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A MAIOR POLÊMICA SOBRE CALVINO: ELE MANDOU EXECUTAR SERVETO?

¶1É verdade que João Calvino mandou matar queimado um herege, Miguel de Ceveto. Ceveto foi um dos grandes hereges do período da reforma. Foi o homem que negou a trindade e é certamente o protagonista de uma das maiores polêmicas que envolve a reforma protestante, que é a alegação de que Calvino teria sido responsável por este homem ter sido queimado vivo em uma fogueira genebrina. Nós vamos discutir isso hoje direto de Genebra em mais um episódio do Teologia. na estrada.

¶2[música] >> [música] [música] >> Miguel Serveto era médico humanista e teólogo. Na medicina, ele descreveu a circulação pulmonar, a passagem do sangue do coração pros pulmões e o seu retorno pro coração. Curiosamente, essas constatações fisiológicas foram feitas na sua obra Cristianismo Restaurado, publicada em 1553. Ceveto era alguém satisfeito tanto com o catolicismo romano quanto com o protestantismo. Então, em 1531, ele publicou o de Trinitatis Rob erros da Trindade.

¶3No ano seguinte apresentou uma nova exposição das suas ideias. Em 1553 publicou sua formulação mais desenvolvida em cristianismo e restitutio, cristianismo restaurado. A doutrina de Cveto questionava, entre outros pontos, a formulação em cena da trindade. Ele não negava simplesmente toda a divindade de Cristo, mas rejeitava a existência eterna do filho como uma pessoa distinta do pai. Em sua compreensão, o filho propriamente dito começava com a encarnação, nascia, aparecia com a encarnação.

¶4Ele não negava que Jesus era Deus, né, que existia divindade no filho, mas ele rejeitava a existência eterna do filho como uma pessoa distinta do pai. Na compreensão do Seveto, o filho propriamente dito passava a existir com a encarnação. Por essa e outras afirmações, tanto católicos quanto protestantes consideraram ele um herege no contexto jurídico e religioso do século X, a heresia obstinada poderia ser tratada pelos magistrados como crime passível de morte. Veja, numa época em que protestantes e católicos se condenavam mutuamente, Serveto conseguiu que ambos os grupos concordassem que ele era um heree. E isso realmente não é para qualquer um.

¶5João Calvino e Farel, posteriormente eles insistiram bastante para que Serveto se retratasse, mas ele não quis recuar. Calvino não tinha nenhuma autoridade para pronunciar a sentença que teria sido decidida pelo conselho de Genebra, mas Calvino participou diretamente da morte desse homem. Ele considerava Serveto como herege e seus embates colaboraram paraa coordenação teológica de Serveto. Por isso, é importante ressaltar que Calvino não era o ditador de Genebra, como alguns o acusam. É uma acusação absolutamente tola, porque o conselho que mandou executar Serveto foi o mesmo que expulsou o João Calvino em 1538.

¶6Carter Lindberg, por exemplo, afirma que Calvino só conseguiu a cidadania genebrina em 1559, 5 anos antes de morrer. Ele escreve que Calvino nunca usufruiu do poder político e dos recursos materiais do bispo católico deposto, nem tinha ao seu lado centenas de ministros, monges e cânones disponíveis, como no caso da igreja antiga. Tem que ser um ditador muito flerágil para não ser nem cidadão da cidade em que ele manda. A única função de Calvino era ser presidente do conselho de pastores. Ele não era membro do Conselho Político de Genebra.

¶7Ele não fez parte do pequeno conselho que era composto por 25 anos e que administrava os negócios públicos. Ele não possuía funções judiciais. Ele não era do conselho dos 200, que era um tipo de conselho ampliado para decisões políticas importantes. Calvino sequer conseguiu convencer de que a pena capital de serveto deveria ser uma menos dolorosa, já que ele pediu uma pena, entre aspas, mais humanitária do que morrer queimado. Calvino fazia parte do consistório, cuja função principal era religiosa e moral.

¶8E era através do consistório que Calvino fazia suas reivindicações paraa Genebra, assim como qualquer outro grupo podia fazer reivindicações paraa cidade. Calvino teria exercido um papel de negociação, mas não de imposição contra que quer que seja. Como ele era um jurista, ele sabia como argumentar e como recorrer. Calvino era chamado de herege por muitos na cidade. Calvino era caluniado e atacado pelos católicos.

¶9Em qual ditadura as pessoas têm liberdade para xingar tão livremente o seu ditador? Calvino não tinha tantos poderes políticos como muitos críticos à reforma tentam fazer parecer. Ele insistiu várias vezes que Serveto não fosse paraa Genebra, porque se ele fosse paraa Genebra, ele provavelmente ia ser condenado e morto. Mas Serveto ainda assim foi e deu no que deu. Calvino chegou a pedir ao Conselho de Genebra por uma morte mais misericordiosa, ao invés de queimar o homem vivo, que foi o que aconteceu.

