Radar

radar · Política & notícias

Nikolas e Ana Elisa em batalha, militâncias de Lula e Flávio espalham mentiras | Central Meio

¶1[música] เฮ [música] >> [música] >> Olá, Olá, boa tarde. Sejam muito bem-vindos. Sejam muito bem-vindas ao Central Meio. Hoje é sexta-feira, que coisa boa, né? Dia 9 de outubro de 2026.

¶2Eu sou Yasmin Restum e aqui comigo tá o analista político Alexandre Borges. Tudo bem, Alexandre? Como é que você tá? >> Tudo ótimo. Seestou.

¶3Eu tô um pouco chateado que o Flamengo foi garfado ontem no Flamengo e Santos, mas você me devolveu meu bom humor porque eu como conservador vou elogiar sempre que ela vai vir com o look tradif. >> Você gostou? >> Ah, tradif. Acho que é isso é uma coisa legal. É um movimento, >> é tendência.

¶4É tendência. >> Não é [risadas] um movimento com o qual eu compactuo, mas eu acho que é de uma é de uma elegância muito legal. E a moda atemporal acho que ela é sempre muito bem acertada, [risadas] né? Mas vamos lá. de São Paulo.

¶5A gente tem também a nossa editora chefe, Flávia Tavares. Flávia, junte-se a nós. Chega mais, por favor. >> Oi, tudo bem? Tudo bem aí, turma?

¶6>> Tudo certo, Flávia, na medida do possível. Tudo bem? >> Tudo ótimo. Vamos em frente. Tudo ótimo.

¶7Estamos cheio de assunto hoje. Tá tudo fervendo. >> Pois é, o noticiário não deixa a gente descansar quando a gente acha que vamos falar de outra coisa. Não, não temib não tem essa possibilidade em aberto. Gente, vamos fazer então um resumão antes de eu voltar pra Flávia para ela poder aparar as arestas aí, contar o resto dessa história.

¶8Mas bom, a questão, gente, é que essa guerra digital pelo segundo turno presidencial, ela tá pegando fogo. Vocês estão vendo? Em Minas Gerais, o embate entre a Ana Elisa, que foi eleita deputada federal pelo PT, e o Nicolas Ferreira do PL, acabou descampando, escambando para uma enxurrada de desinformação e até ameaça de morte. Enquanto isso, o deputado André Janones da rede de do Rede de Minas Gerais, né, criou o canal do rede, não, perdão, gente, da Rede de Minas Gerais, criou o canal Exército de Lula para virar votos a favor do presidente. E essa tática, ela se espelha no que mesmo?

¶9Na tropa do Flávio, que reúne a militância digital do bolsonarismo, né? No meio dessa disputa por votos, surge uma nova declaração também do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Veja publicou hoje que o Vorcaro disse ter pago R$ 30 milhões deais para financiar um documentário sobre o Lula. Não parece um dejavô assim com sinal trocado? Pois bem, enquanto no filme do Bolsonaro, a gente tem até áudio do Flávio pedindo o dinheiro.

¶10Dessa vez a Polícia Federal aponta a falta de evidências e o Lula nega taxativamente. Bom, será, será que o ex-banqueiro virou mesmo um patrono do nosso cinema político de todos, de todos os lados, né, ou é só um desespero assim do relator? Olha, pra gente também aliviar a atenção política e se preparar para sexta-feira, preciso te contar que hoje tem também o Guilherme Vernec na bancada com as melhores dicas culturais para você curtir no Rio ou em São Paulo. Então fica aqui com a gente, tem muito assunto, como a Flávia falou, deixe seu like, manda sua pergunta no chat porque eu tô de olho e se inscreve no canal porque o Central Meio tá no ar. >> [música] >> Vamos lá, pessoal.

¶11Coragem. Apesar de ser sexta-feira, o clima tá quente, tá? aqui no Rio de Janeiro, inclusive abriu um super sol, abriu um solzão. Eu quero já começar chamando a Flávia porque assim, no campo aí do engajamento, assim das militâncias, a gente tá vendo que existe um esforço por um engajamento digital e a campanha do Lula frisou muito isso. a gente deu, inclusive na nossa newsletter também falamos e repercutimos aqui no central sobre esse engajamento a mais da militância de esquerda, que não é tão acelerada, não é tão engajada, não é tão esperta nesse ramo como é a direita.

¶12Só que parece que a galera se passou um pouco, né, Flávia? explica, bota os pingos no zin aí, por favor, porque é muita informação. >> Vamos lá, gente. Primeiro, boa tarde novamente, Alê, Yasmin, ótimo tá aqui com vocês. Eh, a gente brinca, né, que tá tudo muito quente.

¶13Tem que tá quente mesmo. Nós estamos no meio de um segundo turno, um segundo turno, eh, com dois candidatos muito diferentes, com estratégias que até pouco tempo eram também bastante diferentes. É, mas eu acho também importante a gente ajudar o nosso espectador aqui a entender o contexto em que as coisas estão acontecendo e partir pras análises a partir daí. O Alê já tá acostumado que eu sempre tento fazer quando eu tô aqui com ele à sextas-feiras, né, Alê, um apanhadão do factual antes da gente partir paraas análises, pra gente poder eh e sempre baseado nos fatos mesmo, né, no que que tá acontecendo. Então, vamos lá.

¶14Eh, eu queria apontar primeiro que existem dois movimentos distintos em relação à militância de esquerda eh neste momento no ambiente digital. São dois, eles têm pontos em comum, mas são dois movimentos que eu entendo como distintos, como paralelos, né? Eh, paralelo em tese, nunca se encosta, mas, enfim, no campo da política às vezes eh tem umas umas curvas no caminho. Eh, um, o primeiro e é o que, eh, ilustra a nossa TAMB, e eu acho que é o que vale a pena a gente explorar de saída, é um que envolve dois parlamentares, eh, um reeleito, uma eleita, né, dos campos bolsonarista e petista. E, eh, por que que eu acho que vale começar por eles?

¶15Porque justamente por terem sido eleitos com votações expressivas, o Nícolas com mais de 3 milhões de votos, mas a Ana Elisa também por Minas Gerais, pelo PT de Minas, eh com uma votação incomum para uma candidata de primeira viagem ah do campo progressista, com quase 600.000 votos, né? Então, acho bacana a gente começar por eles, porque mal ou bem são vozes ah bem estabelecidas, políticas e com uma legitimidade que lhes é dada pelo voto, que torna tudo que eles falam com um peso maior. Então, acho importante a gente começar pelo fenômeno que envolve os dois. E o que o que que eu tô enxergando neste fenômeno que os fatos nos informam a partir eh deles, né? é que eh primeiro muito tardiamente a campanha do presidente Lula entendeu que precisava ter uma presença digital muito maior do que a que vinha tendo e não só maior, mas com uma energia diferente.

¶16Então isso é uma percepção absurdamente tardia, que provavelmente eh não vai dar tempo de fazer efeito, embora o tempo de redes sociais seja realmente muito mais acelerado do que o tempo da política de rua. E hoje as coisas andam muito juntas porque a vida está no digital. E não é à toa que a crítica a campanha do Lula de demorar tanto para perceber que precisava de uma presença digital diferente é tão dura. Porque é é inacreditável que tenha demorado tanto, certo? Aí o que que acontece?

¶17A campanha do Lula meio que oficializa a Anela, que tem 21 anos e é uma militante da esquerda de Minas Gerais, eh, que foi eleita deputada, como eu falei há pouco, como uma espécie de porta-voz, como uma espécie de guia de como se comportar nas redes sociais, certo? Isso eh tem dois eh efeitos eh que podem ser ou tanto prejudiciais quanto maléficos paraa campanha. Por quê? Porque como que ela conseguiu essa projeção nas redes sociais? Da maneira que os algoritmos entendem que devem eh não só ampliar, mas que manter a bolha engajada com um tipo de mensagem.

¶18Qual é o tipo de mensagem que engaja em rede social? É uma mensagem que desperta fortes emoções. Normalmente dá raiva, mas não só. Mensagens de muito amor com gatinhos e cachorrinhos também viralizam. A raiva na política viraliza muito mais do que o amor.

¶19E isso não tô falando de achismo, isso é o que todo mundo que estuda o campo digital entende, sabe, os algoritmos funcionam assim porque interessa pras plataformas manter o engajamento alto para vender anúncio. E o que que qual é a emoção que te mantém preso num vídeo, numa numa aspa, numa coisa é são principalmente duas, a raiva e o pertencimento. Então tudo que você identifica ali como uma uma indignação, uma raiva, não sei quê, e que faça você se sentir parte de um grupo, a vida digitalisa, a plataforma política da Ana Elisa e a forma dela de conquistar seguidores e de conseguir eh o que é raro também, mas ela conseguiu converter isso em votos, é com esse tipo de postagem, tanto de de raiva, de indignação, de emoção forte, quanto de pertencimento via identitarismo, um identitarismo bastante profundo. Então, os vídeos dela falam muito de racismo estrutural, de eh principalmente de racismo. Ela é uma mulher jovem negra, eh de machismo e racismo.

¶20São dois temas que ela usa muito nos vídeos para engajar. E isso funciona muito bem para uma campanha legislativa. Por que que isso funciona bem para uma campanha legislativa? Porque a gente sabe que um deputado para ser eleito, ele precisa de uma quantidade muito inferior de votos do que alguém para um cargo executivo. Então, embora o Nicolas Ferreira hoje tenha tido uma votação que elege governador em muitos estados, eh, ele é um fenômeno de redes num estado muito populoso, que se não me engano é o segundo colégio eleitoral do Brasil.

¶21Então ele, o Lucas Pavanato, que é de São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, vão ter mesmo votações na casa dos milhões, mas eles precisariam de 100.000. E realmente esse tipo de discurso da raiva e do identitarismo, tanto de direita quanto de esquerda, a a raiva [risadas] e o identitarismo existem nos dois campos. Eh, você mobiliza eleitor o e seguidor o suficiente para eh trazer ali a sua campanha, fazer a sua campanha se tornar bem-sucedida. Isso. O que que acontece quando o Lula entrega nas mãos de Anelisa?

¶22Lula campanha, né? A toda a estratégia de redes ou pelo menos essa eh essa projeção dessa imagem de que é ela que tá. Então ela vai na Globo News, dar uma entrevista, ela passa a ser convocada paraas reuniões e tal. Ela pode ser uma boa ferramenta para isso. Sim.

¶23Eu não estou dizendo que ela não devesse ser utilizada, mas ela, primeiro, ela é muito suscetível a ataques por causa das linguagem que ela usou, vem usando e da forma que ela construiu a sua base. Ela é insuficiente. Então não adianta encontrar, achar que encontraram a salvação da campanha no ambiente digital, porque ela vai engajar com um tipo de público. Não dá tempo de ela construir o que o Nicolas já construiu, porque está um passo à frente na estratégia e no tempo. E eu já falo isso.

¶24E ela vai abrir um flanco de rejeição ao Lula. que não estava tão mobilizado, que é o do o do antiidentitarismo, tá? Então isso é o risco que ela traz ao eh ser convocada e tornada uma figura praticamente simbólica do que que é a militância do PT nas redes hoje. Eh, o, por que que eu falei que o Nicolas tá um passo adiante, a meu ver? porque ele já está neste jogo há mais tempo e já fez mais vídeos de assuntos distintos, sem usar esta mesma chave o suficiente para ter ampliado o público que ele alcança.

¶25Então, quando ele faz um vídeo falando de corrupção ou de Pix, né, vou pegar dois exemplos de vídeos dele que normalmente viralizam com muita força. Ele fura a própria bolha que ele construiu originalmente com discursos mais ah, como posso dizer, tanto mais identitários, mais raivosos, mas ligados a um discurso tradicional só da extrema direita. ele já ele já tem conteúdos produzidos que atravessam isso. Então, hoje o público que ele alcança contém essa base que ele formou lá atrás com esse tipo de mecanismo e ampliou a partir de vídeos que ele fez com outros tipos também de discurso. Ele não deixou de fazer o outro, mas ele já ampliou essa base com outros tipos de discurso.

¶26O que que acontece agora para eu finalizar e mandar pro pro Alexandre comentar? Porque eu quero comentar o outro fenômeno que é a a militância usando salário mínimo, fim de de benefícios sociais, que eu acho que é um assunto é o outro que eu falei que é paralelo, mas tem pontos de contato, mas eu acho que eu quero te ouvir primeiro sobre sobre Ana Elisa e e Nicolas, mas só para concluir o que eu acho que tá acontecendo neste momento de hoje, né? Então este é um fenômeno que vem já de dois dias. Hoje a Anelisa fechou suas a o seu Twitter, o Instagram dela, que pelo que eu vi tá aberto ainda. E eh por que está dizendo primeiro?

¶27falou que vai processar o Nícolas porque eh a direita re eh eh recuperou tweets dela um pouco um pouco mais antigos, não tão antigos assim, é é de agora, de 25, 2025, 24, acho que tem um ou outro de 23, eh em que ela faz comentários muito jocosos, agressivos com principalmente com evangélicos, mas não só. Mas então, por exemplo, ela fala quando ela assistiu ao "Ainda estou aqui" que eh quem ainda apoia a direita tem mais de que queimar no fogo do inferno, no inferno que os crentes tanto acreditam, coisas desse tipo. Aí em 2022, quando circulou aquela notícia falsa de que o Lula ia fechar as igrejas evangélicas, que inclusive o Nicolas postou, foi condenado ao pelo TS, o o Flávio e o Eduardo Bolsonaro repostaram na época, todo mundo foi condenado pelo TS, tiveram que tirar do ar e ela foi paraas redes dizer que, ah, Lula, quer saber, fecha mesmo essas igrejas, que crente só faz merda. Esse tipo de coisa. a a direita eh pegou esses tweets antigos dela e bombou.

