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radar · Teologia Brasil

LIVE: (MISA&MICHELLE) ATEUS DE E. VS CRISTÃOS DE E. (FILIPE&ANDRÉ) - CRISTIANISMO É INCLUSIVO!? PT.2

¶1[música] Salve galera, beleza? Aqui quem fala de novamente estamos aqui mais uma vez pra continuação do react, né? Dessa vez aqui a parte dois referente do referente ao debate ocorrido no canal Spectrum que foi entre os cristãos de esquerda versus os ateus de esquerda, né? Ah, e hoje nós vamos abordar os outros dois tópicos finais que foram tratados ali no âmbito da discussão entre os cristãos de de esquerda e os ateus de esquerda, né? E eu estou aqui com o meu amigo Bruno, Bruno San mais uma vez, né?

¶2para, enfim, apreciarmos aí os argumentos, os raciocínios, analisar quais que são procedentes, quais que não são, enfim, e trazer algumas questões aqui que agreguem para vocês em conhecimento, tá? Então, dá um salve aí pra galera San, quem não te conhece ainda, quem não vi outro. >> Olá, pessoal, meu nome é Bruno Sankey, eu sou psicólogo e doutorando em filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia com período de sanduíche na Universidade de Oxford. Minha pesquisa em filosofia da religião e metaética, né? Agora no doutorado talvez mais metaética, né?

¶3Eu tô estudando sobre a natureza eh semântica dos juízos morais. Eh, e a gente vai pra segunda parte. Ah, e eu tenho um canal do YouTube também com o meu nome, Bruno Sankey, ah, onde eu posto vídeos sobre filosofia da religião, psicologia e outros temas para quem tiver interesse. >> Perfeito. Perfeito.

¶4É, o seu microfone ele tá dando umas umas pipocadinhas de leve. >> É tipo umas pipocadinha. Começar frio. >> Será que é da conexão ou eu posso tentar tirar o? >> Eu não sei se eu não eu eu não sei se é da conexão ou se é do >> ou se é do do microfone mesmo.

¶5>> Não faço ideia. >> Eu tenho. >> Quer dar uma olhadinha rapidinho antes da gente prosseguir? Qualquer coisa mesoal que >> Deixa eu desligar o o fone. Vou desligar o fone para ver.

¶6devem atingir pou sem o melhor pera aí do >> não, não. Continua a mesma coisa >> agoraana mais pro fim da >> continua ruim. >> É, é o microfone mesmo. >> Deve ser a internet. >> Deve ser a internet.

¶7Então pode colocar o fone de novo. Não tem problema não. >> Ah, qualquer coisa vai assim mesmo. Fazer o Mas não tá não tá tão ruim não. >> Eu posso testar no computador também porque eu tô no celular às vezes no computador.

¶8>> É, pode ser. Você que sabe, você que sabe. Enf. >> É, eu vou entrar pelo computador aí. Se se tiver ruim depois a gente vê.

¶9>> Mas vamos tentar pelo computador também. >> Pode ser, pode ser. >> Abrir aqui. >> Uhum. Deixa eu compartilhar de novo a live, né, pro pessoal enquanto isso.

¶10>> É, você pode ir compartilhando a live. Pessoal vai chegando, né? Porque tem duas pessoas até agora. Duas pessoas só, né? Do outro tinha, acho que teve 20, 20 e poucas, né?

¶11Agora tem quase ninguém aqui de pessoas. Eu acho que o pessoal tá tá distraído com alguma outra coisa, né? Não sei se é, talvez seja, enfim, >> outras lives aí que tá acontecendo, talvez, não sei, não faça ideia, mas enfim, deixa eu ver aqui. >> Já compartilhei para todos os grupos, né? Agora resta >> esperar mesmo.

¶12>> A produção da indústria brasileira caiu 1,8% em junho na comparação com maio do segundo mês seguido de pedra e o pior resultado do mês anos. >> O maior impativo feito a produção de delicadas. Lembrando pessoal, >> se vocês tiverem perguntas, dúvidas, comentários, ã, coisas que vocês querem agregar aqui no no reat, mandem o Live Pix, tá? que eu vou dar eh preferência para quem mandar o Live Pix, beleza? Assim que vocês vierem Live Pix, eu vou estar de olho, tá?

¶13Eu vou estar de olho, vou estar na escuta, que eu vou deixar o OBS aberto, né? Vou estar na escuta e vou colocar o comentário de vocês aqui, tá? Para tocar o áudio. >> Ah, beleza. Ó, o S tá entrando aqui pelo pelo PC.

¶14É, deixa descobrir, deixa descobrir se no computador. >> Beleza, >> mas talvez isso que é pior. >> Beleza, acho que melhorou. >> Não sei >> não. Melhorou.

¶15Melhorou. Melhorou. Melhorou. Melhorou. Melhorou.

¶16Melhorou. Mas é isso. O Clay Sony aí. Salve Cleonia. Salve, salve.

¶17Enfim, tem oito pessoas aí na live, então acho que já já podemos começar aqui. >> Perfeito. >> Então esse aqui é o parte dois, tá? É a parte dois dos cristãos versus os ateus, né? Que é basicamente os cristãos de esquerda versus ateus de esquerda, né?

¶18>> Deixa mostrar aqui para vocês, ó. considerável em relação ao ano anterior, pela primeira [limpando a garganta] vez o estudo da inteligência [risadas] >> sua mãe tá chamando. >> Cristianismo na sua totalidade, não. >> Oi. Aqui nessa escola, a maioria dos pais ou responsáveis, >> tem uma voz, alguém falou que tá >> é alguém, alguém falou alguém tava me chamando para melhor sentido.

¶19[risadas] Não é porque eu tô na casa de uma amiga, então é o pessoal conversando, provavelmente. >> Ah, entendi, entendi. Beleza. >> Ok, ok, ok. >> Ó o Nico aí.

¶20Salve, Nico. >> Salve, salve. Ó o Nico aí. Se quiserem mandar alguma pergunta, alguma questão, live Pix, tá pessoal? Vou est de olho aqui, vou est ouvindo >> para ver se vocês mandam alguma coisa.

¶21Mas enfim, bora lá. Eu vou dar privilégio, tá? Para pro Live Pix. Ontem eu quebrei um galho, né? Porque o pessoal não tava mandando muito e coisa e tal.

¶22Eu quebrei um galho, tava lendo mais comentários. Mas hoje eu vou vou ficar de olho Live Pix, tá? Mas vamos lá. >> Não seja inclusivo. Mas o cristianismo enquanto aplicado na sociedade brasileira, ele não é inclusivo.

¶23Por que que eu digo isso? Porque quando a gente fala das igrejas de parede preta, das igrejas com bandeira LGBT, vocês podem ver que alas do próprio cristianismo criticam essas igrejas que buscam a inclusão, né? A gente possui hoje pastores fazendo missas, condenando pessoas LGBTs, padres católicos fazendo missas, condenando pessoas LGBTs, constantes discussões na Câmara, no Senado, baseado na religião, criticando e condenando pessoas LGBTs, criticando o assistencialismo que o governo federal dá para pessoas que estão passando por momentos de necessidade, né? Benefícios de prestação continuada para pessoas com deficiência. Então, toda vez que a gente utiliza um texto religioso, e novamente, quando eu digo texto religioso, eu tento abranger para além do cristianismo, mas aqui é o texto religioso cristão, com a interpretação feita de maneira quase que anacrônica para os dias atuais e discrimina contra minorias, discrimina contra pessoas com deficiências.

¶24Hoje nós temos pessoas criticando e questionando até o diagnóstico de autismo de outras pessoas. a gente vê a falta de inclusão pregada através da instrumentalização do texto religioso. Isso significa que o cristianismo como um todo, não é? Não. A gente tem alas que tentam.

¶25O problema, até seguindo o que a gente estava conversando no no bloco anterior, é que a ala que venceu, a ala que está no poder, tem o discurso que discrimina. Então a gente acaba tendo a percepção de um cristianismo não inclusivo, de um cristianismo que não pensa no trabalhador, não pensa no pobre, não pensa na pessoa em situação de vulnerabilidade e pensar apenas em dar benefícios para pessoas que são empresárias, que não exploram o trabalhador, que adoram uma escala por um, né? Enquanto tá lá a pessoa pobre, crendo que se trabalhar muito conseguirá sair daquela situação, né? Então, não é inclus pro trabalhador, não é inclusive pro pobre, não é inclusive para LGBT, não é inclusive para pessoa com deficiência, mas não como todo e sim como as pessoas. OK.

¶26Aqui, aqui é o vídeo parou que ele da live da live não, do do que a gente tá reagindo. >> Quem falou? Quem falou? >> Eu só comentei que o vídeo deu uma, eu acho que o vídeo deu uma travada foi do vídeo que a gente tá uma travadinha, mas deu para ouvir, deu para ouvir a >> Deu, deu para ouvir de boa. >> Deu uma travadinha de leve.

¶27Eu vi, eu percebi, eu percebi que deu uma travadinha de leve, mas acho que deu para passar o trecho relevante, né? Deu, deu, deu de boa. >> Mas enfim, mandaram um live pixel aqui para nós. O Narnia King, eu vou colocar aqui na tela antes da gente prosseguir. >> Aham.

¶28>> Narnia King mandou aqui. Deixa eu ver aqui. >> Tá, vamos lá botar para trocar aqui o N aqui. >> Pode vir ponderé, pode vir [música] qualquer o mais proeminente, mais prolipo dos filósofos. Isso aí vai ser apenas filosofia, cara.

¶29Isso aí não prova nada. Filosofia. [música] Isso aí para mim, isso aí não prova nada. >> Na minha King mandou R$ 4. Boa noite David Son.

¶30Queria saber de vocês o que entendem. É a subjetividade humana e como a subjetividade nos molda, etc. >> Você quer comentar sobre isso, S? >> Sobre o que é que é subjetivana >> e como ela nos molda? >> Foi essa pergunta.

¶31>> Então essa é é uma pergunta bem ampla, né? É porque a palavra subjetividade ela vem de uma expressão que é subject, mas assim a talvez a gente pudesse ir por esse caminho, mas assim, um caminho seria pensar como é que se formou noção de subjetividade, porque a a palavra subjetividade ela vem de uma palavra que é subjecton, que significava aquilo que subja, o que também é falado no greg hipocênon, que é que é aquilo que subja, né? E ela foi usada ao longo da história para se referir ao substrato, não necessariamente ao que a gente chama hoje de sujeito. Mas isso não significa que não havia uma ideia de sujeito antes, né? Você tem desde, por exemplo, das confissões de Santo Agostinho, a ideia de falar do próprio eu, da própria auto história biográfica.

¶32Então, em alguns sentidos, a noção de subjetividade, embora não com essa palavra, já existia há muito tempo, talvez pelo menos desde Agostinho, com uma ideia de de uma autodescrição de si mesmo, sei lá que a gente varia por aí, mas a partir da modernidade, o termo que antes era usado para se referir ao substrato ou aquilo que subja ou ao campo, né? Em inglês ainda preserva essa ideia, né? Ainda a palavra subject ainda significa um campo de estudo ou uma matéria ou um assunto. Então esse era o sentido da subject matter, >> né? Uma subject matter.

¶33É só que a partir da modernidade, a palavra subject no latim ou hipocenano no grego, sei lá, passou a ser usada para se referir ao ao subjetivo, ao indivíduo consciente, em contraposição, ao objeto conhecido. Então, a o sujeito passa a ser entendido como aquele que conhece e o objeto como aquilo que é conhecido. Então, o sujeito aquilo que conhece aquilo que é conhecido. E aí ao longo do da filosofia moderna essa foi a noção de subjetividade, né? Então você tem o sujeito do Decart, que é o o cogito que conhece, você tem a o sujeito do Kant, que é a subjetividade transcendental, que tem estruturas universais para conhecer os objetos.

¶34Só que depois, talvez mais recentemente, a palavra subjetividade passou a ser majoritariamente usada, talvez na filosofia mais contemporânea, para se referir à aquilo que é do sujeito específico, particular, particular de um sujeito. Então, quando eu falo, por exemplo, da minha subjetividade, eu tô falando de eu enquanto sankei, com as minhas preferências individuais, com os meus gostos. E a e nesse sentido, né, a subjetividade ela se forma a partir de vários elementos, né? Eu formo meu eu, meu meus minhas questões específicas a partir de questões sociais, culturais, psicológicas que e biológicas também, as predões, predisposições biológicas e tudo mais que se combinam para formar quem eu sou. Então hoje a gente usa sujeito mais ou menos nesse sentido e na filosofia, né, passou a ser usado então a expressão subjetivo para se referir aquilo que é particular de opinião ou atitude de um sujeito específico ou de uma cultura particular, enquanto por objetivo a gente geralmente entende aquilo que não depende das opiniões ou atitudes particulares dos sujeitos.

¶35Então acabou que entrou na filosofia talvez nesse sentido hoje em dia, né? subjetivo que depende das opiniões e atitudes particulares de indivíduos ou grupos de indivíduos e objetivo aquilo que não depende das opiniões particulares de indivíduos ou grupos. >> Sim, sim. A é a distinção entre a noção de sujeito e objeto, né? na onde o objeto envolve aspectos de características que são presentes nas coisas que não dependem da nossa atividade, né, linguística, conceitual ou das nossas crenças ou de qualquer outra atitude que a gente tem em relação a essas coisas, né, para essas características estarem presentes nos objetos, né, objetos da percepção ou objetos da consideração e esse tipo de coisa, né, >> juntos por aí, >> mas enfim.

¶36Eh, que congelou aí, mas tá ouvindo, né? Deu uma congelada a imagem, mas eu acho que você tá me ouvindo. >> Ah, deu uma congeladinha na imagem, voltou. Tá me ouvindo agora? É, tinha dado uma travada, mas podemos prosseguir, eu acho.

¶37>> É, foi, foi, foi na internet. Foi na internet, mas acho que agora tá ouvindo, né? Acho que tá ouvindo >> agora. Tô ouvindo. Agora acho que deu uma estabilizada.

¶38Mas é, você que comentou, né, o aidade subjetiva, tudo. Aham. Perfeito. >> Uhum. Sim, sim, sim, sim.

¶39Eh, e agora sobre o tema, né? Voltando aqui pro pro reat em si. >> Uhum. >> Sobre o ponto da Michelle, eu assim esse esse esse tema, o cristianismo não é inclusivo. Eu acho que se ele se refere, no caso, a aspecto mais geral do cristianismo, tá tá correto, né?

¶40Eh, se for uma uma alegação, eu não diria totalizante, mas uma alegação universal, no caso, ah, que envolve uma generalização indutiva, né? Se for uma generalização indutiva, eu acredito que a amostragem de de comportamentos de pessoas no seio do cristianismo, a amostragem no caso das várias correntes do cristianismo, né, das várias denominações do cristianismo, ilustre, no caso que a maioria, né, >> a maioria provavelmente é isso mesmo, tá? H, é provavelmente isso mesmo. Acho que é uma inferência razoável, né? Uma inferência razoável que a gente faz, né, em termos indutivos ali para generalizar pelo âmbito geral, né, pelo âmbito mais amplo do cristianismo, ã, deste modo, né?

¶41Eu acho que eu acho que é razoável fazer isso, mas não totalizar, né? Tá, tá como universal de forma ali categórica, né? Universal categórico, né? E totalizante. Ah, porque tem algumas lalas, né?

¶42como a do próprio teólogo mineiro e do André, que se vincula com a teologia da libertação, que é um pouco mais inclusiva. Ou você tem, sei lá, a igreja anglicana, né, brasileira ali, né, ah, da denominação específica que o Gabriel brasileiro faz parte, que não é da teologia da libertação da forma como eles são, né, propriamente, né, uma teologia políticamente política, mas ainda assim é uma é uma igreja inclusiva, é espiritualizada e tudo mais, mas é inclusiva, né, também. Então você tem algumas denominações assim. Ah, >> então, eh, é porque nesse ponto a palavra inclusivo, exclusivo, ela igual a palavra fundamentalismo, ela tem vários sentidos. Existe um sentido que a religião cristã, pelo menos ortodoxa, tradicional, ela é exclusiva em que sentido?

¶43De que o cristianismo sempre alegou a a afirmação central do cristianismo, né? eh que Jesus Cristo de Nazaré é o único Deus encarnado. Essa é uma afirmação exclusiva nesse sentido. Eh, uma afirmação central assim que a teologia cristã sempre eh a reivindicou para si, que ela é guardiã da manifestação máxima de Deus no mundo, que é a encarnação do verbo. Então isso é é um aspecto exclusivistas da religião cristã, porque ela afirma que ela tem uma revelação que nenhuma outra religião tem, que é uma revelação especial, única, que é a própria encarnação de Deus em Jesus de Nazaré.

¶44Isso é diferente de outras teologias. Por exemplo, a gente pega o hinduísmo, tem a ideia de encarnação divina, que Deus se encarna por meio dos avatares, os que a divindades podem encarnar por meio de avatares, mas não é exclusiva, porque os hindusos reconhecem que Jesus pode ser uma encarnação divina. Então, que não, que pode haver encarnações divinas fora da tradição hinduísta. O cristianismo sempre afirmou que não há outra encarnação de Deus que não seja a encarnação de Deus em Jesus Cristo. Isso significa que nenhuma outra religião, isso é uma coisa assim de exclusividade do cristianismo, nenhuma outra religião é guardiã da revelação suprema de Deus na terra.

¶45Então, nesse aspecto, o cristianismo é classicamente descrito como uma religião exclusivista, porque ele alega um lugar exclusivo no campo da revelação de Deus. Por outro lado, né, existem outros sentidos de falar de exclusivismo, né? Um sentido de exclusivismo é o exclusivismo em relação exclusivismo soteriológico. Ou seja, é possível alguém ser salvo sem ser da religião cristã? Então, a tradicionalmente o cristianismo adotou que não há salvação fora de Jesus de Nazaré, né?

¶46Tem aquele texto clássico de João, capítulo 14, verso 6, em que Jesus diz: "Eu sou o único caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim". Então, muitos cristãos adotam a ideia de que fora de Cristo, fora da revelação de Jesus de Nazaré, não há possibilidade de salvação. Recentemente, né? Há propostas inclusivistas em relação à soterologia.

¶47Eh, por exemplo, a gente tem o John Rick, ah, que é alguém que vai dizer que vai adotar uma espécie de pluralismo religioso, uma perspectiva mais inclusivista e em relação à questão da salvação. Algumas pessoas defendem que pode haver salvação fora da religião cristã, mas aí a gente tem vários níveis para dizer, para falar de exclusivismo ou inclusivismo. Então, a gente pode estar falando de exclusivismo em relação à revelação. Será que a religião cristã tem um tipo de revelação que é só ela tem e nenhuma outra religião possui? Por exclusivismo, a gente pode estar se referindo ao aspecto só teológico.

¶48É possível haver salvação fora do cristianismo? Existe um terceiro sentido de exclusivismo que é de ser detentora da verdade, né? Então, o cristianismo é ou não é a única religião verdadeira. Existe também uma forma de forma exclusivista mitigada sobre verdade, que é dizer assim: "A religião cristã é verdadeira e todas as demais religiões, elas são verdadeiras na medida em que concordam com o cristianismo e falsas na medida em que discordam do cristianismo." Então isso é uma forma de exclusivismo também. Eh, mas eu imagino que talvez eles estão pensando mais no aspecto de >> aspecto social, de incluir pessoas de grupos que tipicamente são tomados como marginalizadas socialmente.

¶49>> Perfeito. Isso de incluir pessoas ou excluir pessoas. Agora, é interessante a gente notar que o cristianismo sempre carregou uma ideia de disciplina eclesiástica pela qual certas pessoas são excluídas da comunhão cristã caso elas não atenda os requisitos eh que a religião impõe a elas, né? Então, por exemplo, se você defende uma heresia, você é excluído da comunhão da igreja. Se você defende, se você pratica algo considerado imoral pela religião, você também pode ser excluído da comunhão da igreja.

¶50Assim como, por exemplo, né, teve um grupo recentemente hipertadicionalista que foi excluído da comunhão católica, né, que a ordenações deles do pessoal do L FSPX, é isso aí. Fraternidade São Pio X. >> São Pio X. Então, assim, muitas vezes, eh, a gente até consideraria, né, de pensar assim, algumas igrejas inclusivistas, elas mantém a ideia de de uma certa ainda uma coisa assim, se se você defendeu uma heresia ou se você defendeu uma prática de promiscuidade. Na verdade, por exemplo, é comum discurso que se tornou bem popular na teologia inclusiva, que é assim: você pode ser gay, mas não pode ser promisco.

¶51Então assim, você pode, nós aceitamos as pessoas homossexuais, mas nós não aceitamos a promiscuidade homossexual. Então, caso você pratique a promiscuidade, você ainda você também está excluído porque você está praticando algo errado ou imoral. Então, entra todas essas questões, né? Porque há vários níveis de inclusão e exclusão e é claro, toda a comunidade religiosa inclui certos grupos de pessoas e exclui outros, né? Algumas de diferentes maneiras, né?

¶52Com seus próprios critérios. Eu acho improvável que haja alguma eu acho que qualquer grupo acaba fazendo isso, né? Infelizmente, infelizmente ou felizmente, né? Para bem, para de um tribalismo. Às vezes também é, às vezes também.

¶53É, >> mas assim, eu acho que a questão é a extensão disso e se de fato abarca pessoas que tipicamente são marginalizadas socialmente, né, contra da sociedade e tal. Acho que é nesse ponto, né, que eles >> estão falando sobre inclusão e exclusão. Nesse quesito, eu acho que >> e o cristianismo ele acaba sendo bastante exclusivista, né, comparado com outras religiões, eles acabam tendo aqueles preceitos morais ali que são mais, digamos assim, mais restritivos e coisa e tal >> e acaba tendo critérios de exclusão mais rigidificados, né? Até mesmo em algumas visões mais inclusivistas, como você mesmo acabou de mencionar, né? Até mesmo uma teologia mais inclusivista pode ter esses tipo de exclusão de pessoas que é tem uma vida sexual ativa e que não não quer se casar ou algo assim, né?

¶54Enfim, pode ser só por causa disso, né? >> Perfeito. >> Mas enfim, eh, vamos lá. Antes de antes da gente prosseguir, o Narnia King, ele mandou mais quatro R$ 4 aqui para nós. Então, vamos lá.

¶55Eh, vou voltar aqui para tocar. Vamos lá. aqui. Vamos lá botar para tocar aqui. >> Pode vir ponderé, pode vir qualquer o mais [música] proeminente, o mais prolo do filósofo.

¶56Isso aí vai ser apenas filosofia, cara. Isso aí não prova nada. Filosofia. Isso aí para mim isso aí não prova nada. Mandou R.