¶10Calvino pediu que ele fosse só apenas decaptado. Ainda é uma condenação à morte, mas certamente uma coisa menos fisicamente grotesca para quem vai morrer. Mas Calvino não foi atendido, até porque Calvino tinha muitos problemas com a liderança de Genebra naquela época. Assim, Serveto foi queimado vivo em 27 de outubro de 1553. Ainda hoje, esse caso é uma das grandes polêmicas relacionadas a Calvino.

¶11Os seus críticos fazem parecer que Calvino condenou sozinho ativamente Ceta à morte, de que ele tacou fogo lá no homem direto. Outros defendem que Calvino, na verdade não teve teve nada a ver com isso. Estava de mãos completamente atadas, não teve nenhuma responsabilidade sobre a morte de Cevet. Mas obviamente é muito raro que os extremos tenham razão. Tanto quem acha que Calvino não teve culpa nenhuma, como quem acha que Calvino foi o grande promotor da morte desse homem.

¶12Ambos leem a história de forma muito envieszada. As coisas são um pouco mais complexas do que isso. O mais aproximado seria dizer que Calvino foi uma testemunha de acusação contra Ceveto. Uma testemunha de acusação não é quem decreta a pena, mas certamente a testemunha de acusação tá consciente de que a sua declaração vai colaborar pra condenação daquele réu e tá consciente de que haverá uma pena por causa do crime, né, que ele tá sendo acusado. Calvino estava consciente de que sero era um herege e que os seus ensinos representavam um mal pra igreja, justamente porque esses ensinos podiam desviar os crentes da sã doutrina.

¶13Por isso, se Calvin não fizesse nada dentro do seu tempo, onde a heresia era condenável por morte tanto pela Igreja Católica quanto pela igreja protestante, já que o conceito de estado laico se torna uma contribuição protestante apenas posterior, Calvino teria sido considerado pelos seus como alguém omisso, não é? uma missão muito inesperada de quem defende a Bíblia na esfera pública. Em um tempo onde o estado laico não existia, Calvino teria que ser muito à frente do seu tempo para argumentar de forma diferente, o que não o desculpa, mas certamente cobra de nós uma compreensão histórica, cobra de nós uma luta contra determinados anacronismos na leitura de personagens do passado e certamente cobra de nós uma postura melhor do que a postura dos antigos reformadores. Esse monumento é de 1903, exatamente 350 anos depois da execução de Miguel de Ceveto, fui colocado próximo ao local onde ficava a sua fogueira. Simples, feito de pedra bruta, quase como um item funerário.

¶14O nome dessa desse monumento é o monumento expiatório. Um jeito de tentar pedir desculpa pelo que foi feito a Cveto, mas bom. Pedir desculpa depois de queimar vivo é meio complicado. Você não pode meter um caba na fogueira e depois pedir ô, foi mal aí, te matei queimado. Foi sem querer querendo.

¶15Mas bom, a ideia era reconhecer que a execução havia sido um erro e marcar uma mudança na maneira como os próprios protestantes reformados julgaram aquele episódio. Originalmente, quando esse monumento foi feito, havia uma inscrição que dizia o seguinte: "Filhos respeitosos e agradecidos de Calvino, nosso grande reformador". mas condenando um erro que foi de seu século e firmemente ligados à liberdade de consciência segundo os verdadeiros princípios da reforma do evangelho, erigimos este monumento expiatório em 27 [música] de outubro de 1903. É uma atenção muito forte aqui, né? Os responsáveis pelo monumento fazem questão de continuarem se identificando como herdeiro de Calvino.

¶16Não erguem esse monumento como algo anticalvinista, mas afirmam que a coordenação de Ceveto foi um erro. Eles não estão tentando se afastar da reforma ou de Calvino. Eles continuam se identificando como herdeiros da reforma. herdeiros diretos de Calvino, se dizem filhos de Calvino, e afirmam que a condenação de Ceveto foi um erro e apresentam a liberdade de consciência como uma consequência dos verdadeiros princípios do evangelho e da reforma. Por isso, esse monumento acabou também se tornando muito controverso, né?

¶17Porque a expressão, um erro que foi de seu século, foi criticada porque parece diminuir a responsabilidade da cidade de Genebra e a responsabilidade do próprio João Calvino, dizendo que aquilo era simplesmente normal no século X. Uma crítica que já aparece um pouco depois da inauguração do monumento. A existência desse monumento, dessa estátua, deixa bastante explícito o modo como hoje se interpreta, né, tudo que aconteceu. O que eu acho intrigante é que enquanto a cidade de Genebra tenta se arrepender dos seus crimes, dos seus pecados e erros do passado, ainda existem muitos cristãos nos dias de hoje que sonham de alguma forma com esse mundo antigo, né, idílico na cabeça deles, em que hereges iriam pra fogueira. Você encontra isso não só em certos grupos esquisitos dentro dos ambientes reformados, mas a católicos, h a gente de todo buraco que acredita que a gente ainda deveria estar assassinando pessoas por causa de suas crenças.