¶28E é onde eu falo que o identitarismo e o discurso raivoso pode ter um efeito de alienar votos que eh via um um identitarismo que não estava acionado nessa eleição ainda. Tá bom? Ela fechou a conta, diz que esses esses posts não foram feitos por ela. Ela fez um vídeo dizendo que os posts não são dela e que ia acionar o TSE para todo mundo rebater. E aí usou um post do Nicolas Ferreira, antigo também de 2014 em que ele fala da que a Virgem Maria foi estuprada pelo Espírito Santo, que por sua vez diz que esse post não é dele.

¶29Então, a gente tem hoje uma guerra de versões muito forte. Eh, tem um instrumento, quem conhece rede social sabe que tem um instrumento que chama Arve, que pega eh tweets antigos e eh >> resguarda justamente para caso a pessoa apague, para poder ter acesso ainda. Os dois estão no archive, tá? Então eles vão ter que provar talvez eventualmente na na justiça se foram eles mesmos, se não foram e ou vão simplesmente conseguir que se derrubem para, enfim, por alguma questão que a justiça vai decidir. O que temos hoje são os dois negando autoria de tweets muito problemáticos [limpando a garganta] com relação à religião, mas que eu reforço que é uma linguagem que as redes sociais entendem e que antes deles terem projeção nacional para crescer base, é muito crível que tenham usado justamente esse tipo de postagem.

¶30Então não é algo incrível que eles tivessem usado. Por enquanto estão ambos negando autoria. Alê, vai pega daí, depois a gente fala da outra parte. Eu eu juro, eu sei que eu me estendi um pouco, mas eu achei importante dar este apanhadão. >> Não, é maravilhoso.

¶31Você sabe que eu gosto, eu já elogiei que te falando que quando eu comecei nessa empresa vital há alguns anos, eh, o primeiro programa que eu tive diário nacional era Nara Jovem Pan, chamava três em um e eu fazia com a Vera Magalhães, minha grande amiga, irmã. Beijo, Vera. E ela fazia esse papel. Todo o assunto da pauta começava com ela e ela dava uma aula, ficar 10 minutos assim. Então era maravilhoso, porque aí você só entrava para dar opinião, porque já tava todo mundo na mesma página.

¶32>> A Flávia levanta para você cortar aí. >> É, bota todo mundo na mesma página. Então é uma maravilha, né? Então obrigado. Eu, na verdade, você faz um grande favor para todo mundo que tá assistindo e para mim também, né?

¶33Tô aqui, tô assistindo, tô adorando e tal. Bom, vamos lá. Eh, então, muitas questões importantes foram levantadas. Eu vou tentar também [roncando] e eh no que eu lembro. [risadas] Eh, mas a primeira coisa é o seguinte, vou fazer um argumento mais geral.

¶34Eu acho que há um problema na esquerda e depois eu vou chegar no Lula e chegar na Anelisa. Primeiro assim, acho que no geral em relação à esquerda, as pessoas têm falado muito, uma coisa que ficou meio clichê, essa coisa do antipetismo de chegada, que se não me engano do Maurício Moura, que é do Instituto eh Ideia, >> né? E todo mundo nosso parceiro aqui na pesquisa Meia Ideia. >> Isso. E é uma frase ótima e e virou o clichê por um bom motivo.

¶35Todo mundo repetiu em tudo quanto é lugar, dando crédito e merece. Mas eu queria acrescentar uma coisinha. Eh, eu acho que existe um antipetismo de chegada, mas eu acho que existe uma coisa que ninguém tá falando, que é o petismo de largada. Que que é o petismo de largada? É muita gente que acha que a condição natural do ser humano é ser petista.

¶36E se essa pessoa, por acaso, não é petista, alguma coisa de errado aconteceu. É como se fosse um ser humano com defeito que precisasse ir para assistência técnica, entendeu? é como se fosse uma máquina dando defeito. E eu vejo muita gente com muita dificuldade em entender que as pessoas podem simplesmente ser de direita, terem outra visão de mundo, acreditarem em coisas diferentes. E então e e quando eu vejo muita análise em relação aos fenômenos que estão acontecendo, eu vejo, e eu tô chamando isso de petismo de largada, que é o seguinte: o o os X eleitores de tal perfil, de tal idade ou de tal gênero, não estão votando no PT.

¶37Que que deu errado? Então, talvez não tenha dado nada errado. Talvez essas pessoas sejam de direito. Talvez essas pessoas tenham outra visão de mundo, entendeu? Então, ah, então nós temos um gim, nós temos uma ideia, nós vamos pegar uma garota e ela vai resolver.

¶38Você já parou para pensar que talvez o problema não seja o meio, talvez seja a mensagem, entendeu? Talvez o problema seja, independente se você vai falar alto, baixo, em rede social ou num megafone no meio da rua, que talvez não seja a mensagem que a pessoa esteja a fim de ouvir. Talvez as pessoas no, o jovem no mundo de hoje, por exemplo, não esteja a fim de carteira assinada. Pode ser. E aí, se é a Anelise ou se é a Luí Erundina, >> Ana Elisa.

¶39se é a Luí Orndina com 90 anos ou se é a Ana Elisa com 21 falando tenha carteira assinada, bata ponto, tenha patrão, entendeu? Não, não é o meio, não é a pessoa, é a mensagem, entendeu? Talvez seja uma mensagem que a parte razoável da população não esteja mais comprando. Isso seja uma mensagem de 100 anos atrás, varguista, de um outro mundo industrial, de uma outra cabeça, e isso esteja defasado, seja anacrônico como mensagem. Então esse é um é um é um primeiro ponto.

¶40Eu eu vejo muita dificuldade, não todo mundo, eu já vi algumas pessoas de esquerda fazendo essa autocrítica falando, gente, vocês estão preocupados com pronome neutro e X% do Brasil tá sem saneamento básico. E, e, e, e, e, eu vejo que tem algumas pessoas na esquerda que percebem que o discurso da esquerda ficou muito elitista, ficou um pouco desconectado e alienado da vida da pessoa comum, do trabalhador e tal, e ficou essa coisa mais identitária. E aí eles vão atrás dessa menina identitária, que é um outro problema que a gente vai que eu vou falar, eh, eh, que para mim é como se fosse uma Greta Tumberg brasileira, entendeu? A, e para mim a Janja quis inventar uma Greta Tumberg, vamos dizer assim. E isso, entendeu?

¶41Será que é essa a solução? Eu acho que tem um tem um problema sim de você pegar e e uma campanha com a importância que é uma campanha presidencial, com tudo que tá em jogo e você achar que uma garota de 21 anos vai resolver. Eh, eh, para mim já primeiro você sinaliza desespero, você sinaliza eh eh que você tá batendo cabeça, [roncando] eh, você tá reconhecendo que a sua campanha tá um pouco sem rumo. Então, assim, é como se você tivesse numa empresa e essa empresa fechou o balanço agora e deu prejuízo. Então, os acionistas estão nervosos, a diretoria tá todo mundo meio assim.

¶42Aí você fala: "Não, ó, encontrei essa esse menino aqui de 20 anos que ele vai mudar as talvez não seja isso. Talvez o modelo de negócio seja errado. Talvez tenha outras coisas para serem repensadas. Não é apenas botar alguém para falar e a própria mensagem da menina sendo problemática como é. Mas eh é por isso que eu peço até se tiver alguém de direita assistindo eh eh que não pegue no pé da menina, entendeu?

¶43É uma garota que nasceu em 2005, entendeu? Ela nasceu outro dia. Então, eh eh eu acho, achei engraçado quando a Flávia falou, né, de tweets antigos, falei: "Cara, a palavra antigo nem nem cabe nela. Ela nasceu ante-ontem". Entendeu?

¶44>> Eu entrei no Eu entrei em no Twitter em 2009. >> Pois é, eu também, eu [risadas] também, eu também. >> Então, e ela nasceu em 2005. >> Ela nasceu em 2005, entendeu? A minha filha nasceu em 2002, >> então assim, eh eh é uma é uma ela é realmente muito jovem.

¶45Então, eh eh eu concordo com você quando você diz perfeitamente que ela é um tipo de discurso que funciona no legislativo. Por quê? Porque a gente também tem essa tendência de muita gente de achar que o que o o eleitor é um idiota e o eleitor é sábio em muita coisa. O eleitor sabe a diferença do candidato legislativo pro executivo. O eleitor, ele pode olhar pro Lucas Pavanato e achar que o Lucas Pavanato vai agitar o Congresso, vai botar um dedo médio eh eh na cara da pessoa que que o eleitor não gosta, mas ele não acha que o Lucas Pavaná deveria ser presidente da República ou que deveria ser senador ou que deveria ser governador.

¶46Eh, eh, ele entende que cada um no seu quadrado. Ele ele ele ele entende a lógica do sujeito e eh esquentadinho, marrento, problemático, que fala coisas que vão causar. Ou o eleitor da Erica Hilton, de repente o eleitor da Érica Hilton acha que ela vai incomodar a família tradicional. Mas se você perguntar, tá bom, mas você votaria na Érica Reto para presidente da República? Talvez não, entendeu?

¶47Mas 15 milhão e de paulistas acharam que ela devia estar no Congresso, entendeu? Então, o eleitor sabe fazer essa diferenciação, ele ele ele sabe eh eh ele entende essa diferença. Então, da mesma maneira, a Ana Elisa, ela pode ser, e eu acho que pro eleitor mineiro que não gosta do Nicolas, acha que a Ana Elisa é uma resposta ao Nicolas, é uma briga entre os dois, né, dos dois deputados mais votados do estado de Minas Gerais. Então, quem quem não gosta da Anelisa e não gosta do Lula, vota no Nícolas. Quem gosta do Lula ou gosta da não gosta do Nicolas e não gosta da votação e e e Minas deu essa guinada, agora elegeu Cleitinho no primeiro turno, enfim, esse eleitor tá tá tá chateado, tá nervoso o eleitor de esquerda mineiro.

¶48Então ele bom, quem é que vai causar, quem é que vai irritar o Nicolas? Quem é que vai botar um dedo médio na cara do Artur Lira? se ele virar o presidente do Senado ou na cara do Flávio Bolsonaro, se ele virar presidente da República. Ah, essa garota funciona porque ela fala coisas eh eh radicais, ela causa, ela é, enfim. Então agora isso não resolve uma campanha para presidente.

¶49Tem nada a ver. Tem nada a ver. E aí você ainda cria esse problema. E às vezes eu tenho que trocar o chapéu de de analista político, de publicitário. Tem uma coisa na publicidade que a gente sabe que é o o risco e o problema de você botar uma celebridade na sua campanha.

¶50>> Isso é uma coisa que nós na publicidade inclusive achamos que é um um não é um golpe baixo, mas é uma saída fácil, sabe? Que deu certo a Cláudia Raia com color. Tô brincando. Voltou. É tipo, é, é, aliás, isso aí tem história, enfim, mas eh eh é o o color com se divertiu naquela época bastante, mas enfim.

¶51Eh, eh, eh, >> voltando a esse assunto de colocar um uma pessoa como esse tótem, >> você abre uma aba na cabeça do TDH, >> aí eu fico [risadas] tem que lembrar disso. >> Oit abriu mais oito, né, da [risadas] casa da Tinda, >> mas de colocar essa essa pessoa como esse tótem, como você estava falando. >> É, não, o que que acontece >> no contexto de uma campanha presidencial? >> Não, em qualquer campanha, inclusive de produto da Apple, da Ford, que qual que é o problema? Tem um dos grandes publicitários da história da publicidade brasileira, é um cara aqui do Rio, o Fábio Fernandes.

¶52E ele, por exemplo, foi um cara e era um cara muito inteligente e ele dava palestras incríveis. Eu adorava assistir palestra dele e ele era um cara, por exemplo, muito crítico das campanhas com com celebridade, né? Porque ele é um criativo que fez campanhas brilhantes, que ganh ganharam prêmios no mundo inteiro e tal. Ele era realmente um craque. Eu não sei se eu posso falar era, não sei se ele tá nativo ou não, mas ele era da minha do meu tempo de de da publicidade.

¶53E um cara genial, um cara absolutamente genial. E eu me lembro que uma vez ele abriu uma palestra, ele falou um negócio muito engraçado, mas que eu nunca esqueci que ele abriu assim, ele falou assim: "Gente, vocês acham que e ele falando dele, né, que já é um cara famoso, premiado e tal, ele falou: "Gente, vocês acham que todo dia eu não acordo, olho para uma tela em branco eh eh do do meu computador e também não fico preocupado e nervoso?" Eu falo, é hoje que eu vou chamar o Luciano Hul. [risadas] É hoje que eu vou chamá-lo a Ivete Sangalo. Sabe que é tipo, é aquela saída fácil. Quando você não tem nenhuma ideia para que você vai fazer com a campanha, você chama o Luciano Rug, você chama Ivete Sangalo, você chama o Fábio Pochá, sei lá, entendeu?

¶54Eh, eh, eh, para quem trabalha em criação de publicidade, que foi meu caso, eu fui diretor de criação de agência e tal, era minha área. Quando você quando você chega e qual é a campanha que você criou? Ah, vamos contratar o Fábio Pochá, todo mundo já te olha meio, pô, brother, tudo bem, né? Mas vamos, não quer trabalhar mais um pouquinho, não quer se esforçar mais um pouco? [risadas] >> Oi, pensar um pouquinho mais, né?

