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Fatores que podem explicar desempenho fraco de Lula

¶1Então, na verdade, o que você tá dizendo é, existe um problema, um problema que eu reconheço e acho que é verdade, a gente tem batido nessa tecla aqui, existe um problema de, vou falar a palavra difícil de acadêmico, de o problema não bom, esse esse não é complicado, problema cognitivo, mas eu ia falar problema de inteligibilidade, assim, eh, existe um problema de que boa parte da esquerda ela não vê as mudanças sociais que estão acontecendo e já que tava acontecendo antes de 2014, >> não. A mudança social é mudança de perfil das pessoas, dos votantes. A sociedade de de 2014 não é a sociedade de 2002, não é sociedade de 1980, 75, não é? Inclusive por conta das mudanças que foram operadas pelos governos Fernando Henrique, pelo governo Lula. Você aumentou o horizonte de expectativas, de você aumentou o horizonte de desejo das pessoas, o horizonte de aspirações das pessoas, porque elas não estão mais só precisando, como né, o outro, o Lula dizia em 2002, precisa, né, três, ter três refeições por dia.

¶2Você aumentou a a coisa ficou complicada por esse aspecto porque ela melhorou, porque o país melhorou, porque o país não está desgraçado, miserável, como era antes. >> Posso ler um comentário aqui? Pode. >> Víor Fontinelli. Eu eu eu eu tenho ouvido muita gente, inclusive na minha família, falando exatamente o que você tá falando, Víor.

¶3Eu tô vendo muito essa construção eh eh que você apresentou eh eh por aí. É exatamente o caminho para entregar a presidência para Flávio Bolsonaro. A classe C é fascista. >> Hum. >> Tem que se no governo Bolsonaro.

¶4Minha vida tá feita. Quero ver Uber e motoboy passando fome e pequeno comerciante falindo. Isso é a cara da esquerda no Brasil, tá? Bom, como eu dizia, a gente tá aqui para discutir como é que você ganha voto, não, como é que você entrega a rapadura pro adversário, né? Então, você tem uma mudança que tá na base.

¶5Eh, o problema é que as pessoas que eh os políticos que estão em geral que têm sucesso, eles ficam repetindo as mesmas fórmulas. Eles eles estão dentro de uma rotina institucional que pressupõe uma sociedade que não existe mais. Aí você começa a ter um descolamento dessa sociedade, porque você não começa a analisar, você começa a repetir as mesmas coisas, continua falando com as mesmas pessoas e você não tá analisando eh o movimento de deslocamento das placas tectônicas que estão acontecendo na na sociedade. Isso é um problema. Isso tem sido um problema.

¶6O outro problema foi, acho que tem sido também, que é uma certa arrogância ou também, não sei se também faz parte da rotina, uma certa arrogância de que vai dar tudo certo porque eu já ganhei várias eleições, eu não preciso me juntar com as pessoas que que me criticam, embora não sejam meus adversários existenciais, né? Às vezes eu acho que tem pessoas eh dentro do PT especificamente, mas a esquerda em geral, às vezes o próprio Lula solta isso como se eh o isso que a gente tá chama de centro, essas pessoas que votaram na Simone Tante na outra eleição, como se as pessoas também fossem inimigos existenciais, assim, eles não são inimigos existenciais. Quer dizer, aí tem um problema da Frente Ampla que o Lula prometeu que ia governar com esse pessoal e alienou esse pessoal. Não precisava ter feito isso, entendeu? Teve uma certa arrogância.

¶7Eu acho que foi uma arrogância da ideia de que a gente ia voltar pro segundo governo do Lula de alguma maneira, entendeu? >> E aí você perde embaixo porque você não tá olhando, só para, eu acho que você não tá olhando o que que tá acontecendo embaixo e você tem um problema de uma certa arrogância que você não acha que não precisa do voto desse pessoal em cima ou que você pode esperar o segundo turno para ir atrás desse pessoal. Aí você tem três semanas para fazer tudo. >> Eu vou eu vou eu vou ler aqui um um >> Eu ainda queria responder o Vittor se o comentário >> Claro, claro, claro, claro. Eu eu depois eu trago um comentário que eu acho que muito importante do meio Fukuyama, meio meia shimer.

¶8>> Eh, eu trago na sequência você não não porque é um pouco mudar de assunto. Fala você pro Víor. >> Vai ser vai ser vai ser rápido. Eh, eu também tenho visto. exatamente esses comentários.