¶18E aí eu fico com aqueles que seguiram a tradição reformada e fizeram esse monumento para lembrar da desgraça que foi a morte [música] de Ceveto. Apesar de muitos reformadores como Beza e como Farel queriam que Seveto fosse condenado, o próprio João Calvino, né, queria isso. Posteriormente, uma aplicação melhor dos princípios da reforma nos libertou desses ambientes profundamente opressivos de heresias sendo condenadas civilmente. Claro que os primeiros reformadores não tinham essa compreensão, mas eles não tinham essa compreensão porque eles próprios não conseguiram levar as últimas consequências o próprio pensamento que eles estavam desenvolvendo. Eles ainda eram fruto do seu tempo.

¶19Ainda não conseguiram se afastar o bastante de certos ideais católicos. Apenas com o progresso e o aperfeiçoamento das doutrinas reformadas, é que a ideia de um estado laico foi melhor aplicada e desenvolvida com base no verdadeiro espírito da fé reformada. Os desenvolvimentos posteriores da reforma, como no neocalvinismo holandês, foi um processo de cada vez mais abertura a liberdade de crença e de [música] consciência. Muitas pessoas acham que para você ser verdadeiramente reformado, você tem que imitar tudo do período da reforma, sem considerar que muito do que acontecia lá era só fruto do seu tempo também. Você vai ser menos reformado se acreditar que você não deveria queimar vivo quem tem visões teológicas diferentes das suas.

¶20Você é menos reformado se acreditar que deveria existir liberdade de consciência, de crença. Você é menos reformado por ser contra escravagismo? Porque boa parte dos puritanos foram escravagistas. Você é menos reformado por acreditar em estado laico? Nós não temos que voltar aos pecados da reforma para sermos verdadeiramente reformados.

¶21Pelo contrário, a gente tem que perceber as inconsistências entre as doutrinas da reforma, muitas das práticas de alguns dos reformadores. Ao mesmo tempo que a gente tem que se esforçar para voltar aos ideais da reforma, a gente também tem que se esforçar para avançar para além das limitações que também afetavam a vida desses homens. [música] Agora, quando a gente diz que Calvino era o homem do seu tempo, a gente tem que lembrar que aquele tempo tinha pessoas à frente de seu tempo, ou seja, havia pessoas que discordavam da postura de Calvino. A perseguição religiosa possuía amplo apoio político, mas não era uma posição que ninguém conseguia questionar. Um exemplo importante é a figura de Sebastião Castelho.

¶22Ele era um humanista cristão que havia se aproximado de Calvino e trabalhado como diretor de uma escola em Genebra. Depois de algumas divergências com Calvino, ele se estabeleceu em Basileia, onde trabalhou com livros, traduziu a Bíblia e se tornou o professor de grego. Era alguém que conhecia aquele ambiente e participava dos debates religiosos da época. Depois da execução de Serveto, em 1553, Castelho se tornou uma das vozes mais importantes contra a perseguição religiosa. Em 1554, publicou sobre um pseudônimo uma obra chamada Sobre os hereges, se devem ser perseguidos.

¶23O livro reunia textos de autores cristãos antigos e de personagens da própria reforma para questionar a perseguição religiosa. O interessante é que Castelio usava como fonte dos seus argumentos até mesmo Lutero e o próprio Calvino. Castelho incluía um trecho das primeiras institutas de 1536 em que Calvino defendia um tratamento humano até para pessoas consideradas inimigas da religião. Ele tentava mostrar as próprias incoerências e inconsistências da postura política de Calvino, que parecia trair até mesmo os ideais da reforma. A reação obviamente foi muito forte.

¶24Naquele mesmo ano, Calvino publicou a sua defesa da fé ortodoxa, na qual justificava sua atuação no caso de Serveto e defendia a legitimidade da punição dos herees pelas autoridades civis. Teodoro de Beza respondeu ao volume de Castelo e fez isso com outro tratado, defendendo que os herees deveriam ser punidos pelo magistrado civil. A controvérsa era muito clara. De um lado, cristãos argumentavam contra a perseguição. Do outro, Calvino e Beza defendiam a sua legitimidade.

¶25Castelho chegou a escrever ainda outra obra chamada Contra o Líbero de Calvino, respondendo à defesa que foi apresentada pelo reformador para a condenação de Serveto. O texto foi escrito em 1554, mas só seria publicado em 1612 depois da morte de Castelho. É nessa segunda obra que é uma de suas frases mais importantes. Castelo diz: "Matar um homem não é defender uma doutrina, é matar um homem." Quando os genebrinos executaram o ser veto, não defenderam a doutrina, mataram um ser humano. Não se prova sua fé queimando o homem, como se fazendo queimar para ela.

