¶1No começo de agosto, o brasileiro que diz não ter votar em 2022 preferia Lula a Flávio Bolsonaro, 44 a 31. Um mês depois preferia Flávio 48 a 28. É gente que não se diz nem de esquerda, nem de direita. É mais ou menos um em cada cinco eleitores. E olha, é quem decide o segundo turno.
¶2Lula entregou o que esse eleitor pediu, tá, Flávio? Flávio fala língua de quem quer subir na vida. E esse eleitor quer as duas coisas. E até aqui nenhum dos dois ofereceu as duas coisas. Então vamos lá.
¶3A pesquisa meio ideia, a pesquisa que a gente do meio faz com o Instituto Ideia foi a campo seis vezes desde maio. Em todas o voto de Lula no segundo turno ficou mais ou menos no mesmo lugar. É uma linha reta. O de Flávio não caiu de 45 para 40 entre maio e julho, quando veio o áudio com Daniel Vorcar e depois a briga com a Michele. Aí subiu até 48.
¶4Lula oscilou sempre na margem de erro, uma linha nunca mudou. Flávio, Flávio oscilou loucamente oito pontos. E dá para ver por quê? Tira quem repete o voto de 2022 e diz que já decidiu, tá? Porque esse é o voto firme.
¶5O de Lula fica em 30% do eleitorado rodada após rodada. De novo, é uma constante. O voto do Flávio muda de 22 a 27. Lula teve menos votos no primeiro turno, mas ele tem mais certeza. o eleitor dele é mais firme.
¶6Agora, quase metade do voto de Flávio no segundo turno é um voto inseguro. E sabe, só metade dos eleitores dele se define como de direita bolsonarista. Então, quem é que vai volta em Não é quem votou em Bolsonaro em 2022. Esse fica com Flávio também não é quem votou em Lula, que não se mexe. Também não são esses.
¶7Quem se mexe é quem diz que não votou em 22 ou então diz que não lembra. E olha, é a cara do eleitor do Lula. Mais mulher do que homem, 1/ç é das classes D e E. A mesma proporção do eleitor de Lula. Mais da metade é católica.
¶8Estudou até o fundamental ou médio. Mora na periferia das grandes cidades ou então no interior. Tem a cara social do eleitor de Lula, só não tem a identidade. Mais da metade diz que não tem posição política nenhuma. Quatro em cada 10 açam o governo Lula regular.
¶9nem bom, nem ruim. E presta atenção em como essa pessoa não se mexe. Quando o Flávio caiu lá em julho, esse leitor não foi para Lula, foi pro branco e pro nulo, pro não sei. Anexos perguntou no fim de setembro a quem dizia que ainda podia mudar o voto no segundo turno: "E se mudasse iria para onde?" 18% disseram Lula, 16% disseram Flávio, 51 disseram ninguém. Esse eleitor, essa eleitora não atravessa de um candidato pro outro.
¶10Ele entra e sai da eleição e decide tarde. Em 2022, o Instituto Locomotivo acompanhou as mesmas pessoas até o dia do segundo turno. 18% votaram diferente do que tinham dito três dias antes. Entre quem ganha até dois salários mínimos, um em cada quatro. Na última rodada da pesquisa meio ideia, agora no fim de setembro, esse eleitor sem lado, ele tava assim, 53 com Flávio, 43 com Lula.
¶11É um pedaço do eleitorado rachado ao meio e que já trocou de lado duas vezes de agosto para cá. Aí vem a pergunta que interessa. O que essa pessoa quer? Bem, saúde, escola, posto que funcione. Entre os que estão com Flávio no votar em 2022, 42% dizem que a prioridade do próximo presidente deve ser saúde, educação e serviço básico.
¶12É mais do que entre os eleitores de Lula, tá? Pois é. Ele quer exatamente o que diz o PT que vai entregar. E o governo, governo entregou coisa, tá? O Bolsa Família tá aí, teve aumento, o salário mínimo subiu acima da inflação.
