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Gilmar e Moraes dão recados ao bolsonarismo após vitória de Flávio no 1º turno | Central Meio

¶1[música] เฮ [música] >> [música] [música] >> e [música] Olá, boa tarde. Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda ao Central Meio. Hoje é quarta-feira, dia 7 de outubro de 2026. Eu sou Pedro Duar e aqui comigo está Yasm Restum. E diretamente de São Paulo temos o jornalista Mano Ferreira do Livres.

¶2Tudo bem com vocês? >> Tudo bem, meus caros amigos de bancada. E aí, mano? >> Muito boa tarde. Cheguei aqui um pouquinho atrasado, mas deu tudo certo.

¶3>> Mas já conseguiu respirar? Não tá ofegante. A gente espera. [risadas] >> Olha, mas eu tô menos atrasado que a campanha do Lula. >> Veja bem, aí não vale, mano.

¶4[risadas] A comparação nem tem graça. >> É, de fato. Aí pesou. Pesou. A gente vai falar disso também, [risadas] né?

¶5a gente precisa falar um pouco sobre como essa essa campanha do Lula tá se movimentando ou não, né? Eh, mas bom, vamos lá, gente. Vamos dar uma recapitulada no que aconteceu de ontem para hoje. Pois bem, os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal, eles deram sinais favoráveis ao bolsonarismo depois da vitória do Flávio no primeiro turno. Primeiro, as investigações contra o senador Marcos Dov e os blogueiros Alan dos Santos e Osvaldo Eustáquio, arquivadas.

¶6Depois, você lembra da Débora do Batom, condenada a 14 anos de prisão por ter puxado a estátua da justiça em frente ao STF nos atos golpistas lá 8 de janeiro? Pois bem, agora ela vai cumprir a pena no regime semiaberto. Isso mesmo. >> É, pois é, gente. Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal também sinalizou que Flávio Bolsonaro vai poder visitar o pai Jair na prisão domiciliar.

¶7Afinal, né, é apenas um filho, ele não é candidato à presidência. Enquanto isso, ontem o candidato celebrou a maioria na Câmara e no Senado e disse que pretende mudar a Constituição para, veja só, redemocratizar o país. Afinal de contas, estamos vivendo numa ditadura. Hoje Flávio explicou que ele se referia às seguintes pautas: a reforma do STF, o fim da reeleição e a PEC da redução da maioridade penal. >> Pois é, Pedro, o que que explica essa mudança nos ventos do Supremo?

¶8Será que o Flávio pode mesmo aparar as asas da instituição? As decisões em favor em favor da família Bolsonaro aconteceram, como você sabe, depois do Flávio terminar o primeiro turno à frente do Lula. Mas tem muita coisa, então pra gente conversar hoje para entender essa onde é que apara essas arestas, o que que tá acontecendo. Então, por favor, fique aqui com a gente, deixe seu like, mande a sua pergunta no chat e se inscreva no canal porque o central meio tá no ar. Quero começar então chamando o mano para integrar aqui a nossa tela também.

¶9Pedro Dória já tá muito bem servido com o seu mate. >> Tô com o meu mate >> não patrocinado >> e e preciso reclamar. Eu eu eu encontrei um rei do mate em São Paulo que quando eu tô na bancada de São Paulo eh me entrega a mesma garrafa de mate que eu mato durante o programa todo. Tal ótimo, né? Marco civilizacional.

¶10Existe mate gelado em São Paulo. O primeiro que eu comprei era um poço de açúcar. >> O segundo que eu comprei era aguado. >> Gente, por favor, padrões, padrões, padrões, >> joguem dentro das quatro linhas, entendeu? >> Por favor, Nossa Senhora.

¶11>> É isso que existe controle de qualidade, >> entendeu? Nossa Senhora da Aparecida. >> Tá chegando o dia dela. >> Tá chegando o dia dela. Vai ser divertido o dia dela esse ano.

¶12>> Ai, vai ser animado, >> mano. >> Pois é, parece que ela operou os milagres no Supremo, né? >> Pois é, mano. A gente a gente conversou no domingo, enquanto os votos estavam sendo contados, mas a gente ainda não teve uma conversa pós eleição. Então, antes da gente entrar na pauta, a gente tem que falar de ministro supremo, a gente tem que falar de redemocratização do Brasil.

¶13parece que tá precisando. Eh, eh, mas qual balanço que você faz, hein? >> Foi uma avalanche do extremismo, né? Porque nós tivemos um fenômeno de políticos de conflito em rede social no Congresso. Eh, dos dois lados nós tivemos a eleição de figuras como Jones Manuel, teve o fenômeno no pessoal de São Paulo da alta concentração de votos em Erica Hilton, a ponto de gerar um desperdício de cadeiras para eh o pessoal, uma situação de eh meio esdrúchula do ponto de vista da estratégia eleitoral do partido, que ficou tão concentrado na Érica Hilton que desperdiçou o voto.

¶14E e nós tivemos do outro lado figuras como Lucas Pavanato, como Nicolas Ferreira, como a Capanholo, sendo campeões de votos, né? Na prática, eh, muitos parlamentares que têm uma boa história, que fizeram bons mandatos, não conseguiram ter a sua reeleição e viram os seus votos sendo eh esmagados, os políticos de centro, os aqueles que têm um pouco mais de eh ideologia, não são puramente do centrão, mas o próprio centrão também foi reduzido nessa campanha, né? Eu acho que o maior derrotado foi Gilberto Cassab nesse contexto, eh, enquanto as maiores vitórias vieram dos extremos. Isso mostra eh uma mudança da lógica eh da eleição parlamentar no Brasil e que implica um desafio democrático, porque são parlamentares que t a sua atuação baseada no conflito com o adversário. E isso é o que dá like e isso é o que dá voto.

¶15E no parlamento a gente precisa que eles sejam capazes de conversar entre si e construir consensos. E isso vai ser um desafio muito grande porque provavelmente teremos um congresso mais estridente que provavelmente vai gerar um sentimento de maior radicalização e de dificultação da conversa. Ou seja, o meio nunca foi tão necessário, porque a capacidade de juntar pessoas que tenham visões de mundo distintas para uma conversa racional é maior do que nunca. >> Pois é. você sabe que a a minha minha a minha maior angústia com com a coisa de redes sociais e o tipo de algoritmo de recomendação que a gente eh que a gente usa, que a gente enfim, ou é usado por ele na naência sobre o processo, né?

¶16a a minha maior angústia é é justamente essa, porque no fim das contas, quando o o o a ideia do poder legislativo, quando ela foi sendo refinada, né, desde do Montesquier até até o a democracia moderna, a partir dos anos 50, 60, né, a democracia liberal moderna, ela ela sempre foi uma coisa, ó, a a gente vai pegar os representantes das correntes de opinião da sociedade, a gente vai botar num lugar eles todos juntos e a gente vai dar uma missão para essa turma toda. Chega em acordos. No fim das contas, eh, a máquina de consensos na democracia o, o, ou o coração da máquina de consensos na democracia é o parlamento. E quando você transforma na a principal forma de você eleger um deputado, um deputado mais deputado do que senador, porque deputado é muito mais importante do que senador. Eu sei que senador é mais nobre, precisa de mais voto e tal, mas deputado é é a alma da democracia, né?

¶17A a a a essa reunião de deputados é alma de qualquer democracia, porque é ali que o que os debates das correntes de opinião da sociedade são civilizados e as pessoas têm missão essencial dessa que é chegar a acordo e quando a sua principal ferramenta para se eleger vira a rede social e virou indefinitivo nessa eleição, né? Quando vira a rede social, o incentivo, a a ferramenta de incentivo ali é você ficar constantemente agitando a as pessoas que te assistem pela rede contra algum tipo de inimigo e o inimigo só pode ser do outro lado. Então, a coisa que é construída para ser uma máquina de consenso vira uma máquina de dissenso, de reiterar os dissensos, de não fazer acordos. Quer dizer, é é aquela coisa que você transforma a peça fundamental da democracia, que é o parlamento, numa máquina de acirrar a divisão da sociedade. Eh, tipo um um mundo em que os parlamentares mais votados são Erica Hilton e e e o Pavanato e e o Nicolas.

¶18Isso é uma tragédia gigante, mano. Isso é uma tragédia gigante, porque eles não têm nenhum interesse em chegar acordo nenhum com o outro. Pelo contrário, um precisa ficar xingando o outro o tempo todo, né? Eles se elegem com isso. >> Exatamente.

¶19Me lembra uma frase do Marco Maciel, ex-vice-presidente no governo Fernando Henrique, que dizia que na democracia nós estamos condenados a nos entender. Eh, esse é o conceito clássico do da função do parlamento. Você tem que colocar lá pessoas que representam setores diferentes da sociedade para que cheguem acordos. Mas quando a gente tem esse tipo de parlamentar eleito na nas franjas da radicalização digital, eh o que eles não podem para nutrir o seu eleitor é entrar em acordo com quem pensa diferentes, né? Eles precisam alimentar o conflito.

¶20A tal ponto que veja, no Rio de Janeiro foi eleito o Elias Jabô. Você viu qual foi o slogan dele, Pedro? >> Não sei. Fuzilar a gente como a gente. [risadas] >> Ele literalmente fez adesivos com o título O Exterminador de liberais.

¶21>> É, eu eu já ouvi de duas figuras. Eh, eu eu ouvi de duas figuras isso que que liberal tem que ser exterminado. Uma um gentilíssimo conterrâneo seu, você deve já imaginar exatamente de quem eu tô falando. O Jones Manuel uma vez no Twitter falou especificamente a meu respeito isso, entendeu? Você é um dos primeiros.

¶22A gente tava batendo boca lá, ele falou: "Olha, no dia da revolução você é um dos primeiros a ser fuzilados, tá, Pedro?" Tá, eu tenho certezas, [risadas] eu tenho. E o e o e o Jabur é isso. Uma vez no Inteligência Limitada, que é um podcast do qual eu gosto muito desse gigante, ele falou a mesma coisa, que que a revolução tem que se livrar dos seus inimigos. Eh, que ele era a favor da pena da morte, de morte nessa nessas circunstâncias. Levou depois disse que foi mal compreendido tudo mais.

¶23Não, e eles acreditam nisso, né? Eh, os exterminadores liberais. Pois é. Eh, é porque eu não me surpreendo. O, >> você sabe que isso que você ouviu do Jones pelo Twitter, eu já ouvi pessoalmente, né?

¶24[risadas] Não sei certeza. Eu tenho certeza. Agora, um ponto curioso é que eh há vai haver também nisso tudo um teste da nossa hipótese, porque a hipótese liberal democrata é que as instituições são capazes de temperar e mediar, moderar os radicais de que uma vez dentro do parlamento eles terão que encontrar um modo de produzir pra sociedade de mostrar serviço. E é claro que tem uma camada do serviço aí, como a gente tá e eh evidenciando, que é um serviço de estridência em rede social. Mas até onde vai eh a consistência dessa convicção ideológica do eleitor?

¶25Será que com o tempo, com alguns ciclos eleitorais, esse eleitor vai olhar pro lado e dizer: "Cara, eu preciso que minha vida melhore, eu preciso que resultados sejam alcançados. Eu preciso que a democracia entregue eficiência e, portanto, eu preciso de parlamentares que sejam capazes de entregar resultado concreto e não simbólico. Se a gente for a fundo, no a gente tá testando o quanto a democracia liberal mantém a sua capacidade de ser um filtro institucional que modera os afetos tribais de eliminação da divergência. Então, acho que também teremos um experimento. Até que ponto uma democracia como a brasileira, que tem diversas deficiências institucionais, será mais forte que a era das redes sociais?

¶26Então, até que ponto a democracia em seu em sua essência mais profunda de moderar os instintos radicais de extermínio da divergência, será capaz de produzir um caminho de moderação e pacificação desses conflitos. Ou seja, a democracia vai conseguir fazer Lucas Pavanato parar de querer exterminar transexuais e Elias Jabô parar de querer exterminar liberais. Eu acho que isso é um teste muito interessante da nossa convicção, porque >> na teoria a democracia deve ser capaz de filtrar esses instintos autoritários na prática. Eu eu me classifico. Eu não sei quem são eh o o os pensadores, as pensadoras que dão o seu norte.

¶27Eh, os meus são principalmente 1000 e Fucuyama, tá? Eh, eu sou um milano e um fucuiamista, seja lá como é que se diz. Eh, eh, eh, é isso. E o, o Fucunyama, eu acho que é o cara que organiza a ideia liberal em termos contemporâneos melhor quando a gente fala de política. Eh, [roncando] e e [limpando a garganta] a década de 1990 foi a década do Fukuyama, né, do mundo que ele desenhou e antevilw.