¶57Sunkei, eu vi que autopoes na psicologia, um dos objetos de estudo é a subjetividade humana. Por isso a pergunta, explica pra gente. Obrigado. >> Ele falou que tem relação com a autopoiese na psicologia. Aí ele falou que é nesse sentido que ele tava se referindo à noção de subjetividade humana.

¶58Aí ele perguntou se você poderia explicar um pouco sobre isso. >> Então eu imagino, não sei se é nesse sentido que ele tá usando autopoieses, porque a palavra poeses no grego quer dizer produção, né? Ah, então autopoieses é uma expressão que significa autoprodução, eh, que foi inclusive uma ideia que depois foi adotada pelo pessoal mais ativista, eh, de uma ideia de que a gente se autoproduz enquanto sistema em relação no de cognição corporificada. Aí tem Maturana, tem o Alvanor, tem uma galera assim. >> Isso.

¶59É. Aí eu não sei se necessariamente ele tá pensando nisso, porque uma parte uma parte da compreensão que a gente tem hoje da consciência, da subjetividade, é que ela não é uma coisa meio passiva que simplesmente assimila o ambiente ao redor, mas ela produz o ambiente e se produz, né, digamos assim. Então é uma autoprodução, uma uma subjetividade que se constitui. Então assim, a subjetividade não nasce pronta, ela vai se constituindo na sua interação com o ambiente. Então essa ideia de autopoieses tem no Francisco Valero, o pessoal assim, eh, então auto autopoes, autoprodução.

¶60Então, acho que ele tem em mente, talvez isso. E é uma noção de subjetividade, de consciência menos estática, eh, e mais constitutiva ou construtiva. Mas tem mais, tem mais perguntas da que você te comentou que vai mandar. >> Não, não, não, por enquanto ainda não. Vamos conseguir aí.

¶61>> Por enquanto é só essa. >> Ah, perfeito. Vamos lá. Vamos. >> Perfeito.

¶62>> Agora o Misa. Vamos ver o que que o Misa vai argumentar aqui. >> Que também que não é inclusivo, também é baseado no, não é o cristianismo naquilo que Jesus falou, porque Jesus não é cristão, né? Jesus ele morre antes do começo do cristianismo, né? O cristianismo é uma construção que vem muito posterior, vem posterior a ele, tanto por Paulo quanto pelos outros discípulos ali.

¶63E que querendo ou não, o texto é como tá hoje, por mais que vocês que a gente possa afirmar que ah, mas essa não é uma tradução correta do termo, a leitura que se faz desse texto não é uma leitura inclusiva. E como a gente já debateu no outro bloco sobre fundamentalismo, a gente cai no mesmo problema. Essa é esse é o grande problema. Esse texto ainda vai serir dessa forma. E por conta disso, as religiões cristãs que a gente tem hoje, como a Michele falou, hegemônicas, elas têm uma visão que não busca inclusividade.

¶64Eu tenho até um seguidor nosso, que é um amigo, um grande amigo nosso, que ele sempre fala assim: "Não existe igreja inclusiva. Por mais que a igreja se diga, nós somos inclusivos", eles são exceções à regra. Existem sim igrejas que são inclusivas, mas a maior parte desse dessa busca que a gente tem na nossa realidade atual mostra que não. Essas pessoas elas toleram a existência de minorias, elas toleram a existência de pessoas do LGBTQI a mais eh perdão, desculpa, LGBTQI a mais. Então, se a gente não tem essa essa inclusividade real e o texto também não reforça essa ideia de inclusividade justamente porque não é só Jesus, apesar de se >> é esse ponto da da tolerância que ele tá falando, aquela tolerância tipo que imagem, que imagem, >> aquela tolerância soft, sabe?

¶65É tipo aquela coisa, eu aceito você participar da minha igreja, eu aceito, no caso, você congregar aqui, eu aceito você fazer essas coisas, mas sem esses comportamentos homossexuais se contém aí, né? Isso daí não é aceitável moralmente falando. Não é aceitável moralmente falando você se expressar, expressar sua, enfim, a quem você é, né, em termos de orientação sexual e de ã e de comportamento, né, no caso ali vinculado com essa sua orientação sexual, né, esses comportamentos não são aceitáveis, tá? Então você tem se você é aceito aqui, né, tendo essa orientação, mas se contém, etc e tal, né? Então a gente vai tolerar você nesse sentido.

¶66É mais ou menos nessa ideia que o MA tá comentando. >> Sim, sim. Tem tem inclusive a uma fala bem exclusiv excludente, né, que é tipo assim, a gente aceita a pessoa, mas não aceita o comportamento. E o Iago Martins, né, recentemente se tornou polêmico na fala dele, que ele diz assim: "A gente sei se é homossexual não é pecado, o pecado é a prática". O Iago Martins falou essa frase, isso gerou um au na nos teólogos.

¶67Fal, não, ele não quis dizer como sexualidade não é pecada. E aí o Martin teve que explicar o óbvio. Eu não tô, eu tô falando que simplesmente ser uma pessoa que nasceu com orientação homossexual não é o pecado. O pecado da pessoa ir lá e viver de acordo com essa orientação, porque a orientação ela não escolhe, ela só nasceu assim ou ela cresceu assim, sei lá, isso não é uma escolha dela. Então isso não pode ser o pecado.

¶68O pecado é que ela pratica. O Iago, exatamente. O Iago Martins, ele, tipo, ele tem um nível de tolerância maior, um pouquinho maior, mas ainda assim tem uma visão excludente, ainda assim uma visão que favorece a opressão das pessoas, a repressão sexual e etc. >> E para você ver mesmo essa fala do Iago Martins causou uma revolta entre um monte de pastor tradicional, conservador, falando: "Não, o que mars >> é até o até o Fujita comentou sobre isso daí". Aí você fez dis que uma fala normal assim, mas o pessoal fez a >> fez a >> foi uma fala que tipo devia ter considerado normal até mesmo entre os mais conservadores assim ou algo assim >> ah o c o nível da intolerância para ver o nível da intolerância o nível da indisposição a aceitar esse tipo de coisa, né?

¶69Mas enfim. >> Aham. O Catecismo da Igreja Católica também fala a mesma coisa, né? O que t da Igreja Católica fala assim: "Não se deve ter nenhum tipo de atitude discriminatória ou preconceituosa em relação aos homossexuais. A orientação deles é desordenada em relação à natureza, mas o pecado é a prática".

¶70Então eles não devem viver a prática da homossexualidade, mas nós devemos tratar a pessoa homossexual como alguém que deve ser aceito, acolhido, compreendido. Só que isso é uma coisa bem curiosa, né? Porque é uma separação muito forte entre a orientação e o modo de viver da pessoa, né? que não é uma coisa que tão tão claramente distinta assim, né? A orientação sexual ela ela é um conjunto de disposições.

¶71Ah, e se você fala assim, essas disposições não podem ser expressas, não podem contrar expressão, é meio estranho você falar assim: "A gente aceita a disposição, mas não aceita o comportamento, né? Isso não faz o menor sentido. Sei lá, eu aceito a existência da de uma disposição, mas eu não aceito a expressão dessa disposição, que é o que é a expressão comportamental. Isso é muito, isso é um discurso muito estranho, muito ambíguo, né? Uma expressão também que os cristãos às vezes usam, né?

¶72Deus ama o pecador, mas odeia o pecado, que é aquela separação rígida de novo, né? Entre ser. É, então, tipo assim, é um é um tipo de discurso extremamente excludente que inclusive é ambíguo, porque, sei lá, eu eu aceito o que você é, mas não o que você vive. como se tivesse uma separação muito clara ou rígida entre ser e viver, comportar, modo de vida, como se as coisas estivessem toda entrelaçada assim, né? Então, eh, eh, é um tipo de exclusão de, eu acho, talvez essa coisa, nós toleramos as pessoas LGBTs, talvez nesse sentido.

¶73Elas existem, não tem o que fazer, mas então a gente vai dizer para elas, você pode ter existir, mas você não pode viver o que você é. Assim, você é só só, >> ou seja, você tem que se reprimir. Você tem que viver reprimir. >> Isso. Abafa tudo que você é.

¶74Você tem que viver num exercício constante de abafar tudo que você é. Exato. Isso gera o quê? Sofrimento na pessoa. >> Sofrimento >> e sentimento.

¶75>> Talvez seja até mais traiçoeiro, né? Porque se a pessoa falar assim para você, se é homossexual é pecado também, então eu vou dizer assim: "Olha, se eu não consigo mudar em mim, então nem vou tentar ser cristão, porque como que eu vou ser de uma religião que eu não tenho como mudar? A religião exige que eu mude uma coisa imutável, exige que eu mude uma coisa em mim que não dá para mudar". Então assim, o se eu fosse tal pensasse assim: "Ah, então para que que eu vou ser dessa religião, né? Eh, agora essa pessoa diz: "Não, você pode ser, mas o comportamento não se expressa." Então, parece até mais traiço nesse sentido, porque eh acaba que você fala assim: "Não, então existe uma chance para mim, eu ainda posso estar lá, mas eu posso estar lá desde que eu abato tudo que eu sou".

¶76Então, tipo, é bem bem complicado isso daí. >> É bem bem triste mesmo essa linha de raciocínio. Mas é isso aí. E é esse ponto que o Misa tá colocando, né? que boa parte dessas igrejas, até mesmo algumas que se dizem inclusivas, se diz inclusivas nesse sentido, né, de tolerar, de tolerar >> minimamente, né, não deixar as pessoas se expressar, né, em termos da sua, as suas disposições >> perfeito.

¶77>> sexuais, espalmente. >> Perfeito. >> Uhum. >> Não, mas Jesus aceitava todos. Jesus não tinha discriminação com todos.

¶78Isso é verdade. Paulo é uma figura muito mais presente dentro das igrejas. É Paulo que as pessoas seguem hoje, muito mais do que o próprio Jesus. E Paulo ainda é uma pessoa da sua época, com uma visão de mundo muito restrita à sua época, com uma ideia de moral da sua época que vê certos comportamentos como desvios morais que hoje a gente entende que não são, principalmente pelo pelo conhecimento científico que nós trouxemos até hoje. Então a busca pela inclusividade das igrejas é uma necessidade para que ela sobreviva.

¶79Então se muda o discurso para se tolerar, porém não para se aceitar completamente. E é por conta disso que o cristianismo, por mais que tente ser e que tenha exceções que comprovem a regra, no final das contas acaba sendo não inclusivo. Cafezinho que vocês vão falar, [risadas] amigo. >> Eu acho que é interessante que até mesmo na aclaração do porque eles concordam com a afirmação, eles já estão discordando da afirmação. Eles já começam dizendo que não é o cristianismo em abstrato, e sim correntes vencedoras ou as correntes que têm força de conseguir impor a sua verdade, que são as que não operam a que não são.

¶80É, não é que eles estão, não é que eles estão concordando, discordando da afirmação, é que se você qualifica a afirmação, é porque a afirmação solta, sem uma qualificação, fica de fato difícil de você eh fica difícil de fato de você avançar um ponto, né, específico, né? Eh, então no caso, a questão deles é muito mais com aspecto geral do cristianismo, não exatamente com cristianismo no aspecto total, né? abarcando inclusive ali ah correntes, como no caso do André e do Mineiro, né? H o intuito deles é ilustrar qual que é a tendência e o aspecto geral do cristianismo e que esse aspecto geral é não é não inclusivo e que no caso você que propõe uma teologia inclusiva, você vai nadar contra uma maré dos quais você não vai conseguir rebater, né? Você não vai conseguir superar isso, né?

¶81Porque no caso ali ah os próprios textos religiosos, como a gente comentou no na análise passada, certos textos religiosos, como no apedrejamento de homossexuais e tudo mais, né, sobre a condenação das relações sexuais homoeróticas, né, e coisa e tal, mesmo que não houvesse o termo homossexual, qualquer coisa assim, né, que foi noção de identidade de gênero, noção de orientação sexual, mesmo que não houvesse naquela época, ainda assim havia uma condenação moral de de certos tipos de relações sexuais e que, nesse caso, contribuem para um tipo de interpretação muito mais vinculada com aquilo que predomina, que é o cristianismo. Não inclusivo que foi referido pelo Misa e pela Michele do que simplesmente o de vocês. E vocês estão nadando contra maré. É que nem você pegar um balde, né? Um balde da água para tentar parar uma tsunami, né?

¶82Simplesmente não vai dar certo. Você vai ser levado pela tsunami junto. É basicamente esse o ponto. >> Perfeito. >> Exclusivas, né?

¶83Eu acho que é mais interessante, ademais dessa oposição ética da qual eu concordo, de criticar as tradições hegemônicas do cristianismo, da sua violência e e de como elas não incluem alguns grupos que são que são colocados pela própria tradição enquanto grupos pecadores, não merecedores da comunhão ou da vida comunitária da igreja. Eh, é mais interessante a gente tentar perceber os mecanismos que e como esses mecanismos de inclusão e exclusão funcionam como ah pequenos salários psicológicos dentro de uma situação periférica já completamente catastrófica. Eu tô citando aqui a ideia do sociólogo estadunidense do Moiz, que ele falava que o trabalhador americano ele tá tão ferrado quanto o trabalhador, o trabalhador branco-americano tá tão ferrado quanto o trabalhador negro americano, mas ele tem um pequeno salário psicológico de que pelo menos ele diz: "Ah, pelo menos eu não sofro como os negros", né? E eu acho que esse essa forma como, sobretudo as igrejas de tradição evangélica pentecostal, a forma como eles lidam com esses grupos é muito parecida com esse pequeno salário ah de pelo menos eu não sou assim. É claro, com isso eu não quero validar a violência que é produzida a partir disso, mas fazer a gente pensar criticamente qual é o a razão a que tá por detás dessa dessa violência e para que a gente possa na nossa prática ir até o fundo dessa razão, ou seja, entender porque as pessoas acreditam nisso, quais são as razões para que elas acreditem assim e para que a gente possa na nossa prática combater isso, não simplesmente negando a fé das pessoas, mas disputando aquilo que elas entendem fé.

¶84Porque ao mesmo tempo em que a fé ela produz um tipo de racionalização da vida, ou seja, ela dá asc os caracteres, os signos, a gramática para que a pessoa organize a sua existência, ela também mitifica uma série de práticas, ela também mitifica uma série de coisas. E é claro que dentro dessa mitificação, sobretudo, as mulheres e a comunidade LGBT ficam no espaço aonde ele e no espaço afastado de ah, no caso das mulheres, de subserviência ao homem, no caso da do da comunidade LGBT, da negação da sua própria existência. Então, quando foi feita a afirmação, eu já fiquei. >> É, eu não sei se eu você chegou a pegar bem o ponto dele. Eu não sei se eu peguei bem.

¶85>> Então, tem não entendi onde que ele foi, né? Porque el ele estou do BO lá sobre salário psicológico, como se alguns grupos a gente pensa pensa no trabalhador negro, no trabalhador branco. não é que a condição social deles é economicamente diferente no ponto material, talvez, mas talvez no sentido de que um tem uma uma uma recompensa de prestígio social que o outro não tem e que isso cria uma espécie de sensação de satisfação psicológica por Mas eu aí eu tô tentando entender onde que isso lica exatamente no caso do do de haver correntes no cristianismo que que a que são talvez ele esteja falando que tem correntes inclusivas e correntes exclusivistas. Eu não entendi se é porque as correntes inclusivas, >> eu não sei se ele tá estabelecendo um paralelo entre os casos dos negros e dos brancos com o caso das correntes exclusivas, inclusivistas e a situação das pessoas minoritárias. Eu tentei achar algum link que desse para pegar, que talvez ele esteja dizendo >> que as pessoas têm uma espécie de satisfação psicológica por não estar numa situação pior.

¶86Eu não entendi muito, na verdade. Eu me perdi um pouco nisso. Eu eu >> eh eu também achei meio confuso. Não sei se eu peguei bem o ponto, mas acho que é mais ou menos por aí, né? Ah mais ou menos por aí.

¶87Mas eu achei isso estranho. Eu eu eu acho que é isso tem muito mais relação na real. a facilidade desse tipo de interpretação ganhar atração em virtude de versículos bíblicos que abrem margem para isso e tornam mais razoável interpretações mais exclusivistas do que simplesmente no caso esse cambalacho todo que ele colocou aí. Eu acho que é mais o fato de que ah existe isso, né? E existe também as inclinações tribalistas nossas, né, em virtude de fatores ali, principalmente principalmente neurobiológicos, né?

¶88Ah, ali, né? nós temos essa inclinação a a enfim, a tendermos a nos apegar demais com as pessoas que são mais próximas a nós e que apresentam características semelhantes a nós, né? Do que simplesmente pessoas de um âmbito muito distante ou que apresentam características muito distintas do meio do qual a gente vive, né, do qual nós convivemos e coisa e tal. E eu acho que isso daí tudo contribui para uma explicação do porque que surgiu esse tipo de interpretação em primeiro lugar. Mas o aspecto da espiritualização é o que favoreceu a o enraizamento desse tipo de crença e no caso essa aura de espiritualização nos textos de forma a tornar no caso, as discordâncias que poderia ser mé discordâncias de interesses, né, como uma discordância mais profunda de princípios morais, né, princípios morais ali negociáveis, né, de que relações homoeródicas são inaceitáveis por princípio, né, que no caso ali e Deus Deus mesmo que revelou isso para essas pessoas, né?

¶89Deus mesmo que condenou essas coisas para elas, né? Então, na verdade que isso se estabelece, isso se firma cada vez mais correntes exclusivistas dentro do cristianismo, cada vez mais que esse tipo de interpretação se torna corrente, né, e mais facilmente palatável para as pessoas, né, do que simplesmente uma interpretação mais exclusiva, mais inclusiva. Eu acho que isso, essa é uma explicação melhor do que simplesmente esse esse cambalcho todo da relação entre ah pessoas negras, né, que trabalhadores em situação ali de ah precárias, né, de trabalho precário, né, e e que são brancos em detrimento e e em relação a trabalhos são negros e que no caso, pelo menos o branco, ele se sente aliviado porque não sofre as mesmas opressões que o negro >> se sentir ali numa posição de numa posição de poder se sentir numa num âmbito de enfim eh superior ou algo assim, enfim, alguma uma coisa assim nesse gênero, né, que foi mais ou menos um pouco dele. Acho que >> é, então é, ele falou um pouco de ele usam sociolog um pouquinho assim. Eu acho que ele quis dizer alguma coisa talvez como assim, né?

¶90que ele citou assim: "A religião cristã é formada por pessoas trabalhadoras em situação precária e talvez para que essas pessoas se sintam bem ou ten uma satisfação psicológica, eh elas adotam mecanismos de exclusão, porque quando você tem uma pessoa excluída, você pode dizer assim: "Eu estou num lugar melhor do que aquele que tá excluído". Então, eh, sei lá, mas é estranho. Não sei se é tipo assim, a, a, o cristianismo, os cristãos excluem para que possa haver um certo conforto psicológico, porque o cristianismo é uma religião formada por trabalhadores precarizados. Ah, não sei se ele quis ir por esse caminho. Tanto é que ele teve todo o cuidado de falar assim: "Eu não estou dizendo que isso justifica, né, a exclusão, mas eh tá daria uma explicação do por que há essa exclusão no cristianismo." Mas eu acho que a explicação que você deu é muito mais provável de ser o caso que a exclusão existe, porque a religião cristã ela se constituiu, né, inclusive com base em vários textos bíblicos que são excludentes, que falam que a mulher tem que ser submissa ao homem, que falam que o escravo tem que ser submisso ao Senhor, que fala que o filho tem que ser submisso ao pai e que >> é dos quais a interpretação é é dos quais as interpretações de em termos de valor de face >> mais palatáveis, né, são aquelas que interpreta de forma mais direta, né, nesse Nesse sentido do tipo, pô, tá falando ali que é para apedrejar homossexuais, então apedrejar mesmo.

¶91Ah, pô, é para condenar relações homoóticas, então é para condenar mesmo. Tipo, um negócio assim, uma interpretação de valor de face é mais palatável, né? >> Não é sim, sim. Você você abre Efésios capítulo 5, verso 22. Mulheres, sejam submissas aos vossos maridos.

¶92Você abre Colossenses 3:22. Escravos, sejam submissos seus senhores. Eh, aí você fala a ou seja lê Levítico 20:13. Se um homem se deita contra o outro homem, ambos devem ser mortos. É, tá escrito, é a leitura mais mais simples, mais fácil.

¶93Agora, para outra chegar, para outra pessoa chegar e fala assim, não, lá em Efésios, capítulo 5 verso 22, tá escrito para as mulheres sejem serem submissas, mas os homens também têm que ser submissos às mulheres. É uma submissão recíproca. Lá em Colossenses 3:22 tá falando escravo, mas é porque na época eh o apóstolo Paulo tava dizendo para pros escravos não se revoltar para não causar problema, alguma coisa assim, mas não é porque apoia escravidão. Aí você vai dar um explicar, é igual tentando brincar um pouco assim, né? Mas é igual podia ter que fazer um vídeo de duas horas para explicar os textos bíblicos sobre escravidão, mas qualquer pessoa que abre e lê [risadas] assim, né?

¶94Para aí você tem que dar uma explicação de umas duas horas só para pessoa entender. Ah, não, tem uma outra leitura. você olha o contexto que não é bem assim, que esse texto, se você olhar no grego, no hebraico, se você pensar na cultura da época, mas assim, a maioria dos cristãos, eles abrem a Bíblia e entenderem que a Bíblia é a revelação de Deus e só leem. Eh, dificilmente a minha tia que vai na igreja para que que acredita que a Bíblia a palavra de Deus, >> quanto quando se trata de escravidão, como é uma coisa amplamente já condenada, né? modernamente é um caso eles tentam fazer um, eles tentam fazer um malabarismo porque nem eles é porque vai contra a intuição moral deles, entendeu?

¶95Vai contra intuição moral da maioria das pessoas contra intução moral. >> É, e aí favorece com que essa pessoa ela reflita um pouco mais e faça um malabarisma ali para, enfim, interpretar de um outro jeito. >> Mas é porque fortemente vai contra a intuição moral delas. Agora, com relação a elas não têm uma intuição moral muito forte em favor de aceitação de pessoas LGBTs, porque elas não acreditam eh porque elas geralmente acreditam que existem características moralmente relevantes vinculadas com esse aspecto que torna razoável essa essa discriminação e principalmente em virtude de ser sancionada pelo próprio Deus, né? E como não envolve não envolve tipo eh, por exemplo, apedrejar genamente ou algo assim, algo que eles eles mesmos condenariam hoje em dia, em virtude das intuições morais deles, mas em outras questões onde não tem esse âmbito muito cruel, etc, né?

¶96Muito muito trástico, em virtude de várias coisas, né? >> Isso favorece eles terem essa leitura menos literal, né? >> Então, nas circunstâncias, OK. ganhare frias. >> Lançamento pro campo de ataque do Santos.