¶55>> É, entendeu? Porque tipo, pô, para chamar eu falo, poxa, não preciso de você, né, cara? eu ligo para ele, né? Enfim, mas não só é uma saída, entre aspas, pouco criativa, mas também porque o um ser humano, ele pode fazer bobagem, ele pode bater com carro bêbado, ele pode estuprar a namorada, ele pode ser pego roubando na festa do vorco, sei lá, entendeu? Então, quando você coloca a sua imagem atrelada a um ser humano, a uma pessoa, você também está se arriscando, porque se essa pessoa bate com o carro bêbado e mata alguém, isso vai diretamente da imagem da sua empresa ou da sua campanha ou do, né?

¶56Então isso era outra coisa que a gente também sempre alertava os anunciantes. Você, você tem certeza? Você tem certeza que você vai contratar essa pessoa? você tem certeza que você vai atrelar a sua marca a a esse rosto? Porque, enfim, né?

¶57Então, assim, quando você diz que toda sua esperança eh eh de reverter um quadro tão difícil e diria até improvável eh desse segundo turno é nessa numa garota de 21 anos, você tá incorrendo em todos esses riscos. você tá incorrendo no risco de uma pessoa radical eh eh numa campanha majoritária, de uma pessoa que tem um histórico que talvez não tenha sido devidamente eh eh pesquisado, uma pessoa que você vai tentar emplacar com com cartão identitário, que é uma tática que eu acho que o mundo já tá, graças a Deus, superando essa, ah, vamos botar uma pessoa de uma caixinha identitária específica para eh eh para falar uma determinada mensagem e aí vai gerar reações e aí você simplesmente chama todo mundo que reagiu de racista, misógen, sei lá, blá blá blá e tal. E isso durante uns anos ali da era WK pode ter funcionado um pouco, mas eu acho que o mundo tá superando esse período. Então a gente tá voltando a tratar pessoas como pessoas. E inclusive, Annelisa, eh, no momento em que ela é uma deputada federal com 524.000 votos, ela ninguém pediu para ela ser para ela entrar na política.

¶58Ela entrou porque ela quis. Então agora ela é uma mulher adulta que está numa numa função pública e tem que aguentar o calor, entendeu? Claro que ninguém defende baixaria, mas nós aqui no nosso mundinho do do jornalismo, da do debate, a gente é atacado o dia inteiro também, entendeu? E eh abre aí a caixa de comentário, não tem só feliz Natal, beijinho, que saudade. >> Quem mina, né, Ali?

¶59Eu queria inclusive ler uns comentários da audiência que eu acho que seria legal você também rebater, enfim, explicar o que você pensa. >> O Fred Mensen ele diz assim: "Infelizmente a Ana Elisa é mais uma radical do flanco da esquerda com discurso identitário e ela se equipara ao pavonato, a campobiana também que são da direita e as mãos se conectam, mas por motivos distintos são todos radicais". A Luciana diz assim: "Por que que o Nicolas é um fenômeno e a Ana Elisa é problemática?" N tá te questionando. E é e para fechar aqui, eu vou trazer a do a do Fabrício, aliás, vou trazer a do Afonso e do Fabrício. O Afonso diz assim: "A garota, coitada tão ingênua, ainda revelou que a sua campanha não andou com não andou bem com o estado." Eh, chamo >> andou o estado, >> desculpa.

¶60>> Não andou o estado. >> Ah, desculpa. Perdão, eu li, eu li errado. Isso mesmo. Desculpa.

¶61Perdão. A a garota coitada tão ingênua, ainda revelou que a sua campanha não andou o estado. Chamou os eleitores de manipuláveis. E por fim, o Fabrício fala assim: "Se ela apagou os posts, os tweets, e não assume que postou, demonstra que tem capacidade de dialética para argumentar. Eu, no caso dele ou dela, assumiria o que eu escrevi e me explicaria.

¶62Agora não pode fazer piada com cristão. >> Tem muita coisa aí para responder, hein, Al? >> Sim, sim, mas tudo é tranquilo de responder. Eu eu em momento nenhum chamei Nicolas de fenômeno, que eu me lembre pelo menos. Eh, eu acho que os dois estão dentro do do mesmo eh eh vamos dizer momento onde influenciadores digitais têm essa projeção.

¶63Então eu não há na da minha leitura eh eh eu se fosse eleitor em Minas Gerais não votaria em nenhum dos dois. Eu não sou eleitor nem do Nicolas, nem da Elisa. Eu não votaria nenhum dos dois. Então assim, não não não tenta me botar chapeuzinho e caixinha nesse caso. Eh eh, eu reconheço que esse é um é um momento.

¶64Agora também esse é um outro ponto também que eu tenho comentado. Não confundam 2026 com 2018. Em 2018 você tinha esses franco atiradores que apareciam em rede social, tinha um monte de seguidor e acabavam ganhando cargo. Em 2026, 8 anos depois, eu acho que a gente já tá numa fase 2.0, 3.0 disso, onde eu vi muita gente, eu vi levantamentos eh de especialistas em dados sobre isso, eu vi muita gente com muito seguidor que não se elegeu. Então, a gente já está num outro ponto.

¶65me parece, onde ter seguidor é bom, mas não basta, né? Eh, eh, o caminho para você chegar a conquistar um mandato e se tornar, por exemplo, deputado federal, que é uma coisa complicada, né? Em grandes colégios eleitorais, você tem que ter muito voto. Eh, você ter seguidores, ajuda, ajuda, mas eu vi muita gente com muito seguidor que não se elegeu. Por quê?

¶66Porque eu acho que e se eu tivesse dando consultoria para alguém de política e e amigos meus que tem muitos seguidores passaram por isso e eu conversei com eles e eu falei: "Gente, a gente já tá numa outra fase, a fase agora é você teve uma fase, uma, vamos chamar de fase um, onde a você tinha política tradicional, eh, ação de rua, eh reunião com eleitor, eh, comício, enfim, a política tradicional desde a República Velha, do jeito que sempre foi. Aí vem as mídias digitais, aí teve esse desbunde com mídia digital e entrou no jogo um monte de gente nova vindo desses meios, gente que, por exemplo, não tinha muito espaço na mídia tradicional, que não era entrevistado, que não, por n motivos, essas pessoas apareceram e tal. Agora me parece que nós estamos chegando a um ponto de uma certa síntese. Você precisa ter as duas coisas. Você precisa ter alguma projeção digital, sim, né?

¶67Você precisa ter, você não pode ser um um um sujeito eh eh completamente longe das mídias digitais, que não tem conta, que não, né? Christopher Nolan, ah, eu não tenho celular, enfim. E pra política não, não dá. OK. Mesmo que você terceirizzee, você pode botar uma equipe para fazer para você se você não tem o o o a mãe é natural de fazer isso, mas alguém tem que fazer.

¶68É, alguém tem que fazer, mas também você precisa de eh eh recursos da campanha old school, da campanha antiga. Hoje você precisa, além dos seguidores, você tem que fazer rua, você tem que panfletar, você tem que fazer reunião com com eh eh com o eleitor, você tem que Então, por isso que hoje você precisa de um pouco de dessas das coisas das mídias digitais, o que o bolsonarismo faz de muito bem, essa coisa de ter os 1000 grupos de zap e as comunidades e um manda o o flyer pro outro, manda o vídeo pro outro, eles têm isso muito muito organizado. É, já [roncando] era organizado quando e e eu conheci e vi eles fazendo em 2016, há 10 anos atrás já era desenvolvido e organizado. Imagina agora 10 anos depois. Mas isso isso só não basta mais.

¶69Agora você precisa do Valdemar, você precisa do Aqui o Rio de Janeiro é a cara disso. E eh eu eu não quero, eu vou só fechar essa aba, mas o Rio de Janeiro e se você olhar a a lista dos deputados mais votados do Rio de Janeiro, eu que trabalho com política e sou carioca e moro aqui, eu não conheço metade, entendeu? Por quê? Porque o Rio de Janeiro é política de das antigas, é política de comunidade, de líder eh eh ali da da região, eh entendeu? E se você acha que você aqui do Rio de Janeiro, porque você tem 1 milhão de seguidores no Instagram, você vai ser eleito deputado federal, é calma, entendeu?

¶70Quem tá sendo eleito aqui é, entendeu? Faz esse, você que tá assistindo, se você for do Rio de Janeiro, faz esse exercício, vê a lista dos seus deputados federais que foram eleitos domingo, vê quantos você conhece, que você algum dia ouviu falar no nome, mas é um cara que é forte ali em Belformo, em Caxias, em não sei quê. E e quando você vê o cara consegue 80.000 votos, 100.000 votos e tal, enfim. Então é que é a política das antigas, é a política tradicional que ainda sobrevive no mundo de hoje, por mais que tenha esse desbonde todo com mídia digital. Beleza?

¶71Tem uma pergunta que foi feita além da comparação do Nicolas com a >> tem >> com a Anelisa que era >> tem o Nicolas com a Anelisa falou assim: "Fabrício, eh, quem apagou e não assumiu, que postou, isso demonstra incapacidade de dialética, de argumentação, enfim". E aí o Fabrício arrematou dizendo que o ideal é a pessoa assumir o que escreveu e explicar. Sim. >> E aí fechou com a pergunta perguntando para você se não pode fazer piada com cristão. >> Perfeito.

¶72Vamos lá. Eh, pode, você pode fazer o que você quiser. O que você não pode é se livrar das consequências do que você faz. É isso que muita gente tem dificuldade de entender. Quando você eh eh sei lá, você foi para Las Vegas, comprou um um um cacife de 1 milhão de dólares e gastou tudo na roleta.

¶73você não tem direito, tem, mas vai custar, você vai ter que pagar 1 milhão de dólares, entendeu? Então, eh eh eu eu ve eu eu eu via isso muito, por exemplo, nas nas empresas que se metiam em política. Isso foi uma coisa que aconteceu de 10, 15 anos para cá, que o sujeito que não entende nada de política e tem muito empresário, muito bem-sucedido, com muito dinheiro, mas que não entende nada de política. economista. Eu tenho um monte de amigo economista que é rico, super bem sucedido em banco e aí vai falar de política, só fala bobagem.

¶74E eu falo: "Cara, economia é uma área dos racionais. Política não é racional, entendeu? vem, vem para cá, vem entender um pouquinho melhor como é que as coisas funcionam aqui desse lado. Mas enfim, então, eh eh quando você a entre aspas, eu não gosto de usar atacar para crítica, mas quando você vai lá critica ou faz piada com ou cristão, ou com bandista ou com esquerda, ou com direita, ou seja lá o que for, você tem direito, tem, mas você vai ter ganhos com uma parte do público e vai ter prejuízo com outro. Intuba, aceita.

¶75é o que você tá fazendo, entendeu? >> Ô, Alé, deixa eu te interromper só um segundo sobre isto. Eh, só porque acabou de chegar, eu tinha antes do programa acionado a assessoria da Ana Elisa, como eu falei, >> para verificar se a versão, qual seria a versão oficial da defesa dela, enfim, né? Porque tinha sido um post eh de redes sociais e eu queria saber se aquilo era a versão oficial. E a assessora havia dito que, ó, a equipe tá aqui fechada em Copas, debatendo repercussões jurídicas, mas acabou de soltar uma nota oficial que eu queria só trazer porque ela ela tá abordando diretamente as coisas que a gente tá tratando neste momento, inclusive na pergunta do Fabrício e na sua resposta.

¶76Então, a nota da equipe da Anelisa, a nota oficial é a seguinte. Ela diz que o tweet que o Nicolas Ferreira divulga, eh, em que o suposto tweet em que a de outubro de 2022, em que a Ana Elisa estaria defendendo o fechamento de igrejas, é falso. É o que diz a equipe da Anelisa. Em seguida, ela diz que eh naquela época a Ana tinha 17 anos, forjaram uma mensagem, etc. A mensagem é é bem longa, tá?

¶77Só por isso que eu não tô lendo linha a linha. Mas aí um pouquinho mais adiante, eh, ela fala o seguinte: posts antigos e autênticos também foram tirados de contexto. A maioria é de quando Ana tinha 17 anos e a Constituição eh e o ECA protegem a dignidade, a imagem e as ideias de adolescentes e jovens. Usar o que alguém disse aos 17 anos como arma eleitoral afronta essa proteção. Ana assume o que escreveu, retrata-se e pede desculpas a quem se sentiu ofendido, mas é importante que se diga, aos 21 ela já não pensa como antes.

¶78É católica praticante, defende a liberdade religiosa, o estado laico e a democracia. Eu trouxe isso só porque tem a palavra sum que é exatamente a e tem a questão. Então ela tá negando a autoria de um tweet, que é o que o Nicolas eh repercutiu. E eu acho que isso retrata muito bem o fato de que realmente tem repercussão nacional, mas também há uma disputa bastante local, por assim dizer, de dois eh jovens ícones, cada um do seu campo, que tem projeção nacional, justamente por conta das redes, mas que tem uma disputa eh >> regional também rolando, né? E só por último, só para acrescentar na a tua fala antes da rodada de perguntas, eh, você finalizou falando de onda de rate e eu concordo com você que onda de rate é algo com que quem está exposto publicamente tem que lidar.

¶79Agora, ela tá falando em ameaças de violência, né, de morte e de estupro. Se isso realmente ficar comprovado, eu acho que é outro patamar. E aí, eh, enfim, acho que a gente faz essa distinção claramente, né? Então eu inclusive eh que já sofri em redes sociais de todas as de todas as matizes, tanto um se é feia baranga quanto um vou eh pegar o endereço da tua onde tua filha estuda, eu encaro as coisas de maneiras bem distintas. Então uma eu posso ou rir e ou bloquear ou até me incomodar, mas chorar no banho.