¶28É, é essencialmente porque o Clinton essencialmente pegou o pensamento do Fukuyama, ele, a a a Madline Bright e puseram em prática e e como funcionou. Eh, o que você vê é o resultado essencialmente da queda de nível de fome no mundo. espincou o número de pessoas com fome no mundo, com essa coisa de você semear e eh de baixo para cima a democracia no Leste Europeu e e na América Latina, que foi a entrada do Leste Europeu e da América Latina, eh, e a integração da China a à OMC enriqueceram o mundo e e distribuíram riqueza como a gente nunca viu, que é exatamente o que o Fukunyama, é claro que tem David Ricardo, tem tem um monte de coisa ali. Eh, eh, mas é exatamente. E e o Fucunyama, eu eu sei que você sabe, eh, mas talvez quem esteja nos acompanhando não sabe, o o que ele fala desde lá atrás do no do livro dele, O fim da história, que o pessoal ironiza sem nunca ter lido, é o que ele sempre fala, o que ele o que ele sempre sublinha é o seguinte, ó.

¶29esse negócio que aconteceu ali no século XVI, que é o início da formulação da ideia grega e da ideia romana sofisticada ali pelo Iluminismo, eh, que vai desembocar no que a gente chama de democracia liberal, eh, ele nasce essencialmente porque protestante católico passou dois séculos se matando na Europa, entendeu? É porque quando as sociedades se tribalizam, eh, quando a sua identidade dentro do conjunto da nação eh se torna identidade mais importante, aí você não consegue ver o outro que é o seu vizinho que não como inimigo. E aí não importa muito se a base dessa identidade é religião, é cor de pele, é o sotaque que você usa. O o problema é uma qualquer identidade que não seja aquela identidade que é a identidade nacional, que é a identidade de todos, né? Né?

¶30É por isso que o nacionalismo acontece no século XIX. É porque o nacionalismo é a civilização, não é essa coisa, ah, patriota, bandeira do Brasil, não, não, Danço. É, é que quando a gente consegue olhar um pro outro como brasileiros, a partir dali a qualquer outra desavença fica menos importante, porque a gente entende que a gente tá no mesmo barco. E se for para bom para todo mundo, a maneira de ser bom para todo mundo é entendermos que estamos no mesmo barco e termos uma identidade comum. É, o que as redes sociais fazem no fim das contas é retribalização.

¶31É, parece uma coisa muito moderna. Isso é fuquama puro, né? Parece uma coisa muito moderna, parece uma coisa muito sofisticada, mas na verdade é voltar pro século X7, é é voltar pro século X, é voltar para reforma e contra reforma e vamos se matar. É voltar pra noite de São Bartolomeu, né? e eh é é voltar pro para aquele caos de inimigos eh se matando ou Guy Fox querendo explodir e eh a London Bridge, né?

¶32E e é são essas coisas que marcaram a política europeia e nós somos filhos da política europeia. Eu sei que a gente é topia, eu sei que a gente é angolano e eu super celebro tudo isso, mas o nosso sistema político europeu, nós somos de uma cultura greco-romanojuda e eh e o nosso traço civilizacional, essa coisa bonita que a gente inventou que a democracia liberal, que é o sistema que permite distribuir justiça, distribuir riqueza e e garantir dignidade para todo mundo. A gente não conseguiu criar nenhuma outra coisa que tivesse dado certo como isso deu. É, não tô dizendo que é perfeito. Evidentemente nenhum de nós diz.

¶33E e a minha preocupação que é a coisa do do Fuluyama, o Fukuluyama usa muito aquele conceito que é o do timos, eh, que é uma das ideias gregas, o Platão usava, o Aristóteles usava, que é aquele negócio, aquele pedaço da alma, para descrever em termos gregos, aquele pedaço da alma em que é onde você entende a sua identidade. Quem sou eu? como é que você se percebe, entendeu? E se você se percebe como um antifascista numa eterna luta como contra os fascistas, se você se percebe como um negro que tá disputando eh eh disputando espaço, que é um espaço finito eh com os brancos, se você se percebe como uma mulher que tá disputando espaço com os homens, se você se percebe como alguém de uma família tradicional que tá eh disputando espaço com os perversos, se você começa a olhar para dentro da sociedade aos outros como alguém com quem você tá disputando é recursos que são escassos e ou você ganha ou o outro ganha. a possibilidade de a gente a gente volta para uma sociedade dividida em clãs, não é por família, mas é por um traço de identidade qualquer.

¶34o o que o Fokuyama dizia e diz ainda e é o que ele tem batido martelo o tempo todo, é o seguinte: quando a gente quando os a identidade vira qualquer outra coisa que não a identidade nacional, quando a gente para de se ver como brasileiro e vemos outros brasileiros como inimigo por derrotar, desmonta a a possibilidade da democracia só existe quando dentro da sociedade majoritariamente nos vemos, principalmente como brasileiro, como parte do mesmo grupo. Se a gente perde isso e e eu temo eh [limpando a garganta] eh quando você diz a possibilidade de a democracia funcionar, não funcionar, eu não queria ficar entrando aqui demais em teoria, não, mas o o eu eu acho que eu acho que a leitura do Fucuyama é perfeita, tá? Eh, eh, eh, e >> e o meu receio é que o que as redes fazem com a gente, o problema não é fake news, o problema não é desinformação, o problema é tribalização. E e esse parlamento o que a gente elegeu, é puro Fucunyama, puro cenário do pesadelo do Fukuyama. Eh, e isso não sustenta a democracia.

¶35é também o alerta final de Mário Vargas Lhoa, né, quando escreve o chamado da tribo e também já tava presente na civilização do espetáculo, né? Eh, o que é que ele traz? é que nós temos de alguma forma ancestral, muito primitiva, como seres humanos, dentro de nós, sempre, de forma constante, um chamado da tribo, né, que nos >> eh convoca a atuar como se a nossa existência tivesse ameaçada por uma tribo alheia. E nós temos, portanto, no caminho de construir eh liberdade, eh o que a gente precisa é ser capaz de conter esses impulsos do chamado da tribo, eh, que passa por essa, justamente esse sentimento de que se eu sou um representante eh da família tradicional, uma pessoa transexual, existir de alguma forma a ameaça a dignidade da minha existência, porque eu quero poder dizer que a pessoa não pode ser reconhecida pela sua identidade de gênero, a única coisa que importa é o sexo biológico. E se eu não puder eh expressar isso, a minha existência na enquanto um ser humano digno está ameaçada.

¶36E do outro lado, obviamente, surge eh um sentimento de medo profundo, né? Se você tem alguém dizendo que a sua existência como ser humano é uma ameaça à existência do outro e esse outro quer lhe eliminar, a sua reação é se tribalizar e querer eliminar o outro. Então a gente acaba tendo aí Lucas Pavanato e Erica Hilton nessa polaridade, eh, querendo atacar um a existência do outro. Isso de fato é muito grave. E tem um aspecto também no pensamento do Vargas Lhoa, que eu acho que é muito interessante para essa reflexão, que é quando ele fala sobre o aumento do caráter de entretenimento na sociedade, né?

¶37A sociedade do espetáculo é aquela que esvazia o conteúdo substancial da cultura, no sentido daquilo que nós cultivamos eh para o engrandecimento da nossa experiência humana por aquilo que nos distrai, por aquilo que nos vicia no prazer imediatista. E as redes sociais são um grande espetáculo, né? as redes sociais são um grande eh circuito de entretenimento viciante que nos afasta de uma reflexão mais profunda. nesse sentido, nos convoca ao chamado da tribo e nos afasta de uma cultura liberal, né, de uma cultura de eh cultura tem a ver com o cultivo, né, com e e há aí uma percepção de que você precisa, como indivíduo livre, exercer o autocultivo, que na tradição liberal alemã tá relacionada com uma ideia de liberdade como autotelia, né, que é quando, eh, você é capaz de cultivar os aspectos da sua existência que tem razão de existir em si mesma, né? Ou seja, tem aí, eu diria que se relaciona diretamente com essa visão do timos, porque é a dignidade humana pela simples existência humana, é aquilo que eh você tem de mais profundo na sua identidade, eh na sua eh constituição como um indivíduo.

¶38E isso exige cultivo, isso exige cultura nesse sentido que tá teoricamente oposto ao entretenimento ou ao espetáculo, que muitas vezes nos desvia do aprofundamento que o autocultivo exige. Então eu acho que isso é um grande desafio do nosso tempo e que nesse sentido, a melhor forma de cultivar uma cultura política que eh supere a ideia da tribalização, eu recorro a outro herói intelectual da minha formação, que é Joaquim Nabuco, que dizia que nós precisamos cultivar o amor, à liberdade alheia, porque essa é a única forma de conferir a nossa própria liberdade um sentido de existir e que se nós não formos capazes de fazer isso, não teremos a dimensão de qual o valor verdadeiro da liberdade e por ela deve ser defendida. Então, precisamos exercitar o tempo inteiro a capacidade de amar a liberdade do outro. Eu acho que essa é a cultura política que tem raízes profundas na história do Brasil. que precisa ser resgatada e cultivada, porque nós somos ao mesmo tempo o país construído por 300 anos de escravidão e o país que superou a escravidão.

¶39Então, nós temos, ao mesmo tempo, em nós, uma cultura absolutamente escravocrata, que é baseada na ideia de que nós somos sobrecidadãos e os outros são subcidadãos, que não devem ter direitos, mas ao mesmo tempo nós também temos em nós a cultura abolicionista de superação da lógica escravista por meio do cultivo do amor à liberdade alheia. Então eu acho que no fundo essas coisas continuam presentes na sociedade brasileira. São vetores que muitas vezes atuam em contradição eh dentro dos mesmos campos políticos. Então, eu acho que nós temos de forma muito profunda no espírito brasileiro um vetor escravagista e um vetor abolicionista e que muitas vezes o maior problema se dá quando nós temos certeza que representamos exclusivamente as boas virtudes do abolicionismo, porque aí nós nos sentimos moralmente autorizados a cometer as maiores atrocidades em nome das melhores causas. e acabamos nos permitindo desviar para o espírito escravagista, que no fim sente que, como temos as melhores causas, somos cidadãos de bem acima de qualquer limite ao ao exercício do nosso poder.

¶40Então, o nosso bom propósito legitima qualquer escolha que façamos e o outro é um subcidadão que pode ser desprezado e ter os seus direitos negados. Então eu acho que ao mesmo tempo essas coisas convivem em nós e que temos uma armadilha profunda, porque o chamado da tribo nos leva a esse vetor escravocrato. >> Coisa bonita, mano. Você sabe que o meu sonho quando eu tiver um tempo para o tempo para escrever um livro com um pouquinho mais de diletantismo, é escrever um livro cujo título eu já tenho, Rui e Joaquim. E o objetivo e o objetivo desse livro é um pouco contar a história da relação dos dois.

¶41do pensamento dos dois e e um pouco mostrar, olha, naquele momento ali, na virada do século, existiam duas propostas de país, a proposta ruiana e a proposta castilhista. A gente seguiu a castilhista. O que que seria o Brasil se tivesse vencido a proposta ruiana? E a proposta ruiana, evidentemente, não vem descolada do Joaquim. É só que o Joaquim, como era monarquista, ele ficou de fora durante um tempo, né?

¶42Ele só entrou de volta como homem público na república no finalzinho da da vida dele. Mas são são as duas grandes cabeças da daquele momento do Brasil. As duas grandes cabeças. Eu eu eu tenho muita vontade de escrever esse livro. Eh, antes >> quero ler.

¶43>> Ah, [risadas] bem, eu tenho que escrever antes. >> Dando spoiler, negócio que nem tá pronto assim. Só para deixar a gente num desespero. >> Antes que uma moça aqui, >> eu tenho, eu tenho só um um ponto a mais de reflexão nessa eh história, porque acredito que também é um fenômeno do nosso tempo a ansiedade por respostas. E isso está criando, ao meu ver, uma tendência à alternância imediata no poder executivo, no poder majoritário.

¶44É o que aconteceu nos Estados Unidos. >> Uhum. O aumento do custo de vida levou à derrota do Trump e a vitória do Biden e depois não conseguir resolver esse problema muito prático, levou à derrota dos democratas e a volta do Trump ao poder. E ao que tudo indica, o Trump vai perder de novo, né? Porque ele não tá conseguindo lidar com essa demanda.