¶26Mas à frente, ele diz: "Buscar e dizer a verdade, tal e como se pensa, não pode ser nunca um delito. Nada se deve obrigar a crer. A consciência é livre". Que frase, né? Matar um homem não é defender uma doutrina.

¶27Matar um homem é matar um homem. O argumento é forte. Se serve discutia por meio de escritos e argumentos, era por meio de escritos e argumentos que ele deveria ser enfrentado. Discordar da teologia de alguém não torna legítimo matá-lo. Um argumento que hoje parece muito comum, mas se colocou castelho numa situação difícil, porque defender a tolerância naquele tempo também poderia colocar alguém sob suspeita.

¶28Castelho não estava sozinho nisso. Isso explica porque é que ele escreveu debaixo de pseudônimos e porque a sua segunda obra só foi publicada depois de sua morte. Castelo vem de uma tradição de outros homens que lutaram pela liberdade religiosa. Em 1524, por exemplo, quase 30 anos antes da execução de serveto, Baltazar Rubmer, que depois se tornaria um importante líder an batista, escreveu um livro chamado Sobre os herees e aqueles que os queimam. Era um tratado curto organizado em 36 proposições, onde ele argumentava a partir da Bíblia, recorrendo à parábola do trigo e do joio, lembrando da advertência de Jesus sobre arrancar o trigo junto com o joio.

¶29Para ele, esse texto exigia cautela diante da pretensão de eliminar os que fossem considerados hereges. Kubmer defendia que as doutrinas fossem enfrentadas a partir do conhecimento das escrituras. Ele reconhecia a função das autoridades civis de punir os crimes, mas questionava o uso desse poder contra a divergência religiosa. Kubyer certamente seria um crítico muito feroz de Calvino, porque em sua obra ele rejeitava a desculpa de ah, eu só entreguei alguém para as autoridades para ele, encaminhar uma pessoa para ser executada também envolvia a responsabilidade. A distinção entre quem acusa e quem executa não encerrava a questão moral para ele.

¶30A história de Rubyer, o homem que falou contra sequeimes, acabou de forma trágica. Em 1528, ele foi queimado vivo por autoridades católicas. O homem que havia escrito contra a execução dos hereges acabou sofrendo esse mesmo destino. Então não é de se espantar que Castelho não tenha publicado a sua segunda obra até depois de sua morte. Infelizmente as fogueiras genebrinas ainda podiam alcançá-lo.

¶31Então sim, tudo isso pesa contra Calvino, porque mostra que a oposição à perseguição religiosa já podia ser formulada naquele mundo, inclusive a partir de argumentos bíblicos. Ora, no caso de Castelho, essa posição foi dirigida diretamente à própria defesa da acusação de Serveto. Claro que o contexto histórico ajuda a compreender as pressões, ajuda a gente a compreender um pouco mais as instituições e as convicções de Calvino, mas a existência dessas vozes dissidentes mostra que havia alternativa. Quando dizemos que ele precisaria estar à frente do seu tempo. Sim, é claro que Calvino precisava estar à frente do seu tempo para ter uma postura diferente com Serveto, mas a gente tem que reconhecer que mesmo dentro da reforma já havia pessoas à frente de seu tempo aplicando muito melhor os princípios reformados na atuação pública da igreja.

¶32Até Calvino era usado como base para isso, o que mostra a inconsistência dos primeiros reformados com suas próprias doutrinas. A gente tem que reconhecer a importância de Calvino paraa reforma, mas a gente tem que reconhecer que nessa discussão Castelho e Ruby Meer e vários outros ofereceram argumentos melhores contra a perseguição religiosa e a favor de um relacionamento mais correto da igreja com o mundo. Eles fazem parte da história da reforma tanto quanto os homens que defendiam as fogueiras. Se [música] você quiser saber mais sobre a história de João Calvino e outras polêmicas relacionadas ao seu nome, nós estamos gravando uma série de teologia na estrada, o nosso programa de história na igreja em locais importantes do cristianismo, tudo direto de Genebra. O nosso episódio sobre João Calvino já está no ar.

¶33Você pode ir lá assistir se você quiser. Outros vídeos estão a caminho. Então se você gosta de aprender teologia de forma descomplicada, não deixa de se inscrever no canal e assinar as notificações para ficar sabendo sempre que houver vídeo novo. Você gosta desse programa o Teologia na Estrada? Clica em gostei, deixa um comentário para fortalecer e envia pro pessoal aí da sua igreja, dos grupos do WhatsApp, [música] nas suas redes sociais, para que essa mensagem possa chegar mais longe.

¶34Um cheiro no seu cangote e até o próximo episódio de Teologia na Estrada. He.