¶80A outra eu vou levar a sério e vou denunciar pra polícia, certo? Então, só para fazer essa distinção, porque eu acho que eh são no são distinções importantes do que ela pode estar sofrendo neste momento. E eu realmente não queria deixar de pontuar que se [limpando a garganta] a campanha está dizendo e ela está dizendo que tá sofrendo ameaças de morte e de estupro e isso realmente for o caso, e ela falou que tá fazendo denúncia formal, né, que não tá só falando disso nas redes sociais, que tá levando isso pra polícia, aí é uma coisa realmente mais séria e e tem que ser tratada com toda a seriedade mesmo. >> Sim. Eh, mas também cuidado para a extrapolação que às vezes se faz.

¶81Uma pessoa que tem a exposição que ela tem eh 524.000 votos do colégio e agora sendo colocada pelo presidente da República como a porta-voz da campanha, eh, num país desse tamanho, eh se todo criminoso que faz uma uma ameaça de morte, ele tem que ser tratado como um caso de polícia. Ele é um criminoso. Isso tá no Código Penal. E essa pessoa tem que ser tratada como tal, como bandido. O bandido tem que ser tratado como bandido.

¶82O problema é a extrapolação, onde toda a crítica que se faz legítima, política, pode ser jogada de ela está sendo a Aí você vai olhar, ela recebeu 100.000 críticas e um bandido que ameaçou de morte. Vamos também tratar cada coisa como ela deve ser, né? >> Por isso que eu falei das denúncias. Eu acho que eh quando você tem, primeiro que assim, eh alê, eu acho que isso eu posso te relatar que é uma coisa que eu vivo na internet, pelo menos desde 2017. >> Eh, antes já acontecia, mas eu eu senti mais concretamente desde 2017.

¶83Eh, é muito, é muito diferente o tom de quem tá querendo só te ofender, te magoar, te ridicularizar, eh, e de quem tá realmente te fazendo uma ameaça. E da mesma forma que o eleitor não é burro, a mulher não é burra, né? A mulher, a mulher sabe muito bem a diferença de uma ameaça de estupro >> e eh uma uma ou uma crítica, como você falou, ou mesmo uma agressão verbal. Eh, né? Então, >> e o bandido também sabe porque na hora que ele escreve, ele também sabe que ele tá num bolo de um monte de críticas e se ele quer realmente fazer uma ameaça, ele vai fazendo o tom.

¶84>> Então, nisso a gente concorda inteiramente. A outra, e eu não acho mesmo que qualquer crítica deva cair na vala comum da violência, né, de ser tratada como violência. Eu eu eu realmente não é como eu ajo com as com as minhas coisas, não é como eu acho que deva ser a o padrão. Eh, também acho que conhecendo como as redes funcionam hoje, quando uma garota está com este, e eu falo garota sem nada pejorativa, porque é uma mulher jovem mesmo. >> Euard, a Eduarda Campopiano tem 23, então são garotas, são garotas.

¶85E quando elas eh estão eh se colocando eh paraa luta política, a gente sabe que um dos métodos de intimidação política é o discurso de violência. E aí, eu não tô falando discurso de ódio, não é isso não. Eu tô falando que eh é muito diferente como a militância se organiza em torno de um homem que tá mesmo jovem que tá se colocando na luta política e em torno de uma mulher que está se colocando na luta política. E isso atinge tanto a direita quanto a esquerda, tá? Então, a gente já cansou de ver eh jovens, mulheres ou mulheres mesmo as mais maduras, é porque mulher não envelhece, né?

¶86só amadurece, você sabe. Eh, então >> você tá falando com um ex publicitário que fez campanha da Natura, da dos cremes da Natura. Eu já fiz, já vendi muito creme. >> Então, então assim, então eh a violência enquanto arma de intimidação política também existe e é mais usada contra mulheres. É isso que eu tô querendo dizer.

¶87Uhum. >> Então, eu entendo o teu ponto, eu concordo com ele, mas eu também acho que existe essa nuance no campo político >> e que ela é digna de ser observada com atenção e com cautela, porque senão também aí a gente a gente abre as a a porteira e aí vale é um vale tudo que realmente a mulher sai perdendo, entendeu? De saída, de largada. Não à toa tanta mulher desiste de ficar na política. Não é uma coisa ou na exposição pública em geral falando de política, né?

¶88>> Sim, sim, sim. E e é por isso que eu trouxe a Eduarda Campopiano pra conversa, porque tudo 100% tudo que eu falar, para não parecer que é uma coisa ideológica, tudo que eu falo da Anelisa se aplica a Eduarda e vice-versa. São duas garotas de uma de idades próximas, 21, 23, >> eh, eh, pegam no pé da Ana Elisa por qualquer característica. o os ataques a Eduarda também, porque ah, ela tá acima do peso, sei lá. Então tem toda uma onda da turma que diz que há porque vamos proteger as mulheres, mas na hora de pegar no pé da Eduarda, porque Eduarda supostamente está fora do padrão de beleza e e do peso.

¶89Eh, o e tem uma enchurrada de ataques que eu já vi na internet tirando um sarro da da V lá da forma da Eduarda. Eh, eu eu acho os dois igualmente vulgares. Acho os dois igualmente eh eh condenáveis, mas separando, você tem a o ataque que é criminoso, você tem que ameaça, violência, código penal, polícia, você tem a vulgaridade que também tá na fronteira ali e que pode, dependendo do que for, esbarrar em em crimes contra a honra, em em assédios que estão dentro do da legislação penal. E você tem a crítica política e você tem essa coisa também, por exemplo, você teve uma tem uma polêmica porque a Eduarda Campopiano chamou Érica Hilton de homem biológico o que é uma descrição científica, entendeu? Ea Hilton nasceu registrado como Felipe, entendeu?

¶90E gente, independente de qualquer coisa, entendeu? que tem essa orientação assim, mas é um fato biológico que o o cada e eh eh célula da Erica Hilton tem cromossoma X e Y, entendeu? Eh eh eh Erica Hilton não tem útero, tem próstata, sabe? Tipo, eh eh então assim, é é uma descrição eh eh eh biológica. E aí um algum desocupado do MP chamou isso de violência de gênero.

¶91Aí você fala que você tá você tá banalizando o termo violência. Isso é uma descrição eh eh eh correta e científica da condição. >> Não, então, pera aí, >> deixa só terminar, deixa eu só terminar um negócio. Deixa eu só terminar. E mais do que isso, talvez você na vida só tenha ouvido falar de Erica Hilton, exatamente porque nasceu homem biológico e se tornou e toda militância dela na vida é por ser trans.

¶92E você só é trans porque você nasceu homem e virou mulher, entendeu? Isso é condição para você ser trans, entendeu? Então, eh, se você não, eh, aí entra, eu, eu vou te falar porque eu já passei por situações dessas onde eu, eu me lembro de uma de uma coisa eh eh que onde eu senti lá 10 anos, quando eu entrei na na no debate político e eu vi para que lado a coisa tava indo. Isso foi uma coisa que que eu tô lembrando agora quando tinha uma coisa aqui no que se chamava marcha das não sei se vocês vão lembrar disso, que que que umas mulheres iam pras ru pra rua e faziam um movimento e e os cartazes eles elas chamavam de de marcha das E aí eu eu vi elas começarem a processar os homens que chamavam de e e eu fal: "Ué, mas a marcha chama marchas da Vocês estão se chamando de no, né, na própria marcha, né? E aí a resposta de uma delas é: "Ah, mas eu posso me chamar de mas você não pode".

¶93Aí a gente entra numa numa discussão estranha, na minha visão, entendeu? Mas são coisas, eu acho que legal a Flávia trazer um contraponto. >> Não, não é, eu só vou encerrar dizendo e e eu e eu sei que eu eu tô aqui entrando em terreno polêmico, tá? Mas assim, o meu ponto é, tem que tomar muito cuidado que é divergência de opinião, o que eventualmente pode ser uma coisa que você pode considerar ofensiva ou vulgar, tudo bem. Eh, e uma coisa que seja crime, eh, eh, o Ministério Público do Brasil eh eh querer processar a Eduarda eh Campopiano, porque ela num tweet descreveu a Erica Hilton como tendo nascido como um homem biológico, o que você pode não gostar, pode achar vulgar ou não, mas chamar isso de crime eu acho meio complicado, mas tudo bem.

¶94Vamos lá. Bom, então, mas você achar que é que é complicado ou não, não impede o fato de que o crime eh está na lei, né? É, então tô debatendo, estou debatendo. >> Isso. Então, justo.

¶95E aí, aí é que entra o meu ponto, porque uma coisa é a gente debater o direito. Eu eu acho que a Érica Hilton, de uma maneira geral, erra quando sai processando todo mundo, porque ela fica com uma imagem eh eh enfim de de uma sensora que prejudica ela própria, inclusive, tá? >> Chama mulher de imbecis, né? Aquelas coisas, tal. Ah, >> então agora, eh, uma coisa, o crime de transfobia existe em lei, tá?

¶96Tá. Eu até fui checar se tá medo que ele >> se eu não tô se eu não quis. E aí, então, o Ministério Público pode >> ou não considerar que a fala da da Eduarda foi eh para acioná-la e aí levar isso paraa justiça. Então, primeiro que eu acho que isso são coisas distintas. Segundo que se é correto ou se é ou se é errado o conteúdo do que a Eduarda tá falando, bicho.

¶97Aí realmente a gente vai eh abrir as portas aqui de um debate que passa por ciência, passa por ética, por eh direito de nome social, por várias camadas de luta de direitos e e e de biologia que estão inclusive sendo travadas hoje no mundo acadêmico e que bom que estejam. Eu acho que qualquer debate sobre qualquer assunto, quando é feito respeitosamente, ótimo, quando é feito levando em conta a dignidade humana, que para mim é a lei básica dos direitos humanos, que nos guia e nos torna uma sociedade civilizada e não bárbara, ótimo. Então, tá tudo certo. O que eu acho é que partir da premissa de que ela não pode ser acionada porque o que ela falou está correto, aí também eh existem depende correto para quem. Então, eh veja, [risadas] eh eu só queria pontuar isso, mas esse nem é o debate de hoje.

¶98E eu queria >> é que você levantou essa questão de até onde vai a crítica, onde não vai tal. Então eu eu acho que tem aí numa paleta de cores aí muito grande, eu tenho um leque de o que que pode ser considerado inapropriado, vulgar, eh o que que não deveria estar no debate, o que que é crime, o que que é ameaça e violência, né? A gente abre um leque de opções, né? abre, [risadas] abre. E e eu acho que violência contra a mulher como coletiv assim, eh, enquanto arma de intimidação em principalmente em redes sociais, quando vem em onda, quando vem quando é uma onda, isso é uma intimidação, é um movimento de intimidação.

¶99Às vezes nem é tão coordenado, embora normalmente alguém puxe e isso vá se vá repercutindo. A a Eduarda sofreu, a Eduarda Campopiano sofreu, eu vi. Falamos disso aqui no central, fui provocada na pelo pelo chat, pelo Marcos Rigon e falei: "Eu acho um absurdo que tão fazendo com ela. Acho muito triste, inclusive, e jamais compactuarei, jamais defenderei, porque é intimidação política e é violência. Eu sou contra, mas enfim, mas eu queria voltar à questão da da guerra nas redes, eh, com o a outra dimensão do que tá acontecendo nos últimos dois, três dias, eh, e que eu acho que é também muito sintomática do que é a eleição de 2026.

¶100E na verdade eu acho que você fez uma descrição, acho que no começo da tua primeira fala, não acho que foi agora quando você tava falando do que que é necessário para se eleger, que não adianta só ter um monte de seguidor, né? Você usou o exemplo do Rio e tal. E eu acho que realmente a gente está num momento já num segundo momento mesmo do que que é a guerrilha de redes sociais, porque tem um tem um aspecto que é convencimento, que é linguagem e tem um tem uma parte que é guerrilha, que é que é um vale tudo e que a esquerda já tinha usado eh com o Janones, já tinha ensaiado um pouco com o Janones. Aí deu uma recuada, não adotou como método contínuo eh de eh de massa, né? Usa pontualmente, tal, eh principalmente em alguns debates ou em alguns cancelamentos, mas não é essa coisa organizada, sistematizada e contínua, né?

¶101E agora, nesta eleição, eh, abriu-se uma nova fronteira paraa esquerda, que eu enxergo muito nitidamente. Eh, foi aberta originalmente pelo, para mim, pel que eu me lembro que eu acompanhei, que eu cobri muito de perto, foi aberta no Brasil originalmente pelo MBL no episódio do Queir Museum. se seguiu eh com uma parte eh expressiva eh de perfis, principalmente de de garotos mais jovens, de incelos e etc. E depois o bolsonarismo adotou de uma maneira muito contundente. E aí nesta eleição faz, principal fez no episódio da Nossa Senhora à esquerda e agora está fazendo com outras com outros assuntos.

¶102Então, do que que eu tô falando? Você que tá aqui nos assistindo, circulando no X, circulando no Instagram, circulando eh nas redes no TikTok, possivelmente eu não uso tanto TikTok, então não sei, mas tenho certeza que lá também já certamente se deparou com vídeos de pessoas de esquerda falando que se o Fláio ganhar, acabou Bolsa Família, acabou a aposentadoria, acabou BPC, acabou farmácia popular, acabou o Pix. Exato. E aí, eh, tem uma parte política e tem uma parte, eh, comunicacional que eu queria trazer, falar rapidinho e te passo para você fazer a sua análise, Alê, que é a seguinte, >> a política é que além de, como eu já expressei, eu acho que é uma coisa que foi iniciada, que eu testemunhei pelo campo da direita mais extremista, tá? E que a esquerda demorou um pouco, embora o discurso do a Marina vai acabar com o Bolsa Família.