¶97>> Como é que é? Deixa eu ver. Furacão. >> Furacão. >> Ah, furacão mandou aqui.

¶98Mandar aqui. [roncando] É, acho até que o Maral não dava, mas como o Capage vai pra bol direção elecendo perigosamente pode [música] qual é o mais proeminente, o mais prolído do isso aí vai ser apenas, cara. Isso aí não prova nada. Filosofia aí para mim isso aí não prova nada. >> Furacão 2000 mandou R.

¶99Vejam o que o Tas postou há pouco no YouTube. Atitude louvável. Suspeitarão de processo, mas a verdade é que o efeito jurídico do pedido de desculpa seria pequeno ou nenhum. >> Ah, depois eu vejo isso daí, tá? Depois eu vejo.

¶100Ah, deve ser a polêmica do do com Fugita. [roncando] >> Ya, eu sei que tem >> que ele também falou uns negócios lá para mim, né? Enfim, ele tava lá no meio da live dele, me chamou de mentiroso, aí, enfim, mandou uma ameaça de agressão física lá, uma vez um bagulho assim, mas enfim, deve ter pedido desculpa aí com medo de processo, eu acho. Acredito eu, né? Não sei.

¶101Mas enfim, >> bora. >> Uhum. Bora. Logo de cara aentar meio que é aí a Michele pegou e virou para mim. Eu vou se discordar.

¶102Difícil discordar assim, né? Porque é isso. Não, não, porque porque a afirmação foi o cristianismo, não foi o cristianismo hegemônico. Se se fosse o cristianismo hegemônico, aí eu acho que que eu sentaria assim. na afirmação não apareceu o cristianismo hegemônico.

¶103Eh, e o próprio Misa falou antes de uma configuração do cristianismo atual com uma simbiose com o o capitalismo. Assim, Walter Ben, um pensador do século passado, ele também falou, né, que a história do do cristianismo moderno é a história do seu parasita ou capitalismo. De alguma forma, eh quando a gente tá falando de cristianismo hegemônico, ainda é difícil de de separar o cristianismo do modo de exposição que a gente vive e da especificidade de como que a relação econômica se dá no contexto atual e no contexto brasileiro que a gente tá falando. a gente tá falando principalmente da inclusão de igrejas evangélicas no cenário brasileiro dentro de uma realidade neoliberal. É, que que tem um um hum eu acho meio complicado.

¶104Eu acho que os contraerexemplos que a Michele trouxe voltam com tudo com relação a isso, né? H, e também os pontos, né, relacionado a à maneira como esse tipo de esse tipo de interpretação, ele perdurou por entre outras épocas passadas, né, na onde o capitalismo não era firmado propriamente, né, ainda. >> Então, sei lá, eu acho que tudo isso milita contra essa ideia de que é só por causa do modo de produção e das relações de produção capitalistas, né, que no caso surg esse tipo de interpretação que serve para legitimar, no caso, a posição dominante de uma certa classe dominante, blá blá blá. Eu acho isso meio sabe, acho meio complicado, >> então, né? É a a ideia de que a mulher deve ser submisso ao homem, né?

¶105Ela é compartilhada pela história, quase história inteira da humanidade e quase por todas as culturas com as mais diversas organizações sociais. Eh, então assim, sei que não é uma uma a melhor expressão, né? Mas eh as pessoas dizem, né? O patriarcado ou a ideia da submissão feminina ou dominação masculina é a coisa mais antiga e universalmente presente nas culturas. Uma das coisas mais antigas e universalmente presente nas diversas culturas que é dar um lugar inferior à mulher.

¶106Talvez não necessariamente iss usa a expressão patriarcada como uma estrutura forte nesse sentido, mas a ideia de de concepções de que a mulher tem um lugar inferior ao homem de e essas coisas é uma coisa antiguíssima que você encontra em tudo quanto é cultura, em tudo quanto é sociedade capitalista e não capitalista. Aliás, né? Uma coisa fácil de fazer perceber isso é perguntar qual regime socialista foi governado por uma mulher, qual revolução socialista foi liderada por uma mulher, tipo assim, mesmo e depois mesmo que se estabeleceu a União Soviética, a União Soviética permaneceu na mão eh do Stalin, a a Coreia, a Coreia do Norte agora que a Coreia do Norte tá pensando, quem sabe em colocar uma mulher no poder. Isso a gente nem sabe se vai acontecer. pensando, pensando ainda nem sabe se vai >> pensando.

¶107Pode ser que a filha lá do Quin chega ao poder, mas quem sabe? Então, ah, então assim, é, tanto essas exclusões, elas não são características do capitalismo, já existiam antes, existem sociedades não capitalistas e eu acho que muito menos de alguma coisa chamada neoliberalismo, né? que o neoliberalismo, segundo as interpretações, existe da desde a década de 70, eh, que é uma coisa bem recente, é que neoliberalismo palavra que as pessoas usam igual ideologia de gênero, que você não sabe muito bem o que elas querem dizer, mas é na dúvida >> e pedir pra pessoa definir o que ela quer dizer, né, para você entender mais ou menos que >> na dúvida isso, na dúvida é tudo culpa do neoliberalismo hoje em dia. É tudo culpa, é tudo culpa do ne igual para Então assim, mas que é exatamente o que que é neoliberalismo, mas assim >> fascismo ou que as palavras estranha >> biologia de gêno geralmente é usado a >> alguns a um sentido talvez mínimo de neoliberalismo é a ideia de que eh sei lá uma fase do capitalismo pós década de 70 marcado por uma maior eh uma uma maior política de acabaro fiscal de de restrições fiscais do Estado, coisas assim. E que é difícil também ver o que que isso exatamente tá ligado a essas exclusões machistas, homofóbicas, que não é não é específico do neoliberalismo, talvez talvez alguém pudesse falar que elas se intensificam de alguma maneira ou algo no sentido nesse sentido ou que o capitalismo intensificou um pouco mais essas relações, mas mesmo assim eu acho que é bem estranho talvez argumentar por aí.

¶108Eu acho que não sei se se dá para argumentar mesmo que houve uma até mesmo a tese da intensificação é estranha, né? Então assim, é bem complicado. São teses assim muito fortes, com pouca evidência, né? Porque isso é uma uma questão de afirmação empírica, né? Eh, então teria que ser uma coisa mais mensurável assim, mas são teses meio faladas, sem muito perguntar assim, mas de onde vem os cidados?

¶109Por isso que eu perguntei as condições de falceamento da da tese dele, o que ele tá propondo para ilustrar a credibilidade dela, >> a relevância epistêmica da TES. >> Sim, sim, exatamente. >> Ficar só desmotivado. >> Uhum. discurso de ruptura total e de micro mundos que as pessoas vão ser ah, como que eu posso dizer, autopromovendo assim, tipo, sem um tipo de contato.

¶110Pera que deu uma aí voltou voltou >> travada, >> possibilitando exatamente a construção de uma realidade nem um pouco inclusiva, ainda que a lógica do indivíduo nunca se tenha feito tão presente quanto na sociedade neoliberal, assim, ou pelo menos enquanto discurso, né, do do do da identidade do ser humano assim e da sua individualidade. Então eu eu diria que, OK, o cristianismo hegemônico eh que se dá dentro dessa lógica econômica específica, pô, ele não é inclusivo. Então, a há de propor algum tipo de expressão nova. Agora, você também assumiu que de alguma forma existe algum tipo de experiência cristã que é inclusiva, citando Cristo, Jesus Cristo, assim. Eh, então tenho dificuldades de de colocar isso enquanto uma uma realidade total, mas é verdade que existe algum tipo de expressão não inclusiva.

¶111Por isso estamos aqui de alguma forma tentando falar: "OK, somos cristãos inclusivos e a gente quer dialogar com com pessoas que estão marginalizadas na sociedade capitalista que a gente vive". Eu já quero começar que eu acho eu acho [limpando a garganta] importante a gente que o nosso querido colega fez a provocaçãozinha assim ali no início. Ah, eles concordaram. H, eu vejo o o cristianismo de praticamente três maneiras, tá? Ele enquanto teoria, ele enquanto mitologia e ele enquanto aplicado, tá?

¶112E a minha dúvida ao caminhar aqui paraa frente foi: "Eu estou respondendo ao quê? A ele aplicado, ao que está escrito, ao que Jesus ensinou? A a por isso que eu fiquei naquela vou, não vou." Então eu fui, tá? Como eu sou uma pessoa mais pragmática, eu vou para aplicada. de maneira aplicada na nossa sociedade, o cristianismo não é inclusivo.

¶113Todas as tentativas de inclusão são rechaçadas pelo hegemônico, né? Viram viram pautas de discussão. Inclusive esses cristãos que acolhem são vítimas de perseguição, CPI, processo, ridicularização e rede social, tudo, tudo que a gente puder ver, esses cristãos viram alvo disso, né? Então, o que que da maneira que eu vejo o cristianismo enquanto Jesus, o cara poderia ser muito inclusivo, poderia ser inclusivo, inclusive a ponto de nós pensarmos em como acabar com a fome, em como acabar com a miséria, em como acabar com acúmulo de capital, em como deixar na mão do trabalhador os meios de produção. A gente poderia pensar nisso.

¶114Uhum. Mas no momento em que, e aí eu me colo um pouco na fala do mesmo, que eu diria que a gente segue muito mais do que Paulo escreveu do que o que Deus falou, do que Jesus falou, entendeu? Eu fico não, eu tenho um questionamento assim de tipo assim, quem que escreveu que ser gay era errado no Novo Testamento? Nem foi Paulo, [risadas] mas a mas a galera, as cartas de Paulo são usadas como tal, né? >> E aquela coisa assim, é meio que quase uma falácia do do a falácia do cristianismo verdadeiro.

¶115Afinal, qual é o cristianismo verdadeiro? Se o que venceu e que tá hegemônico hoje pode ser lido como verdadeiro, vocês vão definir como qual que é o verde. >> Mas eu diria até que até o hegemônico ele é composto por inúmeras vertentes. Então até ali a gente tem dificuldade de dizer qual que é o verdadeiro. Até foi engraçado que >> existe isso também, sei lá.

¶116Não, mas vocês estão dizendo que não é aquele que >> Então qual qual seria o qual seria o cristianismo verdadeiro? Seria o anterior ao concílio de Niceia? O depois seria o depois do movimento protestante? Seria o o que invadiu o Brasil? O cristianismo verdadeiro com certeza é teologia da libertação, [risadas] né, gente?

¶117Não é um fato. É um fato. Qual que é o cristianismo verdadeiro? Porque eu defendo, mas é isso, é isso. É, é esse a experiência inclusiva de Jesus de Nazaré no cenário latinoamericano.

¶118E eu enquanto teísta [risadas] acho que nenhum verdadeiro e tal, que é essa que que é essa minha questão é tipo assim, vamos pegar a teologia da libertação, como que a gente consegue então trazer essa? Eles estão brincando assim, mas isso é o problema da subdeterminação, né, que a tá relatando. Perfeito. >> Esse é o problema da subdeterminação. E o teólogo ele falou em tom de brincadeira, mas ele tem que defender isso para avançar, interpretar dele como a >> como credível.

¶119>> Ele tem que assumir que a a interpretação dele em termos de teologia da libertação é a verdadeira, é a correta. Perfeito. Senão simplesmente não vai não vai ganhar atensão, não vai ter credibilidade nenhuma a visão que ele tá defendendo. Ele tem que defender que a visão dele é correta. >> Uhum.

¶120Perfeito. >> Visão para o que hoje está hegemônico. Para o que hoje está no poder. Vocês conseguem dizer que Paulo não quis dizer que ele era contra uma relação homosexual, por exemplo? Vocês não podem falar isso.

¶121É uma subdeterminação do texto. A gente não tem como chegar. >> Ó lá. Misa já trouxe subdeterminação >> no contexto no contexto certo. >> No contexto certo.

¶122>> Conta Paulo, é sobre isso. Tá falando é sobre uma relação homossexual. Interpretação que vai derivar daí. >> Não, mas pera aí. A gente não consegue falar o que ele queria propor, mas a gente consegue falar o que ele não queria também.

¶123Entende? Entende a diferença? >> Não numa leitura exegética, você consegue estabelecer um mínimo de critério possível [risadas] para falar: "Tá, isso aqui não tem como ser. Essa sugestão aqui não é possível". Agora falar que o autor quer dizer algo, dizer que ele não era um homofóbico, por exemplo.

¶124Eu eu não consigo afirmar isso, mas eu consigo afirmar que o texto não está falando sobre tal coisa que que até porque nem existia enquanto identidade. Isso >> é, tem medo de você tentar mitigar a subdeterminação, né? >> Nesses contextos, >> principalmente em termos de metodologia ali, né? Com método histórico crítico, você tem alguns critérios, você tem alguma maneira, algumas maneiras de se avaliar, você tem, no caso, a teoria de, enfim, você tem, no caso a teoria de probabilidade de fundo, né? Uma teoria de confirmação baesiana de fundo ou qualquer coisa assim, né?

¶125que são recursos, ferramentas ou elementos, >> né? Eh, instrumentos ali que ajudam, no caso, uma exegese mais apropriada, fornecimento de explicação, né, inferências para melhor explicação do que que explica, o porque que tais textos foram escritos, né, o qual a hipótese que melhor explica, né, ali em termos do que que de qual poderia ser, enfim, qual que poderia ser o a interpretação mais apropriada, né, naquele contexto, né, e coisa e tal. Você pode ter trazer essas várias ferramentas, esses recursos para tentar tornar ali mais palatável uma dada de interpretação, mais razoável, mais provável, uma dada interpretação ou conjunto de interpretações. Você pode fazer isso, mas ainda assim não vai ser suficiente para defender o que vocês querem. Não vai.

¶126>> Não, inclusive, inclusive quando é o aspecto da teologia, eu acho que o problema até mais grave, porque, por exemplo, né, eu que estudar a Bíblia de uma perspectiva mais acadêmica, histórica, crítica, eu parto do pressuposto de que os textos bíblicos eles não precisam concordar entre si. de que você pode ter diferentes visões na Bíblia. Então, se alguém me perguntasse assim: "Ah, o que que a Bíblia fala sobre o que acontece depois da morte?" Ou o que que a Bíblia fala sobre se Deus, como é Deus, quais são os atributos de Deus, eu falaria assim: "Olha, depende de qual autor, de qual livro da Bíblia você tá falando". Agora, as teologias cristãs, elas costumam partir do pressuposto de que a a Bíblia lida como um todo, ela precisa te dar um conjunto de doutrinas eh as quais você deve se subscrever. Então, mesmo que a gente tenha vários autores, vários textos, é, de diferentes períodos, esses textos eles têm que ser compatibilizados num sistema único, numa teologia única, que seria aquela teologia que melhor expressa os dogmas e doutrinas que a Bíblia prescreve.

¶127Eu acho que isso nunca vai dar certo, porque o pressuposto desse tipo de concepção está errada desde o princípio. Eh, e sempre vai ter um problema, porque como existem vários autores com diferentes concepções, toda a teologia cristã, ela vai ter que fazer uma coisa mais ou menos assim, ela vai ter que selecionar os textos que ela vai dar prioridade a depender daquilo que ela vai defender. E os textos que que defendem opiniões diferentes, eles precisarão ser reinterpretados. Então, toda a teologia cristã vai excluir um conjunto de textos para ser reinterpretado, porque não existe essa coisa de uma visão bíblica única. Então, tentar construir uma visão bíblica única te obriga a ter que reinterpretar certos textos.

¶128Então, por exemplo, um teólogo da libertação, um teólogo mais inclusivo, ele vai ter que falar assim: "Olha, ele vai preferir os textos bíblicos que parecem mais inclusivos. Jesus de Nazaré, é, incluindo as prostitutas. Já os textos que não são inclusivos, como Paulo condenando relações homoeródticas, eles vão ter que, digamos assim, reinterpretar esses textos. Isso é uma coisa que toda a teologia cristã está fadada a fazer, porque não existe visão bíblica única. Eh, a Bíblia geralmente tem mais de uma visão sobre um assunto >> e como o Te Mineiro quer tomar esses textos religiosos, né, esses textos presentes ali, como sendo >> como sendo no caso de certo modo, como tendo uma teologia de fundo, né, uma teologia política vinculada com ela.

¶129Mesmo nessa ótica, ele vai ter que fazer alguma coisa mais ou menos nessa linha para defender a visão da teologia da libertação dele, acredito eu. Ah, e aí o Sank ele ilustrou, né, de forma prática aqui o problema da subdeterminação nesse texto aqui, tá? Tô mostrando novamente que ele ilustra aqui, ó, dá para você defender o trinitarismo versus arianismo, pegando vários versículos bíblicos similares, se não os mesmos. Você consegue defender isso um e outro. Você consegue defender o infernalismo, aniquil universalismo ao mesmo tempo, da mesma maneira.

¶130Você consegue defender o consciencialismo, mortalismo, da mesma maneira. Você consegue defender o calvinismo e também o armenianismo, que são posições conflitantes da mesma maneira. o sabatismo, dominicalismo, abolicionismo sabático, da mesma maneira e assim por diante, né? Então aqui ele ilustra de forma mais prática esse ponto aí que ele que ele comentou sobre determinação. >> Forma prática.

¶131>> Um salve aí pro cafezinho. Vi que o cafezinho tava aí. A homosexualidade é uma outra é uma tá falando de de povo grego, povo romano, é outra cultura, outra época. Não tem como, é anacronismo. Eu acho que essa essa esse questionamento se eh Paulo disse, Paulo não disse, tá no texto, tá no texto, isso é uma isso é um problema de fé.

¶132Mesmo que você não tenha ou diga que não tenha, mas eh é é um é um uma definição que cabe ao >> Eita, mas usou fé aqui novamente de uma forma solta. >> É de novo. >> O que é fé? >> Usou a palavra fé novamente de forma solta. Outra coisa que eu ia comentar é que qualquer leitura sobre os textos eh é uma coisa que eu ia comentar também é que qualquer leitura sobre os textos bíblicos que que os cristãos fazem é anacrônica, porque a Bíblia não foi escrita pros nossos tempos, a Bíblia não foi escrita pros nossos dias.

¶133Então assim, a Bíblia foi escrita, os os destinatários dos textos bíblicos não foram nossos. Então o cristão, ele precisa fazer um movimento de dizer assim: "Não, esse texto tem que falar alguma coisa para mim vivendo no século XX". Mas o autor bíblico, ele não tava escrevendo para pessoas vivendo no século XX. Então, tanto a leitura inclusiva quanto a leitura conservadora, elas são anacrônicas por definição, porque elas vão ter que atualizar o texto pro século XX. Não tem, não tem leitura bíblica que não precisa atualizar o texto pro século XX, porque ele não foi escrito para nossa, na nossa cultura.

¶134Nós não éramos os destinatários. O autor não escreveu pensando no capitalismo, o autor não escreveu pensando nos homossexuais, o autor não escreveu, o autor escreveu pensando a realidade dele. Então assim, é óbvio que qualquer leitura bíblica que tente aplicar a Bíblia pros nossos dias, ela vai ter que fazer um processo de atualização do texto para as categorias, questões e problemas do século XX. Então assim, Paulo escreveu que dois homens fazer sexo é errado. Por quê?

¶135Porque ele conhecia a cultura romana, as práticas sexuais em Roma, ele conhecia casamento gay, ele conhecia orientação homossexual. Será que o apóstolo Paulo fazia ideia do que que é um não binário, um LGBT? Ele não faz ideia de nada disso. Então, tanto se você vai ler o texto para condenar homossexuais, quanto para não condenar, quanto você vai ler o texto atualizando, seja lá o que que você queira tirar de Paulo pros dias de hoje, vai ser anacrônico, porque a Bíblia não foi escrita para nós, né? Nós não somos os destinatários que os autores bíblicos tinham em mente.

¶136>> Exatamente. >> E aí os teólogos da libertação também vão correndo esse tipo de anacronismo também. >> Exatamente. É porque o o é óbvio que os autores bíblicos não estavam pensando na exploração capitalista, no neoliberalismo, no sei lá. [risadas] Jesus não tem nada a dizer sobre o capitalismo porque não faz ideia do que que é isso.

¶137No máximo a gente pode pensar, vamos pensar princípios que estava por trás do que Jesus pregou. Eu não tenho muito como dizer o que que Jesus acharia do capitalismo, o que que Jesus acharia? Mas assim, é estranha essa pergunta, né? O que que Jesus, um camponês do século I diria sobre o neoliberalismo? Sei lá, [risadas] ser muito complicado.

¶138>> Vamos lá. Vamos lá. Independente, né? Quando você vê uma nota indívido, >> ah, eu acho que é aquilo, eu acho que é isso, óbvio, sobredeterminado por uma série de fatores, inclusive por conta da presença massiva, mediática, de pastores televangelistas e coisas do tipo que estão influindo sobre as consciências. Mas o que eu quero dizer que é uma questão de fé, é que não dá pra gente, sobre critérios argumentativos, críticos, científicos, modernos, eh querer definir qual é a interpretação verdadeira, porque a interpretação verdadeira vai ser vai ser verdadeira dentro de uma vida, de uma experiência vivida, onde o conteúdo aferido pelo texto, mediado pela tradição que a pessoa tá inserida, a tradição cristã que a pessoa tá inserida, é interpretado.

¶139Então, as pessoas leem o texto bíblico sempre sobre as sobre os cotices, sobre as lentes de uma tradição que chegou para ela. Eh, eu não sei se se não tiver uma qualificação pequena nisso, não sei se isso pode acabar num incomensorabilismo cuniano radical como pós-modernos tipicamente, né? E eu e San a gente chegou a comentar isso na live que a gente reagiu aos universalistas versus pósmodernos, né? Isso daí, Pedro Ribeiro junto com a com CRP, né? Frederico crep contra o o Daniel Cidade e o Alves, né?

¶140A gente chegou a comentar sobre isso lá. Deixa eu só colocar. Eu fiz até um corte sobre isso, cara. Até fiz um cortezinho para comentar sobre isso. Deixa eu só colocar aqui aqui o vídeo, colocar ponto aqui rapidão.

¶141Mostrar para vocês, tá? Corte que eu postei, né? que eu fizemos >> aqui, ó. Pós-modernismo, começouismo radical coniano. Vamos lá.

¶142Vamos calma. Vamos lá. Vamos, vamos tentar tentar botar bola no no chão aqui. Vamos lá. Tem qualificação esses discursos.

¶143A gente tem um grau de materialidade, é um grau de evidências que amparam essa qualidade. É. OK. >> Então nós vamos amparar toda uma leitura científica, uma leitura teórica que vai ser o arcabolso que vai conseguir organizar e dar esqueleto, dar suporte para esse nosso discurso. Beleza?