¶45Eu acredito que eh naquela, bom, eu achei é brilhante a análise que você fez sobre eh qual é o perfil do eleitor que mudou de voto, que votou em Lula em 22 e agora votou em Flávio Bolsonaro. e me parece um perfil que tá tomado por essa ansiedade que também é própria do nosso tempo, que são pessoas que desejam melhorar de vida já e, portanto, não tem muita disposição de entrarem em toda essa outra faceta do nosso tempo, que é a tribalização. Então eles querem mudança. Se um grupo não foi capaz de oferecer, eles trocam e na eleição seguinte trocam de novo. Então eu acho que isso também é um fenômeno do nosso tempo que a gente não pode ignorar.

¶46Eh, e enfim, só para fechar aí como eu interpreto o resultado da eleição. >> Sabe que tem um jornalista americano e de política eh eh um cara que tem mais ou menos a minha idade, ele é um pouquinho mais velho, tem uns 54 anos, eu tô com 51, é o Chuck Tod. Ele foi durante muito tempo o o o o diretor de jornalismo em Washington da da sucursal de Washington da NBC. E era o cara que apresentava durante uns 10 anos apresentou o Meet the Press, que é o o programa de televisão mais mais antigo e mais denso de política da televisão americana. e e é um cara com quem, de certa forma, eu aprendi um tipo de jornalismo assistindo a ele, que ele é um jornalista meio de política meio demógrafo, eh no sentido de que ele entende política, eh, ele entende jornalismo de política e de análise política, não tanto pelo o que que os políticos e os homens de poder fazem, e muito mais por como que a sociedade, o que que as, como que as pesquisas nos ajudam a dizer, o que que a sociedade tá vendo da ação da política e como que isso impacta, tal.

¶47E o e o e o Tod ele tem uma leitura muito interessante que isso que você falou me lembrou eh que é o seguinte, enquanto boa parte da análise política americana dizendo uma radicalização à direita, estamos vendo assim, o que ele diz é o seguinte, não, o que a gente tá vendo é o fim do presidente de dois mandatos. O que a gente tá vendo é um ciclo eleitoral acelerado em que a sociedade de fato muito dividida, o swing vot quer sempre mudar, quer sempre mudar, quer sempre mudar, quer sempre mudar. Então ele acha que a gente tá numa fase em que por algum tempo a gente vai ter presidentes de um mandato só e sempre do outro partido. Então se o republicano tá na presidência, o próximo presidente do do é democrata. Se o democrata tá na presidência, o próximo presidente é o republicano, tudo mais.

¶48e que existe uma ilusão sim de que existe uma radicalização à direita, porque a direita de fato se radicalizou. Não é que não exista esse radicalismo na esquerda, é apenas os candidatos à presidência da esquerda. Tipo, você vê eh eh no nível parlamentar o Partido Democrata radicalizando também, só que a estrutura do Partido Democrata não permite que esses radicais se tornem o candidato a presidente. O o o partido republicano não tem esse nível de proteção institucional. Eh, então, nessa tem, em geral candidatos bastante razoáveis eh a presidente do Partido Democrata e os trampistas malucos eh eh eh eh no no partido republicano, mas ele acha que pro Swing Volt nesse nesse país dividido, eh, aqueles 5% que mudam, eh, eles não tão nesse jogo.

¶49Eles é é muito parecido com o que você falou. Ele, evidentemente, ele tá lendo os Estados Unidos, mas eu acho que faz muito sentido isso. Esses 5% que mudam, eles não estão no jogo da política identitária. Eles estão no jogo de muda, muda, muda, muda, muda até acertar. E não vai acontecer, porque não não não vai acontecer porque demora.

¶50Eh, eh, tipo, governar um país um transatlântico para você fazer mudança real. E eu não acho que o Lula tenha feito nada, que não há uma defesa nesse sentido, mas não muda assim tão rápido mesmo quando o cara faz, fala faz tudo rápido, né? >> É o um ponto curioso é que esse fenômeno não se repete nos menores níveis federativos, né? Porque nós tivemos um alto índice de reeleições de governadores, né? O Tarcísio foi reeleito eh com facilidade.

¶51A Raquel Lira foi reeleita num contexto em que a estrutura política hegemônica era adversária dela e mesmo assim, ao fazer um governo eh bem avaliado, ela confirmou a reeleição. A gente tem, enfim, diversos casos, né? Então, é curioso porque eh de alguma forma existem expectativas muito maiores depositadas na presidência da República, né? É como se o eleitor, ao mesmo tempo que ele é ansioso por respostas no aumento da sua qualidade de vida, ele consegue de alguma forma eh filtrar esse essa ansiedade e reconhecer aquilo que ele considera um bom governador. Então, se ele aprova um governo e eh estadual, ele reelege o governador.

¶52>> Eu, antes de entrar no ministro supremo, eu queria eu queria eh responder a um comentário do Igor BPF. eh, que eu acho que é uma provocação e eu acho que tem a ver um pouco com essa conversa. Eu sei que eu e o Mano fomos um pouco para uma conversa um pouco mais teórica, mas eu espero que vocês estejam percebendo que a a teoria que a gente tá conversando aqui é é justamente uma tentativa de compreender a realidade que a gente tá vivendo nesse momento. Eh, não é uma coisa assim do tipo e papo cabeça de não não é é uma tentativa de compreender a sério o o momento que a gente tá vivendo, porque obviamente que a gente tá vivendo um momento que é importante. sociedade está eh informando alguma coisa pra gente.

¶53A gente tá tentando compreender o que mensagem é essa. E o Igor faz a seguinte provocação. Gente, no primeiro turno vocês falaram que na derrota a esquerda sempre culpa a mídia. Todavia, o Celso Rocha de Barros, que é um cara que vocês respeitam, disse exatamente isso. A mídia tem responsabilidade, a mídia normalizou o bolsonarismo.

¶54Eh, Igor, eu tenho imenso respeito pelo Celso. Eu acho que o Celso eh o o o Celso é um dos caras que eu mais gosto de ouvir, por exemplo, para entender partido político brasileiro. o que que é o partido por dentro, o que que é por fora, como é que aquela máquina funciona tal. Eh, isso não quer dizer, evidentemente, que eu concorde com todas as leituras que o Celso faz. E eu acho que ele tá muito errado nessa leitura.

¶55Eh, o primeiro, quem que a imprensa toca? Eh, a imprensa profissional. Quem que a gente tá tocando aqui? Quem que a Globo News toca? Quem que eh lê o o Globo, a Folha de São Paulo ou estado de São Paulo, pra gente falar dos eh dos grandes veículos do país.

¶56É classe A e B. Não houve movimentação no voto da classe A e B. Não houve movimentação no voto da classe B. A classe A e B votou exatamente a a aqueles brasileiros que acompanham imprensa votaram como votaram em 2022. Eh, eu iria além porque eu fiz esse estudo.

¶57Quando você pega os Quando você pega os bairros mais ricos do Rio de Janeiro e de São Paulo, cara, a classe A nos bairros mais ricos do Rio de São Paulo, tô falando aqui de Leblon e Panema, Copacabana, Laranjeiras, Botafogo, eh, eu tô falando de higienópolis, das Perdizes, eh, de Pinheiros, Vila Madalena, é Santa Cecília. Quando você pega o os bairros mais ricos, eh, Lula ganhou no Rio de Janeiro, nos bairros mais ricos, por quatro pontos de diferença. Flávio Bolsonaro ganhou nos bairros mais ricos eh de São Paulo, quando você pega todos, Flávio ganhou por dois pontos de diferença. Agora, se você pega só a a tira Itaim, tira eh tira o o os bairros assim por por dizer os ricos novos, não tô dizendo que só tenha novo rico ali, mas são bairros novos, né? Bairros eh eh que se tornaram relevantes dos anos 80 para cá.

¶58>> [roncando] >> E você pega só a São Paulo Rica Tradicional, Igenópolis, eh, Paraíso, Santa Cecília, os jardins, principalmente os jardins mais para cima, eh, do Espigão. Eh, enfim, eu acho que quem conhece São Paulo entende do que que eu tô falando. Lula ganhou. É essa impressão de que a culpa da imprensa, que a imprensa normalizou o Bolsonaro, a sociedade normalizou o Bolsonaro, entendeu? A a imprensa, a gente tem menos influência do que a gente jamais teve.

¶59Jornalistas extremamente tradicionais que levam o seu ofício da mesma maneira que a maneira como eu interpreto o meu ofício aqui, gente, não é diferente do que um jornalista num grande jornal interpretaria nos anos 60, entendeu? Eu sou um jornalista conservador, liberal, porém conservador. Eh, eh, nesse sentido, a gente não tem mais esse impacto. A gente não tem mais esse impacto. A gente fala de Flávio para cá, Bolsonaro para lá, tudo mais, porque esses caras têm voto.

¶60A gente tenta interpretar suas intenções, tenta lê-los e tudo mais, porque eles têm voto. A sociedade decidiu transformá-los em relevantes. Eh, e a gente tem que compreender o que o por que isso aconteceu. E eu não há, a minha interpretação é muito diferente da do Celso. A minha interpretação, já repeti algumas vezes nos últimos dias aqui, eu já jogo para você, mano, perdão.

¶61A minha interpretação é o seguinte: a classe C quer começar a crescer. A esquerda só conversa com a elite. A esquerda só conversa com a elite. A esquerda perdeu a capacidade de falar com o povo. Perdeu.

¶62Porque a a esquerda tem preocupações hoje que não são mais preocupações de classe, são preocupações de gênero, de raça, de de eh eh a esquerda entra em debates e as grandes preocupações da esquerda. E quando a esquerda olha para uma pessoa de classe C, cuja ambição não é ser um funcionário de uma empresa grande com carteira assinada, ela olha com para essa pessoa para e pensa. Você que é de esquerda, que tá nos assistindo, pensa o que que você tá falando. O que você tá falando essencialmente é o seguinte: "Olha, você nasceu para ser funcionário e a maneira de você ter uma vida digna como funcionário é CCLT. Não queira mais do que isso.

¶63O cara quer e ele tá votando em quem oferece para ele algo que é diferente disso, entendeu? A, aí tem uma hora que em algum momento a a a esquerda brasileira se perdeu e perdeu um o esqueceu do seguinte: se o eleitor quer uma coisa e você diz que não vai dar, ele vai votar em outro. É para isso que serve a democracia. Então, se a esquerda se convenceu de que a única coisa que pode oferecer paraa classe C é um emprego e que o cara não pode ser empresário e aí fica reclamando que o cara é é pobre de direito, é burro, entendeu? quer ser de me?

¶64Isso é de um desprezo com sonho da pessoa. Isso é de um desrespeito com o sonho da pessoa. E o que a pessoa tá fazendo é é aquilo que é aquilo que as melhores sociedades têm. O pobre que quer ser mais. O que faz uma sociedade crescer é pobre querer ser mais, não é pobre querer ficar no mesmo lugar.

¶65Entende? A gente tá pegando potencial criativo, potencial de geração de riqueza e jogando fora, porque a gente se vira e fala: "Não, não, não, a gente tem que ter empresas muito grandes, o estado vai escolher quais são os setores que vão crescer e e aí o sujeito vai lá e vai seguir uma carreira. Ele vai ter entrar de 9 às 5, vai ter um um mês de férias por ano e vai ter uma aposentadoria no fim da vida. E e o que e você tá falando para aquele sujeito com ensino médio ou com diploma de uma faculdade particular é o seguinte: o melhor que você pode almejar na vida é ser gerente de farmácia ou gerente de supermercado 55 quando você vai ser demitido. O cara não quer isso, ele tá certo em não querer isso.

¶66Eh, [roncando] eh, então não, a culpa não é da imprensa, a culpa é da esquerda, porque a esquerda sonha pequeno e o cara sonha grande e ele tá sonhando. É claro que os Bolsonaros são demagogos, mas esses demagogos estão sonhando junto com o cara. Se você não vende um sonho, os outros vendem, o cara compra o sonho. É isso que explica. Olha, para quem votou no Lula em 22 e mudou o voto, não foi quem lê a imprensa, foi o senhor de meia.

¶67E sabe o que é engraçado, Pedro? Que em 2002 a campanha do Lula falava com o sonho de ascensão social. né, aquela histórica propaganda eh do eh o nome do personagem era Silva, né, que queria, acho que era José Silva, né, que queria oportunidade. E é uma propaganda brilhante do Duda Mendonça, né, que um vídeo de acho que um minuto que que ele tá falando ali dos sonhos da vida dele, que no fim ele só quer a oportunidade de poder sonhar. Isso, isso foi a mensagem do PT 20 anos atrás e hoje o PT não consegue mais se conectar com o sonho do brasileiro que conseguiu acender um pouco e estagnou desde o governo Dilma e se sente eh, enfim, impelido a dar um jeito de superar a barreira da mobilidade social que é muito profunda no Brasil, né?