¶103tenha sido aplicado em 2014 analogicamente e até antes a sexualidade do Cassab quando ele disputou a prefeitura com a Marta e tal. >> Então, então para deixar as coisas bem cada uma cronologicamente, primeiro que mentira em mentira em campanha política existe desde sempre. político, mente militante, mente, às vezes desavisado, às vezes plenamente consciente. E isso é algo que sempre existiu na política. Aí a gente tem várias fases, vários estágios em que um grupo domina mais a técnica ou tem mais escala na própria mentira.

¶104Então, ou por alguma razão, a mentira daquele grupo político implaca mais naquele ciclo eleitoral. Então, também isso também acontece. Então, isso posto nesta eleição, o que isso que tá acontecendo agora, o que que eu acho que é o sintoma político? Um, é que o Flávio Bolsonaro realmente foi muito pouco testado no que que ele quer fazer nas coisas, certo? Então, o programa de governo, o plano de governo, as propostas de Flávio Bolsonaro para o Brasil não estão claras.

¶105Isso abre uma um leque de possibilidade de você inventar o que quiser, porque as pessoas não sabem o que ele pensa sobre vários assuntos. Deduzem, por razões que o próprio Flávio e a própria campanha deram, que ele vai ser uma continuação do governo do pai, certo? Então, eh, o, o próprio Flávio fala isso repetidamente, o Valdemar Costa Net essa semana falou com essas palavras na Globo News e tudo eh leva a crer as pessoas que o cercam e tal, leva a crer. O próprio fato dele ter dado a carreira política do pai leva a crer que a a o governo dele seria muito parecido com o do pai, né? Então, o que que por que que eu tô fazendo esse preâmbulo todo?

¶106Porque uma uma maneira de você usar desinformação é você pegar algo muito crível, você pegar algo que tem toda pinta de que pode acontecer ou de que já aconteceu e amplificar como se fosse dado, como se fosse feito. Eu fiz por por curiosidade e jornalística e para trazer a informação, eu fiz questão de fazer essa pesquisa com no detalhe, né? Então, na questão da farmácia popular, por exemplo, sim, o governo Bolsonaro promoveu uma redução do repasse de recursos ao farmácia popular de 2 bilhões para 800 milhões, tá? Um corte de mais de 1 B. Então tem isso no seu histórico.

¶107Mandou isso pro Congresso argumentando que era porque não cabia no orçamento por causa das emendas parlamentares. O eh Congresso manteve o corte pertinho da eleição. O Bolsonaro pediu pro Paulo Guedes e proga, né, que era o ministro da da saúde da época reverter e não deu tempo, né? Então, na prática, a referência, aí você vai pro plano de governo do Flávio Bolsonaro, tem alguma linha sobre farmácia popular? Nenhuma.

¶108Ele não toca no assunto. Ele fala mal, fala de medicamentos, fala de redução de filas e de melhorar o custo de, né, o custo de vida para que as pessoas possam comprar remédios. e pontualmente fala, tem um programa pontual de distribuição a domicílio para de medicamentos para idosos e pessoas com deficientes. Então, o que que a campanha eh a militância não foi a campanha oficialmente ainda, embora isso deva pintar na porque a campanha ainda não retomou, tá gente? Então vai retomar hoje à noite.

¶109Eh, a a militância está dizendo, então, olha, o Flávio vai acabar com farmácia popular. Então, é é este o caminho que se faz quando se cria uma desinformação a partir de algo crível, certo? Mesma coisa o PPC, né? Então você vai lá ver o que que o que que o o Jair Bolsonaro fez sobre BPC. Olha, eh quando teve a PEC da previdência e ele mudou a idade com que a pessoa eh passaria a receber o BPC, né?

¶110E aí a o Rodrigo Maia segurou no Congresso e tudo mais. O Flávio Bolsonaro fala de BPC, não fala. [risadas] Então aí vem e fala: "Ó, vai acabar o BPC e tal". Gente, eu peguei mais 10 exemplos, tá? Do que tá sendo dito de Bolsa Família, de reajuste de salário mínimo.

¶111Reajuste de salário mínimo. Aí sim, no plano de governo do Flávio está exposto que não vai ter reajuste. O Jair não reajustou. Então, o que que Mas o mas na prática, o que que tá sendo feito na prática? A militância do PT e de esquerda foi paraas redes com um discurso de medo, do medo, de tentar ganhar pelo medo.

¶112Eh, é um discurso legítimo politicamente, olha, não é o que eu gostaria que pautasse as minhas eleições presidenciais, de jeito nenhum, não é? Agora é a arma que tá sendo escolhida, eh, que já foi escolhida outras vezes e que, a meu ver, quando o PT escolhe fazer isso, está simplesmente assinando a cartinha do desespero e do gente, ferrou, vamos, vamos pro que precisar, vamos. É, é, é o é a arma que for. Eh, por que que eu eu fiz essa, essa coisa retórica do se é legítimo ou não? Veja, é legítimo, né?

¶113A a talvez a justiça vá olhar para isso, falar: "Não, isso é fake news, derruba". E aí? E lembrando que hoje os dois, o o presidente e o vice-presidente são André Mendonça e o Cásio Nunes Marques, em tese, naquela divisão política do Supremo e do TSE da turma do Flávio e e vem derrubando uma coisa depois da outra. derrubou também o contrário. Derrubou quando o Flávio eh fez um post falando do Lula eh aumentar que aumentar criminalidade, eu acho que foi em 2022 fez isso com o Nicolas, derrubou o post dele, não só das igrejas, mas quando o Nicolas falou que o Lula era associado ao PC, derrubou.

¶114Então, a esquerda vai querer usar a mesma arma, aparentemente já topou. Eu recebi de vários grupos, amigos meus receberam em vários grupos, gente, agora é o seguinte, vamos com tudo, espalha isso aqui. E aí, lamb lamb dizendo que vai acabar a Bolsa Família, que vai acabar. Sem explicar que olha, pelo projeto político que o Flávio representa, pelo que o pai já fez, é possível o quê e tal, porque isso dá muito mais trabalho, né? Vamos, vamos já partir pro, pro alarm, pro medo.

¶115Vamos espalhar o medo. Eu acho que é um caminho sem volta a política fazer isso, o PT fazer isso, a esquerda fazer isso. Daria para ganhar de outro jeito? Me parece que sim. Não agora, não em duas semanas.

¶116em duas semanas me parece que realmente sobraram muito poucos recursos e que se eles estão indo para ganhar de qualquer jeito, esse é um deles. Eh, daria para ter feito um governo eh com uma aprovação melhor para fazer tudo aquilo que a gente já falou aqui desde domingo, eh ouvir mais a classe C, eh pensar mais na mensagem do que no meio, tudo isso, né, Alê, que a gente tá já falando há meses, inclusive, não é desde domingo, né? eh ter uma campanha mais profissional, ter um uma visão de campanha que é convencer e não enaltecer, né? Eh, convencer o eleitor e não e enaltecer o o candidato, né? Então, eu acho que eh é um uma escolha, é uma escolha ruim, é uma escolha que empobrece o Brasil, o debate político brasileiro.

¶117É uma escolha que me parece que eh tá sendo feita sem qualquer pudor, então talvez seja muito difícil voltar ou poder sentar com ar de superioridade e criticar o outro lado. Isso inviabiliza qualquer coisa nesse sentido. Eh, e é uma escolha que eu não sei se depois ali na frente vai ter um caminho de volta, entende? Eh, abre-se uma porta do Vale Tudo que talvez seja impossível de fechar. >> Olha, eh, muito, muito para se falar, mas eu a primeira coisa que me vem à cabeça é aquela história do o Não, eu já tenho, agora eu vou atrás da humilhação, sabe?

¶118Então, eh eh parece que que a esquerda não tá a fim de perder com dignidade, se for o caso, né? Como era uma coisa que se falava muito do PSDB, né? Que o PSDB era aquele cara que ia para o era aquele partido que ia paraas eleições com o PT para perder com dignidade, né? E e às vezes você precisa perder com dignidade, né? Não adianta o não, eu já tenho, agora eu vou atrás da humilhação.

¶119Realmente é uma coisa complicada. E eu tô vendo isso. Você citou casos importantes, mas eu acho que tem coisa mais séria, inclusive, né? Há dois ou três dias você tem gente dizendo que o bolsonarismo botou fogo numa Universidade Federal em Pernambuco. >> Ah, sim.

¶120>> Entendeu? Isso. >> É, eu até esqueci esse ano. >> É, isso é gravíssimo. E, e, e eu já vi gente acreditando, gente falando, gente, mas os bolsonaristas botaram fogo.

¶121Aí, um amigo meu, por exemplo, a filha dele chegou em casa assustadíssima ontem, né? Pai, você viu os bolsonaros botaram fogo numa universidade? E uma garota já com 20 e poucos anos já. E e ele falou: "Filha, mas deixa eu entender da onde você tirou isso? Quer dizer, deixa eu, né?" Ele falou assim: "Por qu por que que o Flávio que ganhou no primeiro turno teve uma votação maravilhosa?" Aí falou assim: "F Ele falando: "Filha, você acha o que que ele quis dar uma festa para comemorar porque tá ganhando?" E aí ele resolveu fazer um atentado.

¶122Qual é a lógica, né? E aí ela não, o deputado do Pessoal é que falou ah, entendi. Então assim, eh eh porque existe e aí é uma é uma, eu não quero abrir uma aba muito grande, mas um dos melhores livros já escritos sobre política e história é um livro chamado Purificar e Destruir, de um francês chamado Jaque Semelan, Leiam, é maravilhoso, que é o grande livro que explica genocídios. ele é um um um acadêmico francês e a e dedicou a vida a estudar genocídio. [roncando] E e é um livro absolutamente maravilhoso de de claro duro de ler, mas eh uma das coisas que ele explica que é da onde vem o mecanismo que faz com que uma parte da população de um país autorize que seu governo cometa um genocídio.

¶123E tem um insite que é absolutamente brilhante, que é o seguinte. Ele fala que todo ditador, todo regime totalitário que vai em algum momento eh eh usar de violência para perseguir, prender, exilar, matar adversários ou determinados grupos dentro daquela sociedade que serão usados como bodiatórios por qualquer motivo. Ele fala o seguinte e aí ele dá todos os exemplos históricos e tal, né? Ele falou assim, todos vão acabar em algum momento recorrendo a um discurso vitimista, que é uma coisa contrainttuitiva. Você fala: "Ué, mas como assim?" E ele fala o seguinte: "Porque a natureza humana, ela tem dentro de você uma natural repulsa à crueldade e à violência." Isso é uma coisa natural, né?

¶124Então, para você convencer a população que você líder, né, totalitário de um regime de eh dessa natureza, para você convencer uma pelo menos uma parte da população que você tem razão naquilo que você tá promovendo em termos de violência de estado, você tem que dizer que você foi atacado antes. Você tem que dizer que aquilo é uma legítima defesa. Você tem que dizer que a sua sociedade está em risco, que a vida está em risco, que há que aquelas que aquele grupo que você tá e eh escolhendo como alvo, ele aquele grupo cometeu ou está em breve eh está pronto para cometer uma violência. E tudo que você fizer, você tá fazendo em legítima defesa daquela sociedade. E a partir daí, uma parte da sociedade compra esse discurso e autoriza a violência.

¶125Porque até em em até bíblico, em até na lei, em qualquer lei, em direitos humanos, você pode cometer violência em legítima defesa. Então, uma maneira moral de você autorizar algo e eh que seria normalmente condenável é você convencer as pessoas que você está reagindo em legítima defesa a um risco real, eminente ou passado, mas que gerou aquela reação que você precisa até a contragosto tomar, né, para restabelecer a ordem, restabelecer a justiça. Por que que eu fiz esse preâmbulo? Eu fiz preambo. Por quê?

¶126Porque você vai ter aquela pessoa que vai falar para você, vamos lá, vamos mentir, vamos espalhar mentira, vamos fazer. Aí você fala: "Por quê?" "Ah, porque senão o fascismo volta. Ah, porque senão não sei quê". sempre tem uma racionalização. E isso é uma versão light de um regime ditatorial que manda matar os inimigos, mas vem de um lugar parecido que é: "Eu vou autorizar um crime, eu vou autorizar uma violência, eu vou autorizar uma coisa até entre aspas menor, que é uma mentira, mas tá dentro da de um grande guarda-chuva de coisas condenáveis." Por quê?

¶127Ah, porque tem uma justificativa maior, porque eh eh eu consigo justificar aquilo dentro de que eu estou, na verdade, te salvando de um mal maior. Eh, e isso, evidentemente, é problemático. Isso acontece em todos os lados. Isso não é o exclusivo da esquerda. Não tô dizendo porque é o nosso assunto específico que é a as fake news de de os bolsonaristas botaram fogo na na Universidade de Pernambuco e nós temos aqui o nosso Mano Ferreira, por exemplo, e o Mano estudou a vida inteira naquela universidade, porque aquela universidade ela tem escola, ela tem colégio, como aqui no Rio também a UFRJ também federal também tem um colégio aplicação >> e e isso tem igualzinho lá em Pernambuco e o em Recife e E o nosso Mano Ferreira fez esse caminho.