¶13Quem ganha até R$ 5.000 parou de pagar imposto de renda em janeiro. Então, então por que que esse eleitor não é de Lula? Porque ele não acha que deve nada a ninguém. O Renato Mereres do Instituto Locomotiva fez uma pesquisa pro livro dele, Brasil da Maioria, perguntou: "Quem vai realizar os seus sonhos?" 49% responderam: "Eu mesmo". 22, Deus e a igreja.
¶1412. A família, o governo federal, gente, 3%. Três. A antropóloga Rosana Pinheiro Machado passou anos ouvindo moradores de Morro da Cruz em Porto Alegre. Viu a mesma coisa.
¶15Quando a vida melhorou, os homens que ela ouviu atribuíram o próprio esforço. Quando piorou, culparam Lula. E ela escreveu uma coisa que vale para essa eleição inteira, tá? Ninguém ali tinha ficado rico, ninguém tinha ficado pobre e mesmo assim a sensação era de uma perda enorme. O Bolsa Família e o salário mínimo viraram na expressão de Meeles, dados da realidade.
¶16É o básico, o chão. Ninguém agradece pelo chão. Esse eleitor subiu na vida sozinho ou é assim que ele se vê? E é por isso que entrega, só entrega não basta. Mas guarda essa ideia, porque o que o Flávio oferece também não é exatamente o que ele quer, não, tá?
¶17Eu sou Pedro Dória, editor do meio. Olha, vamos ter uma conversa aqui. Se você é uma pessoa de esquerda e passou os últimos 4 anos se informando por veículos de esquerda, ouviu que o pobre que vota na direita tá enganado, que deveria agradecer pelo que recebeu, que o sonho de ser de meia ilusão. Esse brasileiro, ele ouviu a mesma coisa, tá? entendeu o seguinte recado: "A esquerda não leva meus objetivos de vida a sério.
¶18Se você é de direita, se informou por veículos de direita, ouviu que tentativa de golpe era conversa de petista. Não foi essa a cobertura que a gente fez aqui no meio. Aqui a gente olha pros números como eles são, mesmo quando incomodam. Aqui a gente ouve o que a classe C quer e trata essa vontade com respeito. E a gente aqui, a gente não trata golpismo com a displicência da imprensa da direita, não, né?
¶19Para nós golpe é o crime mais sério contra a democracia. Aliás, hoje no timeline na Rádio Gaúcha, o grande timeline, o próprio Valdemar Costa Neto, presidente do PL, admitiu, é, tentaram golpe, sim, o meio acaba de fazer 10 anos. Jornalismo 100% digital, 100% comprometido com a democracia. Ele não te diz o que vai aquecer o seu coração. A gente não, a gente não tá preocupado se uma informação, se uma análise ajuda esquerda ou direita.
¶20A gente tá preocupado se ajuda você a entender o Brasil como ele de fato é. E posso dizer uma coisa, faltam 18 dias pro segundo turno. Os próprios últimos 4 anos eles vão ser difíceis e a gente vai est do lado da democracia liberal. cada segundo. A gente também precisa muito da sua assinatura.
¶21Assine o meio prêmium. E esse aqui, esse é o ponto de partida. Vamos falar do Flávio um pouco. A direita acha que sabe falar com esse eleitor. Empreenda.
¶22Não dependa do governo. Seja dono do seu nariz. Ele gosta de ouvir isso, tá? É só que esse discurso para na metade. Em agosto, a Meio Ideia perguntou que tipo de trabalho oferece as melhores condições.
¶23Entre quem votou em Bolsonaro em 2022, 23% escolheram teu próprio negócio. Agora, entre os que não votaram, os que decidem, 15%. E 37% não souberam responder. Não é que ele não queira crescer, é que se virar sozinho, ele já se virou. A Rosana Pinheiro Machado estudou a fundo o tal CEO do meio e olha, ela não ri, ela leva ele a sério.
¶24Ela diz que o título dá a quem passou a vida na rua uma coisa que ninguém tinha dado antes. Dignidade, sabe? Não ter patrão para essa gente sempre foi um desejo. O Meirelles encontrou o mesmo brasileiro olhando pro estado com dois olhos. Na fila da UPA falta estado.