¶144[risadas] objetivo. Eu tenho então estabelecer isso universalmente. OK? Agora isto não vai ser absoluto. Isto não é equivalente a uma lei moral universal.

¶145Isto não é equivalente a ideias. Isto não é equivalente a afirmar que as coisas exção na realidade. [risadas] Se objetividade não significa o discurso para essa realidade que objetividade vamos lá vou dar um exemplo científico. Beleza? Então pro filósof era objetivo que a terra é o centro universo.

¶146Tudo bem entendeu? Era objetivo. Então para você fazer desse [risadas] terra universo. A gente sabe não só que aí essa essa compreensão mudou isso é que era as nossas formas de enxergar o mundo de pesquisar sobre realidade ela mudaram mudou. ap ferramentas, mas eu abro o argumento de qualquer inter estético, ele não era um argumento amparado em evidência necessariamente tudo bem.

¶147OK. Aí vamos lá pr pra física agora. A física de >> aqui é o incomensurabilismo radical o incomensurabilismo radical aqui que ele tá avançando baseado, né? Enfim, que a gente conseguear essa noção, inclusive vinculada com Thomas Kund, né? Então vamos lá.

¶148>> Thomas larga medida. Sim, >> ela é correta, ela é verdadeira, [risadas] ela vai ter ela vai qualquer tempo, qualquer lugar. Ok, beleza? Só que aí a relatividade restrita ela vai derrubar essa rigoraidade porque Newton lá porque Newton para poder afirmar que a terra não entraria aniquilação ou para afirmar que a gravitação universal ela continuava estável para eternidade ele precisava de espaço tempo absoluto de Deus para dar ordem para esse universo. Discordando esse ponto que você tá falando de mudança científica [risadas] falando eu tô falando muda.

¶149Então o critério que minha única preocupação da verdade na questão da verdade. [risadas] A questão é seguação da pandemia teve um movimento >> só para deixar claro, né? que é incomodadismo. Eu vou pegar um texto aqui. Vou pegar o >> Achei aqui.

¶150Só tô terminando de baixar aqui. >> Perfeito. I falar só só enquanto baixa aqui. Até isso é curioso porque você pode inclusive ter essa perspectiva em filosofia da ciência e ainda ser objetivista. Você pode ter até um anarquismo ehpistemológico na na filosofia da ciência e ainda assim acreditar em verdade objetiva.

¶151Sim. No caso, você pode endossar, >> você pode endossar um, você pode tentar restringir o incommensurabilismo pelo escopo de teorias científicas específicas, domínio específico, pode tentar restringir, mas ainda assim é uma visão que motiva uma persis pós-moderno, né, um incomodabilismo certo mod se tornam incomodismo radical. >> Uhum. >> Algo que o John Decaputo, inclusive no capítulo 16 do livro O Mundo Acendeu excesso sobre ateísmo. Eu tenho até leitura comentada aqui, né?

¶152Só para mostrar pro pessoal, só para mostrar pro pessoal que eu tenho leitura comentada. Eh, e perí, tá travado aqui as coisas. Ah, como é que tô baixando? >> Só para mostrar aqui que eu tenho leitura comentada do capítulo >> 16 do livro do mundo né, que é basicamente a versão traduzida do The Cambridge Compan organizada pelo Michael Martin e traduzido pelo Deschel. E nesse vídeo eu comento justamente sobre o Joh, o que o John descorre, né, sobre uma a barra teologia pós-moderna, né, porque parece que essa ideia essa ideia de rompimento, inclusive metafísico, né, mas especificamente favorece, né, favorece ali a favorece no caso a a articulação até mesmo de uma a barra teologia, né, que é tipo um negócio que é fluido.

¶153A pessoa ela ela indosta uma teologia que não é bem uma teologia, mas é uma a teologia, mas também é uma teologia, né? É um negócio meio assim fluído, permite a gentear esse tipo de visão, né, que ele chama de a barra teologia, né, que ele chama. E ele fala sobre o >> barra teologia. >> É, e ele fala sobre isso. Deixa eu ver aqui.

¶154Aí aqui tem o discorro um pouco sobre a questão do do capítulo, né? E aí ele comenta sobre o Thomas aqui, inclusive como do Thomas como favorecendo, né, contribuindo com esse tipo de visão também, apesar de não ter uma relação direta com o pós-modernismo, ainda assim esse tipo de visão contribui e é alinhada com perspectivas pós-modernas, né, no começo da radical. Mas enfim, é isso, né? Que interesse aqui é o episódio um, ateísmo a barra teologia, condição pósmoderna, né? Ele comenta sobre caso a origem do termo pósmoderno com o François Lar, coisa e tal, né?

¶155Ele explica no caso a influência ali nitiana, né? No pensamento ali da galera pósmodera, né? Que deu um motor, né? O pontapé inicial com a questão da, enfim, da crítica à vontade de verdade, blá blá blá, né? Esse tipo de coisa aí.

¶156E essa ideia de, enfim, centros fixos, né? Enfim, centros fixos ali metafísicos, né? Tanto naturalístico, né? aliás, tanto secular, né, de uma metafísica ateia, quanto de uma metafísica sobrenaturalista religiosa, né? Então, no caso, ele ele comenta que eh o pós-modernismo, né, pelo menos aí uma condição moderna eh vinculada com esses autores, é algo que é tanto no caso aos conservadores, né, e aos religiosos, quanto no caso pessoas de perspectivas seculares ali específicas, né, patenso moderno.

¶157Mas é isso, achei aqui o livro, deixa eu colocar aqui na tela de vocês. Tá, pessoal, é o do Michael Bron livro ali, ó, fala sobre, enfim, introdução al sobre lógica, ética, metafísica, filosofia, religião, ciência, linguagem e epistemologia, né? Mais coisas aí. [risadas] filosofinamente. E aqui tem um um capítulo que é justamente sobre a metafísica.

¶158Acho que é da metafísica [risadas] que aparece o argumento da não aqui não, na epistemologia, eu acho. E aqui na epistemologia acho que é na linguagem, na parte da linguagem que aparece e do MB aqui junto comigo. >> Thomas com estudou para ser um historiador da ciência, mas é reconhecido por suas contribuições para a filosofia e a sociologia da ciência. Isso livro estrutura das evoluções científicas foi um dos mais importantes e mais controversos da filosofia da ciência do século XX, sobretudo pelo questionamento tão convincente da objetividade da ciência. Olha só, antes como certa, sobretudo na tradição filosófica do positivismo lógico, entre as muitas contribuições de Thomas de Kum para a filosofia da ciência, três das mais importantes são, um uma análise da resolução científicas em que ocorre uma mudança de paradigma que permite aos cientistas ver o mundo sobre nova luz.

¶159Dois a noção de que a ciência não é cumulativa, como geralmente se supunha, uma vez que novos paradigmas são incommensuráveis com os antigos e os métodos utilizados para fazer observações e descobrir a verdade, etc. entre casas são relativos ao paradigma científico reinante. Olha só, relativos ao paradigma científico reinante. E três, a percepção de que a ciência é mais bem compreendida como esforço socialmente e historicamente contextualizado, o que contrasta nidamente com a filosofia anterior positivista da ciência, considerar a ciência divorciada da narrativa humana. Olha só, divorciada da narrativa humana.

¶160Ó, racionalidade e mudança de paradigma. Escolha entre paradigmas não é e não pode ser determinada apenas por procedimentos avaliativos característicos da ciência normal, pois estes dependem em parte de um paradigma específico. Esse paradigma está em questão. A competição entre os paradigmas não é o tipo de batalha pode ser resolvida com provas. Ó, deve haver também, deve haver também uma base que não precisa ser nem racional, nem definitivamente correta para fé no candidato escolhido.

¶161Alguma coisa tem que fazer. Olha esse termo. Fé no candidato escolhido. >> Fé no candidato escolhido. Não, não, não, não lembro o André.

¶162O André ele tá com discurso pós-moderno assim para caramba, cara. Um discurso muito pós-moderno, cara. Muito pós-moderno. Muito, muito. Ele tá >> pelo menos algum cientista >> que é para que ele tá dependendo num fideísmo hermenêutico, né?

¶163Tipo assim, ah, por que que você segue essa interpretação? Porque a féa d no interior da minha fé a interpretação que faz mais sentido, mas pode ser que eu esteja errado. Na verdade não quer dizer que eu tô certo, nem que eu tô errado. Quer dizer e nem que o outro tá certo tá errado. >> É igual o padre Patrick, né?

¶164Quando eu tava discutindo lá no >> Um padre versus 30 Teus, ele meteu um discurso pós-moderno lá também nesse nível. Ah, é tipo, é, tem muitão para que é o o cristianismo vale para mim que sou cristão. Você que é atu, você não precisa seguir o cristianismo. Não para que que tem que pregação e conversão, né? [risadas] >> Exatamente.

¶165Foi o que eu falei. Eu falei pro padre, eu falei isso pro padre. E tipo, o padre ele não pode fazer isso, né? Catolicismo não admite esse tipo de discurso. >> Não admite esse tipo de discurso.

¶166Não poderia falar um gosto desse menor sentido. >> Eu vou mostrar aqui, vou mostrar já. Sintam que a nova proposta está no caminho certo. E às vezes são apenas considerações estéticas pessoais, que que ele mencionou ali o San Alvis? Estéticas pessoais, né?

¶167Quando falou do Copérnico, estéticas pessoais e inarticuladas que podem fazer isso. OK? Aí aqui tem um argumento formalizado, né? Essa daqui, ó. Aí tem também aqui o do isso aqui, ó.

¶168Paradigmas comuráveis e rolismo. Ó, os referentes físicos desses conceitos einsteinianos não são de modo algum idênticos aos do conceitos dos conceitos newuttonianos que levam o mesmo nome. A massa newtoniana é conservada. A estaniana é conversível à energia, apenas a velocidades relativas baixas. As duas podem ser medidas da mesma forma e mesmo assim não devem ser concebidas como a mesma coisa.

¶169Ó, ainda que mais sutil do que as mudanças do geocentrismo, aocentocentrismo, do flogístico ao oxigênio ou dos corpúsculos corpúsculos às ondas como explicação naturaleza da luz. A transformação conceitual resultante não é menos decisivamente destrutiva do paradigmaciosamente estabelecido. La Voz viu oxigênio onde Priscley tinha visto a def logisticado e outros nada tinham visto, né? E aqui é justamente isso que os esquemas conceituais dos quais cada um desses autores trabalhavam, né? Eh, sei lá, como Galileu Berlino ou enfim, entre o Priscle, Lavosier, né, que ele tá mencionando aqui, ou entre Newton e Einstein, são, no caso, paradigmas incommensáis, esquemas conceituais incomisão intertraduzíveis entre si, né, não são intertraduzíveis entre si.

¶170Então essa ideia do incomonabilismo, quando ele é levado radicalmente, ele leva ao pós-modernismo. Vou pegar aqui o livro do Martin só para mostrar para vocês que o Martin comenta. Ã, não, eu tava lendo, mas eu tava colocando. Tinha interesse, ó. É o capítulo que eu li agora é esse aqui, ó.

¶171Esse aqui eu tava lendo, mas eu tava colocando na tela, né? Enfim. Ei, caramba, viu? >> Ah, tá. >> Livro, livro é esse aqui.

¶172O livro é esse aqui, pessoal, ó. O livro é esse aqui, ó. Muito bom esse livro. Aí, o capítulo em questão é esse aqui, ó, capítulo 90 da parte sexta aqui, ó, da sexta parte do livro, que é ciência e linguagem. E aí tem esse capítulo.

¶173E o que eu li é justamente isso aqui, tá? Isso aqui, ó. Tá valendo isso aqui. Aí, aqui tem um argumento, inclusive em premissas e conclusão, tá? Os argumentos do do >> particular em termos logísticos.

¶174OK. Quem tiver interesse do do passo a passo do raciocínio para chegar no começo da mil do K, né? One e o Michael Bruce. Aí discussão nas ruas >> é do capítulo que eu tenho a leitura comentada que eu mencionei agora, né? Que eu mostrei para vocês que tem aqui no canal a leitura comentada.

¶175Ó, esse daqui é o assistente câmbio de ateísmo, né? No na versão física, tá escrito como um mundo semendeu os ensaios sobre ateismo né? Na versão física foi traduzido pelo deser Michael Martin. Aí aqui tem os capítulos, né? Aqui ó, alegações contra o te blá blá blá.

¶176Aí aqui tem implicações na parte três, né? Aí aqui no capítulo 16 tem a questão da condição para Vamos lá. >> Aí aquele comenta, antes de tudo, a uma palavra sobre a palavra pós-moderna originalmente introduzindo na arquitetura para referir a uma mistura de modernismo e citação histórica. Foi lhe atribuído o significado filosófico por Lot Hard em a condição pós-moderna. O próprio Derridá rejeita a palavra porque sugere uma periodização histórica fácil em qualquer coisa antiiluminista em vez de ser um novo Iluminismo, uma continuação diferente do Iluminismo.

¶177Em todo caso, a palavra afirmou-se e apesar que de podermos concordar que foi brutalizada pelo uso excessivo, podemos para proposta deste estudo localizar o seu conteúdo estritamente filosófico na ple de três ideias. Um, a afirmação do pluralismo radical e irredutível, o que Laotard chama de paganismo. Dois, a rejeição de um esquema metafísico abrangente ou fundacional, o que Laart chama monoteísmo, derid chama de teologia. E três, uma suspensão de categorias binárias fixas que descrevem rigorosamente regiões separadas, tipicamente característico do estruturalismo. Aí, ó, olha só, um.

¶178Apesar de historiador e filósofo americano da ciência Thomas com nada ter a ver pessoalmente com o movimento, a sua influente ideia de mudança científica como uma série de câmbios rolistas, holistas, entre paradigmas incommensuráveis, entre aspas, que resistem a uma comparação um a um, é muitíssimo propício ao modo pós-moderno de pensar. Isso surge do no uso de que Richard R faz das ideias de Kun, o filósofo americano mais associado ao estilo pós-moderno de pensar. Do mesmo modo, a teoria de Wittenstein de complexo e redutível de jogos de linguagem que é também importante para R foi também adaptada por L T. Em termos gerais, enquanto ideia filosófica pensamento ponder francês e franco americano corresponde ao que na angloamérica se chama afundacionalismo. Ok?

¶179Então é isso aí tem outras características inclusive para a metafísica do regel e coisa e tal, né? Embora eles rejeitem também o regel, né? Ó. E aí ó. >> Uhum.

¶180Ele comenta sobre o a crítica. Pode isso aqui. E isso é uma característica do discurso do André. Esses três componentes estão presentes no discurso do André muito fortemente, tá? Moderno, favorecer também uma hostilização ao teismo clássico de três maneiras aqui, ó.

¶181Como que ela favorece uma uma minagem, uma polarização pro tipo de ateísmo que, por exemplo, eu defendo no meu canal, né? Eu defendo meu canal esse tipo de ateismo aqui, né? Um ateismo mais clássico, coisa tal, né? Ah, o que ele chama aqui, embora não seja exatamente a perspectiva do DK, né? Que é uma perspectiva neateia, né?

¶182Mal articulada filosoficamente, né? metafísicamente, é uma perspectiva filosófica, atista, analítica, ainda assim ele pode ser visto como clássico vinculado com, enfim, alguns autores que se preocuparam em articular um sistema metafísico, algo assim, né? Ah, para lidar contra a visão religiosa, né? Ah, mas enfim, vamos lá, ó. Um, dada uma plada de discursos incommensuráveis que não são intertraduzíveis entre si, né?

¶183Nada impede o discurso religioso de reafirmar os seus direitos como uma forma discursiva irredutível contra as críticas modernistas novas cientistas da religião, um aspecto sublinhado por Vitin, entre outros, ó. Dois. Dada a morte das metas narrativas metafísicas aprendes, a dissolução até simples ou a redução dogmática da religião é uma grande ideia como suspiro dos oprimidos em Marx, uma fantasia psicódica ah em Freud ou ressentimento dos fracos contra os fortes Niet é puro excesso. E três. Por fim a dúvida lançada pelos mortos aos pares binários que afeta posições ou posições teológicas como Deus, mundo, alma, corpo ou eternidade e tempo, não tem um efeito corrosivo menor em qualquer distância, claro, entre teismo e ateísmo ou entre o religioso e o secular, que é aquela questão da a barra teologia.

¶184Ó, a jogada põe típica é feita por nome que Mark Taylor chama de a barra teologia, algo que se situa na barra entre o teismo e o ateísmo no espaço de indecibilidade antes de das coisas estarem definitivamente estabelecida de uma maneira ou de outra, no meio em que se pode tomar qualquer uma dessas decisões, né? Então é isso. >> E aqui eu expus também a crítica do >> tá no livro. >> Ah, perfeito. Tá no livro aqui.

¶185Rolista. Vamos pegar aqui o que tem no livro. Por isso que eu recomendo esse livro de maneira mini que contra a própria ideia, a própria noção, né, a própria inteligibilidade da concepção de esquema conceitual que é relevante para se favorecer a essa concepção, concepções incombabilistas como do Thomas Kun, do F band e do próprio Quin, né, que depende de uma de rolismo confirmacional, né, enfim, e que motivam uma visão de observação carregada de teoria. Observação da realidade carregada de teoria >> don que é do artigo de 194 que é o aí diz o seguinte, né? Uma das preocupações filosóficas centrais de Manocant é a relação entre mente e mundo.

¶186Ele inverteu a ideia de que ao conhecer o mundo, a mente procura espelhar o mundo independente da mente, alegando que o mundo em que vivemos está necessariamente em conformidade com certas categorias da mente. Enquanto essas categorias são essencialmente universais para cante, fossos posteriores substituíram a ideia de mundo em conformidade com certas categorias da mente pela ideia de mundo em conformidade com categorias linguísticas ou conceituais. Lembra disso? No começoabilismo. >> Essa mudança abriu o espaço para a ideia de um relativismo conceitual linguístico muito forte.

¶187em que o conteúdo da experiência, o próprio mundo se dá em relação a estruturas ou esquemas conceituais que são relativos ao que certos grupos ou pessoas ou comunidades linguísticas eh comunidades regionais, grupos específicos endossam, né? Cuja ideia central é que diferentes esquemas conceituais resultam em mundos diferentes, visões diferentes de mundo ou algo assim. Donald Davidson argumenta que relativismo conceitual é incoerente, porque a própria ideia de um esquema conceitual é incoerente. Davidon chegar a essas conclusões argumentando que a ideia de um esquema conceitual depende da noção de falha de tradução entre esquemas diferentes. Ou seja, que os esquemas, os termos vinculados com os esquemas conceitos diferentes não podem ser um traduzido no outro.

¶188Não tem nenhum vínculo comum que permite a gente traduzir uma coisa para outra e gerar um significado comum que permite a gente seges esquemas. Segundo Davidon, uma falha de tradução total parcial não faz sentido e aí sim não faz sentido falar de diferentes esquemas construtuais. Como não faz sentido falar de diferentes esquemas conceituais, ele alegre não faz sentido falar de haver apenas um esquema conceitual. O argumento deve-se contra a inteligibilidade, ou seja, compreenssibilidade da ideia de um esquema conceitual e a possibilidade de rela conceitual. É importante dar as suas simplicações para a nossa maneira de conhecer o mundo, >> para a relação entre nós e o mundo e para a relação entre linguagem e mundo, né?

¶189Aqui o Davidson, ele tá fazendo uma resposta, a visão no caso do do propin, né, que ele assume como sendo um terceiro dogma do empirismo, né? terceiro dogma doisma língua de porque antes você tinha a distinção entre o sintético e o analítico, >> é analítico e sintético. Aí depois, né, através da argumentação do do quin foi problematizado e depois veio, no caso ali segundo davon um terceiro, né, ainda sim preservou um terceiro dogma, a o dogma da enfim do dualismo entre esquema conceitual e conteúdo, né, vinculado com mundo >> a relação entre mundo e para relação entre linguagem mund se ele estiver certo, então não há dualismo de sistema conceitual e conteúdo mundo barra experiência, né? Conta experiência, ele fica ainda mais difícil aceitar a ideia de que definições radicalmente diferentes do que existe e de como o mundo é podem ser todas verdadeiras e as formas de cetismo que dependem do dualismo de esquema e conteúdo também são são postas em questão. Aí aqui tem um trecho do dona Davidon argumentando, né?

¶190Podemos aceitar a doutrina que associa a posse de uma língua com a posse de um esquema conceitual. A relação pode ser a seguinte: onde os esquemas conceituais diferem, as linguagens também diferem. Mas falantes de linguagem diferentes podem compartilhar um esquema conceitual, contanto que haja como traduzir uma língua para outra. Estudar os critérios de tradução é, portanto, uma forma de focalizar critérios de identidade para esquemas conceituais. Óbvio, considero dois tipos de casos que se pode esperar que ocorra.

¶191Falhas completas parcialidade de traduzibilidade. Haveria uma falha completa se nenhuma extensão significativa de sentenças em uma língua pudesse ser traduzida para outra. Haveria falha parcial se alguma extensão pudesse ser traduzida e outra não. Minha estratégia ser argumentar que uma falha total não faz sentido. Então examinar mais brevemente casos de falha parcial.

¶192A respeito de falhas parciais, quando outros pensam diferentemente de nós, nenhum princípio geral ou apela evidência pode nos forçar a decidir que a diferença exige em nossas crenças e não em nossos conceitos. Aí devemos concluir, eu penso que a tentativa de dar é um significado sólido a ideia de relativo conceitual e, portanto, a ideia de um esquema conceitual não tem o melhor resultado quando se baseia em falha parcial de tradução. E aqui tem um argumento, tem um argumento, né? A versão reduzida e a versão detalhada. Vou expor aqui, senão não vai demorar muito, mas enfim, quem tiver e é isso.

¶193Ele faz na tese dele cheguei a comentar que eu reagi Federico crep. Eu cheguei a comentar aqui, vou, eu até sintetizei o ponto do o ponto do do Davidson Davidon, não, o ponto do Erisa, né? E Moreira de Carvalho. Eu sintetizei o ponto do Eros Moreira de Carvalho aqui, ó, no meu re a discussão que o Frederico Crepo, aliás do comentário que ele fez, né, em cima da discussão do Bertot, do Gustavo Bertot com o Gustavo Machado, que basicamente é esse aqui, ó. Deixa eu pegar aqui, pegar um exato.

¶194Só um coment para rebater a incomensurabilidade através da desmotivação, né, da da refutação, né, ou pelo menos da da resposta ao argumento da indeterminação da tratação do quine, da inescrutabilidade da referência, o que favorece uma diminuição do da uma diminuição da subdeterminação e uma resolução no caso ah do problema vinculado com incommensurabilismo radical ah e com relativismo conceitual. Ele dá uma resposta diferente no na tese dele. Deixa eu só colocar aqui qual trecho David fala sobre a resposta do Eros Moreira de Carvalho. >> Vamos puxar aqui rapidinho porque daí pela I já puxa rápido o trecho relevante. Primeiro eu vou colocar isso aqui, depois eu vou colocar é vinculadas ali a argumentos como do próprio Quaim, né?