¶128Ele estudou no colégio, aplicação daquela universidade. Então ele fez colégio e fez também e se formou nessa universidade. Então se alguém conhece aquela universidade é o Mano e é morador de Recife a vida inteira e tal. E eu conversei muito com ele ontem sobre isso e perguntei: "Mano, o que que tá acontecendo?" E o mano falou: "Não, Alexandre, você é problema de manutenção, é um prédio velho, é toda hora tem incêndio, já tiveram mais dois e tal, então claro, tem que investigar, mas tudo leva a crer que é um problema, como pegou fogo aqui no Museu Nacional em 2018 e tal, que acabou com 90% do do do acervo". E foi um um coisa absolutamente traumática para quem presta atenção nessas coisas.

¶129Flávia, >> eh, desculpa, eu achei que você tivesse terminado, Alexandre, >> não, só tava terminando dizendo que que eh eh não há justificativa para isso. Então, você que tá nos ouvindo, não entra nessa, entendeu? não acha que eh vale tudo, não vale. Eh, de todos os lados eh se a gente defende democracia, o o Roger Scrutton dizia isso, regime democrático eh não é quando você ganha, é também quando você perde e você reconhece o o a derrota, você fala: "Vou melhorar e vou e volto na próxima". >> E tem mais uma coisa, né, Alê?

¶130Porque eu acho assim e eh antes de passar para Yasmin, tem um ponto que eu gostaria de de reforçar. Eh, não sei se você vai concordar com ele ou não, mas aqui no meio a gente não precisa concordar em tudo. A gente pode discordar civilizadamente, mas concordar. >> É, pode meio concordar. Exatamente.

¶131[risadas] Eh, mas é o seguinte, a eu não, [roncando] o Flávio Bolsonaro, ele representa um grupo político. Sim. E justamente eh por ser por ter sido escolhido pelo pai para carregar o seu legado >> Uhum. de uma maneira que inclusive inviabilizou outras candidaturas do campo da direita. Então ele vem com o peso, ele vem com as benesses do sobrenome e com o prejuízo do sobrenome >> ativo e passivo.

¶132É, >> e isso implica sim em em analisar e usar na campanha a destruição que o que o Jair Bolsonaro promoveu de políticas que o PT defende. Então, é é absolutamente eh isso sim eh para mim, aliás, demorou para se fazer esta contraponto, esta contraposição. E o plano de governo do Flávio é realmente muito vago, é muito genérico em muitos pontos. Tem uma coisa ou outra que é mais concreta e assim, eu tô falando isso, gente, a gente aqui no meio, a gente se dedicou a ler os programas, a gente fez matérias, fez entrevistas. Isso não é uma coisa que eu tô intuindo.

¶133A gente olhou os planos e o plano do Flávio é muito genérico em vários pontos. Então é óbvio que numa plataforma eleitoral você vai explorar isso. Você vai explorar tudo que o pai Jair fez em seu governo. Você vai explorar as fragiliz fragilidades que você, grupo político do PT, enxerga no plano de governo do Flávio e você vai explorar. Olha, são as mesmas pessoas.

¶134A Daniela María, é política, >> que é quem manda, né, na parte econômica, pelo menos até aqui no na campanha, é discípula do Paulo Guedes. Então, a gente tem aqui a cantilena de tudo que o PT condena no que o Paulo Guedes fez. eh, vai lá e explora isso. E isso eu acho mais do que legítimo, eu acho inclusive que demorou a ser feito. Então, uma coisa é fazer isso, não é isso que eu critico.

¶135E eu acho, e como eu falei no começo da minha fala, eu acho que eh inclusive eh o Flávio convida esse tipo de ação quando se priva de falar do que ele quer pro país, né? Então, fica falando só do Supremo, vai ser sujeito a ser eh criticado e e este lado dele ser explorado. Muito bem, isso é uma coisa. A outra coisa é você fazer vídeo para incutir puramente medo >> baseado em mentira. E aí assim tem uma coisa, eh, que é o seguinte, o é é o desafio da esquerda é imenso nisso, porque é óbvio que mensagens simples são muito mais fáceis de embalar, né?

¶136Então você falar de, né, oh você, eu quero fazer um plano que vai ter oito etapas e que e que vai transformar isso assim, essa é óbvio que isso não cabe num rio de 30 segundos e é muito difícil de você embalar. E aí é uma é um é o desafio é primeiro é conseguir traduzir isso de uma maneira eh mais objetiva, mais clara e segundo é acertar a mensagem em si, né? O eh é estar em sintonia com o que o eleitor tá realmente querendo e buscando neste momento. Daí a partir eh, gente, se o Flávio ganhar, acabou o Pix, não vai ter mais Pix, bicho. Eh, olha, tem >> é mentira.

¶137É mentira. [risadas] É, é esse, esse que é, a gente não tá discordando em nada. E embate político tem que ter normal. São outra camp o grupo Flávio e e Eduardo estiveram dispostos a debater piques com o governo Trump. Isso é um fato.

¶138Isso foi noticiado. >> É o Eduardo, né? O Eduardo. >> Não, o o Flávio falou isso no naquela comissão, né? quando ele foi lá na comissão, ele não colocou tão para jogo quanto o Eduardo colocou com o Zé lá, mas ele falou: "Podemos debater, né, e tal, naquela comissão, naquele depoimento de 5 minutos, lembra aquela fala de 5 minutos que ele fez naquela comissão?" >> Como é que a Como é que a campanha do Lula explora isso num vídeo curto?

¶139Ó, pega ele falando, pega o vídeo do Eduardo falando aquilo, aquilo já é. E aí, você sabe o que que o Flávio vai fazer com o Pix? Bom, é um jeito. Agora faça teu Pix hoje, porque no dia que o Flávio ganhar, acabou Pix, é outra coisa. Então, eh, agora é um é um caminho, o a esquerda está escolhendo este caminho nas redes sociais.

¶140Eu acho que é um caminho muito ruim. Eu acho que vai trazer mais eh prejuízo do que benefício. Não vai ter o efeito desejado. >> É, eu eu só acho que assim, então, por que que eu fiz aquele preâmbulo todo? Porque eu acho que isso nasce nesse lugar de medo, que é um negócio complicado para todos os lados.

¶141Eu acho que quando a a a disputa política vai para esse lado mais irracional do medo e e eu vi muito de domingo para cá em muitas análises, aí eu brinquei com os amigos que eu falei: "Cara, eu tô vendo um monte de gente em modo Gloria Gor". Sabe? Tipo, first I was afraid, I was petrified, sabe? E eu falo, gente, calma, entendeu? Até porque a música termina com a Will Survive, você vai sobreviver cara, sabe?

¶142Calma. Então, eh eh menos Tom Glória Ginor nas coisas, sabe? E e pra gente chegar nesse debate que você falou, num debate mais propositivo, mas assim também eu acho que tem um ponto e eu vou fazer uma analogia com com as relações pessoais. Eh, é claro, por exemplo, você saiu com alguém, você conheceu e tal, começa a a vai pro primeiro jantar e tal, de repente você não vai perguntar tudo sobre a pessoa, mas você quer saber o básico, você quer saber a direção geral, entendeu? Então você tá jantando com a pessoa, o sujeito vira para você e fala: "Eu nunca quero ter filho".

¶143É uma informação geral, importante. E ali você pode querer ou não continuar o jantar, entendeu? É claro que você não perguntou tudo, mas é uma coisa importante, é uma coisa, né? Ah, eu não quero casar. Ah, não, eu quero morar em casas separadas.

¶144São coisas importantes. >> Eu quero ver onde é que o Alexandre vai chegar com isso. >> Não, eu tô te falando o seguinte, na no debate político, no real, da coisa do TikTok, nos 30 segundos, às vezes você tem que fazer um argumento geral. O argumento geral é essa analogia que eu tô fazendo, que é, olha, eh eh eu topo sair com você, mas é a relação aberta, é uma coisa geral, importante, que você faz no é o rio de 30 segundos, >> entendeu? Não é, ah, nós vamos morar em Botafogo ou no Flamengo, entendeu?

¶145Que são coisas mais do dia a dia, entendeu? Ah, eu quero apartamento com varanda ou sem varanda. Aí, ok, se você, se, se a conversa continuar e você sair a segunda vez, a terceira, a quinta, você vai poder chegar nos detalhes de coisas mais ali do dia a dia e tal, enfim. Mas você começa com o argumento geral, até porque ali no argumento geral, vamos dizer, na coisa mais quando você dá o zoom out o teu a visão panorâmica, são as primeiras perguntas que você vai fazer, entendeu? Ah, mas você quer ou não quer casar?

¶146Você quer ou não quer ter filho? são as a a as porque ali de repente você já não quer nenhum segundo encontro, você já quer matar ali logo na primeira conversa. Então isso também da na comunicação faz parte você ter a comunicação geral que você mostra para que lado e para que direção você vai. Então, por exemplo, eu eu participei de muito painel que falava assim: "O Flávio está associando a imagem dele ao Milei". E eu pensava na hora: "Mas quem disse que isso é ruim?

¶147Entendeu? Na minha cabeça não é, entendeu? Na minha cabeça de eleitor, por exemplo, se você é um candidato e o MI tá do seu lado fazendo discurso, eu vou olhar para você com muita simpatia, entendeu? Eh, eh, eh, eu, o, o, a Argentina que ele recebeu destruída do jeito que tava. E é óbvio que não, em 2, 3, 4 anos você não vai pro paraíso.

¶148Mas o que foi feito em termos de de inflação, de eh enfim, de uma série de coisas que foram feitas na economia, que eu me parecem muito positivas e me parece pro povo argentino também, porque há um ano na última eleição deram uma vitória acachapante pro Mi. Eh, eh, e aí eu até quando eu comentei isso esses dias brincando você, mas vão achar que é o problema é o pobre argentino de direita. Enfim, mas eh essa é uma informação importante que você resolve num num real de 30 segundos. Você fala: "Eu vou na economia ser ou não parecido com Milei". Legal.

¶149Isso já divide um monte de gente no bom sentido, porque já diz para que direção você vai. Antes de você entrar no detalhe do orçamento, se quantos por cento vão para cá, quantos por centos vão para lá. O Brasil precisa de um ajuste fiscal. Então eu quero saber, antes de qualquer coisa, você reconhece que o Brasil tem um problema fiscal? Você reconhece que a gente tá numa bomba fiscal?

¶150Você reconhece que a gente tem que diminuir gasto público? Isso dá para falar no argumentão geral. Se você falou: "Não, tem que gastar mais, tem que ser igual o Mandame, a solução é é congelar aluguel". Eu falo: "Cara, eu não quero nem um segundo encontro. Beleza, já entendi, já entendi para que lado você vai.

¶151E esse não é o meu, entendeu? Então é essa distinção que eu quis fazer, que eu acho que também tem níveis de conversa e faz sentido se que que os argumentos eles vão ganhando mais detalhes com o tempo à medida que você acha essa é minha turma, essa não é minha turma, eu vou para esse lado ou vou para aquele lado. >> Flávia, Alê, antes da gente trazer o Gui, eu queria só que a gente só fazer um pequeno breaking news aqui, que a gente tá vivendo muito de breaking news nesse central meio, pessoal. Quando não é a Flávia, sou eu, a apuração da Maria Paula, da Miriam Clark, queridíssimos. E bom, a gente até citou na abertura do programa, eu acho legal também ouvir Flávia e a Lê pra gente repercutir um pouco, que a Veja publicou hoje uma matéria em que parece que o o já ia falar o Eduardo Vorcaro, olha como é que a gente já tá tilelê, mas enfim, que Daniel Vorcaro disse ter pago R$ 30 milhõesais para financiar um documentário sobre a trajetória de Luís Inácio Lula da Silva.

¶152E bom, >> Dark Lula. >> É, pois é. Foi, foi o que a gente falou, né? Um dejavu com sinal trocado, já vi isso antes, um dark horse. E bom, a Polícia Federal apontou, como a gente muito bem pontuou aqui, falta de evidências e o Lula nega taxativamente.

¶153No entanto, agora numa apuração do W, gente, a princípio que se tem é que nas conversas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, não há nenhuma menção a pagamento ou patrocínio para um para esse documentário sobre a vida do presidente Lula. E a Polícia Federal, como a gente também já falou aqui, ela prendeu esse aparelho, está com a Polícia Federal desde novembro de 2025, que foi quando o Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, ex-controlador do Master, foi preso pela primeira vez. Portanto, >> mas são vários aparelhos, né? E tá se falando de um que foi periciado, é isso? >> Sim.

¶154Um específico nessa curação do All. Agora assim, o que eu queria jogar para vocês antes da gente trazer o alívio cultural de Guilherme Vernec para esta bancada, assim, a gente já viu que a corrupção não está sendo um assunto que apesar de aparecer como >> Ô, Yasmin, desculpa te interromper, querida, só porque eh você trouxe um pedaço da notícia do Wall, mas ela é, eu acho que ela tem um pedaço complementar só para parecer o que que para pra gente entender o que que é de diferente que o W está dizendo com relação à Veja, né? Então, >> a Veja diz que a o essa conversa entre o o Daniel em que o Vorcaro falaria, né, sobre este patrocínio, estaria num documento, ele a Veja, publica um áudio, né, eh em que o Vorcário fala que bancou o filme eh do Oliver Stone, dirigido pelo Oliver Stone sobre a vida do Lula, certo? E a reportagem da Veja fala que eh num documento levado à PGR, a Procuradoriagal República, em junho deste ano, eh está constaria eh essa esse relato do Vorcaro de desse pagamento de 30 milhões em espécie para o documentário eh em pagamentos pro Instituto Lula, né, do Paulo Camoto. que a >> ainda fala, né, que o o Dark Ross foi patrocínio, que Lula foi por fora e tal, né?