¶9Eh, e eu entendo onde eles vêm e eu associei hoje de manhã na nossa reunião de pauta ao que eu chamei das cinco fases de luto, né? Eh, eu acho que assim, eu não tô querendo com isso dizer que acabou, morreu, enfim, mas >> quem tá dizendo é ele. >> Hã, >> quem tá dizendo isso é o Víor. Esse que recebe não. Out.

¶10E >> o comportamento da militância e o comportamento da militância. Então, o que que eu acho que aconteceu? Vamos lembrar os estágios do luto. Quais são? O primeiro é negação.

¶11E assim, a negação para mim da campanha lulista começou antes da eleição, né? Antes de ontem já. não sentido de desistir e tal, mas de negar uma realidade que tava se apresentando até os 45 do segundo tempo. Então, quando a campanha que que foi mal coordenada, que estava dividida internamente, escolhe falar de legado, >> é >> para um país que está dizendo já a alguns ciclos eleitorais que o legado do Lula talvez não seja eh o que tá tá querendo celebrar neste momento, não é não era uma eleição celebratória do Lula, é o contrário. Então isso para mim já é processo de negação.

¶12Eu falei isso aqui algumas vezes no central, logo que eles estabeleceram que esse ia ser eh essa ia ser a aposta. Falei: "Ó, eles talvez estejam apostando que talvez lembrando que o Lula já foi antissistema dê aí algum start. Não deu, né? Isso é uma negação. Agora, a segunda fase, o segundo estágio do luto é a raiva, é a revolta e é procurar culpados.

¶13O que a esquerda, a meu ver, tá fazendo neste momento, claro que com as louváveis exceções de sempre, mas a maioria, é procurar culpados para fora do seu próprio campo ou das suas atitudes, o que costuma ser a receita de fracasso. A gente sabe até até em o Augusto Curi já ensina isso nos livros dele. Qualquer coach mais básico de autoajuda vai te ensinar a olhar primeiro os teus erros, né? E tanto que uma das coisas que começou a circular, que começaram a circular desde ontem, é que o que fez o Lula perder neste primeiro turno foi a proibição das bets, como se este movimento ali aos 45, né, eh, pudesse responder sozinho por esse movimento todo que a gente assistiu ontem. E e enfim, não.

¶14E quando você olha pro eleitor eh de classe C, que é em tese o que devia ser o mais grato, né? Tô fal imaginando a cabeça do militante, tá? O mais grato por ter emergido justamente foi o, né, a população que o Lula ajudou a sair da miséria e tá aí agora. E então que volte a se ferrar, que volte a sofrer com tudo. É, é você tá eh, basicamente culpando a vítima, né?

¶15Desculpa usar essa analogia, mas por mais tentador que seja, e eu entendo que que é tentador você olhar para eleitor que não entendeu nada muito entre aspas, né, na visão desse militante e culpá-lo, eh, politicamente é a receita do fracasso, porque você não ganha, exatamente como o Pedro falou, você não vai ganhar a eleição falando, escuta, você é muito burro, mas se você quiser votar em mim, eu te ajudo, tá? Por por puro altruísmo, não vai rolar, né? Então, eh agora as as outras duas fases são as outras três fases são a barganha, que tem que começar para ontem, né, que é você começar a imaginar uma saída, imaginar cenários alternativos e chamar mais gente para compor aí o a base, né? e a depressão, se de fato se confirmar a vitória do do Flávio e depois uma aceitação de voltar paraa luta, né, que eu espero que se viesse confirmar a vitória do Flávio seja esse o percurso completo e não vi e não se transforme numa num num sinal contrário absoluto, né, de aí questionar urna, questionar mudança de zona eleitoral, que também já aconteceu, entendeu? Espero que caso a esquerda realmente perca, eh, se cumpram todas as fases e aí volta paraa luta, né?

¶16Mas enfim, >> deixa eu começar aqui com Eu quero ler três comentários. O primeiro do Daniel Custers. Vai se vender, Pedro, quando eles baterem na sua porta como mídia não grata. Vai, olha só, quem tentou me comprar até hoje foi o PT, tá? Eh, dentro do Palácio do Planalto.