¶195Ã, ali, né? Essa ideia do dualismo entre o esquema conceitual e o conteúdo, né, propriamente, ah, e a ideia de que, no caso, a linguagem, né, enfim, o framework, né, os termos dentro de set frameworks conceituais ou teóricos ou linguísticos, eles não são traduzíveis para outros âmbitos, né, ou seja, que é uma indeterminação da tradução, né, completa ali que é completa ou parcial, que não impede a gente traduzir de forma adequada certos termos de um framework conceitual para outro framework conceitual. Então, ele problematiza isso nesse artigo de 1973, tá? Não fala, né, colocado na fal >> e também outros autores como própria Maria de Carvalho objetam a teoria de percepção na concepção de percepção coainiana que é o que favorece, né, ali a razoabilidade do argumento da indeterminação da tradução e da inscritade da referência, o que por sinal acaba favorecendo uma espécie de relativismo, né, relativismo ali conceito alta ou algo assim, né? Ah, ou algo nessas linhas, né?

¶196Um ceticismo acerca da acerca da possibilidade de você tomar conhecimento de algum fato acerca das questões relevantes, né? justamente porque no caso existia esse holismo confirmacional vinculado com uma teia de crenças completas que são relevantes no caso e são testadas eh são tomadas ali frente a experiência, né? São testadas ali conjuntamente, né? Frente a uma experiência particular, né? Ou algo assim, ao fenômeno experienciado particularmente.

¶197Hã, e nesse caso, né, eh, é esse air que motiva, né, o certo ceticismo acerca da realidade exterior, né, ceticismo ali global e uma um relativismo conceitual ali problemático, né? Eh, só que o Erasmoreira, né, e o próprio Davidon, né, no antigo antigo e o Eras Moreira, na tese dele, eh, em defesa da justificação perceptiva desmistífica no mito dado, eles trazem uma argumentação em termos justamente de certos estudos, né, que no caso o er traz nessa nessa tese dele de doutorado, né, que é de 2007, publicado em 2007, provavelmente. justamente alguns estudos do Camp e do Monte, se não me engano, acho que esses dois ou três, acho que é o Camp Mon, que trazem algumas evidências acerca da relevância do papel da atenção né, principalmente da atenção compartilhada entre pais com filhos no âmbito da aquisição de certas linguagens, de certos conceitos e tudo mais, né? Envolvendo ali as crianças, né? desenvolvimento das crianças, aquisição da linguagem por parte das crianças e de certos conceitos ali dos quais essas crianças vão se familiarizando.

¶198Então parece que existe um papel da atenção perceptiva, né, da atenção da atenção conjunta provavelmente desses pais junto com, no caso, a criança, né, para apontar certas características dos objetos específicos, como por exemplo, isso aqui é o microfonismo, isso aqui é o microfonismo, né, e através da atenção perceptiva, né, da da do treino da criança ali para aquela foque, atenção perceptiva dela em aspectos relevantes, né, de forma consciente ali, né, de forma a representar propriamente aquelas características ali específicas, né, e focalizar nelas para extrair informação relevante do objeto percebido. Parece que esse tipo de coisa envolve um aparato pralinguístico individual que permite a gente focalizar em certos aspectos da realidade, né, de fenômenos vinculados com a realidade de forma extrair informações relevantes, né, ali que nós não podemos utilizar, né, convertê-las e utilizá-las ali ah para tornarmos, né, certas ações, certos discursos de ações, etc., né, e reconhecemos certos padrões ali nas coisas, né, dos objetos percebidos na nossa percepção. Então o eres mor utiliza isso para objetar a teoria, né, a concepção de percepção qua e, portanto, minara ali o argumento da indeterminação da tradução. Ilustrando que a tradução é determinável através da atenção perceptiva, da focalização da atenção perceptiva, o que diminui a relevância no caso ali diminui no caso a subdeterminação envolvida ali ah nos fenômenos, né, as teorias que você pode articular que favorece a explicação desses fenômenos, você reduz a subdeterminação delas praticamente, né, em virtu de você eliminar a indeterminação da tradução e a inescutabilidade da referência. Se nos referência a cé dos objetos é executável.

¶199Eu consigo apontar uma característica particular e focalizar a tensão em aspecto específico do microfone, como por exemplo nesse componente, né, nesse nesse nesse nessa argolinha aqui do microfone para poder, no caso, percebê-la e ilustrar. Ó, é disso aqui que eu estou me referindo, é isso aqui que eu tô chamando de uma argolinha do microfone, né? E aí junto com outras pessoas você consegue focalizar a tensão e apontar. Isto aqui é o que eu quero me referir, né, de forma objetiva ali, né? Individuando a coisa, né?

¶200Os aspectos irrelevantes da coisa que você quer apontar ali, né? Ah, isso ilustra o quê? Junto com o caso ali, esse tipo de insite, né? Ele traz uma teoria, né? idade ali, né?

¶201de percepção ali hã de noção de modularidade ali da percepções vinculada, né claro, vinculada ao ao PSIL, né, que bebe também de aspectos ali do Jerry Folder para articular esse esse modelo, né, essa visão com Jerry Folder e tudo mais, né, utilizando todos os insites desses autores, ele ilustra no caso que o âmbito da influência doxática, ou seja, influência nas nossas crenças no âmbito perceptivo, ele ocorre no âmbito pré-perceptivo propriamente, né, segundo a argumentação que ele discorre. Então, se a argumentação do Mor estiver correto, a influência doxática e a observação carregada de teoria, ela não afeta diretamente a influência doxática, é influência das crenças sobre o âmbito perceptivo, tá? É isso que eu quero dizer. Só que ali, segundo essa argumentação do EAS, isso ocorre no âmbito pré-perceptivo, ou seja, em um momento antes da sua percepção de um certo fenômeno. Na realidade, isso vai parecer o quê?

¶202Uma influência na maneira pelas quais você vai focalizar sua atenção em aspectos relevantes da realidade que você tá observando. >> Então, a influência dox ela não pode se dar na percepção, no ato perceptivo em si. Mas no então pré-perceptivo em algum alguns minutos, alguns momentos antes de você perceber alguma coisa. Essa essa teoria de fundo vai influenciar você no que que você vai focar mais atenção, menos atenção, o que que você vai, enfim, tomar ali, né, como base para poder, enfim, julgar, né, aquele fenômeno sim sua capacidade de focalizar atenção em aspectos relevantes daquela coisa que você tá estudando, observando ou considerando na sua reflexão, né? E se isso é o caso, você minã, né, você reduz drasticamente, no caso, a relevância dessa ideia de observações carregadas de teoria, né, e, portanto, você torna ah perspectivas, né, incombistas não razoáveis, né, como sendo não razoáveis nessa circunstância, né?

¶203Eh, isso daí min visão, tá? Então, ela que alguns fenômenos são capazes de serem percebidos tais como eles são são. Provavelmente se a gente focalizar a nossa atenção de maneira adequada, mas é óbvio que as nossas teorias de fundo afetam a maneira pelas quais a gente vai focalizar a atenção dos aspectos relevantes do objeto que está sendo estudado, né? A segunda aumentação do heros, pelo menos, tá? Então, essa alimentação que ele utiliza para minar esse tipo de visões, tá?

¶204Que defende uma ideia de eh observação carregada de teoria. Aqui se vincula muito comas com essa ideia. E aquioc >> eu menciono, né? Eu ponho a tese do EOS que tem interesse. A tese do EOS é essa aqui, tá?

¶205Colocar aqui. >> Pronto. >> No Rio Grande do Sul, tá? Aqui, ó. A Universidade Federal de Minas Gerais, na verdade, ó, em defesa da justificação perceptiva.

¶206Mesmo dado para quem tiver interesse é só jogar aíatoria, >> mas enfim, vamos voltar aquições mandou umas coisas interessas coisas que é bem bem interessante. Quando estava meio que no primeiro ano do ensino médio, eu tinha hiperfoco no K e no Firebad, mas eu quebrei eventualmente com radical e o relativo conceitório implícito ali. Inclusive uma coisa interessante que vi na época foi que a teoria do dos paradigmas, no máximo, se aplica apenas à física e a química. Não se aplica a biologia como o argumento do Ernest, nem a psicologia como argumenta um uma irai carone da vida. Então, acredito que as conclusões que ele chega são bem limitadas, inclusive no contexto da sociologia da ciência.

¶207Por exemplo, na biologia, na biologia, revisão, né, rearticulação e desenvolvimento de teorias já existentes é mais característico do que substituição de paradigmas por períodos estáveis de ciência normal. O que o Enesmer argumenta é que não existe estritamente uma ciência normal na pesquisa biológica. Outros autores têm argumentado que a sociologia da ciência do tem problemas inclusive associada à física. Divisão S2. >> É isso.

¶208Ele comentou. Acho que foi interessante. >> Muito bom. >> Foi, foi bom. Complementou bem o café.

¶209Muito bom. Muito bem observado. Bíblico, inclusive pro pro pração protestante, a relação éal, porque é a ele que ele o o protestante, seja protestante, seja pentecostal, sempre se refere enquanto dogma último da da sua fé. Mas hã essa interpretação que ele faz sempre tá dentro do mundo que ele tá inserido. Ah, e o eu quero dizer isso porque o próprio foco que o que os evangélicos hoje ah, dão paraa questão de gênero, ah, pensando gênero, tanto eh colocando a questão de gênero enquanto um escopo amplo que vai desde o problema da questão do aborto até a homossexualidade e ao patriarcado, pensando gênero uma bolha grande que os evangélicos dão uma força tão grande.

¶210Isso, isso, isso era uma questão anterior no sentido no século XX, mas isso ganha uma ênfase sobretudo dos anos 90 para os anos 2000. Por quê? Porque é a partir de um discurso moralizante, conservador, nesse nessa coisa, nesse grande balá que eu tô chamando de questão de gênero, que os evangélicos, sobretudo pastores como Silas Malafa começam a traçar um programa político de enfrentamento e de definição do que é um Brasil evangélico. Então, eu acredito que existem dois temas que são centrais na na constituição do que a gente na nas pesquisas. eu tenho chamado de Brasil avivado, enquanto uma imagem de Brasil que os evangélicos acreditam e porque acreditam são evangélicos.

¶211Uma é essa questão de gênero, então a crítica a qualquer posição eh que que seja minimamente coerente em relação ao ao aborto, a crítica à presença pública feminina, a a crítica a à comunidade LGBT em si, a existência da comunidade LGBT em si, enquanto algo que deve ser destruído, as pessoas devem deixar não praticar. E de outro lado, numa presença pública, a corrupção enquanto grande problema brasileiro. Então, até hoje o Lula é tratado enquanto grande ladrão. Esse é o título, é o ladrão. Então, de um lado, moralmente, no sentido público, na arena pública, o grande problema é a corrupção.

¶212E no interior, no sentido privado, o grande problema moral, porque o evangelicalismo se fundamenta é uma lógica moral. O grande problema seria esse problema de gênero. Ah, e é aí que as grandes, é aí que a questão das igrejas inclusivas e da inclusividade ou não do cristianismo hoje ganha força. E por que que ela é disputada? Por que que as igrejas que aceitam pessoas LGBTs são expulsas das da das organizações, como tem acontecido aos montes?

¶213Porque faz parte da disputa da identidade evangélica colocar a comunidade LGBT ou a prática não heterossexual como pecado. Faz parte da construção da identidade evangélica, assim como a crítica da corrupção que tá intimamente associada ao petismo. Isso, mas isso não veio do nada. É isso que eu quero dizer. Isso é uma construção histórica de uma disputa que acontece entre os anos 80 e os anos 90.

¶214E com isso eu não quero dizer que antes disso não era considerado homossexualidade pecada, mas isso que isso não era uma pauta central e nuclear como é hoje, >> não. Hoje é trat hoje é tratado como se o grande problema do Brasil >> é a mulher no banheiro, é a mulher trans no banheiro feminino. É, são as pessoas LGBTs querendo casar, sendo que a a o que a gente fala de casamento civil e nada a ver com o casamento religioso, né? Então eu acho que tem princípios também que as questões que difícil caso espaço para as pessoas agora se isso também mais um tempo né É isso acho também assim tem um exência disso, né? O áudio doando mesmo.

¶215É, David, David, é o seu áudio tava picotando um pouco, >> mas eu só é muito obrigada, >> mas deu pr entender. >> Vamos trazer o Fernando aqui porque algumas partes foi mais difícil. Importante pr >> campanha voltou agora normal. >> Agora tá normal. Isso ganha outra.

¶216>> Eita. É, hoje a live ela não tá corroborando muito, né, pelo visto. Mas enfim. >> Sim, sim. Mas aí >> pode falar, pode falar.

¶217Pode é, você pode resumir o que o que você comentou. Daqui a pouco eu vou ter que mudar de lugar também, então vou ter que sair da live e talvez entrar de novo igual aquele dia. >> É, eu vou, a gente vai reagir mais agora os outros trechos, né? com suspeita muito republic >> e aí a gente já finaliza, reagir só um pouquinho e finaliza. Não vou reagir tudo não.

¶218>> Mas o que eu tava comentando é basicamente o seguinte, >> é que beleza, quando você fala sobre a intensificação disso, né, e principalmente a questão do contexto trans, beleza, isso daí vem de um período mais recente, né, vinculado com o cristianismo evangélico neopentecostal e pentecostal. Mas quando você fala do do do próprio preconceito em si, principalmente com pessoas homossexuais e etc, né, e com enfim, com relacionamentos homeróticos e coisas e tal. Ah, e no caso, por que que as pessoas condenam isso fortemente? É difícil de resolver essas questões e dessas pessoas abdicarem dessas crenças, né, discriminadoras? Aí entra a questão dos princípios que o Hummer se referiu, né, naquela no debate com James Gaston, que torna no caso mais difícil de se conceder, né, de se abdicar de certas crenças, etc., discriminatórias e tudo mais, né?

¶219Tendo feito. Então é mais ou menos por aí que eu tava comentando. >> Eu vou eu vou ter que sair, mas eu volto volto em breve que eu tô na casa de uma amiga minha ponto de vista. >> Ah, beleza. >> Isso menorz.

¶220Vou mudar de casa aí eu retorno. Mas pode continuar reagindo, talvez eu pego da parte que você tiver. >> Beleza. Então vou vou reagir acho que acho que vou reagir ess segunda parte. Já vou reagir a segunda parte já.

¶221Perfeito. Segundo tema, >> mas aí vem a a o o problema para mim é que, tipo assim, essa galera que construiu esse reinado de poder, eles só conseguiram construir seguindo modelos facistoides de estabelecer o inimigo da nação. >> Uhum. >> Se tu pegar quando a Alemanha supera ali, termina a Primeira Guerra Mundial e ela tem aquela sua crise, né? E aí, posteriormente vem o grande salvador lá em Segunda Guerra, quantos inimigos do estado existiam para que houvesse alguém para se combater, né?

¶222LGBTs, ciganos, pretos, comunistas, judeus, todos foram tratados como inimigos do estado. >> Movimentos fascistoides como esse não se criam se não criarem o inimigo também. >> E hoje quem é criado, vocês são inimigos desses movimentos cristãos. Vocês são defensores de bandido, defensores de >> corrupto. Vocês são isso para esses movimentos.

¶223Nós somos nós somos destruidoras de família. Sim. de lares, de crianças, como disse uma conservadora num debate comigo, o LGBTs tem sanha com crianças. Vocês sabem o que que isso quer dizer? >> Sim.

¶224>> Ela tá literalmente atribuindo a pessoas LGBTs uma tara por crianças, um comportamento pedo em relação à crianças. >> E tu vê que é é um discurso de corrupção, né? Todos coção, é corrupção do do do do do família, do corpo da mulher quando ela faz o abor do corpo da criança, da infante, da da infância da criança. >> Mas se não há o inimigo >> que é o amor de fato você pessoas uma teoria de pessoal física caracterizaidade pessoal pessoas, né? Ah, em qual período?

¶225No caso que fato com aspectos direitos né? Como o já tem uma pessoa uma certa teoria de alma a pessoa almada diância desenvolvendo circula com mecanismo específico, né? inform ou então lista material ela elaicada ali já duas teorias pessoas uma assassinato assimessa pessoa que é o que uma igreja inclusive vira fazer, visa fazer o quê? Mostrar que não são inimigos. >> Quantas pessoas LGBT são católicas possível?

¶226Possível deado. Vocês ouviram? Nossa, tá difícil. Como assim? Alô, alô, alô, alô, alô, alô, alô, alô, alô, alô.

¶227um pouco nãoou para >> melhorou, melhorou, melhorou. Acho que agora melhorou. Não é possível. >> E agora >> junto com o Neymar pela frente às vezes, né? Porque o Barreal também fez um bom primeiro tempo, mas acabou sendo opção nesse sentido.

¶228Eu ainda >> agora sim. Beleza. Ah, sei lá que dança esse microfone, cara. Mas deu para vocês virem e pelo menos ouvirem a argumentação, né? Repetir tudo vai ser [ __ ] Mexendo suas peças.

¶229Basicamente, né, sumarizando o que eu falei, eu falei que no caso ali existe uma dimensão metafísica, né, sobre teoria de identidade pessoal envolvida aí e envolve uma discussão que envolve eh que se relaciona com ética aplicada, mas especificamente ética do aborto, né, que é uma subárea da ética aplicada que lida com essas questões, né, de se é moralmente permissível abortar ou não, se no caso dos fetos ah se no caso os fetos eles têm direitos, né, de como direito à vida ou não, né, e que no caso envolve a identificação de características ali, por assim dizer, moralmente relevantes naquele feto ou naquele embrião que favoreça com que eles sejam um digno de consideração moral, ao tal ponto que seja merecedor de atribuição de direitos, né, de direito como direito à vida. Ah, então é esse tipo de questão que também tá envolvida nessa discussão toda, né? E geralmente a base para atribuir direitos ao feto no âmbito da concepção, que é algo que os religiosos atribuem, é geralmente uma teoria metafísica de fundo a que é dualista de substância ou dualista elemórfica, né? Então, geralmente é dessas bases aí que eles tentam atribuir direitos, né? E aí tem argumentos não só contra a favor dessas teorias metafísicas, né?

¶230por assim dizer, em termos de caracterização da identidade pessoal e das condições de persistência das pessoas, né, ao longo do tempo. >> Mas existe também argumentos da ética do aborto, né, como os apontados pela filósofa Elizabeth Harman, né, no texto de 2025, né, que é sobre ética do aborto na Stanford, século B, ela falava, que são argumentos contra a favor ali da questão da permissibilidade ou não, ou a da proibição ah da impermissibilidade do do do aborto em termos morais, né? Ah, então tem essa dimensão também envolvida na discussão e que se conecta profundamente com a com esse âmbito religioso, né, tipicamente, né? Então tem essa dimensão que geralmente não é referida, né, pelas pessoas ali que não tem familiaridade com filosofia analítica contemporânea, especialmente meta ética normativa e ética aplicada e que acabam nos considerando essa dimensão, né, essa dimensão aí da discussão. >> São cristãos, pô, eu tava conversando com vocês anteriormente da daquela jovem que entrou na minha live lá e que eu passei a pregar para ela o o o que Jesus faria e não o que o pastor faria.

¶231>> O grande problema é que sem o inimigo acaba o poder, >> acaba é o inimigo que dá coisa. inimigo que dá, tu precisa combater algo. Qual é o nosso inimigo na nossa visão? Para mim é o capitalismo. >> Esse é o inimigo.

¶232>> O acúmulo de riqueza quase que infinita em um mundo de recursos finitos não faz sentido. >> Sim, >> né? Então, para mim, o inimigo é o capitalismo, mas pro capitalista que está inserido no meio religioso e que está no meio político, ele tornou o inimigo outros elementos para que o capitalismo, os bilionários, os latifundiários e tal, que eles não sejam tratados como inimigo. A gente foca 1% errado, a gente foca aqui embaixo. Mas percebe como que de alguma forma toda hora o nosso discurso da hegemonia cristã a gente volta para dimensão econômica também?

¶233Porque por porque é isso, a o cristianismo hegemônico se tornou uma ideologia excelente paraa instituição de ordem do capitalismo, porque a dimensão do do da família enquanto moral para a experiência cristã, ela ela é apenas serve apenas como um mito para legitimar um tipo de experiência econômica. >> Uhum. >> Então, eh no fundo, de forma alienada, a experiência do cristianismo hegemônico é uma experiência de adoração à divindade capital. Ao a a a esse tipo de experiência. >> E será que esse não é cristianismo verdadeiro?

¶234já que ele se achou ali. >> Mas aí a sua fé, né, que tá dizendo que é a verdadeira, né? É o é o que é o que é o que fez fun, é o que tá explodindo aí hoje. É o que a gente tem assim, tipo, tem se apresenta enquanto verdade pra sociedade que a gente vive. É isso, tá posto, tá posto isso.

¶235A a minha questão é, eu nego esse tipo de formação eh de ordem social. Eu quero uma outra instituir uma outra ordem, uma ordem libertadora, que vai possibilitar uma experiência inclusiva. >> E existe algum jeito, como fechada, como destruidora da família, né? Fora do capitalismo existe a necessidade de se >> só comentando novamente que proineiro fazer isso e tornar ter a pretração dele palatável, ele vai ter que colocar dele como verdadeira também, tá? Senão não rola.

¶236E aí entra aqueles problemas que a gente já apontou aqui, né? Eu, San, etc. manter a estrutura familiar que o capitalismo estabelece. Porque aí a gente tá falando, essa estrutura familiar de homem, mulher e filhos tem muito a ver com patrimônio, sucessão, dinheiro, poder. Não tem, não tem, por exemplo, numa comuna é interesse do povo que todas as crianças se desenvolvam bem, tenham alimento, tenham educação, tenham saúde.

¶237>> Numa sociedade capitalista, a criança da família do rico tem tudo isso, a da família periférica não tem. Aí passa a ser interesse do Estado em fazer isso. Só que o estado ele tá ele tá regido por quem hoje? >> Por quem defende o capitalismo, porque defende essa estrutura familiar. Então a a a grande questão e voltando ao nosso tema de o cristianismo não ser inclusivo, o cristianismo oposto não é inclusivo para nada, nem pro pobre, nem pro trabalhador, nem paraa criança, nem paraa pessoa com defensa.