¶155Isso. E aí o que a matéria do W traz é que primeiro eh não está em que este áudio e nem este relato constam das três propostas da de delação do Daniel Vorcaro. Então o Vorcaro formulou três propostas de delação diferentes. Cada vez que a PGR e a PF negavam por dizer que havia falta de provas, né, que tava inconsistente, ele formulava mais uma, eh, tentando então trazer mais eh provas, porque a lei da da colaboração premiada prevê que só a delação não vale como eh prova de nada, que sempre o delator tem que cosubstanciar com eh eh documentos, com outro tipo de prova material, né? para além do seu relato e tal.

¶156E além disso, a o o noticia que fontes, tanto na procuradoria quanto na P, na Polícia Federal, negam que esse documento exista, dizem desconhecer a gravação e atribuem a divulgação a uma tentativa da defesa de Vorcaro de influenciar a eleição. Então, o que o que a matéria do W tá fazendo é contrapondo a versão da Veja de que o Vorcaro teria tratado deste assunto com a PGR. A PGR está negando fontes da PGR, não é uma fonte, uma nota oficial. Fontes da PGR estão dizendo pro que isso não foi tratado diretamente com eles. Então, só pra gente entender a a distinção entre as duas.

¶157É o que então então só para checar porque eu já tinha chegado aqui. Então no no caso da Veja nós temos o áudio, né, divulgado. Tem um áudio mesmo, >> tem um áudio que eu eu li de manhã e vou recuperar aqui só para ver quem era o interlocutor deste áudio, porque eu não me lembro eh se a matéria >> é porque eu eu vindo para cá eu vi tinha um áudio mesmo. Ouvi >> isso, isso. Mas eu não me lembro com para quem era o áudio.

¶158É só isso que eu tô que eu tô recuperando aqui. >> Porque para que com quem que ele estava falando, né, quando ele relata tudo isso. Quem enviou o esse áudio, no caso. É isso. >> Oi.

¶159>> Para quem ele teria enviado esse áudio. >> Isso. Isso. Então, ó, a Ve já teve acesso a relatos feitos pelo banqueiro, nos quais ele revela ter negociado com o ex-tesoureiro do PT, João Vacari Neto, >> o pagamento para conseguir acessar os cofres dos fundos de pensão de servidores federais controlados pelo governo do PT. Eh, aí, segundo conta o banqueiro, em um áudio e em documentos, seriam R$ 30 milhões deais em espécie pagos por fora ao Instituto Lula, né?

¶160Eh, isso a gente já tinha trazido aqui. Eu estou realmente procurando para ver se tem na matéria. Eu acho que não tem na matéria. >> Quem que ele estava falando, né? >> Quem é para é quem era o interlocutor?

¶161Flávio, enquanto você procura, só para trazer uma outra informação da CNN, do blog do Caio Junqueira, a princípio, a defesa do Vorcaro diz que não confirma a autenticidade desse áudio. Bom, aí a gente vai ter que vai ter que continuar acompanhando o noticiário para entender eh qual que vai ser o desfecho disso. A gente mencionou 2014 o PT com a Marina. É bom porque tem um revival completo, né? matérias da Veja com [risadas] >> Ai ai ai não que eu ia pergun >> totalmente o que eu ia perguntar enquanto a Flávia tá buscando para ver se a gente descobre quem era o interlocutor do Vorcaro nesse nessa época do áudio, eu ia perguntar, Alexandre, se você acha que isso tem potencial para mexer de alguma maneira com o o a o fervor aí, a quentura do do da motivação de voto.

¶162A gente tem visto que relato de corrupção não tem exatamente, tirando a primeiro primeiro áudio do Flávio Bolsonaro, relacionando ele a filme Dark Ross, ao financiamento Dark Ross, que foi uma reportagem, um furo do Intercept, a gente não viu depois grandes oscilações envolvendo escândalos de corrupção nessa eleição e depois uma uma eh recuperação logo em seguida. Então, você acha que isso tem algum potencial de mexer nos ponteiros da eleição? O que eu vejo de potencial e eu já vi algumas reações, é tirar um pouco esse discurso que me parece muito desonesto, eh, eh, que foi encampado por algumas alguns agentes políticos que, que fazem cosplay de análise política de que o master seria um escândalo de direita, entendeu? Eh, eh, se realmente isso aparecer e for verdade, se tato, se for for verdade, que realmente o o o Vorcaro tenha dado de esses 30 milhões e tal, não sei quê, isso ajuda a tirar essa que que não prosperou muito. Foi uma coisa eh eh que a gente desde o começo, qualquer pessoa honesta sabe que você tinha eh os tentáculos do Daniel Vorcaro em tudo quanto é lado, né?

¶163você tinha eh eh e a própria gênese do do master, sendo que é é no é na Bahia e tal, com o Rui Costa, com Jaques Wagner, claro que depois tomou o tamanho que tomou e pegou todo mundo, pegou vários governos aí foi pra Brasília do Ibanês, foi pro Rio aqui do Cláudio, foi e eh pro Dark Hosse, né, aquela quantidade de dinheiro, foi pro STF, mas também foi pro Guido Mantega, também foi pro Ricardo Lewandowski nos seus escritórios de advocacia familiar. Enfim, então eh eh eh querer rotular o escândalo do master para um lado ou pro outro é mentira. O master pegou todo mundo, o Vorcaro pegou todo mundo. Mas teve algumas pessoas que ficam de vez em quando tentando emplacar essa história de que que seria de um lado só. E se isso for verdade, isso diminui esse isso vai no coração desse discurso de que o Daniel Vorcaro tenha comprado só um lado ou outro.

¶164Ele ele eh eh o Daniel Vorcar é um sintoma do problema do poder no Brasil. O poder no Brasil estava à venda e todo mundo que estava à venda ele comprou ou tentou comprar, né? Esse caso específico tá no começo da apuração ainda. Então ninguém aqui tá fazendo nenhum julgamento em cima de nenhum julgamento definitivo em cima dessa matéria, porque ao que se nós estamos vendo aí eh eh tem muito ainda o que se apurar, né? Deixa só eh para falar sobre a interlocução do áudio.

¶165Tudo eh eu reli aqui e também eh o o Vittor também me ajudou aqui a a raciocinar porque realmente ficou confuso eh no texto, mas o que o que a gente da leitura do texto é que este áudio é um áudio da confissão do Daniel Forcaro ou de uma suposta confissão dele sobre este pagamento. Então, é como se fosse um áudio enviado pra PGR junto com o documento que a Veja fala que foi enviado. É, é o, é, é o relato dele para a PGR, não é para, não é, não está no celular um, um diálogo dele com alguém com quem ele conversava no ZP. Eh, e aí a Yasmin trouxe então que a defesa do Vorcar está dizendo que não reconhece este áudio. Enfim, só para dar a linha do tempo, >> até porque até porque tem uma coisa interessante, tem muito pouco áudio do Vorcaro, né?

¶166O Vorcaro usava aquelas coisas de mensagem que apaga e tal. Não é muito a cara do Vorcaro mandar um áudio que não apaga. >> Os registros que a gente tem dele são mais das notas do celular que ele guardou. Isso. E >> aí, enfim, ele esqueceu de apagar essas notas e aí pelo momento em que aquilo ali foi registrado, que tem um metadado que tem guarda esse registro, a gente acaba sabendo que foi a mensagem que ele enviou pelo WhatsApp que ficou >> tanto que é uma voz que nem tá muito na minha cabeça.

¶167Qual é a voz do do Vorcaro? Não, nem é uma coisa que tá clara na minha cabeça assim muito, porque realmente apareceu muito pouco. Áudio dele é uma coisa que apareceu muito pouco. >> Verdade. >> É, >> Flávio, algum outro comentário ou já a gente já pode se despedir do Alexandre e começar a falar do das novidades do final de semana com Guilherme Vernec?

¶168Eu acho que super pode. A gente se despede dele. Eu dou meu meu recadinho de sábado e aí vou também porque eu também tenho que, ó, editar ainda a edição de sábado. Alê, sempre um prazer estar aqui contigo, querido. >> Até sexta que vem.

¶169>> Obrigado, Andre. Até semana que vem. Coragem para nós. [risadas] Com tudo. >> E não entrem E não entrem em modo Glória Gor, tá?

¶170Vocês vão sobreviver. [risadas] Eh, vamos lá, gente. Eh, para quem tá chegando hoje por aqui, porque acontece, né? Às vezes a gente tem recebido muita, muita audiência nova por aqui. Deixa eu contar muito brevemente que o meio, além deste canal aqui no YouTube que tem análises, que tem essa live diária ao meio:15, que tem o ponto de partida, que é a coluna eh de análise do Pedro Dória, tem o Cá entre nós, que é a minha, tem a Maril Pereira Jorge com Teddio A gente não morre, tem Pedro e Cora falando de tecnologia, de literatura.

¶171Nosso canal é super bacana e eu convido você a conhecer. A gente tem também uma assinatura premium que oferece muito produtos legais e que custa só R$ 15 por mês. E a gente precisa muito das assinaturas de vocês para seguir fazendo jornalismo aqui, eh, aqui gratuitamente no YouTube, nas nossas redes sociais, nos nossos podcasts. A Yasmin apresenta um deles, é o no pé do ouvido. Então, se você quiser assinar hoje, são só R$ 15 por mês e você já recebe amanhã a nossa edição de sábado.

¶172né? Ei são de sábado, todo sábado tem a gente traz reportagens, entrevistas, análises, artigos. É a nossa edição com cara de revista, assim, sabe? E nesta semana eu fiz uma entrevista muito interessante com a professora Lara Mesquita da FGV, que é uma das maiores pesquisadoras de congresso eh que o Brasil tem. Então assim, é uma é uma sumidade mesmo no assunto e ela traz muita muitos insightes interessantes sobre que congresso saiu das urnas no domingo.

¶173Então, claro que a gente já tem um mapa, eh, do que, né, da do tamanho dos partidos, eh, de como ficou mais ou menos a representação ideológica, mas ouvir de uma especialista que olha no detalhe ajuda a desmistificar um monte de coisa, ajuda a entender como que se construiu esta bancada, quais foram os caminhos dela. E uma das coisas mais interessantes que a Lara faz, e ela faz isso com muitos dados, com muita pesquisa mesmo, é mostrar como o senso comum que se formou de que as emendas parlamentares garantiriam uma taxa de reeleição absolutamente fora da curva, não se confirmou. Eh, e ela explica por e como que ela enxerga isso nas urnas e qual a explicação, a hipótese que ela tem para explicar porque isso não tá se revelando eh tão jogo ganho, sabe? Se tem muita emenda, vai ter reeleição. De que maneira que isso impacta na formação da bancada?

¶174Então eu convido você a eh participar com a gente aqui desse diálogo que segue na edição de sábado, porque eu acho que você não vai se arrepender. Esta edição de sábado tá com essa entrevista maravilhosa. Tem também uma uma reportagem do Yambo Boeá, que é o nosso editor e que é fera na cobertura de conflitos internacionais. É um dos repórteres mais premiados e mais viajados para zonas de conflito do Brasil. assim, realmente ele é um uma honra ter ele aqui na nossa equipe.

¶175E ele tá contando o esse novo estágio da guerra no Yemen, eh, dos rutis e de da entrada de novos atores do Oriente Médio nesse conflito. E o que que isso pode querer dizer nessa geopolítica que tá tão eh se é que já foi menos instável um dia, mas tá tão instável eh como tem estado de uns meses para cá. E o nosso queridíssimo Leonardo Pimentel, aproveita que é a semana, ele trouxe para mim a semana do espaço. É uma coisa assim, eu nem sabia que isso existia, gente. Tô maravilhada, mas ele, a gente aqui no meio, na nossa newsletter diária, é muito curioso que sempre que a gente traz uma uma notinha sobre uma nova foto do James Web, né, que é aquele telescópio ou qualquer coisa sobre astronomia, a gente tem uma audiência incrível que realmente se delicia de acompanhar eh esse tipo de de descoberta do espaço.

¶176Então ele fez uma curadoria dos sites onde você vê as melhores imagens e acompanha as mais novas descobertas de tudo que tá acontecendo na Via Láctea and Beyond, viu? Então vai longe a coisa. Então, é como eu brinquei hoje no editorial, seja aqui no Brasil, seja olhando para outros cantos do mundo, seja em qualquer cantinho do universo, o meio vai te oferecer conteúdo de qualidade, te ajudar a entender as coisas que estão acontecendo. Assine, seja um assinante premium, ajude a patrocinar o nosso jornalismo e participe aqui sempre, todos os dias eh dos nossos debates, tá bom, meus queridos? >> Muito bem.

¶177Muito bem, >> gente. Vocês estão com a mesma blusa? >> Socorro. [risadas] >> Coloridinhos, >> cara. Estamos mesma.

¶178>> É, mas de perto não. >> De perto não. O seu é uma coisa meio >> é umas manchas assim, uma coisa meio é chão de folha seca, não sei o quê. Não sei. Tô viajando aqui também.

¶179E o meu é uma, são florzinhas e galhos. É o meu mais abstrato, >> mas tá bem. >> Super pasta como a mesma estampa aqui pela [risadas] tela, viu? Vai vai junto sair hoje. >> Vamos junto, Gui.

¶180Não vai ter jeito. >> Gu tava com saudade. >> Eu também, >> mas não vou. Eu vou te ouvir, mas eu vou aproveitar para comer um negocinho antes de lá. Obrigada, viu, pelas análises.

¶181>> Realmente muito boa. Tchau, gente. >> Obrigada, Flávia. Valeu, bom pró de semana, >> Guilherme Vernec, vamos falar de cultura um pouquinho. Primeiramente, como você está no Rio de Janeiro, então eu vou puxar a sardinha pro meu lado.