¶25Na papelaria que ele tem que preencher ali para ter uma barbearia, um salãozinho. Aí o estado sobra. Ele quer as duas coisas ao mesmo tempo. Que o estado saia da frente do negócio pequeno dele e que apareça no posto de saúde. E a mulher que a maioria nesse grupo resume numa frase aquela que uma delas disse ao Meireres.
¶26O que ela quer é poder escolher o horário de ser mãe. Liberdade? Sim. Mas com chão embaixo. Então, olha onde a gente tá.
¶27Quem fala a língua da ascensão é à direita. Numa pesquisa da socióloga Ester Solano e da cientista política Camila Rocha, uma eleitora de 31 anos em São Paulo resumiu assim: "O PT dá comodismo. O Bolsonaro incentiva a gente a batalhar." E o sonho foi ocupado. A Pinheiro Machado levantou os 612 maiores coaches do Brasil nas redes. Esse pessoal que vem de fórmula de enriquecer infalível.
¶28Bem, nove em cada 10 estão alinhados à extrema direita. Quem tem a entrega é o Lula, o Bolsa Família, o salário mínimo, o imposto de renda. Então, um tem o discurso, um o outro tem a obra e esse eleitor não reconhece a obra dos Bolsonaros e não se reconhece no discurso do Lula. O curioso é que ele não tá longe de nenhum dos dois, tá? O Instituto Locomotiva mediu a distância entre eleitores de Lula e de Bolsonaro em vários temas.
¶29Em identidade de gênero, 37 pontos os distanciam. Em armas, 32 pontos tem distância. Agora, na ideia de que o governo tem de resolver os problemas concretos das pessoas, zero. Nesse ponto, o Brasil inteiro concorda. As pessoas pensam igual, o governo não resolve os meus problemas, eu quero resolver eles.
¶30E é aí que a conta do segundo turno a perda. Lula saiu do primeiro turno 2.hões200.000 votos atrás. Para virar precisa que algo como 1.200.000 pessoas troquem Flávio por ele. Cada uma conta dobrado. Tira o voto de um, põe no outro.
¶31Só que esse eleitor quase nunca troca. Quando desiste de um candidato, ele costuma ir pro branco e voto o que vai pro branco quanto uma vez só. Se for para esse caminho, o Lula precisa do dobro. Então, então a diferença é que ele já trocou uma vez esse ano em agosto. Não é impossível, mas é apertado.
¶32É estreito esse caminho. Pois é. O Meirelles resume esse brasileiro com em duas frases, tá? Que deviam estar na parede das duas campanhas. Não quer tutela, quer parceria.
¶33E eu não quero promessa, eu quero paz. Ele não pede para ser salvo, nem para ser cobrado pelo que ele recebeu. Pede um estado que esteja ao lado dele, não frente, não sustentando. Posto que atende, escola que ensina, emprego que paga e alguém que reconheça que o que ele conquistou conquistou ele. Faltam 18 dias, ganha quem disser as duas coisas primeiro.
¶34E olha, tem que dizer com respeito sincero. Se você é de esquerda e acompanhou boa parte do noticiário nos últimos 4 anos por veículos de esquerda, você teve mal informado. Acreditou que havia um problema em pobres de direito, em evangélicos manipulados, que devia criticar a aspiração dos CEO de May. Essas pessoas também passaram os últimos 4 anos ouvindo a mesma coisa e entenderam o que havia para entender. Esse não é o grupo que não gosta da esquerda.
¶35E se você é de direita e se você se informou por veículos de direita, ouviu que tentativa de golpe era conversa de petista. Não foi essa cobertura que nós fizemos aqui no meio, não nesse período. Pelo contrário, aqui a gente olha pros números como eles são. Aqui a gente ouve o que a classe se aspira e trata com respeito. E aqui a gente não trata golpismo com a displicência da imprensa de direita.
¶36Pra gente, pra gente igual que é o crime mais sério contra a democracia. O meio fez 10 anos. Jornalismo 100% digital, 100% comprometido com a democracia e que [música] não te diz aquilo que vai aquecer o seu coração. Mas olha, se preocupe em compreender o Brasil como ele de fato é. E eu posso dizer uma coisa, o ano tá difícil, os próximos 4 anos [música] serão difíceis e a gente vai est do lado da democracia liberal por cada um dos próximos segundos.
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