¶238Este cristianismo posto enquanto ferramenta de poder político e econômico não é inclusivo e nem busca ser. Na na linguagem teológica, a gente usa às vezes uma expressão, pelo menos da teologia bíblica, assim, a gente usa uma expressão de ideologia de realeza. é quando um tipo de experiência litúrgica específica, ela se torna ou ela é roubada por um tipo de ideologia palaciana ou de algum tipo de elite específica, um tipo de experiência que começa a surgir dentro de um uma uma coletividade popular, vamos dizer assim, que agora ela tá inserida dentro de uma lógica para qualquer tipo de exploração. Então, talvez não seria então o cristianismo hegemônico, como a gente diz, um tipo de roubo de um tipo de experiência que seria inclusivo. E agora, enquanto lógica palaciana, ela não possibilita um tipo de experiência social libertadora, porque para mim o problema não é a experiência cristã em si, é exatamente o que a lógica palaciana, a lógica da elite transforma esse tipo de experiência desde quando Constantino se assumiu enquanto esse tipo de experiência religiosa para fundamentar algum tipo de ordem imperial.

¶239E de lá para cá, a história do cristianismo >> é é imperialismo, assim, >> nunca teve uma uma uma experiência inclusiva dentro do cristianismo. Então, >> não, dentro do cristianismo palaciano. >> Sim, mas é que aquele é esse que vingou e existe até hoje. >> De maneira de maneira hegemônica, pera aí. De maneira hegemônica, houve algum momento em que o cristianismo hegemônico foi inclusivo?

¶240>> O que no poder estava? O que no o que no poder, >> no início não era >> também depende que a gente vai chamar de inclusivo, né? Inclusive [risadas] para aquela época não é o inclusivo de hoje também. É, então, então sempre a gente vai ter esse problema para falar, mas pro momento atual, pro momento posto, >> não é? >> A gente, mas a gente poderia falar, por exemplo, da experiência da teologia da libertação no século passado, talvez enquanto uma experiência popular >> limitada >> limitada, mas era gigante.

¶241Não, não, mas eu digo, é, ela é limitada na própria inclusividade ou ela era full inclusiva >> pro contexto da época. Não, mas é porque aí aí eu também não vou ser inclusiv para quem vai chegar [risadas] daqui essa >> claro, com certeza. Mas eu digo o que até que ponto ela era inclusiva? >> Não, é o ponto de de de ter teologia cuir dentro. >> É.

¶242Você acha, você acha que, por exemplo, o, o cristianismo escandinavo, ele é inclusivo em relação ao cristianismo brasileiro? O cristianismo escandinavo, ele tá fora do poder político. Ele não é ele tu não vê a religião tomando as decisões nos países escandinavos. Aí o que eu tô tentando levar é aqui a gente mistura os dois, né? Então o cristianismo ele entra no poder e o poder entra no cristianismo.

¶243Então tu tu meio que não sabe qual que é qual mais. Mas é porque eu acho que essa experiência do cristianismo, >> vim pela live do Lipe. Exato. >> Quem é Lip, cara? >> Quem mais?

¶244>> Quem é Lipe? >> Aí, Gabriel menino para receber por dentro. Opa, >> o Cristian Liva. >> Opa, quem é Lipe? Cara, [roncando] >> tá recebendo Neymar.

¶245>> Vem pela live do Lipe. >> Marcação do R. Tem a marcação da galera para cima do Neymar. >> Quem é Lip, cara? Eu não conheço Lipe.

¶246>> Ruiz Liparuz. >> Divulgou sua live aqui. Opa, mas não sei quem é, cara. Desculpa. Não sei quem é.

¶247Falou para dar uma moral aqui. Opa. Ah, você tá falando do Felipe Camba. Felipe Camba, teólogo mineiro. Teólogo mineiro.

¶248Tá falando do Felipe Camba. Quem carrega o >> Ah, se for Felipe Camba, tamo junto, cara. Tamo junto. Eu acho que o teve razão para reclamar. >> Estamos junto.

¶249Estamos junto. >> Já já o Sank volta, tá pessoal? San ele deu uma saída que ele teve que teve que mudar de lugar. Aí ele já já aparece aí. que avança.

¶250>> Salve a bola. Ele não ainda com uma cabeça no v, >> o que tá fora do do entre aspas fora do poder. Não é que ele abdica do poder, é que ele deixa que o poder funcione como ele quer que seja. >> Opa, ele disse que vocês são amigos, né? Somos, somos, somos [roncando] amigos.

¶251Eu, ele, o Sun. Somos. >> Ele fez live, cara. Eu não vi ele fazendo live. desviou de pontinha.

¶252>> Eu vou dar uma olhada depois. Ele reagiu essa, ele reagiu a primeira live. Nossa, >> a cobrança de falta do Zé. >> Ele reagiu a nossa primeira live. Ah, reagiu.

¶253Beleza. Vou dar uma olhada depois. Vamos ver. Ele ainda tá em live. Ah, tá.

¶254OK. Depois eu vejo. Deixa, deixa eu dar uma olhada aqui. >> Ah, boa, boa, boa. Valeu.

¶255Ele não, ele não, não é que ele abdica da história, mas que a história passa a ser a interioridade do do indivíduo, a interioridade do sujeito. A fé dele passa a ser a interioridade dele, porque a ordem instituída não pode ser questionada. >> Não sei se eu entendi o que a ordem instituída não pode. Porque, por exemplo, a gente tem a gente tem monarquias em alguns dos países europeus, né? >> Boa parte deles de base cristã.

¶256Sim, >> para além disso, a gente tem nesses mesmos países, se é uma monarquia, obviamente tu não vai destituir aquele poder, né? Mas a gente tem ali as figuras de primeiro-ministro, a gente tem parlamento, tem todos, não é uma, não é o rei ou a rainha vai lá e bate uma tela e pronto, acabou tudo, né? Existe um um uma certa política, né, a ser aplicada, mas a religião, ela não entra como elemento de decisão política >> e ela entra mais como uma questão realmente de fé individual ou até fé coletiva, próprio Uruguai, né, que é um país que tem uma maioria de pessoas sem religião também. Como é que não sei o número do Uruguai? >> É, ele é 40% da da população.

¶257A maior parte da população não tem religião, não prega religião. Eles têm uma uma distinção, tanto é que eles aprovaram recentemente a o f recentemente não, a Bor já tem aprovado muito tempo, mas a eutanásia foi aprovada no Uruguai justamente por não ter esse poder político cristão, né? >> É. E eu eu, por exemplo, muito forte am eu vejo o cristianismo como barreira para progresso enquanto posto, né? o cristianismo enquanto posto como como eh ente do poder público.

¶258Se ele é se o cristianismo ele está fora do poder público e ele está como uma questão social de fé, de trabalho social, de melhoria pra sociedade e até eventualmente de influência cultural, marcha para Jesus, eh marcha pra Virgem Maria, sabe? Nossa Senhora dos Navegantes, aqui em Porto Alegre a gente tem até feriado, é aqui para Nossa Senhora dos Navegantes, né? Porque tipo, o cristianismo se sujeita ao poder, >> é, né? Ele ele ele não ele não ele deixa de ser uma uma um projeto de poder. >> O cristianismo não faz nada, porque não existe cristianismo.

¶259As pessoas se sujeitam ao poder. Pessoas cristãs que pensam com cristianismo se sujeitam a poder. Lideranças cristãs se sujeitam a poder. >> Certo. Mas aqui no Brasil não.

¶260Mas é porque da >> Mas elas agem com base na crença na proposições cristãs, >> proposições centrais nucleares ali vinculadas a uma tradição religiosa, né? Uma denominação, pelo menos um entendimento teológico específico, né? vinculada uma hermenêutica teológica específica que favorece a a inteligibilidade desses comportamentos de acordo com essa concepção. Então, nesse caso, eh, e geralmente, né, se pensa no cristianismo ali, né, quando se fala de cristianismo, você pensa pelo menos em algumas noções nucleares vinculadas com boa parte das denominações, né, exceto aquelas que são vistas como heréticas, entre aspas, e que discordam de alguns elementos muito mais nucleares, né, do que simplesmente outras, né? Outras têm discordâncias ali específicas, mas não são discordan mais nucleares assim, né?

¶261Ah, então sei lá, um cristão é uma pessoa que tipicamente, né, pelo menos se diz como sendo uma proposição nuclear do cristianismo enquanto uma visão de mundo específica. Se a gente fosse pensar num numa ideia de núcleo duro, né, do cristianismo, algo assim, né, se a gente fosse trazer esse essa noção de núcleo duro e de hipóteses auxiliares e coisa e tal, né, vinculado com a visão do do imelacatos, né, que nem o Ry traz para tratar sobre modelos divinos modeísticos na venalítica da religião, ah, que é inclusive vinculado a um texto que eu traduzi recentemente, né, sobre modelos divinos a que eu traz na pensar na tunelista, a gente poderia pensar, sei lá, a ideia de que, no caso Cristo é nossa senhora salvadora, né, que ele veio que ele morreu por nós na cruz, né, para esparar nossos pecados, né, e nos salvar, né, por assim dizer, que ele é Deus, né, segundo a concepção da trindade, que se tornou predominante, boa parte das denominações cristãs, enfim, e que no caso ali nós ah nós devemos amar amar o próximo como a nós mesmos, né, por assim dizer, né, enfim, mandamentos como esses, né, por assim dizer, né, mas principalmente mandamentos vinculados com crenças nucleares ali, aliado com a de, enfim, de que Jesus é Deus, de que Jesus se encarnou, né? Ah, e no caso morreu na cruz para espelhar nossos pecados e assim por diante, né? Ah, então são algumas noções que podem ser vistas como núcleo duro do cristianismo que se estabeleceu. Ah, e aí tem várias denominações que discordam em várias coisas entre si, mas ainda assim boa parte delas permanecem com uma espécie de núcleo duro.

¶262Será que a gente pode dizer assim? Ah, então daria para falar de um cristianismo mais geral, né? Daria para falar de um cristianismo mais geral se a gente estabelecer dessa maneira, né? Mas até isso eu acredito que o André e o Teo Mineiro irão questionar, né? Irão questionar.

¶263Ah, porque eles vão ainda tratar isso como um aspecto hegemônico ainda. Assim o S foi embora até agora. Ele já volta já, já ele já volta. Eu acho que já vou pro próximo tema, né? Já tá chegando aqui.

¶264Então vamos lá. E a sociedade secular europeia sem colonização. >> Eu não sei se eu concordo ou não. >> Eu não sei nem qual é o argumento. [risadas] >> É no mínimo curioso que existe agora nas redes sociais todo um argumento contra a religião que pressupõe ah, como um grande exemplo, os ah o modelo ou a forma como a religião e a política se desenvolve no interior dos países europeus.

¶265H, sobretudo pensando naquilo que se trata enquanto secularidade ou laicidade. São termos diferentes, mas se referem a em certo sentido do mesmo impulso, ah, que teria como base uma separação entre aquilo que é da ordem do religioso e aquilo que é da ordem do político. E é curioso que as pessoas de esquerda assumam essa posição, porque essa construção histórica dessa própria ideia de secular, enquanto algo que separa o espaço social de uma um uma coisa chamada religião, perceba, religião é um termo criado na modernidade. Religião é um termo que em sua característica própria tem sentido explicando aquilo que a modernidade chama de religião cristã. Não faz sentido a gente usar o termo religião para falar da China, da Índia ou até mesmo das tradições mais a a leste da Rússia, >> o Japão, as tradições pré-colombianas na América Latina.

¶266Depende, depende do sentido de religião que você esteja atribuindo, porque assim, termos, né, como você mesmo deve saber, termos, né, palavras ali, elas podem ter significados distintos, né, ou seja, vários os definindos, né, que são os termos que a gente pretende definir e tomar como base ali, né, para tornar no caso o significado ali explicitado, né, desse termo para para certas pessoas, né? de volante para >> os definientes, eles possuem definientes distintos, ou seja, aquilo pelos quais define um certo termo, né? Ou seja, se definindo. Então, nesse caso, né? Ah, nesse caso, para cada termo que você utiliza, é possível de você atribuir vários significados diferentes para ele, para explicar o que esse termo significa.

¶267E aí vai ter condições, principalmente quando a gente fala de definições ali mais descritivas, né? Se a gente tiver pretendendo elaborar uma definição descritiva, haverá condições de adequação dessas definições, como por exemplo, se ela é extensionalmente adequada, ou seja, se o alcance semântico do termo abarca só os casos paradigmáticos e também alguns limítrofes que tipicamente no senso comum, no âmbito pré-teórico, a gente tipicamente toma como pertencente à aquela categoria geral que a gente tá tentando formar, que a gente tá tentando estabelecer com esse termo, né, sendo definido. Ah, se ele é intencionalmente adequado, esse daí se não é nenhum contraexemplo possível, né? Ou seja, não só se não há nenhum contraexemplo atual, mas se não há nenhum contraexemplo possível, né, que falsee esse conceito, né, essa definição que ilustra que essa definição é inadequada, ã, em termos, no caso ali modais, né, ou seja, de modos possíveis e coisas e tal, e também adequação em termos dos em termos semânticos, né, ou seja, do do significado tipicamente vinculado com aquele termo vigorante, inclusive no âmbito pré-teórico, linguístico, né, digamos assim. Então, essas são três condições de adequação vinculadas com os termos, né, com os termos que a gente pretende definir, fornecer uma definição ali, se a gente pretende trazer uma definição descritiva.

¶268Eh, então é óbvio que no caso a gente pode definir os termos de várias maneiras distintas. a gente pode dar trazer uma definição meramente dominal, né, que descrever basicamente como as pessoas utilizam aquele termo naquela região para significar o que, especificamente na região. A gente pode trazer tentar trazer uma definição ah ostensiva, a gente pode tentar delimitar o significado de um termo através de ilustração de certos exemplos que ajuda a formar uma categoria geral que a gente quer tomar como base para poder analisar um certo fenômeno ou alguma coisa específica, né? Então a gente pode apontar especificamente para ah para certas coisas no mundo, né? Ou até metaforicamente, né?

¶269Se a gente quer formar uma definição ali por ostensão, né, uma definição por ostensão para se referir a um certo fenômeno ou um certo objeto ou certa ou certas coisas na realidade, né, ali, né, e tornar esse termo significativo para se referir a essas coisas que a gente quer tomar como base. ou a gente pode endossar um significado ali, né? Ah, um significado de uma definição real, né, que é basicamente uma uma concepção de definição mais platônica, né, da mais platônica ou aristotélica do termo, né, você tentar e identificar, né, definir um termo através da identificação das características reais daquela entidade ou daquela coisa que você tá querendo definir, delimitar com aquele termo, né, fazer uma referência com aquele termo. Ah, então é um tipo de definição que pode haver também. E tem as definições descritivas, que são essas que preench essa envolve essas condições de adequação que eu mencionei, né?

¶270Eh, e nesse caso é possível você pegar esse termo religião, que por mais que ele tenha uma origem histórica vinculada com o âmbito eurocêntrico, com cristianismo eurocêntrico, né? Ah, principalmente vinculado com o âmbito occidental, né? Ocendentalizado, né? Eh, e coisa e tal, né? Mesmo que seja um termo que surgiu nesse contexto, né?

¶271Que surgiu nesse contexto, ah, nesse contexto específico, né? com essa conotação, com essa com esse significado, né, vinculado muito mais à religião cristã e concepções teóricas vinculadas ao cristianismo, você consegue, no caso, através de um estudo antropológico, né, e também em termos de ciências cognitivas da religião, você que não quer consegue pegar esse termo e tentar elaborar uma definição mais inclusiva de religião que abarque mais religiões, ah, tentando identificar aspectos mais gerais presentes em todas elas, né? E com isso você tenta no caso ali estabelecer e articular uma definição mais geral, mais ampla de religião, que vise abarcar todos os exemplos que a gente toma como sendo paradigmaticamente exemplos paradigmáticos de religião, né, pré-teoricamente falando, né, préteoricamente. Ah, ou seja, em termos de senso comum, né, o que a gente do senso comum consegue eh tipicamente considera como sendo religioso ou algo assim, né, uma característica religiosa ou algo assim. Então isso isso pode ilustrar o seguinte, que é possível, pelo menos em princípio, articular uma definição descritiva que embarque todas essas religiões e permite, no caso, a gente a distinguir tipicamente visões de mundo religiosas de visões de mundos seculares, além de uma forma que seja razoável, inclusive para propósitos de investigação filosófica também, de certo modo, né, de de investigação filosófica, que é o caso que o Grop faz no livro dele, Natural and Religion, a Contemporary Philosophical Investigation, né, de 2018, né, que eu cheguei a abordar inclusive na live do Cristiano Constante.

¶272Eh, então assim, o fato do termo ter tido uma uma carga, né, um significado, né, o sentido atribuído, vinculado muito com o contexto eurocêntrico, vinculado com com cristianismo eurocêntrico, com âmbito ah de religiões ali mais tradicionais, ocidentais, né, como o próprio cristianismo, etc. Por mais que tenha vínculo mais com esse âmbito, esse termo, não significa que o termo não possa ser utilizado com um significado ali mais amplo, né? Significado mais amplo para além daquilo ah que foi estabelecido nesse contexto, né? Então esse é um ponto, esse é um ponto, tá? Ah, mas eu entendo que a crítica dele tá indo na direção do que o teólogo mineiro aponta na tese dele, né, na dissertação dele, aliás, ah, que é justamente fazendo referência ao antropólogo da religião, o Davison, que no caso critica a noção de religião justamente por conta dessa emergência nesse tipo de contexto, de contexto ali eurocêntrico e blá blá blá, né?

¶273Ah, e ele traz uma outra noção no lugar que ele acha que ele julga como sendo mais apropriado, que é de cosmografia ou cosmografia, por que eu me lembro? OK. Então eu entendo que ele esteja reproduzindo essa crítica, mas eu acho que essa crítica ela é razoável. Se a gente, no caso delimito, o que a gente quer dizer por um termo específico, então não tem muita relevância, cara, você querer criar um conceito novo desnecessariamente. Se não tem necessidade nenhuma de você criar esse conceito, né, para fazer referência aos fenômenos relevantes que você quer se referir.

¶274É basta você esclarecer o que você tá se referindo, né, quando você utiliza o termo religião, o que você quer se referir, né? eh você delimitar e esclarecer que no caso sua definição eh se você pretende fazer uma definição descritiva, né, para se referir a um certo fenômeno particular, né, a ou conjunto de fenômenos, no caso, que são em um âmbito eh até mesmo talvez transhistórico, né, ah, você pode, no caso, ali esclarecer eh o por que, no caso, a sua definição ela é adequada, né, em termos das condições de adequação referidas, né, ela paraente essas condições e e portanto acredível, né, como uma definição descritiva, né? Ah, e é isso, né? Então, >> OK. Teve essa, podemos reconhecer que o termo religião teve essa origem e teve um significado muito vinculado com uma concepção cristã, ah, eurocurocêntrica e blá blá blá, mas isso não torna inadequado você tentar estabelecer um novo significado para esse termo que seja mais abrangente, né?

¶275Eh, e que seja relevante para certos propósitos investigativos, inclusive filosóficos. Porque essa ideia de uma religião que diz, uma religião que se refere a verdades que o indivíduo acredita no seu interior, ela só aconteceu historicamente porque a Europa passou por um processo de reorganização produtiva. E veja, não é porque a Europa é rica que ela se tornou secular, porque a riqueza ela é um atributo dos impérios humanos desde sempre. A China foi um dos países mais ricos durante milênios. Isso não significou que ela deixou ou que ela se tornou uma nação secular, mas que essa produção de uma distinção entre a a imaginação da fé e a prática política, ela acontece num contexto específico da Europa que tava lidando com as crises internas e tinha na colônia um espaço livre aonde se poderia brigar por por território, enquanto dentro da Europa se entrava num conchavo de que não se iria mais disputar, não se iria mais disputar nem religião, nem território, iria se constituir os estados, nações e o direito moderno surge a partir disso.

¶276com o tratado de do V falha que se fundamenta na ideia de que fora da Europa se pode saquear, roubar e destruir, enquanto dentro da Europa a gente não debate nem religião, nem os territórios e a gente também não entra em guerra. >> Vocês estão entendendo, gente? São caras que não estão entendendo? >> Não, não. Andé >> sim.

¶277É >> bom. Então acho que como o André colocou essa dimensão de expressão religiosa enquanto um conceito que fala a respeito de uma experiência própria da do cristianismo, assim, e como a gente já assumiu que o o cristianismo moderno ele está vinculado necessariamente com um tipo de instituição de ordem burguesa, eh o modo de produção capitalista, assim, e em um outro momento no debate eu perguntei o que que eles estavam entendendo como religião. O capitalismo entrega exatamente esse tipo de experiência com transcendente, ainda que ele se venda enquanto um tipo de experiência secularizante, eh, que nega o seu pressuposto de violência nas colônias. Assim, o capitalismo tem o valor, tem o capital, tem a possibilidade de troca de mercadorias distintas a partir de uma moeda, mas você não consegue tocar, por exemplo, no valor, você não toca no capital, ele aparece enquanto uma experiência que transcende a a a experiência humana, mas ainda assim não é visto enquanto religião. Eh, o que eu diria é que o o discurso da secularização ela serve como pressuposto ideológico, um mito do capitalismo, que se esconde enquanto uma religião secular, vamos dizer assim.

¶278Então, o discurso do secularismo, ele esconde esse tipo de violência que é próprio do da formação do capitalismo e ele não se reconhece enquanto formação de uma ordem religiosa mesmo. Ainda ainda que você se diga ateu, pro capital não importa. Eh, ele vai instituir a ordem da sociedade que a gente vive, ele organiza nossas relações sociais, ele dita como a gente deve viver ou não. E aí ele faz isso >> aqui. O Tel Mineiro, ele tá expondo o ponto da tese dele, né?

¶279Como eu havia dito, inclusive ele chegou a comentar comigo sobre o ponto da tese dele, né, do capital tá como um deus real ou algo assim, né, algo nessas linhas. Eu me lembrei da tese do Yan Wright, que ele tem essa ideia do capitalismo como Deus real, né, aliás, do capital como deus real, ah, que ele desenvolve com baseado no Marx, né? Então, não é uma coisa estritamente ah originária do mineiro, né? você encontra alguns aspectos disso em outros autores, como assim o Young Wright, mas é interessante aqui ver ele desenvolvendo esse ponto, né? Vamos lá.

¶280De alguma forma, a partir de uma experiência ideológica própria do cristianismo moderno. Então, ainda que seja alienado, o cristianismo moderno tá presente dentro de uma cultura que se diz secular. Eh, eu diria que esse é o grande mito do da modernidade, assim, que é o secularismo, que esconde esse tipo de violência e esconde se esconde enquanto tipo de experiência religiosa que produz essa relação de divino com capital. que o que ele deu um entendimento é que o a colonização >> eh ela vem a partir de uma postura secular, porque na Europa a gente não disputaou mais religião, não disputou mais, não disputou mais poder, mas fora da Europa tá ali, saqueia, mata, rouba, desculpa, troca religião, faz foi umação foi feita pelo pelo pelo pensamento religioso, mas fora fora do da Europa >> experiência, >> não teve colonização da Europa na Europa que não foi não foi mas não foi Roma que colonizou a Europa. Acho que tá falando da Europa.