¶68O Brasil é um país com péssimos índices de mobilidade e e o que essas pessoas no fundo tão dizendo é que elas querem construir um modelo de país ou querem que o país tenha um modelo socioeconômico que permita a elas o sonho de acender socialmente, né? O sonho de acabar com essa barreira da mobilidade. E é um sonho absolutamente legítimo, né? É, e é meio assustador que isso não seja o centro do debate. O centro do debate é como permitir, como formular a sociedade para que tenhamos capacidade de mobilidade social.

¶69Eh, e no entanto isso não entra na discussão eh eleitoral. É muito triste essa dimensão, né, >> mano? Eu queria antes da gente chamar Débora Bizarria, que já está online aí disponível para entrar no papo com a gente, queria só dar um breaking news. A gente tá tendo muitos esses dias, né? Não tem um descanso.

¶70Pois é, gente. Parece que paraa surpresa de zero pessoas, o Partido Novo, que tinha como candidato aí a presidência Romeu Zema, acaba de anunciar o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro do PL ao Palácio do Planalto. E bom, nessa segunda etapa da disputa, né, porque antes, como vocês sabem, o Zema tava concorrendo também. Esse anúncio ele foi feito depois de uma reunião da Cupla do Novo com o candidato do PL no QG da campanha do Flávio, que fica em Brasília. O presidente do novo, o Eduardo Ribeiro, ele afirmou que a sigla agora tomou essa decisão para tirar o PT e enfrentar os intocáveis do Supremo Tribunal Federal.

¶71Acho que é uma boa deixa pra gente começar a falar de Supremo, né? >> Vamos lá, >> Débora. Chega mais, >> Débora, tudo bom? Olá. [risadas] Ela tá iluminada, né?

¶72Coisa bonita essa luz. >> É o Recife. >> É o sol do Nordeste, né? >> É o sol do É sol do Nordeste. Aliás, eu tô num estado, na verdade, não tô em Pernambuco, eu tô num estado dos poucos estados que vai ter segundo turno.

¶73Eu tô no Rio Grande do Norte. >> Olha só. Olha só. >> Gente bem posicionada é outra coisa, né? >> [risadas] >> a praia de pipa.

¶74>> Eh, quatro decisões que aconteceram nas últimas 24 horas no Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes concedeu progressão pro semiaberto a Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos pelo 8 de janeiro. A Débora do Batom. Eh, segundo o ministro, eh, o fato de ela ter trabalhado e lido muito durante a pena fez com que ela passasse a ter os requisitos legais direito ao semiaberto. Eh, Fábio voltou a ter também por decisão do ministro Alexandre de Moraes, voltou a ter direito a se encontrar com pai na cadeia.

¶75ele estava proibido de se encontrar com o pai porque, afinal de contas, eh atrapalhava a campanha. Eh, e agora ele já sinalizou que se o pé ele pedir isso, vai ser concedido o direito de visita do seu filho, do filho, ao próprio pai na cadeia. Eh, esse pedido foi feito já à procuradoria geral da República. Foram arquivados os casos de Marcos do Val, Alan dos Santos, Osvaldo Eustáquio e Ednardo Raposo. Eh, a Polícia Federal tinha indiciado eles por obstrução de e por obstrução de justiça e incitação ao golpe de estado.

¶76Eh, parece que parece que não é mais um problema. E e eles poderão voltar, os brasileiros poderão voltar a assistir Alexandre dos Alexandre, o o Alan dos Santos, eh, todos os dias pela internet. Olha que coisa maravilhosa, >> generoso. >> É. E o ministro Gilmar Mendes mandou arquivar a investigação por suspeita de estupro contra Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio Bolsonaro.

¶77A investigação que não houve, tá? Até agora a moça que faz acusação não foi ouvida pela polícia e, no entanto, parece que não tem mais motivo para investigar, embora a moça que faça acusação sequer for ouvida. Eh, [limpando a garganta] eu eu tô com dificuldade de entender o que que por que que essas decisões aconteceram agora três dias após o segundo turno ao primeiro turno, perdão. Algum de vocês tem alguma teoria que possa me explicar? Porque fico confuso.

¶78>> Nossa Senhora de Aparecida já pode ser. [risadas] >> Tá chegando o dia dela, mano. Tá chegando. Rogar por nó. Olha, >> é essa história mostra, >> sabe que eu pensei, ah, >> pode falar, Débora.

¶79>> Não, você só fazer um pequeno comentário que é dessa história, só o Monarca que dançou, pelo visto, né, porque não tem quem o defenda, então talvez ele não ganhe o a liberação de voltar a ser um perda, né? >> É possível. [risadas] Não, mas o o que eu ia dizer é que essa história toda para mim só comprova que nunca houve ditadura de toga, né? Então a narrativa bolsonarista sempre foi absolutamente equivocada. O que há é um judiciário extremamente influenciado pelos ventos da política, o que é o oposto de uma ditadura de toga, né?

¶80quer dizer que há uma politização indevida do processo judicial que faz com que os ventos da política, portanto, do desejo do eleitor, em última instância, acabem levando o judiciário para um lado ou trazendo o judiciário pro outro. é, é um problema, é um fenômeno que precisa ser encarado, mas para ser encarado a gente precisa começar com o diagnóstico correto e, portanto, não é uma ditadura de toga, é uma desfuncionalidade do judiciário que extrapola das suas funções e faz com que a lei vire apenas eh um instrumento a ser utilizado em prol dos interesses políticos convenientes em cada momento e isso é >> uma péssima notícia pro estado de direita. >> Desculpa ter te interrompido, mano. Eu queria trazer dois comentários aqui da nossa audiência para inflamar esse debate, né, gente? Porque como o Pedro disse, a gente tá tão confuso, né?

¶81Tá tão difícil de fazer uma leitura assim. a xará de tantas Déboras que temos aqui hoje. Eh, mas a Débora CM8741 diz assim: "Eu não vou votar no segundo turno, eu já decidi e não vai ter capslock ou caixa alta, como a gente diz aqui, que me convença. O STF foi o fiel na balança da minha decisão. No momento, eu confesso que tô confiando mais no autocontrole dos militares do que no Supremo Tribunal Federal.

¶82E o @nego73 diz assim: "Pedro, sendo o Flávio eleito, qual desses dois milagres você acha que seria mais plausível? A extrema direita fazer um governo sem criar um tumulto por dia ou a esquerda começar a olhar pra classe C com devido respeito?" Ah, eu não queria responder isso não, porque eu acho que é mais fácil, Flávio, fazer um um governo eh sem criar uma confusão por dia. E isso não é achar que eu o Flávio vai fazer um bom governo, não. Acho que vai ser um desastre, vai ser corrupto para e vai ser extremamente disfuncional. E e as as nossas instituições democráticas, eu acho que vão piorar um pouco mais.

¶83Não acho que a gente vai descambar nesse mandato do Flávio eh [roncando] para uma para uma ditadura. Acho que a gente vai, como os americanos vão sair com uma democracia profundamente deteriorada, acho que é o que vai acontecer com a gente. Eh, e acho que o Flávio não tem nenhum perfil de ficar dando berro no cercadinho na frente do Palácio do Alvorado todo dia, criando uma crise política por dia. Não é o perfil do Flávio, entendeu? Mas eu tô falando de temperamento, não tô falando de ideologia, não tô falando é temperamento.

¶84Eh, acho, pelo contrário, acho que a esquerda vai continuar reclamando de pobre de direita e dizendo que é culpa da imprensa. Eh, e não vai olhar pro próprio umbigo uma única vez. >> A esquerda se na esquerda, gente. >> Eu acho bem, >> Diga. Vem, Deba.

¶85>> Eu vou concordar com eu vou começar pelo final, né? Eu acho que eu tento a concordar com Pedro, inclusive porque existe um diagnóstico feito pelo próprio PT sobre a necessidade de olhar paraa classe sequência de novos valores, né? Feito pela PC Brama tem mais de 10 anos, né? Eu vi o Rodrigo da Silva no Twitter eh resgatando essa pesquisa. >> Você sabe, Débora?

¶86>> Oi. >> Você sabe quem que fez essa pesquisa, né? >> Você sabe quem que fez essa pesquisa, né? >> Foi para PT. >> Não, não.

¶87Você sabe quem que coordenou pessoa? >> O PT contratou, né? >> Não, não, não, não. Sim, mas quem que coordenou a pesquisa? Marchman.

¶88>> Hum. [risadas] Nossa, espetáculo. >> Não, ele disse pro PT: "Olha, eu acho que a gente tem que olhar diferente pra classe". [risadas] >> Socorro. Perfeito.

¶89Acho que acho que, né? [risadas] Eh, e mesmo assim não 10 anos a gente não conseguia encontrar uma solução de casar, né? eh uma ideia de esquerda que seja um pouco trabalhista, um pouco protecionista, mas casar isso com uma aspiração que seja desse público, né? Eu nem acho que essa galera seja ultra liberal, só que precisa encontrar uma forma de se comunicar com eles e despertar esse sonho, né? Inclusive, vocês estavam falando de um sonho grande, eu tenho uma coluna exatamente com esse título, né?

¶90O pobre tem um direito a um sonho grande e me xingaram de tudo quanta coisa, porque aparentemente dizer isso é um absurdo. Mas falando do Flávio, eh, você falou do temperamento do Flávio, mas eu acho que uma coisa pra gente ficar de olho sobre uma confusão por dia, é quem vão ser os ministros e as lideranças de de de Câmara, de Senado, e como elas vão se comportar, porque não sei, né, se a gente vai ter um um ministério mais técnico ou se vão plotear entre pessoas que tm um perfil talvez não tão tranquilo e calmo, tão tão tão uma pessoa que pensa tanto um pouco melhor as palavras dentro da famí Bolsonaro. Então eu acho que pode ser que as confusões surjam não do cercadinho, mas de outros lugares. uma coisa que me preocupa muito e também porque, né, pensando um pouco na economia, que é onde o mercado financeiro tá um pouco mais otimista com eh o Flávio Bolsonaro, eh pode ser que ele use esse rua de melo, esse esse primeiro período para fazer valer outras pautas, né, seja a liberação do pai, seja a questão do STF e vai deixando reformas de lado e vai lembrar que o PL nesse tempo de governo Lula não votou por nenhuma reforma, não tem atuado como oposição reformista. É quase até agora uma tática de quanto pior melhor.

¶91E bom, não sei se sendo governo vão mudar de direção. Então tem esse lado também que as confusões elas podem vir de outros de outras partes também. >> É, olha, é que é que os sinais da campanha estão vindo contraditórios, né? Eh, se você pega Rogério Marinho, por exemplo, Rogério Marinho, o senador Rogério Marinho, que é o coordenador da campanha, tá circulando e dizendo por aí que vai ser um ministério técnico e que os radicais estão vetados, não vai ter o mesmo perfil. E ele fala especificamente, tá?

¶92O perfil de ministério vai ser muito diferente do ministério de Jair Bolsonaro, que o Flávio se vendeu como Bolsonaro moderado e que é isso que eles vão entregar. vai ser um ministério técnico, eh, eh, e, e, e, e que o Roberto Campos Neto vai ser o ministro da Fazenda. Eh, o, o, eh, o Cláudio Lotterman eh vai que é o presidente da CONIB, que é médico oftalmologista, vai ser o ministro da saúde e e tudo mais. E é isso que eles estão dizendo. Agora aí tem a turma que se vira e fala: "O o chanceler vai ser Eduardo Bolsonaro e ele vai caçar tudo quanto é embaixador que foi contra o PT, quer dizer, Caia Bruas e tudo mais.

¶93Eu não consigo imaginar um nome mais radical do que Eduardo Bolsonaro para botar na chancelaria. É um pesadelo esse esse esse esse garoto Eduardo Bolsonaro. Ele é um doente mental. É eh ele é o pai. Ele é o pai.

¶94Eh, o dos três filhos ele é o mais parecido com o pai. É um destemperado, [risadas] é burro, eh eh um paranoico, acha que tem o o Carlos, coitado, e eh o Carlos depende de remédio, tal, ele tem lá a a a as dificuldades dele, eh, e vive num mundo de teorias conspiratórias. O Eduardo é um cara que não vive a que não precisa de remédio para para viver. E gente, eu sou fsira, não tenho nenhum problema com gente que vive de remédio e eu estou vivendo a base de Rivotril. [risadas] É, é.

¶95Então não é de forma alguma. >> Tomem seus remédios. >> Eh, por favor, sou muito a favor de remédios, tá? Eh, cara, Eduardo Bolsonaro, o cara é ignorante, não tem qualquer noção dos próx das própri dos próprios limites intelectuais. Eh, e é muito radical, é muito radical.

