bolsonaro, agora é economia e valores, e insegurança pede autoridade e pertencimentos amplos (família, igreja, nação).
  • Encerramento: Doria rejeita a leitura de que “metade do país é analfabeto político” e defende o sufrágio universal como condição de ser democrata; em 2022 declarou voto em Lula pelo golpe, em 2026 não declarou. Lynch fecha com Getúlio: adaptar-se é tomar a cor do ambiente para melhor lutar.

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