¶281Sim, mas ele tá falando da Europa período Europa expedicionária, vamos dizer assim, que saiu pelo mundo colonizando, roubando, saqueando. Onde é que essa Europa é secular? recentemente secular >> nos últimos nos últimos 100 anos que começou a >> o discurso da secularização ela serve como pressuposto ideológico, mito do capitalismo. >> Esse negócio pressuposto ideológico dentro do capitalismo. [risadas] Só tá ali para discordar da gente semanha.

¶282>> Ainda ainda que você se diga ateu pro capitão não importa. >> Ainda que você se você se tiver cristão antes de escravidão, pro cristão pr escravidão não importa. [ __ ] velho. >> E aí ele faz isso de alguma forma a partir de uma experiência ideológica própria do cristianismo moderno. Então, ainda que seja alienado, o cristianismo moderno tá presente dentro de uma cultura que se diz secular.

¶283>> É, graças a Deus, o cristianismo graças a Deus que ele ajuda, né? >> Eu eu eu vou deixar o M começar, [risadas] mas eu quero eu quero sentar e repetir o que eu falei quando eu recebi as propostas. E daí, velho? [ __ ] mano. Mas vamos, quando chegar no momento pragmático mais, mais propositivo, a gente fala sobre o resto, >> tá?

¶284Eu eu ainda tô assim, eu tô tentando entender de que forma isso se encaixa no nosso debate aqui, de que qual é o objetivo de trazer esse tema aqui. Particularmente, não ficou muito claro para mim, porque da mesma forma como a Europa hoje é secular por causa da colonização, essa afirmação, né? Ã, a América Latina só é cristão hoje por causa da colonização também. E se minha avó não tivesse rodas, ela seria uma bicicleta. Seria isso?

¶285Porque [risadas] é uma coisa assim, ok, o que que não é a colonização hoje, né? Ah, e eu não sei qual é a ideia, tipo, tá, não existe pensamento ateísta pré colonização. É isso que tá dizendo? Porque a gente tem pensamento, pensadores fora daqui, fora do do da da Europa. Tem uma corrente filosófica ateísta fortíssima na Índia no século VI, ã, protagonizada ali pelo pelo um filósofo chamado Kenzakembali, que o cara já tratava sobre >> Boa, boa, boa.

¶286Agita Kakambali, >> que é um filósofo do século VIº antes da era comum que o GR Hop se refere, né? Eu cheguei a mencionar isso inclusive no debate que eu tive contra o Alberto Tread e também no caso ali o Saquarema, né? O Thiago Saquarema, >> a gente teve lá no Tubaquete. Eita pe André Corria mandou trintão. Valeu, André.

¶287Andar, >> valeu, cara, pelos trintão aí. Tu é o cara, obrigado por toda ajuda nos meus estudos. Você e o S não tem noção de como o debate de vocês ajuda. Qualificação boa, cara. Boa, boa, boa, boa, boa.

¶288Valeu, viu, André? Valeu, André. Deixa eu ver se mandaram aqui Pix para mim. Não mandaram. >> Valeu, valeu, valeu pelos trão aí, cara.

¶289Mas enfim, bora. Não resta outra alternativa agoraismo sobre abstraç travado aqui. Pera aí, deixa eu ver aí. Completa da alma. Não existe alma, não existe espírito, existe apenas o mundo carnal e apenas aquilo que a gente vive.

¶290E a gente tá aqui para aproveitar vidas e viver a vida porque não há nada depois. Então não é só ali, tem pensadores sírios que são ateas. >> Então Ghop, ele se refere sobre isso, né, no nos capítulos do Athens no Basics, tá pessoal? que foi o que eu citei lá no meu debate com Saquarema, quem fez The Basic. >> Deixa eu mostrar aqui para vocês rapidão.

¶291>> Eu não traduzi esse capítulo ainda, tá? Esse capítulo não tá traduzindo na pensada lista ainda, mas tô pensando em traduzi-lo. >> Ai caramba. >> Foi embora foi embora. Foi embora.

¶292Confere, né, Bruno? >> Isso aí. Vamos fazer por parte ainda. Número 14, Leonel Pico, saindo pra entrada do Edson Fernando. Saiu também.

¶293>> É isso? Deixa eu ver iso basic aqui, ó. Insiste o time do Ricardo. >> Esse livro é excelente, tá? Esse livro é excelente.

¶294>> Mostrar para você jogada. Liberdade não tem condição legal. Categoria de sobra no domínio, >> ó. E no basics, tá aí aqui no capítulo Snapchats from History, ó, até o indiano antigo. Aí aqui ele comenta, ó, sessão 3.1, ó, a gente da Cambali do século VIº antes da era comum é acreditado como tendo sido o mais o enfim o materialista indiano mais antigo, né?

¶295Mais antigo ali, né? Enfim. Enquanto no caso a pouco sobre ele que é conhecido com certeza, parece no caso que ele foi o a fonte primária para os ensinamentos dos charva lcaiada Braspatia, escola de filosofia indiana. A tradição charva foi larga e foi largamente morta, né? Ou largamente morreu no final, no caso do século ah 12, né?

¶296Do século XI, depois da área comum, né? Tá, era comum ali. H, há quase nada escrito pelo autores charvacas que sobreviveu. Consequentemente, um caso que conhecido sobre o charvacas e em particular, no caso que é conhecido sobre agita que acambali é baseado nos escritos de autores pertencentes no caso a tradições filosóficas competidoras. Nenhuma dessas tradições competidoras é simpática ao materialismo.

¶297Muitos dos autores em questão são obviamente motivados a retratar os chavacas da maneira menos favorável possível, né? Ou seja, da maneira menos calidosa possível, etc., né? Por exemplo, no caso, de acordo com algumas fontes, a gita, queakambali se vestia, no caso, uma, enfim, uma, uma blanket, né, of hair, né, alguma coisa assim, tipo um véu, sei lá, alguma coisa assim. Que fez, no caso, ele ficar frio quando ele estava quando o clima estava frio e quente quando no caso f smelling, né, fmelling aqui é tá calma aí, calma aí. F smelling, ó o inglês falhando.

¶298É, tava com cheiro ruim, né? É. Ah, estava frio e também no caso quente e com cheiro ali horrível, né? Quando no caso o clima não estava, é, o clima estava quente. É grandemente provável no caso, que isso é uma propaganda pura, designada no caso para discretar uma das fontes primárias da do material mediano.

¶299Ah, fontes disponíveis sugerem no caso que agita que essa cambalha ensinas versões das seguintes alegações. Não há nenhuma alma humana que existe independentemente no caso do corpo humano. A alma humana, a alma humana no caso é idêntente ao corpo humano. Seres humanos no caso tem a constituição inteiramente material. Hã, não há nem vida antes do nascimento, nem vida depois do nascimento, depois da morte.

¶300Eh, e também não há nenhum ciclo de reencarnação, morte ou aniquilação. Ah, não há nem no caso céu, né? Nem paraíso, nem o inferno. Ah, não há nenhum destino, nem karma, eh, e nem no caso acumulação de mérito cármico ou demérito cármico, que é consequente sobre no caso as ações que nós performamos. Boas obras, caridade e compaixão não pode ah mudar os fatos sobre nossa aniquilação última.

¶301Há nenhum deuses sobrenaturais, né? Não há nenhum nem não há nada de sobrenatural causando fenômenos naturais. Ah, não há deuses, não há nenhuma razão no caso para fazer sacrifícios, oferendas para deuses e nada no caso é ganhado. Ah, se alguém fizer isso. As escrituras são, ao invés disso, no caso, falsas, tautológicas e autocontraditórias.

¶302Não há nenhuma mandado escritural de autoridade e escolas filosóficas particulares, não há nenhum mandado filosóficaá. Mas enfim, esses aqui são os ensinamentos, né? E aqui tá é ilustrado o caso dos ensinamentos do charvacas, né? E da visão do do agitaakambali. Ele defende o hidonismo, né?

¶303uma forma de uma versão do endonismo. Ã, e enfim, tem várias coisas aqui, né, referentes aí. Eu não vou entrar aqui no mérito, mas enfim. Esse daqui é o capítulo, né, o capítulo três, que trata sobre figuras históricas ali até e uma delas é justamente a dieta que cambali, que é um dos ateus mais antigos que tem, digamos assim, ah, um dos ateus mais antigos que tem, né, identificados aí historicamente falando, né, que o open ele corre sobre e eu comentei sobre isso lá no debate com o Ros da Silva, né, do Thiago Salarema. E aí, mas é isso, tem que deixar o país, tem que fugir e em boa parte com outro brasileiro, né, com outros jogadores brasileiros que ele conseguiu fugir, mas depois voltou já e secularistas, então ã, pensadores chineses, enfim, eu não consigo, eu não consegui entender assim, tipo, tá, a, a Europa é hoje secular, porque isso também é um movimento recente da Europa.

¶304Ela começa a se tornar secular, começa a se tornar, se é secular, tá dizendo ateísmo também. Não entendi nesse nesse aspecto, mas não é nesse aspecto, tá OK? Mas que o meu entendimento era nesse nesse sentido, hã, mas é uma coisa bem recente também, então eu não consegui entender muito bem para qual é o propósito assim de do que a gente queria chegar, mas o ponto ético, bom, basicamente tudo que a gente tem hoje, inclusive o cristianismo que a gente tem hoje ou a colonização cristã que a gente tem na América Latina e na América do Norte e nos outros países colonizados também é um fruto desse colonialismo, né? Tá? Eu eu vou explicar para não parecer grosseiro o porque o Tai daí, tá?

¶305E aí, eu não vou ficar conversando com câmera, vou conversar com vocês. Eh, quando eu falo sobre sociedades seculares, e aí eu falo mais de, e a gente pautou várias vezes aqui no debate sobre a religião não estar enquanto ente de poder político, de poder público, a gente pega e faz uma análise, por exemplo, de IDH. Países mais religiosos estão sempre na base dos índices. Países menos religiosos, é isso, tô falando poder político, tá? Com influência política, estão no topo do IDH.

¶306Quando a gente fala eh coeficiente de gine, índice de desigualdade, mesma situação. Quando a gente fala de questão educacional, segurança alimentar, moradia, a gente tende a ver nesses países em cuja religião tem menos influência política, um maior desenvolvimento da sociedade como um todo. É óbvio que não estamos falando de países de dimensão do Brasil, onde a gente tá falando de mais de 200 milhões de habitantes, onde, claro que é um processo bem mais complexo, mas o que a gente percebe é que em países de dimensões similares, mas aí por exemplo, localizado no continente africano, que tem suas suas questões, você vai ver os líderes religiosos pregando lá para os seus fiéis essa questão do da conquista individual, do trabalho e trazer resultado, da sua luta constante. E você vai ver a pessoa trabalhando como, sei lá, limpadora de jardim, achando que vai ter uma casa própria, que vai conseguir viver, vai conseguir se aposentar em algum momento. a gente sabe que essa não é a realidade, enquanto o líder religioso que tem influência política, esse consegue, né, inclusive muito cedo.

¶307Eh, para mim, a grande o grande problema de a gente pode falar de questão colonial, a gente pode falar do movimento que se iniciou, na pode, claro, mas eu digo assim, quando eu penso em bem-estar social e eu penso desligado da religião, esse bem-estar social desligado da religião, eu penso enquanto ser da nossa espécie que quer pregar o bem-estar de outras espécies. E quando eu noto por dados que no momento em que a gente remove a religião como mecanismo, >> novamente Michele trazendo a perspectiva de ética normativa utilitarista, bem-estarista dela em voga, né, a um utilitarismo ali hedonista, né, que envolve o âmbito do bem-estar, né, do prazer, etc. >> Como de poder político, de decisão política, a gente tende a ter essa melhora. Eu tomo a postura de quê? nada contra a religião, nada contra a fé, nada contra os cultos, nada contra os ritos, nada contra isso.

¶308Porém, não tome decisões políticas com base nisso. Então, eu afasto e eu busco afastar a decisão política disso. A gente segue no na conversa, mas o meu negócio é o que que os dados dizem. E os dados para mim mostram que quanto mais a gente afasta a religião do ambiente político, melhora a sociedade para forma. Então, os dados então falam a respeito de uma de um movimento que começou a melhorar economicamente para o povo depois que se afastou a religião da política.

¶309E assim, tipo, se tu olhar agora, tá, neste momento, e fizer um levantamento assim, índice de desenvolvimento humano e tu fazer um cruzamento do índice de desenvolvimento humano com países cuja religião está mais no poder ou são mais teocráticos inclusive e países em que a religião não está no poder. Tu vai ver que o índice de desenvolvimento humano nesses países tende a ser maior nos o Brasil ele não é um grande um grande país no desenvolvimento humano e a gente tem a religião diretamente no poder. >> Mas como é que você como é que você então você não entende a prerrogativa da conversa exatamente sobre isso? Quais são esses países que estão nos altos índices do Dg? Depende qual ranking tu quer que 10 15 porque a grande questão é que tu vai pegar países escandinavos tá e eles foram formados, eles conseguiram conqueza secular não significa deixar de acreditar em Deus que a população é até proposta só comentando com o que falou Misa, é que exatamente nesses termos que vocês estão aqui, é toda a nossa conversa trazendo como referências.

¶310Eu não entendo assunto. Vocês não entenderam porque vocês passam toda a nossa conversa dizendo que esses países que separam a religião da política são grandes referências e aí não entendem quanto a gente afirma que ess >> eu acho que essa discussão tá muito confusa, pelo menos esse último tópico, né? Eu acho que eles não souberam formular bem e deixar de forma mais clara pr pro Misa e pr pra Michele o ponto que eles queriam trazer aqui nesse tópico, tá? A gente tá um pouco confuso, né? Como eles trouxeram esse ponto, >> essa essa essa essa cisão entre o político e o religioso, ele se dá num contexto específico do centro do capitalismo que precisou da super exploração da periferia do capitalismo para se realizar, porque não é simplesmente porque eles são ricos, não é simplesmente Uruguai fez isso.

¶311>> O Uruguai é um caso a parte dentro de todo contexto da América Latina. >> Exato. Regra. [risadas] >> Aí você pega um você pega um país, quantos milhões de habitantes tem Uruguai? >> Não, tudo bem, mas eu tô dizendo, é uma experiência que não foi colonial.

¶312>> Sim. >> Tá, mas só deixa, deixa eu te perguntar uma coisa, por exemplo, quais são as grandes colônias norueguesas hoje? >> Não, efetivamente ninguém mais tem colônia. temas. >> Tá, mas quais foram os países fora da Europa cuja influência é a norueguesa?

¶313>> Depois da Segunda Guerra Mundial, diversos países tiveram presença de empresas norueguesas. >> Tá? Eu eu eu vou tentar assim, mais, por exemplo, no Brasil a gente apagou religiões, cultura e tal com uma invasão europeia portuguesa, portuguesa, espanhola e por aí vai, tá? >> Este processo a Noruega fez em algum lugar? >> Não, mas ela diretamente por conta da União Europeia, esse tipo de relação econômica legal, legal.

¶314Ela fez isso. Vamos culpar lá e vamos culp não vamos. >> É que o modelo de Vai, desculpa, desenvolvessa aqui. Eh, vamos botar lá. Ah, Noruega fez isso.

¶315O que eu O que eu tô fazendo de análise agora é o seguinte, quando a gente vai tomar decisões políticas para o bemestar da população, elas são melhor tomadas com base na fé ou com base em dados, estudo, análise, crítica, estatística? Por exemplo, se eu quero desenvolver energia eh limpa no Brasil, tá? Eu tenho que olhar para o que a minha fé diz sobre a exploração de uma certa área ou eu tenho que olhar paraa ciência dizendo isso? Você entende o que eu tô querendo trazer para cá? E tipo assim, ó, eu não quero que a pessoa pega e dizer assim, ó: "Eu sou contra aborto." Por quê?

¶316Porque a minha fé diz que é que é errado. >> Tudo bem. >> Eu sou contra casamento LGBT. Por quê? Porque a minha fé diz que é errado.

¶317Eu sou contra o acúmulo excessivo de capital, >> que é o que vocês são, não é? Porque a fé de vocês diz que isso é errado, mas a fé do outro lá disse que é certo. E aí aqui a gente tem uma disputa em que a fé do outro tá no poder dizendo que o acúmulo excessivo de capital é meritocracia, é direito do outro. Eu quero que esta visão, a possibilidade dessa visão estar lá não esteja. >> Sim, mas para você, mas >> eu, eu essa é minha postura.

¶318>> Mas o seu querer, se se o seu querer não deriv uma disposição de interpretar historicamente como essa sua referência aconteceu, ele é só um querer. Aí eu também quero coxinha infinita. Aí não importa. A questão é por que tu descata a ideia da China, por exemplo, como um governo secular? Mas eu acho não é secular.

¶319Eu então o que que é secular? >> Não, mas mas como assim? Tipo, por exemplo, Lenin, Lenin era era um a União Soviética de Len era um estado ateu e era extremamente crítico ao secularismo. >> Uhum. Vocês estão me parece vocês estão tratando ateísmo e secularismo com sinônimos.

¶320Só um detalhe, eu não eu não sou em nenhum momento fiz defesa. >> É porque eu acho que tá tendo uma confusão com o termo secularismo aí também, né? Porque existem alguns sentidos possíveis de secularismo, né? Um secularismo é no sentido de da defesa da separação entre instituições políticas e instituições religiosas, né? de crenças, credos, eh, concepções religiosas ali, né, visões de mundo religiosas do âmbito político, né?

¶321Ou seja, de não haver uma intervenção no âmbito político, né, uma atuação política com base em razões religiosas, né, vinculada com alguma tradição religiosa particular, né, ou conjunto de tradições religiosas ou qualquer coisa assim, ah, como no caso sendo tomadas como base para articulação de políticas públicas e blá blá blá, né, como favorecendo uma justificativa para leis e coisa e tal. Existe, no caso, uma concepção de secularismo, no caso, a, em termos da distinção entre o mundano, né, entre o sagrado e o profano, né, que é vinculado com a visão do Mercad, né, mais especificamente, que o próprio teólogo mineiro se refere na na disertação dele. existe uma noção de secularismo que no caso se vincula com a concepção de mundo, no caso ali que traz o âmbito das preocupações pro âmbito imanente, né, e principalmente pro âmbito terreno, né, pro âmbito terreno, né, mundano, ao invés do âmbito transcendente, né, vinculado com religiões tipicamente monoteístas tradicionais, né, tipicamente e até algumas não tradicionais também, né, algumas religiões não tradicionais monosisticamente falando. Então eu acho que tem todas essas concepções de secular, de secular, de secularismo, né? Ah, e coisa e tal, que gera uma confusão, né?

¶322Eu acho que eles não estavam se entendendo bem nos pontos aí. Então, de fato, no sentido ali de não defender a separação entre estado, entre instituições políticas e instituições religiosas eh entre concepções específicas, né, ali de concepções também antirreligiosas, né, ou irreligiosas ali com o estado. Nesse sentido aí, de fato, o estado o >> o estado estalinista, né, digamos assim, né, eh o estado estalinista, né, não era do da União Soviética estalinista, não era secular nesse sentido, né? Ah, mas pode ser secular em outros sentidos, né? em outros sentidos ali.

¶323Ah, e é claro, no caso, quando se trata quando se trata, por exemplo, ali a do da China, tem ainda a religião confuncionista, né, de fundo, né, tem um plano de fundo ele que tem um elemento confuncionista envolvido, né, no partido chinês, né, no Partido Comunista Chinense. Então, não é um âmbito estritamente secular, né, e isso move, isso daí guia a visão, no caso, ah, do estabelecimento das leis e do estado vigente naquele contexto, né? Eh, por isso que eu digo que não é exatamente o estado eh secular ou laico, né, estritamente falando, né, embora no caso advogue tipicamente uma distinção forte, né, uma separação forte ali entre práticas religiosas, né, em ambientes públicos, né, sejam impedidas e coisas e tal, e a religião seja vista, né, as religiões ali, principalmente o cristianismo, seja vista como o âmbito mais do da esfera privada ou de grupos específicos religiosos ali que tem que se engajam com cultos e coisas e tal, né, mas não com algo que se pretenda, no caso, interferir no âmbito do estado, né, mas ainda assim tem tem um aspecto confusionista vinculado com com o estado com o estado chinês, né, ali no âmbito da da China atual, né, até onde eu sei. Então, nesse sentido também não é secular. Salve isso aqui, ó, o S aqui.

¶324Isso aqui aparecer de novo. >> Mas enfim, o tema é esse daqui, ó. Não existiria sociedade secular europeia sem colonização. Só que eu acho que, cara, seria bom você ver o que o André e o teólogo mineiro defendem aqui para você entender o panorama de tudo de fundo. O M e a Michelle, eles acabaram entrando em uma confusão por conta da falta de clareza nesse nesse tópico.

¶325Acho que não ficou tão claro assim para eles. Eu vou mostrar para você o a parte inicial da conversa, só para você se familiarizar. Aí a gente volta aqui para essa minutagem, qualquer coisa que é de uma 1 hora e 2 minutos, né? Ah, então vamos lá. Vamos lá.

¶326>> E a sociedade secular europeia sem colonização. >> Eu não sei se eu concordo ou não. >> Eu não sei nem qual é o argumento. >> É no mínimo curioso que existe agora nas redes sociais todo um argumento contra a religião que pressupõe ah, como um grande exemplo, os ah o modelo ou a forma como a religião e a política se desenvolve no interior dos países europeus. H, sobretudo pensando naquilo que se trata enquanto secularidade ou laicidade.

¶327São termos diferentes, mas se referem a em certo sentido o mesmo impulso, ah, que teria como base uma separação entre aquilo que é da ordem do religioso e aquilo que é da ordem do político. E é curioso que as pessoas de esquerda assumam essa posição, porque essa construção histórica dessa própria ideia de secular, enquanto algo que separa o espaço social de uma um uma coisa chamada religião, perceba, religião é um termo criado na modernidade. Religião é um termo que em sua característica própria tem sentido explicando aquilo que a modernidade chama de religião cristã. Não faz sentido a gente usar o termo religião para falar da China, da Índia ou até mesmo das tradições mais a a leste da Rússia, >> o Japão, as tradições pré-colombianas na América Latina. Porque essa ideia de uma religião que diz, uma religião que se refere a verdades que o indivíduo acredita no seu interior, ela só aconteceu historicamente porque a Europa passou por um processo de reorganização produtiva.