¶96É, é, é, é o cara dos três filhos do, do Bolsonaro é o mais extremista de longe. De longe. Eh, imagina quem que vai ser o o número dois da chancelaria, Paulo Figueiredo, pelo amor de Deus, né? >> [risadas] >> Eh, eh, a gente se muda do país quando Então, o problema é que a gente tem esses sinais conflitantes e e vamos partir do princípio de que Jair Bolsonaro vai est solto. O o Bolsonaro tá muito mal de saúde.

¶97Eh, ele vai ter um apartamento dentro do Palácio do Alvorada, ele vai ficar dando dica pro filho o tempo todo, porque se tiver muito Jair Bolsonaro, esse governo vai ser o inferno. Eu eu não sei como que alguém pode ter muita fé de que vai ser um governo razoável, entendeu? A minha esperança é de que seja um governo muito corrupto e muito incompetente, porque eu acho que a alternativa de um governo Flávio Bolsonaro é pior. É, é na minha visão é isso. Eu acho que o plano A do Flávio é fazer um um governo dentro da normalidade do centrão, né?

¶98ou seja, com muita corrupção, sem tratar de reformas estruturais que custem capital político, eh, mas tentando sumir um pouco do noticiário diário, né, sem aquele afã de aparecer que o Jair Bolsonaro tinha de todo dia dar uma declaração absurda no cercadinho. Ao mesmo tempo, é preciso situar que Flávio vive numa família conflituosa e muito disfuncional. Então, qual vai ser a forma dele de aplacar o desejo de protagonismo e a autoimagem de revolucionário salvador da pátria do seu irmão Eduardo Bolsonaro? Eu não sei como ele consegue neutralizar a o desejo de loucura do Eduardo. Porque na prática eh as tensões por eh então reformulando, eu acho que o o plano A do Flávio seria esse de fazer um governo ali razoavelmente normal, permitindo aqueles esquemas que que a gente sabe que ele sempre fez no próprio gabinete e com as alianças que ele constrói, sem ter reformas estruturantes, mas tentando baixar a taxa de juros, tentando fazer um pouco do básico para que não seja eh atacado pelo mercado para que tenha eh um pouco, porque a gente sabe que o centrão eh corrupto fisiológico, ele funciona como um um carrapato.

¶99O boi não pode morrer para que o carrapato continue sugando eh o boi, né? Então, é preciso dar alguma funcionalidade pro modo como o estado funciona. E isso hoje exige alguma reforma. Não acredito que vai ser uma reforma profunda, mas algo deve acontecer para tentar produzir alguma estabilidade do ponto de vista macroeconômico. Contudo, entra aí o fator da loucura dos irmãos e do próprio pai.

¶100até que ponto ele vai conseguir colocar num cercadinho que permita que eles tenham o sentimento de que tão participando efetivamente ou não. Porque o que vai acontecer se ele não conseguir aplacar esse desejo? Vai ser uma sabotagem desse desse plano A por parte dos próprios irmãos. O Eduardo não vai parar quieto, ele vai produzir crises. Ele produziu eh durante o primeiro turno.

¶101Se se brincar vai começar a produzir desde já. Eh, teve declarações do Alan dos Santos, que é muito ligado ao Eduardo, xingando bispos da CNBB de forma assim absolutamente maluca, eh, insinuando questões sobre a sexualidade do dos bispos, acusando de pedófilos, de coisas terríveis, assim, chamando de encarnações do demônio, basicamente. Então, eh, imagine o que isso repercutiria caso Eduardo venha a ter um cargo e esses aliados dele fiquem incendiando eh o governo. Isso geraria uma instabilidade, certamente que aí ao meu ver, caso esse plano A seja inviabilizado, a o recurso vai ser a natureza autoritária eh que tá no DNA da família Bolsonaro. Então, se a popularidade cai, o que é que eles fazem?

¶102Eles apelam pro extremismo e pros radicais que alimentaram o cercadinho do Bolsonaro no primeiro mandato. Então, eu acredito que as tendências postas são meio nessa direção. >> Ai, ai, ai, ai, ai. Eu andei fazendo umas contas aqui. Eh, eu eu eu queria trazer pra pro nosso público do tipo o que que é porque um monte de gente tá me perguntando eh o que que Lula precisa fazer para virar.

¶103Eh, e para quem deseja a vitória de Lula, eu tenho uma má notícia. Ele precisa tirar voto do Flávio Bolsonaro. Não existe outro caminho. Ele precisa virar voto. Não existe um caminho em que Lula encontre eleição que que sejam votos soltos que tenham.

¶104Ele precisa tirar votos do Flávio Bolsonaro. Eh, por todas as contas, veja, quando você pega o o o como é que eu fiz essa conta? eu cruzei algumas coisas, tá? Eh, primeiro eu peguei a pesquisa meio ideia que saiu na quarta-feira passada para ter uma noção de qual é a proporção de voto que sai dos candidatos de de eh Renan, Caiado, Zema e Curi. Eh, como é que esses eleitores tendem a votar no segundo turno eh entre Flávio e Lula?

¶105>> [roncando] >> Aí eu comparei o os votos de quem não votou no Lula, mas votou no Lula em 22. É claro que não dá para fazer isso eleitor eleitor, mas dá para fazer isso urna urna. Ó, essa urna aqui teve tantos votos pro Lula, tantos votos pro Flávio. Eh, eh, agora foram tantos votos pro Lula, tantos votos pro Flávio, caiu o o o a a votação do Lula, tal, o que que aconteceu? Então, se a gente pega todos os votos dos 9 milhões de votos que foram para pros quatro mais os nanicos, né?

¶106Eu se bem que com 300.000 votos eu já devemos jogar o Zema na caixa dos nanicos, né? [risadas] Eh, se a gente pega todos esses votos e distribui, o Lula continua atrás, tá? Diminui um pouquinho a distância, mas o Lula continua atrás. No fim das contas, o Lula precisa fazer o seguinte. Teve gente que votou, teve um conjunto de eleitores, uns 5 milhões de eleitores, que votaram em Lula em 2022 e votaram em Flávio nessa nessa eleição.

¶107Eh, olha, eu contei a abstenção loucamente. A abstenção, se o Lula conseguir recuperar a abstenção de voto do primeiro pro segundo turno, ele não faz 500.000 votos e ele precisa de muito mais do que isso. Só de distância dele pro Flávio são 2.500.000 votos. Ou seja, o Lula precisa pegar fazer 2.hões votos que ele não fez no primeiro turno. E para cada voto que o Flávio trouxer, ele precisa trazer dois para ele continuar eh eh na frente.

¶108Então, no fim das contas, a conta é o seguinte, ele precisa eh ele precisa virar 1,2 milhão de votos. Não é muita coisa, mas é muito difícil porque essa pessoa já votou no Flávio Bolsonaro. Esses votos estão principalmente nas grandes cidades do país, tá? Estão principalmente no Rio, em São Paulo, eh em Porto Alegre, no Recife, em Salvador, em Belo Horizonte. É, é, é isso.

¶109O Lula precisa virar 1,2 milhão de votos de pessoas que votaram nele em 22 e votaram no Flávio em 26. Se ele não, partindo do princípio de que os votos vão ser distribuídos, os votos eh eh dos outros candidatos vão ser distribuídos, como nos disseram na pesquisa. E partindo do princípio de que ninguém vai ficar, o Lula precisa tirar do Flávio 1,2 milhão de votos e principalmente na classe C urbana, tá? É, é o único caminho pro Lula vencer essa eleição. Não é possível.

¶110Eh, eh, gente, são 170 milhões de eleitores. 1,2 milhão é pouco, não é muito, mas é o esforço. E existe uma razão. Esse não é um voto convicto no Flávio, tá? Eh, eh, essas pessoas votaram na Dilma em 2014, votaram no Jair em 2018, votaram no Lula em 2022, votaram no Flávio em 2026.

¶111A gente tava falando desse eleitor ainda há pouco, né, mano? Pois é, o Lula precisa tirar 1,2 milhão desses votos que foram para ele na semana no no na no domingo, eh, que foram pro Flávio no domingo. Ele precisa pegar 1,2 milhão desses votos e trazer para si. E o Flávio não pode tirar nenhum voto do Lula. Eh, o truque é esse para ganhar essa eleição.

¶112Não achem que existe voto novo para conseguir que vire essa eleição. Não existe esse voto. É um segundo turno que é possível, mas a comunicação do governo precisa mudar radicalmente. Você precisa ter um mix de conseguir vender um sonho que esse governo passou os 4 anos não vendendo com uma propaganda negativa contra o Flávio Gigante. Agora, coisas acontecem também, né, gente?

¶113Aparece um vídeo numa aparece umas coisas ou não é como se o Flávio não tivesse eh eh seus próprios problemas, mas se tivesse na campanha do Flávio Bolsonaro, eu tava bem otimista com essa eleição. >> Mas eu acho que eles estão, né? Talvez isso seja seja eh um potencial risco, porque o que parece é que eles estão começando a botar o salto alto. >> Eu também tenho essa impressão. >> E nada mais perigoso.

¶114>> Não só o salto alto, n? Não são o salto alto, como tão trazendo coisas que estavam ambíguas nos programas para fora e que não necessariamente vão agradar o eleitor ou o eleitor que poderia migrar de lado, né? Eh, então tem essa questão também. Eh, mas alguma coisa que eu adicionaria, né, para mudar de voto, é uma coisa que a militância sobretudo poderia fazer é para xingar os eleitores que eles querem convencer, porque eu vi muita gente xingando ou tratando meio como meio boa, deixa eu desenhar aqui para você e coisa do gênero. Mas eu vi algumas pessoas fazendo isso eh tentando convencer de uma forma um pouco mais inteligente.

¶115Quer dizer, olha, se você votou, sei lá, no Reinan Santos ou no Cúrio, o que você queria era tal coisa, muito provavelmente. e tentando explicar como o Flávio não vai entregar essa demanda. Eu acho que esse é um caminho bem mais interessante. Não sei se necessariamente funciona, mas muito mais eh tem muito mais chance de funcionar com um eleitor que não, que votou no Flávio, mas que não é um bolsonarista convicto eh de mudar de voto. E outra coisa que eu acho que deveria ter sido feita muito desde o começo é descolar completamente da talvez seja, né, ou to late, né, um pouco tarde demais, mas descolar do Alexandre de Moraes e fazer uma sinalização clara de que o governo não é um aliado de corrupção.

¶116e seja onde ela for, inclusive dentro do Supremo Tribunal Federal. Eh, talvez não seja o suficiente tudo isso que a gente tá apontando, mas eu acho que sem isso é muito difícil. >> Agora, Pedro, >> o Alex tá dizendo aqui que, na verdade, talvez seja mais importante buscar os votos nulos, brancos e abstenções. Eh, faz essa comparação pra gente, desenha isso pra gente, por favor. >> É, o o o problema do voto nulo, branco e abstenção é o seguinte.

¶117Eh, a a variação é história, gente. A gente pega e compara. Como é que como é que você faz essa conta? Você compara com eleições passadas. Às vezes acontece a em geral a abstenção é maior no segundo turno em relação ao primeiro.

¶118Em algumas eleições, quando o nível de competitividade é muito grande, como foi 14, como foi 22, eh quando tem um clima assim de guerra, às vezes a abstenção no segundo turno é menor do que no primeiro. É, mas quando é menor do tipo é uma quando é menor é uma coisa assim do é é um ponto percentual é dois pontos percentuais, dependendo de para onde vai. Eh, >> no Nordeste tende a ser vantagem pro Lula, no Sudeste tende a ser vantagem pro Flávio. O mais provável, se a abstenção eh diminuir, é que meio que fique no elas por elas. E ainda assim a gente tá falando de centena de milhares de votos, tá?

¶119300.000 votos para cá, 300.000 votos para lá de vantagem. Isso não faz cóceas na diferença. O Lula tá, eu falei 2 2.hõ500, ele tá 2.hõ300.000 votos. E voto branco e nulo, acredite, essas pessoas não querem nenhum dos dois. Não querem nenhum dos dois.

¶120Acham os dois horrorosos. Não vão votar. Eh, esse eleitor não não tem o que o Lula possa a essa altura eh sabe, deixa eu deixa eu falar uma coisa para vocês. É, é que é que parece que fica uma coisa de liberal reclamando e eu passei os 4 anos reclamando. Existe uma onda de extrema direita no mundo, tá?

