¶1Saudações direto do Japão, galera. Eu tô aqui, na verdade, para continuar um vídeo que eu publiquei algumas semanas atrás falando sobre pastor Eduardo Reis, teologia reformada, ética protestante do espírito do capitalismo. Porque ficou faltando uma parte daquele vídeo. Eu vi depois que no mesmo contexto em que o pastor Eduardo Reis ele faz afirmações a respeito do protestantismo reformado, do calvinismo ser o pai da teologia da prosperidade, ele diz também ou atribui também à teologia reformada o fracasso espiritual do cristianismo europeu nas palavras dele. E aqui, gente, me perdoem, eu ainda tô me adaptando ao fuso.
¶2Talvez eu não seja perfeitamente fiel ao que disse o pastor Eduardo Reis, mas nas palavras dele, a teologia reformada ela não funcionou. E não funcionou, e a prova disso é a decadência espiritual da Europa. Não funcionou para responder aos problemas da Primeira e da Segunda Guerra Mundial e não funciona para responder ao problema da miséria no Brasil. E que mais? A teologia reformada, ela não responde bem ao caos, ela não tem resposta pro caos.
¶3Eu entendo as críticas ao calvinismo, a teologia reformada. Como eu já disse para vocês em vídeo anterior, eu não tenho motivo para ficar passando pano pra corrente cristã nenhuma. Toda corrente cristã tem os seus erros. A teologia reformada tem alguns erros e alguns erros graves ao longo da sua história. Eu mencionei alguns deles no vídeo passado.
¶4Agora é curioso porque pentecostais atribuem o fracasso europeu do cristianismo aos reformados. Os reformados atribuem ao liberalismo, os liberais teológicos atribuem ao secularismo. E quando você pergunta para um europeu secularizado mesmo, por que a Europa desistiu do cristianismo, se secularizou ou o que quer que seja, esse europeu secularizado, volta e meia vai dizer que o cristianismo ele sucumbiu na Europa porque porque ele não oferece boas respostas ao caos. Não, a teologia é formada, não o liberalismo, não o pentecostalismo. O secularizado europeu em geral, ele vai falar com as suas próprias palavras, não com essas que eu tô articulando, que o cristianismo, de maneira geral não responde bem ao caos.
¶5A prova disso é Portugal, que eu tava duas semanas atrás. Aliás, esse é um dos motivos que tem tido pouco vídeo aqui no canal. Eu tô em várias viagens missionárias. Tava em viagem missionária a Portugal também. Agora aqui no Japão, né?
¶6E acordei cedo para ver o Sol nascer na terra do Sol nascente e tava nublado. Olha só que coisa. Me faltou fé, pastor Eduardo Reis. Me faltou fé. Mas o que eu queria colocar aqui, por exemplo, usando o exemplo de Portugal, é que o cristianismo que sucumbiu em Portugal não foi o cristianismo evangélico, foi o cristianismo católico e precisamente por não responder bem ao caos.
¶7Você conversa com pessoas que entendem da secularização ou o processo de secularização de Portugal especificamente, e o problema do mal tá no cerne responder ao caos. tá no cerne da decadência cristã ali dos secularizados católicos ali. Não sei quem sabe ou conhece, mas no ano de 1755 houve um terremoto seguido de maremoto em Portugal que gera uma necessária reconstrução portuguesa nas mãos de Marquês de Pombal, a quem é atribuída a frase: "Sepultem os mortos, fechem os portos, cuidem dos vivos". Marquês de Pombal também promove um determinado tipo de secularização numa certa oposição aos jesuítas. E hoje Portugal, ainda predominantemente católico, é um país secularizado.
¶8Entretanto, eu não gosto da ideia de dizer que o cristianismo tá morrendo lá, porque eu fui para lá e eu vi um cristianismo pulsante, eu vi um cristianismo verdadeiro. E olha só, muitas vezes de igrejas reformadas. Quando a gente diz que o cristianismo ele tá decaindo no continente europeu, eu me pergunto se a gente tá preocupado de fato com o cristianismo, que são as pessoas que estão vivendo o evangelho ali, ou se a gente tá preocupado com os prédios, com as construções das igrejas. Porque se a gente tá preocupado com as construções das igrejas que estão virando boate, com os prédios que já não são mais religiosos, estão virando biblioteca, como por exemplo a igreja de Santiago em Óbidos, que virou uma livraria e onde antes era o altar, hoje existe [limpando a garganta] uma exposição precisamente a respeito do terremoto e do maremoto, que coloca essa dúvida secularizada na cabeça do português se Deus é bom porque ele permite coisas ruins. virou uma livraria.
¶9Eu eu me pergunto se o que a gente quer é de fato evangelho ou o que a gente quer hegemonia. O que a gente quer é que os prédios voltem a ser nossos. Entretanto, quando você visita comunidades vivas, você vê que o evangelho está vivo ali. Ele só não é hegemônico, ele é minoritário e muitas vezes com igrejas reformadas, mas sobretudo no caso específico de Portugal com as Assembleias de Deus. com as assembleias de Deus, assembleias de Deus portuguesas, que são bastante diferentes das igrejas Assembleias de Deus brasileiras, pentecostais de fato, mas uma expressão de pentecostalismo muito diferente daquela que a gente tá acostumado.