¶328E veja, não é porque a Europa é rica que ela se tornou secular, porque a riqueza >> aqui praticamente o que eu comentei foi que ele é aquela crítica que eles fazem é uma utilização do termo religião que ela surgiu, né? Esse termo surge mais no contexto do cristianismo eurocêntrico e blá blá blá, né? eh, e de uma tradição religiosa ocidental, né, eh, vinculada com uma concepção ali cristã, mais especificamente, e que não é generalizável essa concepção, né, [limpando a garganta] da da forma como se originou historicamente para o âmbito geral. Só que aí eu comentei que podem ter vários tipos de significados que você pode atribuir para termos, né? Eh, e podem ter significados que sejam mais apropriado ou não, dependendo do contexto, né?

¶329E do tipo de definição que você tá se pretendo a a trazer, né, para aquele termo. Ah, aí eu fiz a distinção entre definição ostensiva, definição definição ali descritiva, definição real, definição enfim, vários tipos de definição, né? Eh, e aí eu falei que no caso a gente pode trazer uma definição descritiva, né, como o mesmo traz no livro Naturalism and Relation contra Philos Integation, que se ancorando em estudos, né, securando, aliás, em autores, né, que realizaram estudos de campo e tudo mais, né, e levando em consideração característica de várias religiões abarcadas ali, né, ah, trazidas ali nos dados que ele traz, né, antes de trazer a definição em questão, ele articula essa definição nova levando em consideração dados empíricos oriundos de cada uma dessas região do e das características presentes de forma mais gerais nessas religiões para poder, né, nessas instituições, né, religiosas ou grupos que nós tipicamente tomamos como religiosos no no contexto ocidental para articular uma definição mais ampla de religião para propósitos, por exemplo, né, no contexto dele, propósito de investigação filosófica e de comparação com visões de mundo ali articuladas em termos naturalísticos, né, que se contrapõe a religião na visão do OP, né? Ah, então você pode articular uma definição dessas e isso se destoa desse aspecto da originação do termo, né? eh, no contexto mais vinculado aqui com o ampental, na tradição cristã, que tem uma aspecto cêntrico envolvido e blá blá blá.

¶330Então, é possível você usar isso, né? Ah, e eu entendo, no caso, que isso tenha vínculo também com com o que o antropólogo da religião, que o teólogo mineiro cita na dissertação dele, né, o Davidon, traz, né, com aquela noção que ele ele diz, no caso, ele diz, no caso que essa concepção europeia, né, enfim, vincul âmbito neoplatônico, né, uma visão neoplatônica e vinculada com o cristianismo do âmbito eurocurocêntrico e blá blá blá, e que no caso ah, seria mais adequado a gente substituir essa noção por uma noção de cosmonografia, né, que ele fala de cosmog og rafia ou cosmonografia. Eu entendo, no caso esse ímpeto, só que eu acho que tá, whatever, tipo, ah, por que não utilizar o termo religião mesmo assim, né? Porque no caso é um termo mais ampliado, mais utilizado. E ainda assim você pode esclarecer o que você quer dizer com aquele termo quando você traz ele pra discussão, né?

¶331Então você pode clarificar que o que você quer dizer quando você traz o termo religião pra mesa e ainda assim pode ter a sua relevância ali no contexo de discussão, principalmente filosófica, né? É, então nesse caso aí eu eu não acho, eu acho que é justamente o que o Misa comentou aqui. Acho que eles se prendem muito a semântica, sabe? >> É, até porque o termo o termo religião ele é bem mais antigo que a modernidade, né? Mas eu eu não sei se é que ele tá falando do conceito moderno de religião.

¶332>> O seu microfone tá o seu áudio tá um pouco ruim. Isso aqui >> tá ruim. >> É, >> tá baixo ou tá o quê? Sei lá, parece que tá meio >> abafado. >> É meio abafado.

¶333>> Eu posso tentar mudar pro celular. [risadas] >> Talvez eu mte pro celular. >> Aí melhorou, >> melhorou. >> Melhorou amigo meu >> do É, mas eu não fiz nada. >> Não sei o que você fez aí, mas melhorou.

¶334>> Mas tudo bem. Eh, eu só ia comentar até tem esse discurso muito comum com muitos termos. As pessoas, esse conceito não existia antes da modernidade, mas às vezes não é muito verdade alguns assim, né, igual não tinha noção de subjetividade, não tinha noção de consciência, não tinha noção de eh infância, não tinha. Só que essas afirmações são meio radicais assim, geralmente o que eles querem dizer assim, o conceito moderno de infância, o conceito moderno de religião não existia antes da modernidade, que é meio trivial assim, mas algum conceito de religião, evidentemente, existe antes da modernidade, até porque o termo religião ele é anterior, né? É o relíquio no latim de religar, né?

¶335Esse termo já era usado há muito tempo, acho, desde a Roma republicana lá do século I antes de Crist. A Bíblia mesmo usa o termo religião, eh, acho que é terceia no grego lá, acho que é Thago, sei se é Thago 1:27, a verdadeira religião é cuidar dos pobres. Então, o termo religião é mais antigo, mas é evidente agora o conceito moderno como um campo científico que tenta categorizar, classificar fenômenos religiosos, talvez seja um fenômeno moderno assim, mas aí torne afirmação um pouco trivial, né? Porque evidentemente que o conceito moderno de religião não existia antes da modernidade, mas a ideia de religião já existia há muito tempo, bem antes da modernidade. >> Sim.

¶336Aí eu vou deixar ali o teólogo também comentar sobre a tese dele, né? Porque esse, pelo que eu entendi, ele queria trazer o o aspecto da tese dele, né, aliás, da dissertação dele aqui pra discussão nesse tópico. Só que eu acho que essa você vai entender que não vai ficar muito claro assim pro pro Miz e pr para Michel, eles vão ficar um pouco confusos porque pela forma como eles expuseram a coisa. >> Ela é um atributo dos impérios humanos desde sempre. A China foi um dos países mais ricos durante milênios.

¶337Isso não significou que ela deixou ou que ela se tornou uma nação secular, mas que essa produção de uma distinção entre a a imaginação da fé e a prática política, ela acontece num contexto específico da Europa que tava lidando com as crises internas e tinha na colônia um espaço livre aonde se poderia brigar por por território, enquanto dentro da Europa se entrava num conchavo de que não se iria mais disputar, não se iria mais disputar nem religião, nem território. iria se constituir os estados nações e o direito moderno surge a partir disso com o tratado de v falha que se fundamenta na ideia de que fora da Europa se pode saquear, roubar e destruir, enquanto dentro da Europa a gente não debate nem religião, nem os territórios e a gente também não entra em guerra. >> Vocês estão entendendo? São caros que não estão entendendo? >> Não, não.

¶338[risadas] >> Entendim. É >> bom. Então acho que como André colocou essa dimensão de expressão religiosa enquanto um conceito que fala a respeito de uma experiência própria da do cristianismo, assim, e como a gente já assumiu que o cristianismo moderno ele estava vinculado necessariamente com um tipo de instituição de ordem burguesa, eh o modo de produção capitalista, assim, e em um outro momento no debate eu perguntei o que que ele estavam entendendo como religião. O capitalismo entrega exatamente esse tipo de experiência com transcendente, ainda que ele se venda enquanto um tipo de experiência secularizante, eh, que nega o seu pressuposto de violência nas colônias. Assim, o capitalismo tem o valor, tem o capital, tem a possibilidade de troca de mercadorias distintas a partir de uma moeda, mas você não consegue tocar, por exemplo, no valor, você não toca no capital, ele aparece enquanto uma experiência que transcende a a a experiência humana, mas ainda assim não é visto enquanto religião.

¶339Eh, o que eu diria é que o o discurso da secularização, ela serve como pressuposto ideológico, um mito do capitalismo, que se esconde enquanto uma religião secular, vamos dizer assim. Então, o discurso do secularismo, ele esconde esse tipo de violência que é próprio do da formação do capitalismo. E ele não se reconhece enquanto formação de uma ordem religiosa mesmo. Ainda ainda que você se diga ateu, pro capital, não importa. Eh, ele vai instituir a ordem da sociedade que a gente vive, ele organiza nossas relações sociais, ele dita como a gente deve viver ou não.

¶340E aí ele faz isso de alguma forma a partir de uma experiência ideológica própria do cristianismo moderno. Então, ainda que seja alienado, o cristianismo moderno tá presente dentro de uma cultura que se diz secular. Eh, eu diria que esse é o grande mito do do da modernidade, assim, que é o secularismo, que esconde esse tipo de violência e esconde se esconde enquanto tipo de experiência religiosa que produz essa relação de divino com o capital. Assim, que o que ele deu um entendimento é que o a colonização >> é ela vem >> que que você achou desse ponto aí do mineral que se vinculou com com a dissertação dele? Não, eu acho uma tese muito forte assim de fazer a secularização europeia e entrelaçar ela com um processo de colonização.

¶341É claro que os dois processos acontecem no numa mesma época, né? Porque tem a constituição da Europa moderna e na mesma época tem a colonização. N. O que o que me preocupa um pouco da é essa construção de uma narrativa que é um pouco complicada de quando você conta uma história de como as coisas aconteceram, né, que você percebe que é uma história que é uma maneira de narrar os eventos que não necessariamente refletem o que se deu ou que parece ser uma maneira um pouco, eu não sei se é, mas maneira um pouco ideológica de narrar como as coisas se deram. Just so stories que é chamada isso no inglês, eu acho, uma justo stories.

¶342>> Isso. >> Tipo assim, é muito comum é poder narrar assim: "Ah, Europa se secularizou, isso foi resultado de um processo de colonização." Eh, então a a ideia de religião, já começa por isso, né? Que você tem que excluir várias coisas, né? Primeira, a ideia de religião é uma invenção moderna, o que não é exatamente porque a palavra religião, a noção de religião existia antes. Mas aí, ah, sei lá, isso, a, a ideia de separar a religião de política é uma invenção moderna.

¶343E realmente, em certo sentido, é realmente assim, as outras sociedades até então elas não separavam o campo do religioso do campo político de maneira rígida. Talvez o que possibilitou isso na Europa moderna foi justamente questões como iluminismo, né, a ideia da razão de se voltar a ideia de distinguir a esfera eh das discussões religiosas, teológicas, de uma esfera da razão pública. Então, assim, tem vários movimentos filosóficos que, inclusive, né, eh, eram movimentos que tinham ideias até meio anticolonização em certo sentido, no sentido de pensar assim uma racionalidade universal, coisas nesse sentido. Então, não sei, é uma maneira de contar as coisas que eu acho que é meio complicada. Ah, de >> partir pastora, >> deixa rodar aqui só para você ver a reação do M e da Michele >> secular porque na Europa a gente não disputa mais religião, não disputa mais, não disputa mais poder, mas fora da Europa tá livre, saqueia, mata, rouba, estupra, troca religião, faz.

¶344Foi foi foi uma colonização foi feita pelo pelo pelo pelo pensamento religioso fora >> for fora do da Europa >> experiência colonização da Europa na Europa >> que não foi mas não foi Roma que colonizou a Europa tá >> falando da Europa ele falando da Europa per Europa expedicionária, vamos dizer assim que saiu pelo mundo colonizando, roubando, saqueando. Onde é que essa Europa secular? Se ela recentemente foi secular nos últimos nos últimos 100 anos começou a funcionar. O discurso da secularização, ela serve como pressuposto ideológico, mito do capitalismo. >> Esse negócio pressuposto ideológico dentro do capitalismo.

¶345[risadas] Só tá ali para discordar da gente semanha. >> Ainda ainda que você se diga ateu, pro capitão não importa. Ainda que você, se você se tiver cristão antes de escravidão, cristão para escravidão na corta, [ __ ] velho. >> E aí ele faz isso de alguma forma a partir de uma experiência ideológica própria do cristianismo moderno. Então, ainda que seja alienado, o cristianismo moderno tá presente dentro de uma cultura que se diz secular.

¶346>> É, graças a Deus, o cristianismo, é graças a Deus que lhe ajuda, né? Ah, >> eu eu vou deixar o M começar, [risadas] mas eu quero eu quero sentar e repetir o que eu falei quando eu recebi as propostas. E daí, velho? [ __ ] mano. Mas vamos, quando chegar no momento pragmático mais propositivo, a gente fala sobre o resto, >> tá?

¶347Eu eu ainda tô assim, eu tô tentando entender de que forma isso se encaixa no nosso debate aqui, de que qual é o objetivo de trazer esse tema aqui. Particularmente, não ficou muito claro para mim, porque da mesma forma como a Europa hoje é secular por causa da colonização, essa afirmação, né? Ã, a América Latina só é cristão hoje por causa da colonização também. E se minha avó não tivesse rodas, ela seria uma bicicleta. Seria isso?

¶348Porque [risadas] é uma coisa assim, ok, o que que não é a colonização hoje, né? E eu não sei qual é a ideia, tipo, tá, não existe pensamento ateísta pré colonização. É isso que tá dizendo? Porque a gente tem pensamento, pensadores fora daqui, fora do do da da Europa. Tem uma corrente filosófica ateísta fortíssima na Índia no século VI, ã, protagonizada ali pelo pelo um filósofo chamado Kenakal, que o cara já tratava sobre materialismo, sobre abstração completa da alma.

¶349Ã, não existe alma, não existe espírito, existe apenas o mundo carnal e apenas aquilo que a gente vive. E a gente tá aqui para aproveitar vidas e viver a vida, porque não há nada depois. Então, não é só ali, tem pensadores sírios que são ateistas e secularistas. Então, hã, eh, pensadores chineses, enfim. E eu não consigo, eu não consigo entender assim, tipo, tá, a, a Europa é hoje secular, porque isso também é um movimento recente da Europa, ela começa a se tornar secular, começa a tornar, se é secular, tá dizendo ateísmo também.

¶350Não entendi ser nesse nesse aspecto, mas não é nesse aspecto, tá? OK. Mas que eu meu entendimento era nesse nesse sentido. Ã, mas é uma coisa bem recente. >> E aqui foi a confusão entre os sentidos de secularismo que teve.

¶351Eles não estavam se entendendo com isso, porque uma hora divisava o secularismo no sentido de separação entre instituições políticas de de instituições religiosas, né, ou dono da esfera religiosa e da esfera política, né, >> por assim dizer. Um em um outro momento, no caso, se utilizava o secularismo no sentido de uma visão de mundo que advoga por uma primáia, né, uma primazia de preocupações com âmbito terreno, ao invés do âmbito transcendente vinculado com religiões tipicamente tradicionais, né, monoteístas ali e até algumas monoteístas não tradicionais, né, propriamente. E outra hora se defendiu o secularismo ali como uma visão, né, acerca de, enfim, acerca de uma de uma perspectiva que advoga, no caso, ali, ah, por uma uma visão de mundo ali que elimina os aspectos, no caso, que são vistos como não naturais ou algo assim, vicar com naturalismo, algo assim. Então, acho que tava tendo uma confusão aí de vários sentidos de secularismo e isso dificultou a resolução, né, e a discussão deles. Eh, e foi a que chegou nesse momento aqui que a gente tava que é no momento um >> Uhum.

¶352>> Ó, que é nesse momento aqui, basicamente, ó, político, poder religioso, para que ela acontecesse, existe uma existe uma série de processos aonde a o existe uma aí falando, enfim, em termos mais a as características decisória dentro das políticas públicas. Tudo bem, mas quando historicamente isso aconteceu pela primeira vez? Porque durante toda a história da humanidade as coisas estiveram juntas. Quando aconteceu, não é, não é só quando aconteceu, mas são as características e as condições que fizeram isso acontecer. Sem essas características e sem essas condições que possibilitaram isso acontecer lá, não tem como a gente querer simplesmente colocar isso aqui.

¶353Esse é o ponto estrutural. e que para que a a essa cisão entre poder político, poder religioso, para que ela acontecesse, existe uma existe uma série de processos aonde há o o existe uma aí falando, enfim, em termos mais ah teóricos, existe a criação das fronteiras no termo nos termos que a gente conhece hoje. Is é uma criação moderna, as as fronteiras das nações enquanto territórios delimitados e específicos que são vigiadas militarmente e sobretudo uma divisão entre as fronteiras internas da Europa e as e a fronteira que era o mar, a fronteira com a América. se aceitou deixar de falar, deixar de usar religião para fazer política e usar e e trabalhar simplesmente com os acordos econômicos, porque se tinha como pressuposto a exploração colonial. >> Mas é esse o modelo proposto?

¶354Eu quero, eu quero entender seosto do modelo. Não, >> não, esse é um pressuposto que tu tá pegando da época em que porque aí aí aí aí para mim sempre gera o problema. Porque é a mesma coisa que eu queria julgar o cristão como escravocrata, porque em um dado momento o cristão disse que a escravidão era OK pela fé e fez, pera aí, e fez política de desenvolvimento social pela escravidão. O o cristianismo não fez política de desenvolvimento pela escravidão usando como ferramenta de trabalho outras pessoas. >> Sim, mas eu não quero, eu não quero justa apô moralmente dizer que quem defende essa separação defende o julgo colonial.

¶355Eu quero dizer que essa essa justa essa separação não é realizável num num país que sempre foi à periferia desse sistema colonial. >> Mas mas eu não tô entendendo. Tá, mas vamos lá. Qual é a tua proposta então? Não tô aqui falando 1 anos.

¶356[risadas] A minha proposta é uma revolução revolução fazendo a crítica. Mas qual é a proposta então para para que a gente tire o proposta pela libertação? >> Ok. Mas mas isso é a gente tá falando do além, a gente tá falando do do depois. O que eu tô falando é o seguinte, a gente tem um problema hoje corrente e atual.

¶357>> Uhum. >> Que é a influência da religião que está no comando. >> Sim. >> tomando decisões políticas. >> Uhum.

¶358>> Se uma postura de separar isso de lá não é a proposta adequada, visto o exemplo que tu citou inclusive este tema, qual é a proposta atual pro momento atual? O que que a gente faz? >> Mesc mais a religião com o poder. >> Não estão separadas. Porque a questão é que não existe essa separação que vocês estão falando.

¶359Não existe na no nível prático. >> Uma tentativa, há uma, se há uma tentativa assim de fazer isso e ela é de certo modo com sucesso. >> Não, a gente tá assumindo que isso é um mito da modernidade. Esse é o ponto. A gente tá assumindo que essa cisão que é uma construção inclusive dentro do ocidente cristão.

¶360>> Tá. Posso te perguntar uma coisa bem bem bem honesto, tá? Se nós tivéssemos uma bancada muçulmana que decidisse decidisse fazer leis no Brasil através da lei de Xaria, vocês tomariam a mesma postura que vocês estão tomando com o cristão que tá lá no poder? Eles, essa, esses muçulmanos que estão lá decidindo através da fé por lei de Xaria para virar lei no Brasil. Vocês tomariam a mesma postura de dizer: "Não, tá tudo bem, eles tem que lá".

¶361Não, mas mas a gente mas a gente não tá falando isso, que a gente defende, por exemplo, um tipo de ideologia que vai legitimar algum tipo de experiência violenta. Por exemplo, você acha, você acha que um cristão, >> vou colocar aqui, você acha que um parlamentar cristão eh que tem o nosso pensamento, ele deixa de ser cristão na hora que ele vai tomar algum tipo de atitude? Isso o que eu tô dizendo é usar a fé para tomar. >> Não, mas ele não tira a fé dele é o pressuposto para ele atuarmente. >> Mas isso, mas isso então justifica que existam leis ant LGBT, porque os cristãos que estão lá estão cristãos lá.

¶362Eu não é o que o que legitima não é a experiência religiosa dele. O que legitima é a ideologia violenta. Mas ele baseia na >> Ah, não, aí eu discordo completamente. Aí para mim é é basicamente uma cosmovisão que a pessoa tem cara e uma interpretação específica com uma lente teológica, né? É específica, mas que se vincula com uma visão de mundo ali que a pessoa tem e que ela ineriu isso, né?

¶363Elaidou essa cosão de outras pessoas ou até ela racionalizou isso depois através de argumentos de teologia natural ou qualquer coisa assim, né? Até alguns fazem isso também, né? racionalizam essa cosmovisão. Outros só absorvem ela por cultura, por tradição e usam isso como base para legisilar, né, para fazer leis e coisas e tal, com base nessa visão de mundo. Mas ainda se envolve um conjunto de princípios morais ou de crenças acerca do âmbito espiritual que eles acreditam ser real e que eles atuam com base nisso, né?

¶364E aí você tentar estimular mais ainda, fortalecer mais ainda esse sistema de crenças nessas pessoas, não parece que isso vai ajudar muito não, né? Não parece que isso vai ajudar muito não, mas enfim, é um é um ponto aí que eu tenho na discord do do André e do do Mineiro. >> Discord, eu acho que eles estão fazendo informações muito fortes, sei lá, históricas assim muito muito muito muito fortes assim. Pois aí entra p do lá no cont que eu me referi no na live passada eu acho que é isso, né? Vou acho finalizar aqui que você acha a já já de bast meia noite vai dar enfim acho que >> já tinha caído.

¶365>> Ah, voltou. >> Voltei. >> Voltou, voltou, voltou. Mas enfim, acho que eu vou finalizar. Acho que a gente já ia agir bastante aqui.

¶366Já ia agir bastante aqui. Então, >> Uhum. >> Então é isso. Considerar essas finais aqui. >> É, eu espero que a partir da da daqui a pessoas não pensem que ser secularista é ser a favor da colonização.

¶367[risadas] Tô brincando. Mas evidentemente é é igual falar assim, né? Sei lá, que a escravidão possibilitou que os os filósofos que o Sócrates fizesse filosofia, né? Porque sem escravidão o Sócrates não teria tempo livre, tinha gente trabalhando para ir para ele ter tempo livre para pensar em filosofia. Logo, a filosofia ela é um processo que surge dependendo da escravidão e por tanto tem alguma conexão necessária ou forte entre as duas coisas.

¶368Mas t falando brincando, é claro que é claro que ser secularista, inclusive eu não entendi muito bem porque que não dá para ser secularista na América Latina ou coisas do tipo, mas enfim, são teses meio fortes, mas eu acho que o secularismo não tem nada a ver com o que eles estão colocando ou pintando um quadro muito estranho do secularismo até a parte que eu vi. Eh, mas achei interessante o debate entre todos assim. Eu, e eu repito, né, quem quiser continuar acompanhando vídeos meus, se inscreve no, no meu canal. E eu agradeço bastante o David Ribeiro pelo convite. >> É isso aí, se inscreva no canal dele, tá na descrição aí o ar dele, do Télé Mineiro também, né, que inclusive direcionou algumas pessoas para essa live, né?

¶369Então, agradeço a ele aí. Eh, acho que ele tava reagindo a gente. Eu não sei, depois eu vou dar uma olhadinha. >> Legal. >> E é isso, né?

¶370E é isso. Então, agradeço a todos. Valeu, falou e até mais, pessoal. Uma boa noite para vocês. >> Até mais.

¶371Boa noite,