¶121Existe essa onda tem características diferentes em cada país, mas todas as democracias estão enfrentando essa onda de extrema direita. Como é que você combate uma onda assim juntando? Isso devia, tá óbvio. Por quê? Porque os movimentos não petistas em 2022, gente, em 2022 eu fiz uma coisa que eu nunca fiz na minha carreira e prometi para mim que nunca mais vou fazer.

¶122Eu declarei voto no segundo turno, entendeu? para jornalista. Isso é um um cruzar uma linha muito séria, eh, do ponto de vista ético. Mas eu fiz aquilo porque eu sabia que Jair Bolsonaro tava planejando um golpe militar e e eu achava muito importante criar a maior quantidade. Aí, cara, eh, e a a a defesa da democracia ficou mais importante.

¶123Eh, aí algumas pessoas vão sear, ah, mas defesa, não existe um golpe sendo planejado nesse momento. E tem uma hora que você tem que respeitar o voto do eleitor. E é assim que o eleitor tá votando. Eu sinto muito que seja. É assim que o eleitor tá votando, tá?

¶124Eh, houve uma consciência por parte de todos os grupos democráticos, não só liberais, mas também liberais. Houve uma consciência em 2022 muito clara de que existia uma ameaça de extrema direita, é que o Lula era o sujeito com mais chances de chegar à presidência contra Jair Bolsonaro nas condições eleitorais que foram postas. Todo mundo abraçou o Lula. Lula chegou ao governo e fez um governo de esquerda. ficou reclamando do Banco Central, ficou falando bem de Vladimir Putin, ficou chamando o Chaves de seu amigo, ficou chamando israelense de genocida.

¶125Eu sei que toda a esquerda tá convencida disso. É muito importante que a esquerda compreenda que é só a esquerda que pensa isso. É só a esquerda que lê o que tá, o que aconteceu em Israel. Foi uma baita de uma matança em Gaza. Só a esquerda chama aquilo de genocídio.

¶126Aquilo é uma guerra absolutamente normal, igual a umas três guerras que estão acontecendo nesse momento no mundo. Aliás, se você for para Ucrânia, se você for para Yemen, se você for pro Sudão, o índice de morte de civis é muito maior do que a condição em Gaza. E eu não tô falando isso para defender. É, é só que essas coisas têm consequências. Aí fica batendo no Banco Central independente e tudo mais.

¶127É uma escolha, é um direito, é um direito do presidente eleito fazer o governo que ele quer. Mas quando você faz um governo que representa apenas o seu grupo, o recado que você tá passando é o seguinte: eu quero os outros para me ajudar a me eleger, mas na hora de governar eu quero governar sozinho. É por isso que não tem uma frente ampla se formando. Até tem, tá? Só que ela tá se formando em silêncio e amargurada.

¶128as pessoas que votaram, as pessoas não petistas que votaram no Lula no em 2022, a turma super politizada, com diploma superior, todo mundo tá votando. Na verdade, aumentou o o número de eleitores do Lula nesse grupo com diploma superior, com eh eh com mais de R$ 15.000 por mês de renda per cápita familiar. Essa turma está votando mais no Lula essa eleição do que votou em 22. É muito importante que a esquerda compreenda que ela escolheu governar sozinha e que agora não tendo feito, não tendo capitaneado uma frente ampla de governo, o quem recebe, ah, mas Simone Tebet, Simone Tebet não teve nenhum poder. Ah, mas na boa, vocês realmente acham que isso foi frente ampla?

¶129Identitário falando o diabo a quatro nas redes o tempo todo, entendeu? Xingando o liberal, xingando o conservador, xingando todo mundo o tempo todo, falando mal justamente do público que foi embora, entendeu? Eh, putz. Ah, o grande intelectual que escreve o livro Pobre de Direita, olha como é que o Olha como é que o pobre de direita votou em 22 e como é que tá votando agora. É esse o eleitor que foi embora.

¶130Ele tá certo embora. Não foi, não se governou para ele, não se respeitou esse eleitor, entendeu? O o o o é impressionante como o governo não percebe que ele desrespeitou a classe C urbana do início ao fim. Isso aqui, infelizmente, o que tá acontecendo é democracia funcionando. Desculpa, gente, eu dei uma monopolizada aqui no tempo.

¶131>> Não, acho que muito importante. Eh, >> favor, >> não, eu ia só concordar, né? E eu ia adicionar mais algumas, né? quer ficar zoando família tradicional em latinha, eh ficar tratando evangélico como manipulado por grandes pastores. Vale dizer que grandes pastores não foram reeleitos, apesar do crescimento da bancada do PL conservadora, do extrema direito, etc.

¶132Eh, esses grandes pastores que o pessoal acusa de serem grandes manipuladores, eh, não foram eleitos, não foram reeleitos. Então assim, eh, ficar tratando eleitor como e idiota, elitista, fascista, eh, é uma tática muito ruim de você convencer as pessoas, assim, eh, e, e sobretudo. E outra coisa que também tem me incomodado um pouco nessa em parte da cobertura, não aqui claro no meio, mas em parte da cobertura e dos comentários analíticos sobre o que seria o governo Flávio Bolsonaro, é que claro, há uma preocupação legítima com a qualidade das instituições, só que as pessoas não trabalham isso de maneira concreta. Por exemplo, ao falar de que vai ter vai ser muito difícil para partes como meio ambiente, né, fala que vai ter desmonte, mas não fala no quê. E aí fica com a coisa essa coisa meio etérea e f e e passa a impressão que é só uma má vontade de um elite progressista ao fazer uma análise do que vai ser um governo de direito, conservador, enfim, como as pessoas, seja lá como foi que o eleitor que votou no Flávio Bolsonaro e identifique ele.

¶133Então tem uma coisa um pouco também que é muito que é menos de pauta e mais de como a gente comunica a relação com essa pauta, sabe? Então eu vejo, tô vendo muito e e claro, com razão, né? uma preocupação com eh com mudanças de política pública que são relevantes e pouco exemplo concreto do que isso significa e como isso vai afetar a vida do eleitor na ponta. Porque se você quer convencer as pessoas a mudar de voto, você tem que dar boas razões além de ai voto nele não, que ele é dual, sabe? Eh, um pouco complicado, eu acho.

¶134>> Na minha coluna de hoje, no Diário de Pernambuco, eu analisei três diferentes discursos sobre o voto em Lula. Um é do Jones Manuel. O Jon está defendendo que o presidente Lula precisa atualizar o seu discurso e dar uma perspectiva de futuro para o eleitor. E aí ele dá o exemplo do discurso do Lula sobre educação, que é basicamente o mesmo discurso desde 2002, que trata educação como uma ferramenta de emancipação social. Esse ponto é importante, mas o take do Jonas é que nós temos os casos das pessoas que fizeram escola técnica, se formaram e não conseguiram a melhoria de vida que gostariam de ter.

¶135E, portanto, só repisar a mesma promessa que não foi capaz de entregar o que no fim o cidadão queria, que era uma vida melhor, não seria suficiente para convencer essa pessoa a dar mais uma oportunidade pro Lula. Então, o take do Jones é que é preciso dar uma perspectiva de futuro para o trabalhador. Outra perspectiva é do Pedro Campos, deputado federal mais votado, irmão >> que é do PSB, >> irmão do João Campos. Qual o discurso do Pedro? Que é preciso aumentar ou melhorar a comunicação sobre as entregas deste governo?

¶136Então, seria um discurso sobre a isenção do imposto de renda, sobre o pé de meia, sobre o vale gás, sobre os aspectos que já são entregas concretas. Eh, bom, é uma ideia de tentar convencer o eleitor de forma pragmática, dizendo: "Veja, na verdade o governo foi bom e você talvez não tenha percebido." >> Você tá errado. >> Exato. Mas tem um terceiro discurso que eu acho o mais eficiente desses três, que tá sendo feito pela governadora Raquel Lira, sem pedir voto. [limpando a garganta] A Raquel não declara voto em Lula, ela declara gratidão ao Lula, porque segundo ela, o Lula nunca faltou ao estado de Pernambuco com a liberação de investimentos que na prática melhoram a vida das pessoas.

¶137Ela não cita o nome de Flávio Bolsonaro em nenhuma hipótese. É como se Lula fosse candidato e não houvesse um outro candidato do outro lado. Ela não declara voto. Ela se recusa a ter que declarar porque diz que isso não é o mais importante, mas dá razões para o eleitor pernambucano, no caso, votar em Lula, que seriam os maiores investimentos liberados para o estado. Ou seja, um discurso pragmático que na prática diz: "Olha, eu não sei, ela não diz isso, mas o que fica no subtexto é: eu não sei como vai ser o nível de cooperação do governo Flávio.

¶138Como governadora, vou buscar a melhor cooperação possível, mas eu sei que com o presidente Lula está funcionando e os recursos estão sendo liberados. Qual a postura da esquerda diante desse discurso da Raquel? atacá-la por não ser lulista o suficiente. O que eu acho que é mais o que toca mais o coração do eleitor que já não votou em Lula e que, portanto, está de saco cheio da ideia moralista de que se você não votar em Lula, você está errado ou não reconhece suficientemente o risco que Flávio Bolsonaro representa. Eu acho que isso é muito ilustrativo das diferentes formas de abordagem e acho que ao mesmo tempo também antecipa eh um conflito que está posto sobre a sucessão desse campo político de forma mais ampla, né?

¶139Porque o Pedro Campos busca se colocar como um herdeiro do legado, né? Então, busca falar sobre o que já foi feito. O Jones tenta se colocar como alguém que tá eh projetando um futuro que precisa ser mais radical do que aquilo que Lula conseguiu entregar. E a Raquel tá botando eh na mesa a ideia da parceria de outros campos, né? ela sai, ela vem de fora do campo da esquerda e pisca o olho para esse eleitor dizendo que olha, com parceria e diálogo, os caminhos se abrem.

¶140Então eu acho interessante esses aspectos, porque há um moralismo de uma eh parcela da militância de esquerda que não entende que tem muita gente justamente, ou seja, com justiça frustrada com o governo e que, portanto, não quer simplesmente eh alguém de cima para baixo olhando para ela e dizendo como ela deve votar, mas que pode querer razões. para escolher entre um lado e outro. >> Ai ai ai ai ai ai ai ai. Vai ser confuso, vai ser difícil, vai ser árduo. >> Eh, eu eu queria lembrar de uma última coisa nessa conversa a respeito de o que que pode acontecer.

¶141Eh, eu falei no início do programa, certo? Tem muita gente entra, muita gente sai. Eh, nunca aconteceu na história da do Brasil desde que há reeleição de de desde que há segundo turno, perdão, que começa em 1989, de o primeiro colocado não ganhar. Nunca aconteceu. Porém, nunca a distância entre o primeiro colocado e o segundo colocado foi tão pequena.

¶142E não custa lembrar, no momento existe uma razão pro presidente Lula só ter feito, só ter falado finalmente hoje de manhã, pela primeira vez, pela primeira vez, 2026, tá? A gente viu um vídeo do Lula gravado assim. [risadas] Isso não é bobagem não, tá gente? Isso não é um detalhe não. Pela primeira vez, algum assessor convenceu o o Lula a ligar o celular, talvez dea deve ter feito isso, né, para ele, botado na câmera de selfie e gravada.

¶143Sabe aquela aquela imagem que fica com naridão, eh, que distorce essa câmera de selfie, né? Acho horroroso. Eh, é a primeira vez ele falou: "Vamos lutar, vamos isso, tipo, tá dando uma animada na para com esse negócio." É exatamente isso que tem que fazer qualquer líder político. Para com bobagem, tem eleição, levanta, levanta militância. Foi um vídeo pra militância.

¶144E a gente ainda não tem um cheiro de o que que é a a a trajetória da qual o plano, qual o projeto da campanha do Lula. Tem uma razão para isso. Eles ainda não tm um diagnóstico de o que que aconteceu. Eh, faz parte. Eu eu sozinho com cloud code a tenho a impressão de que eu já tenho uma leitura mais precisa do que toda a equipe do Palácio do Planalto.

¶145Alguém precisa ensinar eles usarem a a e tá porque eu não tô fazendo esse negócio sozinho. Tem um monte de gente fazendo esse negócio. Nunca vi eh eh tanta gente fazendo análise eleitoral porque ficou muito fácil, tá? Você entender quem é o eleitor, quem é isso, quem é aquilo, tal. Os dados do IBGE são públicos, tanto do censo quanto eh eh quanto da PINADE contínua e os dados do tercer são públicos, são dados públicos porque pertencem à sociedade.