¶10Eu seria muito leviano se eu pegasse os números da expressividade do evangelicalismo em Portugal e visse que a maior denominação portuguesa é a Assembleia de Deus e dissesse assim: "Tem pouco evangélico em Portugal e isso é um fracasso das assembleias de Deus". Seria muito leviano da minha parte. Assim como é, Leviano, atribuí a teologia reformada o fracasso espiritual da Europa, apenas como contra exemplo. Um outro lugar super secularizado, talvez mais secularizado do que muitas cidades europeias, é a cidade de Nova York. E o melhor exemplo de avivamento espiritual em Nova York nos últimos 50 anos vem de uma igreja reformada, Redeemer Presbiterian Church, do famoso reverendo, agora já com Papai do Céu, Timot Keller.
¶11A gente vai dizer que o Team Keller é alguém de um tipo de teologia que não responde bem ao caos, que é só letra e não é espírito, como faz entender pastor Eduardo Reis. E eu me sinto muito à vontade de trazer esse diálogo entre reformados, eh, pentecostais, e essa, e esse embate pelo que está acontecendo no mundo, porque eu prefcio o livro do Gutierres Fernando Siqueira, assembleano, reino dividido. Eu acho que a gente devia unir mais as coisas. Uma segunda parte do argumento do Eduardo Reis é que a gente não responde bem ao caos como teologia calvinista e a gente não soube responder ao problema da primeira e segunda guerra mundial. É curioso porque dentro da teologia especificamente, o problema principalmente da primeira e da segunda guerra não era da teologia reformada, era da teologia liberal mesmo.
¶12Quem tava do lado errado na tanto na primeira quanto na segunda guerra eram os liberais. e liberais que não eram oriundos da teologia reformada, mas fundamentalmente e principalmente na teologia luterana. Eu vou dizer que os luteranos são responsáveis pela primeira guerra, responsáveis pelo que aconteceu politicamente ali, seria Leviano da minha parte, não é isso? Quem responde ao problema teológico da Primeira Guerra? Calbart.
¶13Você pode considerar Cbart um herege por alguns motivos, alguém heterodoxo por outros. A verdade é que ele ali no contexto de um liberalismo tá trazendo a teologia de volta para uma ortodoxia. Calbart era o quê? Reformado. No caso da Segunda Guerra, talvez uma das melhores respostas ao caos venha de um alemão convertido na Segunda Guerra Mundial no presídio.
¶14Jurgen Maltman. que é o quê? reformado e que se torna depois orientador de Miroslav Wolf, que vive o caos agora nos balcans, nas guerras na península balcânica, orientado para um reformado, ele escreve o bestseller e livro de referência para a gente combater o caos num ambiente em que ser humano está contra ser humano. escreve exclusão e abraço, livro que não tinha versão em português durante muitos anos e eu no meu canal aqui batalhei muito tempo pra gente traduzir. Não foi por minha causa que traduziram, não é isso, mas hoje tá em português, vale a pena a leitura.
¶15Então, um pouco injusta essa acusação de que a teologia reformada, ela não responde ao caos, de que a teologia reformada é responsável por um processo de secularização que aconteceu na Europa de modo multifatorial, como todo fenômeno complexo da humanidade que é multifatorial. Calvinistas responderam mal ao problema da secularização na Europa muitas vezes. Nos Estados Unidos várias vezes também. Mas eu quero lembrar que no contexto do Reino Unido, algumas das melhores respostas vieram de John Stot e Martin Lloyd Jones. Veja só, Martin Lord Jones mais associado à teologia reformada do que Scott, mas sem sombra de dúvida, entre os anglicanos evangelicais, Stot é alguém que se aproxima da teologia reformada mais do que se distancia.
¶16A gente tem que ter um pouco mais de carinho com os nossos irmãos, parte a parte, para não cometer injustiças. Mas sobretudo eu queria finalizar esse vídeo dizendo: "Eu fui para Portugal, eu fui pra Europa e o que eu vi foi um cristianismo minoritário, pequeno, mas pulsante e vivo. É injusto com os nossos irmãos que estão lá trabalhando dizer que o cristianismo na Europa tá morrendo. Pelo contrário, eu enxergo uma possibilidade crescente. É por isso que eu tava lá duas semanas atrás.
¶17Aqui no Japão, eu quero mais escutar o que os nossos irmãos estão pensando de cristianismo aqui. Queria compartilhar isso com vocês. Se o pastor Eduardo Reis vir esse vídeo, espero que ele reconsidere algumas posições. Eu faço tudo isso em carinho, em oração. E ore você pelo meu ministério, por essas viagens aqui, porque eu acho que a gente vai ter muita novidade boa para contar a respeito do evangelho por aqui.
¶18Gostou desse vídeo? Curte, hypa, compartilha esse vídeo. Eu nem me apresentei, né? Olá, eu sou Víctor Fontana. Esse aqui é o meu canal.
¶19Ele pode ser um pouco seu também. Para isso, basta que você curta, compartilha, se inscreva nesse canal. Esse era o meu recado para hoje. Vou ficando por aqui. Até a próxima.