Victor Fontana responde ao pastor Eduardo Reis, que atribui à teologia reformada o "fracasso espiritual" do cristianismo europeu e a incapacidade de responder ao caos, argumentando por contraexemplos que a secularização é multifatorial e que as melhores respostas teológicas ao caos do século XX saíram justamente de reformados.
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é vídeo de resposta construído por lista de contraexemplos, útil como mapa de quem culpa quem pela secularização, mas sem argumento próprio que renda sessão. Dois reparos: Moltmann se converteu em campo de prisioneiros britânico depois do fim da guerra, não durante, e Volf vem de família pentecostal croata, o que enfraquece o uso dele como troféu reformado.
O que foi dito
- Gravando do Japão, retoma um vídeo anterior sobre Eduardo Reis, teologia reformada e ética protestante, e completa a parte que faltava: a acusação de que o calvinismo não funcionou, e a prova seria a decadência europeia, a falha diante das duas guerras e a miséria no Brasil.
- Recusa de saída a função de passar pano, afirma que a tradição reformada tem erros graves no histórico, e monta o quadro das acusações circulares: pentecostais culpam os reformados, reformados culpam o liberalismo, liberais culpam o secularismo, e o europeu secularizado diz que o cristianismo em geral não responde bem ao caos.
- Usa Portugal, onde esteve em viagem missionária duas semanas antes, como contraexemplo: o cristianismo que sucumbiu ali foi o católico, não o evangélico, e o problema do mal está no centro dessa secularização.
- Ancora isso no terremoto e maremoto de Lisboa de 1755 e na reconstrução sob o Marquês de Pombal, a quem atribui a frase “sepultem os mortos, fechem os portos, cuidem dos vivos”, e na secularização pombalina em oposição aos jesuítas.
- Fecha o exemplo com a igreja de Santiago em Óbidos, hoje livraria, onde o antigo altar abriga uma exposição sobre o terremoto, isto é, sobre a dúvida que secularizou o país.
- Vira a pergunta contra o próprio diagnóstico de decadência: estamos preocupados com o evangelho vivido ou com prédios que viraram boate e biblioteca, ou seja, com hegemonia.
- Relata ter visto em Portugal um cristianismo minoritário mas pulsante, de igrejas reformadas e sobretudo das Assembleias de Deus portuguesas, que descreve como pentecostalismo de fato, porém bem diferente do brasileiro, e observa que seria leviano ler os números baixos como fracasso das Assembleias, exatamente como é leviano lê-los como fracasso dos reformados.
- Contrapõe Nova York, talvez mais secularizada que muitas cidades europeias, onde o maior caso de avivamento dos últimos cinquenta anos é a Redeemer Presbyterian Church de Timothy Keller, igreja reformada, e cita o livro “Reino Dividido”, de Gutierres Fernando Siqueira, assembleiano, que prefaciou, como aposta de união entre reformados e pentecostais.
- Rebate a parte das guerras: o problema teológico da Primeira e da Segunda Guerra foi do liberalismo, e sobretudo de matriz luterana, não reformada, e quem recolocou a teologia na ortodoxia depois da Primeira Guerra foi Karl Barth, reformado.
- Para a Segunda Guerra aponta Jürgen Moltmann, convertido em cativeiro, também reformado, e orientador de Miroslav Volf, que escreve “Exclusão e Abraço” a partir das guerras dos Bálcãs, livro que o canal ajudou a cobrar em português.
- Acrescenta John Stott e Martyn Lloyd-Jones como boas respostas britânicas (Lloyd-Jones mais reformado, Stott anglicano evangelical próximo da tradição reformada) e encerra pedindo que Eduardo Reis reconsidere, em tom irênico.