¶146Agora, ao mesmo tempo, você tem uma bateção de cabeça acontecendo no na direita. Tá rolando um risco de salto alto e eh tá rolando um risco sério de salto alto, né? Você já tem senador eleito dizendo que eh, por exemplo, você já tem senador eleito do PL dizendo que não vai ter impeachment de ministro, que tem que tá muito cedo para quebrar essa promessa, tá? Muita gente votou contra Alexandre de Moraes em Flávio Bolsonaro, em senador de direita. Eu acho, eu, eu sou cínico, né?

¶147Eu acho que eles vão negociar porque não interessa ninguém, vamos abafar esse negócio de master. O Carlos Jordi aqui no Rio não só disse que esse negócio de impeachment de ministro do Supremo vai incendiar o país e não queremos isso, como também já disse que não vai ter CPMI do Banco Master, tá cedo para falar esse tipo de coisa, tá? Vocês ainda não ganharam a eleição, então o PT tá perdido de um lado e o e a direita tá sem líder do outro. Porque é isso? Quando quando o Marinho fala uma coisa e e e gente da campanha diz outra, quando o Marinho se vira e fala: "Não vai ter ministro radical" e e aí meia campanha se vira e fala eh Eduardo Bolsonaro vai ser o Celé, vai ser ministro das relações exteriores?

¶148Aí o Carlos Jordinho se vir fala: "Não, esse negócio de impeachment de Supremo não vai ter não". Ô ô ô ô Jordi, a sua eleição acabou do Flávio não ganhou. Acabou não. Tá? Então eu eu tô vendo um bocado de amadorismo nos dois lados.

¶149Eu, se vocês me perguntam hoje quem vai ganhar, eu não sei, tá? Eu não acho que esteja dado que o Flávio ganhe a seleição. Acho que ele é favorito. Mas quando o pessoal fala eleição, segundo turno é outra eleição. Segundo turno é outra eleição, tá, >> mano?

¶150Débora. Não. E nesse nesse espírito de salto alto, o Gilson Machado, o famoso ministro sanfoneiro, >> deu uma entrevista [risadas] ontem à noite, acho que no espírito daquele discurso do Flávio de que ia aproveitar a maioria no Senado para mudar a Constituição, o Gilson Machado disse na Rádio Folha de Pernambuco que a Constituição perdeu seu prazo de validade e que, portanto, é preciso escrever outra do zero. >> É, e não custa lembrar que o nome disso é golpe. Não, não, não.

¶151Então, só, só é diferente do que o Fável falou. O Fável falou de uma grande reforma constitucional. Eh, isso que o Gilson Machado, gente, o Gilson Machado é uma topeira, tá? Mas eu só quero fazer uma, o que que é um golpe de estado? Tipo, abre lá um um dicionário de política, sei lá, o do Norberto Bob, o que é o mais popular, abre.

¶152O que que é um golpe de estado? É a ruptura da Constituição. Não existe artigo na Constituição prevendo a sua dissolução para ser substituída por outra. Ou seja, escrever [limpando a garganta] uma nova Constituição no Congresso Nacional é a definição de golpe de estado, tá? O que o Gilson Machado promete é um golpe de estado.

¶153Eu não acho que isso seja uma promessa. Eu acho que ele nem sabe disso, tá? Ele é uma topeira. Mas ilustra esse exemplo que o Mano traz, ilustra a a batção de cabeça também que tá acontecendo na campanha do Flávio, né? Débora.

¶154Você ia falar alguma coisa? Não, eu ia dizer só que talvez esteja fazendo campanha pro Lula, assim como Carlos Jardim. Acontece, né? >> Veja [risadas] só você, >> Débra. Eu queria aproveitar que a gente tá com uma economista aqui na bancada, porque o Rafael Petinat disse o seguinte, que ele acha que hoje o problema do Brasil é um conflito distributivo, que o orçamento chegou ao limite, que a gente ficou velho antes de ficar rico e agora tem uma guerra entre jovens e velhos, entre homens e mulheres e entre a classe média e os ricos com os super pobres.

¶155Bom, dito isso, Débra, eu preciso dizer também que hoje, no final da manhã, o Flávio Bolsonaro defendeu mudanças na reforma tributária e ele anunciou a intenção de encerrar com o chamado split payment, que você vai explicar melhor pra gente, que é um mecanismo ali dentro do IVA, né, do imposto sobre valor agregado. E aí tem um pessoal dizendo que ele tá acenando pro empresariado, tem gente dizendo que isso é um problema real de muitas empresas. a gente tá entrando aí eh, enfim, numa reta final de eleição, como o Pedro muito bem disse, o jogo não tá dado. Queria saber a tua avaliação se você acha que isso seria interessante, que não seria. Tem gente da receita falando que, eh, enfim, defensores do do IVA, né, dizendo que esse imposto é a principal ferramenta para combater a sua negação e garantir a devolução rápida de créditos tributários.

¶156Mas enfim, muito economia que você desse uma explicada melhor pra gente. E qual que será que é a estratégia do Flávio com isso? >> É uma ótima pergunta, Yasmin. Eu tava dando uma olhada, né, nessa no e comparando, né, o que são as propostas do governo eh Flávio Bolsonaro com essas eh indicações mais recentes que ele tem feito nesse espírito de já ganhou que que o partido e o grupo dele tem adotado. Então, split pain é seria o mecanismo que faria eh cobranças aos poucos dos impostos, mas de forma um pouco mais instantânea.

¶157Óbvio que não seria tudo de uma vez, né, nesse tema, nesse novo no na reforma tributária seria um imposto de valor agregado, né? eh eh um a nível federal e um a nível eh estadual, substituindo os outros impostos com uma longa transição e o split payment seria uma ferramenta de fazer essa cobrança de forma mais instantânea. Então produtivo sobre se eu comprar, sei lá, uma blusinha no cartão de crédito, então como é que funcionaria esse essa retirada do imposto ali na maquininha, digamos assim, só para eu entender onde é que isso bate pro consumidor final. Não, pro consumidor, em tese não bate. É uma é uma é uma questão que vai ser cobrado das empresas, né?

¶158Vai sendo cobrado das empresas na cadeia, né? E mas assim, é confuso mesmo, porque o próprio governo, além doentar a reforma tributária, na minha concepção, falhou um pouco nesse processo de comunicação desses temas. São temas complexos, mas a Zenda Latif, né, que também é economista, eh lembrou que naquele processo ali dos anos 90 de apagão, de tudo no mundo, o brasileiro foi capaz não só de entender, né, eh a transição de uma moeda eh virtual, né, eh para o real, uma transição de moeda super complexa, mas que aconteceu e a população aderiu, como também eh aderiu a todas as sugestões de como economizar energia, né? Então, às vezes, eu acho que alguns governos têm uma tendência a superestimar a população se você explica essas mudanças. Mas voltando pra questão um pouco política disso, é que é uma queixa do setor produtivo, sobretudo de varejos e serviços, de que eh são setores com baixo catalo, ou seja, tem pouco dinheiro em estoque, né?

¶159Ou seja, tem que sempre tá pagando o fornecedor, entra dinheiro em caixa, sai dinheiro de caixa e que a possibilidade adiar o pagamento de impostos dá um respiro, sobretudo no contexto de taxa de juros alta. Então, o que o FA tá sinalizando dizendo que vai tirar o split payment, o que não vai acontecer dentro de um contexto maior de revisão da reforma tributária, é sinalizando o preci público, olha, você vai ter um pouco mais de respiro. Além disso, né, eu acho que vale dizer esse contexto um pouco maior, ele tem trazido essa ideia de revisão da reforma tributária que é bastante complicada. Por quê? A reforma tributária ela andou da maneira mais perfeita possível?

¶160Não, né? Eu e o Mano a gente trabalhou muito no livres, né? eh, criticando as exceções e as distorções todas, porque o ideal era que a gente tivesse uma taxa eh o mais única possível para todos os setores para que eles eh tenham uma competição no mercado, né, de capital, né, para entrar investimento de maneira equânimum. Mas os lobes conseguem garantir exceções, né? As que me deixaram mais chocadas foi hotelaria e parque aquático, por exemplo, paga uma taxa, eh, vai pagar o IVA menor do que outros setores.

¶161Isso para mim é inconcebível, mas enfim. Então, eh, quando ele fala que vai revisitar, abre-se uma uma janela de oportunidade para mais lobis e mais eh desses setores conseguirem uma mudança que seja favorável para elas, aumentando o IVA, que é a população em geral que não tem lobby eh paga, que setores que não tm lobby paga, né? Que é isso que acontece, o pessoal fica, eh, os críticos de reforma tributária falam muito: "Ah, a gente tem o maior IVA do mundo, mas a gente tem o maior IVA do mundo porque a gente provavelmente tem o IVA com mais também. Então quando toda vez que você dá uma meia entrada, né, para usar expressão do Marcos Lisboa para alguém, alguém vai pagar eh ela acaba virando ou o metade do dobro ou alguém vai pagar a diferença entre um e outro. Então abre-se uma janela para uma coisa muito complicada no Brasil, eh, para atender uma demanda de um setor, eh, de setores que se vê, não necessariamente foram, mas se vem como prejudicados nas na reforma.

¶162E o último ponto que eu acho que vale sempre salientar do porque que a reforma tributária, com todos os seus problemas, ela é positiva em geral, é que eh existe primeiro uma mudança da cobrança do imposto da origem pro destino e isso por si só faz uma mudança muito grande na maneira como os governos tratam reformas de ambiente de negócio. Hoje, em geral, como é que se faz, né? E eu vou usar Pernambuco eh como exemplo porque eu tenho um número de cabeça ou mais fácil a dimissão do problema, né? muitos anos atrás, eh, houve a atração do negócio, eh, da Jeip, né, da fábrica da GIP para construção de carros. Melhoraram de negócio de Pernambuco para gerar empreg para todo mundo, não deram um desconto, né, um subsídio para a indústria da GIP eh se instalar lá.

¶163De acordo com o Tribunal de Contas, eh, basicamente o dinheiro que o estado abriu mão paraa instalação dessa dessa dessa indústria não foi compensado pelo emprego gerado visavis o salário que essas pessoas do emprego eh que teve emprego gerado recebem, ou seja, saia mais barato pegar o dinheiro, o subsídio e simplesmente entregar na mão dos pernambucanos, sabe? Esse tipo de esse tipo de eh incentivo, ele fica muito menos provável de acontecer quando você tem um sistema que olha, o imposto não vai ser cobrado lá em Pernambuco, ele vai ser cobrado para onde Pernambuco conseguir vender esse carro, sabe? que é o muito mais lógico. Então, ao invés de você privilegiar no sistema tributário as regiões que são industrializadas necessariamente, onde se produz, você vai privilegiar as regiões onde se tem muito consumo, que são os brasileiros que estão pagando dinheiro naquilo. E isso torna, isso faz com que quando um estado queira crescer e gerar desenvolvimento e emprego, ele faça uma reforma que vale para todos os serviços.

¶164Então, se eu quero atrair indústria ou serviços ou turismo, eu vou fazer, eu vou desburocratizar, eu vou dar linha de crédito, eu vou facilitar os negócios, eu vou criar uma infraestrutura às vezes até de segurança ou melhorar a internet. eu vou fazer uma série de reformas que vai beneficiar todos os setores e não só o setor que conseguiu lá bater na porta do governador ou até do presidente para fazer eh uma uma conseguir algum tipo de benefício. Então, eh na medida que você abre a janela para uma nova rodada de negociação, você abre a possibilidade de mais privilégios serem concedidas dentro desse sistema. Então, me parece que o Flávio tá sinalizando para setores do empresariado, eh, e setores da economia que se vê como grandes prejudicados nessa tentativa de equiparar os setores que foi feita na reforma tributária. >> Muito bem.

¶165Muito bem, pessoal. Eh, quero liberar a Mani Débora, tá? Queria ficar aqui com Pedro na bancada que eu tenho uma pergunta importante para fazer para você a gente ir gente de irmos de vez, nos despedimos aqui do central. Deixa então liberar Mano e Débora. Obrigada a vocês pelo tempo de vocês, pelas análises.

¶166Débora sempre muito didática. Que bom, né? Alguém precisa explicar a economia pra gente, por favor. Obrigada, pessoal. Pedro, >> senhora, >> deixa eu te perguntar um negócio.

¶167A gente tá numa semana aí pós primeiro turno, né? E foi mais ou menos nessa época aí, se eu não me engano, lá em 2016 que você resolveu empreender. Aí veio um negócio aí de canal meio, começou uma parada assim e foi lançada numa segunda-feira após primeiro turno a primeira newsletter do meio. E aí eu queria te fazer uma pergunta para que você pudesse direcionar pra nossa audiência te perguntando o seguinte: o que que você, que tipo de jornalismo você estava querendo fazer quando você disparou? Você e Vítor dispararam a primeira newsletter do meio.