¶17Eh, eu não me vendi lá, não é para bolsonarista que eu vou me vender, tá? Eh, eu aí eu quero entrar pro pro meio Fuyama, meio Mirimer e pro Luís Tonos. O Luís Tonos tinha feito a seguinte pergunta: "Pedro, quais os anseios da classe C? O que o governo criou devia fazer ou dizer para ganhar essas pessoas?" criou MEI, isenção de imposto de renda, bolsa família, o que mais precisa ser feito e o meioama, meio meimar. Ontem o analista Miguel Lago disse que devemos seriamente cogitar descrever o que estamos que estamos em um processo revolucionário no Brasil há pelo menos 8 anos.

¶18Eh, o o o Miguel é um cara que eu adoro, adoro. Eh, e é outro excelente parceiro de shop e e um cara muito inteligente que conhece muito a história do Brasil. Eh, eu concordo e discordo do Miguel e eu acho que isso tem muito a ver com a pergunta do Luiz Tôus. Deixa eu desenvolver um pouco o que que o que que o Miguel falou ontem no Foro de Teresina. Ele falou, e eu concordo com ele, tá?

¶19Eh, e eu vou explicar porque que eu concordo. Ele falou que a gente tá vivendo um movimento revolucionário no Brasil nos últimos oito anos. eh, e que a única maneira de conter esse movimento revolucionário é com movimento contra revolucionário. E quem vem eh no raciocínio dele eh atuando como força contra revolucionário é o judiciário. E uma parte da imprensa decidiu bater no judiciário que estava agindo como força contra revolucionária.

¶20Eh, eu eu eu acho que o Miguel e tá tá eu entendo o que o Miguel tá dizendo. Eu acho que ele tá correto. Então, vamos falar sobre classe C, vamos falar sobre isso. Eu acho que a gente tá vivendo uma coisa muito parecida com 1930. Eu tenho a impressão que o Cristian concorda comigo nesse ponto.

¶21Eh, a primeira república deu certo, a nova república deu certo. O que que é um regime dá certo? ele realmente transformar a cara de uma sociedade. Os únicos dois regimes que nós tivemos que de fato transformaram a cara da sociedade brasileira para melhor foram a primeira república e e e a nova república transformar a cara da sociedade, não é? A infraestrutura industrial, Estado Novo mudou.

¶22A infraestrutura industrial mudou, mas não mudou a cara da sociedade. A a segunda república, né, de 45, não mudou. Agora, a primeira república criou duas novas classes que não existiam. Criou uma classe média urbana e criou uma classe operária. Isso eram coisas que não existiam no Brasil.

¶23O problema é que chega num determinado momento ali na década de 1920 e aquelas duas classes novas elas tinham anseios, elas queriam coisas, elas queriam ascender socialmente, elas queriam tipo de legislação que as beneficiasse, elas queriam uma infraestrutura de estado que fosse feito pensar nelas. E a turma que tava na na no comando da primeira república, eh, é o que é natural de um regime quando ele envelhece, não consegue perceber e fica tentando aplicar fórmulas que são as fórmulas que você já aplicava 15, 20 anos antes e não resolve porque aquela turma pensa com uma cabeça diferente. Aí o Getúlio veio com a revolução de e e ao longo da da primeira parte da ditadura do Getúlio e depois do Estado Novo, ele reorganizou o Brasil para um país que tinha uma classe média urbana, eh eh que passou a ter voz, tal, e para um país que tinha uma classe operária, que passou a ter sindicatos organizados, estrutura de lei trabalhista e tudo mais. A Nova República criou dois novos tipos de brasileiro que não existiam antes, que é a classe C, que éa turma evangélica de classe média baixa da periferia urbana e e e a turma do agro. E e esses dois grupos têm uma ideia de Brasil na cabeça e e ele e a nova república não consegue reconhecê-los.

¶24O meio começou com a newsletter que chega na sua caixa de entrada com as principais notícias do dia. Sabe qual é, né? Aquela que você lê em 8 minutos. Depois, depois a gente evoluiu pros vídeos aqui no canal do YouTube. São as análises e programas que mais tarde foram adaptados para áudio, com os podcasts que você pode ouvir lavando louça na academia, na fila do mercado, cozinhando.

¶25E a barra ficou mais alta porque chegamos às produções audiovisuais com qualidade de cinema e um filme próprio. São séries e documentários originais e um catálogo exclusivo para eles, os nossos assinantes premium. É assim que o jornalismo do meio vem crescendo para caber no seu dia e do jeito que fizer sentido para cada um dos nossos leitores se informar. Conheça o nosso acervo prum e faça parte de uma comunidade que não apenas consome notícia, mas analisa o que tá lendo, ouvindo e assistindo. meio primo.