¶182Eu quero que a gente comece pelo Rio. E por favor, Tom Zé no circo voador. É isso mesmo? >> Não só Ton Zé no circou voador. Domingo Tom Zé faz 90 anos.

¶183>> Meu Deus. >> 90. Entendeu? >> Meu Deus. Ele já tem tudo isso, né?

¶184Tudo isso. Ele é o ele é o tropicalista mais velho. Ele é aquele cara que fez aún decano. Ele é o decano. >> Ele é o Gilmar Mendes do tropicalismo.

¶185>> Exatamente. >> Que eu acho que talvez seja uma ofensa pro Ton Zé, né? Com todo respeito. >> É porque ele é muito melhor quear Mendes, né? >> Perfeito, perfeito.

¶186[risadas] Não vou, não tenho nada a acrescentar. Chegando. >> Eu, eu, eu sou muito suspeito porque eu amo Tonzé, entendeu? Eu acho Tonzé um baita compositor, um dos caras mais inventivos do Brasil. Ele tem essa passagem, né, pelo Correit, que era um grande maestro do decafônico.

¶187Então, ele traz todas essas influências pra música dele. Eh, o a uma notícia que tá esgotado, a boa notícia é que vai ter uma data extra. [risadas] Então, mas hoje quem já comprou, não sabe quando é, >> sabe? 13 de 13 de novembro. >> 13 de novembro.

¶188Ah, tá bom. Mas quem quem já comprou é vai curtir um show sensacional, porque mesmo com 90 anos, Tons é essa figura que é cheia de energia, entendeu? nos shows dele, ele leva às vezes esmeril, faz som com esmeril, tem uma banda incrível e as canções são são sensacionais e e vai ser um popurri da carreira, né, desde os discos mais velhos, né, clássicos, tipo Estudando Samba, até até a língua brasileira, que é o último disco dele. Então eu eu não perderia, tentaria acampar na frente do circulador para para arranjar um ingresso. Eu acho sensacional, sensacional.

¶189Mas tem uma opção ali do lado, se você não conseguir ver o Rotonz. >> Hum. >> Eh, a Zig é um uma das principais boates gay de São Paulo, queer gay de música pop. Ela virou um império, ela começou como uma portinha. Eh, daí hoje já tem três lugares.

¶190Tem a Liga duplex no Packembu, que é enorme, tem e é meio um templo. E ela tá fazendo um festival esse ano, um festival super pop. E vai rolar no Rio na hoje na sexta na Fundação Progresso, amanhã no sábado, eh, ali na áudio e e do lado da áudio no Matarazo, que agora mudou de nome, chama Pavilhão. Pavilhão, >> pavilhão. >> E é tipo, meu, para quem gosta de popo, entendeu?

¶191Vai ter Slater, que eu acho Dancop muito muito legal, vai ter Fred, eh, only fire, isso tudo aqui no Rio. Em São Paulo o lineup é bem maior, tem um monte de DJs, então é uma balada incrível. Inclusive daria para ver um pouquinho de Tonzé e correr pra Fundição. >> Legal, né? Porque os horários não batem tanto, né?

¶192Um começa mais cedo, né? Tom Zé começa um pouco mais cedo. >> Não, na verdade o acho que o Zig começa um pouco mais cedo, mas tem muitas atrações, >> então dá para você fazer essa mescla. >> Perfeito. Será que eu animo, gente?

¶193Esse clima de leitão. Eu tô tão cansada. >> Então, mas é isso, é para isso que a gente precisa sair, entendeu? >> Pois é, isso com certeza. Isso com certeza.

¶194>> Para quem não sabe, né, que não é jornalista, pique de cobertura de eleição éor carne, né? >> Muito puxado, cara. [risadas] Eu não falto meu vôlei de praia por nada. É a única coisa que é o meu assim para esparecer. Agora quem sabe uma baladinha, né?

¶195Dá uma dançada. >> Opa, >> que mais, Gu? >> Aí tem para quem gosta de dança, eu eu sou muito fã de dança, né? tem uma companhia de Curitiba que chama Discompanhia e ela tá no Ses Copacabana com um espetáculo chamado Dismundo, que é bem legal assim, ele foi criado com oito crianças, então tem a ver com o Dia das Crianças também, eh que ajudaram o o que é preciso negar no mundo de hoje e o que se deseja reinventar. Então, a partir disso, eles pegaram várias referências poéticas, pegaram Drumon, Manuel de Barros, pegaram texto doito Crenac e fizeram eh esse espetáculo de dança que que junta todos, assim, meio baseado no tarô.

¶196Então, são dois atos, a torre e o sol. E vai rolar no sábado e no domingo às 8:30 da noite. Eu eu acho super um programa assim mais relax, entendeu? Parece que não vai dar praia, mas dá para ir depois no Copacabana. Adorei, >> né?

¶197>> Muito bom. Muito bom. Gui, esses são os principais destaques de Rio. >> É, o rio é isso, assim, quer dizer, vai ch de pilares no no Mas eu acho que isso é mais legal, porque esses outros são muito grandões, né? >> E Xand assim, com todo respeito, adoro Xand de Pilares, mas tem mais vezes, né?

¶198Tem sempre, >> tem, tem sempre, tem sempre. Exatamente. Agora, São Paulo tá rolando Satirianas. satiranas. Eh, é um festival que acontece já há 27 anos, o Sátiros, né, uma companhia que fica ali baseada na Praça Roos e o Satilianas, ele foi ficando cada vez maior e ele toma toda aquela região, toma a praça, eh, vai rolar até segunda-feira e ele, tipo, é muita coisa, são tipo 400 eventos entre cinema, teatro, leitura, circo.

¶199vai ter tipo um psicanalista coletando histórias na praça e reencenando em seguida das pessoas, mas que assim é é uma loucura. Quase tudo de graça. Quando é na praça é de graça, quando são nos teatros da praça, eh, pague quanto puder. Então, é um baita estímulo para você ver ver as coisas >> e vão ter algumas coisas legais. Vai ter um documentário de José, é um documentário que já passou no inédit, ele não chegou a entrar em cartaz, mas ele tá tá circulando em festivais.

¶200vai passar lá, vai ter uma pré-estreia do filme novo do Guilherme de Almeida Prado. Então, a além de sei lá, peça da Mels Lisboa em cima do do livro da Natália Timber, muita coisa legal dessas para você se jogar mesmo na programação. E e >> eu acho que o bom de você ir assim pra Praça Roosevelt mesmo, sem muita assim, sabendo o que você quer fazer, mas se você também não souber, é só vai, >> você vai ver coisa legal, você vai ver coisa legal, você vai ver gente legal. Sabe aquele dia de uma viagem que você separa para dar um rolé sem rumo? Sim.

¶201>> Eu acho que às vezes esse é o melhor >> total. Se joga que vai e aí você se surpreende. Agora se quiser tem uma baita programação site tal, tá tudo lá na no site do meio, na >> pros virginianos. >> Pros virginianos que não querem sair malucos por aí. >> Exato.

¶202Exato. >> Eh, aí no sábado também rola uma abertura de exposição muito legal no no Trianon. Exposição que chama Outro Lado da Betina Samaia. a curadoria do Marcelo Dantas, que é um baita curador aqui do Rio, que mora lá em São Paulo. E o que que tem de legal essa exposição?

¶203O o Parque Fanon, você que de São Paulo, é um parque que fica na frente do Masp ainda é um pedaço. Eu sei que quando a primeira vez que eu cheguei em São Paulo, eu tinha 18 anos e aí eu desci na estação Trian MP e me corrigiram. [risadas] Aí eu falei: "Gente, onde é que eu, qual é a saída que dá pro MP?" Eu não fazia ideia. Tava chegando em São Paulo, simplesmente saí da rodoviária, peguei o metrô e fui parar ali na no má, porque era próximo da casa da minha prima, que era onde eu ia ficar, pro primeiro congresso a Brage que eu tava indo, >> que é o congresso brasileiro, né, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. >> E aí quando eu subi, eu falei: "Mas para qual lado que é o Trianon MP, você quer tá procurando MASP?" Aí eu falei: "Ah, desculpa".

¶204Aí já levei essa lapada. Cheguei ali na venida paulista, falei que cidade maravilhosa, cosmopolita, incrível. >> Mas descreve pro carioca ou pro assim, pro carioca é uma sacanagem nessa cidade que tem, né, que é a cidade mais bonita de mata atlântica desse país. [risadas] É uma sacanagem. Mas o trianon é tipo um recortezinho do que você tem ali, tipo perto do Jardim Botânico.

¶205[risadas] >> É uma graça. >> É, é uma graça. É um, é um ainda é um parque que permanece, fica em cima da 9 de Julho e tal. Mas o que tem de mais legal nessa exposição é que as obras são colocadas nas copas das árvores e elas são fotografias com espelhos. Então a foto se mescla com a pessoa, com quem tá passando, com os bichos, com com tudo.

¶206Então é uma piração, vale muito a pena ver assim, vai abrir no sábado, >> fica até quando? >> Fica até dezembro. É um negócio que dá super para ir de graça no parque, entendeu? Não tem menor problema >> não. Até lá eu já dei um pulinho em São Paulo.

¶207>> Então, e aí hoje é cedo, hoje às 17 horas lá na na Estação Motiva Cultural tem um um os caras de dança que eu mais gosto de São Paulo hoje são a Beatrizano e o Eduardo Fukushima. A Beatriana, eu até eh fiz uma entrevista com ela para edição santo sábado, ela tem uma pesquisa muito poderosa com a cultura japonesa, com o butô, eh mas não só, também com as práticas de meditação. E ela, eles criam espetáculos incríveis. O o Horizontes, por exemplo, eles vão fazer com música ao vivo com o Chico eh Lab Hol, que é um batera, um e então vai ser essa coisa bem potente de dessa dança meio minimalista, meio forte junto com bateria. Eh, e eu acho que é muito legal.

¶208Ele começa num círculo e a e a toda a coreografia se desenvolve a partir desse circo, baratinho, 30 contos, entendeu? lá na estação cultural, que para quem não sabe e é a sala anexo da sala São Paulo lá no centro. Então é um lugar incrível, com som bom, com você todo lugar que você sentar, você vai ver bem, eu também não perderia. Agora tem muita coisa rolando, principalmente São Paulo, né? Ladrilho é sobre São Paulo, um monte de festa, feriado, né?

¶209Um monte de show. Eu daria um olhar de no ladrilho também. >> É, vale muito. Para [risadas] quem não conhece, gente, a lettera do meio tem essa parceria, o meio, né? tem essa parceria com o Guilherme Vernec, que é autora aí da Ladrilho Hidráulico, essa newsletter com todas as novidades culturais aí muito variadas para você saber o que você pode fazer no Rio de Janeiro ou em São Paulo durante seu final de semana.

¶210É toda sexta que você publica, Gui? >> Publico nas quintas. O roteiro é em São Paulo, começa na quinta e vai até a quarta da semana que vem. Ah, entendi. É porque como eu costumo dar no podcast no pé do Ovido na sexta-feira, eu fico com sexta na cabeça.

¶211>> No meio, no meio sai na sexta, eu publico ara na quinta, daí eu faço um recorte pro meio, eu faço uma matéria no pro meio >> que eu incluo o rio. >> Muito bem, >> né? pensando que um dia vai ter a pedra portuguesa além da ladril hidráulicos. [risadas] >> Eu amo essa ideia, já tem que patentear isso logo. >> E então eu inclui algumas coisas do Rio >> e faço um um recorte da da ladrilho, mas a ladrilho é isso.

¶212Ela fala de dança, de teatro, de cinema, de música, balada, concerto. Então é é bem divertido. >> Tem para todo gosto, né, G? >> Tem para todo gosto. >> Adorei, Gu.

¶213Muito obrigada. Ah, >> obrigada pela sua presença aqui no central. Sempre muito bom te receber presencialmente, que a energia é outra, né? Coisa de online, de virtual, gente, por favor. >> Eu adoro estar aqui no Rio, né?

¶214[risadas] >> É um astral, né? Pode falar, pode falar, não tem problema não. >> Eu como carioca não tenho como dizer que não é legal, né? [risadas] Pessoal, o Central Meio de hoje fica por aqui. Muito obrigada pela sua companhia.

¶215A gente vai estar de volta na terça-feira, pode anotar aí, tá bom? logo depois do feriado do Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida. Um bom final de semana a todo mundo e sextou até terça. Beijo. Fui.

¶216>> Se você é de esquerda e acompaniciário nos últimos qu anos por veículo esquerda, você teve mal informado. acreditou que havia um problema em pobre evangélicos manipulados que devia criticar a inspiração do senhor e meio. Essas pessoas também passaram os últimos qu anos ouvindo a mesma coisa e entenderam que entender. Esse não é um grupo que não gosta da esquerda. E se você é de direita [risadas] e se você se informou por veículos de direita, ouviu que tentativa de golpe era conversa de petista.

¶217Não foi essa cobertura que nós fizemos aqui aqui não período. Pelo contrário, aqui a gente olha pros números como eleição. Aqui a gente se aspira trata com respeito. E aqui a gente não trata com aência da imprensa de direito. A gente gosta um crime mais sério contra a democracia fez uns 10 anos.

¶218jornalismo 100% digital 100% comprometido com a democracia e que não te diz aquilo que vai ser o seu coração. Mas olha, olha, se preocupem em compreender o Brasil fato é. [música] E eu posso dizer uma coisa, o ano tá difícil, os próximos qu anos serão difíceis e a gente vai estar do lado da democracia liberal cada um dos próximos segundos. Precisamos da assinatura. meio [música]