¶168E por que que hoje, com todo o conteúdo premium que a gente tem, alguém deveria se tornar assinante? Eh, vamos lá. Eh, a gente queria fazer algumas coisas diferentes. O que que a gente queria? Primeiro, a gente queria fazer jornalismo 100% digital.

¶169O que que tava acontecendo ali em 2016? As pessoas estavam começando a trocar a televisão a cabo pelo streaming. As pessoas estavam começando a trocar a compra de discos de CDs pelo streaming. As pessoas estavam começando a pegar o hábito de ouvir podcasts. E aí a gente pensou, vem cá, eh eh como é que a gente produz um jornalismo que seja um jornalismo digital?

¶170Ao mesmo tempo, a gente não queria reinventar o jornalismo. A gente, porque tavam nascendo também outros veículos jornalísticos, mas todos eles tinham uma característica que era a de um jornalismo cada vez mais partidário. E e na época tinham convenções de de jornalismo alternativo, jornalismo digital. Eu fui muito, eu fui muito debate com colegas jornalísticos, colegas jornalistas e todo mundo dizendo não, que agora a gente tem que ser mais engajado, mais isso, mais aquilo e e eu sempre falava, a gente não dá. Eh, eh, agora isso não quer dizer que a gente quisesse fazer um jornalismo eh eh 100% tradicional, porque o o digital muda a relação com o leitor, com o ouvinte, com o espectador.

¶171A o diálogo é constante. O diálogo é constante e existe um tipo de cobrança que não existe no jornalismo eh tradicional, no papel, eu sou uma cria do papel, né? eh do jornal principalmente. Eh, mas no seja no jornal, seja na revista, seja no rádio, seja na televisão, essa relação com o o espectador, o ouvinte, o leitor, ela é muito distante. Eh, e não existe aquela cobrança de o que que você é, como é que você é, como é que Ao mesmo tempo a gente foi vendo que e e existia uma sede também por transformação de regime, de mudança de regime e de compreensão da coisa.

¶172a gente decidiu fazer um jornalismo que primeiro ajuda entender as notícias do dia e consumir de forma rápida as notícias do dia. E a função da newsletter do mail é literalmente é um e-mail que a gente manda para você todo dia de manhã, que em 8 minutos de leitura te dá o essencial, eh, te dá as principais colunas, eh, o que que tão dizendo, quais são as opiniões dos principais jornalistas, dar as principais notícias, tipo, você pega aquilo e e aquilo meio que te dispensa de ler um jornal inteiro, de te de ler uma revista inteira no fim de semana. E isso é misturado com análise. O que que é análise? Análise, no fim das contas, não é não é mesma coisa que opinião, não é ficar dar um ficar dando pitaco, entendeu?

¶173Ah, eu acho isso, eu acho que você chega a uma conclusão, entendeu? Que é a natureza de uma opinião, mas você explica como você chega a essa conclusão. Qual é a diferença essencial de você explicar porque que você chega numa determinada opinião? É porque você dá espaço pra pessoa que tá ouvindo eh a entender cada passo de chegar àquela conclusão e entender se discorda e se concordar entender por onde concorda. Na verdade, o barato da análise é que a análise é a análise mais informação do que opinião, no sentido de que análise ajuda, quanto mais análise as pessoas têm, mais aquilo ajuda elas a formarem opinião.

¶174Porque a análise, no fim das contas, é contexto, é história, é é como que A se encontra com B, é o por que uma tal coisa acontece, porque deixa acontecer. Isso dá pistas mesmo, principalmente paraas pessoas que discordam. Isso dá pistas para que elas eh eh [limpando a garganta] Então, se ele chega aquela conclusão juntando A com B, onde que tá a minha dificuldade aqui? Ajuda inclusive as pessoas a a pensarem com mais clareza, a formarem opinião com mais clareza. A gente também tomou uma uma decisão, isso é uma decisão que não é uma decisão do meio, uma decisão pessoal minha, que é eu saí do armário ideológico, que é uma coisa que o jornalista não costuma fazer.

¶175Por que que eu saí do armário ideológico? Comecei a falar, não, eu sou liberal. Por um motivo muito simples, existem três macroideologias e todas pertencem e t espaço na democracia. o conservadorismo, o liberalismo, o socialismo. Eh, qualquer pessoa que tenha lido alguns livros de filosofia política, alguns livros de ciência política, lê um discurso liberal, lê um discurso socialista, lê um discurso conservador e reconhece imediatamente, ah, essa pessoa que tá falando isso, ela tá enxergando a realidade através de um prisma.

¶176Todo mundo enxerga a realidade através de um desses três prismas. Então, me pareceu num determinado injusto, ainda mais num veículo que puxa tanto o o público para perto, que desperta tanto a conversa, eh me pareceu que era injusto não deixar explícito para aquelas pessoas que não leram o livro de filosofia política, que não leram o livro, por que que só metade ou por que que só 1/4 vai entender que eu tô fazendo um discurso liberal? Eu não vou falar. inclusive porque ajuda e e populariza o conhecimento de política. Ah, um liberal pensa desse jeito.

¶177Então, como é que pensa um conservador? Como é que pensa um socialista? Como é que e e como é que a gente tempera essas opiniões? No fim das contas, o meio, Yasmin, o o objetivo é, a gente quer dar informação e a gente quer pensar junto e a gente quer tá fora da bolha. A gente faz um esforço imenso por tá fora da bolha.

¶178Os algoritmos não gostam disso, mas eu acho que uma das coisas, principalmente tanto pra turma da direita quanto pra turma da esquerda, a gente tá num país que tá dividido, evidentemente dividido. Eu acho e e eu vejo por conhecidos, por amigos, por muitos leitores, eh uma das coisas que eu tenho mais ouvido de domingo para cá é, cara, eu achava que você tava super errado. achava que tinha um monte de absurdo que você tava falando e e de repente porque eu tava vendo o veículo A, o veículo B, o veículo C e eu de repente percebi que aquilo que você tava descrevendo que o Brasil é exatamente o que o Brasil é, [risadas] porque o Brasil votou desse jeito. e e lendo a os veículos de esquerda, eu tava mal informado, porque olha, eh com todo respeito aos meus colegas jornalistas de esquerda, passaram os últimos 4 anos vendendo uma fantasia, o retrato de um país que não existia e e tudo bem, eh, faz tudo parte do jogo. E aí eu falo para vocês, é, e é uma coisa que eu tenho falado muito sempre, porque as pessoas perguntam, eh, eu sei que no tempo das redes sociais, o tipo de jornalismo que a gente faz convida muito xingamento e tá tudo certo, faz parte do jogo.

¶179Então, tem muita gente de direita que fica, é, vocês estão acostumados com a nossa caixa de comentários. Um dos baratos é uma caixa de comentário que sempre tem gente de direita e sempre tem gente de esquerda. faz parte da nossa missão ter essa conversa em público mesmo. Não é aquela caixa de comentário como da maior parte dos veículos do jornalismo digital em que só tem esquerda ou só tem direita. Na nossa tem os dois.

¶180E claro, todo mundo fica me xingando o tempo todo. A turma da esquerda, hoje mesmo eu li que eu virei bolsonarista de vez e que eu sou evidentemente alguém fazendo campanha pro Lula. Tava escrito nessa caixa, vocês acompanharam e tá tudo certo. Não tem problema as pessoas acharem que é isso, que é aquilo, porque as pessoas sempre que ouvem um discurso, que é um discurso diferente daquele que elas acreditam, elas acham que imediatamente você tá do outro lado. De novo, tá tudo certo.

¶181O que que eu prometo para vocês? e e é o que vai acontecer nos próximos 4 anos, seja Lula reeleito, seja Flávio Bolsonaro eleito. A gente vai continuar fazendo o mesmo jornalismo. Não é na maior parte das vezes, um jornalismo que vai ser algo que vai esquentar o coração de vocês, mas eu prometo que a gente vai fazer o que a gente tem feito nesses últimos 10 anos. E essa eleição mostra com muita clareza que tudo que tudo aquilo que a gente tem descrito que o Brasil é, essa eleição mostrou.

¶182Por quê? Porque a gente tá olhando pra ciência política, a gente tá olhando pro que os antropólogos estão estudando, a gente tá olhando pro que os sociólogos estão estudando, a gente tá olhando pras pesquisas de opinião. E olha, eu viajo, o pessoal sabe aqui, eles enlouquecem com a minha agenda. Eu quase toda semana tô dentro do avião. Eu viajo por todas as regiões do país e eu viajo para todas as regiões do país para entender o como é que o que que o nordestino tá pensando, o que que alguém no Centro-Oeste tá pensando, o que que alguém na região sul, o que que alguém na região norte tá pensando.

¶183É, é, é muito valioso para mim como jornalista essa coisa de sentir o pulso, porque isso ajuda você a arrancar da sua bolha com uma facilidade, porque é tão diferente esse país. E somos todos, somos todos brasileiros. Eh, eu não tô falando aqui que a gente vai fazer um jornalismo patriótico. Eu não sei se eu acredito em patriotismo, não sei. Mas a gente vai fazer um jornalismo brasileiro, um jornalismo no qual todos os brasileiros e os sonhos paraas suas vidas de todos os brasileiros vão ser tratados com muito respeito.

¶184E eu acho que essa é a maneira mais honesta de fazer jornalismo, principalmente jornalismo político. Eh, Yasmin, não é fácil montar e criar e e sustentar uma empresa de jornalismo digital. Eh, é um ambiente no qual as paixões estão muito intensas, mas, cara, o meio deu super certo. Eh, eh, mesmo nesse ambiente, o meio deu, olha aqui, olha onde a gente tá, >> tá dando, né? >> Super, super.

¶185E a minha esperança é que aos poucos as pessoas vão entendendo eh e percebendo que que jornalismo não existe para fazer torcida. jornalismo existe para pra gente a pra gente tentar ajudar a entender junto um país de uma sociedade que tão em franca transformação. >> Pedro, antes da gente se despedir, enquanto você tava falando, o André Martins Francisco falou assim: "O jornalismo do meio tem me ajudado muito, já há algum tempo. Eu acho incríveis todas as análises e diante disso eu sou fã demais da Flávia Tavares para anoter aqui a nossa editora chefe que fez aniversário, né, e não tá aqui presente hoje. Mas ela diz o seguinte, que todos nós somos demais e que ela, ela não, ele, perdão, André, precisa assinar.

¶186Pois bem, André, tá esperando mais o quê? Tá aí o convite. É isso. A gente convida vocês a fazerem parte, obviamente, desse episódio, desse momento da nossa história nacional e, claro, dos próximos 10 anos do meio, tá bom? Lembrando de que quem assinar hoje já pode ler na íntegra a nova edição do meio político que fala sobre como o avanço a vacelador da direita radical nas eleições do último domingo indica que parte do eleitorado deixou de aceitar o arranjo institucional construído a partir da Constituição de 1988.

¶187É um texto do nosso colunista Creomar de Souza. Pessoal, tá aí também o QR code na tela. Para quem quiser apontar a câmera do celular e já resolver essa questão, torne-se agora assante do meio. Poxa vida, gente. Central Meio fica por aqui.

¶188Muito obrigada pela sua assinatura, pela sua companhia. Amanhã, como você já sabe, a gente tá aqui de volta nesse mesmo local, nesse mesmo horário. Até lá. Se você é de esquerda e acompanhou boa parte do noticiário nos últimos 4 anos por veículos de esquerda, você teve mal informado. Acreditou que havia um problema em pobres de direito, em evangélicos manipulados, que devia criticar a aspiração dos CEO de May.

¶189Essas pessoas também passaram os últimos 4 anos ouvindo a mesma coisa. entenderam o que havia para entender. Esse não é o grupo que não gosta da esquerda. E se você é de direita e se você se informou por veículos de direita, ouviu que tentativa de golpe era conversa de petista. Não foi essa cobertura que nós fizemos aqui no meio, não nesse período.

¶190Pelo contrário, aqui a gente olha pros números como eles são. Aqui a gente ouve o que a classe se aspira e trata com respeito. E aqui a gente não trata golpismo com a displicência da imprensa de direita. Pra gente, pra gente igual que é o crime mais sério contra a democracia. O meio fez 10 anos, jornalismo 100% digital, 100% comprometido com a democracia e que não [música] te diz aquilo que vai aquecer o seu coração.

¶191Mas olha, se preocupe em compreender o Brasil como ele de fato é. E eu posso dizer uma coisa, o ano tá difícil, os próximos 4 anos serão [música] difíceis e a gente vai est do lado da democracia liberal por cada um dos próximos segundos. [música] Precisamos da sua assinatura. meio premium.